A recente retomada de atividades do blogueiro serviu para retomar alguns dos temas pretendidos na gênese deste “Opiniões”, mas que infelizmente foram ficando no meio do caminho. Entre eles o de discutir cultura, sobretudo a poesia. Neste intuito, comecei a republicar aqui alguns dos textos feitos para o blog “Cantos”, infelizmente também abandonado, no qual colaborava em parceria com o professor Fernando Moura e a antropóloga Fernanda Huguenin, camaradas em armas e pena.
Pois, hoje, neste domingo de inverno, se aqueça você, leitor, com os versos daquele que considero o maior talento já produzido pela poesia brasileira, grande nome do nosso Barroco, Gregório de Matos (1636/1695), o Boca do Inferno…
As Cousas do mundo
Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O velhaco maior sempre tem capa.
Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.
A flor baixa se inculca por tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa,
Mais isento se mostra o que mais chupa.
Para a tropa do trapo vazo a tripa
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.
Personagem do jornalista Élio Gaspari, Eremildo, como o blogueiro, é um idiota. Nesta condição, ele me perguntou e eu não soube responder se quando alguém põe sob suspeita as relaçõe$ entre mídia e recur$o$ público$, sendo eminência parda da mais importante insituição de ensino da região, que tem um concurso público para jornalista reprovado e investigado pelo Ministério Público Federal, será que esse alguém fala de mais alguém além daquele alguém que vê diante do $eu e$pelho???…
Se, desde 2000, o Brasil havia vencido o Paraguai quatro vezes, perdido quatro e empatado uma, a segunda rodada do time de Mano Menezes, hoje, pela Copa América, reafirmou o equilíbrio da última década entre os tradicionais rivais continentais. Mas como o gol de Fred que empatou o jogo em 2 a 2, saiu só aos 44 do segundo tempo, o alívio final foi brasileiro.
Se Mano surpreendeu, ao entrar em campo com Jobson no lugar de Robinho, o domínio adversário nos primeiros 20 minutos, quando marcou sob pressão no campo brasileiro, só pôde causar espanto a quem se esqueceu que o Paraguai mantém a mesma base do time que caiu apenas nas quartas-de-final da Copa da África do Sul, numa suada vitória de 1 a 0 da campeã Espanha.
Logo aos 24 segundos, o hábil Estigarribia, jogando aberto na esquerda, mostrou seu cartão de visitas ao testar Júlio César em chute de fora da área. Aos dois minutos, num bom passe por elevação de Barrios, Santa Cruz chutou por cima do gol.
Passada a pressão inicial, a resposta só veio aos 19 minutos, quando Ganso passou a Jadson, que achou Pato na área. Ele chegou a driblar o goleiro, que esticou a mão para impedir o chute. A partir dali, os brasileiros conseguiram reter mais a bola, enfeiando o jogo para poder equilibrá-lo. Cientes ou não da tática dos marmanjos, a pequena torcida brasileira, aos 26, passou a ensaiar o coro: “Olê, olê, olê, olá! Marta! Marta!”
Do único outro lance de perigo no primeiro tempo saiu o gol brasileiro. Na raça, Rami-res ganhou a bola no campo paraguaio, aos 38, e tocou para Ganso iniciar a única tabela que os dois armadores brasileiros conseguiram criar. O meia do Santos passou a Jadson, que colocou de canhota, da entrada da área, no canto direito de Villar.
Ao voltar ao segundo tempo, com Elano no lugar de Jadson, o Brasil deixou claro a tática para tentar segurar a vitória: ceder a bola e jogar nos contra-ataques. Mas quem encaixou um, aos 10 minutos, foi o Paraguai: Estigarribia cruzou da esquerda, nas costas de Thiago Silva, para Santa Cruz empatar.
Aos 22, em falha de Daniel Alves dentro da área, a bola sobrou para Santa Cruz cruzar da direita à entrada de Valdez. O chute ainda bateu em Lúcio e voltou no próprio Valdez antes de entrar. Mano, que já preparava Lucas substituir Ganso, acabou colocando a promessa do São Paulo no lugar de Ramires. Depois, mandou a campo também Fred, no lugar de Neymar, que saiu vaiado.
