Clarissa na Alerj com a cara de Zé Dirceu para votar contra proibição de máscaras

O projeto de lei que proíbe máscaras em protestos, proposto pelos deputados Domingos Brazão e Paulo Melo (PMDB), foi aprovado no Rio, em sessão que começou por volta das 16h30 desta terça-feira (10) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O texto aprovado sofreu duas alterações. As máscaras poderão ser usadas em eventos culturais e, se uma pessoa for presa com o rosto coberto em uma manifestação de rua, ela deverá ser encaminhada para uma delegacia. O projeto agora vai à sanção do governador Sérgio Cabral, que tem o prazo de 15 dias para aceitar ou vetar.
Das 13 emendas apresentadas, apenas duas foram incorporadas. A emenda 6, artigo 2 que diz que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. A emenda 13 diz que a lei não se aplica às manifestações culturais estabelecidas no calendário oficial do estado, como o carnaval; e que considera-se comunicada a autoridade policial quando a convocação para a manifestação ocorrer pela internet com antecedência igual ou superior a 48 horas. As manifestações quando não forem convocadas pela internet devem ser comunicadas previamente ao batalhão da área, com até 48h de antecedência.
Manifestantes, que não usavam máscaras, contrários à lei foram impedidos pela segurança da Assembleia Legislativa de entrar no plenário. Questionado sobre os jovens barrados, o presidente da Alerj, Paulo Melo (PMDB), alegou que o grupo portava pedras. No entanto, os manifestantes não chegaram a ser revistados pelos seguranças. Apenas pessoas favoráveis ao projeto de lei tiveram a entrada garantida na Casa. A medida provocou revolta entre os que ficaram do lado de fora, e houve princípio de tumulto.
“Porque a presidência tem uma responsabilidade. Isso [Palácio Tiradentes] é um patrimônio público e não vamos permitir que se entre para depredar. Esse é um poder decisório do presidente (..) Eles não têm máscaras, mas tinham pedras e mochilas, inclusive. Por isso, a presidência tomou a decisão de não deixar entrar”, tentou explicar Melo.
Apesar da justificativa do presidente, a assessoria de imprensa da Alerj havia informado que apenas 75 pessoas tinham sido autorizadas a entrar para acompanhar a votação, e que esse seria o número limite que a segurança da Casa poderia permitir nas galerias do plenário.
Paulo Melo criticou o uso de máscaras em manifestações, argumentando que os mascarados são uma “afronta às autoridades”. “Mantivemos o espírito do projeto, que é impedir que mascarados continuem afrontando as autoridades e a população, e impedindo as pessoas de se manifestarem livremente. Isso não é o bom hábito da democracia . Nem na ditadura, as pessoas protestavam usando máscaras”, disse o presidente da Alerj.
Emendas
Durante a leitura das emendas, que atrasaram a votação em uma semana, manifestantes a favor da proibição mostravam faixas com dizeres como “Brasil, mostra sua cara”. Cerca de 10 ativistas contrários ao projeto de lei foram barrados na Alerj, mas mesmo entre os deputados houve quem se manifestasse. Uma delas foi a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), que usou uma máscara de José Dirceu.
Segundo a assessoria de imprensa da Alerj, 12 deputados votaram contra o projeto de lei: Geraldo Pudim (PR), Marcelo Freixo (PSOL), Luiz Paulo Correia da Rocha (PSDB), Clarissa Garotinho (PR), Comte Bittencourt (PPS), Inês Pandeló (PT), Janira Rocha (PSOL), Samuel Malafaia (PSD), Robson Leite (PT), Gilberto Palmares (PT), Cida Diogo (PT) e Lucinha (PSDB).
“Esse projeto de lei lamentavelmente aprovado na Alerj é inconstitucional. O uso de máscara não é anonimato. A máscara é um símbolo de protesto. Essa lei é um grande equívoco que só vai criar mais conflitos nas ruas criminalizando quem decidir usar máscaras para protestar”, frisou o deputado Marcelo Freixo (PSOL), acrescentando que diante da aprovação da lei a policia será obrigada a mandar que os manifestantes tirem as máscaras, quando antes a polícia poderia apenas abordar quem fosse suspeito.
Votação
Antes da votação, Clarissa Garotinho disse que o projeto de lei é inconstitucional porque só quem pode legislar sobre o tema é o Congresso Nacional. “Não podemos acabar com a irreverência característica do povo carioca. Nem toda máscara significa anonimato. Mas pode ser um instrumento de protesto. Nós somos contra o vandalismo, mas a polícia tem que ser mais eficiente quanto a isso”.
Clarissa foi uma das coautoras de 13 emendas propostas ao projeto, que retornou à Comissão de Constituição de Justiça para avaliação. As emendas foram propostas por sete deputados diferentes: 3 de Gilberto Palmares (PT) e uma do deputado Bruno Correa (PDT); 8 de coautoria de Clarissa, Luiz Paulo (PSDB), Comte Bittencourt (PPS) e Geraldo Pudim (PR); e uma do deputado Jânio Mendes (PDT).
O deputado Luiz Paulo (PSDB) falou no plenário que os direitos às manifestações populares deve ser respeitado: “Se o cidadão opta por ir à manifestação mascarado, ele tem que se identificar. O que fere mais é a questão da máscara”.
