Indicados ao Oscar em Campos — Em “1917” e “Parasita”, Johnson e Hobbes

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr)

Depois de “Era Uma Vez em.. Hollywood” (confira sua resenha aqui), de Quentin Tarantino, e “Coringa”, de Todd Phillips, dois outros fortes candidatos ao Oscar de 2020 estão sendo exibidos no cinema de Campos. São o o sul-coreano “Parasita”, de Bong Joon-ho, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, que estreou desde quinta (16); e a produção britânica “1917”, de Sam Mendes, que teve sua pré-estreia no sábado (18) e domingo (19), voltando para ficar nesta quinta (23).

Como sempre acontece com o cinema de qualidade na planície goitacá, ambos estão em cartaz no Kinoplex Avenida, no Shopping 28. Não no Cine Araújo do Shopping Boulevard, restrito a blockbusters comerciais. E quase sempre dublados, na pressuposição de que seu público seja composto de analfabetos — de fato ou funcionais.

 

“1917”

“1917” é uma história de dois cabos do Exército Britânico no penúltimo ano da sangrenta I Guerra Mundial (1914/1918) — e  também da Revolução Russa, que não é tratada no filme. Em um tempo sem comunicação em tempo real, os dois soldados recebem como missão levar uma mensagem do alto-comando para impedir um ataque contra os alemães, que recuaram para montar uma armadilha aos seus inimigos nas trincheiras da França. Entre outras armadilhas deixadas pelos germânicos e o confronto direto contra estes, serão muitos os percalços enfrentados pelos mensageiros.

Motivo de crítica por Luiz Fernando Veríssimo em “Dunkirk” (aqui, de 2017,), de Christopher Nolan, sobre a importante batalha homônima da II Guerra Mundial (1939/45), a ausência dos britânicos negros, além dos hindus, muçulmanos e siks da Índia, é lapso racial que não se repete em “1917”. Nele, lado a lado com os anglo-saxões pálidos, estão soldados de pele escura e de turbante.

Ganhador dos Oscar de melhor diretor e melhor filme por “Beleza Americana” (2009), filme de estreia de Sam Mendes e clássico recente do cinema, o diretor inglês traz em “1917” uma comentada novidade estética: seu novo filme é todo em plano-sequência, sem cortes. Outro inglês, o mestre Alfred Hitchcock já havia feito isso em “Festim Diabólico” (1948), todo filmado dentro de um apartamento. Ao levar a ousadia técnica a campo aberto, Mendes foi agraciado com o Globo de Ouro de melhor diretor em 5 janeiro. É sempre um forte indicativo ao Oscar, que será entregue em 9 de fevereiro.

Samuel Johnson

Sem spoiler, o final de “1917” é sensível e revelador. No que lembra o epílogo de um dos maiores filmes de guerra já feitos: “Glória Feita de Sangue” (1957), baseado em fatos reais da mesma I Guerra Mundial e dirigido pelo mestre estadunidense Stanley Kubrick. Que nele imortalizou no cinema um dito do pensador inglês Samuel Johnson, tão pertinente ao Brasil e ao mundo de hoje: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.

 

“PARASITA”

Mas a grande novidade entre os indicados a melhor filme é mesmo “Parasita”. Nas desigualdades sociais inevitáveis do sistema capitalista, mesmo em um país tido como um seu exemplo positivo, como a Coréia do Sul, é difícil saber quem melhor batiza o título do filme. Seria a família pobre de embusteiros — ao melhor estilo do clássico “Feios, Sujos e Malvados” (1977), do mestre italiano Ettore Scola, morto ontem (aqui) há exatos quatro anos? Ou a família rica, fútil e elitista que a primeira inveja e engana para servir? Na dúvida, a crítica mordaz ao capitalismo não peca por maniqueísmo, já que o regime comunista e oligárquico da vizinha Coréia do Norte também é exposto ao ridículo devido.

Questão emblemática desde sempre no conceito marxista da “luta de classes” — que o excelente roteiro sul-coreano não busca nivelar no proletariado, apenas tomar o lugar do patrão —, o “cheiro do povo” tem sua universalidade independente de Ocidente e Oriente, hemisférios Norte ou Sul. É ele que ativa o turning point contundente da história, ao transformar uma comédia na mais extremada tragédia. Tragédia no sentido grego do termo, que não serve de base ao Extremo Oriente, não de fazer tragédia. De fato, esse “cheiro do povo” evoca uma frase marcante de um bom filme brasileiro, “Linha de Passe” (2008), dirigido por Walter Salles Júnior e Daniela Thomas, sobre desigualdades sociais muito semelhantes: “Olha pra minha cara, porra!”.

Com suas surpresas subterrâneas, “Parasita” talvez seja um filme ainda mais revolucionário e marcante do que o frenético “Oldboy” (2003), de Park Chan-wook. Foi com ele, numa leitura oriental de Tarantino em suas bases no cinema de kung-fu de Hong Kong, que a Coréia do Sul impactou o mundo do cinema no novo milênio. Se não dedicado à violência estilizada de “Oldboy”, o sangue derramado em “Parasita” pode chocar ainda mais. Tanto quanto a antológica cena da jovem e bela mulher sentada sobre a privada que regurgita esgoto durante uma inundação no porão onde habita, enquanto fuma seu cigarro “mentolado” de fezes. E é choque necessário para tirar o espectador de classe média da sua zona de conforto, em qualquer parte do mundo.

