Andral: “O fisiologismo político existe e é generalizado em Campos!”

“Acho que essa posição do bispo é uma das coisas mais interessantes que aconteceu na política de Campos. Aplaudo a coragem dele, seu senso de civismo. E isso revigora a atividade política, sobretudo daqueles que pensam em caminhar diferente. Eu fico entusiasmado e acho que essa deve ser a mesma reação das pessoas de bem desta cidade”. Foi assim que o advogado e presidente municipal do PV, Andral Tavares Filho, reagiu à proposta do novo bispo católico, Dom Roberto Ferrería Paz, que em matéria publicada na edição impressa da Folha do último domingo, pregou uma posição mais ativa da Igreja Católica, em relação às eleições de 2012, diante do fisiologismo que entende como generalizado na política do município.

Se Dom Roberto (aqui) e o cientista político Hugo Borsani (aqui) enxergam indícios desse fisiologismo político em Campos, Andral tem absoluta certeza:

— Não tenho nenhuma dúvida: existe e é generalizado. E é por isso que a gente está nesta luta. Para combater essa prática na política do nosso município, é preciso fazê-lo de dentro. A gente olha isso se repetir, eleição após eleição, e fica até apavorado. É isso que tira a  vontade das pessoas dignas de entrarem na política. É desanimador, é frustrante.

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Sérgio Diniz: “Voto, em Campos, é mercadoria cara”

“Costumo dizer as meus alunos que o voto no Brasil e em Campos, talvez de uma maneira especial, é uma mercadoria, uma mercadoria cara, da qual não se tem certeza da entrega e não há Procon que dê jeito”. Foi o que acabou de dizer ao blogueiro, por telefone, o professor  Sérgio Diniz, pré-candidato do PPS à Prefeitura em 2012 e lembrado por muita gente como o último político a conquistar mandato em Campos (de vereador, em 2000) sem apelar ao fisiologismo.

Com a experiência de quem já disputou cinco eleições no município, incluindo a última, em 2010, quando perdeu a corrida para deputado federal, Diniz concorda com a visão de indícios de fisiologismo generalizado na prática política de Campos, identificados aqui pelo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz e, aqui, pelo cientista político Hugo Borsani. Diante deste quadro, na condição também de católico praticante, Sérgio aprova a postura de enfrentamento da Igreja Católica, proposta pelo bispo para as eleições municipais de 2012:

— O Cristo dos Evangelhos, do Novo Testamento, é essencialmente agressivo na defesa dos excluídos, dos explorados, dos pobres. A Igreja seguiu este caminho em seus três primeiros séculos de vida, embora depois tenha se perdido no processo histórico. A partir do Concílio Vaticano II (aberto em 1961), das encíclicas sociais do papa João XXIII, encontramos uma correção de rumo, visando reencontrar esse cristianismo de base. Neste sentido, a fala do bispo é muito importante, uma vez que as injustiças sociais têm sua origem nas injustiças institucionais.Vejo isso com muita esperança, porque Campos precisa ser despetada, de uma maneira que talvez só uma liderança religiosa, independente da sua denominação, possa fazer — pregou Diniz.

Ele só discorda das declarações de Dom Roberto em relação à ausência de quadros éticos na cidade para se reverter seu atual cenário político. Sem se colocar ou nominar o rol das alternativas, para Sérgio, “é exatamente esse fisiologismo que tira o ímpeto dos homens de bem de se colocarem à disputa de cagos públicos. Estamos nessa disputa, que precisa ser estimulada, para mudar essa realidade. E há quadros, sim, em Campos para isso”, concluiu.

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Uruguaios nos ensinam a jogar futebol com seriedade e fazer política com ética

 

 

 

Pela fé expressa em conceitos morais de conduta, ou pela ciência política que analisa nossa conduta enquanto tribo, o bispo Dom Roberto Ferrería Paz (aqui) e o professor Hugo Borsani (aqui) chegaram à mesma conclusão que todos os campistas já deveriam ter elaborado por conta própria, há muito tempo: tudo indica que nosso processo político, independente dos lados, está corrompido de corpo e alma pelo fisiologismo. 

