A partir da próxima segunda, dia 11, Campos voltará a poder oferecer o tratamento de radioterapia aos seus pacientes oncológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo informou ao blogueiro o diretor médico do Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia (IMNE), Diogo Neves, a bomba de cobalto que ficou um tempo inativa para a troca de pastilhas, única no município para realização do serviço, recebeu esta semana a aprovação dos técnicos do do Conselho Nacional de Energia para voltar a funcionar.
Assim, todos os pacientes oncológicos que vinham sendo obrigados a se deslocar a Itaperuna, para realizarem radioterapia no Hospital São José do Avaí, poderão voltar a ser tratados integralmente em Campos. Retomada em sua plena capacidade, a bomba de cobalto pode atender 80 pacientes/dia. E o IMNE espera dobrar essa oferta, a partir da aquisição de um novo acelerador linear, cuja estimativa para entrar em operação é entre três e quatro meses.
Antes de começar as atividades neste “Opiniões”, em parceria com o Zé Renato, minha estréia como blogueiro se deu no “Cantos” (aqui), destinado exclusivamente à publicação e discussão de poesia, em conjunto com o professor Adriano Moura e a antropóloga Fernanda Huguenin, ambos também poetas. Como o acúmulo de funções dos seus três autores acabou lançando aquele primeiro blog à inatividade, pecado capital em qualquer mídia interativa, optei por resgatar aqui alguns textos que publiquei lá, neste retorno presente à blogosfera. Até porque, quando da estréia do “Opiniões”, a cultura foi um dos temas anunciados para debate, mas sonegado no decorrer das suas atividades.
E, para iniciar esse transplante de textos do “Cantos” ao “Opiniões”, nada melhor que começarmos com o pai de todos os poetas…
Em qualquer língua, em qualquer canto da Terra, o que escrever sobre Homero que já não tenha sido dito?
Para falar dele, melhor falar da história da própria Grécia, cuja Civilização Micênica — assim chamada pelo poder centrado na cidade de Micenas — alcançou o apogeu com a Guerra de Tróia, entre 1.300 a 1.200 a.C., no fim da Idade do Bronze. Pouco depois, ou por invasões de povos dóricos vindos do norte, ou por um período de seca prolongada, ou por ambos os motivos, os gregos entraram num período de profunda decadência, com abandono de cidades, incêndio de palácios e, pior de todos os males, a perda da palavra escrita — o linear A e linear B legados aos micênicos pela Civilização Minóica, anterior e batizada com o nome de Minos, rei da cidade de Cnosso, que centralizava o poder grego na ilha de Creta. Essa “Idade das Trevas” se estendeu por meio milênio, até o séc. VIII a.C., quando ocorreu o fenômeno que o historiador francês Fernand Braudel definiu como “milagre grego”, gênese de tudo aquilo que se convencionou chamar de Civilização Ocidental: Nós!
Produto humano ou divino, o fato é que esse “milagre” foi operado na união de ambos os planos em duas epopéias, que fundaram não só a poesia, como a própria Literatura: a “Ilíada”, que narra os 10 anos da Guerra de Tróia (ou Ílio, daí Ilíada); e a “Odisséia”, que conta os 10 anos da penosa viagem de regresso de Odisseu (o Ulisses da tradução latina), da planície de Tróia à sua montanhosa ilha de Ítaca. Divididas cada uma em 24 cantos, as duas obras são atribuídas a Homero, poeta descrito pela tradição como cego e pobre, que teria adaptado a invenção fenícia do alfabeto fonético para transcrever dos sons aos signos aquilo que fora conservado 500 anos pela tradição oral dos rapsodos — misto de poetas e músicos que iam de cidade em cidade, tocando suas liras e cantando em rimas os feitos passados de suas gentes, a exemplo do que fariam, em tempos e lugares distintos, os trovadores, repentistas e rappers de depois.
Desde o período alexandrino — do domínio macedônio de Alexandre Magno até a transformação da Grécia em província romana — os estudiosos têm se debruçado sobre a chamada “questão homérica”: Os dois poemas são de um mesmo autor? São realmente dois ou se subdividem em outros, compilados em épocas diferentes? Quem escreveu o quê? Quando? — questionamentos acrescidos, no séc. 19, de uma indagação nunca ousada pelos gregos: Homero realmente existiu?