Thomas Hobbes

Igualmente sem spoiler, talvez ainda mais que “1917” o(s) final(is) de “Parasita” não precisa de código Morse para entregar sua mensagem. No filme sul-coreano e universal, o “inimigo” é visceralmente humano. Como quem está sentado na poltrona do cinema.

“1917” é um filme sobre honra e altruísmo. “Parasita” é sobre falta de honra e ambição. Faces da mesma humanidade, não por coincidência ambos são também sobre família. E sobrevivência.

Entre comédia e tragédia, o parasita real do filme da Coréia do Sul é revelado em outro dito, de outro pensador inglês. Que serve também aos campos de batalha reais de 1917. Como sentenciou Thomas Hobbes em seu clássico “Leviatã”: “O homem é o lobo do homem”.

 

Confira abaixo os trailers dos dois filmes candidatos ao Oscar em cartaz no Kinoplex Avenida:

 

 

 

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Vera Magalhães — Sociedade risca uma linha no chão ao governo Jair Bolsonaro

 

Ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, em seu pastiche do ministro da Propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels

 

 

Jornalista Vera Magalhães

Mudança x concessão

Por Vera Magalhães

 

Como tudo no Brasil de hoje, o filme Dois Papas foi tragado pela polarização rasa e redutora que engolfa da política às artes, passando pelo esporte e pelas relações familiares. Direita e esquerda “adotaram” cada uma um Papa, alheias à complexidade de uma Igreja de milhares de anos e aos aspectos sutis da obra.

Numa das cenas mais marcantes do filme, os dois monstros Anthony Hopkins (Bento 16) e Jonathan Pryce (ainda Bergoglio) discutem a diferença entre mudança e concessão. “Eu mudei”, diz o argentino ao Papa, diante de cobranças sobre a revisão que ele fez de dogmas e ritos da Igreja. “Não, você fez concessões”, replica Bento. “Não, eu mudei. É algo diferente.” De fato.

Em mais um episódio de espantosa gravidade, o País foi dormir na quinta-feira e acordou na sexta assombrado por um pesadelo: num vídeo de composição macabra, o então secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, recitava com excitação indisfarçada e olhos vidrados um texto com trechos copiados de Joseph Goebbels, o mais fanático dos ideólogos do nazismo, que foi com Hitler até o final e morreu e matou a mulher e os seis filhos para não fazer nenhuma concessão e não abdicar da ideologia mortífera que ajudou a implementar.

A reação foi avassaladora, mas não unânime. Num sinal de deterioração profunda do tecido social, houve quem defendesse o discurso tresloucado de Alvim pela necessidade de uma cultura que ou será nacional ou “não será nada”, alinhada aos valores cristãos e da família, e lamentasse sua demissão. Outros contemporizaram, celebrando a “rapidez” com que o presidente demitiu Alvim. E é aqui que entra a diferença entre mudança e concessão a que aludi no início do texto.

O presidente de fato se indignou com o que o auxiliar disse? Não, de forma alguma. Menos de 24 horas antes de demiti-lo e poucas antes de ele publicar sua ópera bufa, Bolsonaro o saudou numa das lives semanais – também elas obra da estética autoritária do bolsonarismo, não nos enganemos – como o redentor da cultura nacional. Finalmente, disse o presidente do Brasil, tínhamos um secretário da Cultura digno do posto. E ali Alvim já desfiava sua política cultural sectária, anunciando um prêmio que contemplaria apenas os alinhados com o regime.

Bolsonaro mudou entre os dois atos, o da louvação e o da demissão? Não, fez uma concessão. A contragosto, momentânea. Que não muda o caráter francamente autoritário de seu projeto de poder para a educação, a cultura, a política externa e os costumes, para ficar em poucas áreas.

Na manhã de sexta o presidente ainda relutava em rifar Alvim. Tanto que a primeira nota do Palácio diz que ele já havia se explicado, e o fã de Goebbels se pôs a dar entrevistas em que reiterava o conteúdo da frase copiada. O que levou Bolsonaro a fazer sua concessão foi a evidência de que a comunidade judaica, aliada política importante de seu projeto, não aceitaria uma demonstração tão violenta de antissemitismo vinda de um auxiliar direto do presidente.

Portanto, não haverá mudança. As manifestações racistas, autoritárias e francamente persecutórias a vários setores da sociedade continuarão vindo diariamente do presidente e da ala ideológica do governo.

Mas foi riscada mais uma linha no chão. A sociedade não tolerará mais esses arroubos e nem as tentações de aparelhar e tutelar a vida nacional num projeto que é tudo, menos liberal e democrático. Quantos e quais setores ainda estarão dispostos a fechar os olhos para essa evidência em nome da política econômica é algo que será definidor dos próximos anos.

Mas Bolsonaro foi avisado: pode xingar, ofender, tentar calar a imprensa, que não vai adiantar. Ele não vai mudar. Mas terá de fazer concessões. É democracia que chama.

 

Publicado aqui no Estadão

 

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Arthur Soffiati — Rio Paraíba do Sul morre em vão na poluição do Grande Rio

 

Poluição do rio Guandu, que recebe 2/3 das águas desviadas do rio Paraíba do Sul, causando o fechamento da sua foz e o avanço do mar em Atafona

 

 

Arthur Soffiati, ecohistoriador

A morte em vão do Paraíba do Sul

Por Aristides Soffiati

 

Se um doador de sangue perde 2/3 numa transfusão em benefício de uma pessoa que não precisa tanto assim, o doador morre em vão, pois o receptor, além de receber mais sangue do que o necessário, é um contumaz consumidor de drogas pesadas que contaminam o organismo. Um provérbio chinês diz: “Um peixe mal preparado deu sua vida em vão”.

