Paulista adotado por Campos, promotor Victor Queiroz vai atuar no Rio

 

Promotor de Justiça Victor Queiroz em entrevista ao Folha no Ar (Foto: Folha da Manhã)

 

Após mais de 20 anos em Campos, o promotor de Justiça Victor Queiroz foi removido e irá atuar na capital. Ele sairá da Promotoria junto à 3ª Vara de Família goitacá para a disputada 7ª Promotoria de Justiça de Família do Rio de Janeiro, onde deve assumir em abril.

Formado em Direito na USP, maior universidade da América Latina, em 1993, Victor é um paulistano que adotou e foi adotado por Campos, constituindo aqui família. Ingressou no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por concurso público em 1996. Rodou por vários municípios do estado, antes de vir para o Norte Fluminense, incialmente em São Francisco de Itabapoana.

Após um ano em SFI, passou outro na Investigação Penal de Campos. Onde passaria os 10 anos seguintes na Promotoria Cível, seguidos de outros 10 na Promotoria de Família. Na comarca, atuou também como promotor eleitoral, no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e na coordenação do Centro Regional do MP.

— Fiquei tocado com as palavras de reconhecimento e de incentivo do Dr. Antônio José Campos Moreira, Procurador-Geral de Justiça. Sou grato a tudo o que vivi profissionalmente em Campos dos Goytacazes. Aqui aprendi a ser uma pessoa e um profissional melhor, graças, em grande parte, a todos os colegas e amigos campistas. A vida segue e levarei para sempre comigo as boas lembranças e os aprendizados. Vim de longe para crescer como ser humano em Campos. Gratidão sempre — disse Victor, após ter sua remoção de Campos ao Rio anunciada por volta das 14h de hoje.

Confira no vídeo abaixo e na transcrição do áudio:

 

 

— Declaro removido o doutor Victor dos Santos Queiroz, que passou seguramente umas duas décadas em Campos dos Goytacazes (…) Fez um excelente trabalho em Campos, um trabalho marcante, um colega de mérito reconhecido por todos, pelos colegas, pelos magistrados, advogados, pela comunidade local. E que, certamente, também brilhará aqui na nova atribuição. Parabéns ao doutor Victor! — reconheceu Antônio José Campos Moreira, Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

 

Confira abaixo a repercussão da remoção do promotor Victor ao Rio entre outros operadores do Direito em Campos:

— Dr. Victor é um profissional de excelência, com competência e humanidade inquestionáveis. Fará muita falta na nossa comarca — disse a advogada Mariana Lontra Costa, presidente da OAB-Campos.

—  Parabéns pela excelente trajetória. Seu trabalho sempre seguirá brilhando — disse a promotora de Justiça de Campos Anik Rebello Assed.

— Grande promotor de justiça — resumiu o procurador de Justiça campista Cláudio Henrique da Cruz Viana, presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj).

— Ele era o promotor da minha Vara. Sucedeu Dra. Claudia Quaresma, a Dra. Claudinha. Conheci o Victor quando cheguei aqui na região, precisamente em Itaperuna, nos idos de 1998. Victor é daquelas pessoas que vemos cada vez menos. Joia rara. Promotor experiente, técnico, zeloso e humano. Toda homenagem a ele é merecida. Sem favor algum — disse o juiz de Direiro aposentado em Campos Elias Pedro Sader Neto.

— Excelente Profissional. Desejo sucesso nessa nova etapa — disse o advogado Filipe Estefan, ex-presidente da OAB-Campos.

— Excelente profissional. Uma perda para a cidade. Que seja feliz e tenha o mesmo ou ainda mais sucesso no Rio — disse o advogado Carlos Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF).

—  Concordo. Um profissional exemplar — disse o advogado Andral Tavares Filho, ex-presidente da OAB-Campos.

— Um profissional extremamente gentil, respeitoso e ético. Sempre disposto a encontrar soluções justas para os problemas apresentados. Realmente, uma grande perda para o meio jurídico campista. Desejo sorte e sucesso — disse o advogado José Paes Neto, ex-procurador-geral de Campos.

— O dr. Victor Queiroz foi meu professor na graduação e posteriormente nos encontramos por um período na vida profissional. Para além da competência, amplamente reconhecida entre os operadores do Direito, sempre chamou a atenção pela educação, simplicidade e gentileza, sinais incontestáveis de um grande caráter. Não tenho dúvidas de que será muito bem sucedido na nova etapa — disse Pedro Emílio Braga, delegado campista de Polícia Civil e titular da 123ª DP de Macaé.

— Profundo e intenso nas manifestações jurídicas. Técnica irreparável. Minimalista na postura institucional, como a carreira requer. Faz valer o juramento em cada detalhe. Pode palestrar Brasil afora. Tanto na técnica como na postura. Um jurista extra-série. Existem craques: Edmundo, Bebeto, Cristiano Ronaldo. Existem extra séries: Romário, Messi, Zico. Dr Victor é extra-série — disse Matheus José, procurador do município de Campos.