Certo como a negação de Homero ter sido produto de um Romantismo que buscava creditar as grandes obras literárias menos aos autores do que aos povos que os produziram, é a impossibilidade de se extrair resposta definitiva acerca da existência histórica do pai de todos os poetas. Quem aceita Homero, guardadas as proporções devidas, o faz como aquele que, incapaz de encontrar comprovação fática de Deus, após refletir sobre essas mesmas dúvidas, prefere seguir sua vida crendo. Quem nega sua existência, geralmente o faz por não acreditar que tanto gênio possa ter habitado a mente de um único homem.
Como independente do seu gênio, o homem (ou os homens) sempre importa menos que sua obra, a opção pela análise aqui adotada, recairá sobre dois pontos. O primeiro, baseado nas distinções entre as personagens centrais dos poemas.
Protagonista da “Ilíada”, Aquiles era o herói impossível, não só pela incomparável habilidade de guerreiro, como por sua busca de glória e conceitos de honra inalcançáveis aos seus semelhantes. Este, aliás, era o dilema: diante de Aquiles, não era possível se sentir semelhante. Ele era aquele tipo de homem que todos fingem admirar, mas na verdade invejam e até odeiam, pelo reflexo nítido e impiedoso que se contrapõe à toda mediocridade alheia.
Recentemente, uma adaptação da “Ilíada” foi levada às telas pelo cineasta alemão Wolfgang Petersen. Para saber a quem coube o papel de Aquiles em “Tróia” (“Troy”, EUA, 2004, 162 min.), não é nem preciso ter assistido ao filme. Sem necessidade de concordância, basta constatar que, em nossos dias, a beleza física e o sucesso financeiro são os valores que fazem um homem ser considerado superior a outros. Quem, então, se não Brad Pitt, considerado um dos atores mais belos e certamente um dos mais bem pagos de Hollywood? Qual celebridade maior neste mundo vazio de celebridades?
Independente dos valores de uma sociedade, Aquiles sempre será encarnado no mais alto pico que elas possam alcançar.
Mas quem também está no filme é Odisseu, corretamente relegado ao papel de coadjuvante que desempenha na “Ilíada”. Muito embora tenha sido dele a idéia do Cavalo de Tróia, do cinema à Literatura, isso só é revelado no Canto IV da “Odisséia”, quando Menelau e Helena já se encontram reinando novamente em Esparta e recebem em sua corte o jovem Telêmaco — filho de Odisseu e Penélope, que parte de Ítaca em busca do pai —, a quem contam como foi concluída a Guerra de Tróia, com a queda da cidade, e o destino das principais personagens. Tal epílogo narrativo é sonegado na “Ilíada”, que se encerra com os funerais de Heitor, príncipe de Tróia morto em combate por Aquiles.
De qualquer maneira, o fato do conflito ter se definido pela astúcia, não pelas inúmeras demonstrações de bravura de lado a lado, evidencia claramente a superioridade prática das virtudes do protagonista da “Odisséia” sobre aquelas que brilhavam na personalidade esfuziante que domina o primeiro poema. Diferente de Aquiles, Odisseu não foi à Tróia em busca de glória, mas de riqueza para sua casa. Ao ver o conflito se arrastar por 10 anos, separando-o idefinidamente da mulher e do filho, ele o definiu com um artifício talvez pouco honrado, mas eficaz, ocultando um punhado de guerreiros no “presente” aceito pela cidade sitiada. Herói possível, o rei de Ítaca só queria voltar para casa.
Concluída a Guerra de Tróia, o retorno pelo dorso das ondas se complica diante da vingança jurada por Posido, deus dos mares. Seu filho, o ciclope Polifemo, fora cegado com uma lança por Odisseu, para que ele e seus homens pudessem fugir ao cativeiro do monstro antropófago. Seguindo o conselho da feiticeira Circe, o rei de Ítaca navega até o Hades — destino de todos os mortos na crença pagã dos gregos — para tentar achar o caminho de casa junto ao fantasma do adivinho tebano Tirésias.
No Hades, ao fazer o sacrifício para que os mortos pudessem beber do sangue e só assim enxergar os vivos, Odisseu não apenas consulta Tirésias, como percorre todos os mitos gregos depois explorados pelo teatro de Sófocles, Ésquilo e Eurípedes, além de reencontrar as almas dos companheiros mortos. Entre eles Agamenón — rei de Micenas, irmão de Menelau e comandante dos gregos em Tróia, morto pela mulher e o amante ao voltar para casa — e Aquiles, abatido pela flecha de Páris, irmão de Heitor e também príncipe troiano.
Embora a vida de maior dos guerreiros tenha lhe conferido a posição de rei entre os mortos, o fantasma de Aquiles revela ao amigo que sua existência em busca de glória não valeu a pena: “pois preferia viver empregado em trabalhos no campo / sob um senhor sem recursos, ou mesmo de parcos haveres, / a dominar deste modo nos mortos aqui consumidos”.
