Versos do domingo — Antônio Carlos Secchin
Tornado poeta a partir de um conhecimento profundo de poesia, o carioca Antônio Carlos Secchin (12/06/1952) é doutor em Letras pela UFRJ, onde leciona Literatura Brasileira. Ocupa também a cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras. Travei contato com ele a partir de um toque do professor de História e amigo Gustavo Soffiati, que identificou semelhanças de fraseado entre os versos dele e os meus, em analogia certamente superestimada da minha lavra.
Considerado por João Cabral de Melo Neto (1920/99) como seu melhor crítico, Secchin exibe em sua própria poética a face bem delineada do ávido leitor. E foi nesta condição que devorei seu “Todos os Ventos” (Nova Fronteira, 2002), livro com o qual gentilmente me presenteou, chegando depois a lhe confessar que “silêncio de âncora” é um dos versos mais belos que conheço escritos em língua portuguesa, ou em outra qualquer.
Abaixo, para semear um “intervalo do azul” neste domingo, segue o poema completo…

Palavra
Palavra,
nave da navalha,
invente em mim
o avesso do neutro.
Preparo para o dia
a fala, curva do finito
num silêncio de âncora.
Atalho onde me calo
e colho, como a um galo,
o intervalo do azul.
Por que quem não pratica o fisiologismo ficaria contra o seu combate?

Em todo caso, uma coisa é certa: se o deputado pensa que os anúncios do poder público municipal divulgados comercialmente na Folha irão afetar em um milímetro a sua linha editorial, ele está tão enganado quanto o governador Sérgio Cabral (PMDB) ou a presidente Dilma Rousseff (PT), se porventura pensassem o mesmo a partir das respectivas veiculações publicitárias dos governos estadual e federal nas páginas do jornal de maior circulação de Campos e região.
No caso de dúvida, fica o conselho, que é de graça e deveria ser destinado à prefeita de direito, mas serve também àquele que se comporta como se o fosse de fato: basta pagar pra ver!
Maniqueísmo, o pior pecado de qualquer debate

Tive dúvidas de natureza ética para comentar parte da entrevista que fiz, no post abaixo, com o ex-deputado estadual e ex-vereador Sérgio Diniz. Mas, muito a cavalheiro, até por ter previamente assumido aqui meu voto nele para deputado federal, na última eleição, gostaria de destacar uma declaração que julguei muito preocupante, sobretudo na boca de alguém com a reconhecida idoneidade de princípios e capacidade intelectual de Diniz: “Não vejo nenhum aspecto positivo na atual administração de Campos. Todos são negativos”.
Não ser capaz de enxergar nada de positivo no governo Rosinha é repetir, pela negação, aquele que só vê aspectos positivos na atual administração municipal. E ambas as visões padecem do estrabismo mais grave, capaz de desviar o foco de qualquer debate, sobre qualquer tema: o maniqueísmo — que o jornalista Alexandre Bastos, em brilhante artigo, tão bem definiu aqui.
Goste-se ou não de Garotinho, não há como negar seu talento ou omitir seu lugar já conquistado na história como político de maior expressão produzido por Campos desde o ex-presidente Nilo Peçanha (1867/1924). E, atraído por tamanha força de gravidade, a impressão que se tem em determinados momentos é que todo o debate político da cidade foi arrastado à mesma passionalidade, ao mesmo critério figadal, ao mesmo primarismo de quem nega qualquer virtude alheia no adversário e o transforma, de simples oposto no campo das idéias, em um inimigo pessoal a ser combatido a ferro e fogo, características que sempre compuseram aquilo que Garotinho tem de pior em seu discurso e sua prática.
Programas municipais como o Bairro Legal, o Morar Feliz e a expansão do Fundecam para pequenos e micro empreendedores podem ser melhorados, podem ser questionados pela demora ou aparente vício de algumas licitações, mas não podem ser negados como bons programas, que deveriam ter continuidade por qualquer um que emergir triunfante das urnas de 2012. Negar isso é fruto de um maniqueísmo que preocupa (e muito), sobretudo quando excede o revanchismo até compreensível de ex-aliados de Garotinho tão ativos na blogosfera local, e passa a contaminar também o discurso de homens de bem, equilibrados e verdadeiramente independentes, como é o caso de Sérgio Diniz.
Garotinho não é o mal, como aqueles que o combatem, simplesmente por fazê-lo, não são o bem. Em ambos os lados existe uma coisa e a outra também, tanto quanto há em mim, ou em você, leitor. No universo que habita entre essa bipolaridade, característica tão perniciosa à psique de um indivíduo ou de uma coletividade, espera-se que sejamos capazes de encontrar bases mais sólidas para pavimentar as discussões dos nossos caminhos enquanto tribo.
