Cara a cara com Moraes, Bolsonaro pede desculpas e o chama para vice

 

Cara a cara com Alexandre de Moraes no STF, Jair Bolsonaro pediu desculpas ao ministro e, brincando, o convidou a ser seu vice em 2026, mesmo inelegível até 2030. Moraes declinou do convite (Foto: André Borges/EPA)

 

 

Bolsonaro cara a cara com Moraes

Em 18 de fevereiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas foram denunciadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Em 23 de março, a denúncia foi aceita e os acusados se tornaram réus. Ontem (10) à tarde, se deu o esperado depoimento de Bolsonaro ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

 

Sem a tensão de Lula com Moro

Quem esperava a mesma tensão de 10 de maior de 2017, quando o então ex-presidente Lula (PT) depôs pela primeira vez ao então juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, o hoje senador Sergio Moro (União/PR), ela não se repetiu. Embora inelegível até 2030, Bolsonaro chegou até a brincar com Moraes, convidando-o para vice na sua chapa presidencial em 2026.

 

Moraes não quer fotos

Ao responder às perguntas de Moraes, Bolsonaro anunciou algumas visitas suas já programadas pelo país. E disse que poderia mandar as fotos dos eventos a Moraes, para provar o quanto ainda é popular. Ao que o ministro relator respondeu: “Eu declino”.

 

Nem ser vice de Bolsonaro

Os dois riram, como o resto do plenário do STF, e Bolsonaro perguntou: “Posso fazer uma brincadeira?” Ao que Moraes, ainda rindo, disse: “O senhor quem sabe. Eu perguntaria aos seus advogados antes”. Sem fazê-lo, o ex-presidente emendou: “Eu quero convidá-lo a ser meu vice em 2026”. E, tentando conter o riso, o ministro respondeu: “Eu declino novamente”.

 

Ex-presidente se desculpa

Um pouco antes, Moraes leu transcrição de Bolsonaro em reunião, quando disse que ministros do STF receberiam dezenas de milhões de dólares para prejudicá-lo nas eleições de 2022. E perguntou que indícios o réu tinha para afirmar isso. Além de admitir que não tinha ou tem nenhum indício, o ex-presidente disse, em momento raro de humildade: “Me desculpem!”

 

Bolsonaristas por Bolsonaro (I)

Quando passou a responder às perguntas do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Bolsonaro endossou a desinteligência geralmente atribuída ao bolsonarista médio. Sobretudo os que, inclusive em Campos, promoveram manifestações não só em defesa do então presidente, quanto de intervenção militar e reedição do AI-5.

 

Bolsonaristas por Bolsonaro (II)

“Alguns poucos falavam até em AI-5. Quantas vezes eu orientava o pessoal que chegava, em movimentos nossos pelo Brasil, eu chegava para quem estava com a placa do AI-5. Questionava: ‘O que é AI-5?’. Eles nem sabiam o que era isso. Intervenção militar, isso não existe. É pedir pro senhor praticar o suicídio, isso não existe”, respondeu Bolsonaro

 

O que foi o AI-5?

Abreviatura de Ato Institucional nº 5, o AI-5 foi o momento mais duro momento da última ditadura militar do Brasil (1964/1985). De 1968, no governo do general Costa e Silva, permitiu o fechamento do Congresso e assembleias legislativas, institucionalizou a censura aos meios de comunicação e suspendeu garantias constitucionais individuais como habeas corpus.

 

Minuta do golpe é o eixo

Na escrita presente da História do Brasil, a definição do caso no STF parece girar sobre a minuta do golpe. Que foi apresentada por Bolsonaro ao seu ministro da Defesa e chefes das três Forças Armadas, no Palácio do Alvorada, em 7 e 14 de dezembro de 2022. Com a eleição de Lula (PT) já definida e reconhecida internacionalmente desde 30 de outubro daquele ano.

 

Bolsonaro, brigadeiro e general confirmam

A primeira cópia da minuta do golpe foi encontrada pela Polícia Federal em um armário do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. A existência do documento e sua discussão no Alvorada foram confirmadas em depoimento por Bolsonaro e seus ex-chefes da Força Aérea e do Exército, respectivamente, brigadeiro Carlos Baptista Júnior e general Freire Gomes.

 

A versão do almirante réu

Já o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, tentou ontem relativizar a minuta: “Eu não vi minuta, ministro. Eu vi uma apresentação na tela do computador”. Réu no caso, ele também negou ter hipotecado a Bolsonaro o apoio de tropas da sua Força à tentativa do golpe. Os ex-comandantes do Exército e Força Aérea não são réus porque se negaram a fazer.

 

General réu alertou da gravidade

Outra liderança militar presente às reuniões de dezembro de 2022 no Alvorada, o ex-ministro da Defesa general Paulo Sérgio Nogueira foi mais um réu que tentou relativizar a minuta do golpe. Mas admitiu ontem diante de Moraes: “Alertei da seriedade, da gravidade, se ele (Bolsonaro) estivesse pensando em estado de defesa, estado de sítio”.

 

“Dentro das quatro linhas”? (I)

Perguntado por Moraes, em reforço a uma pergunta de um Gonet sem nenhum traquejo de promotor criminal, se o debate sobre decretação de estado de defesa ou de sítio, proposta na minuta, era uma alternativa ao resultado eleitoral, Bolsonaro respondeu: “Exato”. Mas, no seu mantra: “dentro das quatro linhas da Constituição”. É o que a 1º Turma do STF vai decidir.

 

“Dentro das quatro linhas”? (II)

Como indicativo, o último parágrafo da minuta: “para assegurar a necessária restauração do Estado Democrático de Direito no Brasil, jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas da Constituição Federal de 1988, declaro o Estado de Sítio; e, como ato contínuo, decreto Operação de Garantia da Lei e da Ordem”.

 

A ver

Nada do que foi revelado, até aqui, altera a projeção sem paixão feita pela coluna desde 29 de março: “Bolsonaro será condenado por tentativa de golpe de Estado pelo STF. Possivelmente, em setembro deste ano, com pena que pode chegar a 40 anos de prisão. Provavelmente, pela unanimidade dos cinco ministros da 1ª Turma do STF”. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Bacellar, Wladimir e pesquisas a 2026 no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Empresário, colunista da Folha da Manhã e especialista em pesquisas, Murillo Dieguez é o convidado do Folha no Ar nesta quarta (11), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele avaliará os seis primeiros meses do governo Wladimir 2 e a atividade comercial em Campos.

Murillo também analisará o protagonismo dos campistas Rodrigo Bacellar (confira aqui) e Wladimir (confira aqui) na política fluminense. Bem como o resultado das pesquisas estaduais a governador (confira aqui) e senador (confira aqui) para outubro do próximo ano.

Por fim, também com base nas pesquisas mais recentes (confira aqui, aqui, aqui e aqui) de avaliação do governo Lula 3 e para presidente, tentará projetar as urnas de 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano e 3 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Uma semana após Yara, Francimara e SFI no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-prefeita de São Francisco de Itabapoana, Francimara Barbosa Lemos (SD) é a convidada do Folha no Ar desta terça (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ela fará um balanço, com o que considera seus maios acertos e erros, dos oito anos de gestão em SFI, de 2017 a 2025.

Francimara também avaliará estes quase seis primeiros meses de gestão Yara Cinthia (SD) no município, e falará do rompimento com a ex-aliada (confira aqui, aqui, aqui e aqui), que ajudou a eleger sua sucessora.

Por fim, a ex-prefeita tentará projetar as eleições de 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano e 3 meses, a presidente, governador, senador e deputados.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Crônica — Lula, Bolsonaro, pesquisas e eleição 2026 na mesa do bar

 

Lula e Bolsonaro brindando com cerveja em montagem de Inteligência Artificial (Imagem: Reprodução)

 

— E as novas pesquisas? O que achou? — indagou Roberto, já sentado à mesa do boteco, assim que Aníbal chegou.

— Tanto a AtlasIntel, divulgada na sexta da semana passada, quanto a Quaest, divulgada em duas partes, com avaliação de governo na quarta e a parte eleitoral na quinta, são muito ruins a Lula — respondeu Aníbal, assim que se sentou, antes de pedir o copo americano ao garçom e enchê-lo com a Spaten já pela metade na mesa, com seu vidro verde suado na camisinha térmica.

—Sim, foi muito ruim. Teve sua maior desaprovação popular nas séries históricas de 11 pesquisas da AtlasIntel, desde janeiro de 2024, e de 12 pesquisas Quaest, desde junho de 2023. A desaprovação do brasileiro ao Lula 3 chegou a 53,6% na AtlasIntel. E a 57% na Quaest.

— Isso na parte da aprovação de governo. E o reflexo eleitoral a par e passo. Na AtlasIntel, embora tenha liderado ao 1º turno nas consultas estimuladas, com a apresentação dos nomes dos candidatos ao eleitor, ficou atrás de Tarcísio e de Michelle nas simulações de 2º turno.

— Isso entre os possíveis adversários elegíveis da direita. Porque, se Bolsonaro pudesse ser candidato, hoje estaria à frente de Lula nos 1º e 2º turnos, segundo a AtlasIntel

— Exato. E a ameaça de derrota pareceu ainda maior na Quaest. No que ela mostrou e escondeu.

— Mostrou e escondeu?

— No que mostrou, Lula teria empate exato com Bolsonaro na projeção de 2º turno. E, embora numericamente à frente, não iria além do empate técnico, na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, no 2º turno contra Tarcísio, Michelle, Ratinho Jr. e até Eduardo Leite, que recentemente trocou um decadente PSDB pelo PSD de Kassab e Eduardo Paes.

— Ok. Mas o que escondeu?

— Já viu pesquisa presidencial sem consulta estimulada ao 1º turno? Lógico que a Quaest também fez. Mas como assumiu na Globo, com muita competência do cientista político Felipe Nunes, CEO do instituto, o lugar que já foi da Datafolha e do falecido Ibope, que teve sobrevida natimorta em 2022 como Ipec, a Quaest não divulgou agora sua estimulada ao 1º turno de 2026 porque o resultado, muito provavelmente, foi ainda pior para Lula.

— Você acha mesmo?