Mas é com sua mãe, Anticléia, o encontro mais impressionante, posto que ele a havia deixado viva e com saúde em Ítaca, e só a descobre morta ao divisar seu espectro vagando em busca de sangue no Hades. O diálogo que se segue entre o filho de vida sofrida e o fantasma da mãe, base do segundo ponto de análise, sempre foi a passagem que mais me marcou, desde a primeira leitura da obra de Homero. Ao tentar sintetizar esta, o trecho destacado não poderia obedecer a escolha pessoal diversa.
Confesso, no entanto, que só após as diversas releituras recentes do texto, para confeccionar este post, fui atentar à missão que um inconsolável Odisseu recebe de Anticléia: relatar à esposa, Penélope, tudo que ouvira da mãe, quando finalmente regressase à Ítaca.
Em relação à “Ilíada”, não há novidade em situar o eixo da ação em Helena, rainha de Esparta raptada por Páris para Tróia, em resgate da qual partem todos os príncipes da Grécia. E aqui, na analogia com o segundo poema, no lugar das distinções entre os homens, o que há é comum nas mulheres que os moveram. O herói da maior obra literária já produzida (a “Odisséia”), quem diria, nada mais era do que um mensageiro, um menino de recado entre duas mulheres: sua mãe e sua esposa.
Tanto a Odisseu, quanto a Homero, admiro ainda mais por isso.
Ao fim e ao cabo, recorramos novamente a Braudel, outro dos tantos marcados por um encontro entre mãe e filho que nos define há três mil anos: “a Grécia antiga permanece viva, o homem grego testemunha uma humanidade de base que variou pouco ao longo dos tempos. E o pensamento voa até nós, reencarna-se obstinadamente como as almas que o sacrifício de Odisseu chamava à vida”…
“No mesmo ponto fiquei, até vir minha mãe para perto,
o negro sangue beber. Conheceu-me no mesmo momento,
e, com sentidos queixumes, me diz as palavras aladas:
‘Como vieste, meu filho, até às trevas espessas debaixo,
ainda com vida? É difícil aos vivos olhar estes quadros.
Há, de permeio, cachoeiras enormes e caminhos violentos,
a começar pelo Oceano, que nunca jamais ninguém pôde
a vau transpor, mas somente provido de nau bem construída.
Ora, depois de vagar muito tempo com teus companheiros,
vieste de Tróia até aqui? Às paragens ainda não foste
de Ítaca, nem te avistaste em teus passos com tua consorte?’
Isso me disse; em resposta lhe torno as seguintes palavras:
“Foi, minha mãe, necessário descer até ao de Hades Palácio,
para consulta fazer ao Tebano adivinho Tirésias.
Ainda ao país dos Aqueus não fui ter, nem à pátria querida,
mas sem cessar hei vagado, sofrendo aflições incontáveis
desde o momento em que o Atrida preclaro segui como sócio
para guerrear os Troianos em Ílio, de belos cavalos.
Vamos! Agora me fala e responde conforme a verdade:
Como domou-te o destino, inflingindo-te Morte implacável?
Foi demorada doença? A ti veio, talvez, a frecheira
Ártemis, que te privaste da vida com dardos suaves?
Do pai me conta e do filho, que em casa, ao partir, me ficaram,
se as regalias do mando ambos eles desfrutam, ou se outrem
as usurpou, por julgar que não hei de rever o palácio?
O pensamento e a vontade, também, me revela da esposa,
se junto ao filho ainda se acha e conserva os haveres intactos,
se o mais insigne dos chefes Aqueus a tomou por consorte?’
Disse-me, então, minha mãe veneranda a essas minhas palavras:
‘O coração paciente, em verdade, tua esposa ainda se acha
onde a deixaste, em tua casa. Aflição permanente a consome
todas as noites e dias, sem nunca pôr termo ao seu pranto.
Ainda ninguém do comando real se apossou, mas Telêmaco
todos os bens te administra tranqüilo, e freqüenta os banquetes,
tal como cumpre a pessoa que sói distribuir a justiça.
É convidado por muitos. No campo teu pai ainda se acha,
sem baixar nunca à cidade. Jamais dorme em leito macio,
por não ter mantos em casa, nem cópia de bons cobertores.
Dorme, de inverno, na casa onde os servos encontram repouso,
na cinza, junto à lareira, com roupa andrajosa por cima.
