Após transformar o G-8 da Cãmara Municipal de Campos em G-7, Ivan Machado se filiou na terça ao PDT de Caio (Foto: Divulgação)
Enquanto quem tem mandato eletivo está focado nas ações de combate à Covid-19. quem não tem, mas pretende conquistá-lo nas urnas de outubro pode se dedicar integralmente à política. Neste sentido, Caio Vianna (PDT), pré-candidato a prefeito de Campos, tem aproveitado para fazer seu dever de casa. No dia 24, ele filiou ao PDT o vereador Ivan Machado (ex-PTB), pré-candidato à reeleição. E hoje formalizou a entrada em seu partido da ex-candidata a prefeita Odete Rocha (ex-PCdoB), outra pré-candidata a vereadora.
Em entrevista à Folha publicada (aqui) no último domingo (22), Caio disse: “Muito mais importante ou tão importante quanto a eleição do próximo prefeito, será a eleição da Câmara de Vereadores”. Sem a força do mandato de outros pré-candidatos a prefeito, como o atual, Rafael Diniz (Cidadania), o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), ou o deputado estadual Gil Vianna (PSL), o pedetista trabalha no reforço da nominata do seu partido para disputar eleição municipal brasileira sem coligações proporcionais.
Odete Rocha deixou o PCdoB, que fechou com a pré-candidatura a prefeito de Roberto Henriques (PPL), e se filiou hoje ao PDT (Foto: Divulgação)
Máscara de proteção produzida nas impressoras 3D do IFF para o combate à Covid-19 (Foto: Divulgação)
O Instituto Federal Fluminense (IFF) passará a produzir um dos equipamentos que os profissionais da saúde mais precisam neste período de pandemia da Covid-19: as máscaras de proteção. O primeiro lote de máscaras será doado à Prefeitura Municipal de Campos, para utilização no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) no prédio novo da Beneficência Portuguesa. “No momento, podemos produzir até 64 máscaras por dia, e o nosso objetivo é ajudar as unidades hospitalares, pois sabemos da falta de EPIs na área da saúde por causa da pandemia da Covid-19”, disse o diretor de Internacionalização e Inovação do IFF, Henrique da Hora,
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), fundamentais para que os médicos, enfermeiros e demais profissionais da área de saúde possam se prevenir contra os riscos de contágio no tratamento de pacientes com a Covid-19, serão produzidos pelo IFF por meio de impressoras 3D. O parque de impressão foi montado no campus Campos Centro do Instituto, que tem oito impressoras funcionando, podendo chegar a 11.
As máscaras serão fabricadas por servidores da instituição, com o apoio do Polo de Inovação do IFF na organização, operacionalização e manutenção das impressoras, e da empresa Sprint 3D, uma startup fundada pelos ex-alunos do Curso de Engenharia de Controle e Automação do Campus Campos Centro, Vinícius Parente e Thiago Pessanha, que surgiu no Polo de Inovação e é incubada na TEC Campos.
A campista Claudya Ribeiro, de 51 anos, é psicóloga, pedagoga e há 27 anos mora e trabalha na Alemanha. País que, ao lado da Coréia do Sul, foi o que melhor lidou até agora com a contenção da pandemia da Covid-19, a partir de testes em massa da população e isolamento dos contaminados. Pela complexidade, tamanho territorial e da população do Brasil, ela não vê, no entanto, como comparar a situação do seu país natal com a da Alemanha.
Ainda assim, em contato telefônico por WhatsApp e já ciente da intenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de flexibilizar o isolamento da população brasileira, contrário às orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Claudya disse: “Acho muito precoce tomar uma decisão dessas. A realidade econômica é importante, mas não mais que a realidade social da saúde pública”. A campista trabalha para o ministério da Educação e Cultura na cidade de Stuttgart, capital do estado Baden Württemberg, no sudoeste da Alemanha.
Por coincidência, Claudya escreveu um artigo no dia 19 em que analisou as estatísticas das mortes em países europeus como Alemanha e Itália, até agora o mais afetado pela Covid-19, antes e depois da pandemia, para responder à pergunta proposta por um velho dito popular brasileiro: “prevenir é melhor que remediar?”. E concluiu: “Analisando estes dados posso concluir que até agora nenhuma destas medidas drásticas de isolamento podem ser consideradas exageradas ou tampouco histéricas. Irresponsável seria não responder adequadamente a esta situação”.
Confira abaixo:
Trabalhadores carregam corpos de vítimas da Covid-19 na cidade de Bérgamo, na Itália (Foto: Fotogramma / EFE-EPA)
Claudyia Ribeiro, campista, piscóloga e pedagoga do ministério da Educação e Cultura da Alemanha
Covid 19 – um alarme exagerado???
