Folha 40 anos — José Cunha Filho

 

Jornalista e escritor José Cunha Filho

O Sol Nascente

Por José Cunha Filho(*)

 

Sem Yamamotos ou Saburos Sakai, não temam.

Ora, faz quarenta anos, o tempo que levou para o Japão para sair da era dos Samurais e encestar a Frota do Pacífico em Pearl Harbor. O tempo, o tempo dimensão casada com a gravidade afirma Stephen Hawking. O sol nascia nas bancas de Campos há exatos quarenta anos. Os batimentos cardíacos acelerados, as noites insones de Aluysio Barbosa, meu colega, amigo de infância de pegar cana caiana no trem que ia para as usinas e passava na 28 de Março. Noites insones, dizia, melhor do que rememorar jogos infantis.

Valeu! O primeiro exemplar, em papel branco, sinalizava que Campos tinha um jornal moderno, novo, confiável, informativo e com o aval do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa e Diva Abreu Barbosa. A Folha da Manhã inaugurava o novo tempo. Confirmava a fé dos que acreditavam na evolução iniciada por Aluysio ainda em A Notícia, quando introduziu o jornalismo profissional em Campos. Logo, tornou-se uma referência para os colegas da imprensa nacional que aqui baixavam atrás de notícias dos “campos petrolíferos maiores que os da Arábia Saudita.” Não era bem assim, descobriríamos depois.

O fato, Mestre Timoneiro e Pescador Aluysio Abreu Barbosa, é que o símile é válido. Ninguém acreditava no Japão e seus “aviões de papel”, navios feitos com sucata exportada pelo porto de Nova York. Poucos, além do próprio Aluysio e Diva levavam fé no jornal novinho em folha que o sol aquecia nas bancas. Logo, descobriam todos que laboraram em erro. A Folha tornou-se imprescindível.

Uma voz querida, a da Edilane, meu contato com a redação após o meu exílio voluntário em Grussaí, lembra-me que um jornal não se faz apenas com impressoras a laser, computadores, papel escorrendo das rotativas. E sim com esforço, talento e trabalho sério de equipes que poderiam ocupar lugar de destaque em qualquer redação nacional. Bom ouvir os companheiros, passados, presentes e futuros tecer loas ao aniversariante, o jornal de todos. Bom saber que noites passadas em claro gestaram um órgão sério e competente, sempre em busca da verdade, único compromisso com o leitor de todos os dias.

Bom saber que o sol permanecerá iluminando a Folha todas as manhãs.

 

(*) Jornalista, escritor e ex-editor-geral da Folha da Manhã

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

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