Mas quando chega o verão e a estação luxuriante de frutos,
pelo monstruoso terreno em que tem sua vinha plantada
no chão a cama prepera, formada de folhas caídas.
Acabrunhado ali fica, sentindo a tristeza indizível
de tua ausência. Sobre ele carrega a velhice funesta.
Esse o motivo, também, de me ver pelo Fado colhida.
Não me matou no interior do palácio a frecheira veloce,
que, com seus dardos suaves, da vida, afinal, me privasse;
nem foi, tampouco, doença que sói produzir nos humanos
definhamento terrível, e a força dos membros apaga;
mas os cuidados, ilustre Odisseu, por tua casa, e a saudade,
como a ternura que a mim dedicavas, tiraram-me a vida.’
Profundamente abalado deixaram-me suas palavras;
e, desejoso de o espírito ao peito apertar com ternura,
arremeti por três vezes, levando-me ao peito a abraçá-la;
por outras tantas dos braços fugiu-me, qual sombra fugace,
ou mesmo sonho, deixando-me dor mais acerba no espírito.
Volto-me, então, e lhe digo as seguintes palavras aladas:
‘Mãe, por que evitas o abraço em que tanto desejo estreitar-se?
Não poderíamos nós, até mesmo aqui no Hades, os braços
entrelaçar e atenuar, desse modo, a tristeza indizível?
Ou porventura, Perséfone ilustre, um fantasma ilusório
somente a mim deixou vir, porque dores mais fundas sentisse?’
Disse-me, então, minha mãe veneranda a essas minhas palavras:
‘Pobre de mim, caro filho, dos homens o mais desgraçado!
Não, não te engana Perséfone, a filha de Zeus poderoso:
esse o destino fatal dos mortais, quando a vida se acaba,
pois os tendões de prender já deixaram as carnes e os ossos.
Tudo foi presa da força indomável das chamas ardentes
logo que o espírito vivo a ossatura deixou alvacenta.
A alma, depois de evolar-se, esvoaça qual sombra de sonho.
Mas cuida logo de à luz retornar; grava na alma isso tudo,
para que possas, depois do retorno, à tua esposa contá-lo.’”
Homero, em Odisséia, Canto XI, versos 152 a 224, tradução de Carlos Alberto Nunes, Ediouro, 5ª Edição (2001), págs. 194 a 196
Aluysio Abreu Barbosa ao lado do busto de Odisseu, na praça central da pequena aldeia de Stavrós, na ilha de Ítaca (foto de Ícaro Abreu Barbosa)
Mauro Silva (Comunicação Social), Paulo Hirano (Saúde), Fábio Ribeiro (Administração), Cecília Ribeiro Gomes (Renda e Trabalho), Edson Batista (Hospital Geral de Guarus), Henrique Oliveira (Defesa Civil), Luiz Eduardo Crespo (Fundecam), Auxiliadora Freitas (Fundação Teatro Trianon) e Orlando Portugal (Desenvolvimento Econômico e Petróleo). A estes nove integrantes do governo municipal que, segundo o jornalista e blogueiro Saulo Pessanha anunciou aqui, se lançarão candidatos a vereador em 2012, deve ser somado mais um: Luiz Alberto Menezes, o Neném, vice-presidente da Fundação Municipal dos Esportes.
Neném já concorreu ao cargo duas vezes, em 2004, quando foi o 1º suplente do PSDB, com 1.985 votos; e em 2008, pelo PPS, com votação de 1.845, conquistando a 2ª suplência da legenda. Atualmente sem partido, ele já recebeu convites de Wladimir Garotinho, Edson Batista e Mauro Silva para integrar, respectivamente, o PR, PTB e PTdoB.
A depender do governo Rosinha, as chances que a pauta de reivindicações do magistério público municipal têm de ser atendidas, são as mesmas que o protesto de hoje, para marcar as 24h de paralisação parcial do setor, encontrou diante da sede da Prefeitura, quando ninguém do lado de dentro se dignou a receber os representantes da categoria, que cantavam do lado de fora: “Educação na rua/ Rosinha, a culpa é sua”.
Da pauta de reivindicações dos professores, cujo apoio do Sepe foi questionado e politizado por parte do governo, a única coisa que a Prefeitura, por enquanto, se mostra disposta a rever é o decreto 305/11. Ainda assim, de maneira apenas parcial, no sentido de estabelecer critérios às sanções propostas às licenças da categoria, julgadas execessivas pelo poder público municipal.
