Wladimir não confirma, mas deixa cargo de prefeito no dia 2

 

por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Hevertton Luna e Gabriel Torres

 

Na sua última entrevista ao Folha no Ar como prefeito de Campos, na manhã de ontem (20), Wladimir Garotinho (hoje, PP) não deu certeza. Mas o fato é que deixará o cargo em reunião marcada ao próximo dia 2, com sua equipe de governo e em sessão extraordinária da Câmara Municipal, passando o bastão da cidade ao atual vice, Frederico Paes (MDB). Embora sem admitir, Wladimir vai se desincompatibilizar para se candidatar a deputado federal em outubro, eleição que pode disputar com o pai, o ex-governador Anthony Garotinho (PP). Ele falou dessa possibilidade, da boa relação que espera manter com Frederico como prefeito, dos acertos e erros dos seus cinco anos e dois meses à frente de Campos e do novo partido, entre PL e PSD. Também analisou, com base nas pesquisas mais recentes, a eleição a presidente da República (confira aqui), em que apoiará Flávio Bolsonaro (PL), a governador e a senador do RJ (confira aqui).

 

Wladimir Garotinho no Folha no Ar de ontem (Foto: César Ferreira/Secom)

 

 

Sai ou fica prefeito? — “Eu vou tomar essa decisão definitiva após o aniversário da cidade, que é dia 28 de março. Tenho já as minhas razões, os meus motivos. Já tenho dito em outras oportunidades da necessidade de Campos voltar a ter representante forte em Brasília, que infelizmente hoje não temos, para lutar pela nossa cidade, pela nossa região. A próxima semana é a do aniversário da cidade. Tem muitas inaugurações programadas da Prefeitura.”

Retorno à Brasília — “O grupo que fica é o que eu lidero hoje. Frederico é uma pessoa muito correta. É dar sequência ao planejamento e ter alguém em Brasília, em outra instância de poder, ajudando a cidade, ajudando a destravar pautas importantes para a nossa região. Posso aqui citar, por exemplo, a lei do semiárido, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, por unanimidade em todas as comissões. Simplesmente houve um veto do presidente Lula, sem ele conhecer, ao meu entender, de perto a realidade. E eu não vi nenhum agente político se manifestar, ir para Brasília brigar, pedir reunião com agentes do Governo Federal. Não vi ninguém. Pelo contrário, eu vi agentes políticos e militantes do PT em Campos questionando a lei aprovada por unanimidade, que é benéfica para todo mundo. Essa é uma das razões.”

Relação com Frederico — “Eu acho que não tem motivo e não terá motivo para eu e Frederico brigarmos. Eu sou uma pessoa muito bem resolvida e decidida; e o Frederico também. Então, se houve brigas no passado (entre outros prefeitos e vices de Campos), eu e o Frederico vamos trabalhar o máximo para que não haja novamente uma ruptura no grupo. O planejamento existe, o grupo está montado e a gente vai trabalhar para que dê sequência no trabalho que vem sendo realizado. É natural que Frederico faça uma adaptação ao seu estilo de governar. Cada um tem o seu estilo. Eu tenho um estilo mais popular e ele tem um estilo mais empresarial. É diferente. E não adianta ele tentar ser parecido comigo ou eu tentar ser parecido com ele, porque isso não vai dar certo e não vai dar liga.”

“Não vou fazer sombra” — “Eu tenho dito que não vou fazer sombra para ele. Vou tocar a minha vida. Se for o caso de eu ter que sair, ele vai assumir o governo. Eu vou estar ali para, se ele precisar, auxiliar. A equipe, até onde eu sei, vai ficar praticamente a mesma. Pode fazer duas ou três mudanças pontuais de secretarias e pessoas mais próximas a ele, o que é normal também de acontecer. Acho, talvez, que para o momento que a cidade vive, cada um cumpriu a sua etapa. Eu cumpri o momento de uma cidade sem caminho, sem perspectiva. Eu tinha uma força de trabalho, uma articulação em Brasília muito grande. Eu consegui unir forças, unir a cidade com o meu estilo popular. Eu ganhei a rua e consegui refazer o planejamento.”

