Bloco de Rodrigo, Gil e João a 2020 pode sofrer baixa, com ou sem Caio

 

Foto publicada no Instagram de Gil Vianna, com Rodrigo Bacellar e João Peixoto, e a sugestiva legenda: “Vem aí…” (Reprodução)

 

Espremida pela polarização entre prefeito Rafael Diniz (PPS) e o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), a chamada terceira via de Campos procura mostrar força na disputa pelo comando do município, em 2020. Na terça (02), os deputados estaduais Gil Vianna (PSL), João Peixoto (DC) e Rodrigo Bacellar (SD) se reuniram para foto durante sessão da Alerj. Como tubo de ensaio, ela foi publicada nas redes sociais dos três parlamentares. Mas o bloco, que envolveria também Caio Vianna (PDT), pode se desmontar antes de começar: João conversa para dar seu apoio ao governo Rafael.

João disse ao blog que foi chamado pelos colegas deputados para a foto, que seria usada como evidência do “fortalecimento da região na Alerj”. Em sua página no Facebook, ele postou a imagem (aqui) com a legenda: “Unidos por um Estado cada vez mais forte. É só o começo”. Só após a foto, segundo Peixoto, Rodrigo teria dito que ele estaria montando um bloco com Gil e Caio Vianna, visando a eleição de 2020. Mas o experiente parlamentar teria respondido já estar conversando com o prefeito.

Após ter publicado a foto (aqui) com a legenda “Olá, amigos! Vem aí…”, Gil confirmou a tentativa de aliança com João e Rodrigo para 2020. Mas negou que o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB) faça parte do bloco. Candidato a vice-prefeito de Caio na eleição de 2016, o líder do PSL na Alerj revelou que, desde então, não conversa pessoalmente com seu ex-cabeça de chapa. “Nos últimos dois anos e meio, só nos falamos duas vezes por telefone”, explicou Gil. Após se ausentar de Campos nesse período, Caio teria voltado a residir na cidade há cerca de um mês.

Dos três retratados, o único deputado estadual de Campos que não quis falar sobre o assunto foi Rodrigo Bacellar. Ele republicou (aqui) a postagem da foto feita por Gil. E adicinou a legenda: “Com união e sem vaidades. Juntos por Campos!”. Criticado por Wladimir Garotinho em entrevista publicada (aqui) pela Folha no último domingo (31), o filho do ex-vereador Marcos Bacellar (PDT) já tinha antes optado (aqui) por “manter o silêncio”.

 

0

Fred adverte Wladimir e situação. O que vem aí com Gil, Rodrigo e João?

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (04) na Folha

 

Fred na Folha FM

Conhecido por seu temperamento afável e tom de voz sereno, Fred Machado (PPS) manteve essas características ao ser entrevistado na manhã de ontem (aqui) no Folha no Ar, programa da Folha FM 98,3. Porém, ele usou palavras firmes para reagir às projeções do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) na política de São João da Barra. Assim como em seu aviso, na condição de presidente da Câmara Municipal, aos vereadores da base governista que estejam planejando “costear o alambrado” — expressão imortalizada pelo ex-governador Leonel Brizola (1922/2004) — na eleição a prefeito de Campos em 2020.

 

Resposta a Wladimir

Em entrevista publicada domingo na Folha, Wladimir disse (aqui) que, se Carla Machado (PP) for condenada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na Machadada, o deputado estadual Bruno Dauaire (PRP) seria um “caminho natural e bom” para SJB. Irmão da prefeita sanjoanense, Fred ontem retrucou: “Em relação a Wladimir, já que ele aventou a possibilidade de Carla ser pega na Machadada, ele tem que começar a pensar também nos processos que está respondendo (…) de compra de voto, de infidelidade partidária ao PRP (…) ele não pode nem falar que pode vir candidato, porque ele está com pendências judiciais que pode perder o mandato”.

 

De olho no alambrado

Fred também voltou ao concordar com a análise do ex-deputado Paulo Feijó, de que uma das causas de Marcão Gomes (PR) não conseguir se eleger à Câmara Federal, em outubro, foi o apoio dado por vereadores governistas a outros candidatos. E que isso teria que ser sanado na base, em busca da reeleição de Rafael Diniz (PPS) ao governo de Campos em 2020. Falando firme, sem falar grosso, o presidente da Câmara Municipal advertiu: “Estou de olho neles (…) pode estar certo que estão mapeados para o prefeito aqueles que vão costear o alambrado”. Alguns vereadores da situação, mas nem tanto, ficaram de orelha em pé.

 

Foto publicada no Instagram de Gil Vianna, com Rodrigo Bacellar e João Peixoto, e a sugestiva legenda: “Vem aí…” (Reprodução)

 

O que vem aí?

Na terça (02), o deputado estadual Gil Vianna (PSL) publicou no Instagram uma foto dele, feita durante sessão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, junto aos colegas de Campos Rodrigo Bacellar (SD) e João Peixoto (DC). O que mais chamou a atenção, sobretudo em ano de véspera do pleito municipal, foi a sugestiva legenda escolhida: “Vem aí”. Em entrevistas dadas à Folha após garantirem suas eleições à Alerj, Gil (aqui) e Rodrigo (aqui) admitiram que são pré-candidatos a prefeito de Campos em 2020. Embora tenha encontrado dificuldade inesperada, a coluna já apurou tudo. Vem aí: hoje no blog Opiniões e na edição da Folha desta sexta (05).

 

Ceasa

No encontro com secretários de Agricultura, ontem, na Uenf, o secretário estadual da pasta, Eduardo Lopes, afirmou que, se o município não fizesse as obras para a reativação do Ceasa, poderia fazer uma concessão para que o Estado fizesse e ele assumiria o compromisso da reativação. O secretário Nildo Cardoso agradeceu, mas disse que não precisava. O antigo Ceasa já está sendo reestruturado e será reaberto pela Prefeitura ainda este ano, sob a batu-ta de Nildo, e com o nome de Polo Agroalimentar.

 

Só agora?

Fechado em 1989, o antigo Ceasa permaneceu desativado pelos sete governos municipais e estaduais seguintes, sem contar com os inúmeros parlamentares representantes do Rio que passaram por Brasília durante estes 30 anos. Entre eles, o próprio secretário, que era senador até o ano passado. Além disso, há o problema econômico: “Se eles não têm dinheiro para colocar a patrulha mecanizada para atender às estradas da região, se não têm dinheiro para consertar mais de 100 máquinas paradas em Italva, como vai investir na reativação do Ceasa e que já estamos fazendo? Não tem lógica”, afirma Nildo.

 

Fundecam

Líder do governo na Câmara, o vereador Paulo César Genásio (PSC) propôs moção de aplausos ao secretário de Educação, Brand Arenari, por avanços na área, como criação de duas escolas em período integral. Apenas Eduardo Crespo (PR), que foi secretário de Agricultura e presidente do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam) na gestão Rosinha Garotinho (Patri), se absteve e disse que não vê perspectiva de melhora. No final da sessão, Genásio citou a CPI do Fundecam e cutucou: “Gostaria de pedir aos entendidos em Educação, Saúde, Agricultura que falassem de sua habilidade no Fundecam”.

 

Com Aldir Sales

 

Publicado hoje (04) na Folha da Manhã

 

0

Fred Machado adverte Wladimir e mapeia quem quer “costear o alambrado”

 

Fred Machado entre Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto, diante do âncora Marco Antônio Rodrigues (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Conhecido por seu temperamento afável e tom de voz sereno, o presidente da Câmara Municipal de Campos, Fred Machado (PPS), os manteve na manhã desta quarta (03), ao ser entrevistado ao vivo no Folha no Ar, pela Folha FM 98,3 Mgz. Porém, o parlamentar usou palavras firmes para reagir às projeções (aqui) do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) na política de São João da Barra. Assim como em seu aviso aos vereadores da base governista que, na eleição a prefeito de Campos em 2020, estejam planejando “costear o alambrado” — expressão imortalizada pelo ex-governador Leonel Brizola (1922/2004).

