“Botou os ingleses na roda” — Copa do Mundo de Clubes na mesa do bar

 

Bruno Henrique comemora seu gol de empate contra o Chelsea no Mundial de Clubes, antes de dar o passe de cabeça ao segundo gol do Flamengo, nos 3 a 1 sobre o atual campeão da Conference League (Foto: David Ramos/Getty Images)

 

 

— E aí? O que achou do Mengão? — bateu de primeira Leonardo, já sentado à mesa do boteco, assim que Aníbal chegou, se sentou e pediu um copo ao garçom.

— Achei o que acho desde 2019. O jogo é grande? Gigante? Chama o Bruno Henrique! — respondeu com mesma satisfação com que enchia seu copo de Estrela Galícia.

— É inegável. Bruno Henrique tem muita estrela. Saiu do banco, empatou o jogo e deu a assistência ao segundo, de Danilo.

— E foi eleito com justiça o melhor da partida. Ainda que Gérson, como o equatoriano Plata, também tenham jogado muito bem.

— Esses 3 a 1 de virada, em cima do Chelsea, com direito a grito de “olé” da torcida, numa Filadélfia rubro-negra, talvez tenha sido a melhor atuação do Flamengo desde que Filipe Luís assumiu como técnico do time principal, há um ano.

— Sim, Filipe Luís também tem muita estrela. Teve coragem de tirar seu melhor jogador tecnicamente, Arrascaeta, que não brilhava, para colocar Bruno Henrique, que empatou o jogo. E, como você disse, deu o passe de cabeça ao segundo, de Danilo. E este teve sua escalação na zaga bancada por Filipe Luís, no lugar de Léo Ortiz, desde o início.

— E o terceiro gol do Flamengo também saiu das mãos de Filipe Luís. Tanto quanto dos pés da jovem promessa Wallace Yan, de apenas 20 anos, que o treinador mandou a jogo. E que, até ontem, jogava videogame com os adversários do Chelsea que encarou e venceu no mundo real, para fechar o placar.

— Sim. Mas, na verdade, tudo começou no 0 a 0 do Palmeiras com o Porto, no domingo retrasado.

— Não entendi.

— Embora o Porto e o futebol português não estejam na primeira prateleira do futebol europeu, foi a primeira demonstração na Copa do Mundo de Clubes de que o futebol dos melhores times do Brasil não está abaixo da média que se pratica na Europa.

— Sim. E essa imagem ficou ainda mais nítida em outro 0 a 0, do Fluminense contra o alemão Borussia Dortmund na terça.

— Com certeza. Com 40 anos, Thiago Silva colocou o perigoso Guirassy no bolso. E o centroavante guineano do Borussia tinha sido o artilheiro da última Champions, com 13 gols, ao lado do brasileiro Raphinha, do Barcelona.

— O colombiano Jhon Arias, para variar, também jogou muito.

— Verdade. Assim como o jovem volante piauiense Hércules. Que demorou um pouco para se adaptar da sua vinda do Fortaleza. Mas, diante do Borussia, teve uma atuação diga do seu nome.

—  E o Botafogo derrubando Paris Saint-Germain do pedestal de campeão do mundo na quinta?

— Rapaz, optei por ver o jogo 6 da série final do basquete da NBA, entre o Oklahoma City Thunder e o Indiana Pacers, quase no mesmo horário. Vi o gol de Igor Jesus que definiu a partida, na tela do celular. Mas só pude acompanhar ao vivo os últimos minutos do jogo.

— E como foi o basquete?

— Exibição de autoridade do Indiana de Haliburton. Ganhou a partida de 108 a 91 e empatou a série em 3 jogos a 3. Agora, no primeiro sétimo jogo de uma final de NBA que teremos em 9 anos, desde que o Cleveland Cavaliers de LeBron James ganhou o sétimo jogo e o título em 2016, contra o Golden State Warriors de Stephen Curry. Melhor time da temporada regular deste ano, o OKC do canadense Shai Gilgeous-Alexander terá a chance de fazer o sétimo jogo neste domingo, a partir das 21h, no Paycom Center, dentro da sua casa.

— Do basquete ao futebol, não dá mais para dizer que o Botafogo é só um bairro.

— Desde o Brasileiro e a Libertadores de 2024, o Botafogo alcançou outro patamar, próximo às suas glórias do passado, com Garrincha, Didi e Nilton Santos. Ainda assim, o Botafogo é bairro, o Flamengo é bairro, o Madureira é bairro. E Saint-Germain idem. À margem esquerda do rio Sena, é um bairro de Paris.

— E o que acha dos botafoguenses dizendo que agora são campeões do mundo? Pois, na fórmula em que o Flamengo foi campeão mundial em 1981, num jogo único entre o campeão da Libertadores da América e da Champions da Europa, eles venceram.

— Acho que os botafoguenses têm todos os motivos do mundo para se orgulharem. Mas uma coisa é se preparar para tentar ganhar um título em jogo único, outra disputar um torneio com primeira fase de grupos em pontos corridos e depois mata-mata, em que o campeão terá que jogar sete jogos. São duas perspectivas e preparações bem diferentes.

— O próprio Luis Enrique, treinador espanhol do PSG, admitiu que o Botafogo impôs a melhor marcação que seu time estelar sofreu de um adversário nesta temporada. Em que o PSG se sagrou campeão da Champions após golear a Inter de Milão por 5 a 0 na final. Ou seja, pela menos na quinta, o Botafogo marcou melhor que time grande da terra do “catenaccio”.

— Pois é. E, após a merecida vitória sobre o PSG, a torcida botafoguense saiu do Rose Bowl, na Califórnia, cantando e tirando onda: “Não é mole, não; o Botafogo não é a Inter de Milão”.

— E o que você achou?

