Ataque
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:12 de outubro de 2010 - 15:37
- Categoria do post:Sem categoria
- Comentários do post:2 comentários
Até que os 18 novos blogs da Folha Online entrassem no ar, a interatividade desses espaços virtuais com a editoria de Política do impresso, ficava mais por conta do Blog do Bastos, do Painel, do Na Curva do Rio, do Na Geral e deste Opiniões, respectivamente de autoria do Alexandre Bastos, Saulo Pessanha, Suzy Monteiro, Luiz Costa e Aluysio Abreu Barbosa e José Renato, todos profissionais da redação do jornal. Já com sua editoria de Economia, as contribuições virtuais, embora muitas vezes desperdiçadas, ocorriam basicamente por parte do Ponto de Vista, do Christiano Abreu Barbosa, que embora seja diretor da Folha, nunca foi ligado à redação. Com seu Entrelinhas, a Júlia Maria (também jornalista, mas fora da nossa redação há alguns anos) também tem gerado pautas muito interessantes para ambas as editorias, pelo menos quando seus integrantes demonstram sensibilidade para saber aproveitá-las.
Pois entre os novos blogueiros da Folha, dois outros se destacam na geração de pautas afins às duas editorias citadas: Roberto Barbosa, em Política; Esdras, também em Economia. Ontem, ambos fizeram isso, Esdras anunciando (aqui) os novos investimentos da gigante Hiunday no Porto do Açu, Roberto divulgando (aqui e aqui) a ruptura, em São Fidélis, entre o prefeito Luiz Fenemê (PMDB), com seu antecessor no cargo e agora ex-padrinho, o polêmico David Loureiro. Enquanto a primeira pauta foi parcialmente aproveitada pela Folha, mas só a partir do aviso aos seus profissionais pelo blogueiro, a segunda não veio com sino grudado ao pescoço e foi desperdiçada até ser aproveitada apenas hoje, numa velocidade lenta demais à era do tempo real.
Embora ambos jornalistas e com passagens na Folha, principalmente o primeiro, que possui extensa folha de serviços prestados, Esdras e Roberto não são mais profissionais do jornal, apenas seus colaboradores. Eles e outros novos blogueiros que já vem se destacando na geração de boas pautas, como o André Lacerda (aqui), a Neusinha Siqueira (aqui) e a Luciana Portinho (aqui), precisam ser melhor aproveitados pela redação da Folha. Caso contrário, o leitor que se mostrar atento ao desperdício, pode chegar à conclusão simples e lógica de que, mesmo na condição de “leigo”, ele possui mais interesse em buscar informações do que profissionais que são pagos para fazê-lo.
Como entre eles está este jornalista e blogueiro, assumo o compromisso com você, leitor, de fazer tudo que estiver ao meu alcance para que esta interatividade entre a Folha e os 41 blogs que ela orgulhosamente hospeda, passe a se dar da maneira mais dinâmica possível.
Parece que o “homem-bomba” de Garotinho na Câmara entrou na jihad pela presidência da República. Em seu blog, o vereador Albertinho (PP) anuncia: “Arcebispo da Paraíba acusa Dilma e PT de mentirem para os eleitores”. Confira aqui…
Seja em espaços reais ou virtuais, refletir é ampliá-los. Quem, mesmo sem dar a mínima para decoração, já não percebeu que a instalação de um espelho num aposento contribui para aumentá-lo, literalmente, a olhos vistos? Como o conhecemos hoje, o espelho foi uma invenção veneziana do séc. 13, mas até o séc. 16, dado seu elaborado trabalho artesanal, o instrumento ótico ainda chegava a custar mais que uma pintura do mestre italiano Rafael (1483/1520).

Até que os portugueses abrissem os caminhos do Atlântico, os árabes, que tanto influenciaram o Renascimento na Itália a partir do comércio no Mediterrâneo, desenvolveram ao máximo de refinamento uma solução engenhosa, mas relativamente mais fácil, para usar o reflexo na ampliação dos seus espaços arquitetônicos: o espelho d’água. Quem já teve oportunidade de visitar o Alhambra, complexo de palácios em Granada, no sul da Espanha, último reduto mouro na Península Ibérica, sabe bem do que estou falando.