 

Dom Roberto Ferrería Paz (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

 

Nesta quinta (04), sempre das 7h às 8h30, o convidado do Folha no Ar será o bispo católico de Campos Dom Roberto Ferrería Paz. Como prévia, ele deu uma brilhante entrevista, publicada na Folha em 9 de julho de 2017. Nela, falou sobre fé, mas também política local, identidade de gênero, aborto e maconha. Quem ainda não leu ou deseja reler, pode fazê-lo aqui.

A Plena TV (canal 03 da VerTV) reapresentou às 17h o Folha no Ar da manhã de hoje. Abaixo, seguem os cinco vídeos com a íntegra da entrevista. Recomenda-se especial atenção ao bloco 4, quando Fred Machado falou firme, sem precisar falar grosso, para deixar tanto a oposição municipal, quanto integrantes da situação, de orelha em pé. A transcrição e análise mais detida das palavras do presidente da Câmara estarão na edição desta quinta da Folha da Manhã.

 

 

 

 

 

 

0

Fred Machado nesta quarta no Folha no Ar, que hoje trouxe Pedro Emílio

 

Pedro Emílio entre os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto, diante do âncora Marco Antônio Rodrigues (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Sempre ao vivo na Folha FM 98,3 Mgh, das 7h às 8h30 de segunda a sexta, hoje o programa Folha no Ar hoje entrevistou o delegado titular da 146ª DP, Pedro Emílio Braga. Além do trabalho policial de destaque na solução (aqui) do sequestro do empresário Cristiano Tinoco, ainda pela 134ª DP, e na queda do número de homicídios em Guarus, após assumir a delegacia do subdistrito, Pedro Emílio demonstrou embasamento e articulação verbal ao falar sobre Segurança Pública de Campos, Estado do Rio, Brasil e mundo.

 

Presidente da Câmara de Campos, Fred Machado será o entrevistado na manhã desta quarta, no Folha do Ar (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

A partir das 7h desta quarta (03), o entrevistado do Folha no Ar será o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fred Machado (PPS). Até lá, quem hoje não ouviu a entrevista matinal do delegado Pedro Emílio na Folha FM, nem assistiu sua reapresentação às 17h da Plena TV (canal 03 da VerTV), pode conferi-la na íntegra nos cinco vídeos abaixo:

 

 

 

 

 

 

0

Organização da RioAgro Coop e Wladimir com ministra Tereza Cristina

 

Sérgio Cunha, Frederico Paes, Tereza Crfistina, Wladimir Garotinho e Tito Inojosa hoje em Brasília (Foto: Divulgação)

 

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (DEM/MS), assegurou apoio ao estudo de mudança da classificação climática do Norte e Noroeste Fluminense para semiárido, o que facilitaria linhas de crédito aos os produtores rurais dos 22 municípios das duas regiões. O apoio foi fruto do encontro hoje (02) à tarde, em Brasília, da ministra com os presidentes Coagro, Frederico Paes; e da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan), Tito Inojosa; ao lado do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) e do jornalista Sérgio Cunha, diretor de Comunicação da Fatore e organizador do RioAgro Coop. A ministra foi convidada para o evento, dia 17 de maio em Campos, na sede da Coagro em Sapucaia, que marcará a abertura da safra 2019/2020 de cana, com a presença do governador Wilson Witzel (PSC). O encontro de hoje para o convite da ministra, assim como a confirmação de Witzel no evento foram antecipados (aqui) na coluna Ponto Final do último domingo (31).

A ministra Tereza Cristina informou que avaliará o Projeto de Lei 1440/2019 apresentado pelo deputado federal Wladimir Garotinho, que trata da mudança da classificação do clima para semi-árido. O projeto do político de Campos no Congresso também foi divulgado (aqui) pelo Ponto Final, na edição do último sábado (30) da Folha da Manhã. A ministra sugeriu a realização de estudo envolvendo as instituições de pesquisa, universidades, que servirá de embasamento para o ministério da Agricultura tomar providências sobre a mudança:

— A atividade da cana representa geração de empregos. Cada usina gera três mil empregos — disse a ministra Tereza Cristina, que vai determinar avaliações para formulação de linhas de créditos específicas para o setor da cana.

Frederico Paes e Tito Inojosa entregaram à ministra da Agricultura estudo da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que caracteriza a alteração do clima regional. “A mudança da classificação abriria um novo horizonte para o produtor, que teria acesso a linhas de crédito mais baratas para irrigação e plantio”, ressalta Frederico. “Essa seria uma conquista para o produtor, que convive com regime insuficiente de chuvas”, pontua Tito. “O RioAgro Coop vai ser vitrine para a força do agronegócio fluminense ser exposta”, destacou Sérgio Cunha, do Fatore.

Por sua vez, Wladimir enfatizou que está buscando os setores produtivos para que estes possam apresentar “suas demandas, propostas e assim gerar caminhos para gerar empregos e renda para o Estado do Rio”. Ele observou que a mudança para semiárido vai garantir acesso a financiamentos de 1% para irrigação e plantio para todas as atividades do agronegócio, como leite e agricultura familiar. “Só o setor da cana pode sair de 1 milhão de toneladas para 5 milhões de toneladas processadas”, projetou o parlamentar.

A ministra Tereza Cristina disse que eventos como o RioAgro Coop ajudam “o agronegócio a se desenvolver e que merecem todo o apoio”. Ela afirmou que verificará a possibilidade do comparecimento e garantiu a participação de equipes do ministério no evento.

A ministra da Agricultura destacou que o modelo de cooperativismo é o caminho para assegurar investimentos em irrigação. Ela citou projeto no Nordeste brasileiro, que assegurou investimentos para irrigar em modelo de cooperativas.

O RioAgro Coop é um evento realizado pelo Sistema OCB-RJ, unidade estadual da Organização das Cooperativas do Brasil, em conjunto com a Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), com organização do Fatore. Contará com palestras e debates organizados no módulo “CooperAção” e com exposição de serviços e produtos no módulo “ExpoCoop”, abordando temas cooperativismo, agricultura familiar, bacia leiteira e agrotech.

 

Com informações da Fatore

 

0

Ao vivo todas as manhãs na Folha FM, Folha no Ar em vídeo com Soffiati

 

 

Aristides Soffiati e Pedro Emílio Braga, respectivamente entrevistados de ontem e hoje do Folha no Ar, nas manhãs de segunda à sexta da Folha FM 98,3 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como anunciado aqui, na segunda (01) o historiador Aristides Soffiati  foi o convidado do Folha no Ar. O programa vai ao ar ao vivo de segunda à sexta, na Folha FM 98,3Mgh, sempre das 7h às 8h30. Soffiati analisou a mudança do clima da região para o semiárido — classificação que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) pleiteia (aqui) em projeto de lei no Congresso Nacional, visando facilitar acesso a linhas de crédito aos produtores rurais do Norte e Noroeste Fluminense — e sobre o aniversário de 55 anos do golpe civil-militar de 1964, que inaugurou nossa última ditadura militar.

Gravado em vídeo, o programa matinal de rádio com Soffiati foi reprisado na TV: às 17h de ontem, na Plena TV (canal 03 da VerTV). Na manhã de hoje, o Folha no Ar entrevistou o delegado titular da 146ª DP, Pedro Emílio Braga. A pauta foi sobre Segurança Pública, em Guarus, Campos, Estado do Rio, Brasil e mundo. Para quem não pôde ouvir ao vivo na rádio, o programa com o delegado também será exibido em vídeo às 17h de hoje, na Plena TV. Já para quem não pôde conferir ontem, em rádio ou TV, seguem abaixo os vídeos do Folha no Ar com o professor Soffiati:

 

 

 

 

 

 

0

Silêncios reveladores de Bacellar, Carla e Clarissa, e a Saúde de Campos

 

 

Entrevista de Wladimir (I)

Desde domingo (31), quando a Folha publicou (aqui) entrevista com o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), uma mensagem rodou os grupos de WhatsApp ligadas aos Garotinho: “Na matéria Wlad não fez nenhuma crítica a Gil e Rodrigo, apenas disse que eles precisam deixar claro (sic) suas posições em relação à (sic) Rafael”. O erro de português importa menos. Poeta, Ferreira Gullar dizia: “a crase não foi feita para humilhar ninguém”. Mas quando um político cobra publicamente a posição política de dois políticos, isso só pode ser desconsiderado como crítica por quem ignora o conceito de crítica. É deficiência cognitiva, não só de acentuação.