A insistência com Ganso, assim como a opção pessoal do treinador por Fred, desde a convocação, salvou o Brasil no final. Aos 44, mesmo marcado, Ganso tocou de primeira para servir a Fred, que fez o giro sobre dois marcadores e chutou para garantir o empate.
Ainda no intervalo, com a vitória parcial de 1 a 0, gol de uma aposta pessoal sua, Mano brincou ao se dizer um “burro com sorte”. E com o gol de Fred, a sorte continou a sorrir para o lado do técnico, ao apito final. Na próxima quarta, diante do Equador, que ontem perdeu por 1 a 0 da Venezuela, a sorte pode ainda bastar. Mas a partir das quartas-de-final, a necessidade de inteligência deve demandar algo além do que um lampejo de Ganso.
Como a torcida, Fred agradece aos ceús o gol de empate, aos 44 do segundo tempo (Foto: CBF)
BRASIL
JÚLIO CÉSAR — Duas defesas sem grande dificuldade. Nos gols, nada pode fazer. NOTA 5.
DANIEL ALVES — Tomou um passeio do habilidoso meia esquerda Estigarribia e falhou clamorosamente, dentro da área, no lance do segundo gol paraguaio. NOTA 3.
LÚCIO — Não comprometeu, mas também não brilhou. De qualquer maneira, esteve mais seguro que o companheiro de zaga. NOTA 5.
THIAGO SILVA — Foi em suas costas a bola cruzada por Estigarribia, que encontrou Santa Cruz na área para anotar o primeiro gol paraguaio. NOTA 4.
ANDRÉ SANTOS — Prova vida da carência de um lateral esquerdo de nível na Seleção. Até tenta apoiar, mas, definitivamente, não sabe cruzar. NOTA 4.
LUCAS LEIVA — Abaixo da atuação na estréia contra a Venezuela, quando foi o melhor brasileiro em campo. NOTA 5.
RAMIRES — Mantém a má fase técnica que o obriga, por vezes, a recorrer a violência. Mas demonstrou raça ao ganhar a bola que gerou o primeiro gol brasileiro. NOTA 5. Foi substituído, aos 24 da segunda etapa, por LUCAS, que entrou para jogar aberto pela direita, mas pouco produziu. NOTA 4.
JADSON — Grande surpresa de Mano, teve um primeiro tempo superior a Ganso, a quem entrou para ajudar na armação. Bom passe que achou Pato dentro da área, antes de abrir ele mesmo o placar, na entrada da área, com um chute consciente no canto direito do goleiro. NOTA 7. Saiu no intervalo para a entrada de ELANO, que entrou para tentar segurar o 1 a 0, mas teve que armar o jogo, após a virada paraguaia. Bela cobrança de falta, aos 40, que só não transformou em gol graças à defesa de Villar. NOTA 5,5.
GANSO — Teria outra atuação apagada, não tivesse dado os passes que geraram os dois gols brasileiros. Sobretudo no segundo, em que tocou de primeira, mesmo marcado, deu um lampejo do futebol que o levou à Seleção. NOTA 6.
PATO — Teve menos chances que contra a Venezuela, mas novamente as desperdiçou. Segundo tempo muito apagado. NOTA 4.
NEYMAR — Se Ganso achou em pelo menos dois lances o futebol do Santos, o mesmo não se pode dizer do atacante em todos os 90 minutos de hoje. NOTA 3. Saiu vaiado, aos 37 do segundo tempo para a entrada de FRED, que mesmo com pouco tempo e fora da melhor forma, recebeu de Ganso e executou o giro dentro da área sobre dois marcadores para arrancar o empate. NOTA 7.
MANO MENEZES — No intervalo, quando ganhava de 1 a 0, com gol de Jadson, uma aposta pessoal, disse, brincando, ser um “burro com sorte”. Ao final do jogo empatado por Fred, outra aposta contestada, poderia repetir a sentença. NOTA 5.
PARAGUAI
VILLAR — Pelo menos três defesas salvadoras. NOTA 8.
VERÓN — Abusou das entradas maldosas em Neymar, mas o marcou bem. NOTA 6.
DA SILVA — Vinha tendo atuação segura, até o gol de Fred. NOTA 4.
ALCARAZ — Zagueiro grandalhão e viril. NOTA 5,5.
TORRES — Bem na marcação, tentou apoiar com Estigarribia. NOTA 6.
