PT de Campos reage ao petista Ceciliano no apoio a Rodrigo/Caio


Ceciliano com Bacellar/Caio
A declaração do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT), de que caminhará na eleição a prefeito de Campos com quem seu colega Rodrigo Bacellar (SD) apoiar, não pegou bem entre lideranças petistas locais. Foi o que Ceciliano disse no último dia 15, na Festa de Santo Amaro, em almoço organizado por Bacellar. O evento foi visto como ato de apoio de Rodrigo à pré-candidatura à Prefeitura de Caio Vianna (PDT). Ainda assim, o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), pré-candidato à reeleição, esteve lá. Assim como outro pré-candidato ao cargo, o deputado estadual Gil Vianna (PSL).
Presentes e ausente
A presença de Rafael no evento talvez se justifique pelo fato de que Rodrigo tem intermediado o contato com o governo estadual Wilson Witzel (PSC) na tentativa de reabrir o Restaurante Popular, em parceria com o município. Ainda assim, quem esteve presente notou o empenho de Caio em não ficar junto do prefeito de Campos, com quem chegou a posar para fotografia no começo do processo eleitoral de 2016. Naquele pleito, vencida no primeiro turno por Rafael, Gil foi candidato a vice na chapa de Caio. Quem fez questão de marcar sua ausência no almoço foi outro pré-candidato a prefeito, o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).
PT reage a petista
Em matéria (aqui) da página 2 desta edição, o petroleiro José Maria Rangel, candidato a deputado federal em 2018 e também pré-candidato do PT a prefeito de Campos em 2020, reagiu à declaração do petista Ceciliano, de caminhar junto com quem Rodrigo apoiar: “Nós do diretório em Campos procuramos sempre respeitar as instâncias partidárias. Teremos uma candidatura própria e essa declaração é infeliz. O diretório do partido em Campos não foi ouvido, eu não fui procurado para falar sobre esse assunto, assim como acredito que Odisséia também não”. A ex-vereadora é a outra pré-candidata a prefeita do partido em Campos.
Lição de Pudim
As reações a declaração de Ceciliano foram da ala mais jovem à mais experiente do PT de Campos. Estudante da Uenf, Gilberto Gomes é o secretário de Comunicação da nova executiva municipal do partido. “Causa estranhamento a declaração e o tipo de relação que Ceciliano pretende estabelecer em Campos, ignorando a atuação e a construção do PT na cidade. Custo a acreditar que ele obtenha êxito em qualquer articulação sectária e isolada, sem ouvir o diretório municipal sobre a dinâmica local, como na frustrada tentativa de emplacar seu aliado Geraldo Pudim nas fileiras do PT em Campos”, alfinetou.
Voz da experiência
Dos quadros mais respeitados do PT na região, o professor Luciano D’Ângelo foi o primeiro diretor eleito da antiga Escola Técnica Federal de Campos (hoje, IFF), ainda em 1985, nos estertores da ditadura militar. Depois, foi secretário municipal dos governos Arnaldo Vianna (PDT) e Carlos Alberto Campista (sem partido) em Campos, além do de Godofredo Pinto (PT), em Niterói. Ele minimizou a declaração do presidente da Alerj sobre a disputa do poder goitacá em outubro: “A eleição de prefeito é municipal. Quem tem o poder de indicação de candidatos é o diretório municipal. É só uma manifestação pessoal do Ceciliano”.

Solidariedade
Por falar em IFF, a maior instituição de ensino da região também entrou na onda de solidariedade ao município de São Francisco de Itabapoana. Na fronteira com o Espírito Santo, sofreu como Iconha e Alfredo Chaves, municípios do sul do estado vizinho também afetados pela tempestade que caiu sobre a região no final de semana, causando 6 mortes e deixando 415 pessoas desabrigadas. Como informa (aqui) matéria da página 6 desta edição, outras entidades de Campos como a CDL, a Casa da Amizade e o Grupo de Resgate Voluntário também estão recebendo donativos para destinar à população afetada.
IFF com Ifes
As doações com mesmo fim podem ser entregues até esta sexta (24) nos setores de Gestão de Pessoas da reitoria do IFF. E dos seus campus Campos-Centro, de Guarus, São João da Barra, Cambuci, Bom Jesus do Itabapoana, Itaperuna, Pádua, Macaé, Quissamã, Cabo Frio e Maricá. Pede-se água potável, alimento não perecível, roupas, colchões, travesseiros, material de limpeza e de higiene pessoal. A iniciativa do IFF é feita em parceria com o campus de Piúma, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que fará a distribuição de todo o material arrecadado.
Publicado hoje (21) na Folha da Manhã



“1917”
Motivo de crítica por Luiz Fernando Veríssimo em “Dunkirk” (
Ganhador dos Oscar de melhor diretor e melhor filme por “Beleza Americana” (2009), filme de estreia de Sam Mendes e clássico recente do cinema, o diretor inglês traz em “1917” uma comentada novidade estética: seu novo filme é todo em plano-sequência, sem cortes. Outro inglês, o mestre Alfred Hitchcock já havia feito isso em “Festim Diabólico” (1948), todo filmado dentro de um apartamento. Ao levar a ousadia técnica a campo aberto, Mendes foi agraciado com o Globo de Ouro de melhor diretor em 5 janeiro. É sempre um forte indicativo ao Oscar, que será entregue em 9 de fevereiro.
“PARASITA”
Questão emblemática desde sempre no conceito marxista da “luta de classes” — que o excelente roteiro sul-coreano não busca nivelar no proletariado, apenas tomar o lugar do patrão —, o “cheiro do povo” tem sua universalidade independente de Ocidente e Oriente, hemisférios Norte ou Sul. É ele que ativa o turning point contundente da história, ao transformar uma comédia na mais extremada tragédia. Tragédia no sentido grego do termo, que não serve de base ao Extremo Oriente, não de fazer tragédia. De fato, esse “cheiro do povo” evoca uma frase marcante de um bom filme brasileiro, “Linha de Passe” (2008), dirigido por Walter Salles Júnior e Daniela Thomas, sobre desigualdades sociais muito semelhantes: “Olha pra minha cara, porra!”.
Com suas surpresas subterrâneas, “Parasita” talvez seja um filme ainda mais revolucionário e marcante do que o frenético “Oldboy” (2003), de Park Chan-wook. Foi com ele, numa leitura oriental de Tarantino em suas bases no cinema de kung-fu de Hong Kong, que a Coréia do Sul impactou o mundo do cinema no novo milênio. Se não dedicado à violência estilizada de “Oldboy”, o sangue derramado em “Parasita” pode chocar ainda mais. Tanto quanto a antológica cena da jovem e bela mulher sentada sobre a privada que regurgita esgoto durante uma inundação no porão onde habita, enquanto fuma seu cigarro “mentolado” de fezes. E é choque necessário para tirar o espectador de classe média da sua zona de conforto, em qualquer parte do mundo.


Em mais um episódio de espantosa gravidade, o País foi dormir na quinta-feira e acordou na sexta assombrado por um pesadelo: num vídeo de composição macabra, o então secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, recitava com excitação indisfarçada e olhos vidrados um texto com trechos copiados de Joseph Goebbels, o mais fanático dos ideólogos do nazismo, que foi com Hitler até o final e morreu e matou a mulher e os seis filhos para não fazer nenhuma concessão e não abdicar da ideologia mortífera que ajudou a implementar.