Futuro político de Garotinho — “Ele tem o direito de pleitear ser candidato ao que ele quiser. Mas ele já disse, durante esse processo, que ele seria candidato a estadual, a governador se alguém desse a vaga para ele. Disse que pode ser candidato ao Senado, porque ele não acredita nem que Castro e nem que Canella (pré-candidatos a senador do PL) serão candidatos. E também está dizendo que pode ser candidato a deputado federal. Então, ele está se colocando para todos os cargos. Ele tem opção, eu não tenho. Se eu sair, sou pré-candidato a deputado federal. Eu só tenho essa opção. Eu já ouvi ele falar as quatro, inclusive para mim. Apertou a minha mão uma vez que seria candidato a estadual. Então ele já falou que ele tem várias opções, mas ele tem ainda um problema de documentação (relativo à condenação na Operação Chequinho). Tomara que resolva, torço de verdade. Na verdade, (Cristiano) Zanin foi o ministro (do STF) que deu a ele uma liminar. O processo estava com a (ministra do STF) Cármen Lúcia.

Continuar prefeito — “Eu tenho que tomar uma decisão que é importante para o grupo político. Eu não estou tomando a decisão porque é melhor para Wladimir. Eu confesso que ficar prefeito para mim hoje é a melhor opção. Estou perto de casa, perto da minha família, perto dos meus amigos. Eu fui eleito para cumprir o mandato até 2028. Quando eu acabar o mandato, vou ser secretário de Estado de quem seja o próximo governador. Os dois lados já me convidaram para isso. Caso eu fique, eu seria secretário de Estado lá em 2028. Eu estou tomando a decisão. Caso eu venha mesmo a tomar essa decisão de sair para ser candidato a deputado federal pelo projeto político da cidade, da região; não é por mim.

Disputar o mesmo cargo com o pai — “Não vou entrar em polêmica. Estou fazendo aquilo que é necessário para o bem da manutenção do grupo. Se ele (Garotinho) entende diferente, ele tem o direito de entender. Eu já tentei conversar e convencê-lo algumas vezes, mas ele é difícil de ser convencido. Ele gosta de tentar convencer as pessoas. Então, vou trabalhar, olhar para frente, reunir novamente com quem tenho que reunir, com o meu grupo político, que está comigo nessa caminhada desde 2020, para tomar a melhor decisão. Caso venha a acontecer de eu disputar a mesma eleição que ele, eu lamento, mas eu vou ter que disputar e torcer para que os dois sejam eleitos.”

Convite do Republicanos — “Meu pai nunca me fez essa proposta. A proposta chegou a mim por outras pessoas. Não acho que é a solução. Eu não irei para o Republicanos porque eu tenho as minhas razões. Não tenho relação pessoal próxima com o presidente do Republicanos, que é o bispo Luiz Carlos. Na verdade, o Republicanos está usando ele (Garotinho). A chantagem é do Republicanos com o meu pai. Meu pai quer ser candidato ao Senado. Sabe o que o Republicanos diz? Você vai ser só se seu filho vier para cá.

Apoio à Flávio Bolsonaro — “O meu candidato (a presidente) é Flávio (Bolsonaro), independente da sigla partidária que eu estiver. Então preciso ir para uma sigla onde fazer isso. (Gilberto) Kassab (presidente nacional do PSD) disse que não teria problema algum (ir para o PSD e apoiar Flávio). Eu não sou um político de base ideológica. Tenho as minhas convicções, sou conservador de princípios, apesar de progressista em algumas políticas públicas. Eu sou de princípios conservadores. Eu acho que são coisas diferentes que têm se misturado muito ao longo do tempo, demais até, sem necessidade. Então, sou conservador de princípio, mas nas políticas públicas, tem várias delas que sou progressista. Não vejo dificuldade nenhuma nisso. Mas eu sou um político que gosta muito mais da entrega de resultado do que de ficar discutindo política ideológica que não leva a lugar nenhum.”

Escolha da legenda — “A sigla partidária que me oferecer as melhores condições de entregar resultado, de produzir resultado, é para onde eu tenho que ir. E por isso eu não decidi ainda para onde eu vou. Flávio é meu amigo pessoal. Ele me disse que uma das pouquíssimas campanhas que ele foi em cidade do interior foi a minha em Campos. Ele veio aqui no meu lançamento de candidatura. Falo com ele, se eu ligar ele me retorna. Eu mando mensagem, falo com o Flávio sempre. Uma vida corrida como ele tem, senador da República, pré-candidato a presidente da República. Ele me ligou há dois dias. Falo com o Kassab também, mas repito, o Flávio é o pré-candidato, ele não é o presidente do partido. Eu preciso ter uma conversa com o presidente do partido nacional, que é o Valdemar (da Costa Neto), para entender quais são as ferramentas que eu posso ter no PL para produzir resultado concreto para a minha cidade e para a minha região.