Dos 4.690 professores, segundo números do governo, hoje 915 estariam de licença, sendo 420 de forma permanente, por aposentadoria ou abandono da matrícula. Os 495 restantes, seriam por motivos de saúde, que a Prefeitura propõe revisar, a partir de 120 dias de ausência, com base nos critérios estabelecidos na lei federal 12.008/09, da qual foi relator o então deputado federal Geraldo Pudim, hoje secretretário municipal de Governo.
Com base no decreto municipal, o professor que não justificar sua licenças nos critérios preconizados pela lei federal, ficaria sujeito a perda de vale transporte, vale alimentação e da lotação. Todavia, por entender que o decreto trata de matéria que deveria, ou não, ser aprovada como pela Câmara Municipal, o vereador Rogério Matoso (PPS) arguiu (aqui) sua inconstitucionalidade junto ao Ministério Público.
Na dúvida sobre um dos pontos da queda de braço entre governo e magistério, as demais reivindicações do segundo, ainda sem nenhuma perspectiva de atendimento pelo primeiro, são: 30% de aumento, convocação dos concursados aprovados em 2008, eleição direta dos diretores das unidades de ensino, além da utilização da verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para gratificação e não pagamento dos professores.
Pelo menos quanto às duas últimas, divididas parecem estar as razões…
Segundo matéria da repórter Fernanda Moraes, publicada hoje na versão impressa da Folha, a própria conselheira municipal do Fundeb, Margareth Bissonho, afirmou que é prerrogativa do município usar até 100% das verbas do Fundo para pagamento dos professores. Ponto, pois, para Rosinha.
Já em relação à eleição direta para os diretores das escolas municipais, vale lembrar que a reivindicação democrática dos professores foi promessa de campanha da própria Rosinha, impressa preto no branco em seu programa de governo. Após eleita, porém, a prefeita preferiu manter o viciado esquema de indicações políticas, usado e abusado por vereadores da situação e outros aliados, com a genérica atenuante de que sua promessa era “inconstitucional”.
Diante da pergunta lógica “Se era inconstitucional, prometeu por quê?”, ponto cravado para os professores.
Enquanto a queda de braço ainda parece longe de mostrar um vencedor, segundo a repórter Fernanda Moraes apurou agora há pouco com uma das diretoras do Sepe, Graciete Santana (pré-candidata à Prefeitura pelo PCB), uma nova paralisação da categoria já está programada para a primeira semana de agosto, mas dessa vez por 72h.
Por que Rosinha não assume publicamente sua candidatura à reeleição, erguida como bandeira por todos seus aliados e que o blogueiro Christiano Abreu Barbosa, com a lucidez e objetividade comuns às suas análises, elencou (aqui) nove motivos para dar como certa?
Segundo fontes muito próximas à prefeita, a resposta é relativamente simples: porque ela não precisa. Dentro de um raciocínio prenhe de lógica, antecipar a discussão eleitoral de 2012, além da possibilidade de atrapalhar o que resta deste ano administrativo, seria fazer o jogo de uma oposição que previamente surge pulverizada em nada menos que nove opções partidárias: 1) PT, com Odisséia Carvalho; 2) PSDB, com Geraldo Goutinho; 3) PDT, com Arnaldo Vianna; 4) PCdoB, com Odete Rocha; 5) PV, com Andral Tavares Filho; 6) PSDC, com João Peixoto; 7) PCB, com Graciete Santana; 8) PPS com Sérgio Diniz ou Rogério Matoso; e 9) PMDB, com as alternativas de Fernando Leite, Nildo Cardoso, Ivanildo Cordeiro e, mais recentemente, até a prefeita sanjoanense Carla Machado.
Além de acertada politicamente, as mesmas fontes classificam a espera de Rosinha como questão de estilo. “Se fosse Garotinho — garantem — ele já teria anunciado seu nome”. Como a opção, até pela ainda alta rejeição do ex-governador em sua cidade natal, é por Rosinha, o certo, além da sua candidatura, é o seu devido anúncio: na virada do ano.
Depois da Argentina (1 A 1 com a Bolívia) e do Brasil (0 a 0 com a Venezuela), ontem foi a vez do também favorito Uruguai igualmente decepcionar em sua estréia na Copa América, empatando em 1 a 1 o jogo em que o Peru abriu a contagem. E este último exemplo torna-se ainda mais emblemático, lembrado que a seleção uruguaia foi a sul-americana de melhor desempenho na última Copa do Mundo (4º lugar, tendo Diego Forlán eleito como melhor jogador), enquanto a peruana foi a última colocada nas Eliminatórias do continente à África do Sul.
