À esquerda, chefe de gabinete de Bacellar exonerado ontem do cargo na Alerj, Rui Bulhões sai da Superintendência da PF no Rio após ter três celulares apreendidos pela PF em sua residência (Foto: Henrique Coelho/G1 Rio)
Macário a Bacellar: “Te amo”
A intimidade das conversas entre Bacellar e Macário, revelado ontem (confira aqui) pela PF, deixou o parlamentar campista, licenciado (confira aqui) após liberado da prisão (confira aqui e aqui) pela Alerj, e o magistrado preso em situação delicada. Em outubro, Macário enviou a Bacellar: “Te amo”. O então presidente da Alerj respondeu: “Deus te abençoe irmão. Sou teu fã”. O magistrado reforçou: “Recíproco”.
Histórico do desembargador
Em 2005, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu processo criminal (confira aqui) contra Macário para apurar fraudes em sentenças e envolvimento com a máfia dos caça-níqueis do Espírito Santo. Ele foi afastado das funções à época. Cerca de 10 anos depois, o plenário do TRF 2 o aposentou compulsoriamente. Mas a decisão foi revogada pelo… Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Mais celulares apreendidos
Conhecido em Campos pelo trabalho anterior como personal trainer, antes de ascender com o grupo de Bacellar, Rui Bulhões também foi alvo da operação Unha a Carne 2. Chefe de gabinete do ex-presidente da Alerj, ele foi exonerado do cargo ontem. Alvo de busca e apreensão da PF, teve em sua residência três celulares apreendidos.
Aflição entre 2025 e 2026
É princípio de qualquer Estado Democrático de Direito: “Todos são inocentes até que se prove em contrário”. Mas quem estiver em conversas pouco republicanas em todos esses celulares apreendidos pode passar as festas de final de ano com a aflição de, no lugar do Papai Noel, ter agentes da PF batendo à porta da sua casa. Sem que nada, até aqui, indique um 2026 melhor.
Celular apreendido do presidente afastado da Alerj Rodrigo Bacellar, preso no dia 3 pelo STF e solto no dia 9, levou a PF à prisão ontem (16) do desembargador do TRF 2 Macário Ramos Júdice Neto (Montagem: Joseli Matias)
Desembargador federal preso
Ontem (16), na operação Unha e Carne 2, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2) Macário Ramos Júdice Neto foi preso (confira aqui) pela Polícia Federal (PF). Porque teria vazado ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União) informações sobre a prisão do ex-deputado TH Joias. Este, preso em 3 de setembro por associação com o Comando Vermelho.
O fio da meada
Por ter repassado informações sigilosas a TH Joias e o orientado na eliminação de provas, Bacellar foi preso e afastado da presidência da Alerj (confira aqui) em 3 de dezembro, na operação Unha e Carne 1. Com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes à frente do caso, ontem a Unha e Carne 2 prendeu o desembargador que teria sido a fonte da informação.
Ligação revelada desde o dia 6
No último dia 6, o blog Opiniões revelou (confira aqui) a relação do desembargador do TRF 2 Macário Júdice Neto com o caso que gerou a prisão de Bacellar: “Moraes sinalizou que a investigação terá desdobramentos. Ele pediu o compartilhamento de informações da Operação Oricalco. Que, pelo menos publicamente, ainda não aconteceu. O processo está no TRF 2 e corre sob sigilo”.
O que pode vir pela frente? (I)
“‘Ao desembargador relator Júdice Neto (solicito) o compartilhamento de todos os elementos de convicção angariados em todos os procedimentos e processos relacionados à operação Oricalco’, pediu Moraes. Além de Bacellar, outros cinco deputados da Alerj seriam alvo da PF”, adiantou o blog no dia 6. Agora, com Macário preso e Moraes na cola, a coisa tende a andar.
Celular de Bacellar fez 1ª vítima
Pois ontem (16), exatos 10 dias depois, Moraes determinou a prisão de Macário. O desembargador federal parece ter sido a primeira vítima do celular de Bacellar, apreendido pela Polícia Federal (PF) na sua prisão. Como o blog Opiniões também advertiu no dia 6:
O que pode vir pela frente? (II)
“Preso após ser convidado pelo superintendente da PF no RJ, delegado Fábio Galvão, para uma reunião no dia 3, Bacellar teve também apreendidos R$ 91 mil em espécie que levava em seu carro blindado. Como o seu celular pessoal. Cujo conteúdo é temido por muitos na cúpula política fluminense. E tem o poder de ser o definidor eleitoral (e policial) do RJ”. Dito e feito.
