Pós-Trump e pró-anistia a Bolsonaro, Tarcísio vive dilema a presidente

 

Donald Trump, Lula da Silva, Tarcísio de Freitas, Jair Bolsonaro, Edson Fachin, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Eduardo Leite (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Tarcísio antes de Trump

Na eleição que puxará todas as outras em 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), pintava como favorito a presidente nas pesquisas de 2025. Até o turning point (“ponto de virada”) de 9 de julho, com a carta do presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando taxar o Brasil por conta do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Lula antes de Trump (I)

Até a carta de Trump, o presidente Lula (PT) vinha em queda gradativa de aprovação de governo e de intenção de voto em todas as pesquisas. A partir da Quaest do início de junho, o jornalista Thomas Traumann, ex-ministro da Comunicação do governo Dilma Rousseff (PT), chegou a afirmar (confira aqui): “A pesquisa mostra que Lula deixou de ser favorito para a eleição de 2026”.

 

Lula antes de Trump (II)

Naquela Quaest de junho, Lula não ia além do empate numérico ou técnico, dentro da margem de erro, nas projeções de 2º turno com cinco adversários. Além de Tarcísio e de um Bolsonaro já inelegível, também contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e os governadores do Paraná, Ratinho Jr. (PSD); e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).

 

Cego em tiroteio

A partir da carta com as ameaças de Trump e a defesa do interesse nacional jogada no colo de Lula, a direita brasileira ficou mais perdida que cega em tiroteio. Seu nome mais forte, Tarcísio passou a ser tachado não só de entreguista pela esquerda, como atacado também pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), nos EUA para trabalhar por sanções contra o Brasil.

 

Fiel da balança em 2018 e 2022

Além de governar o principal estado da União, econômica e eleitoralmente, Tarcísio era considerado o nome mais competitivo da direita pela capacidade de atrair os votos do centro. Os mesmos que, em 2018, penderam para Bolsonaro no 2º turno e o elegeram presidente. E que, em 2022, penderam para Lula no 2º turno, elegendo-o para o 3º mandato de presidente.

 

Pela anistia e contra a maioria

Pressionado pela condenação de Bolsonaro em 11 de setembro (confira aqui) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, a pecha de “moderado” de Tarcísio começou a desmoronar com a defesa do governador por uma anistia ao ex-presidente. À qual, segundo as quatro pesquisas nacionais de setembro, a maioria da população brasileira (confira aqui) é contrária.

 

Perto de Bolsonaro e longe do STF

Após ter chamado o ministro Alexandre de Moraes de “tirano” e o STF de “poder ditador” nas manifestações bolsonaristas de 7 de setembro em São Paulo, Tarcísio foi segunda (29) à Brasília. Onde se encontrou com Bolsonaro em prisão domiciliar. E optou por se ausentar da posse do ministro Edson Fachin como novo presidente do STF, com Moraes de vice.

 

Apostas daqui a 1 ano e 3 dias

Enquanto Lula recupera popularidade nas pesquisas (confira aqui, aqui e aqui) e Tarcísio preferiu visitar Bolsonaro, foram à posse de Fachin outros governadores presidenciáveis: o de Goiás, Ronaldo Caiado (União); o de Minas, Romeu Zema (Novo); e o gaúcho Leite. Ratinho Jr. não foi, mas mandou seu vice-governador. São apostas. Cujas fichas serão tocadas por voto, ou não, daqui a 1 ano e 3 dias.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Sem apoio de Bolsonaro, Bacellar tem pauta bolsonarista na Segurança

 

Rodrigo Bacellar, Cláudio Castro e Carlos Portinho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bacellar mira na Segurança

No outro grupo político mais forte de Campos, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, (União), mirou na Segurança Pública para manter acesa sua pré-candidatura a governador. Área na qual tem batido no governador Cláudio Castro (PL). De quem o campista se afastou após exonerar (confira aqui e aqui) o ex-prefeito de Duque Caxias Washington Reis (MDB) da pasta estadual de Transporte.

 

Exonerou Reis e perdeu Bolsonaro

Após abrir seu caminho na linha sucessória de Castro, com o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB) indo (confira aqui e aqui) para o TCE-RJ em 19 de maio, Bacellar exonerou Washington em 3 de julho. E, por não ter aceitado o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para reconduzi-lo, acabou perdendo (confira aqui) a promessa de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a governador.