“Infelizmente, há aqueles que, mascarados e armados se infiltram nessas reuniões públicas a fim de cometer crimes. É, portanto, dever do parlamento elaborar uma lei que proteja essas magníficas demonstrações de civilidade, que não podem ser manchadas por aqueles que não querem nem conseguem viver sob regime democrático”, diz o texto da justificativa do Projeto de Lei 2.405.
Se decretada, a lei também vai determinar que qualquer ação seja apresentada na prefeitura da cidade antes de sua realização. Ou seja, as manifestações só poderão ocorrer mediante prévio aviso à autoridade policial. Neste caso, a comunicação deverá ser feita na delegacia mais próxima a onde o ato será realizado.
De acordo com o projeto de lei, os policiais só poderão intervir para garantir a defesa dos patrimônios público e privado, das pessoas ou de sua própria defesa.
‘Black Bloc’
No dia 25 de agosto, o movimento Black Bloc RJ publicou um texto no perfil do Facebook em que eles dizem que a prática do grupo tem que ser revista com urgência já que notaram um aumento na rejeição por parte da população. Eles também alegam que muitas pessoas usam o nome do grupo para depredar a cidade.
“A destruição do patrimônio público e privado ‘à la Bangu’, tem sido frequente e muitas vezes de forma injustificável! Banca de jornal atacada? Por quê? Pra quê? É compreensível quando arrancamos placas de trânsito e queimamos lixeiras para fazer barricadas contra o avanço da polícia porque nós sabemos o que eles fazem, mas o que temos visto é um descontrole, um corre-corre, perdoem-nos o termo, imbecil, que só faz dispersar o grupo tornando a palavra BLOCO, uma piada!”, afirma parte do texto publicado.
Fonte: G1, matéria de Pricilla Souza.
De Auxiliadora a Ricardo, do face ao blog, o debate da cultura de Campos
Antes de se iniciar a sessão da Câmara de hoje, daqui a pouco, às 17h, o blog pede licença ao jornalista Ricardo André Vasconcelos, que concedeu aqui uma elucidativa entrevista sobre a cultura pública de Campos, para republicar sua tréplica nas redes sociais à resposta que a vereadora Auxiliadora Freitas (PHS) deu aqui, sobre as críticas que que a política cultural do município vem sofrendo. Com a palavra, Ricardo André:

Na pressa em defender sua líder, a vereadora Auxiliadora comete dois erros: primeiro, repete a chata cantilena dos “governos passados” como se todos os críticos do atual governo tivessem se beneficiados deles. Não foi o meu caso. Aliás, tenho independência suficiente para criticar todos os governos após 1996. Outro erro é o fato de ela esquecer que a CPI que investigou os shows no governo Mocaiber (instalada por determinação do Ministério Público Federal), foi arquivada por “falta de provas”. A CPI era composta pelos então vereadores Geraldo Venâncio, Otávio Cabral e Alciones de Rio Preto, todos aliados, hoje, da prefeita Rosinha.
Se a vereadora quer defender a “política cultural” do atual governo, pode começar explicando o porquê do excesso de shows no Farol de São Thomé no verão 2013, em que, só de cachês foram pagos mais de R$ 2 milhões. Pode também dar sua contribuição ajudando a esclarecer porque tantos contratos para montagem de palco assinados com a WORKING EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS (o mais recente foi e R$ 501 mil). E mais: pode também divulgar quantas bibliotecas foram instaladas nas escolas municipais nos últimos cinco anos. Quantos grupos de teatro? E de Dança? E coral, um pelo menos?
Colabora mais com o debate quem não foge dele. Tentar comparar com o (des) governo Mocaiber é até covardia porque administração pior do que a dele é praticamente impossível de fazer.
Assim caminha a humanidade?

O futuro já era
Por Arnaldo Jabor
Depois, em 90, com o fim da Guerra Fria, pareceu-nos que os Estados Unidos iam derramar pelo mundo seu melhor lado: a democracia liberal, a autocrítica modernizadora, o poder multipolarizado, a tolerância; parecia que a liberdade era inevitável, quase uma necessidade de mercado.
Mas, não era esse o desejo dos caretas republicanos. Essa máfia de psicopatas queria se vingar do desprezo que sofreram nos anos 60, se vingar do vexame de Nixon e Watergate, se vingar dos Beatles, dos Rolling Stones, de Marcuse, de Dylan, da arte, dos negros, das mulheres , da liberdade sexual que sempre odiaram. Imaginem Bush, Karl Rove ou Rumsfeld diante de um Picasso, ouvindo “free jazz”. Começou a reação da caretice estúpida contra a modernização do mundo, tanto no Ocidente, quanto no fundamentalismo islâmico. Osama Bin Laden e Bush se uniram, sob a aparência de inimigos, numa aliança fundamentalista contra a paz e a democracia. Deixaram a “herança maldita”: o mercado global insensato, roído por homens-bomba e medo, a destruição do Iraque, o Afeganistão, o Ocidente como cão infiel do Oriente. E hoje assistimos a uma política mundial que é um balé impotente, com a razão humilhada e ofendida, para desespero dos que acreditavam num futuro iluminado. Não teremos nem o “fim da historia” do Hegel, nem do Fukuyama, aquele “hegelzinho” do Departamento de Estado.