Torcedores, respectivamente, do Fluminense, do Vasco, do Botafogo e do Flamengo, a advogada Andresa Hauaji, o engenheiro de produção João Marcelo Coutinho, a professora de História Roberta Barcellos e a jornalista Silvana Venâncio formam o time de convidados do Folha no Ar desta quarta (17), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Eles tentarão projetar as finais da Copa do Brasil entre Vasco e Corinthians, cujo jogo 1 começa a partir das 21h30 da própria quarta, na casa do time paulista. Com o jogo 2 no Maracanã, às 18h30 de domingo (21), para fechar o calendário do futebol brasileiro em 2025.
Silvana, Roberta, João e Andresa também tentarão projetar a final da Copa Intercontinental de Clubes da Fifa entre Flamengo e Paris Saint-Germain (PSG). Na qual os campeões da Libertadores da América e da Champions da Europa decidirão o Mundial em jogo único, a partir das 14h (de Brasília) também desta quarta, no estádio Ahmad Bin Ali, na cidade de Al Rayyan, no Qatar.
Por fim, os quatro analisarão as chances do Brasil do treinador italiano Carlo Ancelotti na Copa do Mundo de seleções, entre junho e julho de 2026. Que integra o Grupo C contra Marrocos, revelação da Copa de 2022, Haiti e Escócia. Assim com as chances de outras seleções consideradas favoritas ao título, como a França de Mbappé, a Espanha de Yamal, a Argentina de Messi e o Portugal de Cristiano Ronaldo.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Jornalista e articulista do Correio Braziliense, Luiz Carlos Azedo é o convidado do Folha no Ar desta terça (16), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele analisará a definição da eleição presidencial do Chile ontem (14), vencida (confira aqui e aqui) pelo conservador José Antonio Kast e suas possíveis consequências (confira aqui) à América do Sul.
De Brasília, Azedo também tentará projetar as eleições a presidente no Brasil (confira aquie aqui) de governador e senador (confira aqui) do RJ em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 9 meses.
Por fim, o jornalista avaliará o cenário político fluminense após a prisão (confira aqui, aqui, aqui e aqui), soltura (confira aqui e aqui) e afastamento do campista Rodrigo Bacellar (União) da presidência da Alerj (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), assim como (confira aqui e aqui) questões éticas sobre a Corte.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Jornal O Malho, de 11 de maio de 1907, sobre a atuação de Ruy Barbosa representado o Brasil na Conferência de Paz de Haia (Reprodução)
Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista e blogueiro do Folha1
No Brasil de hoje, o Supremo não pode errar — nem por último
Por Edmundo Siqueira
O Brasil teve grandes oradores. Entre os maiores, está Ruy Barbosa (com “y”, como ele foi registrado e assinava), que recebeu a alcunha de “Águia de Haia” do Barão do Rio Branco pela sua atuação marcante como delegado na II Conferência da Paz, em Haia (Holanda, 1907), onde defendeu o princípio da igualdade dos Estados.
Enquanto senador da República (1890-1921), Ruy, em resposta ao seu colega gaúcho Pinheiro Machado, disse algo que ficaria marcado na história brasileira:
“Em todas as organizações, políticas ou judiciais, há sempre uma autoridade extrema para errar em último lugar. O Supremo Tribunal Federal, não sendo infalível, pode errar. Mas a alguém deve ficar o direito de errar por último, a alguém deve ficar o direito de decidir por último, de dizer alguma coisa que deva ser considerada como erro ou como verdade”.
De Ruy a Gilmar
No último dia 4 de dezembro, em resposta a duas ADPFs (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) movidas pelo partido Solidariedade e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o ministro Gilmar Mendes suspendeu diversos trechos da Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950) relativos ao afastamento de ministros da corte, restringindo à Procuradoria-Geral da República (PGR) a prerrogativa de entrar com um pedido de impeachment contra os magistrados.
Não cabendo a Gilmar a prerrogativa de errar por último, a decisão liminar seria analisada pelo pleno do STF em sessão virtual agendada para começar nesta sexta-feira (12), porém na quarta-feira (10), o ministro decano do Supremo decidiu suspender parcialmente a liminar atendendo pedido feito pelo Senado Federal.
