Fernando Leite Fernandes, jornalista, radialista, poeta e editor do blog “Fernando Leite & Outros quintais”
Por Fernando Leite Fernandes
Geraldo Pudim é o quadro mais bem preparado para governar esta Capitania de São Tomé, depois da passagem do exército do pequeno Átila, que nem gramínea deixou sobre o chão. Se não é o mais preparado, é um dos raros que ocupa a cena política local. O que há contra Pudim é o estigma por sua longeva lealdade ao líder espiritual dos povos. O que, invariavelmente, deveria ser visto como virtude, diante das atuais circunstâncias, se transformou em pesado fardo político.
Sem querer faltar com respeito ao Garotinho — já disse que um dia a história lhe fará justiça — ele, no tempo presente, encarna a metáfora cruel do lixo atômico, aquele que contamina os que estão à sua volta a anos luz de distância. As consultas dos institutos de pesquisa de opinião não deixam dúvidas. Escolha qualquer um do seu entorno e o resultado será o mesmo. O Garotinho não tem companheiros ou correligionários, têm seguidores. Sua ação ultra personalista e voluntariosa transcende os limites da civilidade dos partidos e beira às raias da cegueira das seitas.
A sucessão municipal que se aviziinha, revela uma reação nunca vista no pacífico e ordeiro povo de Campos. O eleitorado é um nervo exposto. Um expressivo segmento, ouso dizer que amplíssima maioria, não votará por dever ou escolha ou indignação cívica, mas por raiva. Aliás, esta, talvez seja a mais hercúlea realização da administração de plantão: uma monumental catedral de ódio sobre a cidadania. Convenhamos, a sociedade sempre perde quando elege um gestor ou parlamentar pelo deboche ou pelo ódio. É uma satisfação momentânea, é um sinal, mas não é uma alternativa.
O deputado Geraldo Pudim sabe que há entre ele e o eleitorado uma couraça que precisa ser rompida. E como fazê-lo? É sua equação mais desafiadora. Tem em seu favor um acervo invejável: 30 anos de vida pública e nenhum escândalo de natureza política contabilizado, nenhuma acusação de improbidade administrativa, tem vida modesta, o que na realidade atual é indispensável salvo conduto, uma vez que a mãe das crises política e econômica é a devastadora crise moral.
Para além, do comportamento político, Pudim estudou e aprendeu a lição sobre o município de Campos dos Goytacazes. Sua história rica e soberana, sua geografia singular, sua economia mutante — já estamos na curva descendente da exploração de petróleo na Bacia Campista — seus desafios emergentes, a pressa de uma cidade que se transforma em metrópole e não tem ainda arcabouço para mudança tão radical. Pudim sabe que não é mais posssível repetir o passado, governar empiricamente, sem planejamento e sem aliar nossa mais rica reserva, o saber intelectual, com o poder político democrático e moderno.
Escolher, com raiva, alguém que seja capaz de derrotar o Garotinho, é nada.
Não me move outro sentimento que não seja o de discutir, madura e civilizadamente, o processo eleitoral de 2016. De contribuir para que tenhamos uma indispensável conversa coletiva sobre noso futuro, ao invés de uma briga de rua, tão ao gosto dos agentes mandatários do poder. Os mesmos que minimizam o debate e o engessam numa surrada cantilena de medição de forças entre ricos e pobres. A sociedade, senhora de seu desttino, não pode se apequenar e deixar escapar as grandes causas.
Por fim, imagino que na hora própria, Pudim responderá pelo que se compromete em fazer e não perca tempo com o enjoado bolero da traição do sempre traído, que há de ser a marcha fúnebre deste governo. O novo prefeito de Campos tem que cumprir duas missões basilares: elaborar um plano de emergência para os primeiros 100 dias e providenciar cirúrgica auditoria nas contas públicas.
E se me cabe dar algum conselho ao próximo prefeito, repito o que disse o saudoso Austregésilo de Athaíde, quando lhe perguntaram que primeira medida tomaria se fosse presidente do Brasil: “amarrar a chave do cofre no cós da calça”.
