Para Odete Rocha, só a Prefeitura interessa em 2012

Diferente da vereadora petista Odisséia Carvalho e do médico Makhoul Moussalém (ainda sem partido), a professora Odete Rocha não trabalha com a possibilidade de se candidatar à Câmara Municipal, como alternativa à eleição majoritária de 2012. Neste sentido, ela não confirmou, no entanto, as informações passadas aqui pelo jornalista e blogueiro Saulo Pessanha, dando conta de que, a partir de pesquisas, Sérgio Cabral (PMDB) já a teria escolhido como o nome de oposição com mais chances no enfrentamento contra a prefeita Rosinha (ainda no PMDB). Segundo Odete, isso teria que ser confirmado pelo próprio governador, em reunião com a Frente Democrática de Oposição anunciada aqui desde o dia 19 de julho, mas com data ainda a marcar. Com várias críticas à gestão Rosinha, a pré-candidata comunista aposta na busca, entre os próprios campistas, de uma equipe técnica para se governar melhor o município.

 

(Foto de Silésio Corrêa)
(Foto de Silésio Corrêa)

 

 

Folha da Manhã – Junto com a vereadora petista Odisséia Carvalho, você foi a integrante da Frente Democrática de Oposição mais presente nos encontros com lideranças no Rio de Janeiro. Quais foram os frutos reais das reuniões com o deputado André Corrêa (PPS), o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o deputado Paulo Melo (PMDB) e o presidente do PMDB Jorge Picciani?

Odete Rocha – Gostaria de ressaltar que a agenda realizada com essas lideranças do Estado tem um aspecto positivo na medida em que ficou clara a existência de uma oposição organizada em Campos, que discute um projeto em comum, mesmo dadas as diferenças na formação de cada partido, mas que vem discutindo um projeto consequente para uma cidade que daqui a algum tempo comportará um grau de desenvolvimento que, se não tratado com a devida justeza, terá desdobramentos imprevisíveis e até irreversíveis. Outro aspecto é que, na busca desses apoios, a Frente encontrou eco. E se houve eco é porque estamos no caminho certo.

 

Folha – Desde o encontro com Paulo Melo, foi anunciado um encontro com o governador Sérgio Cabral, ao qual seriam convidados todos os parlamentares fluminenses dos partidos que compõem a Frente. Por que ele ainda não foi marcado? Quando será?

Odete – Tudo que estava ao alcance da Frente Democrática nesse sentido foi feito, na medida que tomamos todos os encaminhamentos. Estamos aguardando que a reunião com o governador Sérgio Cabral aconteça o mais breve possível. Acreditamos que o encontro ainda não aconteceu por algum problema de agenda.

 

Folha – Na reunião com Picciani, ele limitou em três as candidaturas dos partidos que integram a Frente, para que estas pudessem contar com o apoio de Cabral. Concorda com esse limite? Como definir essas três candidaturas em comum acordo entre todas as legendas?

Odete – É importante salientar que a discussão do número de candidaturas partiu da Frente Democrática. Na reunião com Picciani, onde apresentamos uma pauta escrita, este ponto, de fato, cabia nela. O número de candidaturas da Frente Democrática faz parte de um debate político, de uma avaliação do quadro municipal, buscando não uma pulverização de votos, mas uma estratégia que nos conduza ao segundo turno. Como a decisão foi conjunta, fica claro que esse também é o nosso pensamento. O caminho que a Frente vem traçando é de ter parâmetros sobre o potencial de cada nome apresentado como pré-candidato. No nosso entender, o pragmatismo eleitoral vai apontar quem, de acordo com as pesquisas eleitorais, terá condições concretas de disputa.

 

Folha – Enquanto Rosinha esteve cassada e uma nova eleição chegou a ser marcada, você e o PV de Andral pareciam próximos da coligação. Agora, consta nos bastidores que os verdes terão candidatura própria à Prefeitura em 2012. Há ainda essa possibilidade de composição?

Odete – Olha, nós entendemos que política não caminha em linha reta. E até 2012 muita coisa pode acontecer. Respeitaremos as decisões do PV, mas confesso que ter o Andral caminhando ao nosso lado seria uma boa composição política.

 

Folha – Em entrevista ao blog Opiniões (aqui), republicada na Folha, o médico Makhoul Moussalem a elogiou e disse ver com bons olhos a possibilidade de vocês dois caminharem juntos em outro pleito, a exemplo do que já fizeram em 2006. Mesmo que Makhoul ainda não tenha se definido entre PMDB e PT, como enxerga essa alternativa?