Gilmar também retirou de pauta o julgamento que seria analisado em Plenário virtual, retirando na nova decisão apenas dois pontos da decisão original, que atribuíram exclusivamente à Procuradoria-Geral da República a competência para apresentar denúncia por crime de responsabilidade contra ministros do STF, mantendo os demais vigentes em caráter liminar.
De Ruy a Toffoli
Outro ministro do Supremo, Dias Toffoli, viajou à capital do Peru, para assistir, no Estádio Monumental “U”, o jogo final da Libertadores, disputada entre Flamengo e Palmeiras. Toffoli viu seu time, o alviverde, perder para o rubro-negro por 1 a 0. A viagem do ministro foi feita em um jatinho particular de propriedade do empresário Luiz Osvaldo Pastore.
Na companhia do ministro estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que é defensor de Luiz Antônio Bull, um dos alvos da investigação sobre o Banco Master que se encontra no Supremo. Após a carona, revelada pelo jornal O Globo, Toffoli deu decisões sensíveis relacionadas ao caso, em uma delas, decretou sigilo total no processo.
O Barão de Montesquieu, disse em sua obra clássica, “Do Espírito das Leis” (1748), que o poder é uma tentação perigosa. Montesquieu acreditava que para conter abusos seria preciso que “o poder freie o poder”.
Toda essa complexa dança — jurídica, social e política — só consegue manter o espetáculo democrático funcionando quando se respeita um sistema igualmente complexo de freios e contrapesos. Onde cada dançarino (poder) tem movimentos próprios e independentes, mas se move de forma coordenada para evitar colisões (abuso de poder), garantindo que a música da lei ressoe em um ritmo harmonioso para toda a sociedade.
No Brasil de hoje, o Supremo não pode errar; sequer por último
A Constituição de 1988 outorgou ao STF competências amplas, inclusive a de controlar, interpretar e, quando necessário, invalidar leis aprovadas pelo Parlamento. Entretanto, ao fazer isso, pressupôs que a Corte exerceria tal poder com parcimônia — e não como quem se vê autorizado a corrigir a realidade conforme o gosto do momento.
O que é mais sensível, é que no Brasil de hoje não se pode permitir que o Supremo erre, e muito menos que erre por último intencionalmente e em autopreservação flagrante — porque, quando o guardião da Constituição abandona a autocontenção, não há a quem recorrer. O povo, que é a fonte primária do poder, vê-se reduzido ao papel de plateia silenciosa de uma coreografia institucional que já não lhe pertence.
Em tempos de polarização, personalismos e crises institucionais recorrentes, inclusive com ameaças de golpes de Estado e de abolição do Estado Democrático de Direito, a autocontenção judicial deixa de ser virtude acadêmica e passa a ser cláusula de sobrevivência democrática.
Devemos, enquanto nação, à atuação firme do Supremo boa parte da resistência democrática dos últimos anos no Brasil. Não se faz alheio a isso quem é responsável. Todavia, se continuar errando por último em nome desta defesa, e agindo na escancarada autopreservação e relações, no mínimo, suspeitas, invalidará o remédio.
Ministros do STF Alexandre de Moares e Dias Toffoli, ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente afastado da Alerj Rodrigo Bacellar (Montagem: Joseli Matias)
Moraes como novo Moro?
A quem não gosta de Bacellar e, sobretudo, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Alexandre de Moraes pode ser um paladino da justiça. Uma versão à esquerda, e muito mais empoderada no STF, do que o hoje senador Sergio Moro (União) foi como juiz de 1ª instância, na 13ª Vara Federal de Curitiba, contra Lula e o PT na operação Lava Jato.
Como caiu a máscara de Moro
Antes mesmo da Vaza Jato em junho de 2019, a máscara de Moro começou a cair com a delação do ex-ministro de Lula Antonio Palocci. Que o então juiz federal divulgou (confira aqui) em 2 de outubro de 2018, a cinco dias do 1º turno presidencial daquele ano, para prejudicar o petista Fernando Haddad, ajudar a eleger Bolsonaro e depois ser seu ministro da Justiça.
A parcialidade de Moraes
A despeito das fartas evidências ligando Bolsonaro à tentativa de golpe de Estado, como havia da corrupção bilionária do Petrolão, uma vítima de um plano de sequestro e homicídio, como foi Moraes (confira aqui) na operação Punhal Verde e Amarelo, jamais poderia (confira aqui) ter julgado o seu algoz. Isso fere de morte o princípio da impessoalidade da Justiça.