 

Entrevista de Wladimir (II)

Extraída da entrevista com o deputado, a manchete de capa de domingo foi “Wladimir evita 2020 mas critica Rafael, Bacellar e Gil Vianna”. A mensagem anônima de WhatsApp a considerou “um título pra apimentar e jogar os caras contra Wlad”. Se a edição tivesse dolo de “apimentar”, a manchete de capa poderia ser: “Meu pai e minha mãe não terão papel nenhum em meu governo”. Foi o que o entrevistado soltou quando repetida a pergunta sobre o papel que Anthony e Rosinha Garotinho teriam (ou voltariam a ter) no governo de Campos, caso o filho vencesse a eleição de 2020. Mas não foi usada nem nas manchetes das duas páginas internas.

 

Entrevista de Wladimir (III)

Em resposta às críticas de Wladimir, o deputado estadual Gil Vianna (PSL) ontem disse (aqui): “O pai e a mãe dele acabaram com a cidade, quando fizeram a ‘venda do futuro’. E se ele for eleito prefeito, vai fazer o mesmo”. Por sua vez, o também deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) preferiu “manter o silêncio”. Assim como a prefeita de SJB, Carla Machado (PP), e a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), também citadas na entrevista. Silêncios ensurdecedores: Rodrigo não quer queimar os barcos com “Wlad”, Carla não descarta ser condenada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Clarissa ainda se ressente da votação superior do irmão.

 

Articulação

Como anunciado no último dia 24 de março pela Folha, o médico e ex-vereador Dante Pinto Lucas será o novo diretor do Hospital Geral de Guarus (HGG). Ele coloca como principal desafio do secretário de Saúde Abdu Neme a articulação entre a rede pública e as unidades contratualizadas. Dante, que também já dirigiu o Hospital Ferreira Machado (HFM) e foi vice-presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), declara que alguns pacientes atendidos nos superlotados HGG e HFM podem ser levados para leitos ociosos nos hospitais Plantadores de Cana, Beneficência Portuguesa, Santa Casa de Misericórdia e Alvaro Alvim.

 

Estabilização

Outro grave problema na Saúde de Campos apontado por Dante é a falta de triagem nos atendimentos de emergência, que acabam sobrecarregando o HFM e HGG. O diagnóstico do médico aponta que as Unidades Pré-Hospitalares (UPHs, ex-UBS) precisam ter condições para estabilizar os pacientes antes de uma eventual transferência. Para isso, ele diz que o município adquiriu respiradores, porém, os equipamentos vão com os pacientes transportados para unidades centrais e acabam tirando a capacidade das UPHs. “Se continuar como está, seriam precisos de mais três HGGs”, relata.

 

São José

No último domingo, o prefeito Rafael Diniz (PPS) postou um vídeo nas redes sociais ao lado de Abdu Neme fazendo uma avaliação dos primeiros dias de ações do novo secretário, que assumiu a pasta no dia 23 de março. Abdu afirmou que existe uma agenda para a inauguração do Hospital São José, na Baixada Campista. “Os equipamentos já estão todos alocados para poderem ser redimensionados na unidade. Estamos só aguardando a finalização da questão do laboratório”, disse Neme, que completou falando do desafio de zerar a fila para atendimento no município.

 

Subsecretaria

Rafael também chamou a atenção no vídeo para a importância dos servidores da Saúde e parabenizou Abdu pelo início de trabalho. “Mais do que isso, nesse momento em que a gente se aproxima ainda mais da população, mas também de todos os servidores da Saúde que são fundamentais nesse processo”. Aliás, o prefeito publicou no Diário Oficial de ontem a nomeação de Fabiana Catalani para a subsecretaria de Saúde. A médica será a número dois da pasta depois de comandar a secretaria desde o início da gestão Diniz até ser substituída por Abdu Neme.

 

Com Aldir Sales

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

0

Gil, Marcão e Abdu reagem a Wladimir, Bruno surfa e demais se calam

 

Gil Vianna, Marcão Gomes, Abdu Neme e Bruno Dauaire (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

“Reafirmo o que disse (em entrevista à Folha, publicada aqui em 24 de fevereiro): O pai e a mãe dele acabaram com a cidade, quando fizeram a ‘venda do futuro’. E se ele for eleito prefeito (de Campos), vai fazer o mesmo”. Foi assim que o deputado estadual Gil Vianna (PSL) reagiu ontem às críticas que sofreu do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), em entrevista publicada (aqui) na Folha no último domingo, 31 de março. Nela, o filho dos ex-governadores (e ex-prefeitos) Anthony e Rosinha Garotinho questionou, diante do gravador:

— A gente só precisa que as pessoas demarquem as suas posições claramente, porque, tanto o Gil quanto o Rodrigo (Bacellar, SD), na eleição para deputado (estadual, em que ambos se elegeram), diziam que não faziam parte do grupo de Rafael (Diniz, PPS), quando não é isso que a gente vê na prática. Ambos apoiados por vereadores da base do governo Rafael e com cargos na gestão.

Gil também reafirmou que é pré-candidato a prefeito de Campos. “Comecei na vida como office-boy, servi o Exército, fui PM por 26 anos e entrei na política para defender a causa da minha filha (de necessidades especiais). Fui vereador duas vezes e candidato a deputado estadual (em 2014), quando os Garotinho apoiaram (Geraldo) Pudim (hoje MDB) e Bruno (Dauaire, hoje PRP). Ainda assim, me elegi suplente e ocupei uma cadeira na Assembleia por um ano e meio. Rachei com Garotinho quando ele fez a ‘venda do futuro’, contra a qual votei como vereador, porque sabia que iria arrasar a cidade. Depois fui candidato a vice-prefeito, com Caio Vianna (PDT), e me elegi deputado em outubro. Me vejo na obrigação de ser candidato a prefeito em 2020, pelo que a gente vê em Campos. Terei o apoio do PSL e, tenho certeza, do governador Wilson Witzel (PSC)”, projetou o líder do PSL na Alerj.

Além do questionamento do posicionamento político em relação ao governo Rafael, Rodrigo Bacellar mereceu uma crítica individualizada de Wladimir: “É impossível desassociar a (imagem) dele do pai dele”, disse o deputado federal à Folha. Ainda assim, o filho do ex-vereador Marcos Bacellar (PDT) ontem optou por “manter o silêncio”. Reação diferente teve o secretário municipal de Desenvolvimento Humano e Social, Marcão Gomes (PR). Ele disputou com Wladimir uma cadeira na Câmara Federal, teve votação geral superior, embora inferior em Campos, perdeu, foi ironizado no domingo por quem se elegeu e ontem respondeu:

— Lendo a entrevista de Wladimir, recordei do ditado popular “filho de peixe, peixinho é”. Ele afirma que a dívida deixada pelos seus pais é uma mentira. Ele está igual ao pai acreditando nas próprias mentiras. O MPF está de olho na “venda do futuro” como ato de improbidade administrativa e ilícito penal, onde a ex-prefeita e mãe do deputado fez Campos contrair uma dívida de mais de R$ 1,3 bilhão. Também não é verdade que o vice-governador (Claudio Castro, PSC) tenha me dado qualquer negativa à parceria entre o Estado e o município (pela reabertura do Restaurante Popular). Isso parece ser uma vontade de Wladimir, que posa oferecendo “ajuda” ao município nas redes sociais, mas nos bastidores busca ver frustradas as articulações para restabelecer importantes políticas públicas para Campos. Seguindo a cartilha de seu líder Garotinho, prejudica diversas famílias que precisam dos programas.