Pela barragem de Santa Cecília, o antigamente pujante Paraíba do Sul doa 2/3 do se sangue ao pequenino rio Guandu a fim de abastecer a cidade do Rio de Janeiro com água potável. A grande estação de tratamento de água (ETA) do Guandu aproveita menos da água que é transposta. Ela é também usada pelas indústrias instaladas na bacia do Guandu, além de ser intensamente poluída por esgoto urbano e por rejeitos industriais. O sangue do Paraíba do Sul oferecido aos cariocas está saindo com cheiro, cor e gosto não correspondentes à água potável. A Cedae, que faz o tratamento, contudo, garante que o sangue é bom.

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) alertam sobre a grande poluição que sofre a bacia do Guandu por lançamento de esgoto e resíduos industriais. Esses dejetos provocam o acúmulo de matéria orgânica em decomposição, que estimula a produção excessiva de cianobactérias, principalmente. Elas geram geosmina e o 2-metilsoborneol, que conferem odor e sabor à água. Mas ninguém fala de onde vem a água do Guandu.

 

Foz do rio Paraíba fechada entre o antigo Pontal de Atafona e a antiga ilha da Convivência (Foto: Divulgação)

 

Mapa registra o que o mar ja levou de Atafona, desde que o desvio do rio Paraíba para o Guandu começou na barragem de Santa Cecília, em 1952

Em resumo, o Paraíba do Sul cede dois terços do seu sangue para que ele seja poluído no Guandu e maltratado pela Cedae. Todos perdem: o Paraíba do Sul quase morre depois da transfusão e a população do Rio de Janeiro recebe água de má qualidade. Mais ainda: a transposição de água do Paraíba do Sul em Santa Cecília fragmentou o rio em dois. Atualmente, o primeiro Paraíba do Sul nasce na Serra da Bocaina, como aprendemos nos livros de geografia, mas desemboca agora na baía de Sepetiba através do rio Guandu. A nascente do segundo coincide com a nascente do Paraibuna de Minas e foz em Atafona. Essas novas informações precisam ser divulgadas. Os dois Paraíba do Sul são ligados por uma vala estreita e poluída entre a barragem de Santa Cecília e a cidade de Três Rios, onde o Paraibuna de Minas e o Piabanha, desembocam no Paraíba do Sul II.

Em 1785, o capitão-cartógrafo Manoel Martins do Couto Reis informava que a foz do Paraíba do Sul era problemática para a entrada e saída de embarcações. Era preciso esperar a maré alta e os ventos favoráveis para navegá-la. E, nessa remota data, a bacia do Paraíba do Sul era coberta por vastas florestas, não tinha suas margens tão ocupadas por lavouras e pastos, não era densamente urbanizada nem tinha os leitos dos rios barrados para a geração de energia elétrica e para outros fins. Sobretudo, não tinha 2/3 de suas águas transpostos para outro rio.

A bacia hoje sofre muitos problemas. O mais grave deles é, sem dúvida, a transposição de Santa Cecília. Com a perda de vazão, na foz, o equilíbrio já instável entre mar e rio tornou-se mais acentuado. O aproveitamento do antigo rio Água Preta para a abertura do canal do Quitingute desativou os braços auxiliares de Grussaí e Iquipari. O conjunto das obras de drenagem desativou também a lagoa do Açu. Todos integravam o grande delta do Paraíba do Sul. Nas estiagens, o rio desaguava por dois braços: o de Atafona e de o de Gargaú. Nas enchentes, por cinco. Atualmente, apenas pelo de Gargaú. O de Atafona se fechou por insuficiência do rio em mantê-la aberta e por força do mar em fechá-la.

E a água transposta para o Guandu está sendo muito poluída pela urbanização desordenada e pelas indústrias. A estação de tratamento do Guandu carece de reformas e de modernização. A despoluição do Guandu está orçada em R$ 1,4 bilhão. Entende-se que a cidade do Rio de Janeiro não tem fontes de abastecimento para consumo público e não pode mais prescindir do rio Guandu. Por extensão, a cidade não pode mais viver sem o rio Paraíba do Sul. No entanto, o sangue que o Paraíba transfunde para o Guandu está sendo contaminado e não agrada os consumidores de água da cidade do Rio. O sistema deve ser repensado. O uso das águas do Paraíba do Sul deve ser otimizado em todos os lugares onde é usada. A cidade do Rio de Janeiro deve pagar royalties pela água que usa do Paraíba do Sul. O volume transposto deve ser reduzido e otimizado. Entende-se que houve descuido e desprezo com o Paraíba e com todos os rios do Brasil no passado e ainda no presente. Já passou o momento de um grande trabalho conjunto de revitalização.

Segundo a ONU, dois terços dos rios do mundo estão barrados. Eles não correm mais livremente. Não têm mais o mesmo volume. Revitalização não é uma simples proposta de ambientalista, mas uma premente necessidade econômica e social.

