Ibope: Bolsonaro e Haddad bateram teto, mas Ciro e Alckmin também

 

 

Bolsonaro e Haddad batem teto

Após o líder Jair Bolsonaro (PSL), o segundo colocado Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial também bateu seu teto nas intenções de voto. Foi o que indicou ontem a nova pesquisa Ibope. Na série do instituto, Bolsonaro teve 26% (11/09), 28% (18/09), 28% (21/09) e 27% (26/09). Na margem de erro de dois pontos para mais ou menos, ele está estagnado há 15 dias. Por sua vez, Haddad tinha 8% quando foi oficializado candidato do PT (11/09), cresceu a 19% (18/09), 22% (21/09) e ontem oscilou negativamente a 21% (26/09). O que sinaliza estar no fim a capacidade de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Ciro e Alckmin estagnados

Líderes em todas as pesquisas, tudo indica que Bolsonaro e Haddad pararam de crescer a 10 dias das urnas, mas passarão por elas ao segundo turno. Menos por seus desempenhos do que pelo fato do terceiro e quarto colocados também estarem estagnados ainda há mais tempo. Nas cinco últimas Ibope, as intenções de voto de Ciro Gomes (PDT) foram 12% (04/09), 11% (11/09), 11% (18/09), 11% (21/09) e, ontem, oscilaram novamente a 12%. Por sua vez, Geraldo Alckmin (PSDB) bateu 9% (04/09), 9% (11/09), 7% (18/09), 8% (21/09) e, ontem, repetiu os 8%. Há mais de 20 dias, os dois estão empatados tecnicamente e sem nenhum crescimento real.

 

Empate técnico no 2º turno

A Ibope de ontem foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e realizada entre sábado (22) e segunda (24). Neste dia, havia sido divulgada a Ibope anterior, encomendada pela TV Globo e o jornal O Estado de São Paulo, feita de sábado a domingo (23) — apenas um dia a menos. Com a mesma oscilação de um ponto para Bolsonaro e Haddad entre as duas, as mudanças mais significativas ocorreram nas simulações de segundo turno. Na Ibope anterior, o ex-capitão do Exército apareceu perdendo para o ex-prefeito de São Paulo fora da margem de erro: 37% a 43%. Mas na pesquisa de ontem, o resultado foi um empate técnico: 38% Bolsonaro a 42% Haddad.

 

Dilema de Ciro

A Ibope mais recente também apontou o empate técnico no segundo turno entre Bolsonaro e Alckmin:  36% a 40%. Foi um resultado melhor ao capitão do que na pesquisa anterior, onde ele perdeu para o tucano fora da margem de erro. O que não mudou foi a condição de Ciro como adversário mais difícil para Bolsonaro no segundo turno, a quem derrotaria com facilidade por 44% a 35%.  Todavia, como o próprio político cearense destacou na noite de ontem, em sua última participação no debate presidencial do SBT: “Todas as pesquisas mostram que eu ganho do Haddad e do Bolsonaro no segundo turno, mas para isso eu preciso estar lá”.

 

Melhor para Bolsonaro na Paraná

Também ontem foi divulgada a nova pesquisa do instituto Paraná. E ela indicou um quadro mais favorável a Bolsonaro. Ele apareceu com 31,2% das intenções de voto, seguido de Haddad (20,2%), Ciro (10,1%) e Alckmin (7,6%). Foram 11 pontos percentuais de vantagem do capitão para o petista, bem mais do que os seis do Ibope. Ele também teve simulações melhores de segundo turno: ganharia de Haddad por 44,3% a 39,4%, fora da margem de erro de dois pontos para mais ou menos. E, dentro dela, ficaria em empate técnico com Ciro: 41,6% a 43,2%.

 

A dúvida

Mais recente do que as duas últimas Ibope, a consulta Paraná foi feita entre domingo (23) e terça (25). Como o instituto havia feito outra só entre 7 e 11 de setembro, é bem mais difícil determinar se os dois líderes bateram teto ou não. Dá para afirmar que ambos cresceram nas intenções de voto: Bolsonaro, 4,6 pontos (de 26,6% a 32,2%), enquanto Haddad, 11,9 pontos (8,3% a 20,2%). Além do maior espaço de tempo, a dúvida fica por conta dos contratantes da nova Paraná: a Empiricus Publicações e a revista Crusoé. Elas são ligadas ao site conservador O Antagonista, há algum tempo chamado pejorativamente por seus detratores de “o Pravda de Bolsonaro”. Amanhã, sai mais uma Datafolha a presidente.