Cada vez mais, a vontade dos homens está submetida às suas produções — criamos as soluções que nos aprisionam; as coisas mandam nos desejos. Num primeiro momento, isso nos dá o pavor do descontrole racional sobre o mundo, ou melhor, da “ilusão de controle” que tínhamos : “Ah… que horror… o humano está se extinguindo, a grande narrativa, o sentido geral…”
Mas, pergunta-se: que “humano” é esse que só no séc. XX gerou duas guerras mundiais, Hitler, Mussolini, Hiroshima e Nagasaki, Vietnam, China, Pol Pot, África faminta. Que “humano” é esse que os racionalistas teimosos cismam em idealizar?
Está se formando uma nova vida social, sem finalidade, sem esperança ideológica, mas que poderá ser muito interessante em sua estranheza.
A tecnociência, o espantoso avanço da comunicação, da cultura da web, dos diálogos em rede no mundo todo, os twitters e blogs estão roendo os princípios totalizantes e totalitários. O futuro já era, (apud Valéry). Tudo se passará aqui e agora, sempre. Há um enorme presente. O passado será chamado de ”depreciação”.
A rapidez dessas mutações nos dá frio no estômago, mas a vida mesma dará um jeito de prevalecer e talvez esse atual fantasma que assombra os metafísicos esteja nos libertando de antigos “sentidos” tirânicos, trazendo uma nova forma de aventura existencial e social que possa vir justamente da desorganização da “ideia única”. Em nossa cabeça as ideias sempre criaram as invenções, os avanços morais ou políticos. Mas as ideias agora surgem das coisas. Sistemas éticos ou racionais surgirão dos micro chips, da tecnologia molecular, e não o contrário.
O mundo está se desunificando sim, em forma de uma grande esponja, em vazios, em avessos, em buracos brancos que vão se alargando, à medida que a ideia de o tecido da sociedade “como um todo” se esgarça. Não há mais “células de resistência”; apenas “buracos de desistência”. Há tribalizações de grupos, sem proselitismo; há uma recusa ao mundo, aceitando-o como algo irremediável, mas sem conformismo. Por dentro de seu luto, as tribos se desenham.
Os jovens de hoje querem alcançar uma forma de identidade alternativa e não almejam mais o “Poder” que está em mil pedaços. Antes, lutávamos contra uma realidade complexa, sonhando com utopias totalizantes. Era o “uno” contra o “múltiplo”. Hoje, é o contrário; a luta é para dissolver, não para unir; luta-se para defender o vazio, o ócio possível, o que não seja “mercável”. Agora, os novos combatentes não sonham com o absoluto; sonham com o relativo.
A desesperança está parindo novas formas larvais de sobrevivência. E isso pode ser o novo rosto da humanidade se formando. É claro que o ser humano necessita de explicação, de sínteses, de consolidação de ideias.
Sem duvida, as religiões e o fanatismo estão florescendo, e o irracionalismo (mesmo disfarçado de sensatez) resistirá bravamente.
Talvez sejamos robotizados, modificados geneticamente, talvez espantosas tragédias surjam nos corpos e nas sociedades, mas um tempo diferente de tudo que conhecemos já começou. Os intelectuais falam no tempo pós-humano. Mas a própria ideia de “pós” já é antiga. De qualquer forma, talvez o pós-humano seja interessantíssimo, até divertido. Será que vamos viver dentro de um videogame planetário? Pode ser — mas é mais interessante que o melancólico lamento pela razão e harmonia que não chegam nunca…
Estamos mais sozinhos; o misterioso rumo da História, com tragédias e comédias, está no comando, (como, aliás, sempre esteve), e as tentativas de prevê-las foram todas para o brejo… Estamos em pleno mar, porém mais “perto do selvagem coração da vida”.
Publicado hoje (10/09) na edição impressa de O Globo.
Makhoul endossa Ricardo: Cultura dos shows é para fazer campanha eleitoral
“Eu concordo com o Ricardo André: existe gastança generalizada do governo Rosinha com shows, que não trazem nenhuma evolução à cultura do município, para se criar um clima de campanha eleitoral permanente nas ruas”. A opinião é do ex-candidato a prefeito e pré-candidato a deputado estadual pelo PT de Campos, Makhoul Moussallem, que endossou as críticas não só do jornalista Ricardo André Vasconcelos (aqui), mas dos demais entrevistados na série de entrevistas na Folha em que já falaram os professores Artur Gomes (aqui), Adriano Moura (aqui), Deneval de Azevedo Filho (aqui), Arthur Soffiati (aqui) e Cristina Lima (aqui), além dos diretores teatrais José Sisneiro (aqui) e Antonio Roberto Kapi (aqui).
Como todos os entrevistados, Makhoul também acha que foi danosa a extinção das Fundações Zumbi dos Palmares e Trianon, além da secretaria de Cultura, na última reforma administrativa de Rosinha, que centralizou toda a administração cultural na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL):
— Em alguns casos, sou até favorável à centralização, no sentido de se dar uniformidade às práticas administrativas. Mas não na arte e na cultura, que são multifacetados, desde sempre, aqui e em qualquer outro lugar do mundo. No caso de Campos, a Fundação Zumbi cuidava mais das questões culturais da afrodescendência. Já a Fundação Trianon, se ocupava mais da questões teatrais, enquanto a secretaria cabia pensar a cultura como um todo, cabendo parte das suas execuções à Fundação Jornalista Oswaldo Lima. Críticas vão sempre existir, mas penso que a organização anterior era mais democrática, cuidando das manifestações culturais de Campos, que são riquíssimas, em todas as suas especificidades.