Odete – Dr. Makhoul é para mim muito mais do que um aliado político. Com ele, caminhamos em 2006, e, em 2008, foi de extrema importância o apoio dele à nossa candidatura. Temos um diálogo franco e fraterno, conhecemos os limites um do outro, o que torna o caminho político mais fácil. Mas como ele ainda não definiu seu futuro político, seria prematuro da minha parte ter uma posição neste momento.

 

Folha – Assim como Odisséia e o próprio Makhoul deixaram a possibilidade em aberto, há chance de que você abra mão da disputa majoritária para concorrer à Câmara? Caso sejam mesmo aprovadas as 25 cadeiras na próxima Legislatura, como parece ser a vontade de Garotinho, seria uma disputa menos difícil? Qual número de vereadores você julga ideal para Campos?

Odete – Na nossa opinião, o aumento de cadeiras na Câmara, ao contrário do que possa parecer, tornará a disputa muito mais acirrada, visto que o número de candidatos será muito grande. Mas não é este desafio que nos afasta dessa possibilidade. Nossa candidatura se apresenta de forma natural, que vem sendo construída há algum tempo. As pesquisas apontam o acerto que há neste processo de construção.

 

Folha – Quer você concorra ou não ao Legislativo, como estão as nominatas do PCdoB em Campos? Não só em relação ao seu partido, qual a importância terá para a oposição ampliar proporcionalmente suas quatro cadeiras entre as atuais 17?

Odete – Estamos construindo uma nominata equilibrada, mas que possibilite eleger vereadores, o que é, inclusive, uma grande tarefa do PCdoB em Campos. O aumento de cadeiras, no nosso entender, mesmo tornando a eleição mais difícil, vai contribuir para que haja uma renovação significativa no Legislativo. Pelo menos é isso o que esperamos e torcemos. Lógico que vai depender do eleitor.

 

Folha – Entre os nomes que surgem como pré-candidatos da oposição, você, Arnaldo Vianna (PDT) e Makhoul têm um residual já consolidado, pelas eleições majoritárias recentes que disputaram. Concorda com isso e com a perspectiva de que será o potencial de crescimento, a partir da rejeição de cada um, o melhor indicador das chances contra Rosinha?

Odete – Até 2012, muita coisa vai acontecer. Entretanto, deve ser considerado o acúmulo eleitoral de cada pré-candidato e também a possibilidade de crescimento. Mas é preciso fazer um trabalho político consistente para que o cacife eleitoral não só se mantenha, mas possa crescer. E nesse aspecto considero que quem tem menos rejeição junto ao eleitorado, tem mais chances de ampliar seu potencial eleitoral.

 

Folha – Baseado nessas possibilidades de crescimento, o jornalista Saulo Pessanha disse não só que você seria o nome mais viável eleitoralmente da oposição, como seria esta a conclusão já feita por Sérgio Cabral. Existe realmente essa indicação, com base em pesquisa, e esse entendimento por parte do governador?

Odete – Difícil responder essa pergunta, porque ainda estamos aguardando que aconteça a reunião com o governador Sérgio Cabral.

 

Folha – Em seus artigos na Folha, você vinha pautando suas críticas ao governo Rosinha, principalmente, na área da educação. No último, voltou as baterias às denúncias de paralisação de obras? Quais são, em seu entender, as principais deficiências da administração campista? Quais os motivos? Como fazer para melhorá-las?

Odete – Na Saúde, por mais que se anuncie aos quatro cantos que vai muito bem, as filas continuam acontecendo, deixando milhares de pessoas sem consultas diariamente. Além disso, faltam medicamentos para atender à população. Na educação, o quadro é desolador. São profissionais mal pagos, que convivem com péssimas condições de trabalho, sem falar que, até o fim do primeiro semestre, os alunos não tinham recebido todo o material escolar. Outro problema é a falta de oportunidades de trabalho. Podemos enumerar ainda a falta de infra-estrutura, que não dá qualidade de vida para a população, e o trânsito, principalmente na área central, que está cada dia mais caótico. Esses problemas e tantos outros poderiam ser resolvidos com duas simples medidas que devem caber ao gestor público: planejamento e bom uso dos recursos. Até porque, recursos a Prefeitura de Campos tem de sobra. Afinal, o orçamento deste ano é de nada menos que R$ 1,9 bilhão, e o do ano que vem, de R$ 2 bilhões.

 

Folha – Um problema do qual o governo Rosinha se ressente, embora só seja admitido nos bastidores, é a escassez de nomes para compor tecnicamente o governo. Se o grupo deles, que já governou o Estado do Rio duas vezes, padece desse problema, como você, ou outro nome da oposição, montaria uma equipe apta a lidar com as demandas de Campos e região, ampliadas pelo Porto do Açu e o Complexo Logístico de Barra do Furado?

Odete – De maneira alguma há escassez de bons nomes para compor tecnicamente um governo em Campos. Existe muita, mas muita gente competente e séria neste município. O problema está na escolha, que se reflete no tipo de governo que se pretende fazer. Pensar que num município com quase 500 mil habitantes não tenha gente capaz de conduzir de forma decente e competente uma administração é, no mínimo, menosprezar e subestimar a inteligência, a competência e a seriedade do nosso povo.

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Aos maniqueístas!

Destinado especificamente aos maniqueístas do PT, alcunhados de “aloprados” pelo próprio Lula, o ex-ministro e jurista Nelson Jobim proferiu a definitiva sentença:

 

“Os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”

 

E para os maniqueístas em geral, que desde a queda do ministro têm lembrado como eram bons os tempos de quando o Jobim era o Tom, fica o vaticínio do eterno maestro Antônio Brasileiro:

 

“Sucesso, no Brasil, é ofensa pessoal”

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Unificados, mas a marca é só de um

Estranha simbiose, que só denota o que já sabíamos:

É tudo a mesma coisa, e as possíveis diferenças são relativas aos números.

Em um blog, propaganda contra prostituição, pedofilia e corrupção, e pelos companheiros do mundo real, bem diversos daqueles do universo virtual, a mesma propaganda é vendida para promover e majorar tentativas de achaque.

Ué, é alguma joint-venture ou cartel da prostituição em todos os sentidos?

Será que o arauto virtual e seus maus colegas do mundo real compartilham mais do que a propaganda? Mi$tério$.

Parece que a planície é mais uma vez pioneira: o combate à prostituição é prostituído por quem posa de combatente virtual e deveria ter por ofício real combatê-la. Revela ao mundo o que aqui é o PUTA: Prostituição Unida na Trama de Achaques. 

Mas se não gostarem do novo rótulo, sugerimos: O verbo pelo achaque. Fácil de lembrar (e de vender). 

Mas, peraí… Será que achaque é verba?

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Contraditório do blog em seu(s) leitor(es)

Três posts abaixo, o leitor Marcelo Abreu Gomes fez alguns questionamentos sobre a solidez dos registros de movimentações políticas recentes, quase todas reveladas ou repercutidas neste blog. A ele e aos outros que buscam aqui algum Norte em meio ao turbilhão político de Campos, cabe ressaltar que nenhuma informação é divulgada por este blogueiro sem ter origem em fonte fidedigna, na maioria das vezes nominada, mas algumas não, sigilo garantido pela Constituição (§ XIV do seu Art. 5º), desde que não confundido com anonimato (vedado no § IV do mesmo Art. 5º).

De qualquer maneira, num espaço democrático como este se pretende, nada mais razoável que os questionamentos do Marcelo, até por representarem considerável parcela da população reunida em contraditório, mereçam a evidência mais relevante de post. E se ele e você, também leitor, me permitem, apenas uma correção: a campanha, ou (ainda) pré-campanha, visa outubro de 2012, não este agosto de 2011. Com mais de um ano a nos separar da consumação do pleito, como o Paraíba sob as seis pontes que em Campos o atravessam, muita água ainda há de rolar…  

 

Marcelo Abreu Gomes

Pelo amor de Deus… O que mais o Roberto poderia querer? Além de rios de dinheiro para seguir com sua odisséia (?) contra Garotinho? É realmente mais um disparate dessa onda de boatos, tipo aquele que já gerou a informação de uma prefeita de outro município vizinho candidata em Campos, e que depois virou mera “articuladora” de um candidato médico que disse que, na verdade, não sabe se é prefeitável ou “vereável” em Campos… Aff… Se vê que não se discutem projetos públicos, mas pessoais: é mais uma nota do mesmo tom “de todos da oposição contra Rosinha”, que segue imbatível para a campanha de 2011…

 

Ágora de Péricles
Ágora de Péricles

 

Atualização às 20h50 para complementar o post com outro estimulante debate gerado a partir dos leitores…

 