Por Claudya Ribeiro
Há alguns dias temos vivenciado aqui na Alemanha um movimento “conspirativo“ e crítico em relação aos conhecimentos e medidas de cautela mediante a pandemia do coronavírus.
Estas teses críticas são defendidas por cientistas e médicos alemães, principalmente representados pelo Dr. Wolfgang Wodarg e pelo Dr. Sucharit Bhakdi. Suas entrevistas estão disponíveis via Youtube e são realmente muito acessadas.
Eu acredito que a variedade de pontos de vista e perspectivas fazem parte da qualidade de uma informação. Por isso resolvi me dedicar a estas teses.
Os dois cientistas nos alertam contra uma histeria virulenta. Também contra pânico desnecessário. Nos alertam sobre o perigo de perdermos nossa liberdade democrática.
Tanto o Dr. Wodarg quanto o Dr. Bhakdi defendem a tese que a Covid-19 é somente uma variação gripal de outros tipos de gripe causados pelo coronavírus. Não mais nem menos mórbido que outro vírus até agora.
Também o aumento da mortalidade na Itália eles referem a outras (co)morbidades e doenças anteriores. Porém desvinculam categoricamente uma relação com o coronavírus.
Mas quão perigoso é o coronavírus realmente? A OMS nos dá uma estimativa de 3,4% de mortalidade através do coronavírus. Na Alemanha temos atualmente uma estimativa otimista de 0,4%. Porém a crise na Itália nos revela o triste saldo de 7,7%.
Quem tem razão? E principalmente: o que esta divergência de informações, teses e especulações causam em nossa sociedade?
Para entender melhor esta controvérsia vejamos primeiro dados de uma outra pandemia declarada pela OMS: a gripe suína de 2009/10. Esta epidemia não se desenvolveu conforme a prognose. Pelo contrário, estes anos relataram uma das mais baixas taxas de mortalidade por causa da gripe suína. Então o alarde todo foi à toa?
Ou vale aqui o velho dito popular: prevenir é melhor que remediar?
Em comparação morrem todos os dias somente na Alemanha, por volta de 2.500 pessoas. Repito, todos os dias. E no inverno mais rigoroso temos uma onda de gripe mais forte que nos causam 40 mil vítimas a mais.
E atualmente com o coronavírus? Até agora (19/03/20) temos na Europa 4.000 mortes registradas causadas pelo vírus. Estatisticamente falando são grãos de areia.
Com base nestes dados, de até agora termos tão baixa mortalidade, é que a tese de histeria e pânico se fundamentam. Puro exagero, propagam os autores. Isso sem comentar a conspiração de quebra sistemática da economia mundial…
Façamos um exercício estatístico:
Estamos na Itália com uma população estimada em 60 milhões de habitantes. Taxa de mortalidade diária: 2.000 pessoas (com uma variação estatística normal de acordo com a estação do ano).
No dia 18.03.2020 foram registrados 475 mortos a mais – além dos 2000/dia.
Um aumento relevante de cerca de 20%!
Um dado estatístico que não pode passar despercebido para uma relação exponencial.
Vejamos um exemplo ainda mais concreto: a cidade italiana de Bergamo com 120 mil habitantes. Geralmente esta cidade conta com uma mortalidade de 10 pessoas por dia. E agora, constantemente desde o mês de fevereiro/2020, passou a contar com uma média de 20 mortes por dia.
Através deste pequeno exemplo matemático podemos dizer no dia de hoje, 19.03.2020 que a tese do exagero e pânico divulgada pelos autores não pode ser confirmada.
Na teoria das ciências aprendemos que hipóteses empíricas devem ser testadas, avaliadas e possuem a característica de falharem na experiência fenomenológica. Pois exatamente esta tese do exagero considero como falha, mediante o exemplo de Bergamo.
Uma outra tese que foi colocada em questionamento, é a da legitimação das medidas de higiene sanitária tomadas por diferentes governos até agora (principalmente o isolamento social, fechamento de escolas, comércio…). Precisa de tudo isso?
Em que ponto as estatísticas sobre a taxa de mortalidade nos ajudam a responder a esta pergunta?
Consideremos que na Alemanha morrem normalmente 2500 pessoas por dia. Assim, “normalmente“.
Agora consideremos este cenário: acontece um ataque a tiros numa escola e morrem 10 pessoas a mais. Pode-se argumentar que estas 10 pessoas não fazem diferença? Só porque elas não aparecem na estatística?
É claro que nao!!!
