Feijó: “Acredito que teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment”
Sem responder como votaria caso o pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer (PMDB) também chegue ao plenário da Câmara Federal, o deputado Paulo Feijó (PR) reafirmou sua prioridade: destituir Dilma e o PT do governo. Para tanto, ele chega a arriscar um palpite à votação de amanhã (17), encarada como final de Copa do Mundo para grande parte dos brasileiros: “teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment”. Ainda assim, Feijó teve uma mudança de voto plantada pelo secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), junto ao jornalista Fernando Molica, de O Dia, de quem exigiu e teve retratação. Embora veja em Eduardo Cunha (PMDB) deficiência moral para comandar o processo impeachment, ele acredita que se “Dilma ficar, com certeza, a crise aumentará”.

Folha da Manhã – Por que ser a favor do impeachment de Dilma Rousseff?
Paulo Feijó – Por convicção. A presidenta cometeu crimes de responsabilidade e desrespeitou a lei orçamentária. Soma-se a tudo isso o histórico de mal feitos do PT, investigados pela Justiça Federal e pelo Ministério Público, que, ao longo dos últimos 13 anos, enganou o povo brasileiro, levando o país a esta mais grave crise econômica, política, moral e social das últimas décadas.
Folha – Se Dilma cair na Câmara, cai também a máscara de Lula enquanto articulador político, fracassado em seu empenho pessoal para tentar cooptar deputados contra o impeachment?
Feijó – Cairá não só a máscara de Lula, mas da Dilma e de todo o Partido dos Trabalhadores. Lula iniciou sua trajetória como o bom e experiente sindicalista, excelente negociador, que chegou à Presidência da República. Juntou o poder de presidente ao de excelente negociador. Buscou um projeto de perpetuação no poder, sem limites éticos e morais para alcançar seus objetivos. Como dizem os mais antigos… Um dia a casa cai, caiu e deu no que deu.
Folha – Caso seja encolhida à envergadura da Justiça comum, junto a Lula, acha que ela também passa a temer o rigor do juiz Sérgio Moro?
Feijó – Não só ele, como toda a cúpula do PT, pois, com a destituição da presidente Dilma, todos que ocupam cargos no primeiro escalão do governo perderão o foro privilegiado (STF) e serão julgados em Curitiba, 1ª instância.
Folha – Clarissa Garotinho, como você, anunciou (aqui) que votaria a favor do impeachment. Todavia, na madrugada de sexta, o jornalista Ricardo Noblat divulgou (aqui) que ela teria tirado uma licença maternidade de 120 dias, não 121 ou mais, que abriria vaga para seu suplente votar em seu lugar, após Garotinho ter negociado com o Palácio do Planalto, como a revista Época já havia adiantado (aqui). Outro jornalista, Lauro Jardim, revelou (aqui) o teor da conversa de Garotinho com a filha grávida de sete meses: “Tudo bem você votar a favor do impeachment. Mas no dia seguinte você tira o Garotinho do seu nome”. Qual sua opinião e o que sabe sobre o episódio? E se Garotinho pedir para você também se ausentar ou votar contra o impeachment?
Feijó – Pelo que sei, a Clarissa está na 35ª semana de gravidez, e realmente traz riscos para sua gestação. Viajar de avião traz riscos, segundo orientações médicas. Fora isso, não sei de mais nada. Em relação a Garotinho, ele não me pediria isso nunca (no início da noite de ontem, Garotinho passou a Fernando Molica, de O Dia, que havia conseguido negociar o voto de Feijó a favor de Dilma, sobre o que sequer chegaram a conversar, obrigando o deputado a ligar ao jornalista e exigir a retratação — confira a celeuma aqui). Meu voto já estava decidido há muito tempo. Só não externei, pois aguardava que o meu partido, o PR, fosse liberar a bancada para votar de acordo com suas convicções. Como isso não aconteceu, tomei a iniciativa no meu momento, de declarar o voto a favor do impeachment. Não abro mão de andar com minha cabeça erguida, tendo sempre o respeito das pessoas, meus amigos e eleitores.
Folha – Não considera imoral que um processo capital como um impeachment de uma presidente da República seja conduzido por alguém como Eduardo Cunha (PMDB)? Até quando ele continuará presidente da Câmara?
Feijó – Atrapalha muito sim, mas vamos resolver primeiro o impeachment da presidenta Dilma, depois o Conselho de Ética da Câmara, o Plenário da Câmara ou o Supremo Tribunal Federal resolverá os problemas do deputado Eduardo Cunha, totalmente desmoralizado e enrolado nas denúncias investigadas pela Justiça Federal.