— Acho mais. Que os institutos estão medindo a erosão que o deslumbramento inoportuno de Janja também está causando na popularidade de Lula. E que ela não deve ser menor que o escândalo do INSS ou a trapalhada de Haddad, logo o mais lúcido desse governo, com o IOF. Mas os números sobre Janja as pesquisas não divulgam.

— O escândalo do INSS, para mim, é o pior. Um governo que vinha conseguindo deixar para trás a lembrança do Mensalão e do Petrolão, que existiram, a despeito da seletividade política e da parcialidade escancarada de Moro que anularam a maior parte do segundo processo, agora se reconecta à corrupção com o roubo do dinheiro dos aposentados.

— Os desvios bilionários do INSS começaram em 2016, no governo Temer. E seguiram com Bolsonaro e Lula. Só que a culpa, aos olhos do povo, sempre cai sobre o governo de turno. Mas você está certo, isso estourar agora, tem sobre a conexão popular entre Lula e corrupção o mesmo efeito do copo de cerveja que você toma em jejum, após acordar de ressaca: o álcool novo reativa o do sangue ao cérebro. Que se reconecta no ato ao porre da noite anterior.

— A advogada Tônia Galleti, ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social, afirmou com todas as letras que alertou pessoalmente o hoje ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, sobre o problema dos descontos indevidos dos aposentados logo assim que o dono do PDT tomou posse da pasta. Isso foi em janeiro de 2023. E Lupi nada fez.

— Ver o PDT de Leonel Brizola nas mãos de alguém como Lupi é constatar o monstro de Frankenstein, montado com partes de corpos mortos do Centrão, que o trabalhismo getulista se tornou. E digo mais: ao não fazer nada e deixar o escândalo estourar só em 23 de abril de 2025, com a Operação Sem Desconto da Polícia Federal, o Lula 3 perdeu a mesma oportunidade que Bolsonaro desperdiçou com a pandemia da Covid em 2020.

— Como assim?

— Se Bolsonaro não tivesse sido aliado do vírus, ao pregar abertamente contra uso de máscaras, a favor da imunidade de rebanho e da cloroquina, com o apoio criminoso do Conselho Federal de Medicina…

— Além de se revelar o ser humano mais abjeto ao imitar pessoas morrendo sufocadas de Covid.

— Pois é. Se no lugar disso tudo, Bolsonaro tivesse sido um líder minimamente responsável na pandemia em 2020, não precisaria de golpe de Estado Tabajara para se manter no poder em 2023. Seria pelo voto, talvez até em turno único. Como Lula, se tivesse denunciado e combatido com rigor a corrupção no INSS logo assim que assumiu o governo em 2023. Se agisse ali com firmeza, pavimentaria a estrada de tijolos amarelos de Oz à reeleição em 2026.

— Sim, mas Lula não fez e o resultado está aí, nas pesquisas. Além da perda de 1 milhão de seguidores em suas redes sociais nos últimos seis meses.

— A perda de apoio a Lula no Instagram e Facebook foi levantada pela consultoria Ativaweb. Que, como as pesquisas AtlasIntel e Quaest, apontou dois dos motivos: INSS e IOF. Mas também colocou o óbvio: as falas indevidas de Janja.

— Isso foi medido com critério estatístico?

— Em 14 de maio, dia seguinte a Janja desrespeitar o protocolo diplomático para criticar o Tik Tok com o presidente da China, Xi Jinping, 60% das menções ao fato foram negativas nas redes sociais brasileiras. A Ativaweb mostrou o que as pesquisas devem até levantar, mas omitem.

— A verdade nunca é machista ou misógina. Em números sem gênero, é só a verdade. Mas e aí, acha o quadro atual reversível até outubro de 2026?

— Impossível, não é. Só que, hoje, a pouco mais de 1 ano e 3 meses da urna, parece pipa embicada na queda. Mas as pesquisas, sobretudo a Quaest, mais detalhada nesse corte, mostram que a melhor chance de reeleição de Lula seria enfrentar um Bolsonaro no 2º turno. Seria uma batalha de rejeições enormes de lado a lado, como foi em 2022.

— Que foi definida por apenas 1,8 ponto dos votos válidos, a menor diferença final numa eleição presidencial desde que o 2º turno foi adotado no Brasil, a partir de 1989.

— Todas pesquisas apontam que o antipetismo é muito maior que o bolsonarismo. Um entre cada quatro eleitores que votou em Lula no 2º turno de 2022, hoje não o faria. Como dois entre cada três brasileiros não quer que ele se candidate à reeleição. Para além dos antolhos dos dogmas de fé da esquerda, essa é a largura medida da frustração com o Lula 3.

— Como dois entre cada três brasileiros não quer Bolsonaro candidato.

— Pois é. Antes tarde do que nunca, o eleitor tomou juízo — ressalvou Aníbal em riso de alívio.

— Mas mesmo se preso por tentativa de golpe de Estado, tendo em Moraes um juiz tão parcial quanto Moro, Bolsonaro ainda será um cabo eleitoral de peso em 2026.

— Bolsonaro, se insistir na bravata de ser candidato só para colocar outro Bolsonaro como cabeça de chapa na reta final de 2026, repetirá Lula em 2018. Quando, mesmo preso, colocou Haddad no 2º turno e tirou Ciro, que todas as pesquisas apontavam ser o único capaz de bater o capitão. A verdade é que Lula e Bolsonaro são sombra de mangueira: nada cresce ao redor.