Para o petista, o critério para se avaliar a atuação do município na cultura teria que ser a relação custo/benefício. No caso, a priorização na contratação dos shows, com nomes nacionais e cachês dispendiosos, até no carnaval, tem gerado muito pouco benefício ao desenvolvimento cultural de Campos, com custos altos aos cofres público:
— Até para se rever isso, para se fazer uma autocrítica sempre necessária, o governo teria que se abrir ao debate com aqueles que vivem e fazem, de fato, a cultura no município. Esse discurso, que percebo ser ecoado no governo e na sua representação na Câmara (aqui e aqui), de que a prefeita foi eleita para fazer o que bem entender, é arrogante na cultura, na saúde, na educação, no transporte público. Mas como se trata de um grupo político que chegou ao poder vindo do teatro, no caso da cultura chega a ser irônico. Com esse grande número de críticas vindo de vários representantes da classe artística de Campos, continuar agindo assim, com prepotência, sem compromisso democrático, não é só falta de cultura; é falta de inteligência.
Auxiliadora foca a discussão da cultura no governo passado
Auxiliadora Freitas: “Gastança é o que acontecia no passado”
Por Alexandre Bastos, em 08-09-2013 – 16h57
A vereadora Auxiliadora Freitas (PHS) também entrou no debate sobre a política cultural do governo municipal. Para a aliada do casal Garotinho, gastança é coisa do passado. “Gastança é o que acontecia no passado, com a realização de shows superfaturados e não executados, que motivaram a operação telhado de vidro, da polícia federal, e uma CPI que foi instalada na Câmara depois disso, ignorando, por exemplo, a reforma e ampliação do Teatro Trianon, com a construção do fosso de orquestra e um anexo para montagem de cenografia, carpintaria etc; os incentivos aos grupos de teatro, de musica, de artistas plásticos, de dança, com festivais estudantis, festival de bonecos, congressos de danças, encontros de corais; as peças de teatro trazidas para pré-estréias em Campos e com contrapartidas para artistas locais e com oficinas e workshops em direção, produção, cenografia, Lei Rouanet, entre outras ações”, ponderou a parlamentar.
Fonte: Ascom/Professora Auxiliadora
Visões diferentes — Nas últimas semanas, a Folha Dois, caderno cultural da Folha, abriu espaço para artistas que não consideram a Cultura esse “mar de rosas” apresentado pela prefeita Rosinha. As entrevistas foram publicadas no blog “Opiniões”, do jornalista Aluysio Abreu Barbosa (aqui).
Ricardo André: “Cultura no governo Rosinha só a da gastança” (aqui)
Kapi: “Todas as vertentes da cultura são atendidas em Campos? “É mentira!” (aqui)
José Sisneiro: “O dinheiro da Prefeitura funciona como cabresto” (aqui)
Cristina Lima: “Concentrar poder na cultura de Campos é temerário” (aqui)
Arthur Soffiati: “Desde 1989, a cultura de Campos é populista e autoritária” (aqui)
Deneval Azevedo: “Estão traindo a cultura de Campos” (aqui)
Artur Gomes joga pedra na cruz em defesa da arte na cultura pública de Campos (aqui)
Adriano Moura — O artista não é apenas uma vítima na cultura de Campos (aqui)
Discussão da cultura de Campos ecoa na Câmara Municipal

Enquanto alguns vereadores observam que a política cultural do governo Rosinha não é feita para toda a população e o dinheiro utilizado para realização de eventos culturais, onde nem todos têm acesso, poderia ser utilizado para melhorias de outras áreas, outros edis dizem que a cultura de Campos está em um ritmo que agrada a todos.
Desde o final de julho deste ano, a Folha tem publicado entrevistas feitas pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa com figuras públicas envolvidas na cultura do município. Em todas as entrevistas, o ponto em comum respondido foi a administração pública de projetos culturais que foram feitas ao longo dos anos, tanto na atual gestão quanto nas anteriores.
De acordo com o vereador Marcão (PT), que teve um pedido de informação negado sobre shows, a política cultural de Campos é gastar sem efetivação. “Não tem cabimento um município carente no transporte público, sem merenda em escola, saúde com muitas reclamações, fazer shows que nem sempre é para a maioria. Realmente, a cultura no atual governo é de gastança. Afinal, cultura não é apenas show”, opinou
Já o edil Rafael Diniz (PPS) deixou claro que diante da insatisfação das pessoas e através das entrevistas publicadas no segundo caderno da edição impressa da Folha e, na versão online, no blog “Opiniões” do jornalista Aluysio Abreu Barbosa, é notório que a cultura em Campos não é feita para todos. “Não estão investindo em algo que beneficia a todos de uma forma geral. Vamos buscar projetos para investir em cultura, de fato, e continuar batendo nos investimentos feitos que precisem melhorar”, disse.
A cultura de Campos voltou a ser assunto de debate, entre artistas e políticos, após a peça de Nelson Rodrigues, “Bonitinha, mas ordinária”, ter sido vedada de ser apresentada no teatro municipal Trianon. Depois disso, outras polêmicas vieram à tona como o valor do show da cantora Maria Bethânia, que custou aos cofres públicos R$ 233.750,00, cujos ingressos — R$ 100 cada — esgotaram em menos de seis horas de vendagem.

