Amanhã — Derruba e depois? A alternativa é pior?

 

Amanhã

 

 

Jornalista e escritor Zuenir Ventura
Jornalista e escritor Zuenir Ventura

O que será o amanhã?

Por Zuenir Ventura

 

Algumas semanas em férias dos acontecimentos e, na volta, a sensação de que o país está, como no mapa, de cabeça pra baixo. Não sei se essa é a pior crise dos últimos tempos, como se diz — a presidente (aqui)  acha que não —, mas é uma confusão poucas vezes vista, em termos de paradoxos e subversão de valores, papéis e sinais. O Brasil nunca foi um país para principiantes, já ensinava Tom Jobim, mas há momentos em que não é nem para catedráticos, como em 1963/64, por exemplo, que deu no que deu. A História não se repete, tudo bem, mas há agora algo parecido — de radicalismo, intolerância, agressividade e ódio. Espera-se que o desfecho não seja igual, embora a discordância seja tanta que nem os próximos se entendem mais, como Dilma e Lula. E o que dizer do PMDB, o maior partido de apoio à presidente, que é o que lhe causa mais embaraços? Quem a acusou de querer atrair “sócio para a lama” não foi um oposicionista grosseiro, mas o próprio presidente da Câmara (aqui), hóspede da “lista de Janot” (saudade dos tempos em que lista de dinheiro sujo era só a dos bicheiros). No seu depoimento na CPI da Petrobras, ele foi homenageado por vários colegas, inclusive do PT e PSDB. Coube a Clarissa Garotinho o espanto: “O que vi aqui foi uma reunião de felicitações. E achei que estava numa CPI”. De fato, o acusado parecia ser o procurador da República.

Em compensação, a melhor defesa do PT não foi feita por um petista, mas pelo ex-ministro de FH Bresser-Pereira. Recorrendo à velha luta de classes, o tucano atribuiu a onda de protestos a “um ódio coletivo dos ricos contra um partido e uma presidente”. O melhor símbolo, porém, da inversão de papéis talvez seja mesmo Paulo Malufn (aqui), que em 2000 Lula queria ver “atrás das grades” e em 2013 foi procurado em sua mansão pelo próprio Lula, em busca de apoio para Haddad. Criticado por este gesto, o ex-presidente declarou em comício: “Dizem que o companheiro Maluf é ladrão, mas isso é uma demonstração de ‘cleptomaníacofobia’ inaceitável nos dias de hoje”. Procurado pela Interpol por desvio de dinheiro, o deputado do PP, o partido com mais figurantes na tal lista, 31, manifestou-se indignado com a corrupção. “Estou com Janot: se alguém deve, tem de pagar. Em 48 anos de vida pública, sempre fui correto”. Que tal?

De que maneira essa confusão política, misturada com o escândalo do petrolão e com os sérios problemas econômicos, tudo isso agravado pela insatisfação geral, vai chegar às ruas amanhã? O comportamento das manifestações será um teste decisivo para a democracia. Tomara que seja um protesto legítimo, não o ensaio de uma arriscada derrubada da presidente Dilma.

Derruba, e depois? A alternativa é pior.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Confronto fracassou nas ruas de ontem. Veremos o que farão os black blocs amanhã

Paz sem medo

 

 

Jornalista, blogueiro e escritor Merval Pereira
Jornalista, blogueiro e escritor Merval Pereira

Fracassou o confronto

Por Merval Pereira

 

A retórica do comandante do Movimento dos Sem Terra (MST) João Pedro Stédile é muito mais eficaz que a ação de seu “exército”, convocado por Lula (aqui) para ir às ruas contra os críticos do governo Dilma, que chamam de golpistas. Ele mesmo tratou de dar corda a esse viés militarista e conclamou seus liderados (aqui) a “engraxarem as botas” por que a luta apenas começou.

Um vídeo espalhado pela internet mostra um discurso recente de Stédile na Venezuela, confraternizando com o companheiro Maduro, onde afirma que uma “elite de mierda” na América Latina está tramando contra os governos populares.

Pela demonstração de ontem, a luta começou mal para os movimentos sociais que atenderam ao chamamento de Lula, que declarara esperar muita gente nas ruas ontem. Por qualquer regra que se meça, não é possível dizer que as manifestações (aqui) foram um sucesso, embora tenham se espalhado por vários Estados. Foram um reflexo do que constatam as pesquisas atuais: uma minoria de 7% (aqui) apóia o governo Dilma.

Essa capilarização do movimento serviu até para evidenciar a fraqueza da organização, pois em algumas cidades poucas dezenas de manifestantes se dispuseram a sair às ruas num protesto ambíguo, que defendia a presidente Dilma, mas criticava sua política econômica.

Uma está umbilicalmente ligada à outra, e não é possível neste momento apoiar a presidente e ser contra as medidas de equilíbrio fiscal que o ministro da Fazenda Joaquim Levy está apresentando. Quem age assim, como as centrais sindicais, na verdade está sabotando o segundo governo da presidente Dilma, e pouco importa que diga que faz isso por apoiá-la.