— Deu no que deu. E está dando! — concluiu Roberto, na desesperança de quem foi encher o copo de cerveja, constatou que só saía espuma da garrafa vazia, encoberta pela camisinha, e não avistou o garçom para pedir outra.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Pesquisas: Lula deixou de ser favorito à reeleição em 2026?

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Momento ruim à reeleição de Lula

A 1 ano e 4 meses da urna de 2026, a virada de maio a junho de 2025 foi ruim à pretensão de reeleição do presidente Lula (PT). Segundo a pesquisa Quaest divulgada na quinta (5), além de ostentar 57% de rejeição, o que inviabilizaria matematicamente sua vitória, hoje o petista não iria além do empate técnico nas simulações de 2º turno com cinco nomes da direita.

 

Empate no 2º turno com 5 nomes da direita

Em um hipotético 2º turno contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030, Lula empataria numericamente em 41% a 41%. E empataria tecnicamente, na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e com os governadores Tarcísio de Freitas (REP/SP), Ratinho Jr. (PSD/PR) e Eduardo Leite (PSD/RS).

 

Empate técnico com os 4 nomes elegíveis

Em um eventual 2º turno contra Tarcísio, Lula teve na Quaest 41% a 40% nas intenções de voto. Na margem de erro, é um empate técnico. Que o presidente repetiria contra Michelle (43% a 39%), Ratinho Jr. (40% a 38%) e Eduardo Leite (40% a 36%).

 

Felipe Nunes, cientista político e CEO da Quaest

Rejeição ao governo vira rejeição eleitoral

“Pela primeira vez, a rejeição ao governo está se transformando em rejeição eleitoral a Lula, alavancando as candidaturas dos potenciais herdeiros de Bolsonaro. Todos aparecem crescendo ou já empatados na margem (de erro) com Lula (nas simulações de 2º turno)”, resumiu Felipe Nunes, cientista político e diretor do instituto Quaest Pesquisa.

 

À frente de Eduardo, Zema e Caiado

Hoje, Lula só lidera além da margem de erro nas simulações de 2º turno contra o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), a quem bateria por 44% a 35%. Como aos governadores, respectivamente, de Minas Gerais e Goiás, Romeu Zema (PL), por 42% a 33%; e Ronaldo Caiado (União), por 43% a 33%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Direita com espaço que Lula não tem

Além dos 57% que dizem conhecer e não votar em Lula, rejeição matematicamente proibitiva, e dos 40% que conhecem e votam, só 3% não o conhecem. Este espaço reduzido é muito maior com Tarcísio, desconhecido por 39%. Taxa que chega a 48% com Ratinho Jr, 53% com Leite, 60% com Zema e 62% com Caiado. É uma floresta virgem a ser explorada que Lula não tem.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Thomas Traumann, jornalista e ex-ministro da Comunicação do governo Dilma Rousseff

“Lula deixou de ser favorito à reeleição”

“A pesquisa mostra que Lula deixou de ser favorito para a eleição de 2026. Por quê? Tanto Tarcísio, quanto Zema e Caiado são ainda desconhecidos: 39% dos brasileiros não sabem quem é Tarcísio, mas quando colocado o nome ‘Tarcísio de Freitas’, ele aparece empatado com o presidente”, constatou (confira aqui) o jornalista Thomas Traumann, ex-ministro da Comunicação de Dilma Rousseff (PT).

 

Qualquer não Bolsonaro bate Lula no 2º turno

“Chegou-se a um mau-humor tão grande quanto ao governo (de Lula) que qualquer candidato que não tenha o sobrenome Bolsonaro, se chegar no 2º turno, tem chances reais de vitória”, projetou o ex-ministro da Comunicação de Dilma.

 

Bolsonaros são melhor chance de Lula

A pesquisa Quaest mostra o que muitos analistas diziam: a melhor chance de reeleição de Lula é contra um Bolsonaro. Inelegível, o ex-presidente tem 55% dos brasileiros que conhecem e não votam nele. Esse percentual de conhecimento e não voto chega a 51% com Michelle e a 56% com Eduardo. Como o presidente, todos os nomes do clã do ex têm rejeições proibitivas.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Rejeição menor à direita sem Bolsonaro

Por outro lado, os que conhecem e não votam em Tarcísio de Freitas são 33%, 31% em Eduardo Leite, 29% em Ratinho Jr, 25% em Ronaldo Caiado e 22% em Romeu Zema. E, com rejeição e conhecimento muito menores do que Lula e qualquer Bolsonaro, Tarcísio e Leite já aparecem tecnicamente empatados com o presidente em um eventual 2º turno.

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Resumo da ópera

“A Quaest trouxe oito cenários de 2º turno. Neles, Lula está empatado com Bolsonaro e tecnicamente empatado com Tarcísio, Michelle, Ratinho e Leite. Mas segue à frente, acima da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, de Eduardo, Zema e Caiado ” sintetizou o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Ameaça real à reeleição de Lula

“No entanto, Caiado, Zema, Leite e Ratinho carregam as maiores taxas de desconhecimento do eleitorado. O que, num eventual embate com o atual presidente da República, sobretudo numa eleição de 2º turno, poderia ser revertido em potencial de voto em desfavor de Lula. E, consequentemente, ameaçar sua reeleição”, concluiu William.

