Ponto final no que a inveja gerou (e ainda vai gerar)

Seguindo o conselho dado aqui pela leitora Isabel, o blogueiro põe fim a um debate velado, desinteressante e menor, que pelo baixo número de acessos gerados pelos posts relativos, passou ao largo da grande maiora dos leitores deste blog. Como ponto final apropriado à assunção da inveja alheia, segue abaixo mais uma edição da série “recordar é viver”…

 

Invejoso

Por Aluysio, em 06-10-2010 – 21h07

Um dos letristas da Música Popular Brasileira que fez com maior sucesso a transição à poesia literária, chegando a faturar o conceituado Prêmio Jabuti, em 1993, com o livro “As Coisas”, o ex-titã Arnaldo Antunes não chega a ser um Shakespeare, mas deixou em letra e música uma precisa descrição do monstro da inveja…

 

 

Invejoso

O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente

E quando encontra o seu colega de trabalho
Só pensa em quanto deve ser o seu salário
Queria ter a secretária do patrão
Mas sua conta bancária já chegou no chão

Na hora do almoço vai pra lanchonete
Tomar seu copo d’água e comer um croquete
Enquanto imagina aquele restaurante
Aonde os outros devem estar nesse instante

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

Depois você caminha até a academia
Sem automóvel e também sem companhia
Queria ter o corpo um pouco mais sarado
Como aquele rapaz que malha do seu lado

E se envergonha de sua própria namorada
Achando que os amigos vão fazer piada
Queria uma mulher daquelas de revista
Uma aeromoça, uma recepcionista

E quando chega em casa liga a tevê
Vê tanta gente mais feliz do que você
Apaga a luz na cama e antes de dormir
Fica pensando o que fazer pra conseguir

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

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Este post tem 8 comentários

  1. José Armando Barreto

    Me permita copiar pro Face. D+ Cs 2 !

  2. Aluysio

    Caro José Armando,

    Permissão concedida!!!… (rs)

    Abraço e grato pela colaboração!

    Aluysio

  3. Isabel

    “É nóis na fita!”
    Aluysio,
    Não foi exatamente o mesmo título da matéria de quando você ganhou o festival de poesia na Biblioteca Nacional, alguns anos atrás? Nossa, que fixação represada em você, ein?
    Mas o que esperar de diferente de alguém que só produz em poesia aqueles versos pobres, confessionais e depressivos, de autopiedade implorando pela pena e a aceitação do mundo, coisa típica dos adolescentes, mas anacrônica e decadente em quem já chegou na casa dos 40 anos, idade em que finalmente descobriu Dante e Leminski?
    Abçs

  4. Aluysio

    Cara Isabel,

    Se não me engano, vc está certa, a matéria daquele festival de poesia que ganhei no Rio, teve esse título sim. Parece que, além de vc, tem mais gente que não esqueceu… (rs)

    Abraço e grato pela lembrança!

    Aluysio

  5. ANDERSON

    Gente se o sujeito nao consegue deixar a inveja como é que quer fazer aguém acreditar que deixou todo seus outros vícios ?? Coitado!

  6. Aluysio

    Caro Anderson,

    Desde que não nos afete, os vícios dos outros são problemas deles.

    Abraço e grato pela colaboração!

    Aluysio

  7. Ericsson

    Aluisyo, esta música é a cara da maioria dos Campistas, nada fazem para melhorar a vida e passam os restantes dos seus dias invejando os que venceram com o suor do seu trabalho, sempre achando que alguém o ajudou, e te pedindo para dar os caminhos das pedras. Valeu….

  8. Aluysio

    Caro Ericsson,

    Valeu vc!

    Abraço e grato pela colaboração!

    Aluysio

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