Omissões goitacá à parte, não deixa de ser curioso notar que tanto o sacerdote, quanto o cientista, são uruguaios.

Parece que depois de nos mostrarem, na Copa do Mundo da África do Sul e na Copa América da Argentina, como se joga futebol com seriedade, os uruguaios agora nos ensinam como fazer política com ética. E o pior é que, em ambos os casos, merecemos as lições.

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Dr. Aluízio solta nota sobre suposto desvio e verbas da região serrana

À notícia da suposta particpação do deputado federal Dr. Aluízio (PV), em desvio de verbas federais no auxílio à regiao serrana arrasada pelas chuvas de janeiro último, que o Christiano Abreu Barbosa divulgou aqui, em seu Ponto de Vista, o médico e parlamentar de Macaé acabou de soltar aqui, em seu blog, a nota de esclarecimento transcrita abaixo…

 

Nota de

Esclarecimento —

Dr. Aluízio esclarece

informações erradas

na internet

 

 O deputado federal Dr. Aluizio (PV-RJ) esclarece que não participou de reuniões na Prefeitura de Teresópolis, conforme divulgado pela coluna Radar do portal da revista Veja, de Lauro Jardim. O deputado, assim como outros parlamentares, visitou os municípios da Região Serrana, devastados pela tragédia do dia 12 de janeiro, onde ofereceu apoio aos prefeitos para a reconstrução das cidades. É fato que o parlamentar esteve no prédio da Prefeitura de Teresópolis, onde conversou com o prefeito, mas não participou de nenhuma reunião.

O trecho abaixo é do depoimento do Sr. José Ricardo de Oliveira à CPI da Região Serrana na Alerj, no dia 12 de agosto, no qual declara que o deputado federal não esteve presente em reuniões em Teresópolis.

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Professor da Uenf vê fisiologismo político em Campos e reação ativa dos católicos

Professor da Uenf, o cientista politico Hugo Borsani é uruguaio, mas tem uma visão bem diferente da Campos enxergada pelo vereador e bispo da Universal Vieira Reis (PRB), no que se refere ao fisiologismo político local indentificado pelo novo bispo católico da cidade, Dom Roberto Ferrería Paz:

— O que o bispo católico diz me parece bastante compatível, com processos na Justiça por compra e voto de um lado e do outro, indicando que esse fisiologismo existe. E isso é perceptível em quase todos os setores da opinião pública da cidade — diagnosticou o professor.

Por outro lado,  pelo que Dom Roberto disse na entrevista, ainda não está claro de que forma a Igreja Católica vai atuar contra essa prática:

— Pelo que ele disse na matéria, ainda não dá para saber a dimensão da interferência católica no processo eleitoral, se eles vão indicar propostas e nomes mais ou menos compatíveis com determinados princípios éticos. Mas uma coisa parece clara: a Igreja não vai ser mais mera especatadora. Esta me parece ser a mensagem. Os candidatos e as propostas ainda não estão definidos, mas parece definida a posição da Igreja Católica em Campos: “Não vamos mais ser passivos”. O que resta definir é em que grau será essa participação — ponderou Borsani.

 

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Vereador e bispo da Universal analisa posição política do novo bispo católico

Diferente do que disse no novo bispo católico de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz, em entrevista feita pelo jornalista Alexandre Bastos e publicada na edição da Folha do último domingo, o vereador e bispo da Igreja Universal Vieira Reis (PRB) não reconhece no município a  generalização de um fisiologismo desatrelado de princípios e valores nas representações políticas:

— Nesse ponto, tenho que discordar. A política em Campos não é mais como antigamente, em todos os níveis, Executivo e Legislativo. A cidade hoje tem uma outra cara, na saúde, na educação, no asfaltamento, no saneamento básico, na construção e reforma de escolas e creches. A Câmara, em relação às legislaturas passadas, tem hoje uma nova dinâmica — garantiu o parlamentar governista.