Rodrigo Araujo de Souza

Apesar de toda credibilidade que um blog possa ter, o conceito jornalístico de “imparcialidade” passa a não contar em um blog, já que em um blog posta-se, sobretudo, opiniões pessoais (não estou dizendo que é o caso do blogueiro).
Agora, fica a cargo de quem lê, saber distinguir se há indução ou não em determinado tema.
Em certo ponto concordo com o Marcelo, em relação a boatos, mas não culpo o blogueiro, pois neste meio político realmente deve haver muitos boatos. O problema é saber se vale a pena divulgá-los, podendo confundir o leitor, já que tantas informações são ventiladas, e poucas concretas.
De qualquer forma não podemos ignorar o Marcelo, pois sim: Carla em Campos, Makhoul como nome forte…tudo virou pó!
Ah propósito, “que segue imbatível para a campanha de 2011…” deve ter sido um ato falho. Acredito que o colega aí quis dizer 2012, portanto não vi necessidade do blogueiro expor tal falta de atenção.

 

  • Caminhando na ágora grega (foto de Ícaro Abreu Barbosa)
    Caminhando na ágora grega (foto de Ícaro Abreu Barbosa)

    Aluysio

    Caro Rodrigo,

    O conceito jornalístico de imparcialidade (sem aspas) é tão abstrato quanto o de independência com que alguns blogs buscam distinção onde só pode existir complementação. E o caso da nota dos contatos de Roberto Henriques com PMDB estadual, Ricardo Teixeira e Eike Batista, é um exemplo perfeito disso, na medida em que o blog obteve e publicou a informação, cabendo ao jornal aprofundar sua apuração, que por sua vez serviu para atualizar o post.
    No caso, para o Alexandre Bastos — atuando como repórter da Folha, não como blogueiro —, o deputado admitiu ter conversado recentemente com o governador Sérgio Cabral e o presidente da CBF, mas não sobre eleição, negando ainda o contato com Eike. Ou seja: o blog gerou a notícia e a apuração do jornal com a maior profundidade que serviu para complementá-la.
    Quanto a este blog especificamente, embora batizado de “Opiniões”, há tempos tem baseado sua atuação mais no noticiário. Neste caso, creio que tanto para um blog, quanto para um jornal, vale sim publicar a informação de uma prefeita de São João da Barra que se coloca como opção à eleição de Campos, assim como quando ela abre depois uma outra alternativa, confirmada por esta própria, como foi o caso de Makhoul, cujo convites também pelo PT e PRP foram igualmente confirmados por suas lideranças, a partir da apuração do blog, sempre aprofundada e complementada pelo jornal.
    Pemita-me, pois, discordar tanto de vc, quanto do Marcelo, ao afirmar que nenhuma dessas possibilidades “virou pó”. Caso isso se confirme no futuro, continuará valendo tanto para o blog, quanto para o jornal, sobretudo quando complementares, o noticiário de todas as opções que não vingaram, com os respectivos motivos para tanto.
    Mas, até lá, só podem ser ignoradas por quem prefere não conhecer a movimentação dos bastidores que definirão quatros anos da vida de uma cidade.
    A propósito, lógico que o “segue imbatível para a campanha de 2011” foi um ato falho, cometido pelo Marcelo e ao qual estão passíveis o Rodrigo, o Aluysio, ou qualquer outro. A intenção no destaque foi unicamente aproveitá-lo como deixa à infinidade de fatos que certamente acontecerão no tempo que ainda nos separa do pleito de 2012. Todos noticiáveis, desde que sabidos a partir de fontes seguras e aprofundados na apuração de blogs, jornais, rádios, TVs, até que se esgotem (ou não).
    Por fim, voltando ao começo, lógico que a isenção, repaginada ou não como independência, é uma quimera. Todavia, em se tratanto de apuração e divulgação de informação, erra de fato quem não a busca.

    Abraço e grato pela oportunidade do debate!

    Aluysio

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    Ler para rir dos maniqueístas de lá e daqui

    Seja para os maniqueístas de Brasília, do Rio, ou seus risíveis pares nesta planície de hiprocrisas cortada pelo Paraíba do Sul, vale a pena reproduzir, abaixo, o pequeno editorial publicado hoje à página 3 da edição impressa de O Globo…

     

    CACOETE

    É de fazer de rir a ministra Ideli Salvatti enxergar interferência da imprensa na operação da Polícia Federal contra um suposto esquema de corrupção montado no ministério do Turismo.