— Como disse, não vi o jogo do Botafogo. Mas prestei atenção ao que disse o jornalista inglês Tim Vickery, radicado no Rio, que viu. E comentou para diferenciar as vitórias históricas dos dois clubes cariocas: “Sem tirar nenhum mérito do grande jogo que fez, o Botafogo assumiu uma inferioridade diante do seu adversário. O Flamengo nunca fez isso”.

— Como assim?

— O Fluminense de Renato Gaúcho não fez gol, mas partiu pra cima do Borussia. Pelo que vi, ouvi e li depois do jogo, o Botafogo teve competência para marcar seu gol e se defender, mas foi o polo passivo do jogo com o PSG. Contra o Chelsea, o Flamengo foi o polo ativo, propôs o jogo quase o tempo todo. E seus três gols foram fruto disso. Enquanto o gol inglês, do português Pedro Neto, só nasceu de um erro individual de Wesley.

— Ainda assim, o Botafogo foi o primeiro clube sul-americano, em quase 13 anos, a vencer um europeu em jogo do Mundial de Clubes. A última tinha sido em 2012, quando o Corinthians venceu o Chelsea, em outro 1 a 0, quando o Mundial ainda era disputado no Japão.

— E 44 anos após aqueles 3 a 0 no Mundial de 1981, no baile de Zico e companhia em cima de um time histórico do Liverpool que levantou nada menos que quatro Champions, o mesmo número de Messi no Barcelona, sou grato por ter vivido para testemunhar mais uma vez. Agora, com Zico na arquibancada e nos 3 a 1 contra o Chelsea: “botou os ingleses na roda” — cantarolou Aníbal. Com as catedrais de Augusto dos Anjos no peito, a voz embargada, olhos infiltrados e um nó na garganta. Que desatou lentamente com o gole longo de cerveja.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Pesquisas de junho: Lula desaprovado e dificuldades à reeleição

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula desaprovado e com dificuldade de reeleição

A confirmar a AtlasIntel e a Quaest (confira aqui, aqui, aqui e aqui) de maio, três novas pesquisas apontam que o governo Lula 3 segue desaprovado pela maioria dos brasileiros em junho. E que, se o pleito de outubro de 2026 fosse hoje, não daqui a 1 ano e 3 meses, Lula teria dificuldades para se reeleger presidente em um eventual 2º turno contra possíveis adversários.

 

Maioria desaprova o governo

Na Ipsos/Ipec de junho, 55% dos brasileiros desaprovam o Lula 3, enquanto 39% aprovam e 6% não opinaram. Na pesquisa CNT/MDA de junho, 53% desaprovam o atual Governo Federal, enquanto 41% aprovam e 6% não opinaram. Com institutos e metodologias diferentes, são quase os mesmos números.

 

Dificuldades no 2º turno (I)

Já na Datafolha de junho, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, embora lidere numericamente, Lula não passaria do empate técnico no 2º turno contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), por 43% a 42% de intenções de voto. Assim como contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), por 50% a 46%.

 

Dificuldades no 2º turno (II)

Na CNT/MDA, com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, Lula também lidera numericamente, mas também não passa do empate técnico contra Tarcísio, por 41,1% a 40,4%. A pesquisa não fez projeção de um eventual 2º turno entre o líder petista e Michelle.

 

As três pesquisas de junho

A Ipsos/Ipec ouviu 2.000 eleitores de 5 a 9 de junho. Com margem de erro de 2 pontos, fez só avaliação de governo, sem levantamento eleitoral. A Datafolha ouviu 2.004 eleitores de 10 a 11 de junho. E fez apenas consulta eleitoral, sem avaliação de governo. Só a CNT/MDA, que ouviu 2.002 eleitores de 11 a 15 de junho, pesquisou ambas: avaliação de governo e eleição.

 

Confira todos os detalhes das três pesquisas nacionais neste sábado (21), no blog Opiniões, no Folha1 e na coluna Ponto Final, na Folha da Manhã.

 

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Saúde: após Bacellar ignorar convite, Wladimir fala em “sangue nas mãos”

 

Presidente da Alerj, ora governador em exercício e pré-candidato a governador em 2026, Rodrigo Bacellar e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, em 3 de agosto de 2023, no tempo da pacificação entre os dois grupos políticos, que não durou até as eleições municipais de 2024 (Foto: Divulgação)

 

 

Wladimir fala em “sangue nas mãos”

“Ainda está em tempo de ele ajudar a Saúde de Campos. Ou vai deixar as pessoas morrerem pela omissão dele em não querer ajudar? O tempo passa e ele pode até tentar fazer pose, mas vai ter sangue nas mãos”, foi o que disse ontem à coluna o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sobre o presidente da Alerj e governador em exercício, Rodrigo Bacellar (União).

 

Cobrança no domingo, réplica na segunda

Após cobrar repasses do cofinanciamento estadual à Saúde Pública de Campos, que é polo regional de atendimento hospitalar, em postagem no Instagram (confira aqui) na noite de domingo (15), Wladimir foi respondido (confira aqui) na manhã de segunda (16) por Rodrigo. Que veio como governador em exercício para inaugurar (confira aqui e aqui) o Destacamento do Corpo de Bombeiros em Farol de São Thomé.

 

Rodrigo no Farol: “Não vou ficar de briga”

“Quero dizer para o prefeito, com todo carinho, que não vou ficar de briga. Tenho mais um ano e meio como presidente da Alerj. Provavelmente entre fevereiro e março, o governador vai sair para ser candidato (a senador ou deputado federal). Eu vou assumir o Executivo do Estado do Rio de Janeiro (como o blog Opiniões adiantou aqui desde 9 de maio)”, disse Bacellar.

