Artistas impõem palco e gestão compartilhada do TB a Garotinho

Artistas impuseram palco e gestão compartilhada do Teatro de Bolso a Garotinho (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Artistas impuseram palco e gestão compartilhada do Teatro de Bolso a Garotinho (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Como num distante 1982, quando os artistas de Campos liderados por um jovem Anthony Garotinho ocuparam o Teatro de Bolso e se impuseram sobre o prefeito Zezé Barbosa (1930/2011), hoje a classe artística da cidade voltou a mostrar sua força, ao conduzir Garotinho ao diálogo, no mesmo Teatro de Bolso. E, no palco que desta vez lhe foi imposto, o secretário de Governo de Campos se mostrou aberto à principal reivindicação do movimento: a gestão do Teatro de Bolso compartilhada entre artistas e poder público municipal.

Com alguns momentos tensos, o diálogo esbarrou em coisas que Garotinho considerou “interesses pessoais”, sendo respondido que tentava usar a tática clássica de “dividir para conquistar”, enquanto outros ponderaram haver “falácias dos dois lados”. De prático, o secretário de Governo procurou evitar pontos mais espinhosos, como o pedido de exoneração da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FJCL), Patrícia Cordeiro, ou críticas à política cultural do governo Rosinha Garotinho (PR). Preferiu se focar na aceitação da gestão compartilhada do Teatro de Bolso. Mas frisou: “Tem que botar no papel”.

Acompanhado do vice-prefeito Dr. Chicão (PR) e do vereador Mauro Silva (PSDB), ambos pré-candidatos governitas a prefeito, Garotinho disse que vai se informar, mas ressalvou desconhecer a licitação do ar condicionado do Teatro, que levou os artistas ontem a formalizarem um pedido de informação à prefeita Rosinha, com auxílio (aqui) do advogado e blogueiro Cláudio Andrade. O secretário também garantiu que nunca quis retirar os artistas da ocupação, mas ressaltou: “Ficar, por ficar, não resolve”.

Em outro momento, quando indagado se já tinha sido ator no passado, o ex-governador respondeu:

— Eu sou ator!

E foi respondido por uma atriz:

— Continua sendo um grande ator!

Ao acabar por volta da 1h da manhã, Garotinho e os os integrantes do Ocupa Teatro de Bolso combinaram de retomar a conversa na noite desta quinta (12), a partir das 22h, com temas como Cepop e carnaval, além do Palácio da Cultura e do Museu Olavo Cardoso, também com obras paralisadas e sem prazo de entrega. Mas o palco da discussão será aquele que os artistas impuseram: o Teatro de Bolso, cuja história Garotinho garantiu conhecer melhor que ninguém.

 

Com informações do repórter Aldir Sales

 

0

Após ter seu convite recusado, Garotinho vai ao Teatro de Bolso

A posição dos artistas de só aceitarem conversar sem abandonar a ocupação do Teatro de Bolso Procópio Ferreira surtiu efeito. Após a recusado ao seu convite para que uma comissão do Ocupa TB fosse ao seu encontro na Prefeitura, o secretário de Governo Anthony Garotinho acabou de chegar agora ao Teatro de Bolso. Junto com ele, estão o vereador Mauro Silva (PSDB), emissário do convite recusado, e o vice- prefeito, Chicão Oliveira (PR).

 

Mais informações em instantes

0

Artistas querem diálogo, mas sem abandonar Teatro de Bolso

Acompanhado do chefe da Guarda Municipal, vereador Mauro Silva foi recebido hoje pelos artistas da ocupação do Teatro de Bolso (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Acompanhado do chefe da Guarda Municipal, vereador Mauro Silva foi recebido hoje pelos artistas da ocupação do Teatro de Bolso (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Durou pouco a assembleia da ocupação do Teatro de Bolso Procópio Ferreira para debater o convite feito pelo vereador Mauro Silva (PSDB), para que os artistas fossem conversar ainda hoje à noite, na Prefeitura, com o secretário de Governo Anthony Garotinho (PR). Em menos de meia hora, eles se recusaram a sair do Teatro de Bolso (TB), já que antes da ocupação (aqui), na tarde da última segunda (09), ninguém no poder público municipal havia procurado a classe. Ademais, foi reafirmada a proposta coletivista do movimento, contrária à formação de uma comissão para tratar das questões do grupo.

