De partida
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:18 de agosto de 2011 - 09:00
- Categoria do post:Sem categoria
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E porque sua contribuição, leitor, se conquista, não se mendiga, seguem abaixo, na forma mais relevante de post, os dois comentários que o blogueiro entendeu mais relevantes, pela riqueza de informações, entre os 20 até agora gerados, sem nenhum anonimato, pelo texto publicado aqui e intitulado “Corte de 10% nos contratos e convênios — Crise mundial ou do orçamento de Campos?”…
Alguma coisa está errada.
E não é o jornal, com certeza!
Recebi aqui, ao mesmo tempo em que S. Exª a prefeita baixava o Decreto 454 (parece até número de linha de ônibus, Leblon-Grajaú), mensagens da Petrobrás com as seguintes informações:
– o Lucro da Petrobrás subiu 37%;
– a produção de petróleo aumentou 2,2% e a de gás 6,9%;
– que entraram em fase de produção mais dois campos (os de Aruanã e Brava), justamente na Bacia de Campos;
– que a Petrobrás colocou em operação a a plataforma semissubmersível P-56, no campo de Marlim Sul,no dia 15/8;
– a agência de risco Mooody’s (a mesma que anda rebaixando países por ai) reconhece a melhora do risco da Petrobrás em moeda estrangeita de Bas1 para A3;
E mais:
– A ANP revela que os produtores privados já produzem 200 mil barris/dia;
– está a caminho (saiu hoje de Cingapure), a superplataforma de Eike Batista, a FSPO-OSX 1, que chegará a Campos dentro de 38 dias para começar a produzir imediatamente;
– até julho, a Prefeitura de Campos já havia recebido R$ 566,8 milhões entre royalties e participações, indicando que já superou em mais da metade do arrecadado em 2010, representando um aumento de quase 10% só no primeiro semestre.
O que não dá para entender é que tudo indica que a receita de Campos com o petróleo deverá ficar bem próxima de 2008, quando teve seu melhor momento, beirando os R$ 1 bilhão 200 milhões.
Qual a verdade sob esse decreto?
É preciso tomar cuidado quando se lida com algo tão transparente como as receitas do petróleo. Não dá para enganar, para mentir. Os dados estão ai, perambulando pela internet e sites de transparência.
De que (ou quem?) a prefeita tem medo?
Eu penso que para fazer economia não deve se fixar uma meta de apenas 10%. Isso é muito desrespeito ao povo. Deveria ser de 100%, gastar apenas o necessário. Para mim, esse decreto só tem um sentido: manda esbanjar menos, só um tiquinho…
Paulo Freitas – Rio de Janeiro/RJ
Bem oportuno o comentário do Sr. Paulo Freitas. De fato, com a Petrobrás sinalizando um lucro de 37% só no primeiro semestre deste ano, ou seja, 21,9 bilhões, está muito distante dos sustos causados pelo dólar, que diga-se de passagem, só hoje teve queda de 0,41%, fechando em 1,584.
Mesmo tendo alta de 2,15 no corrente mês de agosto, por conta das indecisões políticas e impasses entre republicanos e democratas americanos, acabaram tirando a confiança dos investidores. Mesmo assim, a desvalorização do dólar acumulada só este ano, está em 4,90%, portanto, ainda longe de afetar seriamente as questões de commodities.
Temos a nosso favor que o PIB brasileiro teve a sua primeira queda destes últimos 2 anos, de apenas 0,26%, o que ainda nos mantém em saudáveis 142,90!
Portanto, fazendo par com o Sr. Paulo Freitas, o “medo” da Prefeita é injustificado, e não serve como desculpa para o tal Decreto 454.
Sem dúvida, parece que há “mais carne debaixo deste angú”, e “onde há fumaça, há fogo”! Tudo indica que no decorrer dos próximos dias muitas coisas terão que ser devidamente explicadas.
Cadê a TRANSPARÊNCIA do “Portal da Transparência”?
“Nós precisamos mudar. Mas mudar o quê? E como? Se a sociedade quer mesmo mudar, é preciso que participe, que se integre ao processo político e ajude a torná-lo mais limpo. Se as pessoas de bem querem mudar, se Dom Roberto quer mudar, se os professores da academia querem mudar, se a mídia quer mudar, é preciso que esqueçam as eventuais diferenças e se unam nesse desejo comum de mudança. Chega de medo, chega de nos escondermos. É preciso abrir o peito e cair dentro. Se aqueles que querem realmente mudar têm receio dos caciques que comandam os partidos, que entrem nos partidos e ponham para fora os caciques”. Quem fez a convocação, a partir dos indícios de fisiologismo na prática política de Campos — identificados aqui pelo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz, e aqui, pelo professor da Uenf Hugo Borsani —, é o médico Makhoul Moussalém, convidado por PMDB e PT para disputar as eleições de 2012 à Preitura do município.