Vieira, no entanto, criticou a postura de alguns colegas de Legislativo. Sem citar nomes, ele disse que o comportamento daqueles que faltam as sessões ou não ficam até o seu final, não obedecem ao prinicípio cristão do compromisso com o próximo e a coletividade: “nem com a população, nem com seus próprios eleitores”, alfinetou.

O vereador vê como normal o posicionamento de Dom Roberto, ao apontar, enquanto líder religioso, alguns valores éticos  que os católicos deveriam buscar em seus candidatos. “Mas desde que isso não se torne pregação a favor de nomes ou partidos, e que a campanha política não entre dentro da igreja”, frisou.

Vieira garantiu ainda que sua Igreja Universal, conhecida em todo o Brasil por sua forte atuação política, não seguirá o novo discurso católico de Campos para as eleições de 2012:

— A Universal não vai dar nenhum tipo de orientação. Nossa igreja vai deixar seu rebanho livre para tomar sua decisão. Só vamos pregar a conscientização na hora ir às urnas, sem voto de cabresto ou comprado.

 

Atualização às 23h13: Aqui, no Blog do Bastos, o pastor batista e ex-deputado federal Éber Silva e o babalorixá Vavá de Odé também opinaram sobre as declarações políticas do novo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz.

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Ponto final no que a inveja gerou (e ainda vai gerar)

Seguindo o conselho dado aqui pela leitora Isabel, o blogueiro põe fim a um debate velado, desinteressante e menor, que pelo baixo número de acessos gerados pelos posts relativos, passou ao largo da grande maiora dos leitores deste blog. Como ponto final apropriado à assunção da inveja alheia, segue abaixo mais uma edição da série “recordar é viver”…

 

Invejoso

Por Aluysio, em 06-10-2010 – 21h07

Um dos letristas da Música Popular Brasileira que fez com maior sucesso a transição à poesia literária, chegando a faturar o conceituado Prêmio Jabuti, em 1993, com o livro “As Coisas”, o ex-titã Arnaldo Antunes não chega a ser um Shakespeare, mas deixou em letra e música uma precisa descrição do monstro da inveja…

 

 

Invejoso

O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente

E quando encontra o seu colega de trabalho
Só pensa em quanto deve ser o seu salário
Queria ter a secretária do patrão
Mas sua conta bancária já chegou no chão

Na hora do almoço vai pra lanchonete
Tomar seu copo d’água e comer um croquete
Enquanto imagina aquele restaurante
Aonde os outros devem estar nesse instante

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

Depois você caminha até a academia
Sem automóvel e também sem companhia
Queria ter o corpo um pouco mais sarado
Como aquele rapaz que malha do seu lado

E se envergonha de sua própria namorada
Achando que os amigos vão fazer piada
Queria uma mulher daquelas de revista
Uma aeromoça, uma recepcionista

E quando chega em casa liga a tevê
Vê tanta gente mais feliz do que você
Apaga a luz na cama e antes de dormir
Fica pensando o que fazer pra conseguir

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

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Pais e filhos nos poemas de domingo

Neste domingo dia dos pais, seguem abaixo três poemas, os dois primeiros de autoria do blogueiro, respectivamente para o pai e o filho. O primeiro (“Dom Casmurro”), escrito por um filho adolescente; o segundo (“ícaro voador”), feito para um filho com exatos quatro meses de vida. 

Já o terceiro (“Cântico do Calvário”) serve como espírito santo na lavra do meu conterrâneo romântico Fagundes Varela (1841/1875), contemporâneo a quem Castro Alves (1847/1871) mais admirou, feito em memória do filho morto, perda que conduziu também o poeta à morte precoce. Mais do que a tristeza lancinante dos versos, que li pela primeira com a visão embotada em lágrimas, trata-se para mim da melhor evidência literária do amor incondicional de um pai, pelo qual todos deveriam ser lembrados neste e nos outros dias…

 

Dom Casmurro

 

Lá vai ele,

Lamentando do ser e do estar:

“Oh! Dia! Oh! Vida! Oh! Azar!”