Os artistas salientaram, contudo, que tanto o secretário de Governo, quanto a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro, quanto a prefeita Rosinha Garotinho (PR) estão convidados para debater a pauta de reivindicações. Desde que se disponham a tratar com o conjunto do grupo dentro do Teatro de Bolso. Foi assim que a vereadora Auxiliadora Freitas (PHS) foi recebida ontem (aqui), como hoje Mauro Silva (aqui), ambos pré-candidatos governistas a prefeito.

Aparentemente e pelo menos por enquanto, diante da proposta do Garotinho secretário de Governo de 2016, prevaleceu a postura do Garotinho de 1982, que ocupou o mesmo Teatro de Bolso quando era vice-presidente da Associação Regional de Teatro Amador (Arta).

 

Com informações da repórter Paula Vigneron

 

0

Ocupa TB: Mauro convida artistas para conversar com Garotinho na Prefeitura

(Foto de Wellington Cordeiro - reprodução Facebook)
(Foto de Wellington Cordeiro – reprodução Facebook)

 

Após ter se lançado à política em 1982, quando ocupou o Teatro de Bolso como vice-presidente da Associação Regional de Teatro Amador (Arta), o hoje secretário de Governo Anthony Garotinho (PR) quer pôr fim à ocupação do mesmo Teatro de Bolso pelos artistas de Campos, chamando estes para conversar em seu gabinete, ainda na noite de hoje, na Prefeitura de Campos.

Essa foi a proposta feita agora há pouco pelo vereador Mauro Silva (PSDB), líder do governo Rosinha Garotinho na Câmara e pré-candidato a prefeito de Campos. Acompanhado do comandante da Guarda Municipal, Marcos Soares, ele acabou de se reunir com os artistas que desde o último dia 9 ocupam o Teatro de Bolso Procópio Ferreira.

Como nem todos os artistas que participam da ocupação estavam presentes, uma assembléia extraordinária do movimento foi marcada para as 20h30, na qual a proposta de sair do Teatro de Bolso (TB) para conversar na Prefeitura com o secretário de Governo será decidida.

Se o Garotinho de 1982 pudesse votar, como responderia ao convite do Garotinho de 2016?

 

Com informações da repórter Paula Vigneron

 

0

Alerj aprova anteprojeto de Pudim que dá autonomia financeira à Uenf

Deputado Geraldo Pudim (foto: Folha da Manhã)
Deputado Geraldo Pudim (foto: Folha da Manhã)

 

 

O Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou hoje (11), por unanimidade, a indicação legislativa 154/2016 de autoria do deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB), que solicita ao Governo do Estado o envio de um projeto de lei que conceda autonomia financeira e orçamentária a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). A proposta é uma das reivindicações de alunos e funcionários da instituição que, desde o ano passado, tem enfrentado dificuldades em função da falta de repasses do Executivo.

Atualmente a Uenf depende do estado para que haja repasse dos recursos relativos ao orçamento aprovado. A proposta descentraliza o poder Executivo sobre a universidade e confere autonomia para que o reitor e o corpo diretivo organizem o orçamento conforme julguem necessário:

— Essa proposta na verdade é um anteprojeto. Esta indicação ter sido aprovada por unanimidade é um forte sinalizador de que a Alerj referenda a proposta no mérito. Após este gesto do Parlamento, basta que o governador em exercício encaminhe uma mensagem (projeto de lei) conferindo a autonomia para a Uenf, pois, depois de hoje, dificilmente uma propositura dessa natureza será barrada no plenário da Assembleia. Só não apresentei diretamente um projeto de lei por força da legislação, que não permite a um deputado apresentar proposta que altere a estrutura do Executivo. Essa é uma atribuição exclusiva do governador. O caminho que encontramos foi aprovação dessa indicação contendo o anteprojeto que estará sendo remetida ao chefe do Executivo subscrita pela totalidade do plenário — explicou Pudim.