Oposto ao fisiologismo e aos Garotinho, Diniz vai buscar cadeira na Câmara
Quem contabilizava Sérgio Diniz (PPS) como pré-candidato a prefeito, pode passar a somá-lo com mais segurança entre os postulantes à Câmara Municipal em 2012, à qual se elegeu em 2000, segundo se comenta nos bastidores políticos da cidade, no último mandato conquistado por um político em Campos sem apelar ao fisiologismo. Apesar de ter perdido a reeleição daquele mandato por apenas dois votos, em outro fato até hoje lembrado, ele diz que não se arrependeu da opção ética, que encontrou eco na recente condenação pública ao fisiologismo praticado na política do município, feita aqui pelo novo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz. Crítico renhido do grupo do deputado federal Anthony Garotinho (PR), a ponto de não enxergar nenhum aspecto positivo no governo Rosinha (PMDB), ele encontra um tom bem mais suave quando forçado a analisar o passado de ligações dos correligionários Sérgio Mendes e Rogério Matoso (outros pré-candidatos do PPS à Prefeitura) com o governo Alexandre Mocaiber.

Sérgio Diniz — Tenho a absoluta certeza, por muitos e incontestes argumentos e situações, de que o fisiologismo impera na vida pública brasileira, não só no terreno da política, e que se torna um caminho muito “fácil” para a corrupção. Portanto, desempenhar uma função pública, comprometido com o fisiologismo, torna-se um desrespeito total à sociedade e aos seus fundamentais interesses. Não pratiquei e nem pratico fisiologismo. Não sou o único a agir assim. Há outros, infelizmente somos poucos.
Folha — Falando da maneira mais sincera possível, após perder a reeleição em 2004 por apenas dois votos, não chegou a se arrepender da opção em nenhum momento?
Diniz — Não. Quando implantei a Candido Mendes em Campos, as barreiras foram inúmeras, nem por isso desisti e, hoje, milhares de jovens conquistaram seu espaço profissional. Na vida pública, o ideal tem que ser maior e mais forte. Por isso, não desisti.
Folha — A partir do posicionamento público do bispo Dom Roberto Ferrería Paz, condenando o fisiologismo na política de Campos e prometendo o enfrentamento à prática por parte da Igreja Católica, acha que podemos ter um quadro diferente nas eleições de 2012?
Diniz — Sim, podemos. E torcemos para que o tenhamos. Quando Dom Roberto Francisco fala do fisiologismo emCampos, óbvio, que ele já tem informações suficientes sobre o nosso município e, o Brasil não é diferente de Campos, e ele conhece bem o nosso país. Todos sabemos da forte influência que as religiões exercem nas pessoas. A Igreja Católica mais ainda. Neste sentido, defendo a tese de que os padres, em seus ensinamentos e pregações, deveriam enfatizar a nítida opção de Cristo pelos pobres, excluídos, marginalizados e injustiçados. Desta forma, seria mais que teologicamente coerente que eles dissessem que vender voto, procurar e aceitar o fisiologismo e a corrupção, sobretudo nas eleições, é tão pecado quanto roubar, matar, estuprar etc. Quem negocia o voto não tem condições morais e cristãs de reivindicar educação melhor, saúde digna, harmonia social e muitas outras coisas importantes que atingem a dignidade do ser humano. Sem consciência cristã não há boas obras, nem terreno propício para a oração e para a fé.
Diniz — Em se tratando de um candidato sério (e os temos em Campos e no Brasil), mais importante do que ganhar a eleição é, pela suas palavras e conduta, levar a sociedade a uma profunda reflexão sobre a importância e a dignidade do voto. Nós só podemos transformar se nos transformamos. Por conseguinte, a obtenção do poder é a grande oportunidade de caracterizar essas transformações.
Folha — A vereadora petista Odisséia Carvalho e o médico Makhoul Moussallém, que estuda convites do PT e PMDB para se candidatar, admitiram a alternativa de concorrer à Câmara Municipal, além do pleito majoritário. E você, como pré-candidato a prefeito pelo PPS, também trabalha com essa possibilidade? Ela pareceria mais atraente caso fossem aprovadas as 25 cadeiras à próxima Legislatura?
Diniz — Sou pré-candidato a vereador, prioritariamente. Posso vir a analisar a hipótese de minha candidatura a prefeito, caso o meu partido (PPS) assim o entenda e, sobretudo, se a chama acendida pelo bispo Dom Roberto Francisco se transformar em uma fogueira de consciência, de esperança e de ostensivo apoio.
Folha — A opção pelo teto de 25 vereadores surge como a mais provável na medida em que parece ser a vontade de Garotinho. Como você, que já foi vereador, vê essa ligação direta entre a vontade do deputado federal e as decisões do legislativo municipal, a partir do controle de 13 dos 17 vereadores, materializada, por exemplo, na negação de todos os pedidos de informação feitos pela oposição?
