Octávio Carneiro trabalha para se manter líder na corrida por Quissamã
Líder até nas pesquisas governistas na corrida ao Executivo de Quissamã, o ex-prefeito Octávio Carneiro (PP) teria, segundo outra amostragem, feita em setembro, 45,2% das intenções de voto, seguido da candidata oficial, a vereadora petista Fátima Pacheco, com 24,9%, e do vereador Juninho Selem (PR), apoiado pelo deputado federal Anthony Garotinho, com 17%. Para consolidar essa liderança até a eleição de 2012, ele confirma que pessoas do seu grupo têm mantido contato com o também ex-prefeito e atual secretário de Educação do município Arnaldo Matoso (PMDB), não sem deixar de lembrar que os dois, concorrendo contra Armando Carneiro (PSC) em 2008, tiveram mais votos juntos do que o prefeito reeleito, fato até então inédito à oposição em Quissamã. Buscando contrariar os críticos que apontam sua suposta falta de articulação política, Octávio também disse trabalhar para ampliar sua base partidária, que hoje, além do PP, contaria também com o PSB, PPL e PV. Sobre esta última legenda, disse não se preocupar com a recente aproximação entre Garotinho e o verde Dr. Aluízio, também deputado federal e pré-candidato a prefeito em Macaé. No lugar da possibilidade de levar o PV à pré-candidatura de Juninho, ele prefere apostar nas chances de atrair para junto de si o PR.
Folha da Manhã – Na pesquisa do IBPS (aqui), feita em julho, que definiu a vereadora Fátima Pacheco como pré-candidata governista à Prefeitura, em detrimento do secretário de Educação Arnado Matoso, você ficou à frentede ambos nas consultas espontânea e estimulada, segundo admitiu o próprio prefeito Armando Carneiro. Ainda que ele não tenha divulgado seus números, estimula essa liderança numa pesquisa dos adversários?
Octávio Carneiro – Com certeza é um estímulo saber que venho liderando as pesquisas, mas estamos cientes que há um trabalho sendo realizado para consolidação desses índices. Não vi os resultados da pesquisa realizada pelo governo, porém tivemos acesso à pesquisa realizada no mês de setembro, onde foi confirmada a minha liderança com 45,2%, a candidata Fátima Pacheco (PT) com 24,9% e o Juninho (PR), com 17%. Mesmo com um bom percentual sei que a disputa será muito acirrada, acredito que a tendência é o crescimento do grupo daqui pra frente.
Folha – Armando também não revelou os números da sua rejeição, que no caso dos pré-candidatos do governo, serviram de fiel da balança na opção por Fátima. Sabe qual é hoje sua rejeição? Este índice poderá será o principal critério para definir o vencedor numa eleição que se anuncia tão acirrada?
Octávio – Nessa pesquisa (a de setembro) estou com rejeição de 8,9%, o Juninho com 27,9%, e a candidata do prefeito Armando, a vereadora Fátima, com 38,8%. Acho que será importantíssimo acompanhar esses índices, pois eles demonstram a capacidade do candidato em conquistar novos eleitores. Acreditamos que o fator rejeição seja importante, mas não é o único critério que irá definir a eleição.
Folha – Embora Armando e Fátima se esforcem em demonstrar uma unidade no grupo governista, confirmada publicamente até por Arnaldo (aqui), se comenta que este saiu contrariado por ser preterido. Acredita que o PMDB de Quissamã vai realmente se empenhar para eleger Fátima prefeita? Já manteve algum contato com Arnaldo após ele ter a candidatura descartada?
Octávio – Até o momento não sei qual o caminho do PMDB. Afirmar qualquer coisa agora seria mera especulação. Arnaldo e eu fomos adversários políticos durante alguns anos, mas hoje temos um bom relacionamento, estou aberto a novas alianças. Pessoas do meu grupo político têm conversado com ele e com outras lideranças do PMDB no município.