Quem não teve e quiser conferir o que digo em Campos, basta se entregar ao mesmo deslumbramento proporcionado pelas imagens publicadas aqui, pelo Antonio Cruz, e aqui, pelo Leonardo Berenger, ambos repórteres-fotográficos e blogueiros da Folha. Ciente da valiosa lição de que refletir é ampliar, o blog se cura da “cegueira” de Narciso ao tomar as duas fotos de empréstimo, abaixo…


Atualizado às 2h15 de 29/10/10, antes tarde do que nunca, para corrigir a incorreção na grafia do prédio público mais importante de Atenas, cujo erro ortográfico foi alertado, desde o dia 14, pelo leitor Antonio Carlos Ornellas Berriel
Em seu artigo dominical, publicado na edição de ontem da Folha, o jornalista Aluysio Barbosa teceu algumas observações interessantes. Entre elas, talvez a principal esteja no estranhamento lógico ao fato de Marina Silva, candidata forte nas classes A, B e C+, ter sido a mais votada no primeiro turno em Guarus, área cuja dominância sempre foi de baixa renda. O velho repórter enxerga aí a digital de uma “liderança forte, muito forte, naquele bairro de classes mais fortes e iletradas”, num trabalho pelo segundo turno, onde, por exemplo, o apoio do PR seria fundamental a Dilma, ao custo de acordos em Brasília com força talvez até para influenciar as decisões judiciais de Campos ainda pendentes, sobre a cassação de Rosinha.
Três dias antes de 3 de outubro, este Opiniões já havia alertado (aqui) sobre essa possibilidade, de um segundo turno servir em benefício do grupo de Garotinho, inclusive no que se refere à eleição suplementar a prefeito de Campos. Como indícios dessa tese, no sábado, em seu Juventude e Atitude, blog que estreou na Folha Online com volume e qualidade de veterano, o André Lacerda já noticiou aqui, em primeira mão, que a indicação do deputado federal em fim de mandato e derrotado nas urnas a estadual, Geraldo Pudim, à direção-geral do Dnit, seria uma das condições impostas por Garotinho ao apoio do PR a Dilma.
Resta saber quais serão as outras…
Abaixo, a íntegra do artigo do veterano com atitude de jovem, Aluysio Barbosa:
Balcão de negócios
Quando o engenheiro Paulo Feijó, depois de ser eleito mais uma vez deputado federal, investiu contra entidades de classe do município (aqui), acusando-as de serem, em grande parte, responsáveis pela respeitável soma de votos de candidatos de fora em todas eleições, mais uma vez fez aflorar a sua inabilidade no trato com as forças produtivas do colégio eleitoral que o acolheu, técnico importado de Santa Maria Madalena, terra da sempre lembrada Dercy Gonçalves, para prestar serviços na Rede Ferroviária.
Mostrou, inclusive, talvez por conveniência, que a realidade é outra e bem antiga. Se tivesse que fazer crítica justa, ela teria que ser dirigida a classe a que pertence. Sim, porque os responsáveis maiores do motivo de sua destemperada reação são os políticos locais, não apenas em defesa da sigla partidária a que pertencem, mas pela compensação financeira que recebem ao longo da campanha de candidatos de fora que necessitam garantir, sem susto, suas eleições.
Os exemplos são muitos e antigos e o mais representativo deles no passado foi do ex-banqueiro Ronaldo César Coelho arrebanhando votos em uma região que na prática não conhecia e na qual que também não era conhecido. Essa compra desenfreada de votos não atinge apenas a disputa pela Câmara Federal, mas também, certamente em proporções maiores, vagas para a Assembléia Legislativa. Não surpreende, depois de apuradas as urnas, que candidatos forasteiros fiquem revoltados e lamentem o dinheiro gasto por votos que nem sempre chegam de acordo com a quantidade prometida.
Diante deste quadro que se repete de quatro em quatro anos, pergunta-se o que foi feito do decantado bairrismo que em outra época caracterizava o campista? Verdade que muitos candidatos locais, depois de eleitos, poucos fazem para sua cidade e região, mas verdade também que este fato não poderia e nem pode servir de justificativa para abrir o município para aventureiros que só aparecem por aqui, quando aparecem, para levar votos preciosos que garantam suas vitórias nas urnas.
