
É possível que Lula vire a eleição e se reeleja presidente no domingo, por diferença de até 2 pontos nos votos válidos? Sim, é possível! É possível que Flávio Bolsonaro se eleja com mais de 4 pontos de vantagem? Sim, é possível! Mas o mais provável, noves fora qualquer torcida, é a vitória eleitoral de Flávio por até 4 pontos de vantagem.
Até a tarde de sexta (23) em que este texto é escrito, antes do debate da Globo, Flávio liderou numericamente todas as pesquisas no 2º turno. A única exceção é o instituto Vox Brasil, que deu liderança numérica a Lula. A não ser que só ele esteja certo e todos os demais institutos errados, Flávio leva moderado favoritismo ao domingo (25).
Contra Lula pesam também duas escritas. A primeira? Desde que o 2º turno foi instituído, em 1989, quem passa à frente no 1º turno presidencial leva o turno extra. A segunda? Desde Juscelino Kubitschek em 1955, há 71 anos, quem vence a eleição a presidente em Minas Gerais leva o Brasil de brinde.
Quem venceu no 1º turno presidencial nas Minas de Juscelino foi Flávio. Ele teve 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula, 4,91 pontos atrás. E Cleitinho (REP), eleito governador mineiro já no 1º turno do dia 4, apoia a candidatura de Flávio. Para virar o Brasil, na escrita de mais de sete décadas, Lula teria que virar Minas.
A chance real de Lula seria tentar diminuir a abstenção nacional, sobretudo nas faixas do eleitor mais pobre, com renda mensal até 1 salário mínimo, e mais velho, de 60 anos ou mais. E que se confirme neste domingo a previsão de chuva forte nas regiões Sul e Sudeste. Nas quais Flávio tem vantagem, respectivamente, grande e moderada.
Com o imponderável climático pela frente, a um dia entre eleitor e urna, o fato é que os institutos de pesquisa, sem exceção, têm subestimado a abstenção. Daí advém os maiores erros em suas projeções. No 1º turno deste ano de 2026, 21,08% dos eleitores cadastrados não foram votar. No 2º turno de 2022, a abstenção foi de 20,59%.
Normalmente, a presença do eleitor na urna do 2º turno é menor que no 1º turno. Mas, em 2022, a abstenção no 2º turno (20,59%) foi 0,36 ponto menor que a de 20,95% do 1º turno. Isso garantiu a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro, por apenas 1,8 ponto de vantagem em 2022. Lula precisaria de algo análogo contra Flávio em 2026.
O número dos eleitores que não irão à urna e dos que irão para votar nulo no domingo foi estimado em 7% na Datafolha de sexta e em 6% na Real Time Big Data de sábado. Dificilmente esse número será menor do que 20% no domingo. É nessa grande diferença entre intenção de voto e voto consumado que “surpresas” podem ocorrer.
Quem acompanha de maneira objetiva os números das pesquisas, sem contaminar a análise pela irrelevância da torcida pessoal, jamais delirou com a possibilidade de Lula se reeleger em turno único. E, tampouco, encarou como surpresa Flávio ter ficado à frente no 1º turno, por 1,87 ponto nos votos válidos: 47,06% a 45,16% Lula.
É possível Lula virar essa pequena vantagem até que a intenção de voto se concretize em voto na urna no domingo? Sim, é! Seria uma surpresa? Não, não seria! Mas como não conseguiu fazer isso (confira aqui) até agora, a não ser nas pesquisas de um único instituto contrário a todos os demais, não parece ser o mais provável.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