O texto da proposta ressalta que “Os recursos previstos nesta Lei serão repassados em duodécimos, sem cortes ou contingenciamentos, para conta própria da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, até o último dia útil de cada um dos meses”. Ainda segundo a redação, as despesas de pessoal do quadro de inativos e pensionistas ficará sob responsabilidade do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência)

 

Emendas

Desde 2015, a Uenf vem sofrendo com a queda nos repasses do Governo do Estado para as universidades públicas. De acordo com dados apresentados na reunião no ano de 2015 a Uenf não chegou a executar 40% do orçamento previsto para investimentos. Em 2016, com o agravamento da recessão pela qual passa o país, o Executivo deixou de executar até mesmo os repasses referentes ao custeio da instituição, o que arrastou a universidade para uma rotina de greve e manifestações. Atualmente professores estão sem receber seus salários, terceirizados estão sem receber e alunos de graduação e pós-graduação estão sem suas bolsas. No caso dos alunos, os que mais têm sofrido são os cotistas que, em muito dos casos, dependem dos repasses para se manterem durante a formação.

Pudim ressaltou que vem se empenhando na luta para que a universidade possa normalizar suas atividades. O parlamentar encaminhou todas as suas emendas para Uenf, num volume que ultrapassa R$10 milhões. “ A luta da Uenf não é de hoje. Todos têm que estar empenhados nisso, não só a comunidade acadêmica, os políticos, mas também toda a sociedade. Emplaquei diversas emendas ao orçamento contemplando a Uenf. Foram emendas para reforma da Vila Maria, manutenção do restaurante universitário, manutenção do bandejão, complementação de verba para pesquisa e extensão, combustível, dentre tantas outras áreas. Agora é preciso que listemos as emendas de todos os parlamentares e que façam pressão junto ao governo para execução das mesmas”, frisou o parlamentar.

 

Da assessoria do deputado Geraldo Pudim

 

Atualização às 18h18: Aqui, a jornalista Suzy Monteiro foi a primeira a noticiar a aprovação na Alerj do anteprojeto de Pudim relativo à autonomia orçamentária e financeira da Uenf.

 

0

Tonico Pereira apoia Ocupa TB: “Hoje tem espetáculo!”

Tonico Pereira, apaixonado pelo teatro, pelo Goytacaz e por Campos (foto: divulgação)
Tonico Pereira, apaixonado pelo teatro, pelo Goytacaz e por Campos (foto: divulgação)

Marcado nos links das postagens do blog (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) sobre a ocupação no Teatro de Bolso Procópio Ferreira pelos artistas de Campos, hoje um dos atores campistas mais conhecidos nacionalmente se posicionou sobre o movimento. Indagado, Tonico Pereira se solidarizou com o Ocupa TB:

— Juntos sempre, principalmente juntos para que um teatro continue sempre aberto. Hoje tem espetáculo!!!

 

Fechado por três anos até ser ocupado pelos artistas na última segunda (09), o Teatro de Bolso anuncia sua programação de hoje (11):

18h – MODERN JAZZ – Um misto de Jazz com Contemporâneo, com Bruno Macedo.

20h – OFICINA EXPERIMENTAL DO CORPO – O objetivo é despertar a consciência corporal do participante, visando trabalhar a relação do corpo com outro corpo no espaço. Com José Carlos Rosa (Jota Z).

21h – OCUPA SARAU – Microfone aberto.

 

0

Ocupa TB: Auxiliadora assume responsabilidade de Patrícia Cordeiro

Vereadora Auxiliadora Freitas (reprodução do Facebook)
Vereadora Auxiliadora Freitas (reprodução do Facebook)

Na ausência da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro, cuja presença foi requisitada desde a tarde de ontem, no início da ocupação do Teatro de Bolso Procópio Ferreira (reveja aqui, aqui, aqui e aqui), quem apareceu agora há pouco no espaço para representar o governo Rosinha Garotinho (PR) e ouvir as reivindicações dos artistas de Campos foi a vereadora Auxiliadora Freitas (PHS). Professora, ela teve também uma boa passagem como presidente da Fundação Trianon, antes de se eleger à Câmara Municipal em 2012.

Pela sua militância na educação e cultura, não pela política, Auxiliadora, que também é pré-candidata a prefeita, disse ter resolvido esta noite ir à ocupação do Teatro de Bolso (TB). Ela garantiu que o espaço, que estava fechado há três anos, terá condições de ser reaberto ao público em duas semanas, após a instalação do sistema de ar refrigerado. Em contrapartida, ela recebeu o pedido para que os artistas possam administrar o local, além da solicitação de reabertura de outros espaços fechados para obras paradas e sem prazo de conclusão, como o Palácio da Cultura. A classe também quer participar da elaboração da política cultural da cidade, sobre a qual tem muitas críticas.