 

Brasileiros não querem Lula ou Bolsonaro

Em outro dado negativo a Lula, 66% dos brasileiros acham que ele não deveria se candidatar à reeleição em 2026. Para 32%, ele deveria, com 2% que não opinaram. Enquanto Bolsonaro, inelegível até 2030, deveria desistir da pré-candidatura presidencial agora e apoiar outro nome para 65% do eleitorado. Só 26% acham que deveria manter, com 9% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quem Jair deveria apoiar?

E quem Bolsonaro deveria apoiar a presidente em 2026? Tarcísio é o preferido para 17%, com 16% para Michelle, 11% para Ratinho Jr, 7% para Pablo Marçal (PTRB), 5% para Caiado, 4% para Eduardo e Leite, cada um; e 3% para Zema. Outros 16% acham que o ex-presidente não deveria apoiar nenhum desses nomes, com 15% que não souberam opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Polarização Lula x Bolsonaro cansou

“Há um outro recado claro nessa pesquisa: cansaço da polarização Lula x Bolsonaro! De um lado, 65% afirmam que Bolsonaro deveria abrir mão de sua candidatura agora e apoiar outro nome. Do outro lado, 66% acham que Lula não deveria ser candidato à reeleição. Patamar mais elevado da série histórica até agora”, resumiu Felipe Nunes, diretor da Quaest.

 

Lula 3 vive pior desaprovação (I)

As dificuldades de Lula já tinham sido adiantadas pela Quaest na quarta (4), quando foi divulgada (confira aqui) a primeira parte da pesquisa, sobre aprovação de governo. E o Lula 3, com 57% de desaprovação pelos brasileiros, teve sua pior avaliação desde junho de 2023, na série histórica de 12 pesquisas do instituto. Outros 40% aprovam o governo, com 3% que não opinaram.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Lula 3 vive pior desaprovação (II)

Cinco dias antes da Quaest, a fase ruim do Lula 3 também já havia sido adiantada (confira aqui e aqui) com a divulgação da pesquisa AtlasIntel. Na qual o Governo Federal teve 53,7% de desaprovação entre os brasileiros, contra 45,4% de aprovação e 0,7% que não opinaram. Também foi a maior desaprovação da gestão Lula desde janeiro de 2024, numa série de 11 pesquisas AtlasIntel.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Pesquisas Quaest e AtlasIntel: Lula 3 vive sua maior desaprovação

 

Em 2 anos e meio desde sua posse e a 1 ano e 4 meses da urna de 2026, governo Lula 3 vive sua maior desaprovação. Após a AtlasIntel (relembre aqui e aqui) em 30 de maio, hoje (4) foi a vez da pesquisa Quaest. Na qual 57% dos brasileiros desaprovam o Governo Federal, contra 40% que aprovam e 3% que não souberam opinar.

Na série histórica de 12 pesquisas nacionais Quaest, desde abril de 2023, é a maior desaprovação do Lula 3. Que já havia colhido sua maior desaprovação, desde janeiro de 2024, na série de 11 pesquisas AtlasIntel. Na qual, há 5 dias, a gestão Lula teve 53,7% de desaprovação entre os brasileiros, contra 45,4% de aprovação e 0,7% que não opinaram.

Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a Quaest divulgada hoje ouviu presencialmente 2.004 brasileiros, de 29 de maio a 1º de junho. Com margem de erro de 1 ponto, a AtlasIntel divulgada na sexta consultou virtualmente 4.399 eleitores, de 19 a 23 de maio. Com institutos e metodologias diferentes, o Lula 3 vive sua pior desaprovação popular.

 

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Bets, retorno e limites com presidente da Loterj no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Advogado com experiência no serviço público federal e presidente da Loterj, Hazenclever Lopes Cançado é o convidado do Folha no Ar desta quarta (4), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará sobre o papel pioneiro da autarquia, em quase meio século de existência, na modernização da sua atividade em loterias.

Hazenclever também falará do retorno social e tributário das 19 Bets hoje em atividade pela Loterj. Bem como da perspectiva de criar até 60 mil empregos com o projeto de terminais de vídeo loteria (VLT), em fase de regulamentação.

Por fim, o presidente da Loterj falará da necessidade e formas para se impor limites ao que se pode chamar de jogo responsável por parte dos apostadores.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Fábio, Diego e Leon na Prefeitura, Maninho, RioLu e Feres na Câmara

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Tão especulada, a reforma administrativa do governo Wladimir Garotinho (PP) teve sua primeira etapa definida. Nesta segunda (2) será publicada em Diário Oficial: os vereadores Fábio Ribeiro (PP), Diego Dias (PDT) e Leon Gomes (PDT) sairão da Câmara Municipal para assumir secretarias, enquanto Dr. Maninho (PP), Luciano Rio Lu (PDT) e Marcelo Feres (PDT) saem do governo municipal para assumir como vereadores.