 

Com a Corte

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), paralisou o julgamento de mais um recurso do ex-presidente Lula que estava sob análise no plenário virtual. A defesa do petista tenta suspender os efeitos da condenação determinada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no âmbito da Lava Jato, no caso do triplex do Guarujá (SP). Lula está preso desde abril. Com o pedido de o caso terá que ser julgado presencialmente no plenário. Não foi divulgado prazo para que a Corte analise o recurso.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

fb-share-icon0
20
Pin Share20

Este post tem 2 comentários

  1. Agnaldo

    As ideias do vice de Bolsonaro precisam ser conhecidas da nação brasileira
    FALA, MOURÃO!

    O povo brasileiro precisa conhecer suas ideias.

    Hamilton Mourão, prócer da República, vice na chapa de Jair Bolsonaro para presidente, brilhou novamente.

    Desta vez foi numa palestra magnífica na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (CDL), no RS.

    “Temos umas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário”, pontuou o sábio general, despertando a atenção da plateia até então dispersa.

    “Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Como a gente arrecada 12 (meses) e pagamos 13? O Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. São coisas nossas, a legislação que está aí. A visão dita social com o chapéu dos outros e não do governo.”
    Chamou de “mulambada” o conjunto de países africanos da diplomacia Sul-Sul de Lula.

    As famílias nas quais mães e avós criam os filhos, em áreas carentes, são “fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar em narco-quadrilhas”.

    Criticou as crianças “de 10, 11 anos” que estudam filosofia e não “matérias mais importantes”.

    Em Bagé, deu uma amostra de sua erudição médica. “Por que preciso gastar dinheiro com uma campanha de vacinação? Todo mundo tem celular, basta mandar uma mensagem”.

    A Constituição de 1988 “foi um erro”, lembrou, porque a Carta “não precisa ser feita por eleitos pelo povo. Já tivemos vários tipos de Constituição que vigoraram sem ter passado pelo Congresso eleito”.

    Os loucos às vezes se curam, os imbecis nunca, escreveu Oscar Wilde.

  2. Alex

    AO CONTRÁRIO DO QUE DEFENDE MOURÃO, 13º SALÁRIO É PAGO EM VÁRIOS PAÍSES

    É comum usarem a jabuticaba, planta nativa da Mata Atlântica brasileira, como metáfora política de algo que só existe por aqui. Foi o que fez o general da reserva Hamilton Mourão, candidato a ”vice-presidente” na chapa de Jair Bolsonaro, que usou a jabuticaba para criticar o 13º, afirmando que ele é só coisa nossa.

    Mas não, não é. Essa ”fruta” não dá só no Brasil e nem é invenção tupiniquim.

    ”O 13º salário não é, absolutamente, uma ‘jabuticaba’ brasileira. Já existia na Europa, por exemplo, na Itália, por força do Decreto do Presidente da República 1070, de 1960, antes mesmo da sua introdução na legislação brasileira pela lei 4.090, de 1962”, afirma Guilherme Feliciano, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e professor associado do Departamento de Direito do Trabalha da Faculdade de Direitos da USP.

    Em muitos países, decorre de lei nacional. Apenas para citar alguns exemplos, vejam-se os casos da Argentina (Lei de Contrato de Trabalho, artigo 121), Espanha (Estatuto dos Trabalhadores, artigo 31), Colômbia (Código Substantivo do Trabalho, artigo 306), Itália (Decreto del Presidente della Repubblica 1070/1960), México (Lei Federal do Trabalho, artigo 87), Panamá (Decreto de Gabinete 221/1971), Peru (Lei 27.735, artigo 1o), Portugal (Código do Trabalho, artigo 263), Uruguai (Lei 12.840, de 1960)”, lembra Feliciano, que também é juiz do Trabalho da 15a Região.

    Em alguns países, como na Alemanha, não está previsto em lei federal, mas decorre de negociações coletivas nacionais com sindicatos, alcançado todos os trabalhadores subordinados, nos setores público e privado.

    No Brasil, ele foi criado sob o governo João Goulart, em julho de 1962. Antes, a gratificação natalina era facultativa às empresas. A aprovação não foi simples e demandou mobilização e manifestações por todo o país, sendo considerada uma conquista histórica dos trabalhadores tão importante quanto o salário mínimo e as férias remuneradas.

    A manchete do jornal O Globo de 26 de abril de 1962 – ”Considerado desastroso para o país o 13º mês de salário” – mostra como empregadores e economistas profetizavam uma crise econômica caso a lei passasse.

    Contudo, ele não destruiu a economia brasileira, pelo contrário, tem ajudado a aquecê-la. Quando um trabalhador o recebe, raramente o investe em fundos, mas gasta tudo. Seja para pagar dívidas, seja para comprar produtos. O que gera mais empregos, lucros ao empresariado, arrecadação.

    Portanto, 13º salário não é jabuticaba.

Deixe um comentário