
Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão (confira aqui) por tentativa de golpe de Estado no último dia 11, por 4 votos a 1, na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria ou não ser anistiado? Segundo duas pesquisas nacionais de setembro, a maioria dos brasileiros é contra. Na Datafolha, 61% são contra a anistia aos responsáveis pela invasão à Praça do Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 (com 33% a favor). Na Quaest, 41% são contra a anistia ao ex-presidente (com 36% a favor).
Entre as pesquisas que mais acertaram em 2022 — A nova pesquisa Datafolha foi feita de 8 a 9 de setembro, com 2.005 eleitores e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. A nova pesquisa Quaest foi feita de 12 a 14 de setembro, com 2.004 eleitores e a mesma margem de erro de 2 pontos. Com metodologias diferentes, os dois institutos estiveram (confira aqui) entre os quatro do país que mais acertaram o resultado do apertado 2º turno presidencial de 2022.
Contra ou a favor da anistia? — Na Quaest, além dos 41% contra a anistia e dos 36% a favor para todos, incluindo Bolsonaro, houve outros 10% favoráveis à anistia apenas aos invasores do 8 de janeiro, com outros 13% que não souberam responder. Na Datafolha, além dos 61% contra a anistia aos responsáveis pela invasão e dos 33% favoráveis, outros 5% não souberam responder, com 1% indiferente.
Cresce a opinião contra anistia — Mas, diferente da Quaest, que só trouxe os resultados de setembro, a Datafolha comparou a opinião contra e a favor à anistia colhida em pesquisas anteriores. De julho a setembro, os brasileiros contrários à anistia cresceram 6 pontos: de 55% aos atuais 61%. Enquanto, no mesmo período, os favoráveis à anistia oscilaram 2 pontos para baixo: dos 35% de julho aos 33% de setembro.

Metade dos brasileiros acha que Bolsonaro deveria ser preso — A Datafolha trouxe também outras perguntas sobre a condenação de Bolsonaro. São 50% (2 pontos a mais que os 48% de julho) os que acham que o ex-presidente deveria ser preso, “considerando o que foi revelado pelas investigações sobre a tentativa de golpe”. Embora minoria, relevantes 43% (queda de 3 pontos em relação aos 46% de julho) acham que Bolsonaro não deveria ser preso, com 7% que não souberam opinar.

Cresce a opinião pela prisão de Bolsonaro — A Datafolha também perguntou diretamente: “E na sua opinião, Jair Bolsonaro vai ou não ser preso?” Ao que 50% (10 pontos a mais que os 40% de julho) responderam em setembro: “Sim, vai ser preso”. Outros 40% responderam: “Não vai ser preso”. Ainda é uma parcela relevante, mas são igualmente relevantes 11 pontos a menos do que os 51% que não acreditavam na prisão do ex-presidente em julho. Em setembro, outros 10% não souberam responder.

Houve tentativa de golpe para 55% — Feita após Bolsonaro ser condenado em 11 de setembro, a Quaest fez outros levantamentos pertinentes. A maioria de 55% dos brasileiros acha que houve tentativa de golpe no país, crescimento de 5 pontos sobre os 50% de dezembro de 2024. Os que acham que não houve eram e se mantiveram em 38% no mesmo período, enquanto os que não souberam responder caíram 5 pontos dos 12% de dezembro de 2024 aos 7% em setembro de 2025.

Para 54%, Bolsonaro participou — Num período mais curto, entre agosto e setembro na série Quaest, os que acham que Bolsonaro participou da tentativa de golpe oscilaram 2 pontos para cima, de 52% aos atuais 54% dos brasileiros. Os que acham que Bolsonaro não participou oscilaram 2 pontos para baixo: dos 36% de agosto aos 34% de setembro. No mesmo período, eram e se mantiveram em 10% os que não souberam responder.

Perseguição do STF contra Bolsonaro para 47% — Também entre agosto e setembro, a Quaest perguntou “O processo judicial contra Bolsonaro foi imparcial ou teve perseguição política?” Os que responderam que “teve perseguição” ainda são a maioria, mas caíram 5 pontos no último mês: de 52% aos atuais 47%. Em contrapartida, os que acham que o julgamento do STF foi imparcial cresceram 6 pontos: dos 36% de agosto aos 42% de setembro. Os que não souberam responder passaram de 12% aos atuais 11%.

Pena de 27 anos e 3 meses é exagerada para 49% — Sobre a questão da dosimetria, a maioria de 49% dos brasileiros acha exagerada a pena a Bolsonaro de prisão por 27 anos e 3 meses. Outros 35% acham que a pena é adequada, com 12% que acham insuficiente e 4% que não souberam responder.

Maioria pela tornozeleira, inelegibilidade e prisão domiciliar — Há, contudo, também maioria nos 48% dos brasileiros que acham adequado o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro (contra 35% que acham exagerado). Como nos 47% que acham adequada a condenação à inelegibilidade em 2026 (contra 35% que acham exagerada) e nos 51% que acham a prisão domiciliar adequada (contra 28% que acham exagerada).
Despenca apoio ao impeachment de Moraes — Considerado o principal inimigo do bolsonarismo, Alexandre de Moraes também esteve nas consultas Quaest. Há maioria nos 52% dos brasileiros contrários ao impeachment do ministro do STF em setembro, crescimento considerável de 9 pontos sobre os 43% que eram contrários em agosto. No mesmo período de apenas um mês, os favoráveis ao impeachment de Moraes despencaram 10 pontos: de 46% aos atuais 36%. Os que não souberam responder passaram de 11% a 12% no mesmo período.


Análise do especialista — “Quaest e Datafolha avaliaram a opinião pública sobre a possibilidade de anistia. Ambas têm margem de erro de 2 pontos, mas as pesquisas têm formas diferentes de fazer perguntas, o que exige cautela na comparação dos resultados. Para a Quaest, 41% dos brasileiros são contra a anistia, 36% são a favor da anistia para todos os envolvidos, incluindo Bolsonaro, e 10% são a favor da anistia apenas para os manifestantes do 8 de janeiro. Já a Datafolha fez apenas uma pergunta generalizada, indagando a população se ela é a favor ou contra uma anistia que livre de punição os responsáveis pela invasão e depredação dos prédios do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023. Em setembro, 61% dos entrevistados se posicionaram contra”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