Para Makhoul, no entanto, a crise moral e ética não é apenas na política, ou em Campos, mas de todos os setores da sociedade e em todo o Brasil. Neste sentido, ele entende como bem vinda a proposta de reação do novo bispo campista, assim como seu endosso pelo cientista político:
— O Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do cronista Sérgio Porto, dizia: “Restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos”. Para mudar, portanto, é preciso que a maioria que não está se locupletando, queira mudar. É isso, ou então a maioria está, na verdade, levando algum tipo de vantagem com essa situação. O fato é que com o orçamento bilionário de Campos, se as pessoas de bem deste município realmente quiserem, poderíamos estar locupletando a saúde, a educação, o saneamento, a habitação, a infra-estrtura. Mas não é essa a siuação que vemos hoje.
Vereador e primeiro suplente a deputado estadual liberado ontem pelo PTdoB — como a jornalista e blogueira Suzy Monteiro revelou aqui —, Marcos Bacellar já comunicou hoje ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por meio de seus advogados, sua saída do partido, visando poder ingressar em outra legenda, possivelmente PMDB ou PT, sem perder seu mandato e sua suplência. Ele vê com bons olhos a postura ativa da Igreja Católica, pregada aqui por Dom Roberto Ferrería Paz, embora faça distinções no fisiologismo identificado pelo novo bispo de Campos na prática política do município. Quanto às denúncias feitas aqui, em seu blog, culpando a saída do ex-secretário de Finanças, Francisco Esqueff, pelos aparentes problemas no bilionário orçamento da cidade, ele disse que tem uma equipe trabalhando na coleta de provas, embora já se arrisque a apontar um rombo e R$ 180 mihões.
Abaixo, ponto a ponto, o que disse o vereador…
Do PTdoB para PMDB ou PT — O partido me liberou, mas nada impede que o suplente (Guilherme Nascimento Martins) entre na Justiça Eleitoral para pedir o cargo. Meu advogado no Rio está entrando no TRE para comunicar oficialmente minha liberação pelo PTdoB, para que eu possa manter não só meu mandato de vereador, como também a primeira suplência para deputado estadual. Conversei com o Marcos Abraão (deputado estadual eleito pelo PTdoB) e ele está firme no projeto de se candidatar a prefeito de Rio Bonito. E pode ser até que ele consiga o apoio do governador Sérgio Cabral, caso a candidata natural do PMDB, Solange Almeida (ex-prefeita daquele município), não consiga se candidatar por problemas com o Ficha Limpa. Se Abraão se eleger em Itaboraí, meu mandato na Câmara pode mudar para um mandato na Assembléia. Conquistei essa janela no voto e vou brigar para mantê-la aberta. Tenho convites do PMDB e do PT, mas só depois que a coisa estiver encaminhada na Justiça, é que vou definir meu novo partido.
Fisiologismo em Campos aos olhos do bispo — Existe e ninguém pode negar isso. Só acho que existem também diferenças entre um pedido de um eleitor, às vezes até um amigo, e o político com cargo público atende, para a compra de votos, que infelizmente é o grande mal das eleições não só de Campos, mas de todo o Brasil. Na sua primeira eleição, você até empolga os amigos, que ajudam por acreditar em você, mas depois que se elege, a carência do povo é muito grande e os pedidos acontecem. O que eu faço se um eleitor vem me pedir para ajudar a comprar um remédio que a farmácia popular de Rosinha não dá? Nego essa ajuda? Na sexta passada, por exemplo, veio me procurar um pai de família desesperado, porque sua mulher, grávida depois de já ter perdido o primeiro filho, estava com um problema nos rins e tinha ido duas vezes ao Plantadores, sem conseguir atendimento. Eu liguei para a direção do hospital, mandei para lá, junto ao casal, minha secretária, e a mulher foi atendida. Será que ela seria atendida se não fosse o pedido do vereador Marcos Bacellar? E se eu não pedisse, estaria sendo cristão?Mas vejo com bons olhos a atitude do bispo de denunciar e combater o fisiologismo, de conscientizar seus fiéis, principalmente em relação à compra de voto, mas desde que a Igreja não tome partido.