As presenças da prefeita Rosinha e sua gestora de cultura, Patrícia, foram também novamente solicitadas pelo movimento de ocupação do TB. Auxiliadora se comprometeu em encaminhar todas as reivindicações à chefe do Executivo municipal.

 

Com informações do repórter Aldir Sales

 

Atualização às 14h23 de 11/05: Aqui, na página Ocupa Teatro de Bolso (hashtag: #‎ocupateatrodebolso), criada na democracia irrefreável das redes sociais, o coletivo cultural Casinha, que tem parte ativa na ocupação do Teatro Procópio Ferreira pelos artistas de Campos, publicou uma análise sobre a visita da vereadora governista Auxiliadora Freitas. Confira o texto reproduzido abaixo:

 

Casinha

 

Ontem (10), bem tarde da noite, lá pelas 23hs, recebemos a visita da vereadora Auxiliadora Freitas. Como já era de se esperar, a mesma ressaltou os “feitos culturais” do atual governo municipal em prol da cultura. Os artistas, perplexos diante do exibicionismo da vereadora estão até agora com apenas uma certeza, a gestão do teatro de bolso e de outros espaços culturais do município precisam de uma urgente ressignificação. Usar do espaço, ocupado pelos artistas, para fazer autopromoção de um modelo falido, vem ser no mínimo tiro no pé. Ficou bem feio pra vereadora tentar a mediação blindando o governo indefensável e a gestão caótica cultural no município. Governantes, melhorem! Vocês estão passando muita vergonha.

 

0

Vereadores e presidente da OAB na ocupação do Teatro de Bolso

Ocupação do Teatro de Bolso na noite de ontem (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Ocupação do Teatro de Bolso na noite de ontem (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

Os vereadores Marcão (Rede), Rafael Diniz (PPS) e Dayvison Miranda (PSDC) acabaram de chegar à ocupação do Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira pelos artistas de Campos, realizada (aqui) desde à tarde de ontem (09). Os três conversaram com o comandante da Guarda Civil Municipal Marcos Soares, que disse já ter liberado o acesso de entrada e saída do prédio, proibido durante a noite de ontem e madrugada de hoje. Os parlamentares se comprometeram a levar a pauta da ocupação à sessão de daqui a pouco, na Câmara, na qual Marcão e Dayvison integram a comissão de Educação e Cultura.

Logo depois dos vereadores, quem também chegou no local para averiguar a situação foi o presidente da OAB Campos, Humberto Nobre. Aguardada desde ontem, após sua presença solicitada desde o primeiro momento da ocupação, a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro,ainda não apareceu para ouvir as reivindicações da classe artística, que passou a exigir a presença da prefeita Rosinha Garotinho (PR) nas negociações.

 

Com informações da repórter Carolina Barbosa

 

0

Após jornalista, escritora testemunha ocupação do Teatro de Bolso

Aqui, na capa de hoje da Folha Dois, a jornalista Paula Vigneron narrou a ocupação dos artistas de Campos, ontem, ao Teatro de Bolso Procópio Ferreira, que acompanhou desde o início. Hoje, completa o relato, abaixo, a escritora:

 

(Foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
(Foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Jornalista e escritora Paula Vigneron
Jornalista e escritora Paula Vigneron

Ocupa TB: resistência de quem faz

Por Paula Vigneron

 

No final da tarde da última segunda-feira, ouviu-se um grito: “não adianta/ tem que mudar/ o artista tem que trabalhar”. Pela principal avenida do Centro da cidade, artistas e imprensa caminhavam em direção a um dos mais aconchegantes espaços culturais, o Teatro de Bolso Procópio Ferreira. Ele, em seu esquecimento forçado, também gritava por socorro. Fechada há anos para reformas não concluídas, a “Casa do Artista Campista” representa o isolamento a que foi destinada a cultura local.