O fato é que a própria presidente já admitiu que as medidas para incentivar o consumo perderam o efeito, e que agora é hora de fazer justamente o contrário, isto é, cortar gastos e reequilibrar as contas públicas. Mesmo que seja um equívoco reiterado da presidente, que continua dizendo que as medidas que tomou no primeiro governo estavam corretas para aquela ocasião, e já não servem no momento atual, quando já está provado que foram elas que ocasionaram a situação que vivemos hoje, de qualquer maneira ela reconhece que tem que fazer diferente hoje para recuperar a credibilidade de seu governo.

O fracasso do movimento de ontem ganhará uma dimensão maior caso as manifestações de amanhã, nas diversas versões contrárias ao governo Dilma, sejam maiores. A medida pode ser São Paulo, onde ontem houve a maior manifestação a favor da presidente Dilma e contra o impeachment. Segundo cálculos oficiais da Polícia Militar, cerca de 12 mil pessoas participaram da manifestação em seu pico.

O Palácio do Planalto está trabalhando com a expectativa de que a manifestação de amanhã será maior em São Paulo, que se tornou o centro político antipetista, e fraca nos outros Estados. No Rio de Janeiro, por exemplo, ontem a manifestação a favor da Petrobras e contra o golpismo reuniu (aqui) cerca de 1000 pessoas. Amanhã, em Copacabana, os organizadores da manifestação contra o governo nas redes sociais esperam número maior.

Por isso mesmo o Palácio do Planalto tentou até o último momento cancelar as manifestações das centrais sindicais e dos movimentos sociais atrelados ao governo, pois sabia que as conseqüências seriam ruins.

Se fossem fortes, poderiam estimular as manifestações contrárias ao governo. Fracas, como foram, exibiram a incapacidade de mobilização desses movimentos que já foram vistos como uma ameaça à democracia. Hoje, são apenas (aqui) movimentos de pelegos transportados em ônibus, com diária e comida. A incapacidade de arregimentação da CUT já fora demonstrada meses atrás quando, com Lula de garoto propaganda, tentaram dar um abraço na sede da Petrobras do Rio e faltaram braços.

Um fato positivo foi que não houve violência em nenhuma manifestação pelo país, o que indica que a radicalização política está limitada às redes sociais e aos chamados “gritos de guerra”, sem se transformar em conflitos de rua.

Amanhã, nas manifestações contra o governo, saberemos se o mesmo espírito pacífico prevalecerá, ou se os Black blocs arregimentados pelas milícias governistas tentarão repetir a ação de 2013, quando conseguiram dispersar os manifestantes recorrendo deliberadamente às depredações e à violência física.

 

Publicado aqui, no Blog do Merval

 

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Pesquisa dá Dilma em queda livre e razões do protesto: corrupção, inflação e impeachment

Cláudio Humberto 1

 

 

Dilma é rejeitada até em reduto eleitoral do PT

Levantamento da empresa francesa de pesquisa Ipsos, realizado em São Paulo, Recife e Porto Alegre, entre 9 e 11 deste mês, revela dados alarmantes para o governo: 50% da população consideram a gestão de Dilma ruim ou péssima. A avaliação negativa de Dilma supera a positiva inclusive no Nordeste, onde ela teve grande votação. A pesquisa também aferiu o engajamento aos protestos de domingo (15).

 

Luz vermelha

O percentual de pessoas que souberam dos protestos do dia 15 disparou nos dois últimos dias da pesquisa, subiu de 70% para 82%.

 

Lorota

A ladainha de que a crise atual se deve à crise econômica internacional não cola mais para 73% dos entrevistados.

 

#Vemprarua

Nas motivações para o protesto aparecem: Corrupção (67%), Inflação (52%) e Impeachment (32%).

 

Publicado aqui, no diariodopoder.com

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Na democracia irrefreável das redes sociais, artistas convocam o Brasil às ruas no domingo

Diferentes do passado recente, quando a classe artística apoiava em peso o PT e as candidaturas de Lula à presidência, a crise econômica, política, administrativa e moral que se abala sobre o Brasil neste segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), fez com que muitos artistas usassem a democracia irrefreável das redes sociais para convocar o povo brasileiro a sair às ruas de todo o país amanhã, em protestos que terão a presidente, seu governo e seu partido como principais alvos. Confira abaixo:

 

 

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Licença de Rosinha ou impeachment de Dilma não resolvem problema, mas ajudariam

buraco

 

 

Jornalista e restauranter Esdras Pereira
Jornalista e restauranter Esdras Pereira

Aqui o buraco é mais embaixo

Por Esdras Pereira

 

Controlada por uma política de tamanho inverso ao da sua própria goela, tão grande que está se autodevorando pelo próprio rabo do descarado modus operandi dos seus desmandos e inconsequências, Campos está vivendo dentro de um buraco no fundo do grande buraco em que foi colocado o Brasil, que, só agora, parece ter descoberto, como o velho marido enganado, o que todo mundo já sabia há muito tempo: somos todos corneados por quadrilhas oficializadas pelos votos da ignorância, dos cheques cidadão, das casinhas populares, das bolsas família e de outros paternalismos com o mesmo índice de danosa periculosidade.

Agora que se levanta sem falsos pudores a saia da corrupção que demoliu a Petrobras, o sonho de uma economia regional fortalecida pelo advento do pré-sal fica cada vez mais distante, naufragado nas águas profundas da pouca vergonha que assola o país.