 

Proposta de reunião (I)

Na noite da mesma segunda, Wladimir postou (confira aqui) um vídeo no Instagram. E convidou Rodrigo para uma reunião na Prefeitura para resolver a questão dos repasses do cofinanciamento estadual à Saúde de Campos.

 

Proposta de reunião (II)

“Queria dizer ao deputado presidente da Alerj, governador em exercício, nosso conterrâneo, que não estou brigando com ele, não. Estou defendendo a nossa cidade. E como já o convidei várias vezes a vir à Prefeitura, para a gente conversar e tentar resolver esse impasse (dos repasses à Saúde), mas você nunca veio, o convite está de pé”, disse no vídeo o prefeito.

 

Proposta sem resposta

Na manhã de terça (17), o blog Opiniões procurou a assessoria do governador em exercício. Que informou (confira aqui) que ele não responderia ao convite. Mas uma fonte do seu grupo, que preferiu o anonimato, fez uma comparação irônica: “Wladimir era o conciliador, agregador. E Rodrigo era o brigão. Agora o prefeito está rancoroso, raivoso. E Rodrigo leve”.

 

Reação à recusa

Ao saber ontem, pelo blog Opiniões, que Rodrigo não responderia seu convite, Wladimir usou a imagem mais forte de “sangue nas mãos”. E também disse: “Eu conhecia um Rodrigo com várias características, mas estou conhecendo uma nova: o fujão. Para quem quer ser candidato a governador, fugir de suas responsabilidades, na sua cidade natal, já começou muito mal”.

 

Reforço ao convite

“Não é novidade que ele não tem compromisso algum com as pessoas ou com a cidade dele, mas o que se espera de um agente público na posição que ele ocupa é outra postura. Mas faço novamente o convite”, reforçou o prefeito.

 

Números de Wladimir

No cofinanciamento estadual à Saúde de Campos, que atende a doentes de vários municípios vizinhos, Wladimir disse ter recebido R$ 200 milhões em 2021, R$ 140 milhões em 2022, R$ 90 milhões em 2023, R$ 20 milhões em 2024. E nada, até aqui, em 2025.

 

Números de Rodrigo

A assessoria de Bacellar apresentou números diferentes: “No detalhamento do custeio em Saúde, foram R$ 256.462.512,54 repassados em 2021, R$ 102.488.290,46 em 2022, R$ 41.529.379,19 em 2023, R$ 38.673.068,62 em 2024 e, até o momento, R$ 13.927.192,41 em 2025”. Os dois lados prometem judicializar a questão.

 

PPI sem cofinanciamento?

Segundo Wladimir, os números da assessoria estadual misturam os repasses obrigatórios da Programação Pactuada e Integrada (PPI), ferramenta do SUS. “O que eles não estão fazendo é o cofinanciamento aos nossos hospitais municipais (Ferreira Machado, Geral de Guarus e São José). Campos teve e, misteriosamente, deixou de ter nos últimos dois anos”, cobrou.

 

Valor por cidadão

“Nos dados oficiais do próprio Fundo Estadual de Saúde, em números per capita (proporcional ao número de habitantes), Campos recebeu R$ 42,98 por cidadão. É o 54º colocado entre os 92 municípios do estado, sendo polo de Saúde de toda a região Norte Fluminense”, comparou o prefeito.

 

Preço do não repasse

“Rodrigo está esgoelando o município. Já suspendeu o repasse à Estrada dos Ceramistas, cancelou os Bairros Legais em Vila Manhães e Vila Menezes, e está zerando repasses à Saúde. Campos já está cerca de R$ 250 milhões abaixo do planejado por conta disso” precificou outra fonte do grupo dos Garotinho. Que, como a dos Bacellar, também preferiu não se identificar.

 

Rodrigo a governador

Após ter conseguido tirar o ex-vice-governador (confira aqui e aqui) Thiago Pampolha do seu caminho na sucessão, para concorrer em 2026 a governador já no cargo, Rodrigo ainda conseguiu (confira aqui) em 23 de maio a promessa de apoio de Jair Bolsonaro (PL) à sua pré-candidatura. E todas as pesquisas e eleições recentes mostram que o ex-presidente é mais popular no RJ do que o atual, Lula (PT).

 

Wladimir como vice de Paes

Se Wladimir já era cogitado como vice de Eduardo Paes (PSD) a governador, corrida em que o prefeito carioca lidera até aqui todas as pesquisas, isso ganhou projeção nacional quando (confira aqui) dito em Campos a Lula, aliado de Paes. Foi na inauguração do novo prédio da UFF, em 14 de abril. O que teria irritado Rodrigo. Que quer também o apoio do prefeito reeleito da sua cidade.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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RJ e Saúde de Campos: Wladimir propõe encontro e Rodrigo não responde

 

Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Queria dizer a vocês e ao deputado presidente da Alerj, governador em exercício, nosso conterrâneo (Rodrigo Bacellar, União), que não estou brigando com ele, não. Estou lutando e defendendo a nossa cidade. E como já te convidei (a Rodrigo) várias vezes a vir à Prefeitura, para a gente conversar e tentar resolver esse impasse (no cofinanciamento estadual à Saúde Pública de Campos, que é polo regional), mas você nunca veio, o convite está de pé”, foi o que o prefeito Wladimir Garotinho (PP) propôs na noite de ontem (16) a Rodrigo, em vídeo veiculado (confira aqui) no Instagram.

