Somos todos iguais esta noite

No início da manhã de quarta (21), escrevi aqui que, “em meio ao desfile constrangedor de futilidades e egolatria, até que se pode encontrar uma ou outra coisa interessante, por vezes até necessária” no Facebook. Foi o caso do link feito (aqui) no mural da Vanessa Henriques, estudante de ciências sociais da Uenf, de um texto do El Pais escrito (aqui) pelo peruano Mario Vargas Llosa sobre o estadunidense Ernest Hemingway (1899/1961), que me fez tropeçar com dois monstros sagrados da literatura pelos quais nutro há anos profunda admiração.

E, confesso, após ter participado da cobertura jornalística aqui e aqui, durante toda a tarde e noite de terça (20), da ocupação pirotécnica da Santa Casa de Misericórdia de Campos pela prefeita Rosinha Garotinho (PR), cujo governo não consegue administrar decentemente seus próprios hospitais públicos, nos quais vidas humanas são perdidas diariamente — relembre aqui o caso recente da jovem Leire Daiane Fonseca, de apenas 33 anos, que infartou até a morte, sem assistência adequada, jogada entre tantos outros doentes numa maca do corredor do Hospital Geral de Guarus (HGG) —, minha sensação era de nojo. E não falo de nenhuma figura de linguagem, mas daquela literal sensação de indignação que revira as entranhas e dá ânsia de vômito.

Não por outro motivo, a abstração da literatura, mesmo no peso que lhe conferiram Vargas Llosa e Hemingway, encontrada ao acaso num mural alheio de Facebook, foi na manhã seguinte um bálsamo para encarar o novo dia.

Pois hoje, como muitos outros campistas de bem, com a cidadania lavada ontem (22) pelo anúncio (aqui) da decisão do juiz Elias Pedro Sader Neto Neto, que colocou Rosinha e algumas outras coisas em seus devidos lugares nesta taba goitacá, eis que cheguei esta madrugada de viagem e fui conferir meu próprio mural. E nele me vi marcado aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, numa publicação do professor, programador visual e amigo Sérgio Provisano, com quem descobri partilhar, além de muitas coisas positivas, daquela péssima sensação com que fui dormir dois dias antes, pelos mesmos motivos.

Se você, leitor, também acredita haver um limite para tudo, e que justamente para isso existe a lei, a ser aplicada até sobre os que se julgam senhores feudais numa nova Idade Média de absolutismo político e obscurantismo religioso, leia abaixo, preferencialmente ao som do mestre Ivan Lins, e descubra que, graças a um Deus de amor ao próximo e live arbítrio, você não está sozinho:

 

 

Sérgio Provisano - Dobrado
(Arte de Sérgio Provisano)

 

 

DE HIPÓCRITAS, FALASTRÕES, FALASTRÃS, BOQUIRROTOS E BOQUIRROTAS. PEDE A BANDA PRA TOCAR UM DOBRADO, OLHA NÓS OUTRA VEZ, NO PICADEIRO.

Por Sérgio Provisano

 

Sim. Somos todos iguais nesta noite. Ou dia, ou tarde, sei lá, ando meio confuso. Talvez seja por conta da gripe, ou efeito pós-traumático das sandices e discrepâncias que estão ocorrendo por essa minha planície goitacá, promovidas por um desGoverno que faz escárnio diário dos cidadãos de bem e nos trata como se palhaços fôssemos.

Vejam só, eu venho, como cidadão, tecendo críticas e considerações sobre fatos relevantes ocorridos no cotidiano de nosso município.

Alguns poderão me acusar de ser um “hater”, dizer que falo por implicância, mas não é nada disso não, é exercício de cidadania mesmo, eu até tenho apreço pessoal por certas figuras do poder e já coloquei isso publicamente, quando eu teço minhas críticas, elas são de natureza política, nunca pessoal.

Venho postando nesta rede social, atualizações de status, onde abordo, até premonitoriamente alguns fatos que se concretizam a “posteriori”, através de uma espécie de pantomimas, óperas bufas, dramalhões mexicanos…

Falei num “post” recente, sobre o descredenciamento (aqui e aqui) de um grupo privado de saúde que é responsável pelo atendimento de cerca de 2.500 usuários de tratamento oncológico e de diálise, que de uma hora para outra, a partir de uma ação discricionária do poder, ficariam ao Deus dará.