Na entrada lateral do teatro, a movimentação dos que sentem saudades de casa. Dos que buscaram, por anos, espaços alternativos que pudessem substitui-lo. Em vão. Por conta do fechamento, atores e atrizes se espalhavam por locais alternativos e ruas da cidade. Não queriam deixar morrer o sonho da arte. Não abriram, apesar das dificuldades, mão da criação. Transformaram em palco os jardins, as praças e as vias pelas quais trafegam aqueles que nem sempre compreendem o papel da arte, que existe porque a vida não basta, conforme afirma o escritor Ferreira Gullar.

Em sua luta, os criadores explicavam a quem passava pela Rua Gesteira Passos que desejavam apenas voltar para casa. Que buscavam o reencontro com o palco de tantas histórias contadas e vividas. Uma causa legítima. A todo momento, explicavam: “nós somos trabalhadores”; “precisamos ganhar dinheiro”. Nessas horas, o artista-cidadão dialogava com outros cidadãos, nem sempre dispostos a compreender suas razões.

Batidas na porta. Pedidos para que seus pedidos fossem ouvidos. Nenhuma resposta. Com a caixa de som, cantavam, bradavam e tornavam a explicar. Sem retorno. A ocupação, então, saiu da ficção para se transformar em realidade. O calor, causado pela falta de refrigeração — motivo pelo qual não houve a reabertura do Teatro de Bolso no tempo previsto —, não alterou os planos feitos ao ar livre. Deixando para trás a realidade pessoal, os artistas se mantiveram firmes na proposta inicial: ocupação para diálogo com o poder público, a entrega do teatro à classe e mudanças na administração. Para isso, esperariam a responsável por assuntos ligados à cultura. Esperaram a noite inteira. Ela ainda não chegou. E eles não vão desistir.

No meio do caminho, a imprensa. Do outro lado, o diretor do TB, com palavras escolhidas para controlar o movimento, e a Guarda Civil Municipal. Os ânimos dos agentes do órgão foram acalmados por um lúcido comandante. Houve discussões. Ameaça de prisão por desacato. Formação de um ambiente hostil enquanto os artistas explicavam que eram trabalhadores. Queriam seus direitos, assim como eles almejaram em diversas manifestações pela cidade. Mas, ali, lutavam por causas contrárias e não se entendiam.

Não havia baderna, conforme poderiam pensar os homens e mulheres fardados. Nenhuma palavra de agressão. Sem demonstrações de violência. O companheirismo contornando as expressões. Aqui, um rapaz se distrai com as cordas de um grande ioiô. Logo à frente, a um canto, uma moça posta informações em redes sociais. Ali, amigos conversam animadamente. Sorrisos espalhados. O clima era um misto de palavras de ordem e descontração, com um violão ecoando o ritmo dos artistas e de suas vozes. Afinal, eles voltaram para casa depois de tantos anos.

 

0

Madrugada de tensão na ocupação do Teatro de Bolso por artistas

Movimento do Ocupa Teatro de Bolso (foto de Lívia Amorim - reprodução do Facebook)
Movimento do Ocupa Teatro de Bolso (foto de Lívia Amorim – reprodução do Facebook)

 

 

Depois que a equipe de reportagem da Folha saiu, na noite de ontem, da ocupação do Teatro de Bolso pelos artistas de Campos (aqui), a Guarda Civil Municipal começou a endurecer o jogo psicológico: ninguém mais podia entrar, nem voltar quem saísse para pegar comida ou água. Durante a madrugada, foram muitas as ações de apoio ao movimento, que registraram de diferentes formas os momentos de tensão vivido pela classe artística da cidade.

Um desses testemunhos foi o vídeo gravado e reproduzido aqui, pelo presidente do PV em Campos, Gustavo Matheus. Outro, a opinião em prosa deitada aqui, pelo presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC), Vitor Menezes.

Abaixo, a reprodução de ambos, do vídeo de Gustavo e do texto de Vitor:

 

 

 

Por Vitor Menezes

Chegamos há pouco, eu e o professor Hélio Coelho, da ocupação no Teatro de Bolso. Fomos levar, em nome da AIC e da ACL, o nosso apoio à luta pela cultura e buscar contribuir na abertura do diálogo. Estávamos preocupados especialmente, nesta madrugada, com um possível tensionamento com a guarda municipal. Conseguimos fazer uma roda de conversa onde todos puderam se conhecer melhor, quebrando estereótipos de parte a parte, entre artistas e a guarda.