Relação entre suposto rombo no orçamento e saída de Esqueff — Tenho uma equipe minha trabalhando para levantar isso, com pedidos de informação junto ao Ministério Público, já que todos os pedidos feitos na Câmara são sistematicamente negados pela maioria governista. Segundo o que já levantei, há relação, sim, entre o rombo no orçamento e a saída de Esqueff da secretaria de Finanças. Seria algo em torno de R$ 180 milhões. E agora Rosinha lança esse decreto para cortar 10% dos contratos e convênios. Mas como cortar agora, em agosto, se o orçamento de 2011 foi aprovado desde dezembro de 2010? Se está realmente tudo bem, como eles dizem, como cortar agora despesas que já deviam ter sido previstas desde o início do ano? Tiveram esse tempo todo para fazer planejar os gastos, quase R$ 2 bilhões para gastar e ainda assim não deu? Qualquer dona de casa ou pai de família que lida com o orçamento da sua casa acharia muito difícil e acreditar.

Blogueira hospedada na Folha Online, a jornalista Júlia Maria divulgou aqui a redução de 10% nos contratos e convênios do município, por meio de decreto 454/2011, assinado pela prefeita Rosinha e publicado hoje em Diário Oficial. Em comentário feito aqui ao Entrelinhas, o procurador geral Francisco de Assis Pessanha Filho disse se tratar de medida de contenção, em virtude da crise econômica mundial.
É até possível que a recessão possa se fazer sentir na planície goitacá com a queda do dólar, moeda do principal país afetado e reguladora internacional do preço do barril de petróleo — responsável, via royalties e participações especiais, por considerável parcela do orçamento de Campos. Ou seja, se cai a diferença do dólar ao real, diminui o que se paga em moeda brasileira como indenização pela extração do petróleo cotado em moeda dos EUA. Mas esta seria a única ligação direta possível com o decreto de Rosinha, uma vez que todas as previsões são de que a nova crise global, como foi em 2008, afete muito mais os países ricos do que os emergentes como o Brasil.
O fato é que enquanto não se revela onde, quando e como serão efetuados esses cortes nos serviços conveniados e contratados, se cristaliza na mente de qualquer ser pensante a razoável dúvida se essa redução é mesmo fruto de uma crise internacional que ainda não chegou, mas se admite, quem sabe, poder chegar. A única outra causa possível seria o aparente e ainda inexplicável sumiço do R$ 1,9 bilhão do orçamento municipal de 2011, que segue sem ser admitido oficialmente pela Prefeitura, muito embora sua chegada precoce (em agosto) a maioria dos campistas já sinta na pele.
Atualização às 23h08: Ao largo dos maniqueísmos contra e a favor, exercitados sempre com vigor na blogosfera local, outro questionamento lógico acerca dos reais motivos do decreto de Rosinha foi feito aqui, pelo jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos.
“Acho que essa posição do bispo é uma das coisas mais interessantes que aconteceu na política de Campos. Aplaudo a coragem dele, seu senso de civismo. E isso revigora a atividade política, sobretudo daqueles que pensam em caminhar diferente. Eu fico entusiasmado e acho que essa deve ser a mesma reação das pessoas de bem desta cidade”. Foi assim que o advogado e presidente municipal do PV, Andral Tavares Filho, reagiu à proposta do novo bispo católico, Dom Roberto Ferrería Paz, que em matéria publicada na edição impressa da Folha do último domingo, pregou uma posição mais ativa da Igreja Católica, em relação às eleições de 2012, diante do fisiologismo que entende como generalizado na política do município.
Se Dom Roberto (aqui) e o cientista político Hugo Borsani (aqui) enxergam indícios desse fisiologismo político em Campos, Andral tem absoluta certeza:
— Não tenho nenhuma dúvida: existe e é generalizado. E é por isso que a gente está nesta luta. Para combater essa prática na política do nosso município, é preciso fazê-lo de dentro. A gente olha isso se repetir, eleição após eleição, e fica até apavorado. É isso que tira a vontade das pessoas dignas de entrarem na política. É desanimador, é frustrante.
“Costumo dizer as meus alunos que o voto no Brasil e em Campos, talvez de uma maneira especial, é uma mercadoria, uma mercadoria cara, da qual não se tem certeza da entrega e não há Procon que dê jeito”. Foi o que acabou de dizer ao blogueiro, por telefone, o professor Sérgio Diniz, pré-candidato do PPS à Prefeitura em 2012 e lembrado por muita gente como o último político a conquistar mandato em Campos (de vereador, em 2000) sem apelar ao fisiologismo.