Novo secretário de Saúde de Campos, após ter sido aliado e médico particular de Garotinho, Abdu Neme (PR) também respondeu às afirmações de Wladimir. Na entrevista à Folha, o deputado afirmou que a inauguração do novo Hospital São José e a instalação do prontuário eletrônico “não são novidades”:

— Wladimir não tem noção do que é prontuário eletrônico, nem sabe o que é isso. Ou, vai ver, eu não entendo de saúde pública como ele. O Hospital São José estava pronto? Então, como a Folha perguntou e ele não soube responder, por que eles não inauguraram? Não vou debater com Wladimir. Os fatos falam por si. Só achei desnecessário e deselegante ele dizer que eu não aceitei ir à reunião que ele marcou com o secretário estadual de Saúde e os representantes dos hospitais conveniados de Campos. Aliás, quem me ligou, na sexta (29), não foi nem ele, mas seu chefe de gabinete, Thiago Godoy. Agradeci, mas já tive uma reunião (aqui) com o secretário Edmar Santos (no dia 19) e estou esperando resposta — lembrou Abdu.

Aliado de Wladimir, com quem fez uma dobradinha vitoriosa nas urnas de outubro, o deputado estadual Bruno Dauaire gostou das palavras do entrevistado de domingo. Este afirmou que, no caso da prefeita sanjoanense Carla Machado (PP) ser condenada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na Machadada, Bruno seria “um caminho natural e bom” para governar o município:

— Vontade não me falta, mas o tempo de conciliar a agenda parlamentar com a de pré-candidato. Sem descartar a possibilidade, espero um dia ter a honra de governar o município que representa a história política da minha família. Tanto o meu avô Alberto Dauaire, como meu pai, Betinho Dauaire, foram excelentes administradores, com altos índices de aprovação popular. Hoje tenho muitas frentes de lutas nas comissões na Alerj, além das sugestões que tenho feito ao Governo do Estado, relativas a obras urgentes a São João da Barra, Campos e São Francisco. Só posso agradecer ao eleitorado sanjoanense por lembrar de maneira tão forte o meu nome para a eleição municipal. E digo a todos que vamos estar juntos nessa construção — disse Bruno. Procuradas através das suas assessorias, Carla e a deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), outra citada na entrevista, preferiram não comentá-la.

 

Página 2 da edição de hoje (02) da Folha

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

0

CPI do Fundecam faz primeira reunião e começa a ouvir pessoas no dia 15

 

Neném, Paulo Arantes, Jorginho Virgílio e Abu, reunidos hoje na primeira sessão da CPI do Fundecam (Foto: Divulgação)

 

Ocorreu agora à tarde a primeira reunião da CPI do Fundecam, na Câmara Municipal de Campos. Participaram quatro dos seus integrantes: o presidente, Jorginho Virgílio (PRP); o relator, Abu (PPS); mais os membros Luiz Alberto Neném (PTB) e Paulo Arantes (PSDB). O quinto, vereador Silvinho Martins (PRP), não compareceu.

Os quatro edis presentes se reuniram com dois integrantes do corpo técnico da CPI, um advogado e um economista. Seus nomes não foram divulgados por receio de que sofram represálias pelos investigados. A Comissão deliberou que começará a fazer oitivas com algumas pessoas, cujos nomes também serão mantidos em sigilo.

Os dois primeiros serão ouvidos na próxima reunião da CPI, no dia 15. O horário também será preservado, para evitar qualquer tipo de constrangimento.

 

0

No aniversário do golpe civil-militar, Soffiati nesta segunda no Folha no Ar

 

 

Nesta segunda 1º de abril, aniversário de 55 anos do golpe civil-militar de 1964, o historiador Aristides Soffiati será o entrevistado do Folha no Ar

Nesta segunda (1º de abril), é o aniversário de 55 anos do golpe civil-militar de 1964, que deu início à última ditadura no Brasil, estendida por 21 anos até 1985. Como fazem hoje aqueles que pensam poder mudar fatos históricos para atender sua vontade pessoal, os militares brasileiros sempre tentaram retroagir a data um dia, para 31 de março, buscando fugir da coincidente eclosão do movimento com o Dia da Mentira.

Para sanar quaisquer dúvidas, o entrevistado do Folha no Ar, transmitido ao vivo pela Folha FM 98,3Mgh, das 7h às 8h30 da manhã, será o historiador Aristides Soffiati. Até lá, o leitor do blog pode conferir os vídeos do segundo e último Folha no Ar. Exibido na última sexta (29) e reapresentado na Plena TV, a entrevistada na ocasião foi outra historiadora: Diva Abreu Barbosa, também empresária e diretora presidente do Grupo Folha, cuja história de 41 anos pode ser melhor conhecida.

Enquanto a história do país não vem como pauta desta segunda, fique com um pouco das últimas quatro décadas da história do jornalismo de Campos e da região, contada na sexta pela memória de uma de suas mais importantes personagens:

 

 

 

 

 

0

Wladimir evita se lançar a 2020, mas critica Rafael, Bacellar e Gil Vianna

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Arnaldo Neto

Único representante de Campos em Brasília, Wladimir Garotinho (PSD) evitou colocar seu nome como pré-candidato a prefeito e disse estar mais preocupado em construir um projeto ao município para 2020, e em fazer um bom mandato como deputado federal. Nele, voltou a se colocar à disposição do prefeito Rafael Diniz (PPS), cujo governo não poupou de críticas, feitas também aos deputados estaduais Rodrigo Bacellar (SD) e Gil Vianna (PSL). Mas afirmou que seus pais,os ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, não teriam “papel nenhum” em um governo seu. E que “questões partidárias e de pessoas (…) a gente resolve na eleição”. Ele definiu o presidente Jair Bolsonaro (PSL) como “escolha errada pelos motivos certos”. E disse que, em caso de condenação da prefeita Carla Machada (PP) no TSE, o deputado estadual Bruno Dauaire (ainda PRP) seria “o caminho natural e bom” para São João da Barra.

 

(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã – Como está sendo sua primeira experiência como deputado federal? Qual o clima hoje em Brasília, com as tensões e aparentes apaziguamentos entre o governo Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM/RJ)?

Wladimir Garotinho – Uma experiência muito boa. Morei com meu pai por seis meses quando ele foi deputado federal. Já tinha consciência do ambiente parlamentar em Brasília, mas você ser deputado é diferente. Só que o ambiente é muito ruim hoje.

 

Folha – É muito ruim ou está muito ruim?

Wladimir – Está muito ruim porque a relação entre o parlamento e o presidente da República está muito ruim. Como essa relação está ruim, o ambiente acaba ficando ruim também. O que o Congresso espera, o que os parlamentares esperam e o que o Brasil espera é que haja uma relação harmônica para que o país ande. Conversamos isso entre os deputados e as bancadas, de que precisa dessa relação cordial e a gente está tentando colocar panos quentes para que essa relação possa melhorar.

 

Folha – Com essa crise, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chegou a tuitar que presidente que briga com o Congresso sofre impeachment, como Collor e Dilma. Concorda com isso?

Wladimir – É verdade. Concordo. Temos um histórico muito ruim de relação de briga entre Congresso e presidente. Até porque vivemos num país que tem um monstrengo, vamos dizer assim. O sistema é presidencialista, mas…

 

Folha – A Constituição é parlamentarista.

Wladimir – Mas a Constituição é parlamentarista. O presidente não dá um passo se o Congresso não quiser. Se houver enfrentamento, discórdia, o país para.

 

Folha – Fernando Henrique colocou que os dois presidentes que não entenderam a força do Congresso, a partir do final da ditadura militar (1964/85), sofreram o impeachment e os vices assumiram. Corremos de novo esse risco? Como vê o Mourão?

Wladimir – Eu acho que o Brasil precisa de estabilidade para poder arrumar a casa e crescer. Eu acho que essa briga não é boa. Se continuar, a gente não sabe no que pode dar. A gente já viu no que deu e não sabe no que pode dar hoje. Mourão tem se mostrado, pelo menos, uma figura equilibrada e coerente. Mas não torço e não desejo que aconteça novamente um impeachment novamente. Acho que o povo não merece, de novo, passar por essa instabilidade.