 

Lá vai ele,

Pernas fortes, passos curtos,

Jade nos olhos, miúda estatura,

Tomar o seu cafezinho no Boulevard.

 

Lá vai ele,

Levando seu inseparável cigarro entre os dedos,

Escassos cabelos revoltos na fronte,

Um colo escondido no bolso da calça caída,

Um afago oculto sob a La Coste poída

E um conselho ponderado sei lá de onde.

 

Lá vai ele,

Meu adorável Dom Casmurro,

Trajando a sisuda carapaça da esfinge,

Guardiã eterna da singeleza de um menino

Que nunca soube elaborar charadas,

Tampouco devorar ninguém.

 

 

ícaro voador

 

na descoberta do eixo

ele gira seu pequeno corpo

busca com os olhos

me identifica neles

simula espanto

e ri

ri estridente como os anjos

agita seus bracinhos morenos

bate palmas

e leva as mãos à boca

escancarada em riso

desdentada e ávida de gostos

 

eu, que nunca cri

ser motivo de tanta alegria

por estar ao lado de alguém

percebo meu choro

no reflexo dos seus olhos

 

cambuci, 15/11/99 

 

 

Cântico do Calvário

(À memória de meu Filho morto a 11 de dezembro de 1863)

 

Eras na vida a pomba predileta

Que sobre um mar de angústias conduzia

O ramo da esperança. Eras a estrela

Que entre as névoas do inverno cintilava

Apontando o caminho ao pegureiro.

 

Eras a messe de um dourado estio.

Eras o idílio de um amor sublime.

Eras a glória, a inspiração, a pátria,

O porvir de teu pai! — Ah! no entanto,

Pomba, — varou-te a flecha do destino!

 

Astro, — engoliu-te o temporal do norte!

Teto, — caíste! — Crença, já não vives!

Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,

Legado acerbo da ventura extinta,

Dúbios archotes que a tremer clareiam

A lousa fria de um sonhar que é morto!

 

Correi! um dia vos verei mais belas

Que os diamantes de Ofir e de Golconda

Fulgurar na coroa de martírios

Que me circunda a fronte cismadora!

São mortos para mim da noite os fachos,

Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas,

E à vossa luz caminharei nos ermos!

 

Estrelas do sofrer, gotas de mágoa,

Brando orvalho do céu! Sede benditas!

Oh! filho de minh’alma! Última rosa

Que neste solo ingrato vicejava!

Minha esperança amargamente doce!

 

Quando as garças vierem do ocidente

Buscando um novo clima onde pausarem,

Não mais te embalarei sobre os joelhos,

Nem de teus olhos no cerúleo brilho

Acharei um consolo a meus tormentos!

 

Não mais invocarei a musa errante

Nesses retiros onde cada folha

Era um polido espelho de esmeralda

Que refletia os fugitivos quadros

Dos suspirados tempos que se foram!

 

Não mais perdido em vaporosas cismas

Escutarei ao pôr-do-sol, nas serras,

Vibrar a trompa sonorosa e leda

Do caçador que aos lares se recolhe!

Não mais! A areia tem corrido, e o livro

De minha infanda história está completo!

 

Pouco tenho de andar! Um passo ainda

E o fruto de meus dias, negro, podre,

Do galho eivado rolará por terra!

Ainda um treno, e o vendaval sem freio

Ao soprar quebrará a última fibra

Da lira infausta que nas mãos sustenho!

 

Tornei-me o eco das tristezas todas

Que entre os homens achei! o lago escuro

Onde o clarão dos fogos da tormenta

Miram-se as larvas fúnebres do estrago!

Por toda a parte em que arrastei meu manto

Deixei um traço fundo de agonias!…

 

Oh! quantas horas não gastei, sentado

Sobre as costas bravias do Oceano,

Esperando que a vida se esvaísse

Como um floco de espuma, ou como o friso

Que deixa n’água o lenha do barqueiro!