Da mesma forma que não é aceitável o impedimento de medidas de precaução para salvarmos nosso sistema de saúde!
Estas 10 mortes a mais fazem tanta diferença quanto as 475 a mais na Itália.
E isso é argumento suficiente sim, para tomarmos todas as medidas até agora propagadas pelos profissionais de saúde pública.
Pelo contrário, não tomando estas medidas corremos o risco de chegarmos a uma fase de triagem de pacientes. Quer dizer, de seleção entre aqueles que deverão receber atendimento intensivo e aqueles outros que serão destinados a morrer sem aparelho respiratório.
Outros dados numéricos exemplares:
Prognose: por volta de 5% de todos os pacientes covid-19 positivo devem necessitar de tratamento intensivo
Na Alemanha temos 28 mil leitos intensivos com os aparelhos respiratórios. Destes leitos 80% estão Com a transferência de cirurgias, agendamento posterior de tratamentos… restam no total a metade , ou seja 14 mil leitos intensivos.
Sabemos que a média de internação e tratamento destes pacientes intensivos dura até uma semana
No exemplo aqui na Alemanha isso significa que nosso sistema de saúde atual (considerado um dos melhores do mundo) comporta por dia até 2 mil novos pacientes covid-19
Agora vejamos a evolução exponencial dos casos segundo os dados das autoridades de saúde:
03.20 3000 novos casos de contagio
03.20 2000
03.20 1200
03.20 900
Isso nos dá uma relação de ¼ a 1/3 de aumento de contágios de um dia pro outro. Projetando estes dados com um aumento proporcional de 1/3 a mais por dia chegamos em 8 dias ao número de 39 mil novos contágios!!! Isso se não tomarmos nenhuma medida de isolamento!
Neste ponto, quer dizer em 8 dias teríamos atingido nossa capacidade de atendimento intensivo (5% de 39 mil = cerca de 2000).
Estudos mostram que, mesmo com estas medidas de higiene sanitária e isolamento, a necessidade de leitos intensivos – mundialmente falando – será 8 vezes maior que sem o vírus.
Analisando estes dados posso concluir que até agora nenhuma destas medidas drásticas de isolamento podem ser consideradas exageradas ou tampouco histéricas. Irresponsável seria não responder adequadamente a esta situação.
Trata-se de saúde humana.
E essa não tem preço.
Links e Fontes:
– Einwohnerzahl Italiens: Nationales Institut für Statistik, Italien: https://www.istat.it/en/ – Todesfälle im Mittel pro Tag in Italien: Plausibilitäts-Abschätzung ist die Bevölkerungszahl geteilt durch die Lebenserwartung geteilt durch Tage im Jahr (verfälscht durch Alterskurve und Dynamik in der Lebenserwartung) Factfish zitiert UN-Daten, die bei 10,6 pro 1000 Einwohner pro Jahr landen: http://www.factfish.com/de/statistik-… Für eine möglichst konservative Abschätzung und um die höhere Wintersterblichkeit abzubilden haben wir auf 2000 aufgerundet. – Aktuelle Todeszahl Italien: Datenbank der Johns Hopkins University, auf die auch das Robert-Koch-Institut verweist, wenn es um internationale Zahlen geht: https://gisanddata.maps.arcgis.com/ap… (die Github-Datenbank findet man in einem Link weiter unten) – Region Bergamo: Laut Wikipedia leben hier etwa 120.000 Menschen. Da die zentralen Krankenhäuser vermutlich auch die umliegenden kleineren Gemeinden bedienen, haben wir die Zahl verdoppelt. Bei einer Mortalitätsrate von 10,6 pro 1000 (s.o.) pro Jahr würde man hier 7 Tote pro Tag erwarten, zur Sicherheit auf 10 aufgerundet, um nicht von saisonalen Effekten überrascht zu werden. Diese Zahl ist also eine sehr großzügige Abschätzung wenn es um die Frage geht, ob man eine Übersterblichkeit bemerkt. Zum Zeitpunkt der Erstellung des Videos meldete die FR 400 Tote in Bergamo, der erste Tote vor etwa einem Monat, macht konservativ gerechnet 10 Tote pro Tag: https://www.fr.de/panorama/corona-pan… Laut BNN gibt es übrigens Stand 23.3. 1000 Tote, was die statistische Relevanz ungleich verschärft. – Die Verfügbarkeit der Intensivstationsbetten beruhen auf eigenen Gesprächen mit Krankenhäusern und dem Statement von Prof. Dr. Reinhard Busse aus dem Briefing des Science Media Center: https://www.sciencemediacenter.de/all… – Anzahl der Beatmungspflichtigen Patienten: In einem Ärzteblatt-Interview spricht Prof. Dr. Reinhard Busse von 10% beatmungspflichtigen Patienten, andere Studien weisen auf deutlich geringere Zahlen hin, daher haben wir uns an 5% orientiert. https://www.aerzteblatt.de/nachrichte… Die Frankfurter Rundschau berichtet von 6% beatmungspflichtigen Patienten: https://www.fr.de/wissen/coronavirus-… – Das RKI schreibt im Corona-Steckbrief vom 23.3.: Es gibt verschiedene Quellen mit einer weiten Spannweite zur Beatmungshäufigkeit, dabei scheint der Anteil innerhalb Hubeis mit ca. 20–25 % deutlich höher zu sein als für ganz China (2–6 %). – Neuere Zahlen sprechen allerdings von durchschnittlichen Aufenthaltsdauern von mehr als einer Woche, was die Verfügbarkeit der Beatmungsplätze senken würde. – Imperial College Studie: https://www.imperial.ac.uk/media/impe…
