Leal e Garotinho — Do moleque da ficção às “coisas de garoto” da vida real

Ponto final

 

 

Ficção com base real

Entre as várias falas do filme “Tropa de Elite” (2007, de José Padilha) que se transformaram em bordão nacional, está a ressalva do Capitão Nascimento, imortalizado pelo ator Wagner Moura, feita ao aspirante a oficial do Bope Neto Gouveia, interpretado por Caio Junqueira (reveja a cena aqui). Após este tentar tomar uma posição que não se mostrou capaz de sustentar, ouviu do superior: “Você não é Caveira, você é moleque!”. Nascimento esbofeteia Neto antes de repetir mais uma vez, com o dedo em riste na cara do fanfarrão desmascarado: “Você é moleque!”.

 

Ficção na vida real

Da ficção baseada na realidade, às ficções reveladas no mundo real, ontem foi categoricamente desmentido pelo deputado federal Hugo Leal (PSB) a informação de que ele teria ligado para o marido e secretário de Governo da prefeita Rosinha Garotinho (PR), Anthony Garotinho (PR), na última sexta-feira (08) para “oferecer” o vereador Gil Vianna à chapa governista. Repassada por Garotinho aos seus comandados, essa versão foi registrada (aqui) ontem (11) nesta coluna de opinião.

 

Na verdade

Na verdade, foi Garotinho quem teria ligado a Leal, pré-candidato do PSB à presidência da Câmara Federal, na eleição de amanhã (13), para tentar saber dos grandes debates nacionais e tentar ainda posar de ator relevante, mesmo neles hoje reduzido a “papagaio de pirata”. Mais ou mesmo como fez na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal, quando, segundo (aqui e aqui) a mídia nacional, negociou a ausência da filha grávida do neto pela terceira “venda do futuro” de Campos, no valor de R$ 367 milhões, junto à Caixa Econômica Federal, consumada (aqui) no apagar das luzes do governo federal petista.

 

Na mentira

Na ocasião, além de apequenar nacionalmente uma deputada federal promissora como Clarissa Garotinho (PR), seu pai não conseguiu convencer (aqui e aqui) nem mesmo o correligionário Paulo Feijó (PR). Ao votar com convicção pelo impeachment de Dilma, o experiente parlamentar não só recusou qualquer oferta do líder, como ainda foi obrigado a desmentir uma nota em sentido contrário, numa “barriga” (notícia inverídica, no jargão jornalístico) dada (aqui) pelo jornalista carioca Fernando Molica, plantada pelo próprio Garotinho.

 

Quem decide é Gil

Segundo Hugo Leal, após sondá-lo sobre a eleição da Câmara Federal, sonhando com um cenário que não é mais seu, Garotinho pousou à própria realidade e perguntou: “E Campos?”. Ao que o deputado federal respondeu ao ex: “Quem decide é Gil”. Como este já revelou (aqui) que seguirá a decisão da executiva estadual, próxima de uma aliança com o PDT de Caio Vianna à sucessão de Rosinha, Garotinho parece ter repetido um velho hábito, cada vez mais manjado: tentar diminuir o valor daquilo (ou de quem) não tem mais cacife para barganhar.

 

Uso do cachimbo

Se tem razão o dito popular “o uso do cachimbo faz a boca torta”, não custa lembrar que é a segunda vez que Garotinho é desprezado por Leal em suas tentativas de atrair o PSB. Em abril, numa reunião para definir nominatas, o marido da prefeita ligou (aqui) ao deputado. Para mostrar “força” diante da sua tropa, como o Neto de “Tropa de Elite”, Garotinho colocou a ligação no viva voz, sem informar ao interlocutor. Assim que soube da atitude de fanfarrão pela qual fôra exposto, Leal ficou muito bravo. Não entendeu como um ex-governador poderia ter feito o que classificou de “coisa de garoto”, dizendo que “a chance de aliança não é zero, é menos um”.

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 6 comentários

  1. Paulo Sá

    Quem conhece a relação de Garotinho com Hugo Leal, sabe que este faz o que aquele lhe mandar. Hugo Leal era sócio de Antônio Oliboni, num escritório de advocacia, que tinha várias causas contra o Estado do Rio de Janeiro, quando Garotinho assumiu o governo estadual, em 1º de janeiro de 1999 e o nomeou Secretário Estadual de Justiça.
    Antônio Oliboni, por sua vez, é genro do Dr. Francisco de Assis Pessanha, que Garotinho nomeou desembargador do Tribunal de Justiça do Estado, quando foi governador.
    No governo de Rosinha, Hugo Leal foi nomeado presidente do DETRAN-RJ.
    Hugo Leal era presidente do PSC, em 2008, quando esse partido se aliou à candidatura de Rosinha.
    São vários os envolvimentos de Hugo Leal com Garotinho. Não será agora que ele irá faltar ao velho companheiro Garotinho. Quando Hugo Leal diz que a decisão é de Gil Viana, ele já dá sinais de que não faz objeção à aliança do PSB com o candidato do governo, a qual só inocorrerá se Romário for contra. Ocorre que Romário já fez parte do clã dos Garotinho, quando namorou Clarissa.
    E por ai´vai…

  2. Savio

    Ou seja, o “secretário” continua petulante e cego por insistir em olhar pro próprio umbigo! E exatamente por ter perdido o parâmetro das coisas, perdeu de vez o senso. Está mais do que fora da realidade, está politicamente cego. Ele adora se achar um grande estrategista, mas as contínuas bravatas e mentiras o transformaram num autêntico bufão.

    Só os que tiveram os olhos arrancados e os cérebros sugados ainda não perceberam isso, mas em outubro vai cair a ficha, falta pouco agora.

  3. Wanderson

    Paulo Sá desculpa mais vc está errado, O PDT e o PSB já estão juntos, não tem mais nada que S república da lapa pode fazer, fechamento 100% os candidatos a vereador do PSB estão reunidos agora sobre a aliança para o bem da nossa cidade.

  4. POLLYANA

    Pelo visto tem “puxa” que conhece tanto sobre o Garotinho, que deve saber, diariamente, qual a cor da cueca do mesmo e se este está usando alguma naquele dia. Afffffff

  5. Antonio Bernardes

    Que revelação do Paulo Sá!!!!! essa da Garotinha ter sido namorada ou ter ficado com Romário….. !!!! novidade as demais declarações são dominio publico…

  6. Antonio Bernardes

    Que revelação do Paulo Sá!!!!! essa da Garotinha ter sido namorada ou ter ficado com Romário….. !!!! novidade as demais declarações são dominio publico…

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