Na manhã do mesmo dia, Bacellar esteve em Campos como governador em exercício, para inaugurar (confira aqui e aqui) o Destacamento do Corpo de Bombeiros no Farol de São Thomé. E respondeu à postagem no domingo (15) de Wladimir (confira aqui) no Instagram. Em que este cobrou do adversário político o repasse estadual do cofinanciamento à Saúde de Campos. Ao que Rodrigo deu ontem sua réplica (confira aqui) ao prefeito, no Farol:

— Quero dizer para o prefeito, com todo carinho, que não vou ficar de briga. Tenho mais um ano e meio como presidente da Alerj. Provavelmente no verão, ali para fevereiro, março, o governador vai sair para a missão de ser candidato (a senador ou deputado federal). Eu vou assumir a chefia do Executivo do Estado do Rio de Janeiro (como antecipado aqui, desde 9 de maio, pela Folha) e serei governador por alguns meses. Assim o destino quis e essa é a missão que eu me comprometi com toda a Assembleia, com todo o nosso grupo, porque, repito, eu sou um cara que representa o grupo, não represento o meu próprio umbigo.

Na noite de segunda, no vídeo, Wladimir fez sua tréplica para reforçar o convite a um encontro entre os dois na Prefeitura. Que complementou:

— Assim que você (Bacellar) tiver espaço na sua agenda, estarei te esperando. Pode deixar que vai ter café quente, vai ter água fresca, desde que você venha com notícia boa para o povo da sua cidade. Afinal, Rodrigo, eu sou campista e amo a minha cidade. Você também é campista e acredito que deve amar a sua cidade. Não deixe o povo sofrer porque você não gosta de mim. Problema, a gente resolve na urna, no voto. A eleição (de 2024, quando se reelegeu a prefeito no 1º turno) já passou, eu já venci. Você tem que se conformar com isso. Então, estou te esperando, o convite está de pé. Vem aqui, vamos ter uma conversa madura, para resolver essa questão. Abraço!

Consultada hoje sobre o convite para uma reunião na nova manifestação de Wladimir, a assessoria de Rodrigo disse que o presidente da Alerj e governador em exercício não vai se pronunciar. Mas uma fonte do seu grupo, que preferiu preservar o anonimato, ironizou:

— Wladimir era o conciliador, agregador. E Rodrigo era o brigão. Agora o prefeito está rancoroso, raivoso. E Rodrigo leve.

 

Confira abaixo a íntegra do vídeo de Wladimir com o convite a Rodrigo:

 

 

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Jornalistas de Campos dos anos 80 e 90 têm pauta neste sábado

 

(Arte: Divulgação)

Iniciativa das jornalistas Jô Siqueira, Jane Nunes e Edma Nogueira, os jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e radialistas de Campos dos anos 80 e 90 do século 20 têm encontro marcado no “Teclas Antigas”. Que será realizado a partir das 14h deste sábado, dia 21, na Pizzaria Donatello, na rua Alvarenga Pinto nº 136, Parque Tamandaré, do repórter fotográfico Ricardo Avelino.

— Acredito que temos que fazer algo enquanto estamos por aqui. E numa tarde tomando café com o amigo André Castheloge, repórter cinematográfico da Record, falamos de reunir os colegas. E também vejo que ao longo dos últimos anos estamos perdendo algumas amigos. A ideia tomou grande proporção. Inicialmente, iríamos chamar a “velha guarda”, que saía para apurar as matérias na rua. Nada contra a nova geração tecnológica. Mas, acho que no fundo foi uma forma de reencontrar os amigos. Hoje, eu, a Jane Nunes e a Edma Nogueira estamos mais envolvidas — disse Jô Siqueira.

Quem ingressou no jornalismo de Campos ainda em máquinas de datilografar, antes do computador e internet tomarem conta das redações, ou das redes sociais sequer existirem, como quem aprendeu a fotografar ou filmar em filme, não em imagens digitais, tem pauta marcada no sábado. Cara a cara, não com ela enfiada em um smartphone.

 

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Repasse do RJ à Saúde de Campos opõe Bacellar e Wladimir

 

Presidente da Alerj, governador ora em exercício e pré-candidato a governador em 2026, Rodrigo Bacellar e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, em 3 de agosto de 2023, no tempo da pacificação entre os dois grupos políticos, que não durou até as eleições municipais de 2024 (Foto: Divulgação)

“A partir de hoje, passarei a denunciar publicamente a asfixia financeira intencional que vem sendo imposta à Saúde de Campos desde que um campista (Rodrigo Bacellar, União) assumiu a presidência da Assembleia Legislativa, em 2023. O cofinanciamento estadual para o custeio dos nossos hospitais públicos (Hospital Ferreira Machado, Hospital Geral de Guarus e Hospital São José) foi reduzido a zero”. Foi o que postou (confira aqui) na noite de ontem (15), no Instagram, o prefeito Wladimir Garotinho (PP).

E teve resposta na manhã de hoje, ao vivo, na praia campista do Farol de São Thomé, por parte do presidente da Alerj e governador em exercício:

— Eu quero dizer que o prefeito de qualquer cidade que for, que não concordar com o nosso projeto, será atendido também, é claro. Ele é prefeito do estado do Rio de Janeiro, que é composto por 92 cidades. Mas antecipar debate eleitoral, começar de baixaria, começar a induzir as pessoas a erros, isso é muito feio, ninguém aguenta mais isso. Saibam que eu não vou entrar nessa onda, eu agradeço o carinho aqui dos meus pares, os mais nervosos, porque é estilo, e eu entendo isso — replicou hoje Bacellar, na inauguração do Destacamento do Corpo de Bombeiros no Farol.

— Quem manda, de fato, no governo estadual do Rio é meu adversário local. Enquanto outras cidades continuam recebendo, a cidade dele foi excluída e isso não é coincidência; é boicote. Ele quer que tudo vire um caos para que as pessoas culpem apenas o governo municipal, ele não se conforma em sempre ter sido derrotado no voto. Essa atitude maldosa e dolosa revela o caráter de alguém que só faz política com chantagem e ameaça — escreveu ontem Wladimir, em seu perfil no Instagram.