— Desejo todo sucesso ao promotor Victor Queiroz em seu novo desafio . Promotor firme e humano, que cumpre sua função com excelência e com o desejo de justiça. Foi um privilégio para Campos a sua passagem por nossa cidade, que por isso o adotou — disse Heitor Campinho, juiz de Direito de Campos.

 

Última atualização às 11h40 de 31/01/26.

 

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Arthur Soffiati — Cinema subterrâneo dos anos 1950 e 1960

 

 

Arthur Soffiati, crítico de cinema, historiador, professor, ambientalista e escritor

Cinema subterrâneo

Por Arthur Soffiati

 

Não tenho nenhuma formação em cinema. Minhas reflexões e meus comentários sobre a sétima arte decorrem de cinefilia e leituras. Sempre dependi das salas de cinema, hoje em declínio. Raramente recorro a plataformas na televisão. Mas conto, ainda, com uma grande coleção de DVDs.

Em 2020, os cinemas fecharam por conta da pandemia. Decidi, então, desarquivar filmes a que eu nunca havia assistido. Dei preferência a filmes considerados ruins. Era preciso  conhecê-los como comentarista de cinema desde 2005, na Folha da Manhã. Eram, principalmente, filmes produzidos entre 1950 e 1965. Com interesse, passei a comentá-los.

Concluí que aqueles filmes revelavam uma indústria cinematográfica norte-americana nos porões dos grandes estúdios. Houve cineastas formidáveis nessa década, como Roger Corman, Jack Arnold e Nathan Juran. Corman começou fazendo de tudo: carregava e montava cenários, atuava como iluminador, distribuía cartazes, redigia roteiros, iluminava, maquiava e dirigia. Além disso, revelava nomes de artistas, como Jack Nicholson e Francis Ford Coppola. Corman se tornou uma lenda. Os efeitos especiais eram caros, mas havia Ray Harryhausen, o grande mago do stopmotion. Seu trabalho era caro, mas havia concessões. O filme podia ser ruim, mas seus bonecos eram sinônimo de qualidade. Uma miniatura de pterossauro podia transportar Rachel Welch nas garras.

Esses filmes de segunda categoria inspiraram filmes hoje considerados marcos do cinema. Dan O’Bannon, roteirista de “Alien” fala da influência exercida sobre ele de “O monstro do Ártico” (1951), “O planeta proibido” (1956), “O planeta dos vampiros” (1965). Aponto ainda “Ele! O terror que vem do espaço” (1958), de Edward L. Cahn, e “O planeta dos vampiros” (1965), de Mario Bava, outro nome icônico.

Os diretores de filme B alertavam e exploravam os medos com filmes como “A invasão de Marte”, “Tarântula”, “O ataque dos caranguejos monstruosos”, “A guerra dos mundos”. Por trás de uma invasão de seres extraterrestres, havia o medo de uma invasão soviética.

Os filmes da década de 1950 marcaram muito diretores como Steven Spielberg, George Lucas, Tobe Hooper e Quentin Tarantino. O esquema de um filme como “Tubarão”, o segundo de Spielberg e que lotou os cinemas, vem dos filmes B: uma pequena cidade que enfrenta um problema. De um lado, um político ou um empresário querendo promover o lugar, mesmo com um perigo iminente. De outro, um cientista ou uma pessoa comum, alertando sobre o perigo. O “monstro” aparece e estraga a festa. Mas, apesar de tudo, o bem triunfa sobre o mal.

Assistindo a esses péssimos-ótimos filmes, percebi que gosto mais de cinema que de filmes. Decidi escrever sobre esses filmes considerados B pelo baixo orçamento. Meus comentários foram reunidos no livro “Um cinéfilo em quarentena seguido de seres extintos no cinema”. Neles, aparecem discos voadores, monstros que saem do mar, mulheres seminuas nos braços de macacos, zumbis, caveiras. Entrei nesse mundo e não consigo sair.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Sebastianismo master dos “heróis da democracia” Moraes e Toffoli

 

Na herança sebastianista do Brasil, dois “heróis da democracia” do STF: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli

 

 

D. Sebastião

D. Sebastião

D. Sebastião foi rei de Portugal de 1557 a 1578. Assumiu o trono quando seu país era a potência emergente do mundo, líder da Expansão Marítima e Comercial Europeia. Mas, diante dos novos mundos da Idade Moderna, regrediu às Cruzadas da Idade Média. E foi morto ou desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos.

 

Sebastianismo

Sem deixar herdeiro, D. Sebastião lançou Portugal, de maior nação da Europa, à condição de província espanhola na União Ibérica de 1580 a 1640. Mas gerou, em Portugal e em sua colonização no Brasil, o sebastianismo: a espera pelo regresso de um herói messiânico, que nos resgatará ao tempo de glória.