Diniz — Precisamos, urgentemente, cumprir uma tarefa muito difícil: acabar com o caciquismo em Campos e no Brasil. A deliberação quanto a quantidade de cadeiras no legislativo de Campos deveria depender, única e exclusivamente dos vereadores, em consonância com o que determina a lei. Infelizmente, o Poder Legislativo brasileiro é, secularmente, subserviente às imposições e determinações do Poder Executivo. Na minha experiência, como deputado e vereador, pude experimentar, horrorizado, quanto o inescrupuloso rolo compressor do Executivo debocha dos fundamentos da democracia e da importância de uma ala oposicionista no Legislativo. Assim, lamentável, constatarmos como prefeitos, governadores e presidentes da República põem e dispõem na formação das mesas diretoras dos seus respectivos legislativos. Coisa absurda, própria de mentalidade subdesenvolvida.
Folha — Entre esses 13 parlamentares da situação, está sua correligonária Dona Penha. Por que o PPS até hoje não impôs sobre a vereadora as orientações do partido, a partir da decisão do Supremo pela fidelidade partidária?
Diniz — Primeiramente, não faço parte da executiva municipal do PPS. Sou um simples soldado. Todavia, tive a oportunidade, informalmente, de manifestar minha posição plenamente favorável ao PPS como consciente e agressiva oposição, politicamente falando, ao atual governo municipal. Os desmandos são inúmeros e o nosso partido não pode ficar conivente com isto.
Folha — No PPS, além de você, o vereador Rogério Matoso e o ex-prefeito Sérgio Mendes são pré-candidatos à eleição majoritária de 2012. O que deve definir a escolha do partido?
Diniz — Como já disse anteriormente, não sou pré-candidato a prefeito. E quanto a eleição majoritária do ano que vem, o PPS há de deliberar democraticamente.
Folha — Entre os três, é correta a análise que vê em você o melhor quadro e em Matoso a melhor opção eleitoral, com a lembrança de Sérgio devida apenas à condição dele de ex-prefeito e atual presidente municipal da legenda?
Diniz — Respeito as diferentes opiniões e as acho até engraçadas. Minha vida pública foi e continua sendo construída pela coerência e pela experiência legislativa, executiva e administrativa.
Folha — Até quando as ligações com Mocaiber de Sérgio, que presidiu a Codemca, e de Rogério, cuja mãe foi secretária de Promoção Social, podem ser benéficas à sua pré-candidatura, no sentido de se buscar total independência das últimas administrações municipais?
Diniz — A maioria do eleitorado pode, até, pensar nisso, mas não vota sob esta ótica. Há muitos outros fatores que, infelizmente, pesam muito mais no momento do voto, do que essa sua idealista conjectura. Muitos em Campos conhecem bem a minha postura, as minhas posições e divergências políticas.
Folha — Em contrapartida, até onde o fato de ser genro do ex-prefeito Zezé Babosa, que o ajudou em sua eleição a deputado estadual em 1986, pode ainda prejudicá-lo?
Diniz — A inconteste liderança, no município de Campos, de Zezé Barbosa, elegeu-me deputado estadual em 1986. Democratica e respeitosamente soubemos e sabemos conviver com as nossas divergências políticas. Aliás, a democracia só o é, por causa das divergências. Filosofando um pouco, conhecer pressupõe comparar. Quando vemos, hoje, os bilhões de reais do orçamento de Campos em comparação com as migalhas orçamentárias de 20 anos atrás, temos certeza de que Zezé Barbosa fez milagres. Ou seja, administrou com seriedade e competência. Com ironia constatamos que a máxima ontem de “o milhão contra o tostão”, na rima pobre, trocou de mão. A propósito, pra onde está indo o dinheiro do rico orçamento de Campos?
Folha — Entre os políticos de oposição, você foi um dos menos vistos nas reuniões da Frente Democrática. Acredita na proposta do movimento, de fechar uma agenda comum, sair com até três candidaturas e centrar todas as forças num eventual segundo turno, com aquele que conseguir chegar lá contra Rosinha? O apoio do governador Sérgio Cabral pode ser mesmo um diferencial em Campos?
Diniz — Não faço parte da Frente Democrática, porque pretendo ser candidato nas eleições do ano que vem e, com certeza essa condição poderia prejudicar a minha isenção sobre as considerações dessa Frente, sobre a péssima situação política e administrativa em que se encontra o município de Campos. Não sei porque motivo e lamento muito que o governador Sérgio Cabral ainda não tenha se posicionado politicamente sobre Campos. Admito que como, presidente da Alerj, durante coincidentes oito anos, o governador possa se lembrar de alguns compromissos e acordos, dos quais certamente o outro lado deve se lembrar também.
Folha — Diante do inegável favoritismo da prefeita numa campanha à reeleição, qual a tática mais eficiente para enfrentá-la? Quais são, em seu entender, os pontos positivos e os negativos do atual governo?
Diniz — Continuo na esperança de que a “fogueira” de que acima falamos, possa iluminar os eleitores da nossa cidade. Se isso, realmente, acontecer, o enfretamento político e democrático poderá se dar positivamente favorável aos interesses maiores de Campos. Para reforçar a coerência das minhas respostas, não vejo nenhum aspecto positivo na atual administração de Campos. Todos são negativos, pois as causas explicam as consequências.
