Fala do fã, não do ídolo. Pranto de um gênio pelo outro. Tabela triste, mas bela

Sabedor das suas façanhas como craque da revolucionária Holanda de 1974, do Ajax ou do Barcelona, não dei a sorte de ver Johan Cuyff como jogador. Mas o conheci como técnico do grande Barcelona nos anos 1990, no qual ele soube extrair o melhor e harmonizar talentos como o brasileiro Romário, o búlgaro Stoichkov, o dinamarquês Laudrup, o holandês Koeman e os espanhóis Zubizarreta e Guardiola. Se este último seria depois seu discípulo como treinador ofensivo e apologista do lúdico, foi ao Baixinho, hoje senador da República, que Cruyff elegeu à posteridade na definição: “gênio da pequena área”.

Sensibilizei-me com sua morte desde que dela soube ao telefone, na tarde de ontem, pelo jornalista Antunis Clayton. Sensibiliza-me a morte de um gênio, como foram em suas áreas o cineasta Ettore Scola e o semiólogo Umberto Eco, ambos italianos e também mortos estes ano, num mundo cada vez mais condenado à sua mediocridade. Todavia, o que mais me sensibilizou na morte de Cruyff foi ler agora há pouco, nesta madrugada, o relato sobre ele, feito aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, por um craque dos campos a quem me foi dada a sorte de conhecer muito bem.

A fala é do fã, não do ídolo. O pranto de um gênio pelo outro. Tabela triste, mas bela.

 

 

Johan Cruyff
Johan Cruyff (1947/2016)

 

 

 

Zico
Zico

Por Arthur Antunes Coimbra

 

Vou abrir uma exceção e escrever aqui um texto mais longo e acho que todos vocês vão entender. Hoje (ontem) é um dia muito triste para quem ama o futebol. Morreu um dos cinco maiores jogadores que vi atuar: o holandês Johan Cruyff.

Não joguei ao lado dele, nem contra ele, e só tive uma chance de conhecê-lo, mas desperdicei. Estávamos no mesmo avião, eu cheguei a pensar em ir falar com Cruyff, mas acabei desistindo e perdi a chance de ter uma foto ao seu lado.

Não pude dizer a Cruyff que eu o conheci por causa do meu irmão. Era engraçado que Nando tinha passado um tempo em Portugal jogando na década de 70 e, depois de voltar ao Brasil, ele dizia nas peladas que era Cruyff e a gente não entendia nada porque as imagens ainda eram raras. Nando falava do grande time do Ajax, da Holanda, que no início da década de 70 foi três vezes campeão do que hoje conhecemos como Liga dos Campeões da Europa.

Meu irmão citava ainda outros nomes de uma geração holandesa que conhecemos melhor em 1974 aí sim pela Tv, um carrossel que representou a grande revolução do futebol. Mas Cruyff, sem dúvida, já era o destaque brilhando pelo Barcelona.

Cruyff era inspirador porque acreditava demais na simplicidade e na objetividade. E não vou negar que eu e muitos jogadores da minha geração bebemos nessa fonte. Como treinador, manteve essa característica e acabou formando discípulos como Guardiola, que é também outro grande treinador do futebol mundial.

O estádio aqui embaixo perdeu hoje um dos maiores nomes do futebol. Mas o céu certamente recebeu mais uma estrela para o seu time. Que ele brilhe por todos nós.

 

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