 

Quantos momentos de loucura e febre

Não consumi perdido nos desertos,

Escutando os rumores das florestas,

E procurando nessas vozes torvas

Distinguir o meu cântico de morte?

 

Quantas noites de angústias e delírios

Não velei, entre as sombras espreitando

A passagem veloz do gênio horrendo

Que o mundo abate ao galopar infrene

Do selvagem corcel!… E tudo embalde!

 

A vida parecia ardente e doida

Agarrar-se a meu ser!… E tu tão jovem,

Tão puro ainda, ainda n’alvorada,

Ave banhada em mares de esperança,

Rosa em botão, crisálida entre luzes,

Foste o escolhido na tremenda ceifa!

 

Ah! quando a vez primeira em meus cabelos

Senti bater teu hálito suave:

Quando em meus braços te cerrei, ouvindo

Pulsar-te o coração divino ainda;

Quando fitei teus olhos sossegados,

Abismos de inocência e de candura,

E baixo e a medo murmurei: meu filho!

 

Meu filho! Frase imensa, inexplicável,

Grata como o chorar de Madalena

Aos pés do Redentor… ah! pelas fibras

Senti rugir o vento incendiado

Desse amor infinito que eterniza

O consórcio dos orbes que se enredam

Dos mistérios do ser na teia augusta

Que prende o céu à terra e a terra aos anjos!

 

Que se expande em torrentes inefáveis

Do seio imaculado de Maria!

Cegou-me tanta luz! Errei, fui homem!

E de meu erro a punição cruenta

Na mesma glória que elevou-me aos astros,

Chorando aos pés da cruz, hoje padeço!

 

O som da orquestra, o retumbar dos bronzes,

A voz mentida de rafeiros bardos,

Torpe alegria que circunda os berços

Quando a opulência doura-lhes as bordas,

Não te saudaram ao sorrir primeiro,

Clícia mimosa rebentada à sombra!

 

Mas, ah! se pompas, esplendor faltaram-te,

Tiveste mais que os príncipes da terra!

Templos, altares de afeição sem termos!

Mundos de sentimento e de magia!

Cantos ditados pelo próprio Deus!

 

Oh! quantos reis que a humanidade aviltam,

E o gênio esmagam dos soberbos tronos,

Trocariam a púrpura romana

Por um verso, uma nota, um som apenas

Dos fecundos poemas que inspiraste!

Que belos sonhos! Que ilusões benditas!

 

Do cantor infeliz lançaste à vida,

Arco-íris de amor! luz da aliança,

Calma e fulgente em meio da tormenta!

Do exílio escuro a cítara chorosa

Surgiu de novo e às virações errantes

 

Lançou dilúvios de harmonia! O gozo

Ao pranto sucedeu. As férreas horas

Em desejos alados se mudaram.

Noites fugiam, madrugadas vinham,

Mas sepultado num prazer profundo

Não te deixava o berço descuidoso,

Nem de teu rosto meu olhar tirava,

Nem de outros sonhos que dos teus vivia!

 

Como eras lindo! Nas rosadas faces

Tinhas ainda o tépido vestígio

Dos beijos divinais, — nos olhos langues

Brilhava o brando raio que acendera

A bênção do Senhor quando o deixaste!

 

Sobre teu corpo a chusma dos anjinhos,

Filhos do éter e da luz, voavam,

Riam-se alegres, das caçoilas níveas

Celeste aroma te vertendo ao corpo!

 

E eu dizia comigo: — teu destino

Será mais belo que o cantar das fadas

Que dançam no arrebol, — mais triunfante

Que o sol nascente derribando ao nada

Muralhas de negrume!… Irás tão alto

Como o pássaro-rei do Novo Mundo!

