O Carnatal de Rosinha

Estava ao lado do poeta e diretor de teatro Antonio Roberto Kapi, quando a professora Beth Araújo, amiga comum, ligou para ele querendo expressar sua revolta com a decoração de Natal feita na praça do Liceu. Não havia visto ainda, tampouco sabia da inovação promovida este ano, aproveitando os carnavalescos locais na decoração natalina da cidade.
Após ouvir o desabafo de Beth, Kapi me explicou que, no caso da praça do Liceu, o ideal seria carregar o menos possível na decoração, visando realçar a própria estrutura existente, com seus dois coretos, chafariz, bancos e árvores, abrigadas no entorno arquitetônico talvez mais belo da cidade, entre o Solar do Liceu, a Villa Maria e o antigo Fórum, hoje Câmara Municipal, cópia do Paternón de Atenas. Ademais, ainda segundo Kapi, os próprios carnavalescos de Campos careceriam de uma atualização estética relativa apenas ao carnaval, antes de se aventurarem à decoração urbana.
Além de possuir formação em decoração, no Nilo Peçanha, e de cenografia, na Unirio, Kapi possuiu larga experiência de carnaval, tendo organizado seis desfiles de Campos, além de, como carnavalesco, ter conferido à escola Os Independentes o seu único título na categoria principal. Sem toda essa qualificação, só posso endossar, a partir da minha experiência gráfica como editor, o mesmo espanto de Beth após ter conferido por conta própria a “decoração” da praça do Liceu, encobrindo sua beleza própria, no lugar de realçá-la, numa poluição visual de extremo mal gosto, bem definida pelo jornalista Alexandre Bastos como “Carnatal”.
Se o governo Rosinha queria compensar os carnavalescos pelo adiamento do carnaval para abril, a emenda ficou bem pior que o soneto. Apesar da silhueta semelhante, Papail Noel e Momo não têm nada a ver um com o outro.









Como este blogueiro, Eremildo (ao lado), personagem do jornalista Élio Gaspari, é um idiota. Ele e eu não entendemos, veja você, como falar sozinho pode ser assim tão solitário quando um texto deste blog, apenas 11 minutos após sua postagem, é imediata e prolixamente “respondido” em outro, onde a covardia do anonimato é a tônica do titular aos comentaristas.