Caiu a máscara de Moraes?
Mas a máscara caiu de vez com a revelação de que o escritório de advocacia da esposa de Moraes foi (confira aqui) contratado por três anos no valor de R$ 129 milhões (R$ 3,6 milhões por mês) pelo Banco Master. Que foi liquidado por fraude de R$ 12 bilhões e teve seu presidente, Daniel Vorcaro, preso em 17 de novembro, quando tentava fugir do Brasil.
Vorcaro livre em monocrática
O contrato com o escritório de advocacia da família de Moraes foi achado pela PF na operação Compliance Zero, no celular apreendido de Vorcaro. Que foi solto no dia 18, em decisão monocrática da (confira aqui) desembargadora Solange Salgado Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1).
Tofffoli na ponte Lima/Master
Em 3 de dezembro, o ministro do STF Dias Tofolli transferiu o inquérito do Banco Master à Corte, sob sigilo e sua relatoria. Dois dias antes, Toffoli havia viajado (confira aqui) a Lima, no Peru, para ver a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, num voo particular e na companhia do advogado de um dos diretores do Master presos no caso.
A sorte, Moraes e Toffoli
A despeito de quaisquer ilícitos que possam ter cometido, um leigo desavisado poderia especular sobre a sorte jurídica de Bolsonaro e Bacellar. Seria diferente se tivessem contratado o escritório da esposa de Moraes por R$ 3,6 milhões/mês? Ou um advogado que dividisse os mesmos assentos grátis num jatinho particular a Lima com Toffoli?
Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro e presidente do TJ-RJ, desembargador Ricardo Couto (Montagem: Joseli Matias)
Quem é governador se Castro sair?
Após a prisão (confira aqui, aqui e aqui) e soltura (confira aqui) de Rodrigo Bacellar (União), mas com seu afastamento da presidência da Alerj mantido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com quem ficará o Legislativo fluminense? E será governador do RJ caso Cláudio Castro (PL) renuncie até 4 de abril, para concorrer a senador?
Hoje, seria o presidente do TJ
Vice de Bacellar, Guilherme Delaroli (PL) assumiu a presidência da Alerj, mas não foi eleito ao cargo. Com a renúncia do vice-governador Thiago Pampolha (MDB), para ser conselheiro da Tribunal de Contas do Estado (TCE), hoje quem assumiria na vacância de Castro seria o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargador Ricardo Couto.
Prisão de Bacellar e motivo
Para saber o que será, necessário relembrar o que já foi: no dia 3, Bacellar foi preso preventivamente e afastado da presidência da Alerj por Moraes, na operação Unha e Carne. Ele teria vazado informações da operação Zargun ao então deputado estadual TH Joias (MDB), preso em 3 de setembro, por ligação (confira aqui) com a facção Comando Vermelho.
Soltura de Bacellar sob cautelares
No dia 8, uma Alerj dividida entre o medo de Moraes e de Bacellar votou por 42 a 21 pela soltura do segundo. Que, no dia 9, foi liberado com várias medidas cautelares impostas pelo STF. Além do afastamento da presidência, entrega do passaporte e uso de tornozeleira eletrônica. No dia 10, Bacellar pediu licença do cargo de deputado.
Nomes a presidente da Alerj
A licença poderia ser de até 120 dias. Bacellar pediu de apenas 10, pois emendará com o recesso parlamentar até o carnaval, em fevereiro. Hoje, há quatro nomes numa nova eleição a presidente da Alerj: Delaroli, Chico Machado (SDD), Rodrigo Amorim (União) e Douglas Ruas (PL), licenciado para ser secretário das Cidades de Castro.
Pré-candidatos numa nova eleição a presidente da Alerj: deputados Guilerme Delaroli, Chico Machado, Rodrigo Amorim e Douglas Ruas (Montagem: Joseli Matias)
O imponderável
Entre os quatro, o nome mais ligado a Bacellar é Amorim. Mas como se escolheria não só um novo presidente eleito da Alerj, como o provável governador até o final de 2026, a opinião de Castro pode prevalecer. Mas há o imponderável pesado no ar: quais serão os novos desdobramentos não só da Unha e Carne, como também da operação Oricalco?