 

No Brasil

No Brasil, o sebastianismo esteve na origem das suas duas maiores guerras civis: a de Canudos, no sertão da Bahia, entre 1896 e 1897; e do Contestado, na fronteira entre Paraná e Santa Catarina, entre 1912 e 1916. Ambos foram movimentos messiânicos rurais, onde seus líderes religiosos eram vistos como salvadores.

 

De Deodoro a Collor

O sebastianismo esteve na queda do Império pelo golpe militar que proclamou a República em 1889, na Revolução de 1930, na ditadura do Estado Novo entre 1937 e 1945, na ditadura militar entre 1964 e 1985, na eleição direta do caçador de marajás Fernando Collor de Mello a presidente em 1989, no seu impeachment em 1992.

 

“Heróis da democracia”

O sebastianismo esteve nas primeiras eleições presidenciais de Lula em 2002 e 2006, na operação Lava Jato entre 2014 e 2021, no impeachment de Dilma Rousseff em 2016, na prisão de Lula em 2018 e, no mesmo ano, na eleição de Bolsonaro. Como na prisão deste em 2025. Por quem? Ao sebastianismo, pelos “heróis da democracia” do STF.

 

De R$ 3,6 milhões/mês ao Tayayá

Do que o bilionário escândalo do liquidado Banco Master já revelou sobre os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, os sebastianistas da vez podem escolher. Entre R$ 3,6 milhões mês ao escritório de advocacia da esposa, uma viagem com tudo pago num jatinho à final da Libertadores em Lima, ou uma estadia no resort Tayayá.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Ceciliano, Miccione ou Douglas Ruas para governador-tampão?

 

Três nomes a governador-tampão do RJ na eleição indireta da Alerj após Cláudio Castro deixar o cargo: André Ceciliano, Nicola Miccione e Douglas Ruas

 

Três nomes a governador-tampão

Antes da eleição direta de 4 de outubro, inclusive de governador do RJ, haverá a eleição indireta na Alerj ao mesmo cargo. Que, hoje, se divide entre três nomes: o de Nicola Miccione (PL), que o blog noticiou (confira aqui) dia 7; o de André Ceciliano (PT), como o blog noticiou (confira aqui) no dia 10; e o de Douglas Ruas (PL).

 

Miccione com Castro

Secretário estadual da Casa Civil, advogado e de perfil técnico, Miccione é o candidato do governador Cláudio Castro (PL). Que, como Paes e Wladimir, terá que sair do cargo até 4 de abril. Mas, no caso dele, para concorrer a senador em outubro.

 

Ceciliano com Bacellar

Ex-presidente da Alerj e atual secretário de Relações Parlamentares do governo Lula, além do apoio deste, Ceciliano conta com outro aliado para tentar se tornar governador-tampão do RJ: outro ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).

 

PL com Ruas

Além de Miccione com Castro e Ceciliano com Bacellar, há o deputado estadual licenciado e secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas. Que seria o preferido do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL, e do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) à eleição direta como governador-tampão.

 

Segue o fio

Vice-governador, Thiago Pampolha renunciou em maio para ser conselheiro do Tribunal de Contas do RJ. Presidente eleito da Alerj, Rodrigo Bacellar foi afastado do cargo em dezembro, quando foi preso (confira aqui, aqui e aqui) e solto (confira aqui) com cautelares pelo STF. Presidente do Tribunal de Justiça do RJ, desembargador Ricardo Couto assumiria (confira aqui) com a renúncia de Castro.

 

Votos na Alerj por lobby com Xandão

Assim que assumir, Couto terá 30 dias para convocar a eleição indireta, na Alerj, para governador-tampão. Bacellar teria prometido a Ceciliano os votos de 15 deputados na eleição indireta. Em troca da ajuda “companheira” do PT nacional e de Lula junto ao algoz do político campista no STF: o ministro Alexandre de Moraes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Wladimir definirá 2026 em reunião com secretários na segunda

 

Wladimir e Anthony Garotinho (Foto: Instagram)

 

Wladimir convoca reunião no dia 2

O prazo para desincompatibilização de prefeitos que desejarem concorrer a cargos eletivos em outubro é 4 de abril, seis meses antes da urna. Em Campos, a saída do prefeito Wladimir Garotinho tem ensaio marcado. Ele convocou uma reunião às 10h30 da manhã desta segunda (2), no Cesec, com todos os secretários e subsecretários.

 

“Sobre o ano de 2026”

“No dia 02/02, às 10h30, farei uma reunião com todos os secretários e subs sobre o ano de 2026. Estou avisando com antecedência para que todos se programem para estar presente. Quem tiver algum compromisso nesse dia, favor reagendar devido à importância da reunião”, convocou Wladimir nos grupos de WhatsApp do governo.

 

A deputado ou vice de Paes?