O vereador Jorge Magal (PR) é um dos parlamentares que analisa a cultura de Campos como satisfatória para todos. “Tanto a pessoa mais humilde quanto aquelas com maior poder aquisitivo tem vez na cultura de Campos. O teatro Trianon, que foi trazido pelo casal Garotinho, é um espelho de que o governo tem feito grandes investimentos na cultura. Não acho que a política cultural é só de gastança. Vejo um funcionamento dentro da normalidade. A prefeitura atendeu a questão do boi pintadinho, do carnaval, da orquestra municipal, entre outros investimentos”, relatou.
Já o líder da bancada governista da Câmara, o vereador Paulo Hirano (PR), afirmou que a Prefeitura de Campos tem investido em várias áreas da Cultura, como, por exemplo, a construção do Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), espaço adequado para grandes eventos. “Antes, a estrutura era montada em locais improvisados. Em cada ano, os eventos aconteciam em um local diferente e os comerciantes reclamavam muito disso”, disse ao ressaltar vários projetos realizados pela prefeita Rosinha. “O acesso à cultura continua, com as aulas de balé ministradas na Superintendência de Igualdade Racial, antiga Fundação Zumbi dos Palmares. Na sede da instituição acontecem também, aulas de capoeira, judô e teatro, além das atividades desenvolvidas em diferentes polos. Ou seja, é uma construção progressiva e Campos está virando uma usina de arte”, finalizou.

Na edição da Folha do dia 03 de setembro de 2013, o jornalista Ricardo André, em entrevista feita pelo jornalista Aluysio Abreu Barbosa, disse que a “cultura no governo Rosinha é só a da gastança”. “Em Campos não existe uma política cultural. Existe só a política eleitoral. Tudo é feito de olho no eleitor. O foco é o voto e como fazer para conquistá-lo. Parece que Campos não tem cidadão, só eleitor. O governo Rosinha não desce do palco nunca. Cadê o programa de incentivo à leitura?”, indagou.
O jornalista ressaltou também que com o dinheiro utilizado em shows, outros projetos poderiam ser feitos. “Com o dinheiro de um show de Jorge e Matheus e outro de Maria Bethânia você compraria um caminhão para fazer uma biblioteca itinerante. Dois shows de Michel Teló garantiriam a sobrevivência, por mais de um ano, das centenárias bandas que estão à míngua. E a política de publicação de livros de autores campistas? Formação de plateias para teatro? Nada! Cinema itinerante? Nada! Então não temos política cultural. Cultura no governo Rosinha, só a da gastança”, disse.

Além de Ricardo André o sétimo e último entrevistado até o momento, o primeiro entrevistado, logo após o impedimento da peça de Nelson Rodrigues ir ao palco do Trianon, foi o poeta, ator e professor do Instituto Federal Fluminense (IFF) Artur Gomes. O escritor, dramaturgo e professor Adriano Moura foi o segundo entrevistado e disse que “o artista não é apenas uma vítima no meio disso tudo”. Depois de Adriano, foi a vez do professor Deneval Siqueira de Azevedo Filho expressar sua experiência e opinião sobre o atual momento da cultura no município.
O professor, escritor, ambientalista e imortal da Academia Campista de Letras (ACL) Aristides Arthur Soffiati também deu seu parecer, em entrevista publicada no dia 11 de agosto, e disse: “A gente pensa que os artistas e intelectuais invariavelmente têm caráter e comportamento ético. Não é bem assim”. A filha do jornalista Oswaldo Lima e ex-presidente da fundação que leva o nome de seu pai, Cristina Lima, em entrevista publicada no dia 18 de agosto, disse que a cultura deve ser democrática.
A sexta entrevista aconteceu com o diretor, dramaturgo, ator e iluminador de teatro José Sisneiro, que disse: “O dinheiro da Prefeitura funciona como cabresto”.
Matéria do jornalista Mário Sérgio Junior, publicada na edição impressa da Folha de domingo (08/09) e aqui, na Folha Online.
Aqui, o diretor teatral e poeta Antonio Roberto Kapi também participou em entrevista do debate sobre a cultura de Campos.
Quem tem medo do Lobo mau na discussão da cultura?
Qual adjetivo melhor se encaixa para descrever João Luiz Woerdenbag Filho? Quase todos já foram usados, mas sem que nenhum o resumisse melhor do que o apelido dado desde os tempos de escola, por conta do macacão pendurado numa só alça e da barba precoce: Lobão. Poeta tão talentoso quanto Cazuza ou Renato Russo, mas superior como músico aos seus principais pares no rock nacional, o BRock, que explodiu nos anos 1980, de lá para cá Lobão ajudou a escrever a trilha sonora de toda uma geração, pranteou camaradas em armas tombados pelo caminho, tentou mais de uma vez o suicídio, enterrou o pai e a mãe exitosos na mesma tentativa, foi preso por uso de drogas como resposta de um status quo que criticava, vendeu 350 mil cópias de um disco produzido em parte na cadeia, flertou com a bandidagem e o samba dos morros cariocas, integrou a bateria da Mangueira no desfile do centenário da abolição da escravatura, amou intensamente várias e belas mulheres, fez aquele considerado o melhor show do Hollywood Rock e saiu vaiado do palco no Rock In Rio II, entrou em ocaso junto às gravadoras, largou as drogas e revolucionou a indústria fonográfica ao vender seus CDs em bancas de jornal, devorou livros e fundou uma revista que lançou novos nomes na música, ganhou o Grammy de melhor disco de rock com a coletânea unplegged do seu repertório, se reinventou como jornalista e apresentador de programa de TV, apoiou de graça para depois romper ruidosamente com o PT e a esquerda brasileira, e mais recentemente escreveu dois livros: o primeiro, sua autobiografia, concorreu ao Prêmio Jabuti, já vendeu mais de 100 mil exemplares e agora se prepara para virar filme; enquanto no segundo se propõe a questionar toda a cultura nacional a partir do modernismo de 1922. No momento em que Campos debate seus rumos e desrumos culturais, nada melhor que abrir espaço para quem já vem fazendo o mesmo há tanto tempo, a despeito dos interesses do poder ou das vaidades dos artistas, sem nenhum receio em enfiar a unha encravada nas feridas da cultura brasileira.