— Quero dizer para o prefeito, com todo carinho, que não vou ficar de briga. Tenho mais um ano e meio como presidente da Alerj. Provavelmente no verão, ali para fevereiro, março, o governador vai sair para a missão de ser candidato (a senador ou deputado federal). Eu vou assumir a chefia do Executivo do Estado do Rio de Janeiro (como antecipado aqui, desde 9 de maio, pela Folha) e serei governador por alguns meses. Assim o destino quis e essa é a missão que eu me comprometi com toda a Assembleia, com todo o nosso grupo, porque, repito, eu sou um cara que representa o grupo, não represento o meu próprio umbigo — afirmou Rodrigo no Farol, na manhã de hoje.

— Tentei de todo jeito resolver de forma pacífica, mas é hora de a população saber a verdade. Fazer o povo e os profissionais da Saúde sofrerem de maneira proposital tem consequência, o castigo virá cedo ou tarde. Deus tudo vê. Nunca tive medo de enfrentar essas pessoas para defender o nosso povo, vou lutar até o fim e tomar todas as medidas possíveis na esfera judicial, mostrando que a política pública virou apenas barganha eleitoral — acusou Wladimir na véspera da visita de Rodrigo.

Por meio de sua assessoria, o governador em exercício e pré-candidato ao cargo em 2026, já tinha respondido hoje às acusações de Wladimir:

— De 2021 a 2025, a secretaria estadual de Saúde (SES-RJ) repassou mais de R$ 453 milhões ao município de Campos dos Goytacazes para custeio em Saúde. Os repasses constitucionais estão em dia. São verbas destinadas ao Incentivo à Assistência Farmacêutica Básica (Iafab), Programa de Apoio aos Hospitais do Interior Municipal (Pahi-M), Programa Estadual de Financiamento da Atenção Primária à Saúde (Prefaps) e Samu. Além disso, cabe ressaltar que foi repassado um apoio financeiro para o Hospital Ferreira Machado, Hospital Geral de Guarus e Hospital São José.

No cofinanciamento estadual à Saúde de Campos, que é polo regional no setor, atendendo doentes de vários municípios vizinhos, Wladimir disse ter recebido R$ 200 milhões em 2021, R$ 140 milhões em 2022, R$ 90 milhões em 2023, R$ 20 milhões em 2024 e nada, até aqui, em 2025. A assessoria de Bacellar apresentou números diferentes:

— De 2021 a 2025, cerca de R$ 40 milhões foram repassados ao município para investimentos em Saúde, incluindo a reforma e modernização do Hospital Geral de Guarus e a implantação do Centro de Hemodiálise, com investimento total de R$ 15 milhões do Governo do Estado. Campos dos Goytacazes recebeu nove ambulâncias do projeto “Samu 100% RJ”. No detalhamento do custeio em Saúde, foram R$ 256.462.512,54 repassados em 2021, R$ 102.488.290,46 em 2022, R$ 41.529.379,19 em 2023, R$ 38.673.068,62 em 2024 e, até o momento, R$ 13.927.192,41 em 2025. Ao final deste ano, os valores repassados pelo estado à Saúde de Campos serão superiores aos de 2024 — garantiu a assessoria do governo estadual.

 

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Saúde, vereança e eleições 2026 no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Médico ortopedista, ex-subsecretário de Saúde de Campos e vereador recém-empossado (confira aqui), Dr. Maninho (PP) é o convidado do Folha no Ar desta terça (17), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará sobre as críticas recentes à Saúde Pública do município, na relação com os hospitais contratualizados (confira aqui e aqui) e no fechamento (confira aqui) do Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI). E analisará os quase seis primeiros meses do governo Wladimir 2.

Ele também falará da reforma administrativa da gestão municipal, na qual chegou a vereança no lugar de Fábio Ribeiro (PP), que assumiu a secretaria municipal de Obras, e da expectativa do seu papel na Câmara Municipal.

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, Maninho tentará projetar as eleições a presidente (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui), senador (confira aqui) e deputados em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano de 3 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Nova guerra de Israel: petróleo sobe e prefeito de Macaé em bunker

 

Prefeito de Macaé, Welberth Rezende na cidade israelense de Kfar Saba, fora do bunker entre os intervalos dos mísseis lançados pelo Irã, e a capital de Israel, Tel Aviv, bombardeada no contra-ataque iraniano (Fotos: Divulgação/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Campos e região lucram com guerras de Israel?

Como a escalada do conflito no Oriente Médio, nos bombardeios aéreos na quinta (12) e sexta (13) de Israel ao Irã, que contra-atacou com mísseis e drones, pode influenciar diretamente Campos e outros municípios petrorrentistas da região? Base de cálculo dos royalties, o preço do barril Brent de petróleo chegou a subir 13% na madrugada de sexta, ultrapassando US$ 78.

 

Prefeito de Macaé em bunker israelense

Além do impacto econômico, o Norte Fluminense vive a tensão humana do conflito. Prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania) está em Israel (confira aqui, aqui, aqui e aqui), junto a uma comitiva de prefeitos brasileiros em missão técnica sobre cidades inteligentes, segurança pública e infraestrutura urbana. Todos foram transferidos a um bunker do governo israelense na cidade de Kfar Saba.

 

Welberth: “Sinto-me seguro”

Como o espaço aéreo de Israel está fechado, não há previsão de voos para retorno ao Brasil. Mas a embaixada brasileira em Tel Aviv, capital do país, coordena os esforços para repatriar os brasileiros assim que possível. “Estamos em um bunker projetado para resistir a impactos poderosos. Por mais que estejamos em um clima de guerra, me sinto seguro”, disse Welberth.

Impactos positivos, mas nem tanto

Mas e os impactos econômicos a Campos, Macaé e região, com a maior alta intradiária do preço do barril de petróleo desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em março de 2022? Eles serão positivos? Sim, mas nem tanto, para o economista Alcimar Ribeiro e o especialista em finanças Igor Franco, professores, respectivamente, da Uenf e Uniflu.