Pragmaticamente, Wladimir sabe que o melhor é deixar a Prefeitura para se candidatar. Por mais que goste de ser prefeito da sua cidade. Hoje, o mais provável é que saia para se candidatar a deputado federal. A possibilidade de ser vice na chapa do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador, se não descartada, parece menos provável.

 

Rogério Lisboa, prefeito de Nova Iguaçu e cotado para ser vice na chapa a governador de Eduardo Paes

Vice por votos

A vice de Paes, o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), é cotado. Com 607.078 eleitores (242 mil a mais do que os 373.543 de Campos), é o 2º maior colégio eleitoral da Baixada Fluminense. Cujo município com mais eleitores, Duque de Caxias (619.645 aptos a votar) tem no seu ex-prefeito Washington Reis (MDB) um aliado dos Garotinho.

 

Wladimir e Garotinho a federal?

Hoje inelegível a outubro e com julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) marcado no dia 11, Reis tem capital eleitoral para pesar a balança a Wladimir a vice na chapa de Paes. O que evitaria o que muitos já temem dentro do grupo dos Garotinho: ter o pai e o filho disputando os mesmos votos pelo mesmo cargo de deputado federal.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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FMC e rebaixamento na nota do Enamed no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Os médicos Edilbert Pellegrini e Nélio Artiles, respectivamente, atual e ex-diretor da Faculdade de Medicina de Campos (FMC), são os convidados do Folha no Ar desta terça (27), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Os dois comentarão o rebaixamento (confira aqui) da FMC no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), passando da nota 5 para a nota 2, suas possíveis causas e consequências. Edilbert e Nélio também analisarão a situação atual da FMC, referência na cidade e região há quase 58 anos.

Por fim, os dois médicos falarão da qualificação dos novos médicos e cursos de medicina pelo país, assim como da ideia de uma prova para os novos profissionais de saúde, ao molde da que a OAB exige dos novos advogados.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

 

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AtlasIntel: Lula lidera ao 1º e 2º turno, mas Flávio cresce

 

(Montagem: Joseli Matias)

 

A indefinição da direita brasileira sobre candidato a presidente, neste mês de janeiro, favorece à reeleição de Lula (PT) em outubro. Se isso já tinha sido apontado nas pesquisas Ideia (confira aqui e aqui) e Quaest (confira aqui e aqui) deste mês, ficou mais claro na AtlasIntel divulgada ontem (21). Em que Lula venceu todos os cinco cenários de 1º turno e oito de 2º turno.

Ampla vantagem de Lula — Feita com 5.418 eleitores de 15 a 20 deste mês, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos e registrada no TSE sob protocolo BR 02804/2026, a pesquisa AtlasIntel revelou a ampla vantagem de Lula sobre os dois nomes da direita hoje mais cotados: o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP).

Lula, Tarcísio e Flávio no 1º turno — Em cenário mais amplo de 1º turno, com Lula, Tarcísio e Flávio na disputa, mais vários outros possíveis candidatos, o petista teria hoje no 1º turno 48,4% de intenção de voto, contra 28,0% do senador e 11,0% do governador paulista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula x Flávio sem Tarcísio no 1º turno — Com Flávio e sem Tarcísio, Lula teria no 1º turno 48,8%, contra 35,0% do senador do RJ.

Lula x Tarcísio sem Flávio no 1º turno — Com Tarcísio sem Flávio, o petista teria no 1º turno 48,5%, contra 28,4% do governador de SP.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio cresce e Lula patina ao 1º turno — Se os cenários são favoráveis a Lula, a comparação da série de pesquisas AtlasIntel revelou um ponto também favorável a Flávio: dos 29,3% que ele tinha de intenção ao 1º turno em dezembro, cresceu 5,7 pontos aos 35% de janeiro. No mesmo período, Lula patinou, oscilando 0,7 ponto para cima, dos 48,1% de dezembro aos 48,8% atuais.

Com Flávio, matemática de 2º turno — Nessa simulação de 1º turno de Lula com Flávio e outros candidatos, mas sem Tarcísio, a soma de todos os presidenciáveis de oposição deu 49,3%, acima dos 48,8% do presidente. Ainda que seja um empate técnico na margem de erro da AtlasIntel, o 2º turno estaria numericamente indicado.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Com Tarcísio, Lula fecha no 1º turno? — Na simulação de 1º turno de Lula com Tarcísio, mas sem Flávio, a soma de todos os presidenciáveis de oposição deu 45,5%, abaixo dos 48,5% do presidente. Fora da margem de erro, embora próximo dela, o cenário indicou a possibilidade matemática de Lula liquidar a fatura em turno único.

Tarcísio, como Lula, patina no 1º turno — Diferente de Flávio, que cresceu de dezembro a janeiro em intenções de voto ao 1º turno contra Lula, Tarcísio patinou: dos 28,3% do último mês aos 28,4% atuais. Assim como Lula, dos 48,8% de dezembro aos 48,5% de janeiro.