RIVEROS — Típico volante de contenção. NOTA 6. Deu lugar a CÁCERES, que manteve a forte marcação no meio. NOTA 6.
VERA — O primeiro gol paraguaio nasceu de seus pés. NOTA 6,5.
ORTIGOZA — Deu origem ao segundo gol do seu time. NOTA 6,5.
ESTIGARRIBIA — Melhor em campo. Infernizou a ala direita da defesa brasileira. NOTA 8,5.
SANTA CRUZ — Marcou um gol, deu passe a outro e ainda ajudou a marcar. NOTA 8.
BARRIOS — Embora mais habilidoso, teve atuação abaixo do colega de ataque. NOTA 6. Deu lugar a VALDEZ, que marcou o segundo gol. NOTA 7.
A convite do presidente regional do PMDB, Ivanildo Cordeiro, o partido promove encontro regional na noite de hoje, na 54ª ExpoAgro de Campos, entre seus prefeitos Carla Machado (São João da Barra), Riverton Mussi (Macaé) e Luiz Carlos Fenemê (São Fidélis), além do deputado federal Adrian Mussi. Segundo Cordeiro, também foram chamados e confirmaram presença, de outras legendas, o prefeito de Cardoso Moreira, Gilson Siqueira (PP), o deputado estadual João Peixoto (PSDC), os vereadores Rogério Matoso (PPS) e Odisséia Carvalho, o ex-deputado Claudeci (PSL), o ex-prefeito Sérgio Mendes (PPS), Odete Rocha (PCdoB), Andral Tavares Filho (PV) e Fabrício Lírio (PRP).
O ponto de encontro será no estande da Prefeitura de São João da Barra, no Pavilhão Industrial, e de lá o grupo segue para jantar num restaurante. Além de consolidar o que Cordeiro chama de “cinturão regional” do PMDB, chamando seus detentores de mandatos na região para ajudar o partido a reconquistá-los em Campos, a intenção é também fortalecer a Frente Democrática.
O deputado estadual Robeto Henriques (PR), também foi convidado, mas não poderá comparecer. A escolha do estande de São João da Barra como ponto de encontro, de acordo com Ivanildo, é uma forma de agradecer ao apoio que Carla tem dado à oposição local ao casal Garotinho, chegando a colocar seu nome à disposição para disputar a Prefeitura de Campos em 2012.
Em conversa com o blogueiro, o presidente da Câmara Nelson Nahim (PR) respondeu a algumas questões levantadas no blog pelo “colega” governista Jorge Magal, em relação não só às pré-candidaturas ao Legislativo de 10 secretários municipais (aqui), como também o possível aumento do número de vereadores (aqui). Questão levantada pelo blog, o cunhado de Rosinha também sobre o envolvimento do seu filho, Hélio Montezano, na polêmica do não repasse de verbas municipais a 54ª ExpoAgro. Por partes, vamos às versões de Nahim…
(Foto de Leonardo Berenger)
Secretários candidatos a vereador — “Não vejo nenhum problema nisso. Todos têm o direito de concorrer. Rosinha, pelo que eu saiba, já estabeleceu que quem quiser se candidatar tem que sair do governo em dezembro. A própria prefeita já se antecipou para evitar qualquer uso eleitoral das secretarias”.
Aumento da Câmara para 25 veradores — “Não sei quem foi que delegou a Magal o direito de falar por mim. Eu não fui. Se ele não quis nem falar meu nome, como é que pode pretender falar em meu nome? O fato é que combinamos, não só entre os vereadores da situação, mas também de oposição, em só falar sobre a questão após a volta do recesso, em agosto. E Magal, agora, não sei por que, resolveu furar o acordo. De qualquer maneira, diferente do que ele disse, eu não sou contra o aumento para 25 vereadores. Acho até que, com mais representantes, a população tem maiores chances de ser atendida. Entretanto, como presidente da Câmara, eu tenho responsabilidades não só como político, mas também como gestor, como presidente de uma Casa que só pode gastar com pessoal, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, até 70% do seu orçamento. Atualmente, temos 17 vereadores, que têm, cada um, um chefe e um sub-chefe de gabinete. Como já tivemos 21 vereadores, há até a previsão para retomarmos os cargos extintos, quando baixamos para 17, mas não de criar mais quatro cargos de chefe e quatro de sub-chefe, caso aumentemos agora para 25. Além disso, há a questão do aumento do vencimento dos vereadores, que é fixado, no máximo, em 60% do que ganham os deputados estaduais. E estes, a reboque dos novos deputados federais, se deram aumento no início do ano. Por orientação do procurador da Câmara de Campos, Helson Oliveira, resolvemos deixar essa questão para a próxima Legislatura, muito embora também caiba à atual fazer mais essa previsão de aumento de gasto com pessoal. Eu sou o presidente da Câmara e serei eu que terei que responder, no Judicário e no Tribunal de Contas, caso a previsão de gastos com pessoal ultrapasse os 70% limitados em lei”.