Folha – Mesmo que o impeachment seja aprovado na Câmara, Dilma continua no cargo até a decisão do Senado, onde o presidente Renan Calheiros, ao contrário de Cunha, se mantém aliado do governo. Acredita que lá o processo possa ser revertido? Por quê?
Feijó – O presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros, também enfrenta os mesmos problemas na Justiça e está enrolado e desmoralizado. Ele não poderá retardar o processo, pelas implicações regimentais, força da maioria dos senadores e, principalmente, a força da opinião pública brasileira, que acompanha esse desenrolar com muita competência e zelo.
Folha – Caso Temer assuma, ele também enfrentará processo de impeachment, que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura na Câmara. Se ele também chegar à votação em plenário, como você votaria?
Feijó – Como já respondi anteriormente, vamos resolver primeiro a grande prioridade, destituir a presidenta Dilma e o PT do governo.
Folha – Além do impeachment na Câmara, tanto Dilma quanto Temer têm contas a acertar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde, em tese, parecem ser robustas as provas de que dinheiro desviado da Petrobras irrigou a campanha de ambos em 2014. Dá para sobreviver a esse bombardeio? Como?
Feijó – Sou de opinião que o mais justo para o Brasil seria realmente novas eleições, dando oportunidade ao eleitor de se manifestar, de decidir. Mas depende do TSE, o que demanda uma decisão mais demorada em função dos prazos jurídicos. Vamos resolver o que nos cabe: votar favoravelmente ao impeachment.
Folha – O discurso de Temer, acenando com as diretrizes do seu eventual governo, parece ter sido vazado de maneira intencional. Não foi um erro, como o de Fernando Henrique Cardoso em 1984, quando posou para foto na cadeira de prefeito de São Paulo, que por isso mesmo acabou ocupada por Jânio Quadros?
Feijó – Acredito que o vazamento foi uma estratégia do vice-presidente Temer, que até não ficou ruim não. Já está superado.
Folha – Foi também em 1984 a votação das “Diretas Já”, onde a emenda constitucional não foi reprovada por votos contrários (só 65, contra 268 a favor) na Câmara, mas pelo grande número de ausências (112). A tática da Ditadura Militar (1964/85) pode se repetir no domingo?
Feijó – Acredito que não. A pressão da opinião pública é muito forte. Deputado que não for votar, só com motivo extremamente convincente. Aproveito para palpitar. Acredito que teremos mais de 370 deputados a favor do impeachment.
Folha – Se Dilma ficar, como conseguirá reverter uma crise econômica que desemprega (aqui) 282 brasileiros a cada hora? Se Temer assumir, como enfrentar isso, mais a oposição cerrada do PT e dos movimentos sociais?
Feijó – Se a presidenta Dilma ficar, com certeza, a crise aumentará. Ela perdeu todas as condições de governar o Brasil. Neste momento, o Temer representa uma esperança para a grande maioria do povo brasileiro. Temer terá que fazer um governo de união nacional para encontrarmos o caminho da reconstrução, lógico, com a oposição do PT e seus seguidores. Não será fácil.
Folha – No link da postagem no blog (aqui) com o anúncio do seu voto, feito (aqui) nas redes sociais, houve quem aplaudisse, assim como quem lhe chamasse de “golpista”. Esse processo de impeachment é ou não um golpe? Por quê?
Feijó – Claro que não é golpe. Está sendo obedecida a Constituição Federal, o regimento interno da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. Só me chamam de golpista aqueles que não me conhecem. A maioria dos que me criticam são de outros estados e os radicais do PT. Em relação a meus amigos e eleitores, existe quase unanimidade, quase 100% a favor do impeachment.
Folha – Vendida como “revolução”, a derrubada de João Goulart pelos militares em 1964, com apoio da sociedade civil, é chamada de golpe. Ninguém usa a mesma classificação para o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. Caso se consume, como acha que a História vai se referir à deposição de Dilma Rousseff?
Feijó – A história se lembrará da presidente Dilma como aquela que foi destituída por ter o seu governo envolvido em vários escândalos de corrupção, de ter mentido para o povo nas duas campanhas eleitorais e ter levado o país a uma grave crise econômica, política, moral e social, sem precedentes na história do país.

Publicado hoje (16/04) na Folha da Manhã

















O que houve na Petrobras foi GOLPE! Provem que não. Sei, dirão que a roubalheira é antiga e remonta a outros partidos. Mas crimes pretéritos não justificam crimes presentes, nem futuros. Poderia citar Pasadena, o BNDES, o Banco do Brasil e outras autarquias com seus cofres violados.