Embora o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contrarie a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), na tentativa de flexibilizar a quarentena no país por conta da pandemia da Covid-19, nem os bolsonaristas parecem por enquanto dispostos a se arriscarem fora do isolamento residencial. Ainda assim, para agradar aos líderes do seu eleitorado evangélico pentecostal, o presidente hoje incluiu os templos religiosos como serviço residencial e autorizou sua reabertura.
Certo de que a preservação da saúde dos seus fiéis não implica em deixar de oferta-lhes conforto espiritual, o bispo diocesano de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz, gravou um vídeo a pedido do blog. Que segue abaixo na série de aconselhamentos úteis, aberta ontem (confira aqui) pelo médico geriatra Emanuel Oliveira, enquanto durar a quarentena por conta do novo coronavírus. Aconselhando seu rebanho a permanecer em casa, Dom Roberto destacou “ficar em casa é sentir-se em casa”:
Caminhões do exército italiano transportam os corpos dos mortos da Covid 19 de Bergamo, com cemitério lotado, ao cemitério de Ferrara (Foto: Massimo Paolone – Lapresse Via)
Luciane Silva, socióloga e professora da Uenf
Biopoder: quando começamos a contar os mortos?
Por Luciane Silva
Para morrer “oficialmente”, é preciso existir para o Estado. Ser enterrado com causa morte e ter uma certidão de óbito que pressupõe uma certidão de nascimento. Se localizarmos a criança dentro da família no século XIII certamente assustaria aos modernos, perceber que o sentimento em relação à infância era muito distinto do cuidado advogado como direito nos tempos atuais. O mesmo vale para pensar mortes por parto e idade média de um trabalhador na Inglaterra no início do capitalismo. As condições de vida, tratadas por Engels em “A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”, nos informam de famílias vivendo amontoadas sem a menor condição de higiene. Se morria de varíola, de coqueluche, de sarampo.
O que seria um índice desejável de mortalidade infantil no Brasil de 2017? Como analisar casos em estados como Amapá fora de um contexto social que atribua, no momento atual, que o Estado é determinante nas formas de “fazer viver ou deixar morrer”, como apresentado por Michel Foucault em seus estudos sobre medicina, loucura e controle social?
Particularmente quando pensamos o conceito de infância para medir dados fundamentais sobre desnutrição e mortalidade infantil, devemos lembrar de um Brasil profundo. Não estou falando de regiões longínquas nas quais só se chega de barco, tampouco de lugares nos quais não há luz elétrica. Esta é uma visão estereotipada da década de 70, exibida por um veículo que nascia e diferente do rádio, encantava as classes médias urbanas: a televisão que nos faria conhecer um país até então, desconhecido.
O Brasil profundo está na Rocinha, por exemplo, quando crianças não têm registro, não têm documentos. E como comentam alguns moradores “morrem sem ninguém saber”. Pois não foram para escola, não integraram programas sociais que exigissem identificação. E se alvejadas em batidas policiais, terão os corpos enterrados em cemitérios clandestinos. O mesmo vale para o número alarmante de crianças desaparecidas na Baixada Fluminense que estampam nossos contracheques. Quem conta estas mortes e o que elas indicam? Por que não são um problema público a ser considerado?
A importância do serviço público, do Sistema Único de Saúde (SUS), do censo do IBGE, das ocorrências policiais, dos processos de adolescentes em conflito com a lei, dos documentos escolares, de toda a produção feita pelas pesquisas em áreas como a socióloga, medicina social e mesmo nas ligadas a segurança pública e ao direito, consiste em quantificar a vida e suas formas de reprodução. Qualificar a vida e suas formas de ocupar o espaço.