O que o movimento reivindica é muito razoável: que a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro, vá até à ocupação e dialogue com eles. Tenho convicção de que isso haverá de ser possível nesta terça-feira. Faço até mesmo um apelo neste sentido. Um gestor público precisa ser capaz desse gesto.

Não se pode negligenciar um grito sufocado. E a gestão municipal, formada em boa parte por ex-atores e militantes culturais que também ocuparam o TB quando eram jovens, não poderá mostrar-se insensível a este novo levante.

 

0

Artistas de Campos e coletivo cultural Casinha ocupam Teatro de Bolso

Teatro de Bolso de Campos (foto: coletivo Casinha)
Teatro de Bolso de Campos (foto: coletivo Casinha)

 

Cerca de 30 artistas de Campos, com apoio do coletivo cultural Casinha (conheça-o aqui) ocuparam na tarde de hoje o Teatro de Bolso Procópio Ferreira, fechado há três anos para reforma no sistema de refrigeração, mas com os trabalhos parados e sem previsão de entrega. Preparados para ficar, os artistas reivindicam que lhes seja repassada pelo município a administração do teatro, assim como sua imediata liberação do teatro para ensaio e encenações.

Quem está no local tentando negociar com os artistas é o novo comandante da Guarda Civil Municipal, Marcos Soares. Era aguardada a presença da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro, que teria sido avisada da ocupação pelo diretor do Teatro de Bolso, Adeilson Trindade. Na ausência de Patrícia, Marcos propôs a formação de um comissão para negociar, o que foi negado em votação pelos artistas, cuja proposta de organização é coletivista, sem liderança formal.

 

Teatro de Bolso já foi ocupado por Garotinho

Em 1982, durante o último governo municipal Zezé Barbosa (1982/88) e ainda sob a Ditadura Militar no Brasil (1964/85), o então vice-presidente da Associação Regional de Teatro Amador (Arta), Anthony Garotinho, também comandou uma ocupação do Teatro de Bolso. Historicamente, aquele ato do ex-governador foi considerado seu pontapé inicial na vida pública. O objetivo também era entregar o espaço aos artistas da cidade.

Segundo informou o professor João Vicente Alvarenga, autor do livro “Três Atos da História do Teatro em Campos” (1993), Zezé aceitou a  mediação do poeta e jornalista Prata Tavares (1925/94), então diretor do departamento municipal de Cultura, e permitiu que a classe artística assumisse o Teatro de Bolso. O controle teria voltado ao município dois anos depois, em 1984, quando o espaço precisou passar por uma reforma.

 

Sem Patrícia Cordeiro, FCJOL gera nota 

Sem a presença de Patrícia Cordeio, a ocupação do Teatro de Bolso pelos artistas gerou uma nota da FCJOL. Nela, a demora na reforma é atribuída à “crise econômica que atinge o país”. Mais uma vez sem prazo definido, foi feita a promessa de reabrir o espaço nas “próximas semanas”.

Confira abaixo:

 

O Teatro de Bolso Procópio Ferreira será reaberto nas próximas semanas. O espaço passou por readequação para acessibilidade e conta com plataforma vertical e banheiros adaptados para pessoas portadoras de necessidades especiais. Segundo a diretora do Teatro Trianon, Adriana Carneiro, o Teatro de Bolso passará por reparos no sistema de refrigeração:

— O cronograma de obras foi redimensionado devido à crise econômica que atinge o país. Na parte superior do prédio acontecem as aulas do Curso Livre de Teatro e workshops. O palco voltará a receber espetáculos em breve — disse Adriana.

Com a reabertura do Teatro de Bolso, as produções locais terão mais um espaço para apresentação, além do Teatro Municipal Trianon e do auditório do Museu Histórico de Campos.

As pratas da casa não ficaram sem espaço, pois utilizaram as dependências do Teatro Municipal Trianon, como o Curso Livre de Teatro, Cia Persona, Centro Cultura Musical de Campos e outras instituições culturais e grupos.

 

 

Confira abaixo o vídeo da ocupação do Teatro de Bolso pelos artistas, aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, e na sua reprodução abaixo:

 

 

 

Com informações da repórter Paula Vigneron

 

0