Caixa da Prefeitura — “Peguei uma cidade com exatamente R$ 11 milhões em caixa em janeiro de 2021. Desses R$ 11 milhões, apenas R$ 2,7 milhões disponíveis para pagamento de pessoal. Eu tinha uma folha R$ 80 milhões para pagar em 10 dias. Sabe quanto tem no caixa hoje se eu sair? Mais de R$ 500 milhões. A Prefeitura está organizada. Então, Frederico, caso assuma, vai ter uma Prefeitura organizada

Aplicação do PreviCampos no governo Rosinha com o Banco Master — “Tem aplicação com o Vorcaro na minha gestão? Não. E por que não tem na minha gestão? Porque eu recusei. Estou falando aqui de público pela primeira vez. Veio gente do Banco Master na Prefeitura. Sabe o que eu fiz? Vai para o Conselho (do PreviCampos), se o Conselho aprovar, faz. Se não aprovar, não faz. O Conselho reprovou e não fez. E ponto. Não adianta ninguém me cobrar nada. Eu peguei de liquidez no PreviCampos R$ 261 milhões em janeiro de 2021. Hoje, de liquidez no PreviCampos tem R$ 516 milhões. Eu dobrei em cinco anos a liquidez do PreviCampos. Quando eu assumi, o cálculo atuarial dizia que em 2027 a PreviCampos quebrava. Hoje, o cálculo atual já diz 2034. Então, o trabalho está sendo feito de maneira correta, séria e transparente.”

Transição — “Não tem uma transição formalizada. Inclusive, semana que vem, isso é normal dentro do governo, eu tenho uma reunião de acompanhamento do planejamento do ano. Onde o Frederico participa, o Controle participa, a Fazenda participa, a Procuradoria participa. A gente vai pegar o primeiro trimestre, acompanhar a previsão de arrecadação, de despesa e a receita. A questão do dia a dia da Prefeitura, você só pega no dia a dia. As ideias macro, os serviços macro, eles estão no seu fluxo. Pode ajustar, mas a transição formal não existe. Existe um grupo de pessoas que trabalha, que se dedica. O que a gente não tira nunca de foco é o planejamento e o acompanhamento da execução orçamentária, porque a receita flutua.

 

Wladimir Garotinho, ontem, no estúdio fa Folha FM 98,3 (Foto: César Ferreira/Secom)

 

Geração de empregos — “Nós estamos falando de mais de 4 mil empregos de carteira assinada na cidade de Campos por ano. Estamos falando de 4 anos, quase 16 mil empregos. Se isso não for força e não for número positivo, eu desconheço o que seja. Se você pegar os dados oficiais do Caged, ano a ano e até mês a mês, tem mês que Campos é o segundo município no estado que mais gerou emprego. Varia sempre entre os cinco no estado.”

Transporte público — “Foi questão de ajuste interno do Governo Federal (para renovar a frota de transporte público de Campos), de fonte de financiamento. Saiu do BNDES e foi para a Caixa Econômica Federal. Quando eu vou para primeira reunião, falaram: ‘Olha só, tem uma diferença do BNDES. A carência não é mais 36 meses, são 12’. Falei, é impossível, eu não consigo pagar. A Prefeitura não consegue pagar. E aí eu podia ser irresponsável: vou pegar, vou sair em abril do ano que vem e deixo a bomba na mão do próximo. Eu vou ser irresponsável de quebrar a cidade? Temos problemas no transporte? Temos. Qual é a lógica de, neste momento, com a van do jeito que está, com os ônibus do jeito que estão, eu inaugurar os terminais?

Pagamento dos servidores — “Uma grande conquista de gestão. Pela primeira vez na história, no ano passado, Campos pagou os seus servidores com 100% de recurso próprio. Isso é uma marca de gestão importante, que não pode ser esquecida. Aí eu vou pegar tudo isso, vou jogar fora por pegar um financiamento impagável, para depois ser acusado o resto da vida que eu quebrei a cidade? Eu não vou fazer isso. Então, existe o problema de transporte? Existe. Eu planejei para executar e não consegui. É uma frustração que eu tenho, não consegui resolver o transporte, apesar de ter planejado.”

