Dilma mira nos médicos brasileiros, mas cospe contra o vento

Em sua coluna no último domingo (30/06), após ressalvar que aqueles, como a presidente Dilma Rousseff (PT), hoje se maquiam de “ex-combatentes da causa democrática”, na verdade “lutavam contra uma ditadura, em busca de outra”, nas décadas de 60 e 70 do século passado, o jornalista Elio Gaspari concluiu que tudo que fora publicado em seu espaço semanal de meia página, seria “de pouco valia se fosse comparado com o texto ‘O dia em que a presidente Dilma em dez minutos cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros’”. Publicado originalmente aqui, em 21 de junho, pela cirurgiã carioca Juliana Mynssen, na democracia irrefreável das redes sociais, seu testemunho já foi endossado por 63 mil pessoas, com direito a mais de mil comentários, antes de ser transcrito abaixo…

O dia em que a Presidenta Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros
Há alguns meses eu fiz um plantão que chorei. Não contei à ninguém (é nada fácil compartilhar isso numa mídia social). Eu, cirurgiã-geral, “do trauma”, médica “chatinha”, preceptora “bruxa”, que carrego no carro o manual da equipe militar cirúrgica americana que atendia no Afeganistão, chorei.

Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similir aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Esperou, esperou, e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse “não é para mim, é para o meu pai, uma maca”. Como eu faria. Como você. Como nós.

Pensei “meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu… Nãoooo….. Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui”.

E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina.

Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse “por que não me falou, levava no privado, Juliana!”

Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos.

Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: “e você confia?”.
“Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim”.

Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor.

Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.

Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.

Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso.

Não tenho palavras para descrever o que penso da “Presidenta” Dilma. (Uma figura que se proclama “a presidenta” já não merece minha atenção).

Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi.

A ouvi dizendo que escutou “o povo democrático brasileiro”. Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. “Qualidade”… Ela disse.

E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil….

Para melhorar a qualidade….?

Sra. “presidenta”, eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade.

Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade.

O dia em que a Sra. “presidenta” abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos.

Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência.

Somos quase 400mil, não nos ofenda. Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não. Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados.

Hoje, eu chorei de novo.

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Pressão popular pela moralidade faz Renan recuar e devolver R$ 32 mil

Para quem ainda acha, ou finge achar, que o Brasil ter saído às ruas, para exigir moralidade de seus representantes políticos, não valeu a pena, ou não gerou efeitos práticos, até nosso impoluto presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB/AL) se dobrou à pressão popular, recuou da sua empáfia inicial e anunciou hoje que vai devolver aos cofres públicos os R$ 32 milhões referentes à utilização de avião da Força Aérea Brasileira (FAB), no último dia 15 de junho, para uma viagem particular.

Leia abaixo a o trecho da reportagem do G1 (aqui, na íntegra) sobre o caso:

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou nesta sexta-feira (5) que devolverá aos cofres públicos R$ 32 mil referentes à viagem que fez em 15 de junho em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) entre Maceió, Porto Seguro e Brasília, “objeto de dúvidas levantadas pelo noticiário”, segundo nota assinada pela Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado.

No texto da nota, Renan não se manifestou sobre o motivo da viagem nem se viajou com acompanhantes. De acordo com o jornal “Folha de S.Paulo”, ele foi a Porto Seguro a fim de participar, em Trancoso (BA), da festa de casamento de uma filha do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), líder do governo no Senado. A assessoria de imprensa do Senado confirmou nesta sexta a informação do jornal.

Na quinta (4), ao ser indagado por jornalistas se pagaria pela viagem, o presidente do Senado respondeu: “Claro que não“. Ele também disse que usou o avião porque, como presidente do Senado, exerce um cargo de representação. “Deixa eu explicar. O avião da FAB usado por mim é um avião de representação. E eu o utilizei como tenho utilizado sempre, na representação como presidente do Senado”, declarou na ocasião.

O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) também usou um avião da FAB, para viagem de ida e volta com seis acompanhantes entre Natal e o Rio de Janeiro, entre os últimos dias 28 e 30 de junho. Nesse período, ele disse que teve encontro com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB-RJ) e assistiu à final da Copa das Confederações, entre Brasil e Espanha, no Maracanã. Depois da divulgação da viagem, Alves anunciou a devolução de R$ 9,7 mil, como valor equivalente ao preço das passagens em voo comercial.

Atualização às 16h29 para correção.

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Otimistas ao futuro por pessimistas ao passado, quem faz beicinho aos jovens na rua?

Jornalista e escritor Arthur Dapieve

Retomada de bola

Por Arthur Dapieve

Deixei de ganhar uma bolada em março. Enquanto se especulava sobre quem seria o sucessor de Bento XVI, eu torcia, quase rezava, por um papa argentino. Tivesse mais fé, e pecasse apostando, embolsaria o fruto de minhas preces. Nada contra os cardeais brasileiros — tenho certeza de que eles seriam, e eventualmente serão, ótimos papas — e sim contra o ufanismo que os botava nas alturas, barbadas no conclave.

Os jornais brasileiros só faltavam dizer que a chaminé do Vaticano iria inovar e soltaria fumaça verde e amarela quando os cardeais reunidos na Capela Sistina vissem a luz e elegessem um patrício nosso. Eu pensava “pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíadas, Jornada Mundial da Juventude e papa brasileiro?!” Seria uma congestão de patriotismo do tipo nunca-antes-na-história-deste-país. Não, por favor. Melhor um argentino.

O simpaticíssimo Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, saiu melhor que a encomenda. Um amigo tuitou que era a primeira vez que via as palavras “argentino” e “humilde” na mesma frase. Modéstia dele, que é argentino. Acho que você sabe que brasileiro é ridicularizado no resto da América Latina pela megalomania. Tudo aqui é o maior, o melhor, do mundo, da galáxia, “Obina joga mais do que Eto’o” levado a sério.

Dá para imaginar, portanto, a divisão dos meus sentimentos na Copa das Confederações, ainda mais na hora em que os gastos públicos com o futebol são mui justamente questionados nas ruas. Menos mal — na verdade, ótimo — que claro já estava que a galera não ia mais se deixar enganar pelo quique da bola. Como diria o pensador Luciano do Valle, “uma coisa é uma coisa e outra coisa, é outra coisa”. Tetra das Confederações? Beleza. Continuamos querendo prestação de contas, saúde, educação e transporte. Queremos ser tratados como cidadãos, não como meros torcedores.

No pontapé inicial da competição, eu declarava no botequim que estava indeciso entre a Itália, por razões familiares, e o Uruguai, por razões clubísticas. Na final, porém, a Patroa já estava me castrando no sofá: “Você está torcendo pelo Brasil!” Méritos de Felipão, que em pouco tempo montou uma equipe de marcação feroz e contra-ataque rápido. Pode-se não gostar do estilo de jogo, mas ela sobrou no torneio. Fred, os cabeças de área, a zaga, Júlio César e, afinal, Neymar foram muito bem com a amarelinha.

Também nunca me agradou o tal tique-taque espanhol, aquele joguinho de passes curtos e intermináveis. Parecia-me um amante que exagerasse nas preliminares e na hora de meter — a bola, a bola — para dentro já tivesse se desinteressado do esporte e fizesse o gol só para cumprir tabela. A estreiteza dos placares espanhóis atesta a falta de apetite da seleção que, um dia, numa galáxia distante, foi conhecida como “a Fúria”.

Na verdade, o tal tique-taque espanhol me parece uma versão emasculada do estilo de jogo do Barcelona, este sim vistoso e matador. A diferença, mais uma vez, está num argentino: Messi e sua vocação para (muitos) gols. Oxalá Neymar aprenda com o camisa 10 do Barça que pega mal cair em toda e qualquer disputa de bola. A encenação que ele fez pouco antes de ser substituído contra o Uruguai recordou-me aquele boato sobre o fim do Bolsa Família. Lembra? Em maio, o governo rolou no gramado segurando o tornozelo, acusou a oposição de sabotagem e, no final das contas, tinha apenas tropeçado nas próprias pernas burocráticas. Hoje não se fala mais disso.

Bem, o Brasil merecidamente ganhou. Contudo, fiel a meus princípios, acho que esta é a pior coisa que poderia ter-nos acontecido com vistas ao ano que vem. Não por nenhum tabu do tipo “seleção que leva as Confederações fracassa na Copa seguinte” e sim porque voltarão a bater forte os tambores do ufanismo, no peito da “pachecada”, dos publicitários, dos jornalistas e, claro, dos políticos. Estes, aliás, são craques em acreditar no marketing que pagam para criarem em torno deles mesmos. Não fosse assim não teriam sido pegos pelas manifestações com as cuecas na mão.

Dia desses, li algo bonito e interessante em “Marx estava certo”, do crítico cultural inglês Terry Eagleton, traduzido para a Nova Fronteira por Regina Lyra: “Theodor Adorno certa vez observou que os pensadores pessimistas (ele tinha em mente Freud, e não Marx) servem melhor à causa da emancipação humana do que os imaturamente otimistas, pois dão testemunho de uma injustiça que grita por redenção e que poderíamos, de outro jeito, esquecer. Ao nos recordar de quão ruins são as coisas, eles nos impelem a consertá-las. Eles nos impelem a dispensar o ópio.”

A indignação do último mês só pode ser “extraordinariamente otimista quanto ao futuro” — algo que Eagleton diz de Marx — porque é “extraordinariamente pessimista quanto ao passado”. O Brasil está mais maduro, ainda que certas pessoas em Brasília façam beicinho porque os jovens marcaram por pressão e retomaram a bola.

Publicado hoje, na edição impressa de O Globo.

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Sem medo da rainha Dilma, jovens das ruas querem distância do antigo PT

Jornalista e escritor Nelson Motta
Jornalista e escritor Nelson Motta

Os Jovens do Restelo

Por Nelson Mota

Há dois meses, a presidente Dilma comparava os que criticavam o governo ao Velho do Restelo, de Camões, como símbolo do derrotista agourento. Hoje a rainha está nua. E ninguém ousa lhe contar. O mito da grande gestora ruiu: como mostrou a reportagem de José Casado, seu governo não conseguiu gastar em 2012 nem metade das verbas do orçamento para Saúde, Educação e Transporte — o que desmoraliza qualquer gestão. E também é a prova cabal de que não falta dinheiro para investir, mas capacidade de usá-lo em benefício da população.

Com os assessores e aliados que tem, que se borram de medo dela, a presidente não tem pior adversário do que seu temperamento autoritário, mesmo sendo uma democrata. Um exemplo é a recente sugestão, crítica jamais, do ministro Gilberto Carvalho à presidente, em reunião ministerial para aplacar os protestos: “Temos que estar mais junto dos movimentos sociais. Esta meninada que está nas ruas antigamente estava com a gente. Não está mais.”

Por que será? rsrsrs

Uma pista: 74% dos petistas consultados pelo Datafolha são a favor da prisão imediata dos mensaleiros condenados. Eles também se sentem traídos. Como estar mais junto de movimentos sociais espontâneos, sem lideranças nem manadas domesticadas, que não podem ser cooptados com verbas e cargos? Será que ele não entendeu que as jovens multidões estão contra os privilégios, a corrupção e a incompetência dos governos, do PT e dos demais partidos? Ou tem medo de dizer e a rainha gritar “cortem-lhe a cabeça”?

Na mesma reunião, a ministra Maria do Rosário diagnosticou que “houve um afastamento do governo das demandas dos movimentos sociais. O governo está longe do PT antigo”.

Mas os movimentos sociais da ministra estão longe das ruas, não estão demandando nada além do de sempre, se contentam com verbas e afagos do ministro Gilberto. A UNE, os sindicatos amestrados e os movimentos sociais estatizados não estavam na rua. Quem estava eram os Jovens do Restelo, a classe média, a antiga e a nova, que paga a conta. Para eles, do PT antigo de Zé Dirceu, João Paulo e Genoino, quanto mais longe, melhor.

Publicado hoje na edição impressa de O Globo.

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Apertem os cintos — Governo Dilma programa radar para não enxergar mais o chão

Rogério Furquim Werneck, economista e professor da PUC-Rio
Rogério Furquim Werneck, economista e professor da PUC-Rio

Depois da queda

Por Rogério Furquim Werneck

Entre março e junho, a aprovação da presidente Dilma Rousseff caiu de 65% para 30%. Com o benefício da visão retrospectiva, pode-se dizer que o mais surpreendente não foi propriamente a extensão da queda e, sim, o fato de ela ter demorado tanto, tendo em vista o lamentável desempenho que o governo vem mostrando já há muitos meses.

Como bem notou José Roberto de Toledo, no “Estado de S. Paulo” de 1º de julho, a lógica dessa queda tão vertiginosa de aprovação parece análoga à das avalanches. Pouco a pouco, acumula-se enorme tensão na montanha. E, quando essa tensão afinal atinge um ponto crítico, basta um pequeno choque para que seja deflagrado gigantesco deslizamento.

Ao longo dos últimos 30 meses, vêm-se acumulando evidências de crescente descompasso entre promessas e realizações do governo Dilma Rousseff. Em meio a sinais inequívocos de inoperância, particularmente claros na calamitosa gestão dos programas de investimento público, o que se vê é crescimento econômico pífio, inflação estourando o teto da meta, contas públicas desacreditadas e contas externas cada vez mais desequilibradas.

O governo vinha alimentando a fantasia de que nada disso afetaria a aprovação da presidente, desde que a taxa de desemprego permanecesse baixa. E a aposta era a de que, não obstante toda a deterioração do quadro econômico, seria possível preservar o desemprego baixo até outubro de 2014. O Planalto agora se deu conta de que a travessia dos próximos 15 meses não vai ser tão fácil.

Porta-vozes do governo apressaram-se a lembrar que, logo após a eclosão do escândalo do mensalão, em 2005, a aprovação do ex-presidente Lula também chegou a nível tão baixo quanto o que hoje tem Dilma. E que isso não impediu sua reeleição em 2006.

Salta aos olhos que o paralelo não faz sentido. O que permitiu a Lula recuperar sua popularidade no fim do seu primeiro mandato foi o bom desempenho da economia. Dilma Rousseff não poderá contar com nada remotamente parecido. Muito pelo contrário. O mais provável é que o desempenho da economia nos próximos meses seja fator de agravamento da sua perda de popularidade.

Tudo indica que os segmentos mais lúcidos do governo já notaram que o que foi pretensiosamente rotulado de “nova matriz macroeconômica” redundou em retumbante fracasso. Mas a avaliação da cúpula do governo é que já não há mais tempo para uma “guinada” na política econômica. De um lado, porque, a esta altura, a admissão do fracasso seria muito custosa. De outro, porque os benefícios da “guinada” custariam muito tempo para se fazer sentir. Tendo em conta a proximidade da eleição, o governo parece convencido de que o máximo que poderá ser feito, agora, “é administrar a vantagem no braço e tentar chegar na frente” (“Estado”, 16/6).

Nesta semana, o Planalto deixou mais do que claro o quão longe está disposto a ir para “administrar no braço” a situação. Já sem qualquer preocupação com dissimulação, publicou decreto que amplia, de forma escancarada, as possibilidades de manipulação das contas fiscais, para geração de superávit primário fictício por meio da simples movimentação circular de recursos entre o Tesouro e o BNDES.

O artifício é uma espécie de pedra filosofal das finanças públicas, que supostamente transforma emissão de dívida pública em superávit primário. O Tesouro emite dívida e repassa os recursos ao BNDES, que, por sua vez, devolve os recursos ao Tesouro na forma de dividendos, propiciando aumento do superávit primário.

O problema é que essa mutreta estava restrita pelo montante de lucros do BNDES passíveis de serem distribuídos como dividendos. O novo decreto, um verdadeiro escárnio, simplesmente afrouxa essa restrição.

Trata-se de medida emblemática, porque evidencia de forma cabal a falta de seriedade da proposta de “pacto pela responsabilidade fiscal” feita pela presidente há poucos dias. É bom não ter ilusões. O que vem aí são 15 meses de mais do mesmo. Ou pior, de muito mais do mesmo. Apertem os cintos.

Publicado hoje, na edição impressa de O Globo.

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Trapalhadas do plebiscito revelam como governo Dilma está perdido

Jornalista e escritor Merval Pereira
Jornalista e escritor Merval Pereira

O fato e a versão

Por Merval Pereira

A mais recente trapalhada do Palácio do Planalto mostra bem como o governo Dilma está perdido na busca de aparentes respostas rápidas às manifestações populares. Depois de recuar em 24 horas da convocação de uma Constituinte exclusiva para realizar a reforma política, foram necessárias apenas quatro horas para que recuasse da realização do plebiscito para valer já em 2014 e voltasse atrás do recuo.

O vice-presidente Michel Temer, depois de se encontrar com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e Aloizio Mercadante, da Educação, que atualmente faz o papel de coordenador político do governo, foi claro em uma entrevista coletiva: “Não há mais condições — e vocês sabem disso — de fazer qualquer consulta antes de outubro. E, não havendo condições temporais para fazer essa consulta, qualquer reforma que venha só se aplicará para as próximas eleições, e não para essa”.

Essa é a verdade dos fatos, mas não a verdade que a presidente Dilma quer ouvir. Sentiu-se desprestigiada, como se tivesse autoridade legal para convocar um plebiscito, e exigiu uma retratação. Temer então soltou uma nota oficial da Vice-Presidência da República, afirmando que “o governo mantém a posição de que o ideal é a realização do plebiscito em data que altere o sistema político-eleitoral já nas eleições de 2014″.

Entre o ideal e o possível vai uma distância grande, neste caso pelo menos, mas salvou-se a honra da “soberana”, como o marqueteiro João Santana define a presidente Dilma Rousseff e ela, pelo visto, se sente como tal. Apegar-se à realização do plebiscito como se fosse a salvação da lavoura não passa de uma estratégia política para levar para longe do Palácio do Planalto as críticas das ruas.

Se é verdade que uma reforma política é necessária para que o Congresso reflita mais os anseios da cidadania, é mais verdade ainda que os temas principais das manifestações se referiam a melhorias de condições que dependem mais da ação eficiente do Governo do que de reformas políticas. O Executivo precisa se organizar de maneira a permitir maiores investimentos, e para isso necessita dar o exemplo: cortar custos, equilibrar suas contas, conter a inflação.

Sem esses pré-requisitos, não haverá melhoria da economia, que segue para o terceiro ano num ritmo de crescimento médio que já é o menor dos últimos 16 anos. O resto é jogada de marqueteiro para enganar os eleitores.

Publicado hoje na edição impressa de O Globo.

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Sem “bois de piranha”, “Cabruncos” ganharam em qualidade

“Cabruncos”: menos manifestantes, mais objetivos

Por Alexandre Bastos, em 03-07-2013 – 20h27

Luis Felipe Romano/ Facebook
Luis Felipe Romano/ Facebook

O número de “cabruncos” nas ruas hoje (ontem), cerca de 500, foi bem menor do que o da última grande manifestação (5 mil). Porém, analisando as postagens do blog “Opiniões” (aqui), é possível notar que apesar do movimento ter perdido em quantidade, ganhou em qualidade.

Além do apoio dos médicos, os “cabruncos” sabem que é impossível transformar anseios em ações apenas protestando nas ruas. Por isso,  o grupo vai ouvir diversos movimentos e elaborar uma pauta que será apresentada, na próxima terça-feira, ao presidente da Câmara de Campos, Edson Batista (PTB).

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A legítima defesa do tiro na nuca

Seja ao noticiário da Folha Online acerca da absolvição, ontem, por “legítima defesa”, do PM João Manoel Pereira Gandra, que desferiu primeiro um tiro na nuca, depois mais quatro na face de Natanael Odilon Pereira Silva, o “Natan”, que portava uma faca na cintura diante de uma boate na Pelinca, à qual tentava voltar após ter sido agredido fisicamente, mas sobretudo à opinião da jornalista Jane Nunes sobre o caso, este “Opiniões” assina embaixo, como já havia feito aqui, em 24 de maio de 2010, dia em que Natan foi assassinado…

Caso Natan: legítima defesa…

Por Jane Nunes, em 03-07-13 – às 19h24

O Policial Militar João Manoel Pereira Gandra, foi absolvido nesta tarde (03, ontem) pelo assassinado de Natanael Odilon Pereira da Silva (Natan). Natan foi morto em 24 de maio de 2010 (reveja ocaso aqui) em frente a uma boate na Avenida Pelinca, com cinco tiros que atingiram a nuca e a face. O primeiro deles teria sido disparado pelas costas e, os demais, depois que a vítima já estava caída ao chão .

Gandra é também suspeito de ter assassinado o jovem Romário Rangel Pessanha, de 20 anos, na localidade de Mussurepe no mesmo ano. Este crime ainda não julgado. Em 13 de dezembro de 2010, o juiz da 1ª Vara Criminal, havia decretado a prisão preventiva de Gandra. Na ocasião, ele chegou a se apresentar no 32º BPM, em Macaé, onde era lotado, e, em seguida, encaminhado para a 134ª DP, no Centro de Campos, onde os casos foram registrados.

Com informações da Folha da Manhã Online

Da blogueira — Foram três anos de sofrimento abrandado pela esperança de que a justiça fosse feita, mas é impossível crer que  para se defender de alguém que portava uma faca fosse preciso tiros na nuca e na face.

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“Não fique assim tão tensa, senta aqui”

Atendendo ao pedido feito aqui pelo leitor Branco Mello, depois do sucesso de ontem do Coquetel da Folha, dentro da maior tranquilidade e com outra trilha sonora, segue a canção de Fábio Jr. como sugestão ao repertório do cantor e compositor baiano Jota Leonni…

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Para sentar e relaxar, antes do Coquetel

Para sentar e relaxar antes do Coquetel da Folha, daqui a pouco, na Exposição Agropecuária, apesar de não ser muito do meu gosto, segue a canção do cantor e compositor baiano, radicado em Campos, Jota Leonni…

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Após reunir 500 pessoas, “Cabruncos”, médicos e catadores serão recebidos por Edson

Como já havia sido dito aqui, na reprodução do artigo publicado no último domingo na Folha, o esvaziamento da onda de protestos de rua em todo o país se refletiu também em Campos. Depois de levar cerca de três mil pessoas às ruas, na manifestação do dia 17, adesão popular que dobrou no segundo protesto, no dia 20,  o movimento “Cabruncos Livres”, hoje engrossado pelos médicos de Campos que saíram do Hospital Ferreira Machado (HFM), além dos ex-catadores de lixo da Codin, conseguiu  reunir cerca de 500 pessoas, que saíram da praça São Salvador em passeata até a Câmara de Vereadores. Lá, o presidente Edson Batista (PTB) propôs que uma comissão de cinco pessoas entrasse para levar a pauta de reivindicações. Como os manifestantes queriam que o presidente da Casa do Povo descesse às ruas para dialogar abertamente, a exemplo do que fez o prefeito de Macaé, Dr. Aluizio (PV), a proposta foi recusada.

Após negociações, ficou acordado que uma comissão de cinco pessoas de todos os movimentos será eleita no próximo sábado, dia 6, no auditório da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Campos, às 16h, quando também será estabelecida uma pauta comum de reivindicações. Essa comissão será então recebida por Edson, na Câmara, na próxima terça, dia 8, também às 16h.

O projeto inicial de caminhar até a Prefeitura de Campos foi deixado de lado, até para evitar confrontos com o grupo de 15 pessoas ligadas ao governo municipal, que monitorou todo o movimento.

Abaixo, os flashes das manifestações, sob o olhar dos repórteres-fotográficos Eduardo Prudêncio e Valmir Oliveira…

Atualização às 19h45: A partir das informações apuradas pelos jornalistas Mário Sérgio Junior e Gustavo Matheus.

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Wilson Baptista nas capas da Folha e do Globo

Ontem (02/06), ao abrir os dois jornais impressos que leio diariamente, deparei-me com a feliz surpresa da capa da Folha Dois e a do Segundo Caderno, de O Globo, com matéria tratando do mesmo tema: o centenário do compositor campista Wilson Batista  (1913/68), autor de inúmeros sucessos do cancioneiro nos anos 30, 40 e 60 do século passado. Na Folha, a matéria foi do Celso Cordeiro Filho, com charge do Marco Antônio Rodriguez. No Globo, a reportagem foi da Helena Aragão, com direito a artigo do João Máximo. Confira nas reproduções abaixo…

Capa de ontem da Folha Dois (clique na imagem para ampliá-la)
Capa de ontem do Segundo Caderno do Globo (clique na imagem para ampliá-la)
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