E a Oricalco? (I)
A coluna revelou no dia 6 (confira aqui): “Na decisão sobre a prisão de Bacellar, Moraes sinalizou que a investigação terá desdobramentos. Ele pediu o compartilhamento de informações da Operação Oricalco. Que, pelo menos publicamente, ainda não aconteceu. O processo está no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF 2) e corre sob sigilo.”
E a Oricalco? (II)
“Ao desembargador relator Júdice Neto, da 1ª Seção Especializada do TRF 2, (solicito) o compartilhamento de todos os elementos de convicção angariados em todos os procedimentos e processos relacionados à operação Oricalco”, despachou Moraes. Nos bastidores corre que, além de Bacellar, outros cinco deputados seriam alvo da PF.
Frederico Paes, vice-prefeito de Campos, engenheiro agrônomo, presidente da Coagro e industrial do acúçar e do álcool (Foto: Folha da Manhã)
Vice-prefeito de Campos e presidente da Coagro, Frederico Paes (MDB) recebeu alta na manhã de hoje (12) do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele estava internado lá (confira aqui e aqui) desde o dia 5, por conta de uma prostatite (inflamação na próstata) que chegou a gerar uma infecção bacteriana generalizada. Debelada na causa, ele agora seguirá os próximos dias em repouso e continuidade do tratamento.
Inicialmente, Frederico se internou no hospital Plantadores de Cana (HPC), no dia 25, apresentando quadro de febre e dor no corpo. No dia 28, ele se transferiu ao hospital Dr. Beda, onde teve o quadro de septicemia controlado. Mesmo assim, foi transferido no dia 5 ao Sírio-Libanês num jato particular do Grupo MPE, com o qual administra em parceria a usina da Coagro.
Na segunda (8), ele passou no Sírio-Libanês por uma punção e drenagem de um abscesso na próstata, causa do problema. E já na terça (9), quando falou por mensagem de WhatsApp com o blog, completamente lúcido e ciente do seu quadro de saúde, passou a não mais apresentar febre. Hoje, três dias depois, ele recebeu alta do hospital referência de São Paulo.
Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema
Por Felipe Fernandes
A literatura sempre foi uma matéria-prima primordial para o cinema. Duas artes que muitas vezes “dividem” espaço, outras se complementam. E, algumas vezes essas mais raras, se misturam de forma tão orgânica que as fronteiras entre elas somem e tudo parece se tornar uma coisa só.
Curiosamente, é um filme lançado para o streaming que consegue essa proeza, em um longa de ritmo particular, muito diferente do que geralmente chega à Netflix, mas, sobretudo, um estilo de filme muito difícil de ser realizado nos dias de hoje. Uma obra acolhedora, poética, que abraça sua origem literária, mas transpira cinema em cada imagem.
Baseado no livro de mesmo nome de Valter Hugo Mãe, “O filho de mil homens” é uma daquelas adaptações ditas impossíveis. A obra do escritor português tem um estilo singular, com uma linguagem poética, meio experimental, que trabalha muito o fluxo de consciência em histórias com um olhar profundamente humano.
Com roteiro e direção de Daniel Rezende, o filme é uma adaptação que consegue transpor as principais características da obra original sem perder sua essência, provando-se extremamente cinematográfico. É um longa que transforma poesia em imagens, palavras em sentimentos, literatura em cinema.
Dividido em capítulos, o longa constrói um quebra-cabeça em uma narrativa não linear, que, aos poucos, mistura histórias e intercala personagens na construção de uma família afetiva. O filme tem uma linguagem suave, quase mítica, com tom de fábula, ainda que mantenha um olhar muito humano para dramas dolorosamente reais.
Com uma belíssima fotografia do paulistano Azul Serra, que reforça o aspecto intimista ao narrar a história daqueles personagens, a obra traz uma fotografia evocativa. Que se utiliza de luz natural e ao mesmo tempo explora cores e texturas dos ambientes, construindo esse universo que parece no limiar entre o fantástico e o real. Essa beleza estética também destaca o design de produção de Taissa Malouf, que constrói um universo muito particular, extremamente importante nessa construção da poesia em imagens.
O filme tem um ritmo mais lento, com planos mais longos, muitas vezes contemplativos, que parecem saídos de um quadro. Era de se esperar um ritmo condizente com a obra, já que o diretor Daniel Rezende é oriundo da montagem, mas aqui ele prova uma evolução enorme como diretor.