 

Afastamento de Castro

A pedido dos Bolsonaro, Castro tentou reconduzir Washington quando voltou da viagem em que Bacellar assumiu como governador. Mas, pressionado pela tropa de choque do presidente da Alerj, acabou confirmando a exoneração (confira aqui) em 10 de julho. Só que, a partir dali, se afastou de Rodrigo. E afastou deste a possibilidade de assumir como governador ainda em 2025.

 

Sem Bolsonaro, pauta bolsonarista

Daí a posição recente de Bacellar de focar na Segurança Pública. Para fazer a Alerj aprovar no dia 23 a reforma da Polícia Civil e a chamada “gratificação faroeste”, gratificação em dinheiro aos policiais civis que matarem bandidos. E, no dia 23, aprovar o projeto que endurece a regra para a saída temporária de presos, a popular “saidinha”.

 

Movimento coordenado com Portinho?

Com o apoio de Bolsonaro perdido pela exoneração de Washington, Bacellar exerce seu domínio da Alerj na busca das pautas bolsonaristas para se manter no jogo eleitoral de 2026. No que tem conseguido, em movimento aparentemente coordenado, o apoio do senador bolsonarista Carlos Portinho (PL).

 

Mira no Senado para atirar em Castro

Junto com Bacellar, o senador passou a mirar a questão da Segurança Pública do RJ na gestão Castro. Não por coincidência, Portinho disputa com o atual governador uma vaga para se candidatar ao Senado em 2026, numa segunda cadeira que seria puxada pelo favoritismo da reeleição de Flávio (confira aqui e aqui) em todas as pesquisas.

 

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Reeleição de Fred Rangel em debate do grupo de Wladimir

 

Wladimir Garotinho, Frederico Rangel, Frederico Paes, Juninho Virgílio e Wainer Teixeira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Nova mesa diretora no grupo de Wladimir

Para fora, o debate do grupo do prefeito Wladimir Garotinho (PP) é se este se candidatará a vice-governador ou a deputado federal em 2026, ou se permanecerá prefeito até o fim de 2028. Para dentro, outro debate começa a tomar forma: abreviar a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal a 17 de fevereiro de 2026, para manter Fred Rangel (PP) presidente.

 

Objetivos da reeleição de Fred Rangel

A reeleição de Rangel teria dois objetivos. Por um lado, seria um obstáculo para o atual vice-prefeito Frederico Paes (MDB) eventualmente se distanciar de Wladimir, caso este realmente se afaste até abril de 2026 para aquele assumir. Por outro lado, seria uma indicação de chapa para a eleição municipal de 2028 em Campos: Fred (Paes) a prefeito e Fred (Rangel) de vice.

 

“Combinou com os russos?”

Gênio do futebol, Mané Garrincha é conhecido pela advertência ao técnico Vicente Feola na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, primeira das cinco conquistadas pelo Brasil. Antes de o Brasil pegar a União Soviética, então campeã olímpica, Garrincha indagou a Feola após este apresentar seu plano para vencer a defesa adversária: “O senhor já combinou com os russos?”

 

Juninho e Wainer na cerca

Os “russos”, no caso, não estão do outro lado do campo. Existiria um acerto interno no grupo de Wladimir para que seu líder na Câmara, o vereador Juninho Virgílio (Podemos), fosse o candidato a presidente da Câmara no segundo biênio. O cargo também estaria no radar de Wainer Teixeira (PP), vereador eleito e licenciado para ser secretário de Administração e RH.

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã.

 

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Crônica de bar — A química entre Trump e Lula no lanche do pátio

 

(Imagem gerada por IA)

 

— E aí? Rolou uma química? — inquiriu Aníbal, já sentado à mesa do boteco, copo americano de cerveja à mão e quase engasgando entre riso e lúpulo.

— Será que Trump cedeu ao decantado carisma de Lula nos segundos em que eles se cruzaram nos discursos dos dois na Assembleia Geral da ONU? — respondeu Antônio com outra pergunta, antes de sentar e pedir um copo ao garçom.