Diante de tudo isso, dói saber que, apesar da fantástica fortuna recebida em décadas de preciosos e voláteis royalties de morte anunciada, que nos escorreram pelos dedos das obras superfaturadas, terceirizações e outras inconfessáveis mumunhas, aqui não se construiu a sustentabilidade do incentivo à agricultura e o apoio à indústria sucroalcooleira, grande empregadora e nossa histórica vocação, novas indústrias ou empresas que estimulassem a economia local e gerassem postos de empregos que não fossem os geridos pelo populismo messiânico da Lapa com a dolorosa rédea curta do escambo eleitoral, que por aqui só produziu excrescências como dois prefeitos no mesmo município, um de fato e outro oficial.

Não será apenas o afastamento da prefeita por alegado motivo de saúde ou o da presidenta por impeachment que resolverá totalmente o nosso problema, mas já é um bom começo.

É preciso matar o mal pela raiz, excretando de vez esses grupos da nossa cena política. Enquanto isso não for feito, o velho ditado, que arremetia a valentia e orgulho, se aplicará a Campos e ao Brasil de forma lamentável, pois aqui o buraco agora é, realmente, mais embaixo, e nós fomos colocados dentro dele.

Resta ao campista, assim como ao resto do país, sair pelas próprias mãos, as mesmas que registram os votos nas urnas, desse escuro buraco em que nos meteram.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

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Swissleakes — Empresários de mídia e jornalistas brasileiros tinham contas na Suíça

HSBC na Suíça

 

Por Chico Otávio, Cristina Tardaguila, Ruben Berta, Fernando Rodrigues e Bruno Lupion

 

Na lista dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas no HSBC da Suíça, aparecem donos, diretores e herdeiros de veículos de comunicação, além de jornalistas. Um levantamento feito pelo Glogo, em parceria com o UOL, com base nos documentos oficiais que foram vazados por um ex-funcionário da instituição financeira, indica que há ao menos 22 empresários e sete jornalistas brasileiros entre os correntistas do HSBC suíço.

Os correntistas localizados ou negaram a existência das contas ou qualquer irregularidade.

Nos documentos, constam os nomes de proprietários do Grupo Folha, ao qual pertence o UOL. Tiveram conta conjunta naquela instituição os empresários Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) e Carlos Caldeira Filho (1913-1993). Luiz Frias (atual presidente da Folha e presidente/CEO do UOL) aparece como beneficiário da mesma conta, que foi criada em 1990 e oficialmente encerrada em 1998. Em 2006/2007, os arquivos do banco ainda mantinham os registros, mas, no período, ela estava inativa e zerada.

Quatro integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram vazados. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad (1919-1999), da empresária Maria Helena Saad Barros (1928-1996) e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet, filho e sobrinha de João Jorge.

Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho (1908-1983) e Roberto Marinho (1904-2003), aparece na lista. Horácio de Carvalho foi proprietário do extinto “Diário Carioca”. Roberto Marinho foi dono das Organizações Globo, hoje Grupo Globo, ao qual pertence O GLOBO. O nome de Lily surge nos documentos com o sobrenome de Horácio, seu primeiro marido, e o representante legal da conta junto ao HSBC é a Fundação Horácio de Carvalho Jr. O saldo registrado em 2006/2007 era de US$ 750,2 mil. Lily morreu em 2011.

Do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do “Diário do Nordeste”, estão Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz (membros do conselho de administração). Elas tinham US$ 83,9 milhões em 2006/2007. Edson Queiroz Filho também surge como beneficiário da conta. Ele morreu em 2008.

Luiz Fernando Ferreira Levy (1911-2002), que foi proprietário do jornal “Gazeta Mercantil”, que não existe mais, teve conta no HSBC em Genebra entre os anos de 1992 a 1995.

Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário da Rede CBS de rádios (Scalla, Tupi, Kiss e outras), foi correntista da instituição financeira na Suíça entre 1990 a 1998.

João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná, tinha conta ativa em 2006/2007. O saldo era de US$ 167,1 mil.

Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, que tem a TV e a rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco) e o jornal “A Tribuna” tinha duas contas no período a que se refere os documentos. O saldo delas era de US$ 4,4 milhões e US$ 5,6 milhões.

Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete, fechou sua conta no ano 2000.

O apresentador de TV Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho e dono da “Rede Massa” (afiliada ao SBT no Paraná) tinha uma conta com sua mulher, Solange Martinez Massa, em 2006/2007. O saldo era de US$ 12,5 milhões.

Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica), tinha US$ 120,6 milhões.

Os sete jornalistas que aparecem nos registros do HSBC são Arnaldo Bloch (“O Globo”), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines, filhos de Alberto Dines. Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), ex-rádio Jovem Pan, teve uma conta, que foi encerrada em 1999.

As contas de Bloch e Guzzo estavam encerradas. Mona tinha US$ 310,6 mil. Os quatro jornalistas Dines guardavam US$ 1,395 milhão.