As campanhas de erradicação de fome, da miséria, das doenças e do analfabetismo consistem na construção de um biopoder baseado na vida. Por esta razão as estimativas de quantos serão os atingidos pelo coronavírus, nos levam a pensar em quantos somos, onde estamos e para onde vamos.
A ilusão das soluções individuais cai por terra quando olhamos a situação da Itália. Mas também vemos a ação de Donald Trump ao imaginar uma possibilidade de salvação nacional como se acreditasse em ficções cinematográficas.
Nossa situação atual nos coloca diante de um dilema global e civilizatório. Sabemos que ao longo da história, pessoas com determinadas características (cor, nacionalidade, religião) foram acusadas e em casos extremos, mortas como respostas a diferentes cenários. Recuperar o “tônus moral” de um país em crise ou garantir a reeleição de um presidente impopular são apenas dois deles.
A rápida ampliação da informação de uma “doença que mata velhos” mostra não só o despreparo humanitário com o qual lidamos com o coronavírus. Mostra também nosso desprezo pela lógica. E ambos os casos são gravíssimos para o enfrentamento do problema.
A falta de ação coordenada escancara a crença no fato de que comprando álcool gel, papel higiênico e remédios, podemos manter nossas famílias seguras. Ou seja, a crença na supremacia da ação individual.
No sábado, ao passar pela praça São Salvador, foi possível contar mais de 30 pessoas sob chuva à noite. Certamente elas não estão nestes espaços por escolha própria, embora muitos empreendedores de si, acreditem nisso. O fato é que sem o poder público, em uma ação rápida e humanitária, teremos focos de transmissão em ritmo acelerado. Não por falta de cuidados com a população que acessa mercadorias e pratica o isolamento, mas exatamente com esta parcela que cresce no Brasil e não tem as mínimas condições de praticar as recomendações da Organização Mundial de Saúde.
Lojistas de shopping centers de todo o Brasil estarão isentos de pagamento de aluguel enquanto durar a quarentena imposta pela Covid-19. Foi o que anunciou na tarde de ontem (24) o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai. Ele respondeu à solicitação feita em ofício do dia 17 de março, pelo presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Rio (FCDL-RJ), o empresário campista Marcelo Mérida.
A decisão saiu de rodada de negociações entre a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) e a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Para o presidente da FCDL-RJ, Marcelo Mérida, esta é uma vitória do empreendedor:
— É um momento muito complexo para a sociedade brasileira e para o empreendedor, principalmente do comércio, que emprega milhões de brasileiros. Por isso, tomamos várias medidas, como pedir à Abrasce que abrisse canal de diálogo, para obter a dilatação ou escalonamento de prazos, referentes ao cumprimento de contratos de locação, como aluguéis e taxas operacionais, o que acabou sendo exatamente decidido”.
A Abrasce registra 577 shoppings em operação no país, dos quais 182 estão no Estado de São Paulo e outros 66, no Estado do Rio. Cerca de 21 novos shoppings tinham previsão de ser inaugurados no território brasileiro este ano. Até serem fechados pela isolamento residencial importo para tentar conter a pandemia do novo coronavírus, os 577 empreendimentos contabilizavam 502 milhões de visitantes a cada mês, com um total de 105.592 lojas e faturamento da ordem de R$ 192,8 bilhões.
As duas entidades respondem juntas por mais de 3 milhões de empregos.
Em meio à crise mundial causada pela Covid-19, três instituições que vinham sendo bastante criticadas pelo obscurantismo que se espelhou como pandemia anterior pelo mundo, têm sua importância reforçada pela realidade dos fatos graves que se impõem: a ciência, os estados nacionais e a imprensa.
A ciência, como único meio da humanidade enfrentar o novo coronavírus. Os estados nacionais, cumprindo seu papel de liderar a população neste momento de crise global, como a “mão invisível do mercado” jamais poderia fazer — nem se lavada com água, sabão e álcool gel. Excetuados exemplos lamentáveis como o Brasil, onde o comportamento errático e cada vez mais isolado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é substituído pela liderança responsável dos governadores, numa ruptura federativa ainda sem desfecho.