Onde foram aplicados os R$ 250 milhões recebidos na antecipação de R$ 300 milhões de receitas futuras de Campos, feita pelo governo Rosinha Garotinho (PR) junto ao Banco do Brasil (BB), no ano passado? E qual será o destino do R$ 1,2 bilhão que o mesmo governo quer também antecipar, vendendo o futuro do município? Segundo o vereador Gil Vianna (PR, de malas prontas para o PSB), todo o campista busca um resposta a essas perguntas, assim como para outra: “Quem quebrou Campos?”. Na dúvida, ele tem certeza ao afirmar que a manobra governista na Câmara Municipal para autorizar a “venda do futuro” foi o principal motivo para abandonar o barco rosáceo. Fora dele, seu destino é o PSB do senador Romário, pelo qual pretende disputar a sucessão de Rosinha, em 2016, como cabeça de chapa ou compondo-a ao lado de “grandes homens e políticos” da oposição.
Folha da Manhã – Você já adiantou (aqui) que, após dois mandatos consecutivos como vereador, não disputará a reeleição ao cargo ano que vem. E se não sair a janela para transferência de partido na reforma política, impossibilitando sua candidatura a prefeito pelo PSB?
Gil Vianna – No momento certo e no prazo legal, independente ou não da janela de transferência, estarei deixando a legenda do PR, migrando para a legenda do PSB, o que não me impossibilitará de me colocar à disposição do PSB para uma pré-candidatura nas próximas eleições pela nossa querida cidade.
Folha – Você também já garantiu que não vai ficar no PR. Caso a janela não saia em setembro, não teme ter que deixar o mandato de vereador com o partido?
Gil – Não tenho receio algum de deixar a legenda do PR, caso não venha a ser contemplado pela janela de transferência, tendo em vista que, no decorrer do meu mandato, me certifiquei de vários documentos, informações e pessoas, o que na seara jurídica constitui uma justa causa para minha desfiliação partidária.
Folha – Você foi eleito em 2014 primeiro suplente para deputado estadual na coligação PR/Pros. Como deputados devem se candidatar em 2016 a prefeito, caso algum deles se eleja, a cadeira fica vaga na Assembleia Legislativa. Fora do PR, não seria mais difícil ocupá-la?
Gil – Sim, sabemos que o TSE já teve a oportunidade de se manifestar a respeito do assunto, salientando que, no atual quadro jurídico, o mandato pertence ao partido. Estando eu fora do PR, ou seja, no PSB, seria ilógico eu assumir a vaga de suplência da Alerj. Mas, como fui diplomado suplente de deputado estadual pelo PR, caso haja vacância de uma vaga na Alerj, poderia eu regressar ao PR e assumir a vaga de deputado, o que claro, seria uma derrogação de meus planos junto ao PSB. É muito provável que isso não ocorra.
Folha – Qual foi o principal motivo da sua saída da bancada de Rosinha: a falta de apoio à sua campanha para deputado estadual, ou sua posição contrária à “venda do futuro” de Campos pelos Garotinho, aprovada numa manobra governista na Câmara Municipal, na polêmica sessão (aqui) de 10 de junho?
Gil – Diversos fatores contribuíram ao longo do meu mandato para minha saída da bancada de apoio à prefeita Rosinha, mas o fator culminante foi a manobra na Câmara Municipal para venda do futuro da nossa cidade.
Folha – Como você e os demais vereadores que votaram contra a “venda do futuro” enxergam sua esmagadora reprovação popular. Na pesquisa Pro4 feita entre 18 e 22 de junho, 88,7% dos campistas foram contra (aqui), rejeição muito próxima à registrada nas enquetes da Folha Online (84,8%) e da InterTV (90%). Quem votou a favor terá que pagar o preço nas urnas?
Gil – O sentimento não é só dos vereadores que votaram contra a “venda do futuro”, mas sim a população, que hoje está politizada demostrando a insatisfação nas pesquisas acima. Sobre quem votou a favor, o povo que vai decidir o que será melhor para nossa cidade.
Folha – Após aprovar um empenho de R$ 300 milhões de receitas futuras, no final do ano passado, junto ao Banco do Brasil, para receber apenas R$ 250 milhões, o governo Rosinha não disse em que gastou o dinheiro. A ausência de destinação, naquele empréstimo e nesse autorizado na sessão de 10 de junho, estimado em até R$ 1,2 bilhão, foi o motivo alegado por você e os demais vereadores independentes para votar contra. Afinal, para onde vai tanto dinheiro?