Douglas Ruas a governador — “Primeiro precisa decidir quem é o candidato. Eu não sei se Douglas é pré-candidato, de verdade. Eu tive uma conversa agora essa semana com o Douglas, levei três horas e meia conversando com ele. Só que agora o (ministro do STF Luiz) Fux deu uma decisão que mudou tudo. Eu não sei se ele (Douglas) é mais (candidato). A gente precisa decidir. Eu não posso fazer aqui projeção sem ter a definição de quem é o candidato. Se ele for, o Douglas é um excelente quadro. Ele é mais novo que eu, tem 37 anos. É um garoto do bem. Eu conheço ele, posso falar. Não tem como as pessoas acharem essa ligação com o Bacellar. Não tem mesmo. Ele é de uma cidade pobre, que é São Gonçalo. Ele e o pai dele, o prefeito Capitão Nelson, deram jeito na cidade, organizaram.”

Apoio a governador — “Eu não decidi ainda porque eu não sei se Douglas é candidato. Não sei mesmo. É possível que eu apoie Douglas. Se Douglas não for candidato, eu posso apoiar Eduardo. Aí (se os dois forem candidatos) entra a decisão partidária. Eu vou para onde? Se eu for para o PL, eu vou ter que apoiar Douglas. Se for PSD, eu vou ter que apoiar Eduardo. O quadro no Rio de Janeiro está muito indefinido. O problema é que não dá para ter certeza do que vai acontecer. Nós temos até o dia 4 para definir partido, não definir quem é candidato. Candidato só decide na convenção que é até (5 de) agosto.

“Flávio é de centro-direita” e vacinação — “Eu não sou de extrema-direita e nem acho que o Flávio é. Flávio é centro-direita. Flávio é muito mais do diálogo e equilibrado do que os posicionamentos do pai. Então, o Flávio diz que tomou vacina. Eu acho a vacina importante. A vida inteira eu tomei vacina. Acho que todos nós aqui no estúdio tomamos vacina. Então, a nossa cobertura vacinal, quando eu assumi, era 40%. Já estamos batendo quase 90% e a meta do ministério é 95%. A gente deve até o meio do ano voltar a bater meta de vacinação, coisa que a cidade não bate há 10 anos.”

Eleição a presidente — “Acho que essa eleição vai ser decidida em 5% do eleitorado do centro. Essa é a minha análise. Você tem dois polos consolidados (à esquerda e à direita) e que não vão mudar. Dificilmente um lado vai tirar voto do outro. Você tem 5% em disputa apenas. Primeiro, é quem errar menos e segundo é quem se comunicar melhor. E aí, no meu entender, o campo de Lula está errando muito. Vou dar um exemplo aqui que é até polêmico e que algumas pessoas podem me criticar por eu falar, mas é a minha opinião verdadeira. E não é nada contra, é apenas a minha opinião verdadeira. O Carnaval foi uma tragédia para Lula, aquela aula específica (‘famílias em conserva’). E também, para mim, não pega bem no ano eleitoral você fazer um desfile para o presidente da República.”

Erika Hilton cabo eleitoral de Flávio — “Erika Hilton neste momento, na posição que está (presidente da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados), é a maior cabo eleitoral de Flávio. Neste momento, está falando para a bolha dela e para uma bolha de esquerda que apoia a Lula, que só reforça o voto deles. Mas esses 5% que vão decidir a eleição não querem isso. Estou falando aqui abertamente, vai gerar polêmica. Eu não tenho nada contra. Eu acho que as minorias, os trans e quem quer que seja, têm que ter o seu direito de fala respeitado, tem que ser defendido, tem que ser olhados com carinho. Eu criei em Campos o Ambulatório LGBT, porque eu acho que as minorias têm que ser defendidas, protegidas, olhadas com todo carinho, com todo respeito. Mas eu acho que ela (Erika) está no local inadequado.”

Bipolaridade política — “Deixou de ser o voto em quem você gosta só. Virou o voto contra quem você odeia. Isso é muito perigoso. Para a democracia, inclusive. A gente está por uma faísca de ter um problema sério neste país. Porque você antes votava em quem você acreditava, em quem você gostava. Você pode até não concordar com o outro, mas hoje você odeia o outro. Você não está conseguindo ter conversa civilizada. Até em família.”

Favoritismo de Paes a governador — “A eleição não começou. Eduardo é favorito há muito tempo, as pesquisas davam ele com 35%, 37%, agora já passou da casa dos 40% (na pesquisa Real Time Big Data de março, variou de 42% a 46% de intenção de voto a governador em dois cenários de consulta estimulada). Na minha opinião, por falta de uma candidatura colocada. O Douglas, quando se coloca, já vai a 13% (de 11% a 13% nos mesmos dois cenários da mesma pesquisa). É uma eleição matematicamente aberta. Eduardo é um nome conhecido, quatro vezes prefeito da capital, já disputou eleição de governador duas vezes. Tem uma rede social muito forte, que hoje faz diferença. Quando ele foi candidato às outras vezes, não tinha. Eduardo pode se considerar favorito? Pode, mas a eleição está aberta. A rejeição de Douglas é muito menor do que a dele.”

“Dificilmente acaba no 1º turno” — “Você não tem candidato colocado do outro lado (de Paes a governador). A partir do momento que tiver, a gente vai ver quem é, qual é a capilaridade dele, qual partido ele está, para saber se vai ter jogo ou não. É isso que vai acontecer. Dificilmente essa eleição acaba no primeiro turno no Rio. Na espontânea ele (Paes) tem 12%. O Douglas, que entrou agora, tem 7% (soma dos 2% de Ruas, mais os 4% de Castro e o 1% de Flávio na consulta espontânea a governador). Porque na hora H, o eleitor de Flávio, no Rio, ganha de Lula. Eduardo é prefeito da capital, tem uma vantagem só na capital. A eleição presidencial não influencia na municipal. Influencia na estadual, porque é a mesma eleição.

Complexo Farol/Barra do Furado — “Tem que dar mérito a quem tem mérito, que é a iniciativa privada. O Banco Fator, um dos principais acionistas nessa nova etapa, colocou R$ 900 milhões de investimento privado. Esse é o primeiro investimento do complexo, depois virão outros, já de R$ 900 milhões. Então, é um sonho para a nossa região. Vai gerar muito emprego, emprego qualificado. Vai gerar renda, vai gerar oportunidades inúmeras. O que vai funcionar lá? Descomissionamento de plataforma, reciclagem de embarcações. A partir disso, por exemplo, você vai descomissionar uma plataforma, o que você vai fazer com o aço? Ou você vai vender para a CSN ou você pode fazer uma indústria nova, ali mesmo em Barra do Furado, para aproveitar o aço.

Eleição do Rio à direita — “A eleição no Rio está à direita. Em todos os cenários, os dois primeiros são senadores de direita. Então a eleição para o Senado está à direita e a eleição para presidente está à direita. Mais um motivo para dizer que a eleição de governador está aberta, que a direita ainda não tem nome. Ele (Paes) está com o Lula no palanque dele. Ele vai ter que dizer para o eleitor de Lula que ele é de direita. Ele tem que escolher também. Desculpa, nada contra o Eduardo não, mas ele tem que escolher. O Eduardo sempre foi um político de centro-direita, a vida inteira.”

Senado — “Acho que pode surgir um outro nome. Caso o Cláudio não possa ser candidato, o nome do PL vai ser o (ex-secretário estadual de Polícia Civil Felipe) Curi (PL) para o Senado. O Curi pode ser o candidato a governador ou até a senador. Mas se o Douglas quiser ser o candidato, vão botar no (mandato de governador) tampão alguém que vai fazer a travessia para o Douglas ser candidato. O Douglas tem que querer ser. Se o Douglas não quiser, o Curi pode ser, desde que ele também queira. Mas o que eu já ouvi de certeza é que se o Cláudio, por algum motivo, não puder ir para o Senado, quem vai é o Curi. A eleição está completamente aberta. Benedita é a candidata de esquerda mais competitiva (ao Senado). Ela é disparada a mais competitiva. Tem toda uma história. Foi governadora durante um período, foi vice do meu pai. É muito conhecida, mas tem dificuldade no interior. Ela tem voto na capital. Não sei nem se tem na região metropolitana.”

Caio Vianna — “Eu vou reforçar e continuo dizendo aqui que se Caio Vianna quisesse ser candidato a deputado estadual do grupo, ele tem a vaga. Depende dele. Eu disse isso aqui que o grupo poderia ter três candidaturas. Estou repetindo aqui, publicamente, eu não briguei com o Caio. Sequer falei com ele. Dei até uma entrevista esta semana, uma fofoca de internet. Ele, no Farol de São Thomé, nesse verão, na casa de Ruy (Crispim, aliado de Caio e secretário de Governo de Wladimir), me disse que desceria para estadual. Falei: ‘Então vamos tirar foto agora’. Ele não quis tirar: ‘Não, eu preciso falar com o Eduardo’. Isso foi em janeiro e nós já estamos em março. O tempo passa, as pessoas se movimentam, os espaços vão ficando diminutos. Então, precisa se movimentar. Mas se ele quiser, pela aliança que nós fizemos, pela história das nossas famílias que foi difícil resgatar, essa história no campo popular.

Garotinho — “Ele tem tamanho e história para disputar uma eleição ao Senado com chance de ganhar. Clarissa na eleição passada, sozinha, fez 1 milhão e 200 mil votos (a senadora). Romário se elegeu com 2,2 milhões. Então o Garotinho tem tamanho, tem história para isso. Se o Republicanos não quiser dar a vaga do Senado para ele, tem quem queira dar. Eu sei que tem partido que quer dar a vaga do Senado para ele. No PL não vai. No PSD também não vai. Vamos ser sinceros, onde eu estou conversando, não vai. Mas eu sei que tem partido que quer. É partido menor, mas é uma disputa majoritária. Acho que ele tem tamanho para isso.”

Pai contra filho a deputado federal? — “Voto ele tem e eu tenho. Eu tenho muito voto dele, porque herdei, com trabalho, com carisma, com continuidade de políticas públicas. Mas eu conquistei o meu eleitor, mais jovem, diferente um pouco do eleitor dele. O eleitor na pedra (a 98ª Zona Eleitoral de Campos, que sempre teve resistência ao garotismo, mas aderiu a Wladimir) que ele não tinha, que eu consegui capturar, consegui convencer. Agora, eu vou lamentar muito se isso acontecer. Não quero isso, não quero um confronto. Até porque a eleição sobra cotovelo para tudo quanto é lado, não quero isso. Mas vou repetir, eu tenho muito carinho pela história dele, pelo meu pai. Eu amo meu pai, alguém tem dúvida que eu amo o meu pai? Eu amo tanto que para evitar brigar às vezes eu me afasto, porque eu não quero brigar com ele. Então, por amor, a gente fica perto. Mas, às vezes, por amor, a gente se afasta, para evitar briga.”

Rumo do grupo político — “Eu estou em uma fase que eu preciso decidir e essa decisão pode mudar o rumo do grupo político para frente. Eu não posso, em meu nome ou pelo meu desejo, arriscar. Tanto que eu convoquei uma reunião, de algumas pessoas do grupo político, para sábado (hoje) à tarde. Depois lá de Barra do Furado. Dez ou 12 pessoas, não mais do que isso, para discutir qual caminho nós vamos tomar. Eu preciso decidir em grupo, porque eu não quero depois ser acusado: ‘Ah, mas você fez isso e atrapalhou todo mundo’.”

Concurso da Educação — “O concurso da Educação está suspenso por uma decisão liminar. Eu discordo da decisão e a Prefeitura está recorrendo. Por que eu discordo? Porque a Procuradoria do Município, que tem os seus advogados, seu corpo técnico, alega, e para mim de forma correta, que o edital foi baseado em uma lei específica aprovada pela Câmara de Vereadores por unanimidade. Então, não existe possibilidade de retificação de edital. O edital é baseado em uma lei aprovada pela Câmara. A Defensoria questiona a lei. Então teria que fazer uma nova lei. Quem faz a lei não é o prefeito, quem faz a lei é a Câmara. Então tem que voltar para a Câmara para se produzir uma nova lei, para se votar novamente. Não foi fácil aprovar a lei dos 10% de cota não. Você tem gente ali que é contra e eu tive que convencer. Então, Defensoria, com todo respeito, todo carinho, já tivemos outras conquistas juntos, outros acordos. Mas esse não dá para fazer acordo, porque depende de lei específica.”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

0

Deixe um comentário