Rafael Vargas: “Não existe imoralidade maior que a ignorância”

Nas merecidas férias do jornalista Alexandre Bastos, confesso que abandonei a leitura diária do seu blog. E confesso também que foi um erro. Não por outro motivo, segue abaixo, com dois dias de atraso, a reprodução do texto do jornalista Rafael Vargas, colaborador do Blog do Bastos, sobre a denúncia de censura no Trianon à peça “Bontinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues (relembre o caso aqui e aqui, que ganhou mídia nacional aqui e aqui), por alegados motivos pessoais e religiosos da prefeita Rosinha (PR), segundo afirmou o diretor carioca Luís Felipe Perinei…
Por que vetar “Bonitinha, mas Ordinária” na Planície Goytacá?
Por Rafael Vargas, em 11-07-2013 – 15h19
Um clássico da dramaturgia brasileira censurado em pleno séc. XXI é algo difícil de crer. E por falar em crenças, sejam elas de ordem pessoal ou religiosa, viraram motivo de discussão sobre o que é imoral e para quem. Conforme está sendo noticiado por jornais do Estado do RJ, um embate se fez por conta da apresentação de uma peça consagrada de Nelson Rodrigues (e do cancelamento desta) em Campos.
O Grupo Teatral 8 de Paus alegou que a apresentações, já agendadas para o dia 10 de agosto no Teatro Municipal Trianon, foram canceladas após comunicado da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima. Segundo o grupo teatral, a justificativa seria que “a peça poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica”. Em contrapartida, o superintendente do Teatro Municipal Trianon, João Vicente Alvarenga, divulgou uma nota oficial à imprensa, alegando inconsistência na documentação, e explicou que a prefeita Rosinha não teve acesso à agenda de agosto do Teatro Trianon, e, portanto, não havia se posicionado a respeito de seu conteúdo.
“Todos os presidentes, inclusive depois de 64, me massacraram. Tive oito peças interditadas. A censura usa um tratamento discriminatório contra mim”, afirmou Nelson Rodrigues em entrevista ao jornal Estado de São Paulo em 1978.
É curioso de ver que, 35 anos após esta declaração, a obra do autor que revolucionou o teatro brasileiro continua causando polêmicas. Dito pelo não dito, vale a pena registrar que esta história poderá ter ainda muitos desdobramentos, que, talvez, não sejam tão rascantes como a obra do autor da “Vida como ela é’” devido a uma tendência do Executivo em não pormenorizar questões, principalmente, aquelas que envolvem descontentamentos e opiniões divergentes, mas é sempre bom lembrar de que não existe imoralidade maior que a ignorância.




