 

Folha – A reforma da Previdência é considerada fundamental à sobrevivência financeira do Brasil. Como você analisa a proposta do ministro da Economia Paulo Guedes? Como pretende votar?

Wladimir – Primeiro a gente precisa esclarecer o seguinte: a reforma da Previdência é necessária. Eu não concordo com o modelo apresentado pelo Paulo Guedes, porque ele pune, principalmente, os mais pobres. Mas a sociedade brasileira precisa entender que é necessário. Quando a Previdência foi concebida, lá atrás, você tinha nove pessoas contribuindo, para cada aposentado. Hoje as pessoas estão envelhecendo, morrendo mais tarde, e a proporção hoje é de três para um. Ou seja, é fadado ao fracasso. Ela vai quebrar.

 

Folha – Como Delfim diz: “é questão de aritmética, não de desejo”.

Wladimir – Exatamente. Não tem jeito. Precisa haver uma reforma. Só que eu acho que o modelo apresentado é muito ruim, principalmente para os mais pobres e trabalhadores do país. Poderia citar aqui o BPC (Benefício de Prestação Continuada), trabalhador rural, professor. A própria proposta para os militares. Para os militares das polícias militares e bombeiros dos estados, é péssima. Agora, para os militares das Forças Armadas ela é boa, até porque é mais um plano de cargos e salários do que uma aposentadoria. O sentimento que se tem no Congresso é que essa reforma não passa. E do jeito que ela está, eu votarei contra. Tentarei algumas emendas no texto, não serão só emendas minhas, mas do nosso partido, PSD, porque não concordamos com vários pontos dessa reforma.

 

Folha – Eleitor de Ciro Gomes (PDT) no primeiro turno presidencial, como vê esse turbulento início do governo Bolsonaro? Com a visão de quem está vivendo Brasília, o que esperar?

Wladimir – Eu acho que o Brasil escolheu a pessoa errada pelos motivos certos. Eu não votei no Bolsonaro, inclusive fui crítico da radicalização que ele usou durante a campanha. Eu acho que a radicalização não é boa para nenhum dos dois extremos. Ele precisa encontrar o equilíbrio. E me preocupa muito não ver nenhuma movimentação do governo, principalmente em relação às classes produtiva e trabalhadora. A gente não vê, por exemplo, elevação de salário mínimo, que agora foi dito que será só pela inflação. Isso é muito perigoso, porque quando você tem um salário mínimo forte, você tem mais poder de compra. E quando você tem mais poder de compra as empresas estão vendendo mais e, consequentemente, vão contratar mais. A gente espera que a reforma da Previdência passe de uma forma que seja melhor para todo mundo. E eu acho que o governo vai ter um marco zero na reforma. Vai ser um governo até a reforma e outro governo depois.

 

Folha – Você falou que a reforma como está, não passa. Paulo Guedes fala muito na economia de R$ 1 trilhão que ela daria ao país. Desse R$ 1 trilhão, passa o quê?

Wladimir – Tem um problema nesse R$ 1 trilhão. Nós não conhecemos os números para chegar no R$ 1 trilhão. Inclusive, várias bancadas já pediram, por escrito, para saber como ele chegou a esse R$ 1 trilhão. A gente só sabe do R$ 1 trilhão que ele diz. Mas como ele chegou a esse número? Do global, desse R$ 1 trilhão, R$ 800 bilhões está saindo da classe trabalhadora e outros R$ 200 bilhões, apenas, do que ele chama de privilegiados. A gente quer ter acesso às contas.

 

Folha – O Psol pediu no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a cassação do seu mandato e do deputado estadual Bruno Dauaire? A denúncia é de compra de voto para vocês dois, no bairro da Penha, por Paulo Henrique Barreto Barbosa, o “PH”, ex-DAS do governo municipal da sua mãe, condenado na Chequinho e assessor parlamentar de Bruno. Em dezembro, você falou: “vou provar nos autos que tais acusações não existem”. Três meses depois, o que mais pode dizer sobre o caso?

Wladimir – Tenho convicção de que a denúncia vai ser arquivada, porque, inclusive, o PH disse que pode pedir perícia no tal vídeo, na tal imagem, porque não tinha nada de ilegal no que ele estava fazendo ali. Estava, segundo ele, entregando uma célula que tinha o número dos candidatos dele, que não era dinheiro, porque, inclusive, a imagem está completamente distorcida. Eu vi a imagem e ela está distorcida. Então, estou muito tranquilo em relação a isso.

 

Folha – Mas, a entrega dessa cédula com os nomes dos candidatos em dia de eleição também não seria crime eleitoral?

Wladimir – Mas isso você não tem como controlar. Todo mundo entrega cédula. Segundo ele, a pessoa era uma conhecida dele, que teria perguntado quem eram os candidatos dele, e ele entregou uma cédula dizendo quem eram os candidatos dele. Não vejo problema nenhum nisso e tenho certeza que a denúncia será arquivada.

 

Folha – O PRP, partido pelo qual se elegeu em outubro, antes de se mudar ao PSD, pediu seu mandato esta semana por infidelidade partidária, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Qual a sua expectativa?

Wladimir – Isso é uma ação desproporcional e, no meu ponto de vista, até irresponsável, visto que o PRP nacional já deu baixa no seu CNPJ e não existe mais o partido. Isso beira, inclusive, à falsidade ideológica por parte da pessoa que protocolou a ação, porque a Constituição garante ao parlamentar do partido que não alcançou a cláusula mudar em qualquer tempo para outro partido. Foi o que eu fiz.

 

Folha – Quando fala em irresponsável, se refere a alguma pessoa? Foi uma questão pessoal?

Wladimir – Uma questão pessoal por motivos que eu não quero citar. Mas, a pessoa se achou na vontade de entrar, e eu vou responder em juízo.

 

Folha – Em contrapartida, como viu a saída de Indio da Costa do PSD, que renunciou à presidência estadual do partido por não compactuar com sua entrada? 

Wladimir – Eu acho uma decisão equivocada dele, até porque ele deu uma entrevista dizendo que quer estar conectado com as ruas, sendo que, uma semana antes, ele tinha sido denunciado por um empresário que disse que ele pagou US$ 2,5 milhões para o Índio da Costa o proteger numa CPI. Acho que ele não precisava ter saído do partido, política se constrói com diálogo, aliança. Mas respeito a decisão dele, e que ele siga um bom caminho.

 

Folha – Seus pais, os ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho estão inelegíveis até 2022. Somado isso ao fato de que sua eleição a deputado federal se deu pela vontade de 39.398 eleitores, mais do que os 35.131 que reelegeram sua irmã Clarissa (Pros) ao cargo, você é hoje apontado como o nome mais forte do seu grupo político. Isso está correto? Por quê?

Wladimir – Minha prioridade é fazer um bom mandato de deputado federal. Essa é minha prioridade,  para isso estou me preparando e para isso que fui eleito. Eu acho que nós temos uma história aqui na cidade, temos um grupo político e vamos ter, com certeza, um projeto para Campos na próxima eleição. Esse projeto vai ser muito conversado, muito dialogado, vamos conversar com outras frentes políticas também, e lá na frente a gente vai discutir quem é o melhor candidato.

 

Folha – Não era esperado que você fizesse mais votos que Clarissa e você sai como a principal força do seu grupo?

Wladimir – Na verdade, essa queda de votação da Clarissa e até a minha, porque eu achava que faria um pouco mais de voto, foi porque, quando meu pai retira a candidatura dele na quinta [a eleição era no domingo], o nosso material era casado. O material era 100% eu e ele, minha irmã e ele. Eu senti isso principalmente nas áreas periféricas aqui de Campos, em que eu estava mais presente. Quando as pessoas iam entregar material, as pessoas não queriam nem pegar, porque achavam que o voto não ia valer e que aquele material era do Garotinho. Por isso a votação da minha irmã caiu muito, a minha também caiu, principalmente nessa região do entorno aqui. Eu fui candidato pela primeira vez, e existe, em Campos, por parte da sociedade, uma saudade muito grande do governo Rosinha, porque o governo Rafael não vai bem. Acho que por isso eu posso ter feito uma votação maior que a Clarissa, porque o meu voto foi mais concentrado aqui. O voto dela é mais pulverizado, principalmente pelo sobrenome Garotinho, na Região Metropolitana, na Baixada. Quando da retirada da candidatura dele, a votação dela caiu.

