Que Brasil após a Escócia?
A vitória de 3 a 0 do Brasil sobre a Escócia, na noite da última quarta (24), serviu a dois tipos de esperança. De um lado, com a primeira atuação consistente do Brasil na Copa, após exibições ruins no empate com o forte Marrocos e na vitória sobre o frágil Haiti. Do outro, a quem quer convencer que o Brasil já seria um dos favoritos ao Mundial.
O craque
Craque decisivo do Brasil na Copa, Vini Jr. marcou 4 gols e deu uma assistência em 3 jogos. E passou a figurar, ao lado de Jairzinho em 1970, de Romário em 1994 e de Ronaldo Fenômeno e Rivaldo em 2002, entre os 5 únicos jogadores da história do futebol brasileiro a marcar gols em todos os jogos da fase de grupos em Copas.
Os outros destaques
Como Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo acabaram campeões, natural que o brilho individual de Vini embale sonhos. Mas futebol é esporte coletivo. A consistência do Brasil contra a Escócia se deu porque, diferente dos jogos contra Marrocos e Haiti, os atacantes Rayan e Matheus Cunha e o meia Bruno Guimarães também se destacaram.
O garoto e o garçom
Atleta do inglês Bournemouth, cria do Vasco e substituto do contundido Raphinha, que não vinha jogando bem, Rayan é um garoto de 19 anos que pedia passagem. Do inglês Newcastle, o volante Bruno Guimarães termina a fase de grupos como maior garçom do Brasil na Copa. Tem 3 assistências, duas contra a Escócia.
Matheus Cunha e Ancelotti
Já Matheus Cunha, do Manchester United, rendeu bem em novidade tática do técnico italiano Carlo Ancelotti. Escalado não como atacante, mas como 4º homem de meio de campo, em losango que repete o trabalho do treinador no Real Madrid na temporada 2023/2024, quando foi campeão da Espanha e da Europa. E Vini Jr. também brilhou.
O maestro do Japão
Reforçar o meio de campo parece ser opção aconselhável para o próximo adversário do Brasil. Na eliminatória 16 avos, às 14h de Brasília na segunda-feira (29), contra o Japão. Que, entre outras coisas, se caracteriza pela boa técnica e mobilidade no meio de campo. Com destaque a Kamada, do inglês Crystal Palace, camisa 15 e maestro da sua seleção.
Histórico x passado recente
Olhado o histórico do confronto, o Brasil não teria por que se preocupar. Em 16 jogos, venceu 12, com 3 empates e só uma vitória do Japão. Só que esta ocorreu justamente na última partida, em amistoso de 14 de outubro de 2025, dentro de Tóquio, numa merecida virada de 3 a 2, após o time treinado por Ancelotti chegar a vencer por 2 a 0.
Entrosamento
Introdutor do futebol profissional no Japão dos anos 1990, onde é tão ídolo quanto no Flamengo, o ex-craque Zico alertou sobre uma vantagem japonesa: constância. Sua seleção é treinada há oito anos em trabalho autoral de Hajime Moriyasu. É entrosamento bem maior do que os 13 meses de Ancelotti à frente do Brasil permitem.
Contras e prós
Além da aplicação tática e rapidez que caracterizam os times orientais, o Japão tem uma seleção muito bem treinada, com 11 titulares atuando em clubes da Europa e que herdou de Zico o bom trato com a bola. O Brasil tem um time em ascensão, mais qualidade individual, um craque até aqui decisivo e a camisa bem mais pesada.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