 

Publicado hoje (19) na Folha da Manhã

 

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Mérida e Bruno conseguem R$ 10 milhões do RJ para Saúde Pública de Campos

 

Bruno Dauaire, Marcelo Mérida, Edmar Santos e Wilson Witzel (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No último dia 23, o empresário e presidente do PSC em Campos, Marcelo Mérida, revelou (relembre aqui) ao blog que ele e o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC), haviam conseguido junto ao governo estadual Wilson Witzel (PSC) a liberação de R$ 10 milhões para a Saúde Pública do município, ainda para o ano de 2019. E, naquele mesmo dia, saiu o repasse no valor anunciado pelos dois políticos da região: Mérida é pré-candidato a prefeito de Campos, enquanto Bruno é líder do partido do governador na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

A articulação foi feita pelo deputado junto ao secretário estadual de Saúde Edmar Santos. Mas a informação só foi repassada hoje. Confira abaixo a data, o valor e o beneficiado, a Fundação Municipal de Saúde de Campos, na ordem bancária do governo estadual:

 

 

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Rossi fala do Teatro de Bolso e em “trevas” na cultura nacional com Bolsonaro

 

Fernando Rossi falou da cena cultural de Campos e de “trevas” na cultura nacional com o governo Jair Bolsonaro (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

“A gente vê e está vivendo um momento muito complexo. Os ataques (do governo Jair Bolsonaro, sem partido) à cultura são evidentes. Você vê diversos espetáculos e exposições sendo censurados. Inclusive teve uma música do Arnaldo Antunes (“O Real Existe”) que não pôde passar em um determinado canal (TV Brasil, do governo federal). Então a gente vê um momento muito difícil, revanchista até. E isso já era previsto. A gente já esperava que isso pudesse vir a acontecer. E a gente vai viver esse momento que eu considero de trevas. É difícil. E a posição do artista é de resistência mesmo. Diante das situações, dos ataques e da falta de discernimento da importância da cultura”.

Foi assim que o diretor teatral e do Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira, Fernando Rossi, abriu sua participação no Folha no Ar 1ª edição, no início da manhã de hoje (17). No estúdio da Folha FM, ninguém ainda sabia da reprodução na noite anterior (16), do discurso de Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha Nazista de Adolf Hitler, pelo secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim. Em vídeo gravado ao som da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, compositor preferido dos nazistas, Alvim repetiu trechos da fala de Goebbels, registrados no livro “Joseph Goebbels: Uma Biografia”, do historiador alemão Peter Longerich. Antes do repúdio generalizado gerar hoje a demissão de Alvim, Bolsonaro tinha feito uma live, também na noite de ontem. Nele o presidente disse ao seu então secretário de Cultura: “Alvim, você é a cultura de verdade no Brasil”.

Além do contexto nacional, cuja crise acabou antecipando logo em sua primeira fala, Fernando Rossi também falou no segundo bloco sobre que fez à frente do Teatro de Bolso, desde a sua reabertura no governo Rafael Diniz (Cidadania), em 28 de março de 2017. E do que pretende fazer neste ano de 2020:

— Com relação ao Teatro de Bolso, que a reabertura eu recebi como missão do prefeito Rafael, o que tenho feito nestes três anos é cumprir aquilo que ele me propôs: aquele espaço ser a casa do artista local. E desde a sua reabertura (em 28 de março de 2017) a gente tem feito isso, dando espaço a todas as vertentes. Você sente ao longo desses três anos o que existe de produção cultural em Campos e como o público está reencontrando o seu velho Teatro de Bolso, lotando as produções todo o final de semana. E também atividades durante a semana. Para quem não sabe, a gente tem uma parceria com a secretaria de Educação, com o projeto EPA, Escola de Práticas Artísticas, para as crianças e adolescentes das escolas públicas municipais. Também mantivemos o Curso Livre de Teatro, sob a coordenação do (ator) Pedro Fagundes. Em termos de público, em 2017, nós tivemos 7.544 espectadores. Em 2018, 10.949. Então foi crescendo o número de público e de produções. Essa promessa, o prefeito Rafael Diniz (ainda como vereador de oposição), fez aos artistas que ocuparam o Teatro (no movimento “Ocupa TB”, no final do governo Rosinha Garotinho). E o Teatro de Bolso foi reaberto, cumprindo a promessa que ele fez à classe artística.

Apesar de relembrar o cumprimento de promessas do governo qual faz parte, Fernando não se furtou em propor a autocrítica pela maneira como o município deixou, em cima da hora, de ser parceiro do Festival Doces Palavras! (FDP!). Mesmo sem o apoio do poder público municipal, por conta da crise financeira, o evento foi realizado em novembro:

— Algumas coisas têm que ser revistas, tem que fazer uma autocrítica em relação a posturas. O que poderia ter sido feito? Mas é lamentável que, tão bacana nas edições anteriores, e dessa vez não ter tido essa participação. Vamos ver agora também, a situação como está, como é que vai ser a Bienal do Livro deste ano. A questão do FDP! é ruim, é péssima. Isso deveria ser revisto, realmente (a desistência do governo) foi anunciada muito em cima. As pessoas merecem respeito. Eu, enquanto artista, acho que todos nós merecemos respeito.

 

Confira abaixo em vídeo os três blocos da entrevista com Fernando Rossi no Folha no Ar:

 

 

 

 

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Folha no Ar — Antropóloga campista vê “esquizofrenia social” no bolsonarismo

 

Antropóloga campista e professora da UFRR, Manuela Cordeiro hoje no Folha no Ar (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

“O que eu acho exasperante é a esquizofrenia social, é a falta de capacidade argumentativa das pessoas hoje. É você falar ‘banana’, a pessoa responder ‘lâmpada’ e ficar nisso. Sobretudo quando você fala do seu posicionamento político, ou do fato de ser antropóloga, as pessoas já ficam assim: ‘Ah, o que vai vir da boca dessa menina não presta’. Não é uma crítica a uma filiação partidária ou outra, ou de um programa de governo neoliberal ou progressista. É o fim de consensos mínimos. Quando se discute se a Terra é ou não plana, tudo é possível. Não é possível estabelecer diálogo. Não existem mais referenciais básicos mínimos. E qualquer tipo de discussão não faz mais sentido. Isso é a grande perda. O ministro (da Educação, Abraham Weintraub) escreve ‘imprecionante’, fala que universidade é local de balbúrdia, de produção de metanfetamina. Como combater isso? Você fica o tempo inteiro sendo atacado e não faz o menor sentido. É isso e não a orientação ideológica que todo o governo tem”.

