Lula 3 sai das cordas batendo no Congresso com “nós contra eles”

 

Presidente da República e da Câmara de Deputados, respectivamente, Lula e Hugo Motta (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula 3 sai das cordas com “nós contra eles”

Acuado pela queda de popularidade em todas as pesquisas de 2025  (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) às urnas de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano e 2 meses, o presidente Lula e o PT conseguiram sair das cordas. Para tanto, elegeram como inimigo o Congresso, sobretudo o presidente da Câmara de Deputados, Hugo Motta (REP/PB), no conceito marxista da luta de classes, o popular “nós contra eles”.

 

Como Collor antes do impeachment

Tudo por conta da proposta do governo de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Cujo decreto presidencial foi o primeiro a ser derrubado no Congresso em 33 anos. E não é pouco coisa, lembrado que o presidente em 1992 era Fernando Collor de Mello, hoje em prisão domiciliar e, à época, à beira de sofrer impeachment pelo Congresso.

 

Esquerda no caminho da extrema direita

Inferior na batalha das ruas desde as Jornadas de Junho de 2013, que iriam num crescendo até o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, finalmente a esquerda parece ter aprendido o caminho da extrema direita nas redes sociais. Nas quais viralizaram vídeos de IA como “Hugo nem se importa”, ou classificando o Congresso de direita de “inimigo do povo”.

 

 

 

Culpa real dividida

Com o mesmo descompromisso com a verdade da extrema direita, que colou a pecha de “Taxadd” no ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e no governo Lula 3, a esquerda contra-atacou na guerra de narrativas. Mesmo que a demanda de arrecadação tenha culpa real dividida entre Executivo e Legislativo: um propôs e o outro aprovou um orçamento fictício.

 

A verdade e a narrativa

Também não é verdade que o aumento do IOF é a expressão do lema de Robin Hood: “tirar dos ricos para dar aos pobres”. Micro e pequenos empreendedores serão tão penalizados quanto os magnatas da Faria Lima, avenida da cidade de São Paulo que simboliza o andar de cima do capitalismo tupiniquim. Mas, verdade à parte, o fato é que a narrativa do PT colou.

 

Aposta na antipolítica

Tenha maioria de direita, de esquerda ou de centro, chamar o Congresso de “inimigo do povo” é tão danoso à democracia quanto chamar o Supremo Tribunal Federal (STF) do mesmo, como fazem os bolsonaristas. Como estes, é apostar na antipolítica que encheu o Congresso de imbecis. Que trocam o papel de legislar pela caça de cortes para lacrar nas redes sociais.

 

Para além dos já convertidos?

O “Lulinha paz e amor” dos seus dois primeiros governos vinha naufragando no terceiro como o presidente da “frente democrática”. Que o elegeu por apenas 1,8 ponto de vantagem nos votos válidos em 2022. O giro de 180º do Lula 3 insuflou a militância de esquerda, que andava acanhada. Se vai funcionar para além dos já convertidos, só as próximas pesquisas dirão.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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