Gil – É verdade. O primeiro empréstimo de R$ 300 milhões de receitas futuras vai ser pago dentro do atual governo, e o outro empréstimo estimado em até R$ 1,2 bilhão, aprovado pelos vereadores da base do governo, será pago pelos futuros prefeitos de nossa cidade. Quanto ao destino de todo esse dinheiro, é uma pergunta que todos nós campistas queremos saber.
Folha – Num ato público de desagravo por conta de mais uma decisão judicial desfavorável ao seu governo, Rosinha disse (aqui) no último dia 20: “Não fui eu quem quebrou a Prefeitura”. Campos está quebrada? E se não foi Rosinha, quem seria o responsável?
Gil – Boa pergunta. Nos últimos sete anos a Prefeitura recebeu aproximadamente R$ 12 bilhões. E agora ela disse que a cidade está quebrada? Quem será o responsável? Eu também gostaria de saber.
Folha – Já correm boatos de que há vereador independente arrependido, querendo voltar à base governista. Vê algum sinal disso em você, Jorge Magal (PR), Albertinho (Pros), Genásio (PTC), Dayvison (PRB) ou Alexandre Tadeu (PRB)? E do lado de quem ficou, há quem queira seguir os passos de vocês?
Gil – Como já falei nas primeiras perguntas, não ficarei no PR. Estou criando novas perspectivas de futuro na política e chega num certo momento na vida pública que temos de escolher caminhos diferentes. Quanto aos demais vereadores independentes não vejo arrependimento por parte de nenhum dos companheiros. Já do lado de quem ficou, a decisão de ficar ou sair vai na consciência de cada um, mas quem quiser se unir ao bloco dos independentes será muito bem vindo.
Folha – Inegável o carisma do senador Romário (PSB), que lhe fez o convite para entrar no PSB e concorrer pela legenda a prefeito de Campos em 2016. Mas, como deve estar ocupado com sua própria candidatura a prefeito do Rio, que tipo de ajuda real o “Baixinho” e sua legenda poderiam lhe dar?
Gil – Queria primeiro agradecer ao senador Romário pelo convite de fazer parte do próximo pleito eleitoral nas eleições majoritárias pelo PSB. É inegável seu carisma, fazendo quase 5 milhões de votos no Estado do RJ e, em Campos, aproximadamente 110 mil votos. Isso demostra a força do apoio que teremos em 2016.
Folha – Se sua meta em 2016 é o Executivo, qual a possibilidade de você vir a compor chapa com, por exemplo, o vereador Rafael Diniz (PPS) ou o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT)? E com o deputado estadual João Peixoto (PSDC), ao lado de quem começou sua carreira política?
Gil – Ainda é muito cedo para definir as posições, mas se por ventura isso vier a acontecer, será uma honra participar ao lado de grandes homens e políticos de nossa cidade.
Folha – Recentemente, você disse que acreditava na sinceridade do rompimento do deputado estadual Geraldo Pudim (PR, de malas prontas ao PMDB) com Garotinho, mas que faltava a população acreditar. O que ele, assim como você, terão que fazer até 2016 para o eleitor não considerar um e outro como um plano B (e C) do garotismo?
Gil – Quanto ao deputado Geraldo Pudim, eu acredito no rompimento, sim. Mas ele terá que realmente provar nas ruas. Quanto a mim, quem me conhece sabe do meu histórico como pessoa e como político. Sempre fui firme em minhas decisões e palavras, estou muito tranquilo com minha consciência.
Folha – Farol é conhecida como seu reduto eleitoral. No último domingo, numa rádio comunitária de lá, Garotinho disse que ele e Josias Quintal (PSB), ex-secretário estadual de Segurança e hoje prefeito de Pádua, teriam interferido para evitar uma punição a você, quando era policial militar. Do que ele poderia estar falando?
Gil – Não sei a que esse senhor se refere, porque isso nunca aconteceu. Ele continua dissimulado e mentindo o tempo todo, tentando denegrir a imagem das pessoas no âmbito pessoal. Sou e sempre fui uma pessoa do bem e nada disso me abala.