Afinal de contas, nesta eleição, como explicar votações expressivas como as obtidas por Adrian Mussi, Domingos Brazão, Eduardo Cunha, Vitor Paulo, Felipe Pereira, Felipe Bornier e outros, principalmente do primeiro que, apesar de ser de Macaé, nunca deu as caras por essas bandas? Se cabos eleitorais foram responsáveis por tantas surpresas (?), o que receberam de recompensa? Sim porque de graça é que não foi. Quando não é grana, como ocorre na maioria dos casos, são interesses meramente pessoais e políticos que se misturam.
Fica difícil explicar, como Marina Silva, candidata sufragada nas urnas pelos jovens e intelectuais, conseguiu ser a mais votada em secções de Guarus. Num exame mais acurado e lógico, obviamente houve aí o dedo de uma liderança local forte, muito forte, naquele bairro de classes mais pobres e menos letradas. E não é difícil encontrar quem era o maior interessado que houvesse 2º turno para melhor negociar seu cacife eleitoral. Na verdade, no Brasil, eleição se transformou em um grande balcão de negócios.
Na humilde opinião deste blogueiro, a foto feita e postada aqui pelo Diomarcelo Pessanha, não deixa nada a dever às obras dos dois arquitetos em foco: Oscar e Javé. Qualquer dúvida terrena ou divina, basta conferir abaixo…
Por diomarcelo, em 09-10-2010 – 0h48
Uma visão do Rio de Janeiro onde a obra do homem museu de arte contemporânea (MAC) de Niterói e obra da natureza (Morro Cara de Cão) se atraem.
Provocação pertinente do jornalista e blogueiro Alexandre Bastos (aqui), acerca do papel real do PSDB de Campos na campanha de Serra no segundo turno, enquanto parte do partido encontra-se aparentemente cooptada por Garotinho, que é aliado de Dilma, poderia (e deveria) ser respondido por outro blogueiro hospedado na Folha (aqui), o presidente do partido Robson Colla: “Onde estão os tucanos da planície?”
Enquanto a resposta não vem, segue abaixo o questionamento do Bastos, temperada com sua ironia de sempre…
Por Alexandre Bastos, em 10-10-2010 – 22h23
Na eleição presidencial de 2006, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, caminhou em Campos ao lado de lideranças tucanas no município. Hoje, com Paulo Feijó no PR e seus aliados bem afinados com o grupo do casal Garotinho, fica difícil saber onde estão os tucanos da planície. Até agora não vi um único adesivo do José Serra na cidade.
Até o Eymael (PSDC), que recebeu o apoio do deputado estadual João Peixoto, teve uma campanha mais organizada em Campos.
Deputado federal eleito mais votado pelo PV, superando medalhões da legenda como Sirkis, o neurologista Aluízio Júnior fez 54.011 votos, dos seus 95.412, só em Macaé, município em que superou Adrian, irmão do prefeito Riverton, que também se elegeu à Câmara Federal, mas com apenas 18.630 votos macaenses. Foi a segunda vez que o médico se candidatou. Em sua estréia, em 2008, concorreu a prefeito, superando o ex Sylvio Lopes e perdendo para Riverton, em campanha de reeleição, com todo o peso da máquina municipal, por diferença de apenas 2.881 votos. O deputado verde confirmou que disputará novamente a Prefeitura em 2012. Sem nenhum vereador ao seu lado, Aluízio aposta em continuar catalisando a vontade de mudança, ensinando, mesmo sem querer, o caminho à oposição de Campos, integralmente derrotada nas urnas de 3 de outubro.

Opiniões – Em Campos, a história do criador e criatura se repete desde Garotinho e Sérgio Mendes, passando por Arnaldo, Mocaiber e Wilson Cabral. Em Macaé, mais recentemente, isso parece se dar também, desde o rompimento de Riverton Mussi (PMDB) com Sylvio Lopes (PSDB). É uma fenômeno regional?
Aluízio Júnior – Não, acho que criador e criatura é uma relação de poder que perpassa todo o processo político. Isso não é uma caracterítica de Campos, do interior do Estado ou do país. Você vê César Maia com Conde, Maluf com Pitta, Brizola com César Maia, Brizola com Garotinho, Garotinho com Cabral. Não é uma caraterística do interior, de Campos, de Macaé ou Juiz de Fora; é uma característica do poder. Quando você ascende ao poder, você tem a capacidade de ocupar o poder com outras pessoas. Algumas pessoas chegam ao poder e acabam ocupando o espaço com totalitarismo. Eu não sei até que ponto a criatura tem que servir ao criador o tempo todo. Eu acho que as mudanças existem, a forma de pensar muda e aí o processo político fica rico com essas situações.