— Amanhã vai ser publicada no DO a primeira etapa da reforma administrativa, com parte do novo organograma já sendo implementado. Faremos em duas ou três etapas, mês a mês, para melhor planejamento das ações. Vale lembrar que as mudanças têm caráter técnico para atender ao Termo de Acordo de Gestão (TAG) junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Mas terá reflexo político e direto na Câmara de Vereadores. Na primeira etapa, Diego, Leon e Fábio assumem secretarias. E Maninho, RioLu e Feres assumem como vereadores — disse Wladimir ao blog.

 

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Lula cresce desaprovação e brasileiro volta a ver corrupção como maior problema

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula tem sua maior desaprovação

A pouco mais de 1 ano e 4 meses da urna de 2026, o governo Lula 3 tem sua maior desaprovação desde janeiro de 2024. Hoje, são 53,7% os brasileiros que desaprovam e 45,4% que aprovam. Se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030, pudesse ser candidato e o 1º turno da eleição fosse hoje, ele ficaria à frente de Lula por 46,7% a 43,9%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Líder no 1º turno, atrás de Tarcísio e Michelle no 2º

Contra possíveis adversários elegíveis, Lula supera todos nas simulações de 1º turno. Ele teria 44,1% de intenção contra 33,1% a presidente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP). E 44,4% contra 33,5% da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Mas Lula perderia para ambos no 2º turno. Por 45,1% a 48,9% para Tarcísio. E por 45,3% a 49,8% para Michelle.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Empate técnico com Bolsonaro inelegível

Se Bolsonaro pudesse ser candidato em 2026, Lula também ficaria numericamente atrás dele num eventual 2º turno, mas em empate técnico na margem de erro de 1 ponto para mais ou menos: 45,5% do atual presidente contra 47,5% do ex. Divulgada hoje, a pesquisa AtlasIntel ouviu 4.399 eleitores de todo o Brasil, entre os dias 19 e 23 de maio.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Corrupção volta a ser o maior problema

Numa série de 11 pesquisas desde janeiro de 2024, a AtlasIntel de maio revelou outro dado preocupante à reeleição de Lula. De janeiro a abril de 2025, a criminalidade era apontada como o maior problema do país. Mas, em maio, após a revelação em 23 de abril do escândalo de desvios no INSS, a corrupção voltou a ser o maior problema para 60% dos brasileiros.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Pai dos pobres” desaprovado por 60% dos pobres

Na questão da desaprovação à sua gestão, outro dado preocupante à reeleição de Lula. Que sempre teve votação mais alta entre os eleitores de baixa renda. Nos cortes de renda familiar mensal da AtlasIntel, na que vai de R$ 0 a R$ 2.000, são 60,4% os que desaprovam o atual Governo Federal, com apenas 34,9% que aprovam e 0,2% que não souberam opinar.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Especialista: “Altíssima precisão”

“A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg coleta informações pela internet com margem de erro de altíssima precisão, de 1 ponto para mais ou para menos. A desaprovação ao governo Lula subiu acima da margem de erro, de 50,1% para 53,7%, em apenas um mês, de abril a maio de 2025”, destacou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Cenário pós-escândalo do INSS

“Outro dado da pesquisa que chama a atenção é o crescimento da corrupção enquanto maior problema do Brasil, de 47% na pesquisa de abril para 60% agora, na pesquisa de maio. Esse crescimento coincide com o escândalo de fraudes no INSS, do qual resultou o pedido de demissão do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT)”, concluiu William.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Colapso da Enel em Campos, Norte e Noroeste Fluminense

 

Os campistas Rodrigo da Silva Rodrigues, de 25 anos, e Carlos Eduardo Muniz Ribeiro, de 36, foram eletrocutados até a morte for fio de alta tensão em 7 de maio, no Jardim Boa Vista, em Guarus (Fotos: Redes Sociais/Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado estadual Flavio Serafini e Professora Natália, ex-candidata a prefeita e vereadora de Campos pelo Psol (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Pela não renovação da concessão da Enel RJ

Apagões, descaso e sofrimento: o colapso do serviço da Enel no Norte e Noroeste Fluminense

 

Por Flavio Serafini e Professora Natália

 

Após quase 30 anos de concessão, a Enel RJ, sucessora da Ampla e da antiga Cerj, solicita a renovação de seu contrato de distribuição de energia elétrica, que vence no final de 2026, por mais 30 anos.

No ano passado, o Governo Federal publicou o Decreto nº 12.068/2024, que disciplina os critérios para renovação das atuais concessões. O decreto estabelece dois requisitos fundamentais para que uma distribuidora tenha seu pedido de renovação aceito: (i) eficiência na continuidade do fornecimento, medida pelos limites anuais globais dos indicadores de continuidade de Frequência (FEC) e Duração (DEC), por três anos consecutivos, entre 2020 e 2024; (ii) sustentabilidade da gestão econômico-financeira, aferida por dois anos consecutivos, entre 2021 e 2024.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá analisar o pedido da Enel RJ nas próximas semanas. Após isso, encaminhará sua recomendação ao ministério de Minas e Energia (MME), que terá 30 dias para se manifestar.