Folha – O secretário de Governo e esposo da prefeita também disse que sua maior obra no Farol, enquanto vereador, teria sido a reforma da sua casa. Se os ataques já estão nesse nível a 15 meses da eleição, o que esperar até lá?
Gil – Primeiro, que quem faz obra pública não é vereador, é o prefeito ou a prefeita. E quanto a minha casa no Farol, não foi reforma, foi construção. Afinal, não tenho nada a esconder. Fiz minha casa na única praia campista, onde tenho laços familiares, de amizade e políticos. Pior é seu tivesse construído em outros balneários famosos, como muitos por aí.
Folha – Depois da enquadrada que levou (aqui) do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) em pelo Congresso Nacional, ficou notório que Garotinho afina quando confrontado diretamente, sem a distância segura do blog ou do microfone de rádio. Falta na política de Campos quem desempenhe esse papel, como fez em passado recente o ex-vereador Marcos Bacellar (SD)?
Gil – Falta diálogo entre os representantes do Executivo para com a sociedade campista. A sociedade roga para interagir com os representantes do Executivo, sem lograr êxito. Um bom administrador deve ser aquele que presa a honestidade, a ética. Mas estes atributos devem ser de todo ser humano. Sendo assim, cada um tem seu perfil político. Precisamos ter mais compromisso, pois compromisso é fundamental. Temos que ter vontade de mudar, ser humanizado e trabalhar junto e para o povo. Sobretudo, não se pode mais simplesmente perseguir os que não concordam com seu governo. Enfim, ter uma vida firmada em valores éticos e morais e possuir competência para tomar decisões em favor do próximo, da coletividade e do povo.
Elizabeth Bishop, na sua casa de Ouro Preto, em 1970
Nome destacado do alto modernismo dos EUA na poesia, Elizabeth Bishop (1911/79) ficou mais conhecida no Brasil que tanto conheceu ao ser interpretada pela atriz australiana Miranda Otto, no filme “Flores raras” (2013), do diretor brasileiro Bruno Barreto. Na vida real das décadas de 50 e 60 do século passado transposta à tela, a poeta estadunidense viveu nestas terras de Vera Cruz uma paixão fulminante (literalmente) por outra mulher, a arquiteta e paisagista autodidata Lota de Macedo Soares (1910/67), que por sua vez concebeu e construiu o Parque do Aterro do Flamengo para o então governador Carlos Lacerda (1914/77). No cinema, o papel de Lota coube a Glória Pires.
Sobretudo em seu início, Bishop foi discípula literária de Marianne Moore (1887/1972), principal poeta do modernismo dos EUA, ao lado de Erza Pound (1885/1972) e T.S. Eliot (1888/1965), além de maior influência assumida pelo pernambucano João Cabral de Nelo Neto (1920/99). Não por acaso, Cabral seria depois traduzido por Bishop ao inglês, além de ser, ao lado de Carlos Drummond de Andrade (1902/87) e Vinicius de Moraes (1913/80), um dos poucos poetas brasileiros que a estadunidense chegou a admirar em suas três décadas de convívio tupiniquim. Aliás, com Vinicius, após alguns encontros em Ouro Preto regados a whisky escocês e cachaça mineira, a convivência de Bishop, mesmo sendo lésbica, teria chegado à cama.
Após os anos iniciais de idílio no sítio de Lota em Samambaia, na região de Petrópolis, Bishop se mudou a contragosto para o Rio. Junto da companheira mergulhada no projeto do Parque do Aterro, a poeta passou a viver numa cobertura do Leme, na av. Atlântica. E foi de lá, em abril de 1963, que ela testemunhou um fato real que mobilizou a crônica policial de então: a tentativa de prisão e morte do bandido “Micuçu”, nome popular de uma cobra da região Norte do Brasil, cujo veneno é mortal. A saga dos morros cariocas foi retratada pela estrangeira numa balada aparentemente tradicional, onde as estrofes iniciais são repetidas ao final, naquilo que parece confirmar o senso comum politicamente correto: o crime é fruto da miséria, por sua vez semeada pelo êxodo rural com destino às grandes cidades.