— Só depois dos dois discursos rolou a imagem de Trump, na antessala do plenário da ONU, conferindo atentamente o discurso de Lula, com tradução em tempo real. Ele ouviu todas as duras palavras do brasileiro sobre a taxação dos EUA pelo mundo e o genocídio do povo palestino promovido dolosamente por Netanyahu na Faixa de Gaza, com apoio dos EUA. Como ouviu que o Brasil não aceita ingerência de poder estrangeiro em sua soberania.

— Sim. E o engraçado é que ao começar a falar do Brasil na réplica do seu discurso longo e auto laudatório, chegou a criticar a suposta perseguição do nosso Judiciário a pessoas e empresas dos EUA. Leia-se as Big Techs e seu gansgsterismo do ódio nas redes sociais. E não deu um pio sobre Bolsonaro. Só depois falou que tinha rolado a tal química com Lula para anunciar o encontro entre ambos.

—  Acho que essa química se resume a dois pontos.

— Os dois pontos da borda em que os bolsominions enfiaram os dedos para se virarem pelo avesso? — indagou Antônio, enquanto também se engasgava de riso e cerveja.

— Embora em número menor a cada nova pesquisa, muitos não vão mudar.

— De fato. Primeiro foram as fake news que Trump tinha negado o visto de entrada a Lula nos EUA para falar na ONU. Desmentidos mais uma vez pelo fato, “sua excelência, o fato”, como advertia Rui Barbosa, os minions foram às redes sociais dizer que Trump colocaria Lula em seu lugar. Mas, quando Trump afagou Lula, responderam ao apito de cachorro de Dudu Bananinha para dizer que o brasileiro tinha caído numa armadilha à la Zelensky.

— O que me leva ao primeiro ponto da química.

— Diz aí.

— Estudei no Liceu e tenho muito orgulho dessa formação em escola pública. Que, além da parte acadêmica forte, preparava os adolescentes, nos intervalos entre as aulas, para a vida real sem a nutelagem de hoje. Sempre tinha aquele valentão que tentava intimidar e roubar seu lanche na saída da cantina. Se você aceitasse, teria que comprar dois lanches o resto do ano para conseguir comer um. Mas se encarasse, mesmo que levasse a pior no confronto, não seria mais importunado. Todo tirado a macho de pátio só respeita quem o encara.

— Como Bolsonaro chamando Moraes de “canalha” para depois, na frente dele, pedir desculpas e convidá-lo para ser seu vice? — arguiu novamente Antônio, em outra engasgada de riso e cerveja.

— Trump encarnou Fidel Castro, falou uma hora na ONU e meteu pau em todo mundo. Ele só elogiou dois líderes. Quem foram?

— Além de Lula? Não lembro. Quem foi?

— Lula e Putin. Porque são os dois que encaram Trump. Não aceitam ter o lanche roubado na cara dura. Nunca arregaram para o “valente”. E por isso têm o seu respeito. Esse é o primeiro ponto. E é universal. Vale do Liceu a qualquer outro pátio escolar da geopolítica.

— Tem lógica, sim. E o segundo ponto?

— O segundo ponto foi o empresário que gravou Temer, quando o então presidente disse em 2017: “Tem que manter isso, viu?” Foi o mesmo Joesley Batista que, depois de ser preso naquela confusão, se encontrou com Trump na Casa Branca no início de setembro, antes da química da ONU. E explicou ao Laranjão que se ele continuasse a tretar com o Brasil, a carne do hambúrguer ia ficar mais cara nos EUA.

— E a carne bovina nos EUA já está bem cara.

— No país em que até churrasco de família é com carne de hambúrguer. Gigante do ramo da proteína animal, no Brasil e nos EUA, Joesley falou na língua que Trump entende. E, com ela, também falou bem de Lula.

— Enquanto isso, os “intindidos” de política e até de geopolítica apostam na armadilha em que Trump já humilhou Zelensky aos olhos do mundo.

— Com Trump, nada pode ser desconsiderado. Ele usa o caos como método. E, mesmo que minta como o mesmo pudor com que respira, é um grande comunicador. É como Polônio advertiu sobre Hamlet: “Parece loucura, mas há método”.

— Sim. E, se há método, a loucura é só simulação para se atingir um objetivo pragmático.

— É isso. Mesmo que Trump esteja mais para Iago do que para Hamlet.

— Difícil explicar Shakespeare aos muares posando de “intindidos” em geopolítica das redes sociais.

