Traições: da política partidária à política da OAB
Não é só a política partidária de Campos que tem se mostrado terreno fértil para estórias de traição. Na política classista, parece acontecer o mesmo. Hoje, por exemplo, em entrevista a Priscila Tradin, repórter da Folha e também advogada, o presidente reeleito da OAB/Campos, Filipe Estefan, admitiu ser tomado do sentimento de traição em relação ao seu ex-vice-presidente, Cláudio Andrade, a quem derrotou ontem por mais que o dobro dos votos válidos:
— Eu me senti traído. Desde o início da primeira campanha, nosso grupo o prestigiou e foram abertos espaço e oportunidades de trabalho. De repente, inexplicavelmente, ele rompeu relações com todo o grupo e lançou sua candidatura — disse Estefan
O presidente garantiu também que não sairá candidato à Alerj em 2010, porque cumprirá seu mandato até 2012, quando não tentará outra reeleição na OAB, mesmo que possa. Aí sim, até por entender importante à classe e à sociedade ter um representante dos advogados com mandato político-partidário, comecará a pensar nisso. Ao lado de Andral Tavares Filho, ex-presidente da OAB e atual presidente do PV, certamente é um bom nome da classe para vôos mais altos.
A íntegra da entrevista com Filipe será publicada amanhã na Folha, em sua versão Online e impressa. Ao candidato derrotado e criticado, Cláudio Andrade, fica desde já franqueado o espaço do jornal e do blog…



1. O PT se dissolveu dentro do governo. Se ele perder a eleição em 2010 vai retomar o modelo de oposição que fazia anteriormente? Não. Pode ser que a CUT, sim. Pode ser que os movimentos sociais, sim. Mas o PT como tal não tem nenhuma autoridade moral como tinha antes de chegar ao poder. O que nos espera, do ponto de vista partidário no próximo governo, é uma oposição sem saber direito o papel que cumpre. Vão fazer oposição pelos movimentos sociais. Estes podem perder o patrocínio gigantesco que têm no governo Lula e vão querer recuperá-lo.