Folha Dois – Você disse que tudo que é deve à música e aos livros. A partir de ambos, que tipo de homem se tornou?
Lobão – Um pensador livre.
Folha – Esse tipo de formação autodidata, montada em sensibilidade e curiosidade intelectual pré-socráticas, tende a se tornar cada mais rara no mundo de hoje?
Lobão – Me parece que sim. O próprio índice de leitura mais complexa abaixa a cada dia.
Folha – Compositor de mais de uma dezena de hits da música brasileira e, mais recentemente, autor de dois livros de sucesso, hoje se considera mais músico ou escritor?
Lobão – Eu me considero um homem versátil e faço tudo o que me compete fazer com toda a paixão do mundo. Amo fazer música e amo escrever. As duas funções se alimentam e me enriquecem.
Folha – Esse mesmo duplo na arte, entre música e literatura, não aproxima você de Chico Buarque, um dos seus principais desafetos? Há como viver de escrever verso musicado e prosa literária sem admirar Chico? E o que dizer então de Vinicius de Moraes, sobre quem você escreveu que admirar seria o “fim da picada”?
Lobão – Olha, eu não considero o Chico um desafeto. Tenho carinho por ele. Só não gosto do que ele faz. Agora, se dependesse do Chico para me inspirar a compor ou a escrever, eu teria me tornado um colecionador de selos. A mesma coisa cabe ao Vinicius. Poucas obras me são tão agressivamente repelentes do que as desses autores. Embora eu aprecie os sonetos do Vinicius, não suporto suas canções.
Folha – A outro de seus detratores, você dedicou a música “Para o mano Caetano”. A letra oscila em críticas pesadas e declarações de amor. Numa paráfrase já lugar comum, dá para ecoar Elis, outra sobre quem você se divide entre elogios e críticas: “Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões”?
Lobão – Eu não dediquei nada a ninguém. Eu simplesmente compus uma réplica precisa e direta. Não se trata disso. É mais simples: Eu não pertenço a esse ramo musical/filosófico/estético.
Folha – Sem lugar comum são os diálogos das suas composições. É o caso de “As flores do mal”, do poeta francês Charles Baudelaire, em sua “A queda”; de “Além do bem e do mal”, do filósofo alemão W. F. Nietzsche, na sua “Deus é o diabo de folga”; ou de “El Desdichado”, poema mais famoso de Gerárd de Nerval, outro francês, que gerou sua “El Desdichado II”. Essa erudição é reconhecida por fãs e crítica? E assusta os desafetos?
Lobão – Eu acho muito pouco provável. A crítica é de uma indigência mastodôntica e os desafetos, não raro, inaptos para qualquer apreciação mais honesta e acurada. Só conseguem esboçar cacoetes comportamentais de mal estar. Já da parte dos fãs, existem casos de pessoas que mostraram perceber essas sutilezas. Fato esse que muito me agrada.
Folha – Sua autobiografia, “50 anos a mil” é aberta com você e Cazuza, numa madrugada fria de junho de 1984, no cemitério do Caju, no Rio, chorando e cheirando cocaína sobre o caixão de Júlio Barroso, da banda Gang 90. Até que ponto o prólogo reafirma sua amizade de vida e morte com os dois expoentes do BRock, e até que ponto é para chocar?
Lobão – Nem uma coisa, nem outra. O prólogo tem uma razão estratégica na narrativa do livro, pois quero deixar bem claro que seria ali, naquelas miseráveis circunstâncias, que todos os sonhos de construirmos uma nova geração de estetas e pensadores da cultura nacional estava morta. Não haveria, dali em diante, mais nenhuma possibilidade de um futuro para a música brasileira que não fosse o mesmo do mesmo.
Folha – Você disse ter prometido que o melhor ainda estaria porvir, nos túmulos de Júlio e, depois, de Cazuza, morto em 1990. Como essa expectativa se encaixa naquilo que disse em entrevista linkada em seu site: “Esta é a nossa pior época”?
Lobão – Sim, estamos passando por um dos piores momentos da nossa história. Contudo, pessoalmente, estou vivendo um momento maravilhoso e em plena fase de crescimento artístico. Pena não poder dividi-lo com mais pessoas.
Folha – Além de Júlio e Cazuza, outra morte precoce que você lamenta é a de Renato Russo, em 1996. A partir dessas perdas o BRock perdeu espaço para outros estilos, ou isso aconteceria mesmo se todos se mantivessem vivos e produzindo?
Lobão – Eu afirmei que tudo morreu com o Júlio. O resto foi detalhe. Já estávamos coletivamente mortos.