— Nasceram e morrerão dispostos a entregar o lanche de bom grado. E a ainda agradecerem, usando a bandeira de quem o tomou. Vale a esses pobres coitados a didática de Jim Carville, ex-assessor da campanha de Bill Clinton a presidente dos EUA no início dos anos 90: “É a economia, estúpido!” — parafraseou Aníbal, antes de desviar os olhos ao chão ao lado da mesa e contabilizar nos cascos vazios quantas cervejas tinham rolado até ali.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula 3 e STF melhoram na aprovação, Câmara despenca

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Lula 3 cresce aprovação

A Ipespe também mediu a aprovação dos três Poderes. No qual o Executivo comandado por Lula (PT) superou numericamente, ainda que no empate técnico na margem de erro, a desaprovação. De julho a setembro, a aprovação ao Lula 3 cresceu 7 pontos: de 43% aos atuais 50%. E a desaprovação caiu 3 pontos no mesmo período: de 51% aos 48% de hoje.

 

Corte ideológico e socioeconômico

No corte ideológico do eleitor, o governo Lula é aprovado por 95% dos que se identificam à esquerda (4% desaprovam), 49% ao centro (45% desaprovam) e 10% à direita (88% desaprovam). No corte socioeconômico, o Lula 3 é aprovado por 52% dos pobres (48% desaprovam), 51% da classe média (46% desaprovam) e 16% dos ricos (84% desaprovam).

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cientista político Antonio Lavareda, diretor do Ipespe

Leitura do Lavareda

“A inflação de alimentos cedeu. O mau humor por conta de supermercado foi diminuindo significativamente (…) O julgamento de Bolsonaro também contribuiu a uma leitura mais positiva do governo Lula. A PEC da Blindagem criou uma reação popular e levou a, digamos, um caldo de cultura onde a popularidade do presidente também cresceu”, explicou o cientista político Antonio Lavareda, diretor do Ipespe.

 

STF melhora aprovação após condenar Bolsonaro

A Ipespe também mediu a opinião popular sobre o STF. Sua aprovação cresceu 3 pontos dos 43% de julho aos 49% de setembro, após a condenação (confira aqui) de Bolsonaro. No mesmo período de dois meses, a desaprovação do brasileiro ao STF recuou 5 pontos: de 49% aos 44% atuais.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Câmara desaprovada por 70%

A pesquisa Ipespe também mediu que a Câmara dos Deputados cresceu 7 pontos na desaprovação: de 63% em julho a 70% dos brasileiros em setembro. A aprovação caiu 6 pontos: de 24% aos atuais 18%. “Ao motim no plenário em agosto, somou-se a PEC da Blindagem, produzindo um desgaste significativo na imagem da Câmara”, disse Lavareda.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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PEC da Blindagem sepultada sob a terra de 72% dos brasileiros

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Maioria contra a PEC da Blindagem

Pesquisa mais recente de setembro, a Ipespe também revelou a ampla maioria da população contrária à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem, popularmente chamada de PEC da Bandidagem. Que foi aprovada na Câmara dos Deputados no dia 17 (confira aqui) e sepultada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado (confira aqui) na quarta (24).

 

Contra PEC e anistia nas ruas

Na Ipespe, 72% dos brasileiros são contrários à PEC, com apenas 22% favoráveis. Com o objetivo de blindar parlamentares e presidentes de partido de investigações criminais, ela gerou manifestações de repúdio no último domingo (21), também contrárias à anistia a Bolsonaro, em todas as 27 capitais do país, além de cidades do interior, como Campos.

 

Ruas de 7 e 21 de setembro

Na av. Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, na cidade do Rio, as manifestações contra a anistia e a PEC da Blindagem tiveram público semelhante (confira aqui e aqui) aos atos que pediram a anistia a Bolsonaro em 7 de setembro. Mas superaram estes (confira aqui) em engajamento gerado nas redes sociais, território que a direita dominava desde a eleição de Bolsonaro a presidente em 2018.

 

Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte

PEC sepultada e anistia estreitada

A reação popular assustou o Congresso. Onde a PEC da Blindagem foi sepultada e os caminhos à anistia estreitados. Hoje, o objetivo real desta é tentar diminuir a pena de Bolsonaro. Presidente da Assembleia Nacional que pariu a Constituição Federal de 1988, Ulysses Guimarães advertia: “A única coisa que mete medo em político é o povo na rua”.