Folha – Como a candidatura do vereador Junhinho Selem, apoiado por outros dois edis e por Garotinho, pode interferir na disputa? Ele atrapalha mais a você ou a Fátima?
Octávio – Todos contam com seus aliados políticos, isso é parte natural do processo, mas certamente que sim. Na última eleição isso ficou muito claro, já que pela primeira vez em Quissamã a oposição obteve mais votos do que a situação, perdendo a eleição por estar dividida. Mas como a política é um processo democrático e dinâmico, acredito que a situação hoje é diferente, pois a rejeição ao atual governo é ainda maior.
Folha – Fátima tem o apoio de cinco vereadores, Juninho conta com dois, enquanto você, nenhum. Até que ponto isso dificulta?
Octávio – Evidente que o apoio de vereadores de mandato tem um peso nesse processo, porém hoje contamos com um grupo fortalecido e com o apoio dos ex-vereadores Ana Alice (PSB) e Marcelo Batista (PV), que tiveram uma votação expressiva no último pleito e são políticos de grande expressão na cidade, além de várias lideranças locais que concorreram ao Legislativo. Mas conto mesmo é com o povo, pois é quem decide a eleição.
Folha – E como está a nominata à Câmara? Em 2008, a diferença no número e na força entre os candidatos a vereador que lhe deram apoio e os que ajudaram a eleger Armando não foi uma das causas da sua derrota?
Octávio – Nesta eleição até o momento estamos com o PP, PSB, PV e PPL. Acredito que, na eleição de 2008, a falta de tempo para articulação foi o principal motivo, pois decidi vir candidato só em março daquele ano e com apenas quatro candidatos a vereador. O cenário hoje é totalmente diferente, estou tendo mais tempo para as articulações. Já contamos com mais de 40 pré-candidatos e estamos conversando com outros partidos.
Folha – Seus críticos apontam a capacidade de articulação política como uma deficiência. Sem nenhum vereador eleito a lhe apoiar, isso não confirma essa visão?
Octávio – Não, hoje já somos quatro partidos e acredito que outros virão. Como todos sabem, é muito fácil articular com a máquina do governo na mão, isso acontece aqui co-mo em outros municípios. Das seis eleições que participei, ganhei cinco, portanto acredito que isso faz de mim um bom articulador. Hoje recebemos essa crítica do próprio governo, composto por pessoas que nunca fizeram parte da oposição.
Folha – Até que ponto está certo quem afirma que Armando, seu primo e ex-secretário de Agricultura e de Governo, mas hoje prefeito e opositor, era o principal articulador do seu grupo político, gerando a deficiência na função desde que vocês dois romperam, em 2007, para sair ambos candidatos a prefeito em 2008? Até pelo parentesco, é uma ruptura irreversível?
Octávio – A articulação política sempre contemplou as idéias de um grupo e não exclusivamente as de Armando, pois tudo sempre foi conduzido de forma democrática e com a presença de autoridade, não de autoritarismo, como percebemos hoje. Bem antes de ingressar na vida política, eu já recebia deputados, senadores e governadores em minha casa, para defender os interesses de Quissamã, enquanto ainda era distrito de Macaé. Nesta época, Armando ainda frequentava os bancos escolares. Se observarmos bem o governo de Armando e os últimos acontecimentos da cidade, fica claro a falta de comando e articulação dele. Avalio a ruptura política com ele irreversível sim, pois não conjugamos mais as mesmas idéias.
Folha – Outra que começou na vida pública com você foi a própria Fátima, como secretária de Ação Social. Indagada sobre isso, a vereadora disse aqui: “somos uma cidade que quer olhar o futuro, pois está na hora de falar de projetos, pensando no século 21”. Mesmo quando sutil, como reage à menção à sua idade? E como projeta o futuro do município, sobretudo em relação ao Complexo Logístico de Barra do Furado, programado para entrar em atividade daqui a um ano e meio?
Octávio – Quanto a minha idade, sinto muito orgulho, pois trago uma experiência que só vai contribuir para o crescimento de Quissamã, conforme foi demonstrado em minhas administrações. Todos os projetos em andamento hoje no município foram implantados no meu governo. Tenho disposição de sobra para mais uma vez servir à Quissamã, estive prefeito do município por 11 anos, administrei com e sem royalties, e Quissamã sempre cresceu com destaque na região. O município caminha para um futuro com novas expectativas, com os empreendimentos em Barra do Furado, um sonho antigo que começou no meu governo, e estaremos prontos para trabalhar sob esse novo cenário, visando o desenvolvimento e as oportunidades de geração de emprego e renda para nossa população. Esse será o início de um novo ciclo no nosso município, gerando emprego e renda sem a dependência dos royalties, com muito planejamento. Espero dotar o município de infra- estrutura para acompanhar o grande crescimento que está por vir, bem como capacitar a nossa população para as oportunidades de emprego que serão gerados pela iniciativa privada em todas as fases do projeto. Acreditamos na força das novas idéias e nos empreendimentos que alavanquem o progresso, pois é através deles que geramos as oportunidades para a absorver a mão-de-obra da nossa juventude e ao mesmo tempo possibilitar avanços nas áreas de cultura, educação e lazer.
Folha – Armando, Arnaldo e Fátima foram lançados à vida pública em suas administrações. Incomoda que a maioria dos seus principais opositores sejam ex-aliados?
Octávio – Não, na política enfrentamos esse tipo de situação sempre. Como fui o primeiro prefeito de Quissamã, todos que fazem parte do cenário político local já foram meus adversários ou aliados, já que isso faz parte de um processo democrático. Caminhamos em sintonia com a população e seus anseios e nossa preocupação é mostrar nossas idéias e projetos para o município. Sempre houve respeito com meus adversários e não há porque mudar isso agora.
Folha – No caso da coligação com o PV, preocupa a aproximação recente entre os deputados federais Garotinho e Dr. Aluízio? Sendo o último pré-candidato verde à Prefeitura de Macaé, isso não poderia levar o partido, na vizinha Quissamã, para o colo de Juninho?
Octávio – A coligação já existe, visto que a maioria dos integrantes do PV sempre foram companheiros de luta, inclusive no pleito passado. Hoje o PV é presidido pelo ex-vereador Marcelo Batista, o que traz tranquilidade na negociação até mesmo junto ao deputado Federal Dr. Aluízio, o que nós faz crer que não há possibilidade de racha. O Dr.Aluízio é um grande amigo e estamos sempre juntos. No sentido oposto ao da pergunta, espero até que esta aproximação possa trazer o PR para o diálogo.
Folha –Em 2008, seus votos não foram computados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em virtude de uma condenação no Tribunal de Contas do Estado (TCE), por conta de uma subvenção para uma associação de moradores, no ano administrativo de 2003. Como está sua situação jurídica para que o mesmo não se repita em 2012?
Octávio – Acho bom esclarecer essa questão de uma vez por todas. Em primeiro lugar o TCE é um órgão fiscalizador e não faz parte do Judiciário. Esse processo foi arquivado com comprovação de boa fé e sem dano ao erário, não gerando nem mesmo multa. Estou apto a concorrer a qualquer cargo, já que não tenho nenhuma condenação em nenhuma instância do Judiciário.
Folha – Em caso de impossibilidade jurídica, poderia lançar a prefeito os ex-vereadores Marcelo Batista ou Ana Alice? Algum deles tem chance de ser seu vice?
Octávio – Não trabalho com essa possibilidade, mas não teria problema nenhum em apoiar um dos dois. Quanto à composição de chapa, claro que sim, os dois sempre estiveram ao meu lado e são pessoas capacitadas e de minha inteira confiança, mas estamos aguardando uma melhor definição do cenário político.