Ou seja: no primeiro confronto oficial de 2011, entre o melhor e o pior da América do Sul em 2010, o placar final de ontem não expressou nenhuma diferença. E quem assistiu ao jogo pôde constatar que o resultado foi fruto da justiça aplicada no que se viu dentro das quatro linhas, não do acaso.
Ao blogueiro, três parecem ser as explicações para esse rendimento continental abaixo do esperado das três seleções de maior tradição da América do Sul, que, juntas, conquistaram nove Copas do Mundo, só uma a menos do que os cinco ganhadores europeus (Itália, Alemanha, Inglaterra, França e Espanha)…
1) A primeira é de que, diante do regulamento da Copa América, as seleções teoricamente mais fortes poderiam estar se poupando para o mata-mata a partir das quartas-de-final, à qual se classificam oito das 12 seleções presentes na Argentina.
Ou seja, dos três grupos de quatro seleções cada, têm passagem garantida à próxima fase os três primeiros, três segundos e dois melhores terceiros colocados. Pai da independência da maioria dos países da América do Sul, Simón Bolívar não seria mais maternal…
2) Outra explicação possível advém do fato de que o Brasil, principal força do continente e único país do globo a disputar todas as Copa do Mundo, não disputará as próximas Eliminatórias, posto ter sua vaga garantida na condição de país-sede do Mundial que se avizinha. Isso abrirá mais uma vaga nas Eliminatórias sul-americanas aos times tidos como inferiores, que estão usando a Copa América como tubo de ensaio à tática que a maioria usará na tentativa de se classificar para 2014: se fechar atrás para garantir o empate fora de casa e, quando com o apoio da torcida, buscar a vitória na base dos contra-ataques.
E, pelo menos no que se viu na primeira rodada desta Copa América, o recurso pareceu acertado ao sonho com a próxima Copa do Mundo.
3) Por fim, a última explicação reside em algo que passa despercebido à maioria: o confronto tático. Argentina, Brasil e Uruguai hoje jogam no antigo 4-3-3, “reinventado” no 4-2-1-3 do famoso quadrado mágico brasileiro (Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Adriano) que naufragou diante do gênio de Zinedine Zidane, na Copa de 2006. Em contrapartida, tanto Bolívia, Venezuela e Peru, como todas as demais forças consideradas menores, atuam no velho 4-4-2, com duas claras linhas defensivas de quatro homens no seu próprio campo. Foi o esquema, por exemplo, adotado em 1994, na conquista do Tetra brasileiro pelo time de Carlos Albero Parreira (coincidência, ou não, o mesmo técnico de 2006).
E, novamente pelo que se viu na primeira rodada desta Copa América, o esquema que deu a Copa do Mundo ao Brasil em 1994 tem criado sérias dificuldades àquele com o qual fracassamos em 2006.
Após recesso de alguns meses deste blog, mantido pelo talento do traço do Zé Renato, retomei ontem, timidamente, as atividades virtuais, para falar de um dos assuntos nos quais tenho mais prazer em escrever: futebol. Publicada na edição de hoje da Folha impressa, a análise do decepcionante empate sem gols, na estréia da Seleção Brasileira na Copa América, diante da fraca, mas esforçada Venezuela, feita desde ontem neste Opiniões, permitiu aqui a tabela interativa, na qual a fala individual se torna diálogo, socialização ainda mais prazerosa quando o assunto é futebol.
Não por outro motivo, segue abaixo, na forma mais relevante de post, a conversa mantida entre este blogueiro e o leitor…
Não diria que a Argentina continua jogando bem… Em primeiro lugar, porque não tem convencido desde a Copa da África do Sul, da qual foi eliminada nas quartas-de-final, após um acachapante 4 a 0 imposto pela Alemanha do craque Bastian Schweinsteiger.
Ademais, continuou não jogando bem em sua estréia na Copa América que ora sedia, no parco 1 a 1 diante da fraca Bolívia, que já havia lhe imposto um humilhante 6 a 1, na altitude de La Paz, em 2009, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa de 2010.
A bem da verdade, seja nas Eliminatórias, na Copa do Mundo e, por enquanto, nesta Copa América, os hermanos têm demonstrado o mesmo problema: uma defesa pouquíssimo confiável, que não consegue ser atenuada enquanto time pelos muitos grandes jogadores que possui do meio para frente.
O Brasil, ao contrário, desde a Era Dunga (como treinador) tem se destacado pela solidez da sua defesa, apesar desta ter falhado contra a Holanda, que nos eliminou de virada, por 2 a 1, nas mesmas quartas-de-final da África do Sul.