Com a experiência de quem já disputou cinco eleições no município, incluindo a última, em 2010, quando perdeu a corrida para deputado federal, Diniz concorda com a visão de indícios de fisiologismo generalizado na prática política de Campos, identificados aqui pelo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz e, aqui, pelo cientista político Hugo Borsani. Diante deste quadro, na condição também de católico praticante, Sérgio aprova a postura de enfrentamento da Igreja Católica, proposta pelo bispo para as eleições municipais de 2012:
— O Cristo dos Evangelhos, do Novo Testamento, é essencialmente agressivo na defesa dos excluídos, dos explorados, dos pobres. A Igreja seguiu este caminho em seus três primeiros séculos de vida, embora depois tenha se perdido no processo histórico. A partir do Concílio Vaticano II (aberto em 1961), das encíclicas sociais do papa João XXIII, encontramos uma correção de rumo, visando reencontrar esse cristianismo de base. Neste sentido, a fala do bispo é muito importante, uma vez que as injustiças sociais têm sua origem nas injustiças institucionais.Vejo isso com muita esperança, porque Campos precisa ser despetada, de uma maneira que talvez só uma liderança religiosa, independente da sua denominação, possa fazer — pregou Diniz.
Ele só discorda das declarações de Dom Roberto em relação à ausência de quadros éticos na cidade para se reverter seu atual cenário político. Sem se colocar ou nominar o rol das alternativas, para Sérgio, “é exatamente esse fisiologismo que tira o ímpeto dos homens de bem de se colocarem à disputa de cagos públicos. Estamos nessa disputa, que precisa ser estimulada, para mudar essa realidade. E há quadros, sim, em Campos para isso”, concluiu.
Pela fé expressa em conceitos morais de conduta, ou pela ciência política que analisa nossa conduta enquanto tribo, o bispo Dom Roberto Ferrería Paz (aqui) e o professor Hugo Borsani (aqui) chegaram à mesma conclusão que todos os campistas já deveriam ter elaborado por conta própria, há muito tempo: tudo indica que nosso processo político, independente dos lados, está corrompido de corpo e alma pelo fisiologismo.
Omissões goitacá à parte, não deixa de ser curioso notar que tanto o sacerdote, quanto o cientista, são uruguaios.
Parece que depois de nos mostrarem, na Copa do Mundo da África do Sul e na Copa América da Argentina, como se joga futebol com seriedade, os uruguaios agora nos ensinam como fazer política com ética. E o pior é que, em ambos os casos, merecemos as lições.
À notícia da suposta particpação do deputado federal Dr. Aluízio (PV), em desvio de verbas federais no auxílio à regiao serrana arrasada pelas chuvas de janeiro último, que o Christiano Abreu Barbosa divulgou aqui, em seu Ponto de Vista, o médico e parlamentar de Macaé acabou de soltar aqui, em seu blog, a nota de esclarecimento transcrita abaixo…
Nota de
O deputado federal Dr. Aluizio (PV-RJ) esclarece que não participou de reuniões na Prefeitura de Teresópolis, conforme divulgado pela coluna Radar do portal da revista Veja, de Lauro Jardim. O deputado, assim como outros parlamentares, visitou os municípios da Região Serrana, devastados pela tragédia do dia 12 de janeiro, onde ofereceu apoio aos prefeitos para a reconstrução das cidades. É fato que o parlamentar esteve no prédio da Prefeitura de Teresópolis, onde conversou com o prefeito, mas não participou de nenhuma reunião.
O trecho abaixo é do depoimento do Sr. José Ricardo de Oliveira à CPI da Região Serrana na Alerj, no dia 12 de agosto, no qual declara que o deputado federal não esteve presente em reuniões em Teresópolis.
Professor da Uenf, o cientista politico Hugo Borsani é uruguaio, mas tem uma visão bem diferente da Campos enxergada pelo vereador e bispo da Universal Vieira Reis (PRB), no que se refere ao fisiologismo político local indentificado pelo novo bispo católico da cidade, Dom Roberto Ferrería Paz:
— O que o bispo católico diz me parece bastante compatível, com processos na Justiça por compra e voto de um lado e do outro, indicando que esse fisiologismo existe. E isso é perceptível em quase todos os setores da opinião pública da cidade — diagnosticou o professor.
Por outro lado, pelo que Dom Roberto disse na entrevista, ainda não está claro de que forma a Igreja Católica vai atuar contra essa prática:
— Pelo que ele disse na matéria, ainda não dá para saber a dimensão da interferência católica no processo eleitoral, se eles vão indicar propostas e nomes mais ou menos compatíveis com determinados princípios éticos. Mas uma coisa parece clara: a Igreja não vai ser mais mera especatadora. Esta me parece ser a mensagem. Os candidatos e as propostas ainda não estão definidos, mas parece definida a posição da Igreja Católica em Campos: “Não vamos mais ser passivos”. O que resta definir é em que grau será essa participação — ponderou Borsani.