Foi como definiu o debate político brasileiro a antropóloga campista Manuela Cordeiro. Graduada em Ciências Sociais na Uenf, há seis anos professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e de férias na cidade natal, após passar boa parte de 2019 cursando pós-doutorado em Portugal, ela foi a entrevistada no início da manhã de hoje (16) do Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3. Ela também falou sobre o que considera a tentativa de privatização das universidades públicas brasileiras pelo governo federal. E citou como exemplo o programa “Future-se”, lançado pelo ministro da Educação olavista:

— Existem várias questões. Uma delas, que eu poderia falar, é a possibilidade do “Future-se”, que é o programa que vem sendo discutido. Pelo menos na UFRR, está aberto a consulta pública. Esse programa que foi lançado pelo ministério da Educação, ele começa com um vício de origem. Não foi discutida com as universidades a formulação dessa proposta. Uma consulta pública feita depois, quando tudo já está desenhado, é muito diferente de uma construção em conjunto. Se é para a autonomia financeira das universidades, isso acaba sendo uma porta de entrada para outros interesses. Se o investimento for privado para a realização de pesquisas, vai se comprometer o resultado final, que acaba por ter que atender a uma demanda. Quem faz consultoria na iniciativa privada sabe disso. Qual o limite de entrada de capital privado dentro das universidades, que fere de cara a autonomia universitária? O objetivo é ir asfixiando a universidade para se chegar à privatização.

A entrevista com a antropóloga campista gerou muita participação em comentários ao vivo no link do streaming do programa (aqui) na página da Folha FM no Facebook. Muitos feitos por professores universitários como Manuela:

— Contra o “Future-se” só temos uma saída, o fortalecimento da autonomia financeira das universidades! — escreveu o professor Raul Palácio, reitor da Uenf.

— Pertinente a ponderação do prof. Raul, o interesse é maior: querem privatizar as universidades e os IF’s, ou militarizar os pensamentos — acusou Elias Rocha Gonçalves, professor da rede Faetec/Isepam.

— Independente do regime político, por trás dos exemplos dados sobre a universidade e retorno à sociedade estava um projeto de Nação. Penso que as políticas públicas, programas e projetos não devam existir isoladamente — pontou a historiadora Guiomar Valdez, professora aposentada do IFF.

Defensores do governo Bolsonaro também fizeram o contraponto no espaço democrático do Folha no Ar nas redes sociais:

— Assim como foi nessas gestões (do PT no governo federal) que os bancos, a Odebrecht, OAS, obtiveram lucros memoráveis. Isso não foi privatização, mas foi beneficiamento de alguns setores privados — comentou Eduardo Manhães, telespectador do programa pelo streaming.

No grupo de WhatsApp do progama, um debate prévio foi gerado a partir de um questionamento do odontólogo Marco Barcellos. Ele sugeriu que se perguntasse a Manuela como Campos poderia sair da classificação desfavorável no Ided. Antes mesmo do Folha no Ar, foi solicitamente respondido no grupo pelo secretário municipal de Educação, Brand Arenari. Também ex-aluno da Uenf, seu áudio de resposta foi reproduzido no programa, após a pergunta de Marco ser lida.

 

Confira abaixo os vídeos com os três blocos da entrevista de Manuela:

 

 

 

 

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Diretor do TB, Fernando Rossi fecha nesta sexta a semana do Folha no Ar 1ª edição

 

(Arte: Eliabe de Souza,o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (17), quem fecha a semana do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3, é o diretor teatral Fernando Rossi. Ele falará sobre os três anos da reabertura de Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira, cuja direção assumiu desde o início do governo Rafael Diniz (Cidadania), além dos anos de experiência à frente do Teatro do Sesi e da cena cultural de Campos como um todo. Na entrevista também será abordada a polêmica aberta pelo especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, do grupo de humor Porta dos Fundos para a Netflix Brasil. Que satiriza Jesus na ficção como homossexual, chegou a ser censurado e depois liberado pela Justiça. Com ataques constantes contra a cultura e os intelectuais, protagonizados pelo bolsonarismo olavista, ele também falará do papel da arte como resistência.

Quem quiser acompanhar ao vivo, pode fazê-lo aqui a partir das 7h da manhã desta sexta, na página da rádio mais ouvida de Campos e região no Facebook.