Muito embora Mano tenha convocado promissores valores do meio para frente, inclusive a dupla Ganso-Neymar, deixada por Dunga no Brasil, o fato é que, pelo menos por enquanto, o esperado reencontro da nossa Seleção com o futebol lúdico e ofensivo que tanto a caracterizou no passado — sobretudo entre as Copas de 1938 e 1982, mas que hoje é marca do Barcelona e da seleção espanhola —, ainda não ocorreu.
Em suma: por motivos diferentes, diria que tanto a Argentina como o Brasil continuam não jogando bem. Vejamos o que nos traz, daqui a pouco, o Uruguai de Diego Forlán, Luizito Soárez e Cavani, melhor sul-americano nos gramados africanos…
Durou menos de 48 horas a alegria dos brasileiros que ainda se prestam ao papel de torcer contra a Argentina. Se na noite de sexta, o empate de 1 a 1 com a Bolívia, no jogo de abertura da Copa América, deixou amarga a garganta dos hermanos, a curta tarde de inverno de hoje não reservou melhor sorte ao time de Mano Menezes, na abertura do Grupo B, encerrada num empate sem gols diante da fraca Venezuela, país no qual o futebol sequer é o esporte mais popular.
Assim como com a seleção de Messi e Tévez , o começo do Brasil de Neymar e Ganso chegou a dar a impressão de que seria questão de tempo para se confirmar em campo o amplo favoritismo do papel. Logo no minuto inicial, Robinho arriscou de fora da área, obrigando o goleiro Vega à primeira defesa. Aos cinco minutos, Lúcio encontrou Pato livre na esquerda, num belo passe em profundidade. O atacante matou com categoria e rolou para Neymar, que deu um drible a mais, mesmo já dentro da área, e desperdiçou a oportunidade.
A resposta venezuelana veio aos 11 minutos, num cruzamento do lateral direito Rosales que o meia esquerda Arango mandou de cabeça por cima do gol de Júlio César. A tréplica se deu no minuto seguinte, quando Robinho recebeu de Neymar e chutou. Rebatida pela zaga, a bola sobrou para André Santos, que bateu cruzado, mas a bola desviou em Robinho e foi para fora.
O frio em La Plata pareceu arrefecer o ímpeto ofensivo dos brasileiros, que começaram a se ressentir da pouca inspiração do seu principal abastecedor de jogadas: Paulo Henrique Ganso. Sem ele, coube a Daniel Alves, aos 26, rolar da direita para Pato carimbar o travessão venezuelano. Cinco minutos depois, em bom passe de Ramires, Pato teve outra chance, mas concluiu para a defesa em dois tempos de Vega.
Aos 38, num contra-ataque, Neymar tocou para Robinho, que chutou a gol. Mesmo caído, o zagueiro Vizcarrondo salvou com o ombro. Num dos poucos bons passes de Ganso, aos 44, Neymar entrou pela esquerda e tentou colocar com a parte interna do pé no canto oposto, mas a bola abriu demais e saiu pela linha de fundo.
Se a atuação brasileira foi aquém da esperada no primeiro tempo, conseguiu piorar no segundo. Já aos sete minutos, Mano mandou os reservas ao aquecimento. Aos nove, Daniel Alves achou Pato na área, que não conseguiu dominar e permitiu a defesa do goleiro.
Como o Brasil pouco criava, a Venezuela começou a querer gostar do jogo. Aos 13, Arango cruzou da esquerda ao atacante Rondón, pondo Júlio César para trabalhar. Aos 25, em triangulação de Arango com o lateral Cichero, a bola foi cruzada para Fedor, o outro atacante da Venezuela. Dois minutos após, foi ele quem fez o pivô, na entrada da área, diante de Lúcio, abrindo na esquerda novamente para Arango, que bateu para fora com perigo.
Como a entrada de Fred no lugar de Robinho, desde os 19 minutos, não havia alterado o quadro, aos 30 Mano resolveu atender à torcida e mandar a campo a jovem promessa Lucas, no lugar de Pato, além de substituir Ramires por Elano.
Aos 42, na única jogada que Neymar conseguiu acertar em todo segundo tempo, ele achou André Santos entrando pela esquerda, que bateu no canto oposto, com a bola saindo pela linha de fundo. No minuto seguinte, ouviram-se as primeiras vaias à Seleção Brasileira, bisadas após o apito final.
Em coletiva durante a semana, Mano disse que não existem mais “galinhas mortas” no futebol. Pelo sim, pelo não, bom que Neymar e Ganso ressuscitassem, na Seleção, o futebol que jogam no Santos. Caso contrário, o Paraguai, que ontem também empatou sem gols contra o Equador, pode até querer cantar de galo no próximo sábado.