Passado e futuro do 2º turno — Como Lula se elegeu três vezes presidente, sem nunca conseguir levar no 1º turno, mesmo na reeleição de 2006, quando seu governo tinha muito mais popularidade do que hoje, a lógica aponta à existência do 2º turno em 25 de outubro de 2026. No qual, pela AtlasIntel de janeiro, Lula bateria Tarcísio e Flávio pelos mesmos 49% a 45%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Tarcísio patinam e Flávio cresce ao 2º turno — Na comparação entre dezembro e janeiro da série AtlasIntel, Lula (foi de 49% a 49,1%) e Tarcísio (de 45% a 45,4%) passaram o último mês patinando nas intenções de voto ao 2º turno. Como nas simulações de 1º turno, só quem cresceu ao 2º, no mesmo período, foi Flávio. Ele ganhou 3,9 pontos de intenção dos 41% de dezembro aos 44,9% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Contra Flávio, Lula cai no 2º turno — No cenário de um eventual 2º turno contra Flávio, ao contrário deste, Lula perdeu 3,8 pontos de intenção no último mês. Contra o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o petista passou dos 53% de intenção em dezembro aos 49,2% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição que definirá o 2º turno — Índice mais importante à definição do 2º turno, por limitar o crescimento dos dois candidatos que o disputam, a rejeição na AtlasIntel foi liderada por Bolsonaro: 50,0% não votariam nele de jeito nenhum. Em 2º lugar, Lula tem 49,7% de rejeição. É um empate técnico com Bolsonaro e, hoje, o maior obstáculo à reeleição do petista.

Atrás de Bolsonaro e Lula, Flávio também tem rejeição alta —  Atrás de Bolsonaro e Lula, vieram Flávio, com 47,4% de rejeição; Renan Santos (Missão), espécie de Pablo Marçal do MBL, com 45,6%; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 44,9%; o deputado Nikolas Ferreira (PL), com 44,7%; e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), com 43,4%.

Lista da rejeição — Seguiram a lista de rejeição da AtlasIntel os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo), com 42,1%; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), com 41,7%; Tarcísio, com 41,1%; além dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União), com 40,7%; e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 39,9%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição é vantagem de Tarcísio sobre Lula e Flávio — A lista do índice negativo da AtlasIntel foi completada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com 36,9% de brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum. Mas a baixa rejeição de Tarcísio, 8,6 pontos a menos que Lula e 6,3 pontos a menos que Flávio, é sua maior vantagem num eventual 2º turno presidencial.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A AtlasIntel testou cinco cenários de 1º turno e oito cenários de 2º turno das eleições presidenciais de 2026. Em todos, Lula lidera as intenções de voto. No 1º turno, Lula abre 20 pontos contra Flávio: 48% x 28%. Mesmo com a inclusão também do nome de Tarcísio, que aparece em 3º, com 11%. Sem Tarcísio, Lula tem 14 pontos contra Flávio: 49% a 35%. Sem Flávio, Lula abre 21 pontos contra Tarcísio: 49% a 28%. Nos 8 cenários de 2º turno testados, Lula abre 3 pontos contra Jair Bolsonaro, por 49% a 46%; e 4 pontos contra Tarcísio, Michelle e Flávio: nos três casos, 49% a 45%”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Felipe Fernandes — “O Último Azul”: Envelhecimento, distopia e liberdade

 

 

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“O Último Azul” — Envelhecimento, distopia e liberdade

Por Felipe Fernandes

 

O diretor e roteirista pernambucano Daniel Mascaro traz, por meio de seu cinema, um olhar atento para questões sociais muito presentes no cotidiano da sociedade brasileira, sempre a partir de uma perspectiva singular e particular.

Desde seu último filme, “Divino Amor” (2019), o cineasta trabalha a ideia de um Brasil distópico que, embora ficcional, se aproxima inquietantemente da nossa realidade. É por meio dessa distopia que Mascaro busca discutir temas profundamente enraizados em nossa sociedade.

Se em “Divino Amor” ele debate a influência da religião na vida sexual, na construção familiar e na própria fé individual, em “O Último Azul” o diretor aborda questões como etarismo, dignidade humana e liberdade individual. O filme se passa em uma sociedade regida por um governo autoritário, que prega a otimização da produtividade dos mais jovens e tem como um de seus projetos a exclusão das pessoas idosas: ao completarem 75 anos, elas são enviadas para colônias de localização desconhecida, onde são obrigadas a passar o resto de suas vidas.

O filme estabelece uma sociedade em que a velhice é vista como um fardo econômico e um obstáculo ao desenvolvimento. Mascaro utiliza essa distopia para refletir sobre o tratamento dado aos idosos e sobre o papel do envelhecimento na sociedade contemporânea. No entanto, o foco da obra não está na construção detalhada desse universo distópico, mas sim na jornada intimista de fuga, liberdade e redescoberta que se desenvolve a partir dele.