 

* A investigação jornalística multinacional é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (www.icij.org)

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Stédile: “Dona Dilma, se tem coragem, saia do Palácio e vem para a rua ouvir o povo”

Stédile, líder do MST, ontem na manifestação do Rio, pró-Dilma, mas nem tanto (foto de Fabio Motta - Estadão)
Stédile, líder do MST, ontem na manifestação do Rio, pró-Dilma, mas nem tanto (foto de Fabio Motta – Estadão)

 

Por Antonio Pita, Clarissa Thomé e Felipe Werneck

 

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, desafiou a presidente Dilma Rousseff a sair “do palácio” e “ouvir o povo” durante ato em defesa da Petrobrás, realizado nesta sexta-feira, 13, no centro do Rio. Ele afirmou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é um “infiltrado” no governo petista e voltou a atacar o que chamou de tentativa de golpe, referindo-se aos protestos pró-impeachment marcados para este domingo, 15.

A manifestação, que prometia ser também uma espécie de desagravo à presidente, deu espaço a críticas à política econômica e aos cortes de direitos trabalhistas. “Não aceitaremos redução de nenhum direito da classe trabalhadora”, discursou Stédile. “Para enfrentar a crise é preciso acabar com a transferência de juros dos bancos. E usar esse dinheiro para fortalecer os investimentos produtivos. Por isso, dona Dilma, se tem coragem, saia do Palácio e vem aqui para a rua para ouvir o que o povo quer de mudança.”

Escolta — Stédile, principal nome do ato, chegou escoltado por quatro seguranças. Em entrevista, pediu garantias de vida à Secretaria de Segurança Pública, por causa das ameaças sofridas pela internet. “O que a direita está fazendo é tentativa de homicídio pelas redes sociais”, disse, referindo-se à montagem com sua foto que está circulando pelo Facebook com um cartaz de “procurado”, que oferece “recompensa” de R$ 10 mil a quem capturá-lo “vivo ou morto”.

Apesar do tom crítico ao governo, Stédile lembrou que Dilma foi eleita democraticamente. “Estamos dizendo para a burguesia: vocês não se atrevam a falar em golpe. Nós estamos aqui para defender a democracia e o direito legítimo do povo de defender seu governante”, afirmou. No discurso, ele repetiu expressão dita na véspera, em Porto Alegre: “Vamos engraxar as botas para voltar a ocupar as ruas do Brasil”.

Stédile criticou os episódios de corrupção na Petrobrás e o benefício da delação premiada; “Estamos aqui por causa da corrupção na Petrobras. Meia dúzia de gerentes filhos da puta botaram as mãos no dinheiro. (…) Lugar de ladrão é na cadeia e não com delação premiada para se livrar da lei”, disse o coordenador do MST.

 

Leia a íntegra da matéria aqui, no estadao.com

 

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Manifestações pró-Dilma levaram cerca de 30 mil às ruas nas capitais brasileiras

Na avenida Paulista, em São Paulo, a maior manifestação pró-Dilma feita ontem em 24 capitais e no distrito federal, levou 12 mil pessoas às ruas, segundo os cálculos da PM, número multiplicado a  100 mil na versão dos organizadores do evento (foto de Tiago Queiroz - Estadão)
Na avenida Paulista, em São Paulo, a maior manifestação pró-Dilma feita ontem em 24 capitais e no distrito federal, levou 12 mil pessoas às ruas, segundo os cálculos da PM, número multiplicado a 100 mil na versão dos organizadores do evento (foto de Tiago Queiroz – Estadão)

 

Por Pedro Venceslau, Ricardo Chapola e Valmar Hupsel Filho

 

As manifestações promovidas nesta sexta-feira, 13, pela CUT, UNE, MST e outras entidades, a dois dias dos protestos que pedirão o “Fora Dilma”, levaram cerca de 30 mil pessoas às ruas em 24 Estados, segundo estimativas da Polícia Militar. Convocadas como atos de defesa da democracia e das instituições, as concentrações foram pacíficas e marcadas pela exaltação da presidente Dilma Rousseff, discursos “contra a privatização da Petrobrás” e ataques aos grupos que pedem o impeachment da petista.

Em São Paulo, o ato reuniu cerca de 12 mil pessoas, segundo a Polícia Militar — os organizadores falam em 100 mil. A concentração foi em frente ao escritório da Petrobrás, na Avenida Paulista. Os trabalhadores iniciaram a marcha por volta das 16 horas, uma hora depois do que havia sido acordado com a PM para evitar confrontos com o Revoltados On Line, um grupo anti-Dilma que havia marcado protesto no mesmo local às 15h. O grupo só chegou ao local às 17h.

A marcha seguiu pela Avenida Paulista e, em frente ao Masp, somou-se ao ato organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Em assembleia, os professores da rede estadual decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. O grupo seguiu até a Praça Roosevelt, no centro, onde encerrou o ato.

 

Leia a íntegra da matéria aqui, no estadao.com

 

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Pedir impeachment de Dilma, ou acreditar nela, é tolice de desmemoriados

Em progresso

 

 

Jornalista Ruth de Aquino
Jornalista Ruth de Aquino

Por que sair às ruas

Por Ruth de Aquino

 

Um bom motivo para participar de manifestações — a favor ou contra Dilma Rousseff — chega a ser pueril. Podemos sair às ruas porque ainda é possível protestar pacificamente no país sem ser preso. O Brasil ainda não virou uma Venezuela; o regime democrático ainda não caiu de “maduro” e algumas instituições não estão podres. Melhor aproveitar e exercer o direito à livre expressão — ou será que não?

Um bom motivo para ficar em casa é não acreditar em nenhuma grande bandeira das manifestações pró e contra. Os grupos se confundem. Se existe algo que não identifica a grande massa de manifestantes e não manifestantes, é a ideologia. A maior burrice é rotular de “direita” ou “esquerda” quem vai numa ou na outra manifestação. Ou quem decide não sair às ruas. Quem são os fascistas? Em qual categoria ideológica se situam os que querem detonar, “com botas e chuteiras”, a política econômica atual de Dilma? Leia-se aí o MST de Stédile.

Pergunte se são de esquerda ou de direita os garis em greve contra o reajuste anual ridículo de 3%, os caminhoneiros que bloqueiam as estradas, os favelados sem-casa-esgoto-creche-hospital, os policiais, os professores, os médicos, os comerciantes, os estudantes em fila por senha para estudar. Pergunte se são de esquerda ou de direita os desempregados pela incompetência oficial, ou todos nós que pagamos contas de luz e gasolina estratosféricas pela má gestão do governo.

A resposta será: ah, vem para a vida real, sem esse papo de direita ou esquerda, somos a maioria sem voz, queremos um país que funcione, um governo que não assalte os cofres públicos, uma economia que favoreça o emprego e os empreendedores, sem descontrole da inflação, uma educação de qualidade para todos, uma saúde digna, uma aplicação honesta dos altos impostos que pagamos, uma infraestrutura que nos tire do Terceiro Mundo, uma política de segurança que não deixe as famílias à mercê de criminosos. Queremos bons exemplos de cima e fim da corrupção institucionalizada. É pedir muito?

Se você é a favor da Petrobras e contra o roubo sistemático do PT à Petrobras, a qual manifestação deve aderir? Se você abomina o cinismo dos últimos pronunciamentos de Dilma Rousseff mas é contra o impeachment, deve sair às ruas em protesto ou ir à praia e ao futebol? Se você é contra Eduardo Cunha e Renan Calheiros — e, consequentemente, contra o domínio do pior PMDB —, qual manifestação deve escolher? Ou vai ficar no sofá, um direito seu?

Se você acredita na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se você continua estarrecido com o depoimento frio do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, relatando a distribuição sistemática de propinas milionárias ao PT desde a era Lula até a campanha de Dilma em 2010, como deve se comportar? Sai ou não sai às ruas? Leva suas panelas para o fogo ou para a janela?

Se você se preocupa com a desigualdade social, deve se aliar ao MST e ir contra o ajuste fiscal de Dilma e Joaquim Levy? Mas aí você estará conspirando contra a presidente. Como ela disse na quinta-feira no Rio de Janeiro, o Brasil “esgotou todos os recursos para combater a crise”. Se empresários e sindicalistas se unem em São Paulo contra o ajuste, quem é burguês, quem é coxinha, mãozinha, perninha?

Você acredita que o Brasil está nesse buraco por causa da “crise internacional” e porque Dilma fez tudo pelos pobres — na educação e na saúde? Você acredita na presidente quando ela diz que o governo do PT cortou gastos da máquina? Está faltando pau de selfie no Planalto — a presidente precisa se enxergar sem distorções de foco. Sobra cara de pau. Até o ex-tesoureiro da campanha presidencial de Dilma fez mea-culpa, disse que o PT errou. Quando Dilma assumirá alguma responsabilidade e pedirá desculpas à nação? A presidente nos pede “paciência”. A população deveria pedir à presidente “sinceridade”. Mas é pedir muito.

Quem quer derrubar Dilma no grito esqueceu o que é uma ditadura, não respeita o voto democrático, não pensa no país nem no povo e ainda por cima é ingênuo. Está claro que manifestações por impeachment não são oportunas e não darão em nada.

Quem apoia incondicionalmente uma presidente que fez desandar a economia e as alianças políticas, que resistiu durante meses a afastar a presidente da Petrobras e que mentiu e continua a mentir sobre índices e análises de seu desempenho com uma desfaçatez nunca antes vista não pensa no país nem no povo e ainda por cima é ingênuo.

Pedir impeachment de Dilma não é golpismo, é tolice de desmemoriados. Acreditar em Dilma não é idealismo, é tolice de desmemoriados. Vamos tentar o caminho do meio. Saindo às ruas ou ficando em casa.