 

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Fred revela conversa com Wladimir para aprovar 20% de remanejamento na LOA

 

No Folha no Ar, Fred Machado revelou conversa com Wladimir para aprovar remanejamento de 20% na LOA de 2020 (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

“Para ser sincero, eu conversei com (o deputado federal e pré-candidato a prefeito) Wladimir (Garotinho, PSD) por telefone. Só porque realmente precisando definir essa situação. Então ele falou: ‘Então eu vou ver com a oposição o que eu posso fazer aqui’. Eu tive uma conversa com (o vereador de oposição) Álvaro (Oliveira, SD). E nessa conversa com ele, a gente teve um contato telefônico com Wladimir, que ficou de analisar essa situação. Eu só cheguei para ele e falei: ‘Eu queria que vossa excelência pensasse se futuramente, se fosse prefeito, se trabalharia bem com 10% de remanejamento. O senhor pensa e dá a sugestão à oposição. E ele disse: ‘Fred, eu vou tentar conversar com a oposição, ver o posicionamento deles e passar a você’. Depois dali, eu não tive mais conversa com ele. A bancada (de oposição) veio com 15%. Eu falei: ‘Com 15% não tem condição. E eu tenho certeza de que prefeito nenhum governaria, principalmente com essa situação dos royalties’. E ali eles fecharam comigo, deram a mão dos 20%”.

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fred Machado (Cidadania), revelou com exclusividade no início da manhã de hoje, em entrevista ao vivo no Folha no Ar 1ª edição, foi assim que acabou o impasse na votação da Lei de Orçamento Anual (LOA) para 2020. Aprovada (aqui) na sessão de ontem (14), no valor de R$ 1,9 bilhão, o impasse era o percentual de remanejamento que o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) terá em seu último ano de mandato. Nem os 30% que teve nos três primeiros anos, nem os 10% que queria o G8, quando a LOA foi rejeitada (aqui) na sessão de 20 de dezembro. Com a união dos vereadores do governo e da oposição, o grupo “independente” acabou rachado. Três dos seus vereadores também votaram a favor dos 20% aprovados.

O presidente da Câmara de Campos também revelou com se deram esses votos do G8 favoráveis ao governo:

— Ontem, por exemplo, nada escondido, eu chamei Jorginho (Virgílio, Patri) e chamei (Luiz Alberto) Neném (PTB). E falei: “Posso contar com vocês no Orçamento?”. Depois que a gente dá a mão, eu já vou tranquilo. Então e sabia que Jorginho e Neném iriam estar conversando com o G8 e passando o posicionamento deles também. Eles não estão enganando o G8, não. Eles tiveram o posicionamento deles e mantiveram após uma conversa comigo. E é isso que eu gostaria que tivesse desde o começo, antes de se formar o G8.

O entrevistado também respondeu questionamentos sobre o PreviCampos, feitos por Marco Alexandre Gonçalves, jovem estudante campista de Direito da UFF-Niterói. No grupo de WhatsApp do blog e do Folha no Ar, ele perguntou qual é o hoje déficit previdenciário do funcionalismo público de Campos. E Fred deu os números da conta:

— Eu estou muto tranquilo em relação a PreviCampos, porque a gente está para terminar em 10 dias sua CPI na Câmara. Tem umas coisas que a gente deve estar encaminhando ao Ministério Público. Eu sei que hoje a Prefeitura repassa uma base de R$ 14 milhões todo o mês para o PreviCampos. São R$ 168 milhões/ano. E já tem uma previsão que foi feita em audiência pública de que até 2052, a PreviCampos vai ser deficitária.

O presidente do Legislativo goitacá também falou das expectativas para as eleições de outubro próximo, em Campos e São João da Barra, governada por sua irmã, a prefeita Carla Machado (PP).

— Rafael era o novo diante de uma política velha. E pegou todos os vícios da política velha para tentar consertar. E com isso colocou a popularidade dele em jogo, porque tinha que tomar medidas drásticas para poder tentar governar o município. O ex-governador (Anthony Garotinho, sem partido), quando perdeu a eleição (de 2016) para Rafael, disse que ele em quatro meses não conseguiria pagar os servidores. Ele é adivinho? Acho que Rafael pode, sim, se recuperar. E é melhor que se resolva agora quem vai estar do lado dele e quem não vai estar. E eu acho que deve ter uma mudança administrativa muito grande dentro do governo. Uma mudança política. Os principais adversários, pelo que estou vendo, são Caio Vianna (PDT) e Wladimir. Eu tenho certeza que Rafael vai estar no segundo turno.

— Carla (que em 15 de novembro perdeu o filho único, o empresário Pedro Machado, em acidente automobilístico) está se espiritualizando demais, está indo a muito grupo de oração, lendo a Bíblia. Eu acho que é isso que fortalece. Ela está passando dia após dia. Mas já está fazendo reunião com os secretários, está agindo a vida. E eu acho que é isso que ela tem que fazer. Ela tem que se envolver com o trabalho, que é a coisa que ela mais gosta na vida. Carla adora política, adora o Executivo. Eu acho com certeza que ela vai estar recuperada e na ativa. Eu acredito muito na vitória da minha irmã. Carla tem um carisma grande, ela gosta do povo de São João da Barra. Eu tenho certeza absoluta que, se ela vier, ela leva — apostou Fred.

 

Confira abaixo os dois blocos da entrevista no Folha no Ar:

 

 

 

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De Campos a Roraima, antropóloga Manuela Cordeiro esta quinta no Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A antropóloga campista Manuela Cordeiro será a entrevistada desta quinta (16) do Folha no Ar, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Cria da Uenf, ela é há anos professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e passou boa parte de 2019 cursando pós-doutorado em Portugal. No programa, ela contará sua história pessoal e acadêmica da planície goitacá até um dos quatro únicos estados brasileiros no hemisfério norte, acima da linha do Equador. E da evasão das melhores mentes de Campos e do Brasil. Também falará sobre os projetos que desenvolve na UFRR e da realidade que enfrenta na fronteira brasileira com o caos da Venezuela de Nicolás Maduro. Além do que pensa sobre a política educacional do governo Jair Bolsonaro (sem partido), capitaneada pelo polêmico ministro olavista Abraham Weintraub. Poeta premiada nos tempos de estudante em Campos, falará também sobre literatura.

