Artigo do domingo — Campos e Quissamã perdem oportunidade histórica


Por Haroldo Carneiro da Silva (*)
É com profunda tristeza que neste mês de abril, consolidou-se uma grande perda de oportunidade que marcará para sempre a história de Campos, e, por consequência, também a de Quissamã. Vemos a notícia que a Edson Chouest, uma das duas primeiras empresas âncoras que iriam se instalar no Complexo Logístico e Industrial de Barra do Furado, de Campos e São João da Barra, conseguiu a licença de operação e licença de Navegação da Antaq, começando a operação da sua base de apoio offshore neste mês de abril no Porto do Açu, em São João da Barra.
A Chouest chegou a assinar um Termo de Compromisso com Campos e Quissamã, para montar a sua base em Barra do Furado. Em função do atraso das obras, optou pelo Açú.
É muito frustante vermos que durante seis anos do governo de Armando Cunha Carneiro da Silva, entre 2006 e 2012, com toda instabilidade política de Campos, que teve seis prefeitos neste período, com muita habilidade, nós conseguimos fazer o projeto, aprovar a licença ambiental, atrair cinco empresas de grande porte (uma delas era a Chouest), conseguir R$ 70 milhões com os Governos Federal e Estadual, licitar, iniciar a obra e, para nosso desgosto, ver tudo parar em 2013.
Em 2006, quando Campos estava às voltas com a eleição extemporânea do sucessor do prefeito cassado, Carlos Alberto Campista, sob a liderança do prefeito de Quissamã, Armando, nós conseguimos, com apoio do secretário de Energia e Petróleo do Estado do Rio, Wagner Victer, juntos articular duas empresas âncoras para se instalar no que seria o Complexo Logístico e Industrial de Barra do Furado.
Passado as eleições de Campos, com apoio do Estado, o prefeito Mocaiber se integrou no projeto de Barra do Furado. Em julho de 2006, com pompa e circunstância, a governadora Rosinha Garotinho, junto com os prefeitos Mocaiber e Armando, lançou a pedra fundamental de Barra do Furado, junto com 2 empresas âncoras: Acker Promar, estaleiro norueguês que se instalaria em Quissamã, e Edson Chouest, base de apoio offshore americana, uma das maiores do mundo, que se instalaria em Campos.
A partir daí, começou-se uma corrida contra o tempo para se conseguir o projeto para viabilizar a navegação na foz do Canal das Flexas, licença ambiental, estudos de impactos sociais das obras, feito pela UFF, convênios com o Estado e o Governo Federal, para viabilizar recursos para obras. Enfim, uma séria de ações para implantar o Complexo.
Na ocasião a Prefeitura de Campos prometeu a Chouest um terreno para a empresa se instalar. A empresa americana chegou a investir mais de R$ 200 mil reais na licença ambiental do terreno, que não foi viabilizado pela Prefeitura de Campos. Com isso, essa grande empresa, que tem cerca de 70 navios offshore no Brasil e 130 nos EUA, desistiu do projeto, e, somado ao atraso das obras, foi para o Açu.
Por seu lado, Quissamã viabilizou de forma gratuita o terreno para a STX, antiga Acker Promar.
O que mais impressiona é que Campos parece não ter se apercebido da grande oportunidade que é o Complexo, em termos de emprego e desenvolvimento, escalando sempre secretários sem apoio para tocar o projeto, e não dedicando a atenção devida a um projeto que poderá ainda mudar a história econômica da nossa região.
Acabei de conversar com o presidente da Chouest no Brasil, que me informou que o contrato com a Petrobras no Açu é por 30 anos. Isso era para ter sido em Barra do Furado. A falta de competência dos atuais governos, fez com que Quissamã e Campos perdessem uma grande oportunidade.
Mas nem tudo está perdido. Barra do Furado tem licença ambiental e projeto. Com vontade política, pode atrair bons empreendimentos, já que tem uma localização privilegiada. Apesar da crise atual, no médio prazo, a atividade do petróleo tende a se soerguer, e, viabilizar a vinda de outros empreendimentos; além da pesca, que sempre será uma atividade importante para a região.
O caminho do futuro, diante ao oceano comum de oportunidades, está apontado. A Campos e Quissamã basta a disposição de navegá-lo juntos.
(*) Empresário e consultor de Políticas Públicas de Desenvolvimento Econômico do Sebrae
Publicado hoje (01/05) na Folha da Manhã e, antes de pequenas alterações, aqui, no blog “Ponto de vista”, do Christiano Abreu Barbosa