Polêmica da ExpoAgro — “Acho que Rosinha foi mal informada nessa questão. Meu filho não fez nenhum convênio com a Prefeitura. Além de vereador, sou advogado e sei muito bem que isso seria ilegal. O convênio era entre a Prefeitura e a Fundação Rural de Campos. São, portanto, a prefeita e o presidente da Fundação que têm que falar sobre isso, não eu ou meu filho. Hélio faz eventos na Fundação. Ele não recebeu nada da Fundação. Muito pelo contrário, ele pagou à Fundação para promover os shows durante a Exposição. E isso não foi uma novidade deste ano, mas já vinha acontecendo nas edições anteriores da Exposição, desde o governo Mocaiber, passando por Rosinha e pelo meu período interino, sem nenhum impedimento legal”.
Racha com Rosinha — “Isso não existe, tanto que quando ela anunciou que não iria repassar os recursos à Exposição, eu sequer me pronunciei sobre o assunto. Acho que a interpretação dela, em relação à justificativa alegada, não foi correta, mas respeitei e não questionei seu direito de decidir como achasse melhor. Em relação ao episódio da Exposição, como eu disse antes, quem tem que falar são mesmo a prefeita e o presidente da Fundação”.
Da série “recordar é viver”, segue abaixo post esclarecedor para debate de agora, assim como os comentários por ele gerados à época, que mantêm utilidade presente para quem ainda finge não saber exatamente onde reside a dignidade dos autoritários que imaginam controlar tudo e todo$…
Democracia — Atos x discurso
Por Aluysio, em 21-09-2010 – 20h51
Dizem que uma foto vale mais do que mil palavras. Independente da mídia em que são veiculadas, impressa ou virtual, o importante é não perder de vista a contraposição dos atos com o discurso de quem pretende posar como defensor da democracia. Não por outro motivo, seguem abaixo duas fotos…
25/02/10 – Manifestação dos alunos do IFF, em defesa da democracia na escola (foto de Rodrigo Silveira)
24/08/10 – Debate no IFF sobre o regimento interno da escola, com protesto dos estudantes contra as mudanças impostas pela reitoria (foto de Antonio Cruz)
Eu como ex-aluno do Cefet e ex-integrante do grêmio daquela escola fico muito feliz ao ver o movimento estudantil atuante, organizado e consciente de seu papel. Mas ao mesmo tempo, fico triste por ver que certas pessoas que estão a frente da instituição adotam práticas que nos remetem à tempos passados e que não condizem com a postura de uma escola que deveria educar, fomentar a cidadania e dar bons exemplos.
Sou estudante do IFF e também sou ex-integrante do grêmio. Entrei no Instituto quando ainda era CEFET e nunca imaginei que teria uma participação tão forte no movimento estudantil, mas, por conta de pessoas q se intitulam educadores, me vi na obrigação de me unir aos bons lutadores que lá já existia para lutar pelas eleições diretas para Diretor e agora mais uma vez para o Regimento Geral. Hoje fico muito feliz por ter contribuído na conquista dessas vitórias, e vejo com isso um exemplo que comprova que o movimento da massa organizada, nos faz colher bons furtos.