Todavia, ao desconstruir a potencial saga épica numa tragicomédia lírica, onde os erros dos policiais e do bandido se atropelam, a ambiguidade moral dá o tom ao explorar justificativas menos “nobres” para uma vida de crimes, seja dada pela tia do bandido (“Eu criei ele direito,/ Com carinho, com amor./ Mas não sei, desde pequeno/ Micuçu nunca prestou”), ou por um anônimo frequentador de birosca no Morro da Babilônia: “Ele era um ladrão de merda./ Foi pego mais de seis vezes”.
Do alto daquele enclave natural entre Leme, Copacabana, Urca e Botafogo, o contraste entre o destino trágico do morro e o cotidiano dionisíaco da orla marinha, também está lá: “Ele via as praias brancas,/ Os banhistas bem dormidos,/ Com barracas e toalhas./ Mas ele era um foragido.”
A ambiguidade não se dá apenas na moral, mas na narrativa do poema, iniciada na segurança impessoal da terceira pessoa, mas depois assumida pelo próprio Micuçu, acentuando seu drama até o momento da sua morte. E isso em meio aos sons vivos de um Rio de Janeiro que não existe mais, preservados em eco no canto de Bishop: “Micuçu ouviu o pregão/ Do vendedor de barraca,/ E o homem do amendoim/ Rodando sua matraca”.
Tão lírica quanto o Chico Buarque de “O meu guri” e antes dele, a calvinista Elizabeth Bishop soube tratar o mesmo tema com sensibilidade semelhante, mas sem o maniqueísmo sociológico do compositor, para quem só a idealização da culpa católica parece ser explicação permitida. Ao fim e ao cabo, desde muito antes de 1963 e para muito ainda depois de nós, tudo que salta aos olhos estrangeiros e nativos nos morros cariocas talvez possa ser melhor resumido em sua expressão de crença descida em gravidade ao asfalto: “Fé em Deus e nas crianças da favela”.
Ou nos versos de Luís de Camões (1524/80) que abrem o livro “Questões de viagem”, dedicado a Lota e terceiro de Bishop, editado pela primeira vez em 1965, do qual o poema “O ladrão de Babilônia” faz parte: “…O dar-vos quanto tenho e quanto posso,/ Que quanto mais vos pago, mais vos devo”.
Abaixo, para saldar quaisquer dívidas neste domingo de sol, a música de Chico e o poema de Bishop, na tradução cuidadosa do também poeta Paulo Henriques Britto:
“Mas é engraçado que (…) tenta jogar todos os governadores e prefeitos no mesmo saco, porque todos estão enfrentando crises. Ora, uma coisa é a crise econômica do país e a queda do preço do petróleo, que afetou os royalties. Porém, no (…) a pior crise é a do governo pelo caos nas contas públicas, pela dívida contraída antes da crise econômica, pela irresponsabilidade fiscal de (…) e (…), pela improbidade nos contratos e isenções fiscais, pela farra de mordomias com o dinheiro público. (…) ainda vai ficar pior na foto, mas não pode culpar ninguém a não ser ele(a) próprio(a) e (…), que arrasaram com as contas do (…)”
Para o campista, que vê um governo municipal de orçamento bilionário, mas aparentemente falido, tentando vender na Bolsa de Nova York as receitas futuras da cidade, seria muito fácil completar com os nomes da prefeita Rosinha Garotinho (PR), do seu marido e secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR), e do governo municipal de Campos dos Goytacazes, aquilo que foi suprimido entre parênteses no texto acima. No entanto, o texto foi escrito, ou pelo menos assinado pelo próprio Garotinho, e publicado aqui em seu blog, para tratar do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), do ex Sérgio Cabral (PMDB) e do Estado do Rio de Janeiro.
Como exemplificou recentemente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando a presidente Dilma Rousseff (PT) quis jogar para antes da ascensão do PT ao poder, em 2002, a origem da corrupção federal trazida a furo pelo Petrolão, quando se contrapõem os atos administrativos e financeiros do governo Rosinha ao texto de Garotinho sobre Pezão, não é difícil se chegar por analogia à mesma cara de pau do punguista da anedota, que bate sua carteira, enquanto sai gritando “pega ladrão!”.