Por fim, o alvo de ataques do presidente brasileiro e seus fieis de seita, cada vez menos numerosa, exatamente como se deu antes, com o lulopetismo no poder: a imprensa. A quem a população recorre em busca de informações confiáveis, em meio às fake news irresponsáveis que inundam as redes sociais. Neste sentido, para separar fato de fake sobre a pandemia do novo coronavírus, este blog inicia hoje um serviço de utilidade pública:
Na noite de sábado (21) uma médica de Campos, que não atua no Sistema Único de Saúde (SUS), divulgou vários áudios alarmistas de WhatsApp. Neles afirmou que uma jovem de 19 anos que deu entrada naqueles dia na UPH de Ururaí com quadro grave de pneumonia, sendo de lá transferida à UTI do Hospital Ferreira Machado, seria um caso confirmado de coronavírus.
É FALSO! Divulgado ontem, o resultado da jovem deu negativo para Covid-19. Seu diagnóstico é de grave doença respiratória por infecção bacteriana, não viral.
A mesma profissional de saúde, dedicada à medicina estética, que tem como público alvo a classe média alta goitacá, também denunciou em seus áudios de WhatsApp que o município não teria testes para o novo coronavírus. Ao que caberia o questionamento lógico, principal arma da ciência, incluída da medicina: se Campos não tivesse testes para confirmar o novo coronavírus, como afirmar que a jovem era caso confirmado da doença?
Nestes tempos de isolamento por conta da pandemia do novo coronavírus, o blog inicia hoje (25) uma série que trará um vídeo diário com aconselhamentos úteis às pessoas durante a quarentena. E começa com o médico geriatra campista Emanuel Oliveira, especialista em sáude e envelhecimento do idoso, grupo vítima preferencial da Covid-19. Ele alerta sobre a responsabilidade de cada um no enfrentamento da crise:
Paulo Vitor Cortes Lopes e Sérgio Provisano e o grande legado das suas vidas
Em meio à pandemia da Covid-19, o tempo é de perda. Sempre mais doída quando próxima, independente do mundo ou sua nova praga. Já escrevi mais do que gostaria que nada evidencia o tempo passando pela nossa vida, do que quando ele deixa de passar pela vida de quem nos servia de referência.
Paulo Vitor Lopes e Sérgio Provisano eram dois amigos queridos. Professor de educação física, o primeiro morreu precocemente de infarto aos 49 anos, na noite do último sábado (21). O segundo, professor, artista e programador visual, faleceu aos 67 anos na madrugada de hoje (24), no Hospital Geral de Guarus, onde estava internado há uma semana com complicações renais e de diabetes.
Conheci Paulo Vitor, o PV, pela alcunha de Aranha. Era 1987, quando cursávamos o antigo segundo grau, hoje ensino médio, no Auxiliadora. Ele era um hábil boleiro, que demonstraria seu talento naquele final dos anos 1980 e início dos anos 1990, nas disputadas peladas da AABB. Hoje sede da Fundação Municipal de Esporte, nas últimas décadas do milênio passado serviu de ponto de encontro para uma geração de adolescentes e jovens da classe média goitacá.
A amizade com PV se estreitaria também nos verões de Atafona. Mesmo com repertório escasso de algumas músicas de pop-rock, tinha seus status reforçado entre uma galera que nele tinha seu único violeiro. De lá para cá, como para o resto da vida, sempre que ouvir “Paisagem da Janela”, “Não Chores Mais” ou “Maluco Beleza”, lembrarei com saudade daquele entorno de três décadas atrás, expresso na voz e violão de Aranha. Até mais do que nas de Lô Borges, Gilberto Gil ou Raul Seixas, intérpretes canônicos das suas respectivas canções.
Em 14 de março de 2011, essa mesma turma de jovens dos anos 1980 teria outra perda precoce. O engenheiro Marcos Ribeiro Gomes, aos 37 anos, não resistiu aos traumas internos provocados por um acidente de carro. No dia seguinte à sua morte, publiquei um texto na Folha, republicado virtualmente aqui, dois dias depois, neste blog. Nele lembrei de quando, como e com quem comunguei a primeira noite ébria virada da minha vida. Foi em um verão de Atafona de 1989. Tão longe e tão perto.
Abandonados pelos demais amigos, ficamos apenas Paulo Vitor, Marcos e eu, à beira do Paraíba do Sul. Com Aranha repetindo as mesmas músicas em voz e violão, madrugada adentro, Marcos e eu fazíamos o que podíamos no backing vocal. Nos intervalos, identificamos e resolvemos todos os problemas do mundo, entre um gole e outro de cerveja.
No resgate dessas memórias, registrei também como soube do acidente de Marcos na mesma Atafona de 22 anos atrás. Coincidência ou não, coube a PV ir à minha casa avisar. O fez antes de desabar lentamente até o chão, costas apoiadas no portão. E, dos seus olhos perdidos ao nada, começaram a minar água. Como da chuva que cairia forte logo depois, sobre a estrada rumo a Campos. Na qual fui avisado por celular que Marcos tinha acabado de morrer.