 

Cientista político Antonio Lavareda, diretor do Ipespe

Leitura do Lavareda

“A pesquisa (Ipespe) ajuda a entender a dimensão que os atos do domingo, 21, alcançaram. Há muito não se via um rechaço tão contundente da opinião pública a uma iniciativa da Câmara Federal, que se colocou na contramão do sentimento da sociedade”, resumiu o cientista político Antônio Lavareda, diretor do Ipespe.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Quatro pesquisas de setembro: maioria é contra anistia a Bolsonaro

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Maioria contra anistia a Bolsonaro

A maioria de 46% dos brasileiros é contra a anistia aos condenados no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. Os que querem a anistia geral que beneficie o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são uma minoria de 28%. Outros 18% querem uma anistia parcial, que reduzisse a pena só dos peixes pequenos dos atos golpistas.

 

Nova pesquisa Ipespe

Foi o que revelou a pesquisa Ipespe divulgada esta semana e realizada de 19 a 22 de setembro, com 2.500 eleitores e margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. E confirmou a maioria da população brasileira contra a anistia que já tinha sido revelada por três outras pesquisas nacionais de setembro, com institutos e metodologia diferentes.

 

Maioria contra anistia na Atlas e na Quaest

Na Atlas, feita de 10 a 14 de setembro com 7.291 eleitores, 57% dos brasileiros são contra a anistia, com 40,6% a favor. Na Quaest (confira aqui), feita de 12 a 14 de setembro com 2.004 eleitores, 41% são contra a anistia, com 36% a favor para todos, incluindo Bolsonaro, e 10% a favor só para os presos pela invasão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.

 

Maioria contra anistia na Datafolha

Já pela Datafolha (confira aqui), feita de 8 a 9 de setembro com 2.005 eleitores, 61% dos brasileiros são contra a anistia, com 33% a favor. No agregado, a maioria da população contrária à anistia varia entre 41% e 61%. Com uma minoria, ainda relevante, variando entre 28% e 40,6% dos que se dizem favoráveis a uma anistia que inclua Bolsonaro.

 

Antes, durante e após condenação de Bolsonaro

Outro dado relevante é que a Datafolha foi feita antes da condenação de Bolsonaro (confira aqui) a 27 anos e 3 meses de prisão na 1º Turma do STF, por 4 votos a 1, no dia 11 de setembro. A Atlas foi feita antes, durante e após a condenação. Enquanto a Quaest e a Ipespe foram integralmente feitas após a condenação do ex-presidente e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado.

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Leitura do estatístico

“Na Ipespe, prevaleceram os contrários a qualquer tipo de anistia: 46% dos brasileiros. Essa posição é compartilhada por eleitores de esquerda, centro e direita, assim como pobres, classe média, ricos, eleitores que não votaram ou que votaram em Lula no 2º turno de 2022”, detalhou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

 

 

Publicada hoje na Folha da Manhã.

 

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De setembro de 2025 a outubro de 2026 no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No meio da bipolaridade política do Brasil, o debate em bom nível entre esquerda e direita é não só possível, como necessário. Neste sentido, o cientista político George Gomes Coutinho e o especialista em finanças Igor Franco, professores, respectivamente, da UFF-Campos e do Uniflu, fecham a semana do Folha no Ar nesta sexta (26), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Os dois analisarão o papel do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), nas eleições do RJ em 2026, bem como das pré-candidaturas da região (confira aqui) a deputado federal e estadual.

Igor e George também analisarão as manifestações de rua no Brasil em setembro, pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 7 e contra essa mesma anistia no dia 21, entremeadas com a condenação de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por (confira aqui) tentativa de golpe de Estado no dia 11. Tudo antes (confira aqui) da “química” (confira aqui, aqui e aqui) entre os presidentes dos EUA e do Brasil, respectivamente, Donald Trump e Lula (PT).

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, os dois professores tentarão projetar as eleições a presidente (confira aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui) e senador (confira aqui e aqui) em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de um ano.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Campos com tango no Grammy Latino no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Indicados ao Grammy Latino de melhor álbum de tango, o bandoneonista argentino Richard Scofano, o pianista uruguaio Alfredo Minetti e o produtor musical campista Cristiano Simões são os convidados do Folha no Ar nesta quinta, ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.