Neco: “Betinho fez um péssimo governo em São João da Barra”
Pré-candidato governista com preferência pessoal assumida pela prefeita Carla Machado (PMDB), José Amaro Martins de Souza, o Neco (PMDB), é agricultor, vereador em quarto mandato e secretário municipal de Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos. Com uma história politica e pessoal antiga com a chefe do Executivo, ele não nega os desencontros do passado, desde que Carla se fez presidente do Legislativo. Admitindo também a paticipação que ela teria em seu governo, para chegar a conquistá-lo, Neco trabalha com a possibilidade de composição de chapa com Aluizio Siqueira (PTB) ou Alexandre Rosa (PSB), os outros pré-candidatos da situação.
Crítico de Betinho Dauaire (indo para o PR) desde quando o hoje pré-candidato de Garotinho era prefeito e opositor declarado do então governador, ele não tem dúvidas ao afirmar que seu principal concorrente fez um “péssimo governo” em São João da Barra. Quanto às críticas sofridas, em relação a uma suposta falta de preparo para lidar com os mega-interesses do Porto do Açu, Neco diz possuir as principais virtudes que julga necessárias ao próximo governante sanjoanense: “compromisso com o povo e honestidade”.

Folha da Manhã — Carla Machado já declarou aqui que você é o pré-candidato da preferência pessoal dela. Até que ponto isso se dá por vocês dois serem do mesmo partido ou pela sua reconhecida lealdade à prefeita?
Neco — Desde meu primeiro mandato, há cerca de 15 anos, que eu a conheci e aprendi a admirá-la. Tivemos muitas divergências, sempre conversávamos e discutimos sobre São João da Barra. Desde então foi construída nossa amizade. Em todos momentos difíceis de minha vida, ela sempre esteve presente. É uma amizade não só entre nós, mas também entre nossas famílias.
Folha — Nessa questão da lealdade, até onde isso é uma virtude pessoal e política, ou uma forma de Carla garantir, caso você seja candidato e eleito, sua manutenção no poder como eminência parda do novo governo, como Garotinho faz com Rosinha em Campos e Lula com Dilma, no Brasil?
Neco — Seria um privilégio poder suceder um governo como o da prefeita Carla, mas acredito que ela ainda tem muitos caminhos políticos a seguir, o que não significa que a prefeita não poderia colaborar com a tamanha experiência acumulada nesses anos de gestão.
Folha — Ainda nessa questão da lealdade, dizem em São João da Barra que Carla chegou a falhar contigo, quando os dois eram vereadores, no primeiro governo de Betinho (1996/2000), e na eleição da mesa diretora, após ter acordado votar em você para presidente com o grupo de oposição, ela teria negociado às escondidas com o então prefeito e votou nela mesma para garantir o controle da Câmara. Foi isso mesmo?
Neco — O que aconteceu foi que Carla estava fechada com o grupo de votar em mim, sim. Sendo que próximo ao horário da votação, o outro grupo a ofereceu a proposta de ser ela a presidente da Câmara, a perguntando em quem confiaria: nela própria ou em mim. Dessa maneira, Carla optou em votar nela mesma. Mas essa história já é passada e eu já a perdoei na época. Pois compreendi que nessa situação, eu também confiaria mais em mim.
Folha — De qualquer maneira, no seu entender, Carla teria pago essa dívida, depois de eleita prefeita, ao fazê-lo duas vezes presidente da Câmara (nos biênios 2005/06 e 2007/08)?
Neco — Desde o momento em que eu a perdoei, não existiu mais dívida alguma!
Folha — Gersinho disse aqui, que na eleição de 2004, os candidatos a vereador que apoiaram a eleição de Carla a prefeita, teriam acordado que o mais votado teria sido o presidente. Ele foi o mais votado, mas o presidente foi você, com a promessa de que ele seria o próximo. Todavia, a eleição seguinte da mesa diretora foi antecipada para reeleger você à presidência. Procedem essas versões?
Neco — Não, em nenhum momento Carla prometeu a mesa diretora da Câmara ao mais votado, até porque quem decide é a maioria da Câmara, mesmo com a influência que a prefeita possui.
Folha — E na tentativa de fazê-lo presidente pela terceira vez consecutiva, ao fazer uma lei, depois da eleição já consumada, para que o vereador mais votado (você) fosse automaticamente guindado à presidência? Como Alexande Rosa e Gersinho derrubaram isso na Justiça, se revezando nas presidências seguintes e gerando o racha figadal que perdura até hoje, mesmo com a volta do primeiro ao governo, a pergunta é: na relação custo/benefício, valeu a pena?
Neco — Na época, presidente da Câmara, eu apenas acatei a decisão da maioria sobre o projeto de Lei, até porque este projeto nem foi de minha autoria.