Quem quiser acompanhar o streaming ao vivo do programa na manhã desta quinta, pode fazê-lo aqui, na página da rádio mais ouvida de Campos e região no Facebook.

 

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Wladimir reage a crítica: “quem é oposição de verdade, não precisa fazer de conta”

 

Wladimir respondeu a crítica feita em um contexto político que envolve Fred, Rafael, Igor, Rodrigo e Caio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

“Somos oposição ao governo desde o primeiro dia, nunca acreditamos no projeto político de Rafael Diniz (Cidadania). Ser oposição ao governo é uma coisa, oposição a cidade é outra. Qualquer governo precisa de margem de remanejamento orçamentário, ficar adiando a votação não seria saudável a ninguém. Fred Machado (Cidadania) me ligou e eu disse que não confiava no governo ao ponto de votar o que eles queriam, mas que entedia a importância de aprovar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Tem um grupo que aprovou tudo que o prefeito quis: aumento de IPTU, aumento da taxa de iluminação pública e coleta de lixo, fim da passagem social, fim do cheque cidadão, não brigou pro aumento aos servidores públicos e por aí vai. Mas, agora, com a proximidade da eleição tentam descolar do desgaste e colocar uma máscara de bom moço. Quem é oposição de verdade não precisa fazer de conta”.

Foi como Wladimir Garotinho (PSD), deputado federal e pré-candidato a prefeito de Campos, reagiu na manhã de hoje à crítica recebida por um site local ligado do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), principal apoiador da pré-candidatura a prefeito de Caio Vianna (PDT). Com endereço certo de destinatário e remetente, a crítica do site foi feita ao fato do presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fred Machado, ter revelado na manhã de hoje (aqui) ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, que conversou por telefone com Wladimir. Foi antes do presidente do Legislativo goitacá fechar o acordo com a oposição que rachou o G8 e ontem aprovou (aqui) a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2020, no valor total de R$ 1,9 bilhão, com o percentual de 20% de remanejamento ao prefeito Rafael.

Líder derrotado do G8, o vereador Igor Pereira (PSB) também é muito ligado aos Bacellar, desde os tempos da Campos Luz. Ele queria limitar o remanejamento ao prefeito em 10%, que foi de 30% dos três primeiros anos de Rafael e era de 50%, nos oito anos do governo municipal Rosinha Garotinho (hoje, Patri). Com a aprovação dos 20% articulada por Fred com a oposição garotista, liderada por Wladimir, três vereadores do G8 votaram contra os interesses de Igor:  Jorginho Virgílio (Patri), Luiz Alberto Neném (PTB) e Enock Amaral (PHS). O que o site ouvinte atento do Folha no Ar esqueceu de dizer é que, antes de Fred, quem ligou duas vezes para Wladimir foi Igor. E (relembre aqui) recebeu um não ao que o deputado classificou como “uma extorsão da Câmara Municipal”.

 

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Fred aprova Orçamento com 20% de remanejamento e vai nesta 4ª ao Folha no Ar

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Presidente da Câmara Municipal, o vereador Fred Machado (Cidadania) será o entrevistado desta quarta (15), a partir das 7h da manhã, do Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3. Ele foi grande articulador do acordo entre governo e oposição que garantiu hoje (aqui) a aprovação legislativa da Lei Orçamentária Anual (LOA) para Campos em 2020. O valor de R$ 1,9 bilhão nunca foi novidade. Avançados 14 dias do ano, o que segurava o Orçamento de um município com mais de 500 mil habitantes era o valor do remanejamento ao prefeito Rafael Diniz (Cidadania) em seu último ano de mandato. Hoje ele ganhou 20% do total da LOA, ou R$ 380 milhões. Em seus três primeiros anos de gestão, o percentual era de 30%. E foi de 50% nos oito anos do governo Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

Em acordo com a oposição — antecipado com exclusividade aqui, desde o dia 6, no Blog do Arnaldo Neto —  Fred garantiu para seu aliado Rafael os 20% de remanejamento. Ao se aliar aos cinco vereadores garotistas, o presidente da Câmara rachou o G8. O grupo tinha emenda para limitar o percentual em 10%, que foi barrada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, emperrando (aqui) a votação da LOA no último dia 18. Vinte e sete dias depois, três vereadores do G8 aprovaram os 20%: Jorginho Virgílio (Patri), Luiz Alberto Neném (PTB) e Enock Amaral (PHS). Cinco edis votaram contra. E perderam o primeiro round das eleições municipais de outubro deste ano: o líder do G8, Igor Pereira (PSB), mais Paulo Arantes (PSDB), Joilza Rangel (PSD), Marcelo Perfil (PHS) e Ivan Machado (PTB).