 

Folha – Você disse que o governo Rafael não vai bem, mas Marcão  Gomes (PR) teve mais voto do que você no geral, embora um pouco menos em Campos.

Wladimir – No geral, porque ele tinha uma máquina o apoiando por trás, o que deu capilaridade a ele. A votação de Campos mostrou a insatisfação do povo com o governo dele.

 

Folha – Vocês ficaram bem próximos nas votações.

Wladimir – Dois mil votos de diferença. Por acaso, a mesma diferença de quando meu pai ganhou de Sérgio Diniz (pai de Rafael) como deputado estadual, em 1986. Sérgio foi o candidato da máquina e perdeu para Garotinho sem máquina, por dois mil votos. Por acaso, a mesma quantidade de votos (risos). Isso demonstra que, em Campos, a máquina está muito mal.

 

Folha – Antes de outubro, dizia-se abertamente que, se conseguisse se eleger à Câmara Federal, você seria candidato natural pela Prefeitura de Campos em 2020. Rafael Diniz já assumiu publicamente a pré-candidatura dele à reeleição, em entrevista à Folha publicada (aqui) em 30 de dezembro. E você?

Wladimir – Como eu disse, minha prioridade é o meu mandato como deputado federal, e eu estou me preparando para fazer um grande mandato, porque acho que o Brasil precisa e eu sou o único deputado federal da região. A questão de candidatura nós vamos decidir com outras forças políticas, junto com nosso grupo, conversando, construindo um projeto para a cidade. Em cima desse projeto, o que for o melhor nome a gente vai encaminhar.

 

Folha – Sim. Você, primeiro, se elegeu. Se consegue fazer um bom mandato…

Wladimir – Eu posso ser candidato… Nós temos, independente do nome de quem for o candidato, temos que ter um projeto para a cidade. Acho que o projeto antecede ao nome.

 

Folha – Você acha que Bolsonaro foi eleito pelo projeto?

Wladimir – É por isso que eu acho que não vai dar certo. Eu acho que é uma tristeza para o Brasil você ter um presidente que você não consegue enxergar que possa dar certo. Acho que Bolsonaro foi eleito, como disse antes, a pessoa errada pelos motivos certos.

 

(Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)

 

Folha – Witzel foi eleito pelo projeto? Zema foi eleito pelo projeto? Trump foi eleito pelo projeto?

Wladimir – Isso é uma questão pessoal e ideológica minha. Não consigo acreditar em nome antes do projeto. Eu trabalho com essa perspectiva, independente do que deu certo ou deu errado.

 

Folha – Trabalha independente do que deu certo e deu errado?

Wladimir – Mas aí é o que eu acredito. Acredito em projeto político. Nós vamos trabalhar e desenhar um projeto para Campos. As pessoas que estiverem nesse projeto de construção do projeto, nós vamos avaliar o melhor nome.

 

Folha – Apesar do destaque nas urnas 2018, no dia seguinte ao resultado delas, você declarou à Folha (aqui) em 8 de outubro: “O líder do grupo continua o mesmo, Garotinho”. Se ele é o líder, você é o liderado? Que papel Garotinho e Rosinha teriam em um eventual governo seu?

Wladimir – Primeiro, eu sou filho. E, como filho, sempre respeitarei e honrarei pai e mãe, porque é isso que eu acredito. Segundo, existe uma questão geracional. Ser liderado não significa ser submisso. É diferente.

 

Folha – A pergunta hora não se refere à relação familiar de pai e filho, mas à política entre líder e liderado.

Wladimir – Sim. Ele é o líder de um grupo que eu faço parte. Mas, ser liderado não significa ser submisso. A gente discorda…

 

Folha – Que papel seu pai e sua mãe teriam num eventual governo seu?

Wladimir – Papel nenhum. Eles são meu pai e minha mãe.

 

Folha – Eles ocupariam alguma secretaria?

Wladimir – Não, até porque não é desejo deles, e eu também acho que não é desejo deles, e eu também acho que não é o momento. O momento é de a gente conseguir construir uma aliança política para devolver um rumo à cidade de Campos, que hoje está sem rumo.

 

Folha – Em 2014, não é segredo que, você não se candidatou a deputado estadual porque Garotinho o impediu, preferindo apoiar Geraldo Pudim (hoje, no MDB e desafeto do grupo), enquanto você apoiou e ajudou a eleger Bruno. Ainda assim a liderança do seu pai é inconteste?

Wladimir – Ele é o líder do grupo. Só que, como eu disse, ser liderado não significa ser submisso. A gente discorda. Quando discorda, a gente conversa internamente. Mas, naquela questão da eleição do Bruno, eu não podia recuar, porque eu tinha me preparado para ser candidato a deputado, mas tive que recuar, porque ele é o líder do grupo e tinha um compromisso assumido com Pudim. Mas eu disse que, com Pudim, não podia caminhar naquele momento. Apostei no Bruno e deu certo.

 

Folha – Em entrevista ao programa Folha no Ar, na estreia da Folha FM na última quinta (28), Rafael falou sobre a duplicidade das iniciativas para reativar do Restaurante Popular. A sua junto à gestão Wilson Witzel (PSC), e a do município,  que teve Marcão como secretário de Desenvolvimento Humano e Social reunido (aqui) com o vice-governador Cláudio Castro (PSC) no dia 19, antes de prometer inaugurar o Centro de Segurança Alimentar e Nutricional até o final do primeiro semestre. Rafael disse (aqui): “Se tem alguém querendo disputar, querendo ser o pai da criança, isso é normal, é hereditário. É uma fome de ser dono de tudo que é hereditária (…) Eu tenho o objetivo de consertar toda essa bagunça que eles deixaram (…) Tiveram tantos anos para fazer, e fizeram o quê? Quebraram a cidade!”. Como você vê a questão?

Wladimir – Primeiro, são dois projetos completamente diferentes. O que Rafael quer fazer, na minha concepção, está errado. Os critérios são exclusivos, ele vai conseguir atender muito pouca gente no tipo de projeto que quer fazer. O Restaurante Popular é universal. Comerciários que ganham salário mínimo podem se alimentar ali, estudantes podem se alimentar ali, pessoas pobres podem se alimentar ali. Não é o critério que Rafael vai usar no Restaurante Popular. Ele vai usar o critério para poder se alimentar quem ganha 1/4 do salário mínimo e está cadastrado no CAD Único. E quem ganhar renda acima disso vai ter que pagar entre R$ 4 e 8. Então, ele está excluindo pessoas. Para mim, o critério dele está errado. São programas completamente diferentes. E o Marcão, quando esteve com o vice-governador, ouviu dele que ele não poderia, neste momento, fazer o que o Marcão queria. Marcão esteve lá para pedir a renovação da cessão do prédio, e o vice-governador não garantiu a ele que por enquanto pode fazer a cessão do prédio.

 

Folha – Você parece bem informado.

Wladimir – O vice-governador me ligou.

 

Folha – Quando Rafael fala que os Garotinho quebraram a cidade, se refere à dívida de R$ 2,4 bilhões que o governo municipal denunciou (aqui), desde março de 2017, ter sido deixado por seus pais na Prefeitura de Campos. Como Garotinho alegou à época, vocês fazem contas diferentes. Em quem acreditar? E por quê?

Wladimir – Essa dívida é mentira. Eu quero que Rafael abra os números e mostre para a população. Não adianta ele dar um número fechado, porque grande parte do que ele diz que nós deixamos de dívida, são dívidas que têm 20, 30 anos para vencer, de parcelamento de fundo de garantia, INSS, que vêm de gestões bem anteriores à nossa. Nós deixamos, se não estiver enganado, cerca de… Não vou lembrar o número. Nós deixamos restos a pagar, normais, que qualquer governo deixa. Inclusive, deixamos menos do que pegamos de Mocaiber.