Ontem não fui surpreendido com um vídeo (aqui), onde um destemperado “conselheiro” membro do Conselho de Saúde Municipal quase chega às vias de fato, mas agredindo de forma verbal às pessoas que estavam esperando a reunião que não ocorreu, pois estavam todos reunidos numa “força-tarefa” para tomar de assalto (aqui) a Santa Casa. As vias de fato só não ocorreram graças à interveniência do advogado Cláudio Andrade, que contemporizou.

Neste mesmo post, me manifestei sobre a informação de que a Santa Casa de Misericórdia de Campos dos Goytacazes, instituição secular, iria suspender o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde – o SUS – por falta de repasse dos recursos de verbas federais, que possibilitam o funcionamento, compra de medicamentos e pagamento da mão-de-obra e do corpo técnico da instituição.

Cabe ressaltar que a Santa Casa passa por um processo de intervenção por parte do MP e, sou surpreendido pelo factóide, de uma “intervenção” por parte do poder público municipal, com o beneplácito de um promotor, que no dia seguinte, a população vem, a saber, que a sua esposa foi premiada com um DAS, um cargo comissionado na prefeitura, o que não tem nada a ver, é bom que se diga, foi apenas uma coincidência, mas que para muitas pessoas, soou no mínimo suspeito, haja vista que outro promotor disse que iria representar contra a prefeita(?), alegando que a mesma teria extrapolado suas funções ao “intervir” numa instituição que já estava sob intervenção.

Independentemente (aqui) da fala personalista da prefeita e do interesse manifesto pelo prefeito de fato, o atual secretário de desgoverno, digo, de governo, que quer administrar a Santa Casa, (ele disse isso em seu programa de rádio) e a prefeita(?) usou um tom, como se o dinheiro a ser repassado aos entes privados que compõe a prestação de serviços médicos no sistema de saúde, fosse dela e não público, muito me preocupou esse tom e deveria preocupar a todos.

Eu gostaria de lembrar à prefeita que está no cargo sustentada por uma liminar judicial, pois encontra-se cassada (aqui), juntamente com seu vice e dublê de secretário de saúde, gostaria de lembrar ao prefeito de fato, de que os recursos são públicos.

Eles advêm dos impostos que nós cidadãos pagamos e, portanto, seria de bom tom, ao se referir a eles, que não se cometesse mais o ato falho de trazer para a primeira pessoa, a posse dos mesmos, pois o que é público não é privado.

Era o que o cidadão tinha a dizer.

 

 

 

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Este post tem 7 comentários

  1. Sérgio Provisano

    Eu, meu querido Aluysinho, me sinto honrado em ter isso publicado por você. Fico emocionado.

  2. JOEL LEAL FERREIRA

    Isso prova o que penso, o cara é bom pra Caaaarrrraaaa&lhissss.

  3. Aluysio

    Caro Provisano,

    Não dou ou empresto uma honra que é minha e do blog. Ademais, emocionados ficamos nós, seus leitores, diante da indignação na medida exata do seu texto.

    Abç e grato pela colaboração!

    Aluysio

  4. MARCOS MOREIRA

    só para lembrar a prefeita quem determina o uso da verba da saúde ,não é a prefeita,mais sim o secretário de saúde,talvez tuas desinformações seja o topico da má gestão.

  5. carlinhos j.carioca

    Mas a nossa cidade está assim,simplesmente porque ELES pensam e agem dessa forma,ou seja,COMO O DINHEIRO,OS SECRETÁRIOS e a PREFEITURA,FOSSEM DELES!Ora,não respeitam a Justiça,a Imprensa e muito menso a População.Bom,pelo menos,desta vez ELES QUEBRARAM A CARA,FORAM HUMILHADOS E TIVEREM QUE ABAIXAR A “CRISTA”!Espero,que não fique somente nisso,mas que haja alguma punição PRA ESSA CAMBADA! Belo texto,parabéns!

  6. Maria

    Um hospital no entendimento dos que já cruzaram a fronteira da realidade e enlouqueceram pelo poder, não é um lugar onde os impasses podem custar a morte de pessoas, é somente um palco para mais um episódio teatral da briga pelo poder e pelo poder que não representa a população desta cidade.
    A cidade nessa política é instrumento paro o teatro dos réus que não se resignam em sua condição, não se arrependem…

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