Com a morte agora de Aranha, quiseram as fiandeiras do destino que hoje restassem apenas duas testemunhas vivas daquele rito de passagem cumprido na escuridão, iluminada de lua e das brasas de cigarros precoces, até o sol nascer. O Paraíba e eu nos lembramos bem. E a saudade que fica é imensa. Maior que o oceano onde o rio deságua.
Entre tantas histórias, como não lembrar da sua aprovação no curso de educação física da antiga Universidade Gama Filho? No típico método “pauloviteano” de ser, ele levou um dado à prova do vestibular. E, jogando-o sobre a carteira, marcava o resultado nas questões de múltipla escolha.
Seja como for, PV passou. E se tornaria depois um excelente professor de educação física. Não só pelo talento natural aos esportes, como pelo jeito afável com crianças, dom que nenhum vestibular é capaz de medir.
Pouco antes de nascer meu único filho, hoje homem de 20 anos, promovi um “chá de beber” com amigos. Ao qual o hoje falecido Edvar Freitas Chagas cedeu gentilmente sua casa em Atafona. Foi entre o final de junho e o início de julho daquele inverno de 1999. Estação na qual o balneário sanjoanense fica, à noite, por vezes coberto de nevoeiro salgado de maresia, como um “fog” londrino.
Com a desculpa do nascimento de Ícaro dali a poucos dias, começamos a beber à tarde e assim rompemos a madrugada. Paulo Vitor sumiu no meio do encontro, sem avisar a ninguém. Mas, banalizado pela convivência, ninguém mais estranhava esse seu estranho hábito. No final, ficaram apenas os “heróis da resistência”: Marcelo Duncan, o Colorau, Leonardo Rosa, o Grilinho, e eu.
No clima propício daquela solidão de meio de ano de uma Atafona pré-Porto do Açu, madrugada alta e fria, em meio ao nevoeiro baixo e completamente bêbados, começamos a contar uns aos outros histórias de fantasma. Eis que, no clima de filme B de terror, um vulto se levanta do canteiro ao lado da piscina, como se brotado da terra. Todos foram tomados de pavor pela aparição repentina.
Grilinho correu e se trancou no banheiro; eu, no quatro. Sem vaga para se esconder, Colorau se arrebentou todo, ralando o peito após pular como um gato apavorado por cima do muro da piscina.
Era Paulo Vitor. Sem que ninguém tivesse percebido, ele tinha apagado mais cedo no canteiro, dormindo escondido entre as plantas, despertando só de madrugada. Passou um tempo conosco, refeitos do susto, do qual demos boas risadas, e depois sumiu de novo. Desta vez sem voltar.
Pela diferença de idade, não tive com Provisano o elemento agregador da geração. Que permite a comunhão das melhores — e piores — histórias do nosso período formativo. Mas ninguém que, como eu, milite em arte e cultura em Campos desde os anos 1990, ou o tenha feito depois disso, deixou de conhecê-lo e reconhecê-lo como referência.
Dono de saber renascentista, reunia duas características raras no mesmo “passante”, como definia a si e ao seu semelhante: era contestador e doce. De cultura sólida, adquirida nos livros, soube fazer bem a transição à superficialidade das redes sociais, conferindo-lhes profundidade.
Militante intransigente da educação, foi lembrado por alguns dos muitos amigos com uma foto abraçado com seus alunos, crianças pobres da rede pública municipal, que amava como filhos. E, abaixo da imagem, um dos seus ditos: “Este educador está de passagem, apenas para dizer que ele quer fazer a diferença e que se orgulha em estar em boa companhia nessa missão”.
Com a missão de ensinar, esses dois professores foram grandes companhias. Estarão sempre aí, fazendo diferença no que somos. E em cada uma das crianças, muitas crescidas, que não passaram em vão por suas vidas.
Em tempos de coronavírus, a perda de PV, o Aranha, foi uma China dentro de mim. A de Provisano, uma Itália.
Até o presente momento, além do caso confirmado ontem (relembre aqui) da Covid-19, Campos tem outros 16 suspeitos da doença. Com o exame de coronavírus negativado para jovem internada no sábado (22) na UTI do Hospital Ferreira Machado, seriam 13. Mas surgiram três novos casos suspeitos, de idosos com outras comorbidades, que também já foram testados e aguardam o resultado. Eles estão em estado grave, dois internados na UTI da Santa Casa e um no Hospital Ferreira Machado.