Folha — Na sua opinião, onde, quando e como os vereadores de oposição teriam perdido a mão, agindo na Câmara no interesse de desestabilizar a gestão de Carla, mesmo sobre os interesses da maioria da população, como foram os casos dos shows do último verão, ou o mais recente da coleta de lixo?
Neco — Por conta do excelente trabalho desenvolvido por nosso grupo e pelas mudanças e melhorias realizadas no município, o maior objetivo da oposição sempre foi a cassação da prefeita Carla, e para isso tentam utilizar de todos os artifícios. Sendo que a cada dia que passa eles se atrapalham cada vez mais, perdendo assim o respeito da opinião pública e tendo que votar sob decisão judicial.
Folha — Depois de apelar à Justiça para finalmente conseguir valer sua maioria na aprovação do remanejamento orçamentário, no último dia 28, Carla propôs o apaziguamento com a oposição. Com a proximidade das eleições de 2012, acha que isso ainda é possível?
Neco — A prefeita sempre procurou ter uma boa relação com a oposição independente do momento. Penso que as figuras políticas devem trabalhar em conjunto para melhorias em prol da população, e é isso que a população sanjoanense espera.
Foha — Como analisaria politicamente as pré-candidaturas de Aluizio Siqueira e Alexandre Rosa, que disputam com você a vaga para se lançar à Prefeitura pelo grupo do governo? Além da preferencia pessoal de Carla, qual seria sua vantagem sobre eles? Há possibilidade de compor chapa com um ou com o outro?
Neco — Sou candidato de preferência de Carla Machado, mas é com a pesquisa que vamos saber quem é o candidato da preferência do povo. Se for preciso compor chapa com um deles, estou pronto para isso, até porque são meus companheiros de bancada.
Folha — Presidente do PR, Wladimir Garotinho já garantiu que o cadidato do partido em São Joao da Barra (e, por conseguinte do seu pai), será Betinho Dauaire. Em se entender, quais seriam suas maiores dificuldades e facilidades no enfrentamento direto com o ex-prefeito?
Neco — Betinho já teve dois mandatos de prefeito de São João da Barra e eu, nesse período, fui vereador de oposição. Tenho certeza que ele fez um péssimo governo, pois prova disso, no colégio eleitoral do Açu na eleição de 2008, eu tive mais votos para vereador do que ele para prefeito. E em relação ao apoio do PR de Garotinho a Betinho, eu não tenho mente curta, me recordo muito bem das trocas de “elogios” entre um e o outro.
Folha — Gersinho também aventou a possiblidade dele sair em candidatura alternativa à Prefeitura, numa espécie de terceira via. Projeta essa possibilidade? Como ela poderia interferir na polarização entre os candidatos de Garotinho e Carla?
Neco — Respeito muito os eleitores que votaram em Gersinho para vereador. Mas acredito que ele não irá interferir em nada nas eleições de 2012.
Folha — E no grupo da situação? Embora não citado por Carla, não é novidade para ninguém a pretensão do empresário Ari Pessanha de concorrer mais uma vez ao pleito majoritário. Como isso está sendo trabalhado?
Neco — Ari vem sendo um amigo e companheiro indispensável, porém ainda não tivemos nenhuma conversa sobre esse assunto.
Folha — Quais são, em seu entender, os principais pontos positivos e negativos da administração Carla Machado? Se eleito, o que procuraria manter, o que buscaria melhorar e o que poderia trazer como novidade?
Neco — A administração de Carla Machado pode contar com inúmeros avanços em relação a governos anteriores, relacionados a maiores empreendimentos, maiores oportunidades de capacitação de mão-de-obra local, a inclusão de projetos na área tecnológicas, a conquista de implantação de grandes empresas dentro do município, investimento em infra-estrutura por todo território, entre muitos outros. Olhando para os pontos negativos, ficamos impossibilitados de oferecer o último verão digno para a população. A saída da Inbesp (oscip cuja terceirização no serviço foi suspensa pela Justiça Federal), que fazia excelente trabalho na saúde do município, também foi uma perda. Recentemente, a parada do reabastecimento de água potável em setores públicos e na comunidade, do recolhimento de lixo e do limpa-fossa foram grandes dificuldades. Gostaria de frisar, que esses pontos negativos ocorreram não por vontade da Pprefeita e sim pelo impasse na Câmara Municipal. Se eleito, buscarei melhorar cada vez mais a saúde, a educação, a assistência e todo governo, e procurarei trabalhar e capacitar cada vez mais nossa equipe técnica para construção de um ótimo trabalho em rede, para o futuro promissor que São João da Barra espera.
Folha — Alguns adversários questionam seu preparo para ligar com os grandes empresários brasileiros e mundiais que já estão vindo a reboque do Porto do Açu. Está preparado para lidar com os gigantescos interesses financeiros advindos desse investimento? Como aproveitar ao máximo seu benefícios econômicos e atenuar ao mínimo seus impactos sociais?
Neco — Com certeza estou preparado para esse grande desafio. Um prefeito não necessariamente perante a Lei deve ser graduado. Entendo que para ser prefeito, terei todo um suporte técnico com pessoas extremamente capacitadas ao meu lado, para me auxiliar em eventuais dificuldades. Para estar à frente de um município, o que se precisa de verdade, eu tenho: compromisso com o povo e honestidade.
Makhoul: Se terá o apoio do PMDB, por que Henriques não entra no PMDB?
Citado aqui, pelo jornalista Alexandre Bastos, como oprovável cabeça do PT na candidatura à Prefeitura de Campos, tida como certa pelo também jornalista Fernando Molina, de O Dia, o médico Makhoul Moussallém acha que é ainda muito cedo para se ter qualquer definição:
— O prazo para as filiações partidárias vai até 30 de setembro. Só depois disso, no movimento natural de coligações que seguirá até as convenções, é que teremos uma base mais palpável para qualquer análise mais criteriosa, mais lúcida. Até lá, tudo é só especulação.
Candidato petista nas eleições majoritárias de 2004 e 2006, o medico acredita que a oposição trará, no mínimo seis candidaturas de oposição, além de Rosinha, para 2012. Sobre a informação divulgada hoje no “Informe do Dia”, de que entre elas estaria a de Roberto Henriques pelo PSD, como apoio do PMDB do governador Sérgio Cabral, Makhoul lembrou que além do PT, ele tem também convite do PMDB, feito pela prefeita sanjoanense Carla Machado (aqui), para concorrer novamente à Prefeitura:
— Primeiro é preciso saber se Henriques vai conseguir sair do PR. Depois se o PSD (lançado recentemente pelo prefeito paulista Gilberto Kassab) vai conseguir o registro partidário definitivo. Por fim, há o convite ainda em aberto para que eu me filie ao PMDB e me lance candidato a prefeito. Agora, mesmo que tudo corra como a nota quer fazer parecer, eu pergunto: Por que ele não entra e concorre diretamente pelo PMDB? Por que o apoio de maneira indireta?
Atualização às 2h22: À indagação levantada por Makhoul Moussallem, o jornalista Alexandre Bastos esclareceu em comentário, que segue transcrito abaixo, na forma mais relevante de post…
A resposta para a pergunta de Makhoul pode estar em um entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em junho deste ano, os ministros do TSE responderam a uma consulta apresentada pelo deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP) sobre a criação de um novo partido e as possibilidades de desfiliação partidária. Em votação unânime, o plenário do TSE acompanhou o voto da ministra-relatora Nancy Andrighi. Ao analisarem os questionamentos apresentados pelo parlamentar paulista, a Corte decidiu que “filiados a outros partidos podem apoiar a criação de um novo partido ou associar-se durante a fase de constituição da nova legenda sem correrem o risco de perder seus mandatos. Podem, ainda, transferirem-se ao partido recém criado sem serem considerados infiéis, desde de que façam isso dentro de um prazo de 30 dias, contados do deferimento do registro da nova legenda pelo TSE”.
Se o PSD conseguir se consolidar dentro do prazo, políticos como Roberto Henriques, que possuem mandato, podem se filiar ao novo partido sem risco. Porém, se optasse pelo PMDB, ele poderia ser enquadrado pela Lei da Fidelidade Partidária.
Odete — Candidaturas da oposição, apoio de Cabral, enquadramento de aliados e fisiologismo
Embora tida aqui como certa pela nota do “Informe do Dia”, faltou ao jornalista Fernando Molica dar nome à candidatura do PCdoB à Prefeitura de Campos em 2012: Odete Rocha. Informada da notícia pelo blogueiro, a professora viu como positiva as várias alternativas colocadas ao pleito, abrindo o leque da polarização entre os grupos do deputado federal Anthony Garotinho (PR) e do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), que domina o cenário eleitoral da cidade desde 2004.
Assim como respondeu aqui, em entrevista ao blog, sobre nota do jornalista Saulo Pessanha (aqui), dando conta de que ela seria a candidata da preferência de Sérgio Cabral (PMDB), Odete repetiu não poder falar pelo governador sobre a nota de hoje do jornal carioca, que inclinou a mesma preferência agora pelo deputado estadual Roberto Henriques, que sairia do PR para concorrerà Prefeitura e Campos pelo PSD, com apoio do PMDB. Sobre a suposta orientação de Cabral para o apoio municipal do PP, PSB e PSC à candidatura de oposição a Rosinha, a pré-candidata comunista considerou natural que o governador busque fazer valer suas alianças regionais também em Campos. Ela também falou sobre as declarações do bispo Dom Roberto Ferrería Paz, identificando fisiologismo na política do município e posicionando a Igreja Católica em posição ativa e contrária à pratica no pleito que se avizinha.
