

A conexão sueca
Por Arthur Soffiati
O filme “A conexão sueca”, dirigido por Thérèse Ahlbeck e Marcus Olsson, que também são autores do roteiro, foi lançado em 2026 e só é encontrado numa plataforma digital cujo nome não divulgo.
Os nazistas promoveram uma caça impiedosa aos judeus e foram julgados e condenados no Tribunal de Nurenberg quando derrotados na Segunda Guerra Mundial. O filme mostra como o nazismo perdeu a noção de humanidade. Não é nada novo no mundo ocidental.
Mata-se um boi com toda a tranquilidade. O entendimento é que se trata de um animal inferior que existe para nos fornecer carne. É o que ainda pensamos sem o mínimo sentimento de culpa. Então, para matar uma pessoa ou os representantes de uma cultura, animalizamos o ser humano.
O ocidente procedeu assim no período colonial e mesmo depois dele. Os nativos dos continentes que não o europeu eram sub-humanos. Não tinham religião. Se tinham, suas divindades eram demoníacas. De mesma forma, eram vistos os africanos escravizados, mesmo que se convertessem ao cristianismo.
Os judeus, que tanto sofreram com a pecha de inferiores sob o nazismo, não estariam tendo o mesmo comportamento da Alemanha nazista com os palestinos? Sempre há vozes que duvidam dos argumentos governamentais. O filme mostra um oficial alemão revelando, horrorizado, o plano de extermínio dos judeus.
Recentemente, o ex-premiê de Israel Ehud Olmert escreveu um artigo condenando a política de limpeza étnica praticada pelo governo de Israel em relação aos palestinos. E há vários casos. Oskar Schindler, industrial alemão e membro do partido nazista, salvou muitos judeus do extermínio. Até mesmo João Guimarães Rosa salvou alguns judeus.
Outros casos de pessoas que não acreditaram na sub-humanidade dos judeus também se empenharam em salvá-los do extermínio nazista. Um deles foi o sueco Gösta Engzell, representado por Henrik Dorsin, no filme “A conexão sueca”. Ele era um burocrata no ministério das Relações Exteriores da Suécia que se convenceu do horror que era o racismo nazista e se empenhou em salvar judeus dentro da Alemanha e dos países invadidos por ela.
A Suécia manteve-se neutra na Segunda Guerra Mundial. Engzell e sua equipe, agindo por meios oficiais, conseguem salvar muitos judeus. Não o que desejavam, mas um bom número. Ele sofria como as pessoas que reconhecem humanidade nos outros sofrem por se sentirem impotentes e limitados.
O futuro secretário-geral da ONU Dag Hammarskjöld é também representado no filme, que se destaca pela agilidade. Os cortes e a montagem lhe conferem essa agilidade. A câmara se movimenta com rapidez. Certos conceitos de diplomacia são estampados de forma escrita na tela. A importância dada a documentos é grande. Afinal, o filme enfoca relações diplomáticas.
Apesar da agilidade, pode-se acompanhar o roteiro. A atuação dos artistas não é exemplar, mas convincente. Não deve agradar a apreciadores de filmes românticos, pois fica difícil o romantismo quando se aborda um genocídio, qualquer que seja ele.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
Confira o trailer do filme:
