“Estrangulamento financeiro de Campos é fruto do desgoverno de um líder em decadência”
Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o economista Ranulfo Vidigal dá sequência à analogia do colega Wilson Diniz, analista do jornal carioca O Dia, na qual compara a Campos dos Garotinho à Venezuela de Hugo Chávez e Nicólas Maduro. Como domingo é dia indicado à reflexão, confira:
Modelo venezuelano dos Garotinhos
(Enfoque conjuntural da crise de governabilidade)
• Para analisar atual crise de governo da cidade campista, onde os Garotinhos implantaram o modelo venezuelano de políticas públicas com distribuição de rendas compensatórias — Cheque Cidadão —, esgotado em decorrência da atual conjuntura internacional da queda do preço do barril do petróleo, recorro à historiadora americana Barbara W. Tuchman para explicar a falência política dos últimos seis anos do governo que está de plantão.
• No livro, “A Marcha da Insensatez — De Tróia ao Vietnã”, a historiadora faz relato minucioso de líderes mundiais que foram a ruínas por falta de sabedoria, quando agem de forma contrária àquela apontada pela razão em função de seus projetos movidos pela ganância e ambição desmedida.
• Pergunta-se, por que Napoleão, depois Hitler, em sequência invadiram a Rússia sem considerar os desastres sofridos pelos respectivos predecessores? Por que Roboão, rei de Israel, filho de Salomão, não ouviu o clamor do povo e cometeu ato de insensatez dividindo a nação perdendo para sempre as dez tribos do norte, em conjunto chamada de Israel.
• Todos estes líderes entraram em processo de final de ciclo político que o levaram ao desgoverno e queda, pois optaram pela opressão, loucura ou ambição desmedida, incompetência e decadência, e por último, insensatez ou obstinação.
• Os teoremas da historiadora relatam que o homem vem realizando maravilhas em todos os campos da ciência, mas na arte de governar como confessou Johan Adams, o segundo presidente norte-americano, hoje, se avançou um pouco mais do que há três ou quatro milênios.
• Barbara cita estadistas que marcaram a humanidade. Sólon de Atenas, talvez o mais sábio de todos os governantes, escolhido magistrado-chefe, VI a.C, em época de crise de inquietação política, fez reformas, equalizou as dívidas, reduziu o trabalho escravo, enfim, negociou com a sociedade num amplo acordo de classes sociais, pois não tendo participado do sistema opressivo instituído pelos ricos e como não apoiava, tampouco, a causa dos pobres, desfrutando por ser homem de recursos, delegou poderes, comprou um navio e passou dez anos viajando mundo afora.
• As teorias da historiadora podem ser adaptadas a qualquer nação, país, estado ou a um governante de um pequeno município, como Campos que é governado por um grupo político em que todas as variáveis de “DESGORVENOS” estão vindas à baila depois de várias gestões da cidade liderada por um único comando da cidade utilizando métodos opressivos de governo centralizado e de se articular para se manter eternamente no poder com suas políticas populistas replicadas do governo venezuelano.
• A atual prefeita interpreta o papel de atriz coadjuvante dirigida pelo ator principal, seu marido, que tem como único compromisso fazer da sociedade campista trampolim para alimentar seus devaneios de ocupar espaço político no plano nacional, esquecendo o povo da cidade e aniquilando as finanças, e mais, destruindo todos os setores da economia porque centraliza no caixa da prefeitura valores de quase R$ 2.5 bilhões de reais sem gerar uma única vaga no mercado de trabalho do setor industrial da cidade.
• O estrangulamento financeiro da prefeitura, não só é consequência da crise conjuntural decorrente da queda do preço do petróleo, mas principalmente pelo desgoverno implantado pelo líder supremo que em decadência no plano nacional, volta a ocupar o assento da prefeita para colocar em prática suas políticas de cunho pessoal.
• O projeto político do líder maior faliu. Com queda de receitas projetada que chegam a quase R$ 900 milhões, a sustentação de 1714 cargos com gratificações, com 533 salários médios de R$ 6.300 reais tornaram-se insustentável.
• A distribuição de 21 mil cheques de R$ 200 reais consome quase R$ 50 milhões das receitas correntes e R$ 70 milhões na conta transporte inclui o subsídio da tarifa a R$ 1 real. Completando o quadro caótico, estima-se que 3000 terceirizados simpatizantes dos Garotinhos foram demitidos.
• Na conta administração que são gastos mais de R$ 600 milhões em média nos últimos seis anos, 43% são com despesas de pessoal, do restante parte é de manejo e de interesse do líder que centraliza as decisões dos gastos.
• O número de secretárias supera o de cidades com o dobro da população de Campos e de até de alguns estados do Nordeste.
• A Câmara dos Vereadores, com seu prédio em estilo de arquitetura romana, 25 vereadores custam R$ 30 milhões de reais, e mais, a maioria são atores políticos comandados pelo líder maior para aprovar as contas de governo, quando na realidade estão ali para defender os interesses da sociedade de Campos que os elegeu.
• No sistema de transportes urbano, os coletivos são semelhantes à de países como da América Latina, de péssima qualidade.
• Concluído, todas as variáveis que caracteriza o “DESGOVERNO” segundo a historiadora americana fotografam o ‘ modelo venezuelano aplicado pelos Garotinhos em Campos.
• Campos tem jeito, mas depende de uma imprensa alternativa independente sem ser manipulada pelos caprichos do governante que está de plantão.
De Wilson Diniz, economista e analista político