Abaixo, em partes, o que disse Odete…
Nove candidaturas de oposição — Tanto as quatro candidaturas que O Dia colocou (PSD/PMDB, PCdoB, PT e PDT), quanto as outra cinco também da oposição que você lembrou (mais PV, PSDB, PCB, PSOL e PPS) têm que ser vistas com bons olhos, no sentido de que cada vez mais pessoas, de diferentes segmentos, passam a querer tomar parte ativa na definição do governo da sua cidade. Isso pluraliza o processo, demonstra uma vontade clara de ruptura com a polarização que têm dominado as últimas eleições municipais. Não podemos ser ingênuos e esquecer que esses dois grupos (de Garotinho e Arnaldo) ainda têm mais densidade leietoral, como mostram as pesquisas. Mas ingênuo também é quem não percebe que essa vontade de participar, de busca alternativas diferentes, é cada vez mais evidente entre os campistas.
RH na preferência do governador — Como você perguntou sobre outra nota que dava essa mesma preferência a mim, vou voltar a dizer que não posso falar pelo governador Sérgio Cabral. Não sei quais foram as fontes do Saulo, nem quais foram agora as fontes do jornalista de O Dia. Até que ele (Cabral) se pronuncie oficalmente, até que ele se reúna com a Frente (Democrática de Oposição) e nos diga o que pensa para Campos, nós só teremos especulações, que são até normais enquanto nos aproximamos do período de definições. O que posso dizer é que, enquanto Frente, não falamos sobre isso. Pelo contrário, quando nos reunimos com Picciani (aqui), ele disse que seria bom que a Frente não lançasse só um candidato. Mas, ainda que a nota fosse verdadeira, isso não desanimaria nossa candidatura.
Aliados de Cabral no RJ na oposição aos Garotinho em Campos — A governabilidade das administrações públicas, sejam municipais, estaduais ou federal, passam necessariamente por suas bases de sustentação nos legislativos e nos partidos aliados. Dentro deste contexto, acho até natural, quando nos aproximamos de um período eleitoral e, sobretudo, quando se tem um quadro de confronto acirrado, como ocorre entre os governos do Estado e de Campos, que o debate se afunile até a questão: afinal, de que lado você está? Os aliados de um lado e de outro, até que chegue o momento das definições, terão que assumir suas posições. O governador Cabral, evidentemente, vai cobrar dos partidos aliados uma posição em Campos. Nós, da Frente, conversamos sobre isso em todas as reuniões que mantivemos com lideranças políticas no Rio, da necessidade de alinhamento político, em Campos, dos partidos aliados ao governo no Estado.
Denúncia de fisiologismo do bispo — Primeiro tenho que parabenizar uma pessoa que tem coragem e que emprega essa coragem de uma maneira correta. E foi isso que ele fez. O maior representante da Igreja Católica na nossa região teve coragem e se colocou. E isso ajuda a população a refletir, porque não é uma pessoa qualquer que está falando. Ele trouxe à tona um debate que já existia, mas que a partir dele ganhou maior visibilidade. Essas práticas, em Campos, estão sendo contestadas até agora na Justiça. O Ministério Público tem conhecmento disso. Vários casos foram apontados, como a denúncia de compra de votos para a prefeita Rosinha, por R$ 50, em Santo Eduardo. Eu espero que eles sejam todos tratados com a firmeza necessária.
Com RH pelo PSD e PMDB, oposição de Campos tem mais oito pré-candidaturas
Pela nota do jornalista jornalista Fernando Molica, na coluna “Informe do Dia” de hoje, repercutida aqui no Blog do Bastos, o deputado estadual Roberto Henriques sairá do PR rumo ao PSD do prefeito paulista Gilberto Kassab, para se candidatar à Prefeitura de Campos, com apoio do PMDB do governador Sérgio Cabral. A nota informa ainda que, na oposição, PT, PCdoB e PDT tabém lançarão candidatos, que o Bastos, não sem motivos, respectivamente identificou como Makhoul Moussallém, Odete Rocha e Arnaldo Vianna.
A estas quatro candidaturas, este blog identifica mais cinco entre os partidos oposicionistas: 1) PV, com Andral Tavares Filho, ou um nome surpresa, ainda a ser anunciado; 2) PSDB, provavelmente com Geraldo Coutinho (aqui); 3) PCB, novamente com Graciete Santana; 4) PSOL, que já se manifestou aqui por candidatura própria; e 5) PPS, que no novo desenho pode até compor chapa com outro partido, mas ainda mantém as pré-candiaturas de Sérgio Diniz, do vereador Rogério Matoso e do ex-prefeito Sérgio Mendes.
Dentro deste cenário, independente de outros desdobramentos com o PP (do vice-prefeito Chicão e dos vereadores Albertinho e Papinha) e o PSB (dos edis Abdu Neme, Jorge Rangel e Altamir Bárbara, maior bancada da Câmara) se integrando à oposição aos Garotinho, o fato é que Campos surge com nove pré-candidaturas de oposição à reeleição da prefeita Rosinha (ainda no PMDB) em 2012.