 

Economista Alcimar Ribeiro, professor da Uenf, e especialista em finanças Igor Franco, professor do Uniflu (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Preço do petróleo a curto prazo

“O aprofundamento do conflito no Oriente Médio joga uma nuvem de pessimismo na conjuntura econômica mundial. A região do conflito é responsável por 1/3 da produção global de petróleo. Com os preços estabilizados neste ano, em função do esfriamento da economia mundial, a expectativa de curto prazo é de possível escalada do preço”, disse Alcimar.

 

Seis por meia dúzia? (I)

“Para regiões exportadoras de petróleo, como o estado do Rio de Janeiro, não dá para imaginar vantagens dessa situação. A possível escalada do preço do petróleo, caso o conflito escale, tende a ser amortecida pela retração da demanda pela fragilização da economia mundial. Não há beneficiários em um ambiente hostil como este”, ressalvou o economista.

 

Subida do petróleo antes e após ataque

“Antes mesmo das explosões em Teerã, o mercado já antecipava tensões: o barril de petróleo subia com força diante dos rumores sobre o impasse nas negociações nucleares e a disposição crescente de Israel em atacar o Irã. Após os bombardeios, o Brent e o WTI chegaram a subir mais de 10%, em meio à queda das bolsas globais”, lembrou Igor.

 

Seis por meia dúzia? (II)

“Do ponto de vista dos municípios produtores, a perspectiva é de uma recuperação de curto prazo nas verbas do petróleo. Mas pouca coisa muda, pois o preço do barril está no mesmo patamar de março de 2025. Até o momento, o ataque israelense tem o efeito de segurar a queda que era observada na cotação da commodity”, ponderou o especialista em finanças.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“E quando a posição de Moraes com Bolsonaro chegar aos juízes de 1º grau?”

 

Estátua da Justiça no STF, ministro Alexandre de Moares, ex-presidente Jair Bolsonaro e advogada criminalista de Campos Tânia Rocha dos Santos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Vítima julga algoz no STF?      

“Ele (Alexandre de Moraes) é vítima em um processo (na tentativa de golpe de Estado pela qual Bolsonaro e outros 30 réus estão sendo julgados no STF). E como essa vítima vai julgar com a imparcialidade que requer esse processo?”. Foi o que indagou a advogada criminalista Tânia Rocha dos Santos, no programa Folha no Ar, na manhã de quinta (12).

 

“Retrocesso jurídico”

“E nós estamos falando do STF, do Supremo, a última instância a que se pode recorrer, o guardião da nossa Constituição Federal de 1988. É um retrocesso jurídico. Os dois dias (9 e 10, segunda e terça desta semana) de interrogatório dos réus (confira aqui) têm causado muita insegurança nos juristas, pois o próprio julgador acusa e faz perguntas”, alertou a advogada.

 

Juiz no papel do promotor

“Na atualização do Código de Processo Penal, o sistema acusatório deve ser respeitado. O juiz só preside, ele não deve fazer perguntas, só em caso de dúvida ao final. Ele não tem que interrogar, não tem que buscar provas. As provas já foram constituídas no inquérito policial. A Polícia e o Ministério Público já prepararam o processo para a audiência”, explicou Tânia.

 

Moraes em efeito cascata a juízes de 1º grau

“A gente vê um atropelo grande da própria Constituição. E nós vamos recorrer a quem? Isso impacta a gente, aqui, na nossa cidade, sim. Impacta porque os juízes estão olhando ele (Moraes), que é uma referência. E quando esses juízes de 1º grau tomarem uma posição como essa?”, questionou a criminalista de Campos.

 

“Na dúvida, pró-réu, não ‘pau no réu’”

“Existe promotor, existem policiais, existe uma investigação. E o juiz está ali para presidir. Se existem provas, condena. Se não existem provas, absolve. E, se existe dúvida, pró-réu, a favor do réu; não ‘pau no réu’. Não cabe ao juiz buscar provas para condenar. Que é o que está se vendo (com Moraes no STF)”, pontuou a advogada.

 

Politização do STF terá “impacto devastador”

Indagada ao final do Folha no Ar se vê uma politização do STF, além do que prevê a tripartição entre Poderes, Tânia foi enfática: “Sim, existe (a politização da instância máxima do Judiciário brasileiro), muito além. E estamos todos muito temerosos. Juridicamente falando, o impacto (da condução do julgamento de Bolsonaro por Moraes) será devastador”, concluiu.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Gabriel Rangel — Como e quem assume o governo do RJ até 2026

 

Thiago Pampolha, Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro (Foto: Divulgação)

 

Gabriel Rangel, doutorando em Direito (UFF), com pós-graduação em Direito Eleitoral (IDP/DF)

Desdobramentos jurídicos da dupla vacância no Executivo do RJ

Por Gabriel Rangel

 

Introdução

A estabilidade e a continuidade do Poder Executivo são pilares fundamentais para a governabilidade de qualquer ente federativo. No Brasil, a Constituição Federal e as Constituições Estaduais estabelecem um arcabouço jurídico para lidar com situações de vacância nos cargos de chefia, visando a garantir a transição e o preenchimento das lacunas de poder de forma ordenada e democrática. No Estado do Rio de Janeiro, a possibilidade de dupla vacância nos cargos de governador e vice-governador, seja por renúncia, impedimento ou cassação, suscita uma série de questionamentos jurídicos complexos, especialmente no que tange à sucessão provisória e à modalidade das eleições para o “mandato-tampão”.

Este artigo se propõe a analisar esses desdobramentos jurídicos, considerando as disposições da Constituição do Estado do Rio de Janeiro e a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Serão abordados dois cenários distintos: 1) a dupla vacância por razões não eleitorais, geralmente decorrente de renúncia ou impedimento, e 2) a dupla vacância por razões eleitorais, resultante de cassação de mandato. A distinção entre esses cenários é crucial, pois as regras para a sucessão e a realização de novas eleições diferem significativamente, impactando a dinâmica política e a representatividade do mandato subsequente. A análise será pautada no referencial jurídico pertinente e nas projeções decorrentes da atual conjuntura.

 

Dupla vacância por razões não eleitorais

A Constituição do Estado do Rio de Janeiro, em seus artigos 141 e 1422, espelha os artigos 80 e 81 da Constituição Federal, delineando o procedimento em caso de impedimento ou vacância dos cargos de governador e vice-governador. No cenário de renúncia de ambos os chefes do Poder Executivo, o processo de sucessão é claramente definido.

No artigo 141 da Constituição Estadual, em caso de impedimento ou vacância do governador e do vice-governador, a chefia do Poder Executivo será assumida sucessivamente pelo presidente da Assembleia Legislativa e, na sua impossibilidade, pelo presidente do Tribunal de Justiça. Essa sucessão é de caráter provisório, visando a manter a continuidade administrativa até que novas eleições sejam realizadas para o preenchimento definitivo dos cargos.

A duração do “mandato-tampão” e a modalidade das eleições subsequentes dependem do momento em que a dupla vacância ocorre em relação ao período do mandato. O artigo 142 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro estabelece que, se a vacância dos cargos de governador e vice-governador ocorrer nos dois primeiros anos do período governamental, uma eleição direta deverá ser realizada 90 dias após a abertura da última vaga. Nesse caso, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Rodrigo Bacellar, assumiria interinamente a chefia do Executivo, convocaria eleições diretas em até 90 dias para a população eleger novos governador e vice-governador para completar o restante do mandato.

Por outro lado, se a dupla vacância ocorrer nos últimos dois anos do mandato, a eleição para ambos os cargos será feita 30 dias depois da última vaga (a renúncia do governador, pois o vice-governador renunciou em 21/05/20253), pela Assembleia Legislativa.

Isso significa que a eleição para o “mandato-tampão” será indireta, conduzida pelos deputados estaduais da ALERJ. Em ambos os cenários, os eleitos deverão completar o período remanescente dos seus antecessores.

É crucial destacar que o STF tem se debruçado sobre a interpretação dessas normas, especialmente no que tange à autonomia dos entes subnacionais. Em 2022, no julgamento das ADIs 7137 e 7142, o STF reafirmou sua jurisprudência no sentido de que os entes subnacionais não estão obrigados a seguir o modelo federal, que prevê eleições indiretas na hipótese de dupla vacância no último biênio do mandato. Contudo, essa margem de discricionariedade encontra limites objetivos na própria Constituição Federal, em razão do modelo brasileiro de democracia representativa, em que o poder é exercido pelos representantes eleitos.

Mais recentemente, em 2025, no julgamento das ADIs 7085 e 7138, o STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivos das Constituições dos Estados do Rio Grande do Sul e do Rio Grande do Norte. Esses dispositivos determinavam que, em caso de vacância dos cargos de governador e de vice no último ano do mandato, a chefia do Executivo deveria ser exercida no período restante, sucessivamente, pelos presidentes da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.

No acórdão, o ministro relator Cristiano Zanin consignou em seu voto que, embora o art. 81, § 1º, da CF não seja considerado cláusula de reprodução obrigatória pelos entes subnacionais, a jurisprudência do STF é firme sobre a imprescindibilidade da realização de novas eleições, diretas ou indiretas, em caso de dupla vacância dos cargos de chefia do Poder Executivo nos últimos dois anos do mandato.

Portanto, em caso de renúncia do governador (Cláudio Castro) no último biênio do mandato, diante da renúncia do vice-governador (Thiago Pampolha), o presidente da Alerj (Rodrigo Bacellar) assumiria a chefia do Executivo e, em 30 (trinta) dias, convocaria eleições indiretas a serem realizadas pela Alerj para o término do mandato-tampão. Este cenário, todavia, aplica-se estritamente quando as razões da renúncia ou impedimento não tiverem natureza eleitoral.

 

Dupla vacância por razões eleitorais

A complexidade dos desdobramentos jurídicos da dupla vacância se intensifica quando a causa reside em razões eleitorais, mais especificamente, na cassação de mandatos. No Estado do Rio de Janeiro, a pendência de julgamento de um recurso no Tribunal Superior Eleitoral referente à Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije nº 0606576-54.2022.6.19.0000) adiciona uma camada de incerteza ao cenário político atual.

A referida Aije, interposta pela Procuradoria Regional Eleitoral, questiona o acórdão proferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que, por maioria, julgou improcedente o pedido de cassação em relação ao governador, vice-governador e presidente da Alerj, por suposto abuso de poder político e econômico em contratações alegadamente irregulares na Ceperj e Uerj. O Recurso Ordinário Eleitoral, sob relatoria da Ministra Isabel Gallotti, tem julgamento previsto para o corrente ano no TSE.

Caso o recurso seja provido, a condenação dos recorridos ensejará a cassação dos respectivos mandatos, o que alterará substancialmente o “tabuleiro político” do Executivo estadual. Nesse cenário, a assunção da chefia do Executivo pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro seria o primeiro desdobramento, seguido pela realização de novas eleições.

A distinção fundamental, nesse caso, reside na aplicação do Código Eleitoral, que inverte a regra das eleições diretas e indiretas para o “mandato-tampão” em situações de impedimento ou vacância por razões eleitorais. O artigo 224 do Código Eleitoral, em seus parágrafos 3º e 4º, estabelece que a decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário acarreta a realização de novas eleições, independentemente do número de votos anulados.