Os três falarão da perspectiva com a indicação (confira aqui) do álbum “Shin-Urayasu”, com cinco composições originais para bandoneón, ao Grammy Latino, que será entregue em 13 de novembro, em cerimônia na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas.

Richard, Alfredo e Cristiano também analisarão da importância da música latino-americana e, especificamente, do tango, estilo de música e dança nascido na Argentina e no Uruguai, no cenário musical de hoje.

Por fim, Cristiano e Alfredo falarão da influência de Campos em suas vidas e obras. O primeiro, campista, enquanto o segundo viveu na cidade quando era criança, nos anos 1970.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Em setembro desastroso ao bolsonarismo, Trump afaga Lula na ONU

 

Donald Trump e Lula falando ontem na ONU, após a av. Paulista receber a manifestação pela anistia a Bolsonaro com a bandeira dos EUA em 7 de setembro, e contra a anistia com a bandeira do Brasil em 21 de setembro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Setembro desastroso ao bolsonarismo

A um ano da urna de 4 de outubro de 2026, setembro de 2025 tem sido desastroso ao bolsonarismo. Começou com a bandeira dos EUA na manifestação da av. Paulista pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 7 de setembro. E, de revés em revés, seguiu até ontem (23) com o afago de Donald Trump (confira aqui) a Lula (PT) na Assembleia Geral da ONU.

 

“Ótima química” de Trump com Lula

“Eu estava entrando (no plenário da ONU) e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu e nos abraçamos. Concordamos que nos encontraríamos na semana que vem (…) Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele (…) Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química”, garantiu Trump. Que discursou na ONU em sequência à fala de abertura de Lula.

 

No dia 11, condenação no STF

Da bandeira dos EUA na manifestação bolsonarista pela anistia no dia 7 à fala elogiosa do presidente dos EUA a Lula na ONU do dia 23, foram vários fatos políticos relevantes. Pode parecer mais tempo. Mas foi no dia 11, por exemplo, que Bolsonaro foi condenado (confira aqui) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, na 1ª Turma do STF, por 4 votos a 1.

 

No dia 17, PEC da Blindagem e PL da Anistia

No dia 17, uma Câmara dos Deputados presidida por Hugo Motta (REP/PB) e dominada pelo Centrão aprovou (confira aqui) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem a parlamentares e presidentes de partido. Como o caráter de urgência ao Projeto de Lei (PL) para anistia de Bolsonaro e outros condenados pela tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 2023.

 

No dia 21, reação contra blindagem e anistia

Já na noite do dia 17, a PEC da Blindagem passou a ser tratada popularmente da Bandidagem. E, com pouco mais de três dias de mobilização, gerou manifestações no último domingo (21) contra ela e a anistia aos condenados no STF por tentativa de golpe de Estado, em todas as 27 capitais brasileiras. Campos, como no 7 de setembro bolsonarista, não foi exceção no dia 21.

 

Números dos atos de 7 e 21 de setembro

Com medição da USP nos dois principais pontos das manifestações nacionais, a do dia 7 levou 42,2 mil pessoas pela anistia a Bolsonaro à av. Paulista, quase igual aos 42,4 mil contra a anistia (confira aqui) e a PEC da Blindagem no dia 21. Já na av. Atlântica, na orla de Copacabana, a anistia reuniu 42,7 mil no dia 7, também quase igual aos 41,8 mil contra a anistia (confira aqui) no dia 21.

 

Direita perde domínio das ruas?

Em público real, as manifestações dos dias 7 e 21 foram parelhas. Mas há três pontos de desvantagem à direita. Que dominava as manifestações de rua no país há 11 anos, desde 2014, contra o governo Dilma Rousseff (PT), até gerar o impeachment desta em 2016. O 2º ponto? Na Paulista, a gigantesca bandeira dos EUA no dia 7 deu lugar a uma do Brasil no dia 21.

 

Direita entrega bandeira do Brasil à esquerda

Com um “SEM ANISTIA” no lugar do “ORDEM E PROGRESSO”, a bandeira do Brasil foi dada de presente à esquerda pelo bolsonarismo em 2025. Como a bandeira vermelha do PT serviu à apropriação da brasileira por Bolsonaro no 1º turno presidencial de 2018. No 2º turno, quando o petista Fernando Haddad tentou retomar as cores nacionais na campanha, era tarde demais.