    Deve derivar do cacoete petista de explicar o mensalão e tudo que afeta negativamente o partido pela atuação de uma tal de “imprensa golpista”. De tanto ser repetido, virou clichê de programa de humor.

     

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    Construtor prepara candidatura para tentar descontruir o cenário das obras públicas

     

    Um grupo forte de empresários do ramo da construção civil, insatisfeito com a condução das obras públicas municipais de Campos e cheio de questionamentos com base técnica para fazer, promete apresentar uma novidade, já na próxima semana, dentro do quadro de pré-candidatos até agora conhecidos à eleição majoritária de 2012.

    O blogueiro obteve a informação do próprio candidato a pré-candidato, assim como do presidente municipal do partido, atualmente na Frente Democrática de Oposição, que está disposto a abrigar essa pretensão. O primeiro movimento neste sentido seria ingressar, possivelmente na próxima semana, com questionamentos junto ao Ministério Público, relativos ao custo das unidades (R$ 70 mil) do projeto Morar Feliz, menina dos olhos do governo Rosinha, assim como a contratação de uma empresa de fora para coordenar os trabalhos da secretaria de Obras, com contrato inicial de R$ 11,8 milhões, que já teria sofrido dois aditivos de igual valor.

    Embora a iniciativa parta de empresários locais não agraciados com obras públicas municipais, o que poderia conferir às suas denúncias o caráter de choro de descontente, ela também contaria com apoio velado e, sobretudo, base financeira e informações, também de grandes construtoras nacionais, algumas inclusive trabalhando para o governo Rosinha.

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    Henriques candidato pelo PMDB, com apoio de Eike e Teixeira?

    (Fotos: Folha da Manhã e CBF/ Montagem: Sandro Ferreira)
    (Fotos: Folha da Manhã e CBF/ Montagem: Sandro Ferreira)

     

    O blogueiro recebeu a informação de fonte quente: o deputado estadual Roberto Henriques (PR) estaria não só costurando por cima (leia-se governo estadual) sua ida para o PMDB, para se lançar pelo partido à Prefeitura de Campos em 2012, como estaria costurando a base financeira para esse projeto a partir dos apoios do mega-empresário Eike Batista e do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

    Qual o interesse dos dois figurões nacionais na sucessão da prefeita Rosinha? Além do fato de Teixeira ser marido de uma campista e de Eike ser hoje o maior investidor privado da região, a resposta é relativamente simples: dar uma resposta, onde dói mais, às pesadas críticas que ambos têm sofrido do deputado federal Anthony Garotinho (PR).

     

    Atualização às 19h40: Segundo o jornalista Alexandre Bastos apurou junto ao próprio Roberto Henriques, este confirmou contatos recentes com o governador Sérgio Cabral (PMDB) e com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, mas para tratar do desenvolvimento da região, não sobre eleição, sobre a qual disse: “Estou à beira do gramado. Se a história me escalar, entro em campo”. Já em relação a Eike Batista, o deputado negou qualquer contato.

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    Mesmo com Neymar, Schweinsteiger rege a vitória da Alemanha

    Schweinsteiger bate o pênalti com categoria para inaugurar o placar em Stuttgart (foto: Getty Images)
    Schweinsteiger bate o pênalti com categoria para inaugurar o placar em Stuttgart (foto: Getty Images)

     

    Como previsto abaixo pelo blog, prevaleceu a classe do volante Bastian Schweinsteiger, que conduziu a vitória alemã por 3 a 2 diante do Brasil. No confronto contra as maiores forças do futebol mundial, após ter perdido também para Argentina e França, além de ter empatado com a Holanda, continua virgem em vitórias o time de Mano Menezes, neste seu período de um ano à frente da Seleção.

    Após o começo de jogo arrasador dos germânicos, quando sufocaram o Brasil em seu campo de defesa, a Seleção até que conseguiu nivelar as ações no primeiro tempo. No segundo, o equilíbrio permanecia até que o juiz assinalasse um discutível pênalti de Lúcio sobre Schürrle. Schweinsteiger, que não tinha nada com isso, bateu com categoria para abrir o placar e ter seu nome gritado em coro pela torcida. Depois, quem depositava as esperanças de empate em Neymar, teve que ver outro habilidoso jovem de 19 anos, mas de nome Mario Götze, ampliar a vantagem alemã.

