Declaração de voto pessoal na urna do domingo de 4 de outubro
Hoje é quinta-feira, 1º de outubro. A três dias da urna deste domingo (4), penso ser o momento de declarar meus votos, como fiz em outras eleições nacionais e estaduais.
Acho justo quem me lê, ouve e vê saber como penso enquanto cidadão. Com a ressalva de zelo quase religioso: nenhum desses votos pessoais interferirá um milímetro na minha atuação profissional como jornalista político, analista eleitoral e/ou diretor de redação do Grupo Folha. Quer seja em blog, site, jornal, rádio e/ou televisão.

Isso bem posto, segue abaixo o que penso justificar minhas decisões de voto:
DEPUTADO FEDERAL — Por afinidade e admiração à sua trajetória política de uma esquerda corajosa, não dogmática e autocrítica, desejaria votar em Heloísa Helena (Rede), 1818, a deputada federal. Mas enquanto o Brasil não adotar um sistema próximo ao distrital misto alemão, em que se permite votar em deputados por seu distrito eleitoral e por seu estado, votarei sempre em candidatos locais.
WLADIMIR GAROTINHO (PSD), 2258, desempenhou bom mandato como deputado federal, mesmo em curto espaço de tempo, de 2019 a 2020. Liderou a emenda de bancada que permitiu a conclusão do novo prédio da UFF-Campos, reunindo assinaturas de pares bolsonaristas e psolistas. E foi autor do projeto para inclusão do Norte e Noroeste Fluminense na classificação climática de semiárido. Que facilitaria acesso a crédito aos produtores rurais de 22 municípios da região, foi aprovado na Câmara e no Senado e, anda assim, acabou vetado pelo governo Lula (PT). Como prefeito de Campos, fez um primeiro governo muito bem avaliado, embora não tão bom na gestão que entregou a Frederico Paes (MDB). Mas tem compromisso com Campos e amor à cidade.
DEPUTADO ESTADUAL — Com coragem pessoal semelhante à de Heloísa Helena, THIAGO VIRGÍLIO (REP), 10611, é um lutador. Às vezes, pode exagerar, mas tem amadurecido em sua trajetória política e pessoal. Na qual soube dar a volta por cima após ser preso na Operação Chequinho, chegando a se formar em Direito. Enquanto esteve impedido de concorrer, foi fundamental na eleição do primo e principal aliado, Juninho Virgílio (Podemos), duas vezes, a vereador. A despeito de críticas que eu possa ter a Anthony Garotinho (REP), admiro também a lealdade de Thiago ao ex-governador. É a mesma lealdade e capacidade de luta que, a meu ver, ele devota a Campos.
1º VOTO A SENADORA — BENEDITA DA SILVA (PT), 131, talvez seja meu voto mais emocional. Porque repete o que dei a ela ao Senado no pleito hoje distante de 1994, quando se elegeu. Pressionada pelo escândalo do Banco Master em suas ligações milionárias com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), não agiu como uma esquerda que prefere a tática da avestruz. No lugar de enterrar a cabeça no chão, assumiu publicamente compromisso com a reforma do Judiciário, com a imposição de um código de ética e de mandatos de 12 anos aos ministros do STF. Cria das favelas cariocas, trabalhou desde adolescente, formou-se como auxiliar de enfermagem e, já aos 42 anos, em Serviço Social. Dos ex-governadores do RJ vivos, é a única sobre a qual jamais pesou nenhuma suspeita.
2º VOTO A SENADOR — Pelo bom trabalho em trazer emendas para Campos e região que desempenhou no Senado, quando assumiu como suplente o mandato de Arolde de Oliveira, vítima da Covid em 2020, cogitei votar em Carlos Portinho (PL), 222. Mas suas posições bolsonaristas mais radicais, que compreendo pragmaticamente, dele me afastam. Por isso, votarei em PEDRO PAULO (PSD), 555, que teve desempenho atuante em seus quatro mandatos de deputado federal e, como Benedita, não se escondeu da crise do STF. Defendeu a aplicação de impeachment de ministros do STF, que só pode ser feito no Senado, em casos de desvio de conduta, mandatos fixos ou aumento da idade mínima dos ministros, além da redução do alcance de decisões monocráticas.
GOVERNADOR — É uma escolha pragmática. EDUARDO PAES (PSD), 55, pode ser arrogante e por vezes politicamente inábil, mas é, sem dúvida, o melhor administrador entre os candidatos postos ao Palácio Guanabara. A quem, como eu, frequenta a cidade do Rio de Janeiro antes, durante e depois das suas quatro gestões como prefeito, salta aos olhos a transformação urbanística que ele implementou entre 2009 e 2026. E que desejaria ver espraiada a todo o estado.
PRESIDENTE — É outra escolha pragmática. Envelhecido como Lula, com quem disputou em 1989 a primeira eleição a presidente por voto popular após nossa última ditadura militar (1964/1985), RONALDO CAIADO (PSD), 55, entregou em 2026 uma gestão como governador de Goiás aprovada por 87% da população do estado. E, entre os candidatos da chamada 3ª via, é o que teria a maior base de apoio parlamentar se eleito presidente, fundamental à governabilidade do Brasil.
Conheci Goiás em abril de 2024, rodei de carro boa parte do estado, encontrei boas estradas, pujança econômica e uma população satisfeita com os serviços de saúde, educação e transporte públicos ofertados pelo estado. Aliado a isso, o motivo principal do meu voto, o mais à direita que já dei a presidente, mas uma direita que defendeu a vacina na pandemia da Covid, é simples: minha mãe, aos 82 anos, pode andar na rua de qualquer cidade goiana, mesmo à noite, e usar seu celular despreocupada. Sem o risco de ser assaltada, agredida ou até morta, como se dá na imensa maioria das cidades do país.