 

Ai! doido sonho!… Uma estação passou-se

E tantas glórias, tão risonhos planos

Desfizeram-se em pó! O gênio escuro

Abrasou com seu facho ensangüentado

Meus soberbos castelos. A desgraça

Sentou-se em meu solar, e a soberana

Dos sinistros impérios de além-mundo

Com seu dedo real selou-te a fronte!

 

Inda te vejo pelas noites minhas,

Em meus dias sem luz vejo-te ainda,

Creio-te vivo, e morto te pranteio!…

Ouço o tanger monótono dos sinos,

E cada vibração contar parece

As ilusões que murcham-se contigo!

 

Cheias de frases pueris, estultas,

O linho mortuário que retalham

Para envolver teu corpo! Vejo esparsas

Saudades e perpétuas, sinto o aroma

Do incenso das igrejas, ouço os cantos

Dos ministros de Deus que me repetem

Que não és mais da terra!… E choro embalde.

 

Mas não! Tu dormes no infinito seio

Do Criador dos seres! Tu me falas

Na voz dos ventos, no chorar das aves,

Talvez das ondas no respiro flébil!

Tu me contemplas lá do céu, quem sabe?

No vulto solitário de uma estrela.

 

E são teus raios que meu estro aquecem!

Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!

Brilha e fulgura no azulado manto,

Mas não te arrojes, lágrima da noite,

Nas ondas nebulosas do ocidente!

 

Brilha e fulgura! Quando a morte fria

Sobre mim sacudir o pó das asas,

Escada de Jacó serão teus raios

Por onde asinha subirá minh’alma.

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Pagamento aos hospitais — Porque, quando sai na Folha, a coisa acontece!

O secretário de Saúde Paulo Hirano, negou na edição impressa de hoje de O Diário e em seu recém-lançado blog pessoal (aqui), que a Prefeitura de Campos não estava devendo repasses no valor de R$ 5,8 milhões aos cinco hospitais conveniados do município. O fato é que desde a quinta-feira, apenas um dia após a Folha revelar o montante da dívidas pelos serviços prestados por Santa Casa de Misericórdia (R$ 2.212.232 milhões), Álvaro Alvim (R$ 730.071 mil), Beneficiência Portuguesa (R$ 291.628 mil), João Viana (R$ 116 mil) e Plantadores de Cana (R$ 2.051.642 milhões), os atrasados começaram a ser pagos. Até o dia de hoje, R$ 3.157.678 milhões já haviam sido repasados aos hospitais, que ainda têm R$ 2.643.895 milhões a receber.

Apesar de negada publicamente, a inquestionável reação do governo Rosinha é uma característica positiva, quando comparada à certa indiferença às denúncias que caracterizou as gestões de Alexandre Mocaiber e Arnaldo Vianna. Diante disso, é mais ou menos como me saudou o jornalista Joca Muylaert, há pouco menos de um ano, quando nos encontramos por acaso na Toca dos Amigos, após este blog (aqui) e a Folha terem aderido à campanha então lançada por ele pela eleição direta à Prefeitura de Campos, diante da ameaça do novo pleito que chegou a ser marcado durante a cassação de Rosinha (depois revertida) ficar apenas restrito ao voto dos vereadores: “Quando sai na Folha, a coisa acontece!”

Neste trabalho de agora, que em jornalismo é sempre coletivo, por Folha entenda-se as repórteres Fernanda Moraes (incansável) e Rosi Santos, o editor de Geral Thiago Freitas, o editor de Arte Eliabe de Souza (o Cássio Jr.), o editor geral Luiz Costa; toda a redação enfim, que, direta ou indiretamente, proporcionou dias melhores não só aos milhares de doentes de Campos atendidos pelo SUS, mas às centenas de profissionais de Saúde que trabalham nesses cinco hospitais e agora começam a ter como pagar suas contas.

Como diz o slogan já balzaquiano do jornal: a diferença está na qualidade — de como um serviço é feito e de como ele é prestado à comunidade!  

Deste blogueiro e diretor de redação, ficam aqui registrados meus sinceros parabéns e o obrigado a todos!

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