    Em outro pênati discutível, de Lahm sobre Daniel Alves, Robinho demonstrou coragem ao pegar a bola e converter, espantando o azar das quatro cobranças desperdiçadas pelo Brasil na Copa América. Novamente sem nada com isso, Schweinsteiger pressionou e roubou a bola de André Santos, dentro da área brasileira, cruzando com precisão para Schürrle marcar 3 a 1. Mesmo debilitado pela gripe que quase o tirou do jogo, Neymar descontou a diferença, no finalzinho, com um chute de fora da área.

    Mano, que projetava resgatar o futebol-arte na Seleção, com vistas à Copa do Brasil de 2014, hoje demonstrou um claro recuo, ao entrar em campo com o volante Fernandinho no lugar de Ganso, que realmente não atravessa boa fase, mas é o único meio-campista convocado cuja criatividade merece destaque. Antes conhecida como um dos maiores expoentes mundiais do futebol-força, o fato é que desde a Copa de 2006, passando pelas exibições de gala diante da Inglaterra e da Argentina em 2010, a Alemanha tem demonstrado estar bem mais próxima ao objetivo do Brasil.

    Com seu conhecido ufanismo no futebol cada vez mais dissociado da realidade, o brasileiro que ainda insiste na absurda tese de que só nossos jogadores (e talvez os argentinos) sabem tratar a bola com arte, hoje deveria ter visto Schweinsteiger jogar. Bastaria para engolir qualquer empáfia, junto com todas as consoantes do nome do craque alemão.

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    Sem Neymar, Brasil e Alemanha serve para se ver Schweinsteiger

     

    Acabou de dar agora na ESPN Brasil: craque do Santos e esperança da Seleção, Neymar deve desfalcar o time de Mano Menezes, daqui há pouco, no amistoso contra a Alemanha. Diante do provável desfalque brasileiro, para quem quiser conferir o amistoso internacional em busca daquilo que se convencionou chamar de futebol arte, este blogueiro tem uma modesta sugestão: observar bem o cracaço alemão Bastian Schweinsteiger, volante ao nível presente dos espanhóis Andrés Iniesta e Xavi Hernández e, no passado, do brasileiro Paulo Roberto Falcão e do holandês Frank Rikjaard.

    Schweinsteiger… O nome pode ser complicado, mas o futebol desse alemão flui como água.

     

    Atualização às 14h51: Segundo informou agora a SporTV, Neymar está confirmado na escalação. Quem não entraria jogando seria o outro craque do Santos, Paulo Henrique Ganso, que hoje cederia a titularidade para Fernandinho, do Shakhtar Donetsk, por opção tática de Mano Menezes.

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    Opiniões de poesia — José de Anchieta

     

    O momento mais prazerozo das quartas, quando a política cede espaço neste blog à poesia, não poderia falhar justamente hoje, quando termina a reprodução, neste “Opiniões”, dos textos escritos para o hoje extinto “Cantos”, do qual participei ao lado do professor Adriano Moura e da antropóloga Fernanda Huguenin, ambos também poetas. Não por motivo diverso, chegou a vez  do artigo que, mesmo no “Cantos”, já se tratara de republicação, posto ter sido originalmente escrito a Folha Letras, página semanal dedicada à Literatura que este misto mal ajambrado de blogueiro, jornalista e poeta inaugurou nas contracapas de sexta da Folha Dois.

    Se, como HAL nos ensina em “2001 — Uma Odisséia no Espaço”, para renascer, é preciso morrer, nada mais apropriado que terminar aqui essa série de republicações com aquilo que deu início à poesia brasileira…

    José de Anchieta — Primeira poesia

    “Semeador de esperanças e quimeras,

    Bandeirante de entradas mais suaves,

    Nos espinhos a carne dilaceras:

     

    E por que as almas e os sertões desbravares,

    Cantas: Orfeu humanizando as feras,

    São Francisco de Assis pregando às aves…”

    (Do soneto “Anchieta”, de Olavo Bilac)

    Anchieta escreve o poema “Da Virgem Santa Maria Mãe de Deus” na areia da praia, quando era refém dos índios tamoios, óleo sobre tela de Benedito Calixto

     

    Página semanal dedicada à Literatura, sempre na contracapa das edições de sexta da Folha Dois, a primeira edição da Folha Letras apresentava suas armas com alça e massa de mira alinhadas para “nunca perder de vista a necessidade das pontes entre você, leitor, e os grandes escritores e obras, do Brasil e do mundo — ‘os mais fortes heróis que na terra viveram’, como evocou o grego Nestor em outra planície, a de Tróia”. Opção influenciada pelos versos com que Homero (séc. 8 a.C.) fundou a Literatura, este espaço a ela dedicado inicia hoje, em publicações alternadas, o contato direto com os maiores poetas brasileiros, herdeiros do pioneiro grego, mas com certidão de nascimento lavrada na prosa de Pero Vaz de Caminha (1450/1500), em sua carta a El Rey de Portugal, narrando o achamento da Terra de Vera Cruz (mais tarde Brasil) pela expedição de Pedro Álvares Cabral (1467 ou 1468/1520 ou 1526), a 22 de abril de 1500.