Se você caminhar pelas ruas e conversar com a população, dificilmente encontrará alguém disposto a defender a Enel RJ. Apagões frequentes, tarifas elevadas e atendimento precário são queixas generalizadas. Não à toa, a concessionária costuma figurar na relação das empresas com maior número de reclamações no Procon-RJ, bem como se destacar no volume de ações judiciais. Diversas CPIs já foram abertas, na Alerj (2019) e em Câmaras Municipais (Niterói, São Gonçalo, Cabo Frio, Campos…), para apurar irregularidades nos serviços prestados. Sem falar nos milhões de reais em multas que diferentes órgãos públicos aplicaram na concessionária. As fontes sobre esses assuntos na internet são vastas.

Levantamento realizado pelo nosso mandato coletivo estadual (Flavio Serafini Psol-RJ), com base em dados públicos da Aneel, revela que aproximadamente 50% dos conjuntos elétricos operados pela Enel no estado extrapolaram os limites de DEC e FEC estabelecidos pela agência reguladora, nos últimos três anos.

É importante destacar: não se espera que o fornecimento de energia elétrica seja perfeito ou que nunca haja interrupções. Problemas naturais e operacionais acontecem. O que se exige é que esses episódios ocorram dentro dos limites aceitáveis definidos pela Aneel e, preferencialmente, com índices reduzidos. O fato de metade dos conjuntos elétricos operados pela Enel terem ultrapassado esses limites comprova a gravidade do problema.

 

A situação do Norte e Noroeste Fluminense

A situação no Norte e Noroeste Fluminense segue a mesma lógica de colapso observada em outras regiões atendidas pela Enel. O quadro mais crítico está no chamado “Alto Noroeste”, que abrange os municípios de Itaperuna, Natividade, Laje do Muriaé, Porciúncula, Varre-Sai, Bom Jesus do Itabapoana, São José de Ubá, Cambuci e Italva. Segundo dados da Aneel, essa região é atendida por sete conjuntos elétricos: Cruzamento, Natividade, Itaperuna, Vila Nova, Italva, Santo Antônio de Pádua e São Fidélis.

De acordo com os dados consolidados mais da metade (52,3%) desses conjuntos ultrapassaram os limites de DEC da Aneel nos últimos três anos. Outros 33,3% apresentaram desempenho acima de 80% do limite, o que, embora tecnicamente dentro do parâmetro, já indica grave deterioração do serviço. Apenas 14,2% mantiveram índices abaixo desse patamar.

Ter um terço dos conjuntos elétricos operando acima de 80% do limite já é inaceitável. Mas ultrapassar o teto regulatório em mais da metade deles significa impor, à população do Noroeste Fluminense, um cotidiano de apagões, insegurança e prejuízos, um sofrimento crônico causado por uma concessionária que falha em garantir o mínimo: o fornecimento regular de energia elétrica.

Ao analisarmos os dados por município, o retrato é igualmente grave. Bom Jesus do Itabapoana teve 100% dos seus cinco conjuntos elétricos acima do limite em 2022. Em 2023 e 2024, o percentual foi para 60%, mas os outros 40% permaneceram acima de 80% do limite. Itaperuna manteve uma média de 60% dos conjuntos extrapolando os limites nos últimos três anos. Natividade, Varre-Sai e Porciúncula registraram média de 66% com os mesmos problemas. Todos os municípios da região apresentaram conjuntos elétricos fora do padrão estabelecido pela Aneel, em todos os últimos três anos.

No Norte Fluminense, o padrão de descumprimento persiste. À exceção de Cardoso Moreira e São Francisco do Itabapoana em 2024, todos os municípios registraram ao menos um conjunto com índices acima do limite nos últimos três anos. Macaé teve desempenho particularmente negativo: em média, 40% de seus conjuntos extrapolaram o limite, e outros 11% ficaram acima dos 80%. Em Campos, a média foi de 16,6% por ano, além de outros quase 20% acima dos 80% de limite.

Mais do que números, esses dados refletem vidas afetadas. A negligência na manutenção preventiva da rede pode ter (confira aqui) custado vidas: Rodrigo da Silva Rodrigues, de 25 anos, e Carlos Eduardo Muniz Ribeiro, de 36 anos, morreram eletrocutados em Campos no dia 7 de maio. Por isso, apresentamos representação formal ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), solicitando investigação rigorosa sobre as responsabilidades da ENEL nesse caso.

Diante desse cenário, protocolamos também na Aneel uma solicitação de audiência pública sobre o pedido de renovação da concessão da Enel, para garantir que a população do estado possa se manifestar sobre essa questão essencial para suas vidas.

Além disso, encaminharemos um relatório com os dados técnicos e relatos da população à Aneel, ao Ministério de Minas e Energia e à Câmara dos Deputados nas próximas semanas. Lançamos também a campanha FORA ENEL, que inclui um abaixo-assinado digital e presencial.