Interpretada por Denise Weinberg, a protagonista Tereza é uma mulher independente, trabalhadora, mãe e avó que, da noite para o dia, tem sua vida desmontada e perde toda a sua autonomia. Ela passa a ser tratada como uma menor de idade, tendo suas decisões submetidas à autorização da filha.

É curioso perceber como os idosos são definitivamente associados à ideia de problema, a ponto de existir uma espécie de polícia especial voltada à sua fiscalização, que utiliza um veículo chamado “cata-idoso”. Na iminência de seu destino final, Tereza parte em uma jornada pluvial pela região amazônica, fugindo do sistema que a oprime e em busca de sua liberdade.

A motivação declarada para essa jornada é o desejo de voar. A escolha não é aleatória, a sensação de voo está diretamente ligada à ideia de liberdade, que, no fundo, é o verdadeiro anseio da personagem. Mascaro constrói uma poética visual marcante nos barcos que cruzam os rios e nos momentos lisérgicos envolvendo o caracol de baba azul, sempre em conexão com a natureza.

De certa forma, a transformação da protagonista ocorre justamente em sua reclusão na natureza, na fuga de uma sociedade que não lhe permite ocupar seu próprio espaço. Resta-lhe a natureza e a clandestinidade como formas de existência.

Cada encontro ao longo do caminho parece costurar uma nova possibilidade de vida, na qual o imponderável se faz presente. Seja no deslocamento pelos rios ou no duelo que marca o clímax do filme, em que criaturas tão pequenas determinam o destino da protagonista, há uma cena particularmente bonita, de plasticidade singular.

A água e os rios, em diversas tradições, simbolizam o fluxo do tempo, a mudança, o renascimento e a purificação. No contexto do filme, funcionam como espaços de liberdade e de afirmação da vida diante de uma sociedade que marginaliza seus idosos.

A jornada de Tereza revela que não existe idade para viver, para reencontrar sonhos, desejos e o amor. A vida não termina quando a sociedade impõe o seu fim. Tal qual um rio, ela segue em movimento, mudança e renovação.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

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Governador do RJ: Paes x Ceciliano com Bacellar por Moraes

 

Eduardo Paes, Claudio Castro, NIcola MIccione, André Ceciliano, Rodrigo Bacellar e Alexandre de Moraes (Montagem: Joseli Matias)

 

Paes assume e Ceciliano quer

Prefeito do Rio de Janeiro assumiu o que todos sabiam: é pré-candidato a governador do RJ em outubro. E tem se estranhado com o petista André Ceciliano, secretário de Relações Parlamentares do governo Lula e pré-candidato a governador-tampão assim que Cláudio Castro renunciar ao cargo, até 4 de abril, para se candidatar a senador.

 

Quem quando Castro sair?

Vice-governador, Thiago Pampolha renunciou em maio para ser conselheiro do Tribunal de Contas do RJ. Presidente eleito da Alerj, Rodrigo Bacellar foi afastado do cargo em dezembro, quando foi preso e solto com cautelares do STF. Presidente do Tribunal de Justiça do RJ, desembargador Ricardo Couto assumiria com a renúncia de Castro.

 

Miccione é nome caseiro

Assim que assumir, Couto terá 30 dias para convocar a eleição indireta, na Alerj, para governador-tampão. Como o blog informou (confira aqui) no dia 7, o candidato de Castro é seu secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. Mas, como o blog também informou (confira aqui) no dia 10, Ceciliano entrou nessa corrida da eleição indireta a governador.

 

Bacellar com Ceciliano por Moraes

Além de Castro, Paes também prefere o nome técnico de Miccione. Enquanto Ceciliano tem o apoio político de Bacellar. Que teria prometido ao petista os votos de 15 deputados na eleição indireta a governador. Em troca da ajuda “companheira” do PT nacional e de Lula junto ao algoz do político campista no STF: Alexandre de Moraes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Deputado Thiago Rangel em discussão armada na Pelinca

 

Deputado estadual Thiago Rangel

 

Deputado em discussão armada na Pelinca

O deputado estadual Thiago Rangel e o presidente do Campos Atlético Associação, Márcio Reinaldo, conhecido como Marcinho, se envolveram em um episódio tenso na noite de segunda, em plena avenida Pelinca. Após estranhamento e discussão, ambos teriam chegado a sacar armas de fogo, mesmo sem chegar a apontar contra o outro.

 

Escritório de Thiago Rangel

O caso foi testemunhado por vários populares e acabou registrado na 134ª DP. Tudo teria acontecido após Thiago chegar de carro ao seu escritório no Pq. Rosário e ver a esposa de um seu ex-motorista, que fez denúncias contra ele, filmar o imóvel com celular. Ela entrou no carro de Marcinho, que foi seguido pelo deputado no seu.

 

Em frente à padaria Moca

Cedido ao gabinete do deputado estadual Bruno Dauaire, Marcinho é também PM. Ao notar que era seguido, desacelerou seu carro, foi ultrapassado pelo de Thiago, e deixou a mulher. Os dois carros pararam mais adiante, em frente à padaria Moca, na av. Pelinca, onde Marcinho e Thiago desceram e deram início à discussão em local público.