 

Folha – A prestação de contas da sua mãe, no último ano de gestão, foi reprovada. E no primeiro ano de gestão do atual prefeito, as contas foram aprovadas. Você não acha que isso corrobora esse discurso dele sobre as contas?

Wladimir – Não acho, não, porque o último ano da gestão da Rosinha foi, realmente, num período que a gente teve que pegar empréstimos e cessão de créditos para poder fechar a folha.

 

Folha –  A venda do futuro.

Wladimir – Não é venda do futuro. Inclusive, foi um discurso usado na campanha. Mas não é. Para se ter ideia, no ano de 2017, que foi o primeiro ano do governo de Rafael, o que eles chamam de venda do futuro representou apenas 2,5% do orçamento dele. No ano passado, representou 3%. Então, não foi isso que inviabilizou a cidade.

 

Folha – Nessa aparente disputa local de influência junto ao Palácio Guanabara, o governador nega a participação dos Garotinho em sua administração. E apesar do PSC ser o destino provável de Bruno Dauaire, especulou-se o mesmo sobre você, antes de acabar indo ao PSD. Qual é, de fato, a relação do seu grupo com o Governo do Estado?

Wladimir – Primeiro, não existe briga de influência junto ao governador. Me relaciono com o governo como deputado federal eleito. Segundo, nós não temos espaço no governo Witzel. Nem o Cleiton [Rodrigues, chefe de Gabinete de Witzel e ex-coordenador de campanha do Garotinho], que era uma pessoa mais próxima da gente, foi indicação nossa. Isso, o próprio Witzel já deixou claro. E eu vou dar um relato aqui que, infelizmente, já me coloquei duas vezes à disposição do prefeito Rafael. Uma vez pessoalmente, outra por ofício, e até hoje não fui procurado por ele para nenhum assunto relacionado à Prefeitura. Inclusive, ele esteve em Brasília esta semana, se reuniu com outros deputados e não procurou o deputado da cidade dele, que se colocou à disposição dele por duas vezes. Estou esperando ser convocado.

 

Folha –  Mandar o ofício se colocando à disposição do prefeito, enquanto seu pai pega um inquérito policial de um sequestro para acusar o governo de receber propina, versão negada  pelos cinco presos pela ação criminosa, não é (aqui) hipocrisia?

Wladimir – Eu me coloquei à disposição de Rafael pessoalmente. Depois, fiz por ofício. E quero ajudar a minha cidade. Inclusive, vou ter um encontro com o secretário [estadual] de Saúde na próxima semana, vou levar as quatro instituições de Campos e convidei o secretário de Saúde, Dr. Abdu Neme, para ir. Se ele vai ou não, é uma decisão de governo, de Rafael e deles. [Após a entrevista, o deputado informou que convidou Abdu e o secretário disse que não iria].

 

Folha –  Se você fosse prefeito, Rafael deputado e ele lhe oferecesse ajuda por ofício, enquanto Sérgio Diniz manipulasse um inquérito policial para dizer que há propina em seu governo, quando os cinco presos afirmaram em depoimento que não há, você aceitaria a ajuda?

Wladimir – Eu acho que Campos não pode perder a oportunidade. Já me coloquei à disposição, estou repetindo aqui para vocês que estou à disposição para tentar resolver qualquer problema de Campos com o governo federal. Questões partidárias e de pessoas, que ficam em outro campo, nós vamos resolver na hora da eleição.

 

Folha – Qual a sua avaliação do governo Rafael? Como viu o verão no Farol, em parceria com o Sesc, e a reforma administrativa com a entrada de Abdu Neme (PR) na Saúde, além de Marcão, dois egressos da Câmara Municipal? O que pensa desse assumido avanço da política sobre a administração municipal, além de projetos como a inauguração do novo Hospital São José, o prontuário digital, o Hemocentro Regional, a instalação do ponto biométrico e o retorno do cartão cooperação, além do Restaurante Popular?

Wladimir – Primeiro, eu acho que Rafael vai tentar politizar a administração para tentar se aproximar da população. Mas, eu acho muito difícil que aconteça, porque não vai conseguir melhorar os serviços básicos da cidade de uma forma tão rápida. Segundo, tudo que ele está dizendo que vai fazer agora, de uma certa forma são ações do governo Rosinha. Ele não tem nada de novo. Rafael não apresentou, até agora, nada de novo. Até agora, não deu uma cara para a gestão dele. Está dizendo que vai voltar com o Restaurante Popular, que não é Restaurante Popular, mas que já tinha na gestão passada; voltar com o cartão cooperação, que era o cheque cidadão, que até agora ninguém sabe quais são os critérios; inaugurar o Hospital São José, que já estava pronto…

 

Folha – E não foi inaugurado?

Wladimir – Mas estava pronto. Ele está levando quase três anos para inaugurar o que já estava pronto.

 

Folha – O ponto biométrico e o prontuário digital não são novidades?

Wladimir – Prontuário digital também não é novidade. O ponto biométrico é uma novidade, mas eu acho que ele pode ter problema com isso.

 

Folha – Os servidores não vão gostar?

Wladimir – Não que os servidores não vão gostar. É muito difícil você querer controlar a presença do servidor se você não dá a ele, efetivamente, condição de trabalho. Se você for aos postos de saúde, hoje, não tem nada. Não tem luva, não tem material. Ele não dá reposição salarial há três anos ao servidor, e agora vai querer colocar o ponto biométrico? Vai ter muito problema.

 

Folha – Você é a favor ou contra o ponto biométrico?

Wladimir – Eu sou a favor, mas ele tem que caminhar junto com melhorias na qualidade do serviço e dos insumos básicos. Não tem nada.

 

Folha – A reforma administrativa veio junto com a revelação de que garotistas de peso como Edson Batista (PTB), ex-presidente da Câmara Municipal, estaria se aproximando politicamente do governo Rafael. Embora você tenha negado ser o motivo do afastamento dele, considerado há 30 anos como um dos aliados mais fiéis do seu pai, Edson foi enfático ao falar (aqui) à Folha: “Garotinho e Rosinha são líderes. Os dois têm história, biografia e minha admiração. Mas estão alijados do processo eleitoral por oito anos. A opção que sobrou ao grupo [na eleição a prefeito de 2020] foi Wladimir. Ele não tem história e biografia para ser candidato. Com Wladimir eu não vou caminhar de jeito nenhum”. Como você fica nessa história? 

Wladimir – Eu respeito a história de Dr. Edson. Desejo a ele muita sorte e sucesso. E eu estou construindo a minha história e biografia, assim como ele um dia construiu a dele. Só isso.

 

Folha – Além de você e de Rafael, os deputados estaduais Rodrigo Bacellar (SD) e Gil Vianna (PSL) também admitiram, em entrevistas à Folha, a possibilidade de disputarem a Prefeitura em 2020. Os dois fizeram críticas ao seu grupo. Rodrigo disse (aqui) sobre você que “é impossível dissociar sua imagem do pai”.

Wladimir – Assim como é impossível desassociar a dele do pai dele.

 

Folha – Já Gil classificou (aqui) como “desastre” a venda do futuro, na qual ele votou contra como vereador e foi negociada por seus pais no ocaso do governo Dilma Rousseff (PT). Como reage a essas críticas e como vê as chances da chamada terceira via em 2020?

Wladimir – Eu acho que tem muita coisa para acontecer, tem muito diálogo para acontecer. Política se faz com diálogo, se faz com conversa. A gente só precisa que as pessoas demarquem as suas posições claramente, porque, tanto o Gil quanto o Rodrigo, na eleição para deputado, diziam que não faziam parte do grupo de Rafael, quando não é isso que a gente vê na prática. Ambos apoiados por vereadores da base do governo Rafael e com cargos na gestão. A gente só precisa deixar claro para a população, para que ela possa escolher o melhor representante e delimitar o campo que cada um ocupa.

 

Folha – Outra das opções aventadas como terceira via na eleição a prefeito de Campos em 2020, o ex-candidato Caio Vianna (PDT) esteve próximo do seu grupo político, antes e depois da eleição municipal de 2016, chegando a se encontrar no Rio (aqui) em reuniões com Garotinho. Como estão hoje as relações do filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB)? 