O § 4º do mesmo artigo detalha as modalidades de eleição: será indireta se a vacância do cargo ocorrer a menos de seis meses do final do mandato; e direta nos demais casos. Isso significa que, diferentemente da dupla vacância por renúncia, onde a regra geral é a eleição direta nos primeiros dois anos e indireta nos últimos dois, em caso de cassação de mandato a eleição será direta, salvo se a cassação ocorrer no último semestre do mandato do titular.

 

Projeções e cenários

Considerando as premissas estabelecidas, é possível delinear quatro cenários em caso de provimento do recurso no TSE e consequente cassação dos mandatos do governador, vice-governador e presidente da Alerj:

Cenário 1): Desprovimento do Recurso pelo TSE, renúncia do governador: o presidente da Alerj assumirá a chefia do Poder Executivo e, por se tratar do último biênio do mandato, em 30 dias, determinará eleições indiretas para o “mandato-tampão”, a serem realizadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Cenário 2): Absolvição do presidente da Alerj, e cassação dos mandatos do governador e vice-governador até 30 de junho de 2026 (últimos seis meses do mandato): Se a decisão do TSE pela cassação dos mandatos da eleição majoritária ocorrer até essa data, o presidente da Alerj assumirá a chefia do Poder Executivo. As eleições subsequentes para o “mandato-tampão” serão indiretas, a serem realizadas pela Alerj.

Cenário 3) Cassação dos mandatos do governador, vice-governador e presidente da Alerj até 30 de junho de 2026 (últimos seis meses do mandato): Se a decisão do TSE pela cassação dos mandatos ocorrer até essa data, o presidente do TJ-RJ assumirá a chefia do Poder Executivo. As eleições subsequentes para o “mandato-tampão” serão indiretas, a serem realizadas pela Alerj, sem a participação do Deputado Rodrigo Bacellar, que estaria inelegível (artigo 22, XIV, LC 64/90). Este cenário se enquadra na exceção prevista no artigo 224, § 4º, inciso I, do Código Eleitoral.

Cenário 4): Cassação dos mandatos após 01 de julho de 2026: Se a cassação dos mandatos ocorrer a partir dessa data, as eleições para os cargos de governador e vice-governador serão diretas. Isso se deve ao fato de que a vacância ocorreria fora do período de seis meses que antecede o término do mandato, conforme o artigo 224, § 4º, inciso II, do Código Eleitoral. Nesse caso, a população do Estado do Rio de Janeiro seria chamada às urnas para eleger seus novos representantes para o restante do período de mandato.

A concretização de um desses cenários dependerá intrinsecamente do “timing” do julgamento do recurso pelo TSE e do momento da possível renúncia do governador para fins de desincompatibilização. A repercussão política e social de cada um desses desdobramentos é considerável, impactando a legitimidade do processo sucessório e a percepção da sociedade sobre a estabilidade institucional.

 

Considerações finais

A dupla vacância na chefia do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro representa um ponto crítico para a governabilidade e a estabilidade democrática. A legislação vigente, em consonância com a jurisprudência do STF, estabelece um roteiro claro para a sucessão provisória e a realização de eleições para o preenchimento dos cargos vagos. Contudo, a distinção fundamental entre vacância por razões não eleitorais e vacância por cassação de mandato eleva a complexidade da análise, alterando as regras para as eleições subsequentes.

A pendência do julgamento no TSE adiciona um elemento de imprevisibilidade ao panorama político fluminense. A decisão do Tribunal, seja ela pela manutenção ou pela cassação dos mandatos, terá repercussões diretas sobre quem assumirá o comando do Estado e como o restante do mandato será preenchido. A transparência e a celeridade dos processos judiciais, nesse contexto, são cruciais à segurança jurídica e a confiança da população nas instituições.

Por derradeiro, a análise aprofundada da dupla vacância no Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro sublinha a importância de um sistema jurídico robusto e de uma interpretação coerente das normas constitucionais e eleitorais. A garantia de uma transição ordenada e democrática, independentemente das circunstâncias que levem à vacância, é essencial para a República e para a efetividade do modelo de democracia representativa.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Folha no Ar desta 6ª: Wladimir 2, Garotinhos, Bacellar e eleições 2026

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-vereador, presidente do Podemos em Campos e pré-candidato a deputado estadual, Thiago Virgílio é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele avaliará os seis primeiros meses do segundo governo Wladimir Garotinho (PP). E falará do papel dos Bacellar (confira aqui), dos Garotinhos (confira aqui) e do seu Podemos no pleito estadual do próximo ano.

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, Thiago tentará projetar as eleições a presidente (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui), senador (confira aqui) e deputados em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano de 3 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Folha no Ar desta 5ª: homicídios que chocaram Campos e Bolsonaro no STF

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Advogada criminalista, Tânia Rocha dos Santos é a convidada do Folha no Ar nesta quinta (12), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ela tentará projetar o julgamento, marcado (confira aqui) para 30 de julho, do assassinato a tiros (confira aqui) da gestante Letycia Peixoto da Fonseca e seu filho Hugo Peixoto, no oitavo mês de gestação, em 2 de março de 2023. Que teria como mandante Diogo de Nadal, pai do bebê morto com sua mãe.

Tânia também falará da expectativa do julgamento do homicídio de (confira aqui) Vinícius Azevedo, subsíndico do condomínio de apartamentos Mais Parque Ipê, em 26 de fevereiro deste ano. Também a tiros, ele teria sido morto pelo condômino José Renato de Queiroz. Que (confira aqui) preferiu ficar em silêncio na audiência de instrução e julgamento.

Por fim, a advogada criminalista analisará o julgamento penal (confira aqui e aqui) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 30 réus no Supremo Tribunal Federal (STF). Que são acusados (confira aqui) pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, formação de organização criminosa armada, dano qualificado sobre o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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