Dono de uma filmografia com outros bons filmes, em “O filho de mil homens” o diretor consegue adaptar uma obra que se mostra uma tarefa das mais complexas, sem perder a essência do material original. E, principalmente, construindo uma obra extremamente visual, que traduz poesia em imagens e se prova um exercício de adaptação fascinante, de um diretor muito seguro de sua criação, que compreende todas as etapas do processo.
O filme trabalha metáforas e simbolismos para falar de família, amor, abandono, afetos, traumas e dores, com um olhar terno para seus personagens que sofreram demais com a vida, mas parecem não perder a ternura e a esperança. É um filme sobre a construção de famílias através do afeto, de um amor que transforma, aceita e acolhe.
Todo esse poder narrativo é reforçado por atuações delicadas e viscerais, com momentos singelos, bonitos e dolorosos. A atuação de Rodrigo Santoro é brilhante, um dos grandes trabalhos da carreira de um ator já marcado por papéis memoráveis. Merecem destaque também Rebeca Jamir e Johnny Massaro.
Há uma cena do trio principal gritando diante da imensidão do mar, botando para fora suas dores, em um momento extremamente simbólico e poderoso, que me emocionou profundamente. Uma das cenas mais bonitas produzidas pelo cinema em 2025.
“O filho de mil homens” é uma vitória do cinema. Um filme de características cada vez mais raras no cinema moderno. Que, tal qual um livro, se permite momentos de contemplação, de inspiração. E, por que não dizer, de transpiração. Um filme tocante, uma poesia em forma de filme, que prova que a família, essa instituição que tentam engessar cada vez mais em moldes pré-estabelecidos, pode ir muito além do que a sociedade costuma estabelecer.
A pluralidade da experiência humana, um filho que traz ancestralidade afetiva, de uma pessoa formada pelas dores e histórias de muitas outras.
O amor que salva, acolhe, ressignifica, cura e liberta.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
Confira o trailer do filme, disponível na Netflix:
Vice-prefeito de Campos, Frederico Paes (Foto: Folha da Manhã)
Frederico: “Daqui a 15 dias, estou novo!”
“Fiz o procedimento ontem (anteontem). Hoje, estou sem febre. Se Deus quiser, daqui a uns 15 dias, estou novo!” Foi o que disse ontem (9), por mensagem de WhatsApp, o vice-prefeito de Campos, Frederico Paes (MDB). Ele está internado (confira aqui) desde o dia 5 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde fez na segunda punção e drenagem de um abscesso na próstata.
Do HPC ao Beda
No dia 25, com quadro de febre e dor no corpo, Frederico se internou no Hospital Plantadores de Cana (HPC), do qual já foi diretor. A prostatite (inflamação na próstata) derivou a uma infeção urinária e depois a uma infecção bacteriana generalizada. No dia 28, ele se transferiu ao Hospital Dr. Beda, onde o quadro de septicemia foi controlado.
Transferência ao Sírio-Libanês
Com o quadro estabilizado, o grupo MPE, junto ao qual Frederico administra a usina Coagro, fretou um jato particular. No qual transferiu o sócio ao Sírio-Libanês. Com a causa da infecção identificada no abscesso da próstata e debelada no procedimento de segunda, a perspetiva é promissora. Sem febre, sinal de infecção, a perspectiva é de recuperação.
Melhor e pior das redes sociais
Na página do Instagram do Folha1 onde a internação e recuperação de Frederico foram noticiadas (confira aqui), as dezenas de comentários se dividiram. A maioria foi de manifestações de solidariedade e desejo pela recuperação do vice-prefeito. Mas outros também questionaram por que ele não se internou em um dos hospitais públicos do município.
O mesmo com Lula e Bolsonaro
Na bipolaridade política do Brasil, esses questionamentos não são novidade. Se deram quando Lula (PT) buscou o mesmo Sírio-Libanês para tratar um câncer de laringe entre 2011 e 2012. E voltaram a acontecer quando Jair Bolsonaro (PL) se transferiu da Santa Casa de Juiz de Fora ao também paulista Albert Einstein, para se tratar da facada que recebeu na campanha de 2018.
MPE trata Frederico como Renato
O Grupo MPE agiu com seu parceiro na usina Coagro com o mesmo zelo que teve com o seu fundador, o saudoso empresário e engenheiro Renato Abreu. Que faleceu, aos 77 anos, em 30 de novembro de 2023. Ele (confira aqui) estava internado no Sírio-Libanês. Onde Frederico, aos 56, 21 anos a menos, felizmente se recupera assistido pelos mesmos recursos de ponta na saúde no país.