 

Com Garotinho em Chapéu de Sol

O caso foi divulgado (confira aqui) na noite de segunda (19) pelo site do radialista Edmar Ptak. A Folha apurou que a mulher levada e deixada por Marcinho, além de esposa de um ex-motorista de Thiago, se reuniu e passou informações no último dia 4, em Chapéu de Sol, ao ex-governador Anthony Garotinho. Que tem feito denúncias contra Thiago.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Atualizado às 11h01 para correção de informações.

 

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Um pouco sobre o político e o médico Arnaldo França Vianna

 

Médico, ex-prefeito e ex-deputado federal Arnaldo França Vianna (Foto: Folha da Manhã)

 

O médico e político Arnaldo França Vianna faleceu hoje, após longa internação, aos 78 anos. Após ser diretor-geral do Hospital Ferreira Machado (HFM) entre 1989 e 1992, vereador de destaque entre 1993 e 1996, ele marcaria época como prefeito de Campos por dois mandatos: vice que assumiu quando Garotinho deixou a PMCG em 1998 para se eleger governador naquele ano, e depois reeleito com votação consagradora em 2000.

Naquela mesma da virada do milênio, Arnaldo passou a rivalizar em popularidade com o próprio Garotinho, levando à ruptura ruidosa entre ambos. Até a reaproximação recente, a partir da aliança entre seus respectivos filhos em 2022: Caio e Wladmir.

Arnaldo ajudou a eleger como prefeitos Carlos Alberto Campista em 2004, que perderia o mandato em decisão judicial controvertida, e Alexandre Mocaiber na eleição suplementar de 2006.

Tentou voltar a ser prefeito em 2008, quando perdeu o 2º turno para Rosinha. E teve a candidatura ao mesmo cargo indeferida em 2012, quando Rosinha se reelegeu prefeita.

Eleito deputado federal em 2006, foi vice-líder do PDT na Câmara em 2010. Mas não conseguiu se reeleger no mesmo ano, sendo declarado inelegível pelos problemas com a Justiça Eleitoral que prejudicaram sua carreira política.

Como prefeito de Campos, deixou obras importantes, como a duplicação da avenida Alberto Lamego, ainda em parceria com Garotinho como governador, e a construção e entrega do Hospital Geral de Guarus (HGG).

Neurocirurgião brilhante, membro da Academia Brasileira de Neurocirurgia, foi um médico humanista. Atividade que sempre exerceu em paralelo com a política. E foi um dos prefeitos que mais e melhor investiu na saúde pública de Campos.

Tinha carisma e grande pragmatismo político. Inclusive para se fazer mais conhecido pelo jeito bonachão e afável, melhor resumido no seu lema: “um beijo no coração”.

 

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Fernando, Gabriel e Amanda — Cinema, Norte e Noroeste Fluminense

 

 

Fernando Sousa, cineasta, diretor da Quiprocó Filmes e do Festival Internacional Goitacá de Cinema; Gabriel Barbosa, cineasta, diretor do Festival Internacional Goitacá de Cinema e secretário de Cultura e Audiovisual de Barra do Piraí (RJ); e Amanda Amaral, produtora cultural, analista de mobilização e captação de recursos da Quiprocó Filmes

Cinema brasileiro como soft power: conexões com o Norte e o Noroeste Fluminense

Por Fernando Sousa, Gabriel Barbosa e Amanda Amaral

 

O cinema brasileiro segue acumulando reconhecimentos internacionais, impulsionado por uma safra recente de obras que despertam atenção e admiração no circuito global de eventos e festivais. O filme “Manas”, de Marianna Brennand, estrelado por Dira Paes e ambientado na Ilha do Marajó, no Pará, já soma mais de 20 premiações ao redor do mundo e acaba de receber indicação ao Prêmio Goya 2026, na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano, uma das mais relevantes do cinema espanhol.

Nesse mesmo movimento, destaca-se o novo longa-metragem “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, escrito e dirigido por André Novais de Oliveira, realizado pela produtora mineira Filmes de Plástico, em coprodução com o Canal Brasil, e que representará o país no 76º Festival de Berlim. A produção se soma ao longa cearense “Feito Pipa”, que fará sua estreia mundial no festival. Dirigido por Allan Deberton, o filme conta com Lázaro Ramos no elenco, ao lado de Yuri Gomes e Teca Pereira, reforçando a presença do cinema brasileiro em uma das principais vitrines do circuito internacional de festivais. E não para por aí, outra longa cearense também vai pousar em terras germânicas, o filme “Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha”, da cineasta Janaína Marques.

O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, também integra a lista de possíveis indicados ao Oscar. A diretora já havia sido indicada anteriormente pela obra “Democracia em Vertigem”, consolidando sua trajetória de reconhecimento internacional.

