
Por que tanto medo?
Depois da quarta sessão da Câmara Municipal esvaziada ontem numa nova manobra rosácea para evitar o debate sobre o envolvimento dos Garotinho (pai, prefeito de fato; mãe, de direito; e filha deputada) na lista de doações da empreiteira Odebrecht, na operação Lava Jato, a pergunta de qualquer um capaz de somar dois com dois e projetar o quatro ao final da equação, é uma só: por que tanto medo?
Exposto ao ridículo
Bem verdade que, no afã de agradar o líder do seu grupo político, seus seguidores acabam expostos publicamente ao ridículo. Caso contrário, como explicar que o próprio presidente da Câmara, vereador Edson Batista (PTB), tenha se dado ao trabalho de tentar negar, desde terça (05), a manobra governista que no mesmo dia impediu a realização da sessão, sendo obrigado a repeti-la menos de 24 horas depois, expondo-se ao constrangimento público da sessão igualmente esvaziada de ontem (06)?
Preço da defesa
Nos bastidores, dois motivos fáticos surgem para explicar a aparente covardia governista. O primeiro é que, em ano eleitoral, os vereadores não vão para um debate desgastante, tentando proteger seus líderes da citação na Lava Jato, que tem amplo apoio popular, sem levar nada em troca. E, numa Prefeitura inexplicavelmente falida como a de Campos, fica mais difícil de “ajudar” aqueles cuja ajuda se faz necessária.
Cor de sangue
O segundo motivo é que, além dos “honorários” da defesa, falta ainda sua forma. Consta que o líder governista Mauro Silva (PSDB) foi levar ao líder (e prefeito) de fato a demanda pela organização da tática de defesa. Só que, afora ameaçar com processos quem nãos os teme, Garotinho ainda não teria definido quem vai dizer o quê. Assim, à covardia de se fugir de quatro sessões seguidas, soma-se entre os vereadores garotistas uma outra, talvez ainda pior: aquela de quem não tem coragem para falar do vermelho com alguém que sangra.
Publicado hoje (07/04) na Folha da Manhã