    Em que pesem manifestações autóctones, anteriores e paralelas ao descobrimento e à colonização pelos portugueses, o marco zero para nossa cronologia da poesia brasileira será determinado pela introdução e gradual prevalência da língua de Luís de Camões (1517 a 1524/1580), que nos bate ao palato há meio milênio. Foi com Camões, aliás, que debutaria em versos nosso país, ainda com seu primeiro nome, mas tendo já citada a madeira nativa que depois o batizaria em definitivo:

     

    Mas cá onde mais se alarga, ali tereis

    Parte também, co’o pau vermelho se nota;

    De Santa Cruz o nome lhe poreis;

    Descobri-lo-á a primeira vossa frota.

    (“Os Lusíadas”, Canto X, 140 a 144)

     

    A língua portuguesa e sua (talvez até hoje mais alta) expressão em poesia não se fundamentariam sem o Brasil na argamassa.

    Na nação (a brasileira) que ainda engatinhava, os primeiros passos da poesia seriam dados pelo jesuíta José de Anchieta (1534/1597). Nascido na ilha de Tenerife, maior do arquipélago das Canárias, era espanhol, com linhagem paterna na nobre família basca Antxeta (Anchieta), e de cristãos-novos (judeus convertidos) por parte de mãe, o que o levou a estudar em Coimbra, já que a Inquisição Católica, na Espanha, era menos tolerante do que a de Portugal quanto a origens hebréias. Com 20 anos incompletos, veio como missionário ao Brasil, onde morreria 43 anos depois, não em antes ser um dos fundadores da cidade de São Paulo e desempenhar papel fundamental na pacificação e catequese dos índios em todo litoral da nova colônia portuguesa, papel que os historiadores até hoje se dividem se de proteção ou dominação.

    Dúvida também há sobre a veracidade de uma passagem narrada pela tradição. Deixando-se fazer refém da Confederação dos Tamoios, para pôr fim à guerra destes contra os portugueses, Anchieta teria escrito com um galho, na areia de uma praia do litoral sul paulista, os versos do seu “Poema à Virgem”, memorizando-os no cativeiro para, depois de liberto, repassá-los ao papel. Talvez nunca se saiba se o amor à palavra mereceu o impressionante esforço, ou se habitou apenas a imaginação de quem criou a estória e daqueles que a repetem há cinco séculos. Mas traçada na areia da praia ou na lenda sobre a areia do tempo, a poesia transita em mão dupla na ponte entre os gestos.

    Mais atentos à obra do que ao mito, Antonio Cândido e Aderaldo Castelo, em “Presença da Literatura Brasileira”, consideraram Anchieta “exemplo significativo do século XVI, da realização de uma expressão literária que correspondesse às novas condições do homem na paisagem americana”. Na dúvida se este “homem” se tratava do colonizador d’além mar ou do índio que aqui já vivia, o indicativo da primeira opção se dá quando analisada sua “expressão literária”, construída sobre a sólida base latina do jesuíta “zeloso leitor de Virgílio (70 a.C. a 19 a.C.) e Ovídio (43 a.C. a 17 d.C.)”, como definiu Alfredo Bosi, em “História concisa da Literatura Brasileira”.

    No Brasil, Anchieta escreveu em português e latim, mas, sobretudo, em castelhano (sua língua materna) e tupi, que adotou a ponto de dedicar-lhe uma de suas mais importantes obras: “Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil”. Em sua composição, ao notar a inexistência dos sons F, L e R entre os índios, ele deduziu que um povo “com tal deficiência em sua fonologia no podia ter nem Fé, nem Leyes, nem Rei”. Conclusão que a professora Marisa Lajolo completou: “contando-se entre os lucros da colonização a Fé que os jesuítas traziam, o Rei trazido pelos portugueses, e as Leis que vinham na bagagem de ambos”.