 

Perda de domínio das redes sociais

Na comparação entre as manifestações, houve ainda o 3º ponto desfavorável à direita. Que, também desde 2018, dominava as redes sociais. Na medição da Palver, até as 18h do dia 21, o engajamento nos grupos públicos de WhatsApp pela manifestação contra a anistia (confira aqui e aqui)  superou o do dia 7. A cada 100 mil mensagens trocadas, 865 foram do ato do dia 21, contra 724 do dia 7.

 

Melhor definição pelo humor

Após tantos reveses, até onde goleava a esquerda há anos, os do bolsonarismo não se resumiram ontem ao afago de Trump a Lula. Que, na direita brasileira, foi melhor definida (confira aqui) pelo humor do Sensacionalista: “Bolsonarista incendeia estátua da liberdade da Havan após Trump dizer que gosta de Lula”.

 

Motta desce do muro e complica o 03

Alvo das manifestações do dia 21 tanto quanto Bolsonaro, Hugo Motta desceu do muro. Ontem, barrou a indicação da oposição para fazer Eduardo Bolsonaro (PL/SP) líder da minoria da Câmara e preservar seu mandato do deputado. E a Comissão de Ética abriu processo (confira aqui) por quebra de decoro contra o 03, por agir nos EUA contra os interesses e instituições do Brasil.

 

Trump ouviu palavras duras de Lula

Líder em todas as pesquisas à reeleição (confira aqui e aqui) em 2026, desde que Trump ameaçou em julho taxar o Brasil por conta do julgamento de Bolsonaro no STF, Lula saiu fortalecido ontem da ONU. Onde fez discurso duro contra as tentativas de ingerência dos EUA nos assuntos internos do Brasil. Que foi assistido atentamente, com tradução em tempo real, pelo presidente dos EUA.

 

Zelensky recomenda cautela

Pelo modo errático de Trump, não se sabe se o encontro com Lula ocorrerá. E, se ocorrer, em que termos. O constrangimento imposto na Casa Branca em fevereiro ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, recomenda cautela. Mas foi um avanço na relação entre os dois países aliados. Desde que os EUA reconheceram, em 1824, a independência do Brasil.

 

Senado contra defesa de bandido na Câmara

Para finalizar o péssimo dia de um péssimo mês à direita, na noite de ontem o senador Alessandro Vieira (MDB/SE), relator da PEC da Blindagem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Alta da República, deu parecer (confira aqui) para sepultar a pretensão da Câmara Baixa. Também delegado de Polícia, Vieira definiu (confira aqui) a PEC: “Foi desenhada para defender bandido”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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De setembro de 2025 a outubro de 2026 no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Antropólogo e professor da UFF-Campos, Carlos Abraão Moura Valpassos é o convidado do Folha no Ar nesta quarta (24), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele analisará as manifestações de rua no Brasil, pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 7 de setembro, contra essa mesma anistia e a PEC da Blindagem (confira aqui) em 21 de setembro, entremeadas com a condenação de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por (confira aqui) tentativa de golpe de Estado no dia 11. Tudo antes dos discursos seguidos hoje (23) na ONU dos presidentes do Brasil e dos EUA, em que Donald Trump anunciou (confira aqui) um encontro com Lula na próxima semana.

Abraão também analisará o papel do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), nas eleições do RJ em 2026, bem como das pré-candidaturas da região (confira aqui) a deputado federal e estadual.

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, ele tentará projetar as eleições a presidente (confira aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui) e senador (confira aqui e aqui) em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de um ano.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Eleições 2026 em Campos, RJ e Brasil no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Advogado, empresário, produtor rural e comentarista político, Edmar Ptak é o convidado do Folha no Ar nesta terça (23), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará sobre as definições para 2026 do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), como das pré-candidaturas da região (confira aqui) a deputado federal e estadual.

Com base nas pesquisas mais recentes, Edmar também tentará projetar as eleições a presidente (confira aqui e aqui), governador (confira aqui, aqui e aqui) e senador (confira aqui e aqui) em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de um ano.

Por fim, ele analisará a questão entre direita e esquerda no Brasil após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por (confira aqui) tentativa de golpe de Estado em 11 de setembro. E após as manifestações nacionais bolsonarista do 7 de setembro e a realizada ontem (21) contra (confira aqui) o PL da anistia e a PEC da Blindagem.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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