

Na quarta, SindhNorte
Na quarta (30), o Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Serviço de Saúde da Região Norte Fluminense (SindhNorte) cobrou (confira aqui) em nota cerca de R$ 100 milhões que teria a receber da Prefeitura de Campos. Esta afirmou que os repasses federais estão em dia, com mais de R$ 1,16 bilhão à rede contratualizada nos últimos quatro anos.
No sábado, CRDI
No sábado (3), a coluna noticiou (confira aqui) o fechamento em 30 dias do Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI) de Campos, também chamado de Centro de Referência da Dengue (CRD). Que foi comunicado pela Prefeitura ao Hospital Plantadores de Cana (HPC), um dos quatro grandes hospitais contratualizados de Campos. E onde o CRDI funcionava há 23 anos.
Descentralização? (I)
Na mesma coluna de sábado, a Prefeitura alegou que decisão de fechar o CRDI segue o modelo do SUS de descentralização do atendimento. “Os atendimentos que seriam realizados no Centro serão distribuídos pela rede de atendimento primária e de urgência, através das Unidades Pré-Hospitalares (UPHs), na rede de atenção primária”, informou a assessoria.
Descentralização? (II)
Ainda no sábado, o próprio prefeito Wladimir Garotinho (PP) reforçou (confira aqui) a posição do seu governo de forma mais veemente: “O CRDI de Campos não vai fechar, estão distorcendo a realidade. Ele vai mudar a sua concentração. Hoje se paga um aluguel de R$ 50 mil e se contratam cerca de 40 RPAs. O atendimento será descentralizado na estrutura própria”.
Na segunda, Siprosep
Na segunda (5), representantes do Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos (Siprosep) de Campos fizeram um protesto (confira aqui) em frente à Prefeitura. Em 11 de março, o Siprosep fez uma assembleia geral com os servidores municipais para a aprovação do percentual de reajuste em 10%, que é a principal pauta do protesto do sindicato.
Projeção de inadimplência
Na mesma segunda, a Prefeitura informou, por meio de nota da assessoria, que não há recursos disponíveis para bancar o reajuste dos salários pleiteado pelos servidores. E que, em caso de aumento da sua folha, o município correria o risco de inadimplência.
Presidente da FMS rebate SindhNorte
Ontem (6), o SindhNorte voltou (confira aqui) a emitir uma nota. Foi uma resposta, quatro dias depois, a uma entrevista na sexta (2) do presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Arthur Borges. Onde este alegou que a rede contratualizada recebe por ano cerca de R$ 200 milhões, enquanto as unidades próprias do município têm orçamento anual de R$ 180 milhões.
Na terça, SindhNorte rebate
Em sua resposta na nota de ontem, o SindhNorte alegou que o orçamento anunciado de R$ 180 milhões, destinado à gestão do Hospital Ferreira Machado (HFM), Hospital Geral de Guarus (HGG), Hospital São José e das Unidades de Pronto Atendimento (UPHs), não especifica de forma clara se inclui os custos com a folha de pagamento dos servidores da rede própria.
Serviços prestados a Campos
Além do HPC, os três grandes hospitais contratualizados de Campos são a Santa Casa de Misericórdia (SCMC), o Hospital Beneficência Portuguesa (HSBPC) e o Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA). Todos têm inestimáveis serviços prestados ao município e sua população. Assim como o CRDI e os servidores municipais ativos e aposentados.
A realidade coletiva que se impõe
Todos têm que ter as particularidades dos seus pleitos respeitadas e ouvidas. Desde que não se perca de vista a realidade que se impõe a todo o município: Campos nunca mais terá as mesmas receitas, advindas do petróleo, que teve no 2º governo Arnaldo Vianna (2001/2005), nos dois governos Alexandre Mocaiber (2005/2009) e no 1º governo Rosinha Garotinho (2009/2013).
Necessidade de diálogo
Sobretudo nos governos Arnaldo e Mocaiber, por se tratarem de dois médicos e contarem com receitas do petróleo em ascensão, Campos ampliou serviços e, consequentemente, custos na saúde. Que hoje, com os poços maduros da Bacia de Campos, talvez precisem passar por readequações. O que tem que ser feito, sobretudo, com diálogo por parte do poder público.
As lições do passado
Antes de ter o petróleo como eixo econômico, a partir dos anos 1990, Campos teve a cana. Que nos anos 1970, com a explosão do preço do açúcar no mercado internacional, financiou aos usineiros a ampliação dos seus parques industriais. Mas não ampliaram as lavouras. Resultado? Sem ter como bancar o próprio crescimento, a grande maioria das usinas fechou.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