ATOS X DIRCURSOS de roberto moraes: adora defender a democracia em seu blog mas no iff não pratica. adora defender a liberdade de expressão mas no iff os estudantes precisam protestar para ter voz. adora debater mas foje de debate com estudante. adora dizer que é de esquerda mas quando foi diretor do cefet foi embaixador de fhc implantando todas as suas políticas neolibeirais.
em uma históra de luats que tem o nosso país e a nossa cidade, tem gente que acha que pode fazer tudo o que quer por conta do poder que tem, mais não é assim, quando a maioria esta insatisfeita as coisas desandão, e assim vem acontecendo, e os estudantes aprendem isso na propria escola, pois isso faz parte da cidadania, e se tem alguma coisa errada temos que lutar para consertar.
sou estudante do iff, e sei bem a realidade em que eu vivo e vivi dentro desta instituição, que enche os olhos de quem não faz parte dela, mais que as vezes deixa de desejar diante dos proprios alunos, hj temos uma instotuição mais forte, mais existe a reitoria, quem vem dizendo que é democratica e etc, mais que na realidade só sabem dizer meia duzia de palavras boniatas e só fazer coisas que desagradam e prejudicam os alunos e servidores desta instituição.
vivemos em uma democracia e se não querem os ouvir por bem, vão nos ouvir por mal.
uma abraço a todos os leitores, e não vamos desistir da luta…
Abaixo, luminoso como o sol que Cazuza cantava nos anos 80 para o dia nascer feliz, artigo publicado hoje, na página de Opinião da edição impressa de O Globo…
Velha novela, novos atores
Por Nelson Motta (*)
Há 22 anos, nos estertores do governo Sarney, fazia espetacular sucesso a novela “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, que expressava os sentimentos mais profundos do país naquele momento, com a inflação desenfreada, a fraude do Plano Cruzado, a moratória humilhante, o desastre administrativo, a corrupção generalizada e impune. Maria de Fátima e Odete Roitman eram odiadas como símbolos nacionais da arrogância, da mentira, do cinismo e da maldade.
Reprisada no canal Viva, a novela repetiu o sucesso. As vilanias, as covardias, os roubos, os deboches — e a impunidade — continuam atuais. A diferença é que a festa pobre que Cazuza cantava na abertura de “Vale tudo” agora é rica, nouveau riche, deslumbrada, movida a jatinhos e resorts, com empresários e sindicalistas confraternizando alegremente, julgadores e julgados dividindo mesas e viagens, controladores e controlados sem qualquer controle.
Os políticos são os mesmos, só mudam de nome e de partido, mas agora são botoxados e trocaram o acaju dos cabelos pelo negro graúna. Os empresários só mudaram de cara e de ramo, agora são todos progressistas, preocupados com a comunidade e a sustentabilidade, e o seu objetivo principal é gerar empregos e impedir que os estrangeiros invadam nosso mercado (rs).
Diante da fúria e da revolta que me despertam a ladroeira e o cinismo dessa gentalha, faço um exame de consciência: será que, depois de 22 anos como um liberal radical e independente, fui dominado pela ira indignada e regredi a um moralismo pequeno burguês udenista?
O engraçado é que na época de “Vale tudo”, quando era oposição e o seu denuncismo implacável revelava falcatruas e maracutaias, o PT foi apelidado de “UDN de macacão”. Bons tempos, bom humor. Hoje a palavra de ordem é defender o companheiro a qualquer custo, e depois levá-lo num canto e dizer que ele estava errado.
A surpresa é ver o governo Dilma patinando na administração, logo onde se esperava dinamismo e eficiência, mas se mostrando muito mais comprometido com a ética e o combate à corrupção do que o anterior. Não é que seja tão difícil assim, mas já é um avanço.
Ainda em relação à Câmara, algumas das coisas que Jorge Magal revelou ao blogueiro evidenciam não só a real possibilidade da Legislativo passar dos atuais 17 vereadores para o teto de 25 permitido pela legislação eleitoral, como o relacionamento aparentemente ruim entre o bloco governista e o atual presidente da Casa, Nelson Nahim. Indagado se o aumento de cadeiras para 25 era uma posição pessoal ou da bancada da situação, Magal afirmou:
— Todos os governistas são favoráveis ao aumento de cadeiras para 25, à exceção do atual presidente.
Ao notar a ênfase na exceção e sua não nomeação, o blogueiro insistiu:
— Só Nahim, então, é contra?
— Só o atual presidente; quer dizer, presidente, pelo menos, até 2013, né?! — ressalvou com desavexada ironia, novamente sem citar o nome de Nahim.