Folha – Sobre Cazuza e Renato, como vê os autores de “Brasil” e “Que país é esse?” cantando o país governado há 10 anos pelo PT? Acredita que, como você, eles teriam guinado politicamente 180º com a realidade pós-Mensalão?
Lobão – O Renato sempre detestou petistas e era francamente capitalista. Já Cazuza era PT e não sei se teria coragem de mudar de opinião.
Folha – Como alguém que apoiou Lula de graça, desde o segundo turno da eleição presidencial de 1989, quando participou daquele célebre comício na Candelária, com Luís Carlos Prestes segurando o microfone para você cantar “Revanche”, até que esta finalmente se desse em 2002, pode ter se convertido na voz mais contundente contra o petismo entre os artistas brasileiros?
Lobão – O PT é uma farsa e eu nunca fui um fã ardoroso do partido. Apenas lutei para que chegasse ao poder por uma espécie de vez histórica: Eles, os petistas, tinham que mostrar ao que vieram, principalmente com a bandeira da ética e da honestidade. Uma vez ficando bem claro que era uma deslavada mentira e, para piorar, arreganhando um viés neocomunista, eu pulei fora dessa canoa furada o quanto antes. O fato de escrever o “Manifesto” me deu muito mais embasamento sobre a política em geral. Li mais de 60 livros para me nutrir de informações e acabei o livro bem melhor do que comecei.
Folha – Em “Manifesto do nada na Terra do Nunca”, seu segundo livro, você chegou a dedicar um capítulo inteiro a propor a execução da presidente Dilma Rousseff. Mesmo em metáfora, o escritor não encarnou o “Exagerado” de Cazuza?
Lobão – Basta ler com atenção e poderá perceber a pertinência da violência da metáfora. Não. Escrevi com temperança e didática e se usei de cores carregadas foi porque a situação assim exigiu.
Folha – Sobre um dos arquétipos petistas, você escreveu: “o intelectual de esquerda é o campeão mundial da punheta de pau mole (…) Sempre deprimido, paranoico, ressentido, sempre vitimizado por complôs cósmicos, sempre pronto para eliminar suas contradições na base do grito”. Não há exceções menos neurastênicas?
Lobão – Não, por ser um erro basilar. Quem se dispõe a pensar dessa maneira,estará inescapavelmente com alguma séria patologia.
Folha – Diante de tantas críticas a um poder hegemônico tão sensível a elas, não teme sofrer o que chama de “simonalização”?
Lobão – Sou insimonalizável. Pode crer.
Folha – No poema “Aquarela do Brasil 2.0”, que abre o livro, você abriu fogo também contra os evangélicos: “E no cagaço metafísico/ da multidão de contritos telerredimidos/ brota o pavor da morte, da vida, do sexo,/ da doença, da pobreza e do castigo./ Fazendo bispos milionários,/ gângsteres do paraíso,/ lotearem pedacinhos do firmamento/ para histéricos apocalípticos aguardarem…/ o fim do mundo fora de perigo”. Teme o fundamentalismo religioso no Brasil?
Lobão – Estamos entre a cruz e a calderinha. Ou nos transformamos de vez num Cubão ou caímos numa teocracia de quinta.
Folha – Você é carioca da gema, baterista da Mangueira. A última pesquisa ao governo do Rio, colocou Marcelo Crivella na frente, seguido de Lindbergh Farias e de Anthony Matheus. Com dois evangélicos e um petista liderando, sente mais vontade de continuar morando em São Paulo?
Lobão – Esse panorama não poderia ser mais lamentável. Nada poderia ser pior. Eu amo morar em São Paulo e mesmo se o Rio fosse um lugar razoavelmente aprazível, não me sinto mais morando onde nasci e me criei.
Folha – Seu diálogo em questionamento ao manifesto antropofágico de Oswald de Andrade é ponto de partida, espinha dorsal e último capítulo do seu novo livro. Não é ambição demais ir contra toda a base do modernismo brasileiro de 1922, para tentar justificar suas críticas presentes à cultura nacional que aquele movimento determinou?
Lobão – Pois é, por termos nos baseado todo o nosso caldo cultural na Semana de 22 é que estamos nessa miséria ontológica desde então. Pior é saber que esse culto submisso e medíocre ainda reverberará por muitos anos nas mentes dos intelectuais brasileiros. Problema todo de quem embarca nessa, mas acredito que essa babação de ovo irá esvanescer-se, principalmente com o auxílio do meu livro. Muita gente começou a enxergar com outros olhos o movimento e temos uma razoável chance de nos libertarmos de suas amarras, produzindo uma nova estética, um novo pensamento, uma visão mais certeira de nós mesmos como povo, uma nova forma de produzir cultura. Creio que ficou bem claro a ampla e eficaz defenestração do pensamento do nosso querido Oswald, cometida no último capítulo. Fato este que não precisou lá de muito esforço. Se tivesse o mínimo de suspeita de que pudesse fracassar na empreitada, não me exporia ao ridículo de uma tentativa incorreta.
Folha – Música mais tocada no Brasil dos anos 1980, “Me Chama” poderia existir sem a fundamentação do coloquial feita por Oswald em “Pronominais”, sem acender seu cigarro na brasa dos versos dele: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido/ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”?