Área da antiga Vasa, na 28 de Março, onde o hospital estadual de campanha para combate da Covid-19 começa a ser instalado nesta quinta (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)
O secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, bateu o martelo. Como o blog adiantou ontem (23) com exclusividade (confira aqui), a área onde o hospital de campanha do governo Wilson Witzel (PSC) será mesmo na antiga Vasa, na avenida 28 de Março. E atenderá não só Campos, mas todos os municípios da região no enfrentamento da Covid-19.
A infomação foi passada pelo deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), que recebeu a confirmação do próprio Edmar Santos. De propriedade do grupo de supermercados Super Bom, a área tem 9,8 mil metros quadrados. E a empresa contratada pelo Governo do Estado para a instalação do hospital de campanha precisava de um espaço que com pelo menos 7 mil metros quadrados.
O início da montagem do hospital estadual de campanha está mantida para a próxima quinta (26). E deve funcionar, no mínimo, pelo prazo de cinco meses. Ao blog, Wladimir pregou a união no combate de Campos e Norte Fluminense ao novo coronavírus:
— Batido o martelo. Vai ser na área da Vasa e o pedido do estado é de cessão da área, sem custo, por cinco meses. Estou vendo a documentação com o proprietário. É o tempo suficiente levando em conta o período da baixa da curva e desmontagem da estrutura. Entrei com contato com o secretário municipal de saúde, Abdu Neme, por várias vezes durante a pandemia, para me colocar a disposição do município e ajudar no que eu puder. Não é hora de divisão.
Até quinta (26), o governo Wilson Witzel (PSC) começará a montar um hospital de campanha em Campos, com 150 leitos, para atender o município e todo o Norte Fluminense no enfrentamento à pandemia da Covid-19. E amanhã (24) será publicado em edição extra do Diário Oficial um chamamento público a todos os hospitais das redes filantrópica e particular fluminenses para que forneçam leitos clínicos, de UTI e respiradores, custeados pelo Estado do Rio. A medida facilitará o acesso de leitos em Campos para tratar do novo coronavírus, por sua condição de polo regional de saúde.
As informações do socorro do governo Witzel a Campos e região foram confirmadas pelos deputados federais Marcão Gomes (PL) e Wladimir Garotinho (PSD), assim como o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). A vinda do hospital de campanha para Campos, para atender aos casos de Covid-19, atende ao ofício nº 128/2020, enviado em 16 de março pelo prefeito Rafael Diniz (Cidadania) ao secretário estadual de Saúde, Edmar Santos. Ao contrário do que chegou a ser divulgado em sites locais, o hospital não será instalado Uenf. A informação foi desmentida pelo reitor da universidade, professor Raul Palacio. E foi descartada por Edmar por ficar muito distante dos grandes hospitais da cidade.
Uma área já oferecida pela rede de supermercados Super Bom é a da antiga Vasa, na av. 28 de Março. Mas a definição será feita em conjunto pelos técnicos da Prefeitura de Campos e do Governo do Estado, a partir das especificações técnicas que serão enviadas amanhã pela empresa já contratada para a montagem do hospital de campanha. Também ainda não está definido quantos dos seus 150 leitos serão clínicos, para pacientes moderados, e quantos de UTI, com respiradores, fundamentais ao tratamento dos casos mais graves.
O prefeito Rafael Diniz felicitou o reforço estadual a Campos e região no combate à Covid-19, que atendeu ao seu pedido à secretaria estadual de Saúde. Mas afirmou que manterá o Centro de Combate ao Coronavírus (CCC) no novo prédio da Beneficência Portuguesa, anunciado ontem (aqui) e previsto para começar a funcionar na sexta (27):
— É uma notícia muito importante não só para Campos, mas para todos os municípios que atende como polo regional de Saúde Pública. Cientes da gravidade do quadro que iríamos enfrentar, enviamos o ofício à secretaria estadual de Saúde, desde a segunda-feira passada (16), pedindo que fosse aumentada a oferta de leitos clínicos e de UTI, para dar suporte à pandemia que nos assola já nos assolava naquele momento. Não é o momento de pânico, gerado pela disseminação irresponsável de fake news nas redes sociais. A hora é de trabalho e união entre poderes, lideranças políticas, de saúde e principalmente, com a população. Por isso, felicitamos a vinda do hospital de campanha pelo Governo do Estado, mas vamos manter nosso Centro de Combate ao Coronavírus na Beneficência Portuguesa. Juntos, enfrentaremos essa crise. E peço mais uma vez a todos: fiquem em casa!
Confira abaixo a cópia do ofício enviado no dia 16 pelo governo municipal à secretaria estadual de Saúde: