O que esperar do governo Frederico Paes em Campos?

 

Wladimir Garotinho e Frederico Paes (Montagem: Joseli Matias)

 

A segunda questão: Frederico

A segunda questão com a saída de Wladimir no dia 2 é: o que esperar do industrial do açúcar e álcool, presidente da Coagro, produtor rural, engenheiro agrônomo e ex-dirigente hospitalar Frederico Paes como prefeito? Sem o carisma popular de Wladimir, mas com muita experiência como gestor, é nesta característica que pode mostrar cara própria e dizer a que veio.

 

Transporte público

Como o próprio Wladimir admitiu ontem, em entrevista (confira aqui) ao Folha no Ar, o transporte público é o maior problema de Campos. E não é de hoje. A precariedade do serviço essencial vem desde as duas gestões Rosinha Garotinho, passou pelo governo Rafael Diniz (Cidadania) e permaneceu insolúvel nos cinco anos da atual administração.

 

Choque de ordem?

Se, uma vez prefeito, Frederico conseguir solucionar, ou mesmo atenuar o problema do transporte, deixaria uma marca muito positiva aos dois anos e nove meses de prefeito que terá pela frente. Mas quem conhece o pensamento e a convicção do atual vice, poderia apostar que um choque de ordem na cidade também estaria entre os seus objetivos como prefeito.

 

Exemplo de Cabo Frio

O que seria esse choque de ordem? Fiscalizar com mais rigor da Postura e Guarda Civil Municipal o avanço particular sobre os espaços públicos, presente em cada bairro e distrito do município. O bom trabalho que o prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho (PL), tem feito no ordenamento público da sua cidade é um exemplo para Frederico.

 

Relação com a Câmara

Como qualquer outro chefe de Executivo neste Brasil com Legislativo muito empoderado nas esferas federal, estadual e municipal, Frederico terá que cuidar da sua relação com a Câmara. Que tem como presidente o vereador Fred Rangel (PP), concunhado de Wladimir, com eleição à nova mesa diretora a ser realizada até dezembro.

 

O usineiro e a esquerda

Ter um usineiro como prefeito de Campos deve causar antipatia natural à esquerda. Mas, embora ruidosa e ativa na condição de polo universitário que a cidade alcançou, a esquerda goitacá tem se mostrado incapaz, há 14 anos, de eleger representante. O último vereador que o PT teve no município foi Marcão Gomes (hoje, MDB) em 2012.

 

MST x Coagro

Com apoio do PT e Psol locais, o MST já entrou em disputas recentes com a Coagro comandada por Frederico. Em 24 de julho de 2025, famílias do MST chegaram (confira aqui) a ocupar terras da fazenda São Cristóvão, propriedade do Grupo Othon, arrendada a pequenos e médios produtores associados à Coagro. Após a chegada da PM, o MST negociou e se retirou do local.

 

Usineiro quase prefeito há 54 anos

A despeito da mística de usineiros mandando na política de Campos no passado, o mais perto que alguém da categoria chegou a ser prefeito da cidade, nos últimos 54 anos, foi Heli Ribeiro Gomes. Então proprietário da hoje desativada usina Cambahyba, ele perdeu uma disputada eleição à Prefeitura, em 1972, para Zezé Barbosa, avô materno de Rafael Diniz.

 

Usineiro prefeito há 121 anos

Segundo a historiadora Sylvia Paes, o último usineiro que chegou a prefeito de Campos, em mandato de um único ano e conferido por nomeação como intendente, foi Manoel Rodrigues Peixoto, em 1905. Ou 121 anos antes de Frederico ter a chance real de assumir, no próximo dia 2, o governo de Campos dos Goytacazes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

0

Deixe um comentário