Lobão – Esses caras promoveram um downgrade tremendo na língua portuguesa falada e escrita no Brasil! Temos que lembrar que falar o português correto para esses caras era reacionário! Incitaram uma lusofobia cavalar em nossa forma de pensar. A Semana de 22 foi um mal terrível para toda a cultura do país por gerações e gerações. De outra maneira, se pensasse diferente disso, não seria possível ter tido o meu insight sobre a Terra do Nunca.
Folha – Como está o projeto para transpor “50 anos a mil” ao cinema? O filme sai mesmo em 2014? José Eduardo Belmonte será o diretor e Rodrigo Santoro, Lobão? Pelo menos na vontade do autor do livro e personagem central, em que ele será diferente dos sucessos “Cazuza, o tempo não para” e “Somos tão jovens”?
Lobão – Estão trabalhando no roteiro e deve ser rodado em 2014 para sair em 2015. O resto, não tenho a menor ideia. Quanto ao nível do filme, tenho a sorte de ainda não ter morrido e posso acompanhar com um sentido mais crítico o desenrolar das filmagens.
Cristiano Pluhar — Vista de dentro, como (não) funciona a FCJOL
Aqui, no jornal virtual “O Campista”, o professor de história e escritor gaúcho, mas campista por opção, Cristiano Pluhar, deu seu testemunho sobre como a estrutura municipal da cultura de Campos. Para quem quiser saber, na visão de quem veio de fora, como (não) funciona por dentro a cultura centralizada pela prefeita Rosinha na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), necessária a leitura do texto que o blog pede a devida licença para republicar abaixo. Já para saber melhor quem é o Cristiano, basta conferir aqui a boa matéria publicada com ele na Folha Dois, feita pela jornalista e blogueira Luciana Portinho.
A atuação da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

Caros leitores,
a imprensa, no presente, discute fervorosamente a debilidade das ações — ou falta delas – culturais nos Campos dos Goytacazes. As personalidades políticas responsáveis, respondem as críticas através de discursos tolos recheados de comparativos — citando shows — e enaltecedores de um Governo Populista.
Entre Abril de 2009 — tempos do grande amigo Avelino Ferreira — e Novembro de 2012, trabalhei no Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, onde publiquei dois livros sobre a História dos Campos dos Goytacazes — “Campos Capital? Os interesses econômicos e políticos distantes do povo”, 2010 e, juntamente com José Victor Nogueira Barreto, “O preconceito estampado”, 2011. Em Abril de 2012, fui transferido – por questões ignóbeis e personalistas — para auxiliar na fundação do Museu Histórico de Campos dos Goytacazes — onde, juntamente, com Alba Vieira, construí o circuito expositivo “Campos dos Goytacazes através dos tempos”.
A mudança proporcionou minha transferência de uma empresa terceirizada para o Regime Especial de Direito Administrativo — Reda. O mesmo foi interrompido pelo STF, em 31 de Agosto de 2012 e a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes perdeu todas as tentativas de reversão do caso.
Na esperança ingênua de mudança, trabalhei durante três meses, gratuitamente no Museu — a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima é a responsável pela instituição —, contando com a palavra da Presidente Patrícia Cordeiro, dirigida em reunião realizada no CEPOP que garantia o pagamento aos trabalhadores.
Adquiri uma dívida de quase R$ 6mil que perdura até hoje.
Com a reeleição da Prefeita Rosinha Garotinho, garantiram — a FCJOL — que haveria a recontratação de todos os funcionários.
Apenas um trabalhador não foi chamado: eu.
A razão, desmentida pela Presidente da FCJOL, foi algum comentário que postei não sei se no Facebook, no site www.historiasdoscampos.com.br ou… Na verdade, nem sei qual é o comentário.
Deixo claro que não compactuo com as ações políticas da família. Todavia, independente, aproveitei o espaço cultural para promover a História regional.
Hoje, meu nome é repudiado pela FCJOL e por pessoas “amigas” que se afastaram por receio de perseguição.
Fato comum na Gestão presente.
Bem, após breve explanação, foco na atuação dos órgãos subordinados da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.
O Museu Histórico de Campos dos Goytacazes serve à realização de eventos espaçados e exposições políticas que inflam o ego da Presidente. Muitos gritos — quando há contrariedade — ameaçam. Trabalhadores de uma empresa terceirizada lá estão e outros — antigos do Reda — foram inseridos no tal RPA. Existem, também, DAS.
Outra instituição, o Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho não recebe investimentos; além da questão paternalista que lá reside. Importantíssima instituição está em estado vegetativo.
O Museu Olavo Cardoso está fechado — a FCJOL fala em reforma.
A Biblioteca Municipal Nilo Peçanha é entupida de ótimas ideias que não recebem investimentos.
Para finalizar, o Centro de Eventos Osório Peixoto — Cepop. Feiras de automóveis, Carnaval feio — com Escolas de Samba do Rio de Janeiro que cobram cachês ilógicos — e que, no final do mês de Agosto, recebeu a II Semana do Folclore — 3 dias — na intenção de valorizar a Cultura distante — e assim permaneceu — da população campista.
Leitores, diversos shows de artistas “de fora” servem, como já comentei em outra postagem, à informalidade dos vendedores de cervejas. Ou Michel Teló combina com a Festa do Santíssimo Salvador?
Assim, findo minha explanação com um pedido: imprensa, há motivo para tanta reclamação?
Claro.
Cristiano Pluhar









