Crítica de cinema — Prosperidade do Cinema Infanto-juvenil e a lei 13.006/14

Colyseu

 

Mostra cinema infantil de Florianópolis 1

 

A questão da distribuição sempre foi o calcanhar de Aquiles do cinema brasileiro. Muitos filmes são realizados, e de ótima qualidade, mas não chegam às salas de exibição ou permanecem muito pouco tempo nas telas grandes. No caso do filme infanto-juvenil, o problema se agrava porque também não há produção. Qual a causa? A competição com o cinema estrangeiro? A falta de recursos? Este é um tema que já foi discutido em vários encontros, congressos e seminários. Mas a situação continua a mesma.

Tal situação nos deixa à mercê das produções internacionais, sem condições de competir com o produto estrangeiro, submetendo nossas crianças e jovens à cultura importada e impedindo-lhes de conhecer os valores e a cultura brasileira. São muitos os países que reconhecem a importância dos filmes infanto-juvenis na formação de novas plateias. Na Europa, a Dinamarca  destina 25% da verba governamental para a produção de filmes para crianças.

No Brasil, menos de 3% da produção cinematográfica é destinada ao público infanto-juvenil. É muito pouco para começarmos a implementação da lei nº 13.006/2014, que inclui 8º parágrafo ao artigo 26 da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, obrigando a utilização, no mínimo 2h/mês, de produção audiovisual nacional como ferramenta pedagógica nas escolas de educação básica, públicas e privadas. Um longo caminho a ser percorrido.

Para que o cinema de fato toque o público infantil e, consequentemente, as pessoas de seu convívio, é necessário dar continuidade a ações efetivas no ambiente escolar e social. O cinema infantil propõe uma experiência coletiva que auxilia as crianças na construção de sua identidade e na tomada de consciência do seu pertencimento a uma realidade multifacetada. Trata-se de enriquecer e permitir outros olhares, mais sensíveis e perceptíveis, que conduzam a encantos e transformação.

Uma boa e leve brisa sopra do sul, vindo da excelente 14ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que encerrou ontem (14/06). Sob a coordenação de Luíza Lins, o evento reuniu produtores, realizadores e diversos representantes de órgãos como Ministério da Educação, Ministério da Cultura e Ancine, para debates e oficinas sobre financiamento, produção e difusão das produções e a implementação da lei 13.006/14. Além de exibir o melhor da produção nacional para o público infanto-juvenil com lições como ter coragem, conquistar autonomia, ter paciência e muitas outras. Entre os filmes, destaco o documentário longa-metragem “Brincante”, de Walter Carvalho, com o maravilhoso Antônio Nóbrega; os curtas de ficção “A Visita”, de Leandro Corinto, e “Coração Azul” de Wellington Sari; e os curtas de animação “Abraço de Urso” de Almir Correa, “Ana e a Borboleta” e “3 Temas p/ 60 Janelas” de Jakson Abacatu.

Que a exibição de filmes nas escolas contribui culturalmente para a formação social da criança e do adolescente, não temos dúvidas. Mas é imprescindível ampliar o repertório de professores. A maioria não conhece as produções nacionais por não ter o hábito de frequentar e/ou consumir cinema.

A demanda é excelente e muito bem vinda: Cineclubismo & educação.

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

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