Opiniões

Contra o governo Dilma e seu impeachment — Culpa dividida com seus eleitores

Como ser frontalmente contrário ao lulopetismo representado pelo governo Dilma Rousseff e não ser favorável ao impeachment da presidente, sobretudo pela maneira como seu pedido foi aprovado na Câmara Federal presidida por uma figura como Eduardo Cunha, representante em nível patológico do velho fisiologismo do PMDB, arrebanhado desde o primeiro governo Lula como principal parceiro do PT no comando do país? Buscava a maneira de dizer isso, até que li apenas hoje o texto da jornalista Cora Ronai, publicado aqui, dois dias atrás, na democracia irrefreável das redes sociais.

Bem, antes tarde do que nunca, confira porque não preciso procurar mais:

 

 

Dilma e Temer - Aroeira

 

 

Cora Ronai
Jornalista Cora Ronai

Por Cora Ronai

 

Num outro post alguém me perguntou se sou contra ou a favor do impeachment.

Sou contra.

Sou contra porque acho que, tendo sido o pedido encaminhado como foi, em ato de represália a uma chantagem que não deu certo, o todo fica comprometido. Eu sei que o pedido não foi feito pelo Cunha, mas foi ele quem deu início ao processo, e nada que ele faça hoje tem mais qualquer legitimidade. Esse homem devia estar na cadeia há tempos. Ou num manicômio.

Sou contra também porque acho que este processo de impeachment foi um presente dado de bandeja ao PT para justificar a sua falência administrativa. Se o impeachment acontecer, o que acho improvável, o governo terá sido a calamidade que está sendo porque a Dilma terá sido cassada; se não acontecer, teremos ido para o fundo do poço por causa da turbulência política provocada pela elite branca de olhos azuis que não se conforma em ver um operário no poder os porteiros viajando de avião os pobres na universidade blá blá blá.

Em suma, o idiota do Cunha deu munição e sobrevida ao PT, que vai chegar revitalizado a 2018: parabéns.

Sou contra, ainda, porque a Dilma foi eleita num processo supostamente democrático, e há dúvidas entre os juristas se as razões expostas no pedido são procedentes. Um pedido de impeachment deveria estar baseado em provas inequívocas.

Digo “supostamente democrático” porque, a meu ver, o uso despudorado da máquina governamental favoreceu enormemente a sua reeleição. Das verbas dobradas das empreiteiras aos deputados comprados nas coligações canalhas, tudo contribuiu para que ela voltasse ao poder. Mas este é o sistema que temos, e ele é a primeira coisa que precisamos corrigir para moralizar a política.

Por outro lado, sou totalmente contra a Dilma.

Não só pela sua óbvia incompetência, mas porque, a essa altura, ela não tem mais condições de ocupar o cargo. Tudo ao seu redor é caos. Nada funciona. Enquanto isso, o seu partido é protagonista do maior escândalo de corrupção jamais descoberto no país. Se os demais partidos também roubavam (e continuam roubando) são outros quinhentos; quem está no poder agora, neste momento, é o PT, que daqui a pouco vai ter mais representantes nas penitenciárias do que no Congresso. Dilma pode não ter participado diretamente da bandalheira, mas foi criminosamente omissa, o que compromete a sua imagem e a legitimidade do seu governo.

Então, #‎comofaz‬?

Não sei. Se soubesse eu estava em Brasília, tentando fazer.

Mas o Brasil — que elegeu a Dilma, contra todas as evidências e mentiras da campanha eleitoral — merece a Dilma. A culpa da miséria que estamos vivendo, e que ainda vamos amargar por muito tempo, ela divide com cada um dos seus eleitores.

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Concordo que a Dilma está perdida em vários aspectos, no entanto o blogueiro peca nas comparações ( nos damos esse trabalho de comparar corrupção), pois o caso BANESTADO, ( engavetado) gerou um rombo de mais 125 bilhões.

    1. Caro Paulo Henrique,

      Vc jura que concorda que Dilma está perdida em vários aspectos? Bem, com todo o respeito, resta saber em qual a presidente estaria “achada”. Isto posto, por favor, assuma suas pretensas comparações, sofisma que restou a quem ainda se presta a tentar defender o lulopetismo, na seguinte base retórica: “Eu roubei, mas eles também roubaram”. Ademais, ao contrário do que vc diz, não fiz nenhuma comparação, apenas reproduzi algumas feitas no texto da Cora Ronai, que, penso, deveriam bastar a qualquer um orientado pela razão: “Se os demais partidos também roubavam (e continuam roubando) são outros quinhentos; quem está no poder agora, neste momento, é o PT, que daqui a pouco vai ter mais representantes nas penitenciárias do que no Congresso”.

      Abç a grato pela chance da explicação!

      Aluysio

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