As premiações dos filmes “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, figuram entre as mais recentes demonstrações do reconhecimento global da diversidade e da vitalidade do cinema brasileiro. “Ainda Estou Aqui” conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional, além do Globo de Ouro de melhor Atriz em Filme Dramático para Fernanda Torres, com inúmeras outras premiações ao longo de 2025. Já “O Agente Secreto” recebeu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator no Festival de Cannes 2025, além dos títulos de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator de Drama para Wagner Moura, mantendo uma trajetória consistente de reconhecimento internacional.

O cinema brasileiro respira e colhe frutos expressivos, resultado de um conjunto articulado de investimentos públicos e privados. O orçamento de “O Agente Secreto” foi de R$ 28 milhões, divididos entre Brasil, França, Holanda e Alemanha. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a participação brasileira foi de R$ 13,5 milhões, dos quais R$ 7,5 milhões oriundos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), complementados por aportes privados. A etapa de comercialização do filme contou com R$ 4 milhões em investimentos, sendo R$ 750 mil provenientes do FSA e os demais R$ 3 milhões viabilizados por meio da Lei do Audiovisual, que permite a pessoas físicas e jurídicas destinar parte do imposto de renda a obras aprovadas para captação junto à Ancine.

O bom momento vivido pelo cinema brasileiro é reflexo direto desses investimentos, que ampliam a produção e possibilitam que cheguem às telas do cinema e da televisão as riquezas, contradições, tensões e a diversidade cultural que compõem o território nacional. O filme “O Agente Secreto” é uma produção pernambucana, resultado de políticas públicas consistentes de regulação e fomento, por meio de editais e investimentos estruturantes anuais, especialmente via Funcultura, que permitiram a construção de uma cinematografia sólida e autoral na trajetória de Kleber Mendonça Filho.

Essas políticas públicas viabilizaram a consolidação da produção local e ampliaram significativamente a visibilidade do cinema pernambucano nos cenários nacional e internacional. A consagração de cineastas como Kleber Mendonça Filho, Cláudio Assis, Lírio Ferreira, Marcelo Gomes, Gabriel Mascaro, Heitor Dhalia, Hilton Lacerda, Renata Pinheiro e Eda Ferraz é fruto de um ecossistema favorável, que também possibilitou o surgimento de inúmeros jovens talentos e profissionais atuantes em diferentes setores do audiovisual e da economia criativa.

Por outro lado, diferente do que acontece entre as diferentes esferas do poder público, a existência de um calendário público e previsível de lançamentos de editais — sejam municipais, estaduais ou federal — na área do cinema é fundamental para o fortalecimento estrutural do setor audiovisual. Ao garantir previsibilidade, esse instrumento permite que produtoras, realizadores e demais agentes culturais planejem seus projetos com maior consistência técnica, financeira e artística, reduzindo a informalidade e a descontinuidade das políticas públicas. Além disso, um calendário transparente contribui para a democratização do acesso aos recursos, amplia a participação de diferentes territórios e perfis de proponentes e favorece a profissionalização do campo, estimulando a inovação, a diversidade de narrativas e a sustentabilidade da cadeia produtiva do cinema.

A indústria audiovisual compõe uma cadeia produtiva dinâmica e complexa, que exige previsibilidade, investimentos contínuos, ajustes e regulamentações permanentes. Atualmente, a principal lacuna regulatória diz respeito aos serviços de streaming no Brasil, cuja regulamentação precisa avançar com urgência em bases mais equilibradas e justas para produtores, artistas e trabalhadores do audiovisual. Para que o cinema brasileiro mantenha seu vigor, é fundamental o comprometimento articulado das diferentes esferas federativas — governos federal, estaduais e municipais —, do setor privado, das universidades, das organizações da sociedade civil e da própria sociedade. A cultura e o cinema são expressões centrais do que somos e do projeto de país que desejamos construir.

Nesse contexto, insere-se a nossa aposta nos territórios do Norte e do Noroeste Fluminense, materializada na realização do Festival Internacional Goitacá de Cinema, que chega à sua segunda edição em 2026. Iniciativas como essa operam não apenas como espaços de exibição, mas como dispositivos de formação, articulação profissional e circulação de saberes, capazes de ampliar a presença desses territórios nos processos de produção, formação e difusão do audiovisual brasileiro.

Como no futebol, para que o Brasil se torne o país do cinema, é preciso investimentos na base, ‘disputando’ a vida e a formação de meninas e meninos por meio da arte e do fazer cinematográfico nos diferentes interiores e rincões do país. Acreditamos que o cinema e o audiovisual podem e devem constituir uma nova vocação produtiva e criativa para a região, abrindo campos de trabalho mais amplos e qualificados para os jovens, atraindo produções cinematográficas e consolidando esses territórios como referência na formação de mão de obra especializada para o setor. Isso requer investimentos e estratégia.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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