 

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Soffiati alerta ao perigo do rio Paraíba, com fechamento da foz, se tornar lagoa

 

Historiador Aristides Soffiati na manhã de hoje no Folha no Ar (Foto: Cláudio Nogueira – Folha FM)

 

Com sua foz no Pontal de Atafona fechada em 2019, o rio Paraíba do Sul, como o conhecem os habitantes do Norte Fluminense, corre o risco de se tornar uma lagoa alongada. Como são hoje as lagoas de Grussaí, Iquipari e do Açu, que já foram braços do antigo delta do rio Paraíba. Do qual e só restou a foz principal entre São João da Barra (SJB) e São Francisco de Itabapoana (SFI), agora parcialmente fechada com a união do Pontal com a ilha da Convivência. Foi o que alertou na manhã de hoje, no programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, o ecohistoriador Aristides Soffiati. Para ele, desde que foi inaugurada (em 1952) a barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí, o Paraíba não é mais um, mas dois. E o segundo, no trecho que formou e corta planície goitacá, está morrendo:

 

Foz do rio Paraíba fechada entre o antigo Pontal de Atafona e a antiga ilha da Convivência (Foto: Divulgação)

 

— Esse foi o golpe final. A transposição de Santa Cecília (inaugurada em 1952, causando o início do avanço do mar em Atafona) criou dois rios Paraíba. O primeiro começa na sua nascente mesmo, na (serra da) Bocaina (em São Paulo), e termina na Baía de Sepetiba, através do rio Guandu (que recebe o desvio, para abastecer de água as indústrias e a população do Grande Rio). O outro rio Paraíba começa no rio Paraibuna de Minas (Gerais) e termina na foz de Atafona. As lagoas de Grussaí, de Iquipari e do Açu não são mais extravasores auxiliares do Paraíba em período de cheia. Se o Paraíba encher, esses braços não são reativados mais. E agora a gente vê o fechamento de mais um braço (entre o Pontal e a Convivência). E ficou só um braço estreitinho, que é o braço de Gargaú.

Segundo Soffiati, o fechamento gradual da foz natural do Paraíba pode afetar a captação d’água, que já acontece em SJB. E o processo de salinização, avançando com a perda de oposição do rio ao mar, pode também atingir a economia rural dos municípios da região, salinizando terras e impedindo seu uso para agropecuária:

— Em Campos, eu acho que a captação de água ainda não corre risco. Mas em São João da Barra já está acontecendo para abastecimento público. Em toda costa, que vai de Barra do Furado ao rio Paraíba, a salinização já está acontecendo, está avançando, está afetando a agropecuária. Na década de 1970, houve a intenção de levar o processo de levar o processo de drenagem adiante, de maneira radical. Uma empresa contratada pelo (antigo) Departamento Nacional de Obras e Saneamento, para fazer uma avaliação das obras, entendeu que a drenagem excessiva das lagoas pode acarretar a eliminação de água doce que faz contrabalanço à penetração da língua salina, tanto pela superfície. A recuperação dessas lagoas, a de Dentro, a do Luciano, a da Ribeira, deveriam ser restabelecidas e revitalizadas, para cumprirem essa função de retenção da língua salina, por cima e por baixo, pelo lençol freático.

 

EUA x IRÃ

Historiador, Soffiati abriu sua entrevista no Folha no Ar falando sobre as tensões entre Estados Unidos e Irã, a partir do assassinato do general iraniano Qasem Suleimani. Ele foi morto em um ataque com drone no Iraque, em 3 de janeiro, ordenado pelo presidente americano Donald Trump. O país dos aiatolás respondeu com um ataque de mísseis a bases militares dos EUA no Iraque, no dia 7, sem matar ninguém. No meio da tensão, um dia depois, o Irã acabou abatendo por engano um voo comercial da Ucrânia em seu próprio espaço aéreo, matando 176 pessoas. E depois de admitir o erro no sábado (11), o governo teocrático enfrenta protestos da própria população:

— O grande projeto do Suleimani estava sendo levado adiante, que é levar a expansão do Irã ao Oriente Médio. E cercar de uma certa maneira Israel. Nesse conflito, o que pode ser considerado como vitória? Acho que o Trump entende que vitória foi ter matado o general e não perder nenhum soldado. E não levar adiante, acho que alguém chamou a atenção do Trump nesse momento: “Não revida, porque essa coisa não vai parar. Não morreu ninguém e a gente sai de forma honrosa desse conflito inicial”. Mas eu acho difícil que o Irã se detenha nesse momento. De fato, o outro passo que o Irã deu foi nesse bombardeio. E a possibilidade de manter seu programa nuclear é uma vitória também. Mas é difícil falar em vitória definitiva — analisou Soffiati.

 

CRISTO NO PORTA DOS FUNDOS

No bloco intermediário da entrevista, o historiador e também crítico de cinema opinou sobre o polêmico especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, do grupo de humor Porta dos Fundos. Feito e exibido pela Netflix no Brasil, o filme satirizou Jesus em uma relação homossexual ficcional. E foi por isso censurado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), em 8 de janeiro. Mas seria liberado no dia seguinte, em decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli:

— Não assisti ao especial de Natal. Não por motivos religiosos. Não assisti simplesmente. Mas acho que um religioso, contra isso, o que ele pode fazer é não assistir também. Ele estabelece seu limite. Não é necessário que alguém impeça que a obra de arte, a peça, seja encenada. Estou aqui me lembrando do debate que eu travei com Dom (Fernando) Rifan (bispo católico tradicionalista de Campos) por conta de “A Última Tentação de Campos” (1989, dirigido por Martin Scorsese). Que não foi exibido o Cine Veneza (que então funcionava no Campos Shopping) por conta disso. Eu tive esse debate com ele pela imprensa, pela Folha da Manhã inclusive. O cristão que não gosta, que acha que não deve assistir, não assiste. É a censura que ele faz. Mesmo que (o filme) não seja grande coisa, acaba ganhando muita projeção quando a censura entra em cena — advertiu Soffiati.

 

Confira abaixo os três blocos da entrevista:

 

 

 

 

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