Embora tenha elencado vários motivos para justificar o aumento máximo do número de vereadores campistas, Magal disse que tinha razão também o blogueiro ao lembrar que, com 25 vagas, pelo menos em tese, ficaria mais fácil a reeleição dos atuais 17.
Em todo caso, a atitude do líder governista em relação a Nelson Nahim, parece endossar o racha entre Rosinha e seu cunhado, que veio a furo quando a prefeita se negou a repassar verbas municipais a 52ª ExpoAgro de Campos, com a justificativa de que o evento teria sido terceirizado pela empresa de Hélio Montezano, o “Alemão”, filho de Nahim, como o blogueiro e jornalista Luiz Costa revelou aqui.
Ontem, o jornalista e blogueiro Saulo Pessanha noticiou aqui serem nove os secretários de Rosinha que tentarão uma cadeira na Câmara Municipal em 2012: Mauro Silva (Comunicação Social), Paulo Hirano (Saúde), Fábio Ribeiro (Administração), Cecília Ribeiro Gomes (Renda e Trabalho), Edson Batista (Hospital Geral de Guarus), Henrique Oliveira (Defesa Civil), Luiz Eduardo Crespo (Fundecam), Auxiliadora Freitas (Fundação Teatro Trianon) e Orlando Portugal (Desenvolvimento Econômico e Petróleo). A estes, o blog ontem adicionou aqui o nome do vice-presidente da Fundação Municipal dos Esportes, Luiz Alberto Menezes, candidato com boas votações em 2004 e 2008. Fechada, a conta foi a manchete da edição impressa da Folha de hoje.
O que não está abordado na matéria do jornal, é a possibilidade de conflito interno no grupo de Rosinha, levantada aqui, desde ontem, pelo também jornalista e blogueiro Alexandre Bastos, já que são 13 os vereadores governistas que tentarão a reeleição: Nelson Nahim (PR), Altamir Bárbara (PSB), Jorge Rangel (PSB), Abdu Neme (PSB), Jorge Magal (sem partido), Kellinho (PR), Albertinho (PP), Papinha (PP), Vieira Reis (PRB), Dante (PDT), Gil Vianna (PSDC), Dona Penha (PPS) e Jorginho Pé no Chão (PTdoB).
Indagado agora há pouco pelo blog, se poderia realmente se configurar esse confronto entre os 10 secretários que buscam a vereança e os 13 vereadores que querem permanecer onde estão, o líder da bancada governista, Jorge Magal afirmou que não, mas fez uma importante ressalva:
— Não vai haver conflito na base. É direito legal de cada um colocar sua pré-candidatura, esteja ou não ocupando posição como secretário ou como vereador. O que não vai poder acontecer, e tenho certeza que Rosinha será rigorosa quanto a isso, é um candidato usar a máquina pública de uma secretaria em sua campanha. Pelo que eu sei, a prefeita está trabalhando com a perspectiva de desligar em dezembro os pré-candidatos da sua equipe de governo. Mas também tenho certeza de que, se a prefeita perceber que alguém já está usando a máquina para ajudar essa ou aquela candidatura, o desligamento pode até ser antes — advertiu Magal.
Ou seja: não vai haver sinal vermelho para nenhum secretário pré-candidato, mas o sinal amarelo para estes já está devidamente ligado pelos vereadores governistas em busca de reeleição.
No último dia 5, o Christiano Abreu Barbosa revelou aqui que o conceituado Guia 4 Rodas listou as “1001 praias no Brasil para conhecer antes de morrer”. Grande conhecedor de viagens no país e no exterior, o blogueiro destacou as praias da região apontadas pelo Guia: Farol de São Thomé, em Campos; Grussaí, em São João da Barra; Cavaleiros e do Pecado, em Macaé; e, em São Francisco de Itabapoana, Manguinhos e Lagoa Doce.
Respeito o Guia 4 Rodas e já me utilizei dele em viagens pelo Brasil, mas diante da opção regional por praias como Grussaí, Farol e Manguinhos, ignorando solenemente a existência do Pontal de Atafona, disparado o lugar mais belo e charmoso de todo nosso litoral, a vontade que vem à tona com a força da ressaca do mar é sugerir a mudança do nome do Guia: de 4 Rodas, para 4 Patas.
A beleza entre as ruínas, o mangue, o mar e o rio que a 4 Rodas ignorou