 

Publicado aqui, na epoca.com

 

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Dilma, uma presidente encurralada

ERA ROTINA — Dilma é festejada em visita ao Acre. Com a crise, recepções amistosas assim não são mais uma certeza (foto de Odairl Leal - Reuters)
ERA ROTINA — Dilma é festejada em visita ao Acre. Com a crise, recepções amistosas assim não são mais uma certeza (foto de Odairl Leal – Reuters)

 

 

Época Dilma encurraladaPor Leandro Loyola e Murilo Ramos

 

A presidente Dilma Rousseff não estava muito confortável naquele momento da conversa com líderes de partidos aliados, ao final da tarde da última segunda-feira. Sentada à frente de uma mesa grande, no Palácio do Planalto, Dilma dizia que os protestos ocorridos durante seu pronunciamento de 15 minutos em cadeia de rádio e TV, na noite anterior, haviam sido “uma coisa concentrada em alguns bairros” de São Paulo, referindo-se a  locais de classe média alta. Acrescentou que, em Brasília, os protestos ocorreram “no Sudoeste e em Águas Claras”, também bairros de classe média. “Em Recife foi só na Aldeota (outro bairro nobre)”, disse. “Aldeota é em Fortaleza, presidenta”, corrigiu o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira. Dilma foi então interrompida por um novato nesses encontros, o senador Omar Aziz, do PSD, ex-governador do Amazonas. “Presidenta, no domingo não vai ser assim…”, disse Aziz. Um novato permitia-se contradizer a presidente da República. Aziz prosseguiu: “Eu queria prestar minha solidariedade à senhora porque envolveram a senhora neste roubo na Petrobras, que é o maior roubo da história do Brasil. É uma vergonha fazerem isso com a senhora”. Constrangida e sem paciência, Dilma admoestou Aziz: “Governador (na verdade, Aziz agora é senador), o senhor está equivocado”.

 

>> Scott Mainwaring: “Protestos podem revigorar a democracia”

A conversa estava tensa. Em outro momento, Dilma alertou os líderes: “Nós temos de ter cuidado porque a política está muito criminalizada”. Parecia o ex-presidente Lula falando. Ele usa esse argumento sempre que um companheiro é acusado de corrupção. Em tempos de petrolão, é quase todo dia. Dilma, então, narrou os dissabores de quem vive sob a ameaça das vaias dos contribuintes que povoam as ruas do Brasil e enxergam a criminalização na política. Contou aos parlamentares o caso da ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster, sua amiga, que deixou o cargo em fevereiro após uma temporada exposta pelas investigações do petrolão. “Ela não pode sair de casa nem para ir à padaria”, disse Dilma. Graça vive hoje uma vida de aposentada no Rio de Janeiro, mas não tem sossego.

 

>> 8 achados no dicionário do petrolão

O governo acredita que os protestos recentes não são isolados, mas o início de um movimento

Omar Aziz é um político engraçado, um piadista que usa palavrões para descontrair a conversa e não se prende às mesuras do mundo político. Faria sucesso em reuniões com Lula. Entretanto, o fato de ele e outros terem tido abertura para dizer tanto a Dilma é sinal de que o governo enfrenta tempos difíceis. Sempre avessa a políticos, para seus padrões Dilma já fazia uma grande concessão ao recebê-los; sujeitar-se a ouvir conselhos beirava o inaceitável. Na semana passada, ouviu muitos. “A senhora tem de dialogar com o Congresso, o diálogo está obliterado”, disse o senador Fernando Collor, do PTB, um dos participantes. Collor, quanta ironia, serve às analogias políticas mais simplistas com Dilma: ignorava o diálogo com o Congresso e foi alvo de maciços protestos populares em 1992 – até sofrer o impeachment. “A senhora tem de ter humildade de pedir desculpas pelos seus erros”, disse. Que cena.

 

>> Os responsáveis pelo rebaixamento institucional do Legislativo
Dilma só se sujeitou às perorações dos políticos porque precisa deles para atravessar seu momento mais difícil na Presidência da República. A semana passada foi, provavelmente, a mais tormentosa de seu governo, ameaçado por uma crise econômica grave e uma inoperância política de grandes proporções. Dilma foi acuada por vaias ao visitar uma feira de construção em São Paulo – que nem estava aberta ao público. Contrariada e com semblante tenso, discursou para uma plateia semivazia. Comparecer ao evento era parte de uma estratégia traçada há um mês, para tentar recuperar a popularidade de Dilma, em queda livre desde a reeleição. Mas o cenário mudou rapidamente. No final da semana, Dilma cancelou a visita que faria a um evento em Belo Horizonte. O governo afirma que mudou os planos não por medo de vaias, mas porque a mãe da presidente, Dilma Jane, de 90 anos, não passava bem.

 

>> Os bastidores inéditos da Operação Lava Jato

“Há um sentimento ruim, que precisa ser revertido”, disse recentemente o ex-presidente Lula em um café da manhã na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, em Brasília. Partindo de sua lógica preferida, a da divisão do Brasil entre classes sociais, Lula afirmou que antes o governo era vítima da desaprovação dos ricos por, na sua visão, ter privilegiado os pobres. Hoje, no entanto, haveria um sentimento difuso de desaprovação por outras camadas da população. A insatisfação expressa em junho de 2013 não desapareceu. A avaliação do governo é que os protestos marcados para domingo, dia 15, não devem se resumir a um evento isolado, mas devem marcar o ponto inicial de um movimento maior. O 15 de março será uma espécie de reunião para marcar o 15 de abril, o 15 de maio, e assim por diante. Será mais um problema agregado aos vários outros que Dilma já tem a resolver.