O lançamento de Flávio a presidente por Jair (confira aqui) no dia 5, além de bagunçar o quadro revelado no RJ pela pesquisa Big Data (confira aqui) concluída no dia 2, também mexeu no cenário nacional projetado pela Datafolha concluída no dia 4. Mesmo que, no dia 7, o filho 01 tenha declarado (confira aqui): “Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim e eu tenho um preço para isso, que eu vou negociar”.
Lula acima da margem de erro
No “preço” da intenção de voto, Lula liderou com os mesmos 41% todos os cinco cenários da consulta estimulada Datafolha ao 1º turno. Como também liderou todas as seis simulações ao 2º turno, variando de 47% a 52% de intenção. Em todos esses 11 cenários, o presidente liderou acima da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da pesquisa Datafolha.
(Infográfico: Joseli Matias)
Sova em Flávio, apertado com Tarcísio
Entre os pré-candidatos da direita, Flávio seria sovado no 2º turno para Lula por 51% a 36% (15 pontos de diferença) na Datafolha de dezembro. Nela, o nome mais competitivo da oposição em um eventual 2º turno contra Lula seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP): 47% do petista a 42% (5 pontos de diferença, apenas 1 ponto acima do empate técnico).
Prisão de Bolsonaro justa a 54%
Se o “preço” de Flávio for a anistia ao seu pai, preso desde o dia 22 na Superintendência de Polícia Federal (PF) de Brasília e cumprindo a pena de 27 anos e três meses pela condenação no STF por tentativa de golpe de Estado, a Datafolha revelou que a prisão foi justa para a maioria de 54% dos brasileiros. Embora tenha sido injusta para uma relevante minoria de 40%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Regime da prisão divide brasileiro
O regime de prisão de Bolsonaro divide bem mais a opinião do eleitor. Pela Datafolha de dezembro, ele deveria estar em prisão domiciliar para 34%, em um presídio comum para 26%, em uma unidade militar para 20% e em uma unidade da PF, onde de fato está, para 13%. Outros 7% dos brasileiros disseram não saber.
Duas pesquisas eleitorais recentes, a governador do RJ e a presidente do Brasil, foram atropeladas pelos fatos. A Real Time Big Data, feita de 1 a 2 de dezembro, confirmou a liderança folgada do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador. Já a Datafolha foi feita de 2 a 4 de dezembro. E, sem a mesma vantagem de Paes no RJ, deu Lula líder à reeleição.
Novidade do Capitão Pimentel
Nos cinco cenários estimulados da Big Data, com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos, Paes variou entre 55% a 44% de intenção de voto a governador. Os dois únicos cenários em que ele não liquidaria a fatura no 1º turno têm o mesmo fator comum: o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel (sem partido) foi colocado em ambos como pré-candidato.
Atrás de Paes, Pimentel e Garotinho
No cenário 4 da Big Data, atrás de Paes, com 45% de intenção, Pimentel teve 15%. No cenário 5, atrás de Paes, com 44%, Pimentel teve 14%. Entre todos os nomes testados, apenas o ex-governador Anthony Garotinho (REP) também teve 15%, atrás dos 51% de Paes, no cenário 3. O que mostra o potencial eleitoral do ex-capitão do Bope.
(Infográfico: Joseli Matias)
Bacellar a governador antes da prisão
O maior problema da Big Data é que, então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) teve de 14% a 8% de intenção nos cinco cenários a governador, variando na 2ª à 4ª posição. Mas, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o político de Campos seria preso preventivamente (confira aqui, aqui e aqui) no dia 3, seguinte à conclusão da pesquisa.
Sarrafo curto após prisão
Mesmo liberado ontem (9) por Moraes (confira aqui), com várias medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica e afastamento da presidência da Alerj, Bacellar sai muito enfraquecido. Deve ainda ter força no bastidor, mas candidatura a governador ou vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) parecem ter ficado distantes.
E ao Senado?
A Big Data também fez pesquisa às duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senado. Mas, líderes em todos os cenários em que participam, o governador Cláudio Castro (PL) pode ainda ser afetado pelo desenrolar do caso do ex-aliado Bacellar, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi lançado no dia 5 (confira aqui) pré-candidato a presidente por seu pai, o ex Jair Bolsonaro (PL).