BRASIL
JÚLIO CÉSAR — Mero espectador do jogo de um time que entrou para se defender contra outro que não soube atacar. NOTA 5.
DANIEL ALVES — Tentou apoiar, buscando triangulações com Lucas Leiva e Robinho. Mesmo sem maior efetividade, chegou a dar dois bons passes para Pato, um aos 26 do primeiro tempo, com o qual o 9 brasileiro carimbou o travessão, e numa boa enfiada, aos 9 da segunda etapa, que o atacante do Milan, mesmo dentro da área, não conseguiu dominar. NOTA 6.
LÚCIO — Excelente passe longo, em ligação direta entre defesa e ataque, logo aos 5 minutos de jogo, que encontrou Pato livre, na esquerda. Bem no combate à isolada dupla de ataque da Venezuela. No final da partida, porém, quase se complica. NOTA 6.
THIAGO SILVA — Também sem maiores problemas na marcação aos atacantes Rondón e Fedor. Levou cartão amarelo merecido, ao matar com falta um contra-ataque venezuelano, aos 37 do segundo tempo. NOTA 6.
ANDRÉ SANTOS — Também tentou o apoio, junto a Ramires e Neymar, mas se perdeu na má atuação de ambos. Aos 42 da segunda etapa, arriscou chute de fora da área, que saiu pela linha de fundo, no canto oposto. Precisa melhoar nos cruzamentos. NOTA 5,5.
LUCAS LEIVA — Na função de primeiro homem do meio-de-campo, buscou menos o jogo do que Ramires. Na marcação, sobretudo sobre o meia esquerda Arango, esteve bem. NOTA 6,5.
RAMIRES — Na parte tática, cumpriu seu papel, tanto na marcação, quanto para prender o lateral direito Rosales. Tecnicamente, porém, foi um dos tantos brasileiros em dia infeliz. NOTA 5. Deu lugar, aos 30 do segundo tempo, a ELANO, que tentou armar o jogo pela direita e chegou a arriscar um chute, por cima do gol. NOTA 6.
GANSO — De quem se esperava ser o cérebro do time de Mano Menezes, talvez seu “apagão” de hoje revele a causa da péssima atuação brasileira. Sem mobilidade física e metalmente embotado, errou até passes curtos. NOTA 4.
ROBINHO — Obrigou o goleiro Vega à sua primeira defesa, logo no minuto inicial, em chute de fora da área. Foi dele também a conclusão, aos 38, que o aguerrido zagueiro Vizcarrondo, mesmo caído, interceptou com o ombro. NOTA 5,5. Desapareceu no segundo tempo, sendo substituído, aos 19, por FRED, que não conseguiu ser a referência de área. NOTA 4.
PATO — Ainda que tenha sido escalado por Mano como atacante de área, posição que no Milan é ocupada pelo sueco Ibrahimovic, de quem é um eficiente garçon, teve oportunidades e não soube aproveitar nenhuma, ou por dificuldade de domínio, ou por azar, como na bomba com a qual carimbou o travessão de Vega. NOTA 4. Saiu, aos 30 da segunda etapa, para a entrada de LUCAS, que mostrou, pelo menos, disposição. NOTA 5.
NEYMAR — Chegou à Copa América na expectativa de se equiparar ao Messi do Barcelona, mas hoje jogou abaixo até do Messi da Argentina. Demonstrou seu maiores defeitos, com firulas excessivas e inúteis, sem evidenciar suas virtudes. Uma única conclusão a gol, aos 45 do primeira etapa, quando recebeu na esquerda um dos poucos passes que Ganso conseguiu acertar, tentou colocar no canto oposto do goleiro, mas mandou pela linha de fundo. No segundo, errou tudo que tentou NOTA 4.
MANO MENEZES — Ainda é cedo para se avaliar seu trabalho, mas o jogo de hoje será um dos seus pontos baixos à frente da Seleção. Não teve ou terá na Copa América uma opção para Ganso, de quem seu esquema depende, assim como Dunga, por não levar o meia do Santos à África do Sul, não teve alternativa para Kaká na Copa do Mundo. Ademais, se Pato não conseguir se adaptar ao papel de pivô, que não exerceu no Internacional ou no Milan, dependerá de Fred, que não atravessa boa fase, ou de um Robinho improvisado de centro-avante. NOTA 4.
VENEZUELA
O vigoroso zagueiro Vizcarrondo e o incansável volante Rincón foram os destaques positivos do time treinado por César Farias, folgado como Hugo Chávez.