
Maduro é indefensável
Nicolás Maduro e seu regime na Venezuela, por quase 13 anos, são indefensáveis. Prenderam, torturam e assassinaram opositores políticos na casa dos milhares. Fecharam veículos de mídia na casa das centenas. Condenaram 80% da população à pobreza, 50% à extrema-pobreza. E causaram a diáspora de 8 milhões de seus concidadãos, 1/3 dos venezuelanos vivos na Terra.
Eleições questionadas
Maduro foi presidente três vezes. Sua primeira eleição, em 2013, após a morte do antecessor Hugo Chávez, se deu por só 1,49 ponto de vantagem nos votos. E foi contestada pelo candidato opositor, Henrique Caprille. Em 2018, Maduro foi reeleito em um pleito boicotado pela oposição e não reconhecido por diversos países e organizações internacionais.
Eleição fraudada
Se nenhuma eleição presidencial de Maduro foi insuspeita, a mais escandalosa foi a última, em 2024. Quando a oposição apresentou atas de votação, atestadas por observadores internacionais, indicando a vitória do candidato de oposição Edmundo González. Que foi considerado o presidente eleito por Peru, Argentina, Costa Rica, Equador, Panamá e Uruguai.
Ignorância à esquerda e à direita
Boa parte da esquerda brasileira, pela aliança entre o lulopetismo e o bolivarianismo desde Chávez, ignorou isso. Como ignorou prisões, tortura e assassinatos políticos, a fome e o êxodo do povo venezuelano. Como a direita agora ignora a clara violação do direito internacional na ação militar dos EUA de Donald Trump (confira aqui e aqui), ao capturar Maduro e sua esposa em Caracas, no dia 3.
Colômbia e Groenlândia também?
Orgulhoso de uma ação militar perfeita, que a oposição venezuelana credita à colaboração de generais de Maduro que teriam preferido entregar dois anéis para salvar os dedos, Trump parece já ter elegido dois novos alvos. São Gustavo Petro, presidente de esquerda da Colômbia; e a Groenlândia, região autônoma que pertence ao Reino da Dinamarca desde 1721.
É o petróleo, estúpido!
Na Groenlândia, uma ação de Trump poria fim à aliança militar da Otan, que EUA e Dinamarca integram. E arrastaria a Europa, incluindo as potências nucleares do Reino Unido e França, ao conflito. Sobre a Venezuela, que não foi ocupada, Trump anunciou seu real objetivo: as empresas dos EUA controlarão as maiores reservas de petróleo do mundo no país sul-americano.
Maduro cai, regime fica
A quem iniciou o ano debatendo Havaianas, Maduro é o calçado da vez. Com vídeos de Lula apoiando Chávez e o sucessor pululando nas redes. Como deve ser até a eleição a presidente do Brasil em outubro. E é do jogo. Desde que com o devido adendo: com Trump, caiu Maduro. Seu regime repressor e ilegítimo, que teve apoio do PT, segue em cartaz na Venezuela.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