    Em poesia, a obra mais famosa de Anchieta foi “De gestis Mendi de Saa” (“Os feitos de Mem de Sá”), primeiro poema épico das Américas e primeiro escrito no Brasil a ser publicado, que descreve a batalha do nosso terceiro governador geral, na Baía de Guanabara, contra os franceses comandados por Nicolas de Villegagnon, fundador da França Antártica no Rio de Janeiro. Editada em Coimbra, em 1563, a epopéia renascentista veio a público antes de “Os Lusíadas”, que só seria publicado em 1572, mesmo tendo sido concluído por Camões, provavelmente, desde 1556.

    Além do já citado “Poema à Virgem”, Anchieta escreveu também outros poemas religiosos, como essas redondilhas dedicadas a Santa Inês, concebidas numa singeleza que, segundo o poeta e tradutor Alexei Bueno, “talvez só tenha vindo a repetir-se em alguns momentos do nosso Romantismo”, três séculos depois:

    Cordeirinha linda,

     como folga o povo

    porque vossa vinda

    lhe dá lume novo.

     

    (…)

     

    Por isso vos canta,

    com prazer, o povo,

    porque vossa vinda

    lhe dá lume novo.

     

    Não é d’Alentejo

    este vosso trigo,

    mas Jesus amigo

    é vosso desejo.

     

    (…)

     

    Santa padeirinha,

    morta com cutelo,

    sem nenhum farelo

    é vossa farinha.

     

    Ela é mezinha

    com que sara o povo,

    que, com vossa vinda,

    terá trigo novo.

     

    O pão que amassastes

    dentro em vosso peito

    é o amor perfeito

    com que a Deus amastes.

     

    Deste vos fartastes,

    deste dais ao povo,

    porque deixe o velho

    polo trigo novo.

     

    Não se vende em praça

    este pão de vida,

    porque é comida

    que se dá de graça.

     

    Ó preciosa massa!

    Ó que pão tão novo

    que, com vossa vinda,

    quer Deus dar ao povo!

     

    (…)

    Fácil vislumbrar a metáfora do lume, do trigo novo, como a novidade da fé cristã diante da nova terra, o Brasil, à densa sombra da selva ainda virgem. Ecoado desta, no lugar do “horror” sentenciado pela prosa inglesa do polonês Joseph Conrad (1857/1924), o espanhol quinhentista tinha ouvidos de escutar, na colônia portuguesa, o rugido de fome espiritual da imensa maioria pagã (os índios), que estudou e compreendeu como poucos europeus do seu tempo.

    Talvez não sem motivo, um Chico brasileiro de Holanda, também grande entendedor do povo desta Terra de Santa Cruz, tenha cantado as boas novas no eufemismo de 500 anos depois:

     

    A novidade

    Quem tem no Brejo da Cruz

    É a criançada

    Se alimentar de luz

     

    (…)

    Meio milênio driblado, como um João de Mané, na tabela de Zé a Francisco, de Chico a José, o método antes proposto à conversão ganha contraste em outros versos do jesuíta:

     

    Como, vem guerreira

    a morte espantosa!

    Como vem guerreira

    E temerosa!

     

    Suas armas são doença,

    com que a todos acomete.

    Por qualquer lugar se mete,

    sem nunca pedir licença.

    Tanto que se dá sentença

    da morte espantosa.

    como vem guerreira

    e temerosa!

     

    (…)

     

    A primeira morte mata

    o corpo, com quanto tem.

    A segunda, quando vem,

    a alma e o corpo rapa.

    Co’o o inferno se contrata

    a morte espantosa.

    Como vem guerreira

    E temerosa!

    Se antes expõe a oferta aparentemente livre (“quer Deus dar ao povo”), cuja aceitação é sugerida no realce às possibilidades de luz e alimento da fé cristã, nos versos seguintes o autor age como os pastores evangélicos de hoje, protestantes tão odiados e combatidos pelo padre jesuíta. A analogia se dá na prevalência do apelo dramático e, sobretudo, quando o “mal” é ressaltado para se tentar vender o “bem”, não só com a morte terrena pela peste (trazida à América pela cristandade católica e protestante), mas com a danação eterna do inferno, que, na mão inversa a Conrad, tanto horror deve ter causado aos índios.

    A Literatura parece confirmar as dúvidas da História sobre Anchieta. Parida no dualismo, na dialética fundamentada pelos gregos antigos, a poesia surge, no Brasil e no mundo, para refletir as contradições do homem de sempre.

     

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