 

É GUERRA — Mulher vaia Dilma em São Paulo. Pesquisas do governo mostram que a popularidade de Dilma se mantém em queda (foto de Jorge Araujo - Folhapress)
É GUERRA — Mulher vaia Dilma em São Paulo. Pesquisas do governo mostram que a popularidade de Dilma se mantém em queda (foto de Jorge Araujo – Folhapress)

 

A crise política, que atrapalha a solução da crise econômica, é alimentada por muitos erros, aqueles mencionados por Collor. Centralizadora, Dilma sempre resistiu a ouvir opiniões para tomar decisões na área política. Paulatinamente, desidratou o poder do vice-presidente, Michel Temer. O resultado disso hoje é que Temer perdeu parte da capacidade de influenciar seu partido, o PMDB. No início do ano, Dilma fez uma reforma ministerial que lhe custa caro. A troca diminuiu a capacidade de influência do PMDB no governo, a ponto de o partido ter cinco ministérios e trabalhar boa parte do tempo na oposição; diminuiu a presença da mais forte corrente interna do PT; e deu força para que os ministros Gilberto Kassab e Cid Gomes turbinassem seus partidos. Assim, Dilma deixou claro que queria enfraquecer o PMDB e o PT. Foi um erro estratégico em um momento delicadíssimo, em que Dilma precisa justamente de PT e PMDB para afastar o país do abismo econômico construído durante sua gestão anterior. Dilma tem de fazer isso em um momento em que as pesquisas feitas sob encomenda do Palácio do Planalto mostram que a avaliação de seu governo está ainda pior do que a atestada pelo Datafolha, no mês passado, quando havia atingido seu mais baixo índice. Na ocasião, a maioria dos entrevistados afirmava que Dilma havia mentido sobre a situação da economia. Hoje, a maior parte dos insatisfeitos está em São Paulo, como o governo já sabia; mas cresceu o número de descontentes no Nordeste.

Lula e Dilma passaram dois meses sem conversar, entre o resultado da eleição e o início deste ano. Lula esteve em Brasília em algumas ocasiões para conversar com políticos. No recente café da manhã com senadores, Lula ouviu reclamações sobre a má relação com Dilma. Tentou contemporizar. Disse que Dilma, pelo menos, havia montado um núcleo político com seis ministros, estava ouvindo mais a opinião de outras pessoas. Contudo, disse que esse núcleo não poderia ser fechado nem excluir o vice Michel Temer.  “É um absurdo o governo não ter tido cuidado com o PMDB”, disse. Na semana passada, Lula e Dilma conversaram a sós no Palácio da Alvorada e, depois, jantaram com ministros do PT. Lula defendeu que é preciso abrir mais espaço para o PMDB no governo. No dia seguinte, Dilma anunciou que mais três ministros entrariam para o grupo, entre eles Eliseu Padilha, do PMDB.

Em público, Lula sugeriu ainda a troca do ministro da Articulação Política, Pepe Vargas, talvez a única unanimidade negativa no governo e no Congresso. Incumbido de trabalhar pela relação entre o governo e o Congresso, Vargas não pode articular na Câmara, porque o presidente Eduardo Cunha, do PMDB, não o recebe; também é sabotado por boa parte do PT, porque é de uma corrente minoritária dentro do partido. Também não tem apoio no governo. Na semana passada, Pepe chamou para uma reunião deputados para tratar da lei de socorro aos clubes de futebol. Após uma exposição de meia hora sobre a importância dos clubes, Pepe disse que, infelizmente, não tinha nada a apresentar porque os técnicos do Ministério da Fazenda não haviam terminado os estudos. “Estão todos envolvidos nesse negócio do Imposto de Renda”, disse Pepe. Os deputados saíram fulos de raiva. Hoje, ninguém aposta que Pepe Vargas permaneça muito mais tempo no cargo. A questão é que Dilma demora a tomar decisões. Se há sete meses o Supremo Tribunal Federal espera que ela escolha um substituto para Joaquim Barbosa, quanto tempo levará para nomear um substituto para Pepe?

O fracasso de Dilma na política já foi mascarado em outras ocasiões com a ajuda da popularidade e do marketing. Na semana passada, a saída da propaganda deu errado. O pronunciamento de Dilma era um legítimo texto escrito pelo marqueteiro João Santana. No entanto, foi a primeira vez que Dilma se dirigiu à nação sem anunciar uma novidade ou benefício — nas ocasiões anteriores, anunciou reajuste do Bolsa Família ou novos programas, como o Minha Casa Melhor, que concedia financiamentos de até R$ 5 mil aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida para comprar eletrodomésticos. Há duas semanas, o governo acabou com o programa por causa da alta taxa de inadimplência. Provavelmente, nos quatro últimos anos de governo, Dilma terá de ouvir todos os conselhos que não ouviu dos políticos nos quatro primeiros.

 

Publicado aqui, na epoca.com

 

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Época revela e Sindipetro NF confirma que pagou R$ 80 a cada campista no ato pró-Dilma

Manifestantes na Cinelândia, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (13) (foto de Raphael Gomide - Época)
Manifestantes na Cinelândia, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (13) (foto de Raphael Gomide – Época)

 

 

Por Raphael Gomide, Hudson Corrêa e Lívia Cunto Salles 

 

Sentada em um canteiro no centro da Cinelândia, no Rio de Janeiro, alheia aos longos discursos políticos, feitos de um carro de som, em apoio à Petrobras e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a desempregada Luciana, moradora de Campos dos Goytacazes (RJ), conversava desanimada com uma amiga na tarde desta sexta-feira (13). Parecia cansada. Ao redor da árvore, estavam ainda o marido, também desempregado, a filha de 6 anos e outros conterrâneos. Todos vestiam camisetas cor de laranja com os logotipos do Sindipetro e da Petrobras: “Defender a Petrobras é defender o Brasil”. Luciana, que não quis dizer seu sobrenome, não faz parte do sindicato e nunca trabalhou no setor petrolífero.