Capitalismo entre a condenação e a maldição
Capitalismo condenado?
O pensamento de esquerda, em baixa desde a queda do Muro de Berlim, ganhou alento com a falência do banco Lehman Brothers, o epicentro do colapso financeiro de 2008. Quem sabe a quebra de uma poderosa instituição de Wall Street fosse para o capitalismo o mesmo símbolo que a derrubada dos primeiros tijolos do Muro foi para o socialismo.
Passaram-se os meses, e o mundo, capitalista, não acabou. A crise não foi brincadeira, mas já no segundo semestre de 2009 apareciam os sinais de recuperação. Na virada de 2010 para 2011, parecia uma festa. Forte crescimento no mundo emergente, boa retomada nos EUA e na Alemanha. Aí, a história virou de novo.
A crise não acabara e se manifestava de outras maneiras ainda mais complicadas. Nesse clima aparece na imprensa internacional o artigo de Nouriel Roubini, “O capitalismo está condenado?””, e ainda por cima com o destaque para esta observação: Marx estava certo quando disse que “a globalização, a louca intermediação financeira e a redistribuição de riqueza do trabalho para o capital poderiam levar o capitalismo à autodestruição”. (Essa era a chamada, por exemplo, na revista eletrônica Slate.)
O economista Roubini não é socialista, muito menos marxista. É um teórico e intérprete do capitalismo, que traz a fama de ter previsto o colapso de 2008. Ora, se ele está dizendo que o sistema está “condenado”, a coisa é séria.
A esquerda se animou de novo, os conservadores se assustaram. O que viria por aí? — perguntaram-se todos.
O começo do artigo acentua a inquietação. Roubini descreve uma crise que não tem saída. Resumindo, o sentido do texto é o seguinte: há diversos problemas gravíssimos, para os quais as soluções são inviáveis ou por razões econômicas ou políticas.
O ambiente social já mostra esse beco sem saída. As manifestações populares que pipocam por toda parte, diz Roubini, são movidas “pelas mesmas tensões e temas: crescente desigualdade, pobreza, desemprego e desesperança”” — fantasmas que assombram o mundo.
Que fazer? Já se vê um novo mundo?
Não, Roubini não entrega isso. Para começar, a citação de Marx é relativizada. O pensador alemão não estava propriamente certo na previsão de fim do capitalismo, mas “parecia estar parcialmente certo”. E, ainda assim, vem outra ressalva: “Sua visão de que o socialismo poderia ser melhor provou-se equivocada”.
Em seguida, Roubini dá o tiro final nas esperanças da esquerda. A questão central hoje, diz ele, é “encontrar o correto equilíbrio entre mercado e a provisão dos bens públicos”, para que as economias de mercado operem como deveriam e como podem”.
Para ele, tanto o modelo anglo-saxão — “laissez-faire e economia vudu” — quanto o europeu continental — “estado do bem-estar sustentado por déficits” — estão quebrados.
O economista sugere o caminho alternativo — e aqui a coisa não é decepcionante apenas para a esquerda. Vem uma relação de políticas em torno das quais há consensos, se excluída a extrema direita, e que vêm sendo tentadas por toda parte.
Reparem as propostas:
. estímulo fiscal (gasto público ou isenção de impostos) para investimentos produtivos em infraestrutura, de modo a gerar empregos;
. taxação progressiva, os mais ricos pagando mais impostos;
. estímulo fiscal de curto prazo e ajuste fiscal (corte de gastos e aumento de impostos) de médio e longo prazo;
. autoridades monetárias garantindo empréstimos de última instância para evitar corridas contra bancos;
. redução da dívida para famílias e outros agentes econômicos insolventes;
. estrita supervisão e regulamentação do sistema financeiro;
. desmantelar oligopólios e os bancos “muito-grandes-para-quebrar”;
. países ricos precisam investir em capital humano, conhecimento e redes de segurança social.
Reparem: não tem nenhuma proposta para fechamento do comércio internacional, manipulação de moedas, avanço do Estado na economia, controle dos capitais privados, nacionalismos, etc.
Ao contrário, as sugestões cabem perfeitamente no pensamento clássico. Claro, a direita americana não aceita qualquer aumento de imposto, nem mais gasto público.
Mas é exceção. O governo conservador eleva impostos na Inglaterra, assim como na Alemanha. Não que sejam políticas unânimes e de fácil implementação. Sempre haverá o debate sobre quem deve pagar mais impostos e onde o governo gastará mais. Além disso, a coisa é localizada. Propor aumento de impostos faz sentido no México, onde a carga tributária é baixa. Já no Brasil…
O título original do artigo de Roubini diz “Is Capitalism Doomed?” – palavra esta que pode ser traduzida por “condenado”, como fizemos, ou por “amaldiçoado”. “Condenado” sugere que está acabado. Já um sistema pode ser “amaldiçoado” e continuar vivo. Deve ser isso. Maldito capitalismo, mas ainda não se inventou nada melhor.