Esperamos que o Governo Federal não autorize a renovação da concessão e promova uma nova licitação para a distribuição de energia elétrica em mais de 60 municípios do estado, garantindo um serviço digno, confiável e compatível com a importância do povo fluminense.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“Bacellar com o poder que Garotinho teve” e “chapa Paes/Wladimir imbatível”

 

Mauro Silva, Rodrigo Bacellar, Jair Bolsonaro, Eduardo Paes e Wadimir Garotinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Rodrigo mais forte do que Picciani foi

“Comparando as épocas, o Rodrigo (Bacellar, União) tem hoje mais força do que o (Jorge) Picciani (morto em 2021) teve como presidente da Alerj. Rodrigo é a pessoa mais forte no cargo no tempo que acompanho política”. Foi o que disse ontem, ao Folha no Ar, o jornalista Mauro Silva, secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Wladimir Garotinho (PP).

 

Como a Folha antecipou

“Como a coluna ‘Ponto Final’ adiantou (confira aqui e aqui), o (Thiago) Pampolha (MDB) foi (renunciou ao cargo de vice-governador para ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e permitir a Rodrigo concorrer a governador em 2026 já no cargo, a partir da renúncia de Cláudio Castro). O pessoal dizia: “Ele não vai”. Mas acabou indo. Estratégia de quem? De Rodrigo”, creditou Mauro.

 

Bacellar com poder que teve Garotinho

“A força de Rodrigo mostra como Campos gera talento na política. E Campos não pode ser prejudicada por essas forças. O Wladimir está sempre correndo atrás pela gestão dele. Rodrigo exerce um poder na política fluminense que o (Anthony) Garotinho exerceu na época (em que se elegeu governador em 1998 e a esposa, Rosinha, em 2002)”, comparou o secretário.

 

A força de Wladimir

“O que a gente pede é que essa força se reverta pelo estado, pelo município, pelo diálogo. Não numa queda de braço contra a força inegável também de Wladimir. Que tem todas as condições de ser candidato a governador, como Washington (Reis, MDB, secretário estadual de Transporte) disse; a vice-governador, a senador, ao que ele queira”, projetou Mauro.

 

Prefeitura antes das eleições

“Acho que cada um tem a sua força. Vejo que é importantíssima a participação do Wladimir, em qualquer cenário. Acho que ele está pronto para isso. Com certeza, Campos vai ganhar muito com a ascensão do Wladimir. Mas acho que ainda é cedo para falar nas eleições estaduais. Porque o prefeito continua focado no aprimoramento do governo”, ressalvou.

 

Pregação de consenso

“Quero acreditar que, por ser campista, Rodrigo não vai trabalhar contra a cidade, só por achar que Wladimir será um adversário na próxima eleição. Se fizer isso, não estará prejudicando só Wladimir, mas a população de Campos. A gente precisa rever essa discussão e chegar a um consenso”, pregou o secretário de Desenvolvimento de Campos.

 

Bolsonaro x Paes no RJ

“Eu vejo que a competitividade de Rodrigo está associada a Bolsonaro (PL), se ele entrar de corpo e alma na campanha (do primeiro a governador). Mas vejo também a força que já exerce Eduardo Paes (PSD, prefeito do Rio reeleito, também pré-candidato a governador e líder em todas as pesquisas até aqui) na capital”, ponderou Mauro Silva na Folha FM.

 

Chapa Paes/Wladimir seria imbatível?

“Eduardo Paes tem chamado Wladimir para conversar, que também vem conversando com todos os segmentos. Acho que uma chapa entre os dois seria imbatível. Pelo que Eduardo representa na cidade do Rio, na Baixada Fluminense, no entorno da metrópole. E Wladimir, além de Campos e Norte Fluminense, é um Garotinho; tem recall em todo o estado”, concluiu.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira no vídeo abaixo a íntegra da entrevista de Mauro Silva ao Folha no Ar de 30/05/25:

 

 

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Líder no 1º turno e atrás de Tarcísio e Michelle no 2º, Lula cresce desaprovação

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A pouco mais de 1 ano e 4 meses da urna de 2026, o governo Lula 3 tem sua maior desaprovação desde janeiro de 2024. Hoje, são 53,7% os brasileiros que desaprovam e 45,4% que aprovam. Se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030, pudesse ser candidato e o 1º turno da eleição fosse hoje, ele ficaria à frente de Lula por 46,7% a 43,9%.

Contra possíveis adversários elegíveis, Lula supera todos nas simulações de 1º turno. Ele teria 44,1% de intenção contra 33,1% a presidente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP). E 44,4% contra 33,5% da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Mas o petista perderia para ambos no 2º turno. Por 45,1% a 48,9% para Tarcísio. E por 45,3% a 49,8% para Michelle.

Se Bolsonaro pudesse ser candidato em 2026, Lula também ficaria numericamente atrás dele num eventual 2º turno, mas em empate técnico na margem de erro de 1 ponto para mais ou menos: 45,5% do atual presidente contra 47,5% do ex. Divulgada hoje, a pesquisa AtlasIntel ouviu 4.399 eleitores de todo o Brasil, entre os dias 19 e 23 de maio.

Numa série de 11 pesquisas desde janeiro de 2024, a AtlasIntel de maio revelou outro dado preocupante à reeleição de Lula. De janeiro a abril de 2025, a criminalidade era apontada como o maior problema do país. Mas, em maio, após a revelação em 23 de abril do escândalo de desvios no INSS, a corrupção voltou a ser o maior problema para 60% dos brasileiros.

 

Confira mais detalhes da pesquisa nacional AtlasIntel neste sábado (31).

 

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