Sem trabalho, ela e o marido, Marco Aurélio, afirmaram ter recebido R$ 80 do sindicato para vir ao Rio participar de um protesto tão longe de casa. “O dinheiro chegou em boa hora”, disse. Quando o ato começou, Luciana e o marido estavam cansados. Acordaram às 5h30, saíram às 7h de Campos, a 274 km do Rio, e só chegaram ao centro da cidade às 15h. Segundo ela, vieram em uma caravana de mais de 20 ônibus do Norte Fluminense, alugados pelo Sindipetro. Sem ter com quem deixar a filha pequena, trouxeram a menina para passear no Rio. Demoraram mais que as quase cinco horas que a viagem costuma levar porque o grupo parou para almoçar na lanchonete Oásis Grill, na BR-101, na altura de Casimiro de Abreu. A despesa foi paga  pelo sindicato, disse ela.

A Época, o diretor do Sindipetro-RJ e diretor de comunicação da Federação Nacional dos Petroleiros Edson Munhoz afirmou desconhecer que militantes tenham sido pagos para ir ao ato. “Nossa militância trabalha na base de contrapartidas. Por exemplo, a associação de moradores ou de sem-teto precisa de advogado em uma ocupação e providenciamos, mas dinheiro na mão desconheço.”

Segundo ele, o mais normal é haver uma “troca política”, de apoio mútuo. “Quando há uma ação deles, sindicatos maiores, como o dos Petroleiros e Bancários dão cesta básica e ajudam no que é preciso. Todos colaboram com os cidadãos mais humildes. Acredito que algum político tenha até auxiliado [financeiramente], mas não é praxe dar dinheiro no movimento sindical”, afirmou Munhoz.

Luciana era uma das muitas pessoas que, com camisetas cor de laranja e ar deslocado, se misturavam às muitas com camisetas vermelhas e portando bandeiras da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do PT. Época perguntou a Luciana a razão do protesto e o motivo por que ela estava ali. “É o petróleo!”, disse. “É o petróleo!” Como se a explicação fosse insuficiente, disse que o protesto era por causa dos “royalties que estão querendo tirar do Estado do Rio”. A manifestação era de apoio à Petrobras e contra o impeachment da presidente Dilma. A passeata em defesa dos royalties aconteceu em novembro de 2012.

A Polícia Militar estimou entre mil e 2 mil pessoas os presentes ao ato na Cinelândia, que depois seguiu, de forma pacífica, em direção a sede da Petrobras. Havia 150 policiais acompanhando a manifestação, mas eles não tiveram trabalho.

 

Publicado aqui, na epoca.com

 

Atualização às 2h23: Após contato do blog, a assessoria do Sindipetro NF enviou a nota transcrita abaixo:

 

Sindipetro NF

 

“O Sindipetro-NF mantém uma política transparente de ajuda de custo aos militantes que participam de atos públicos apoiados ou promovidos pela entidade. Os valores envolvidos são declarados em seus balanços e de conhecimento dos associados. Quando da impossibilidade de oferecer alimentação, o sindicato entende ser necessário um auxílio para sua aquisição durante uma longa jornada, que, no caso do protesto de hoje (ontem) na Cinelândia, se iniciou às 7h com a saída dos ônibus de Campos dos Goytacazes (RJ) e tem previsão de encerramento à 1h da manhã deste sábado, com o retorno à cidade. A ajuda destinada hoje (ontem) foi de R$ 80 para cada militante, para cobrir gastos com almoço, lanche e jantar no Rio”.

 

Atualização às 14h12: Alertado aqui, em comentário do leitor Alvaro, o blog reproduz abaixo o vídeo no qual a equipe de reportagem da Folha de São Paulo flagra a distribuição do dinheiro pago pelo Sindipetro NF aos “militantes” pró-Dilma, na manifestação de ontem no Rio. Confira com seus próprios olhos e forme a sua opinião:

 

 

 

Atualização às 15h21: Apesar da nota da assessoria do Sindipetro NF ter alegado que “a ajuda destinada ontem foi R$ 80 para cada militante, para cobrir gastos com almoço, lanche e janta no Rio”, a equipe de reportagem da Folha de São Paulo revelou que, além da distribuição do dinheiro flagrada em vídeo, os militantes pagos de Campos já haviam recebido quentinhas. Confira aqui.

 

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Continue acompanhando tudo sobre o Petrolão no Blog do Arnaldo Neto

pausa

 

Para atuar em outra vertente do jornalismo, na lida por certo mais prazerosa de crítico de cinema, este “Opiniões” fará uma outra pausa momentânea, até amanhã, na cobertura do Petrolão. Quem não quiser esperar, pode continuar acompanhando tudo sobre o assunto, em tempo real, no Blog do Arnaldo Neto.

Inté!!!…

 

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