Wladimir – Não temos relação muito próxima, a gente de vez em quando se fala. Acho que é um novo quadro da política de Campos, assim como eu também sou, e vamos continuar dialogando. Vamos continuar dialogando. Como eu falei, tem muita coisa para acontecer no cenário político ainda.

 

Folha – Em artigo publicado no jornal carioca O Dia, na última terça (26), você detalhou seu Projeto de Lei nº 1440, que pretende considerar as regiões Norte e Noroeste Fluminense como regiões de clima semiárido, o que facilitaria destinação de verbas aos produtores rurais das duas regiões. Como está o encaminhamento disso no Congresso?

Wladimir – Já dei entrada com projeto e já foi encaminhado para a Comissão de Agricultura, onde vai ser estudado. Ainda não tem relator, mas já foi encaminhado. Ele dá oportunidade de ter linha de crédito mais barata. Pelo estudo que a gente fez, existe a possibilidade de ser 1% ao ano, o que fomentaria a área agrícola como um todoInclusive, eu tenho uma audiência marcada com a ministra da Agricultura [Tereza Cristina] no próximo dia 2 e estou convidando alguns representantes de Campos e região para estarem comigo, como os presidentes da Asflucan e da Coagro, e o diretor da Universidade Rural, para tratar sobre esse projeto. Vamos saber de que forma a ministra pode nos ajudar na aprovação célere dele, e também convidá-la para estar aqui no evento RioAgro Coop, que é o início da safra agrícola da nossa região.

 

Folha – Como já foi dito, você e Bruno formam uma parceria bem sucedida desde 2014, na eleição dele a deputado estadual, que se ampliou na dobradinha vitoriosa dos dois em 2018. O que fazer isso se repetir em 2020, numa eventual disputa dele a prefeito de São João da Barra, e na sua, a prefeito de Campos?

Wladimir – Como você disse, é eventual. Primeiro a gente precisa saber se Bruno tem esse desejo, de ser candidato a prefeito. Toda vez que a gente conversa sobre isso ele não demonstra se ele é candidato lá ou não. Assim como eu também não sei se sou candidato aqui em Campos ou não. Ele está despontando como uma liderança nova no cenário de São João da Barra, eu, também, uma liderança nova em Campos. Acho que é natural que a gente dispute as prefeituras em algum momento, até ao mesmo tempo.

 

Folha – No caso de Bruno, parece depender menos da vontade dele do que do julgamento de Carla Machado pela Machadada no TSE. Prefeita popular, se ela for condenada, abre uma janela. Absolvida, é difícil tirar dela. Concorda?

Wladimir – Então, o Bruno não demonstrou claramente ainda se é ou não candidato a prefeito de São João da Barra, talvez até esperando definir a situação de Carla. Se Carla não puder ser candidata, eu acho que o caminho abre e aí, sim, ele pode tomar uma decisão mais firme.

 

Folha – Carla foi condenada em primeira e segunda instâncias. Se ela for impedida na terceira de disputar a reeleição, a candidatura de Bruno não é um caminho natural?

Wladimir – Eu acho que é um caminho natural e bom.

 

Página 2 da edição de hoje (31) da Folha

 

 

Página 3 da edição de hoje (31) da Folha

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

0

Witzel vem a Campos em maio e ministra da Agricultura será convidada

 

 

Witzel volta a Campos

Como governador, Wilson Witzel (PSC) esteve apenas uma vez em Campos. Foi em 15 de janeiro, na inauguração (aqui) da nova sede do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criaad). Agora, o governador tem data para voltar: 17 de maio. Ele virá participar da abertura do RioAgro Coop, na sede agrícola da Coagro, em Sapucaia. O evento marcará a abertura oficial da safra de cana 2019/2020 e será realizado com a Organização das Cooperativas do Brasil no Estado do Rio (OCB-RJ), em conjunto com a Coagro, com organização do Fatore e apoio do Grupo Folha (Folha da Manhã, Folha1, Folha FM, Plena TV e Inter TV).

 

RioAgro Coop

Presidente do Sistema OCB-RJ, Vinícius Mesquita destacou: “No Brasil, cooperativas representam 48% da produção de alimentos, com mais de 1,5 mil cooperativas no agronegócio, 1 milhão de associados e quase 200 mil pessoas empregadas”. Presidente da Coagro e do Sindicato das Indústrias Sucroenergéticas do Estado do Rio (Siserj), Frederico Paes traçou o quadro regional, ao falar da importância do RioAgro Coop com o governador Witzel em Campos: “O agronegócio da cana enfrenta dificuldades, como clima e falta de apoio, gera 5 mil empregos e R$ 300 milhões por safra, com 10 mil pequenos proprietários rurais”.

 

Semiárido

O RioAgro Coop terá representantes da iniciativa privada, universidades, poder público e produção para debater o agronegócio e sua organização em cooperativas. Serão abordados temas como agricultura familiar, bacia leiteira, irrigação, crédito rural e nova classificação do clima da região como semiárido. Nas duas últimas pautas, como a coluna informou ontem (aqui), o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) já encaminhou o projeto de lei nº 1440 à Comissão de Agricultura da Câmara Federal. Se Norte e Noroeste Fluminense forem classificados como semiárido, seus produtores terão acesso facilitado a linhas de crédito.

 

Secretários e ministra

Ontem, o secretário de Agricultura de Campos, Nildo Cardoso (DEM), e vários de pares nos municípios da região, se reuniram em Carapebus com o secretário estadual da pasta, Eduardo Lopes (PRB). Ele vem a Campos na próxima quarta (03), para outro encontro regional, na Uenf. A pauta será a retomada do programa estadual Patrulha Mecanizada, para recuperação de estradas vicinais. Um dia antes, na terça (02), como revelou em entrevista publicada (aqui) nesta edição, Wladimir levará representantes da Coagro, Asflucan e Universidade Rural à ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS), que será convidada para vir a Campos no RioAgro Coop.

 

Açu em destaque

A revista Veja, na edição de 3 de abril, dedica quatro páginas a uma matéria especial sobre o Porto do Açu, em São João da Barra. Com o título “Não era só Powerpoint”, a reportagem fala sobre o empreendimento desde a apresentação pelo idealizador, o empresário Eike Batista, passando pela derrocada do Grupo X e o atual perfil do terminal, sob administração da Prumo, com foco no setor de óleo e gás. A reportagem destaca que, com a localização privilegiada na Bacia de Campos, o Açu está assumindo o protagonismo na logística do setor de petróleo que pertencia a Macaé e Vitória.

 

Mais operações

Recentemente, o Porto do Açu assinou contratos com a Petrobras e a Equinor para operações de transbordo. Se no ano passado 10% de todo o petróleo exportado pelo Brasil passou pelo terminal privado em SJB, a expectativa é de que esse número possa dobrar em 2019, chegando a 200 mil barris por dia. Na reportagem, Eike defende que o Porto do Açu “foi todo desenhado para proporcionar eficiência na veia. Não é um puxadinho como vemos em muitos portos do Brasil”. No cenário regional, todos os analistas afirmam que a retomada do desenvolvimento regional passa pelo Açu. E os números a cada dia mostram isso. Aliás, não só a retomada econômica regional passa pelo Porto, mas a do país também.

 

Impacto nacional

O CEO da Prumo, José Magela, destaca que os principais desafios agora são o de melhorar o acesso do Porto do Açu ao restante do país. “Viabilizar o escoamento do petróleo e do gás é essencial para o desenvolvimento econômico de todo o país. E aí o Cristo vai voar novamente”, diz Magela à Veja, em referência à capa da The Economist, de 2009, na qual uma das maiores publicações econômicas do mundo sinalizava para um rumo promissor da economia nacional. Só que não deu muito certo. Em 2013, o Cristo Redentor voltou para capa, mas desta vez caindo, depois de fazer um voo torto pelos céus. A população sente os impactos disso até hoje.

 

Com Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

0