Opiniões – Mas até que ponto você mesmo não poderia ser inscrito nesse processo, já que é corrente a versão de que sua candidatura a prefeito de Macaé, em 2008, teria sido lançada por Riverton para tirar votos de Sylvio, mas acabou emplacando de tal maneira que, além de passar o segundo, acabou quase ganhando o primeiro?
Aluízio – Na verdade, a política é feita de muito mito. Eu acho que a grande característica da política é que ela tem pouca verdade.
Opiniões – Essa não é uma afirmação perigosa?
Aluízio – Mas eu acho que sim. Eu acho que a política, ela trabalha com muito mito; e esses mitos têm sido caido por terra sistematicamente. Quando a gente foi enfrentar o proceso eleitoral de Macaé, a gente saiu por uma questão pessoal, por uma questão política e partidária, e foi enfrentar. Você imagina em Macaé, você sai como médico, sem candidato a vereador, sem uma estrutura eco-nômica, fazer 38 mil votos (38.145), contra 40 mil votos (41.026) de uma máquina (Riverton) e 17 mil (17.815) de outra (Sylvio). Você acha que alguém que tem uma candidatura de proveta, de laboratório, faria 38 mil votos, sem recurso, trabalhando?
Opiniões – Não estou afirmando, só reproduzindo uma versão conhecida.
Aluízio – Sim, estou falando só para reflexão, porque na política a gente vive de boatos, de pou-cos fatos, na verdade.
Folha – Na verdade, houve isso ou não?
Aluízio – Se houvesse isso, eu hoje não estaria contra Riverton; eu poderia ter negociado três, quatro, cinco secretarias. Ou então, não enfrentaria o irmão dele (Adrian Mussi, do PMDB, também eleito deputado federal, mas com 35.381 votos a menos só em Macaé).
Opiniões – Qual foi então o contexto da sua candidatura a prefeito?
Aluízio – A candidatura surgiu em janeiro de 2008, num contexto de de-sacordo com a política do governo, sobretudo com a política de Saúde.
Opiniões – Como sua experiência na direção do Hospital Público Municipal (HPM)?
Aluízio – Rapaz, foi uma experiência bastante importante, em todos os níveis. E foi muito bom. Eu lidei com gestão pública e, por conta disso, fiz especialização em gestão hospitalar na Fiocruz. Então, eu comecei a ter a noção de como se faz gestão de uma instituição pública.
Folha – E politicamente, serviu para articular algo?
Aluísio – Para articular, não. Serviu para ter coragem.
Folha – Coragem em que sentido?
Aluízio – No sentido de você desafiar. Eu fui diretor técnico do hospital e depois fui presidente da Fundação Hospitalar, que foi na gestão 2005.
Opiniões – No governo Riverton. Como era sua relação com ele à época?
Aluízio – Rapaz, minha relação com Riverton sempre foi uma relação técnica. Eu nunca tive uma relação afetiva com o Riverton, nunca fui amigo. Foi uma gestão técnica, literalmente técnica.
Opiniões – E por que saiu?
Aluízio – Eu sai por desacordo com a política de Saúde; desacordo claro.
Opiniões – Entrou quando e saiu quando?
Aluízio – Eu entrei em 2005 e sai em 2008, janeiro de 2008.
Folha – Então decidiu ser candidato a prefeito quando ainda era diretor do hospital?
Aluízio – Não, decidi quando deixei de ser diretor do hospital.
Opiniões – Foi ato contínuo?
Aluízio – Foi ato contínuo.
Opiniões – E a que você credita tanto sucesso nas urnas, de alguém que nunca havia sido candidato a nada, que supera um ex-prefeito e quase vence o atual?
Aluízio – Saturação do processo político; desejo de mudança. Isso é claro, isso não sou eu, isso não é o que você acha, é o que é. A população entende a política como um serviço prestado. O que a população quer da política, o que você espera da política? Você espera resultado, você precisa ter um produto para apresentar à população. Quando o produto apresentado é ruim, a população se opõe. Todo mundo na vida quer um produto, quer um resultado. E o resultado político de Macaé tem sido muito ruim. Macaé é um município muito rico, mas a população não tem percepção dessa riqueza. Macaé é uma cidade que falta água; Macaé tem 30% ou mais da sua população com habitação precária, sem condições de saneamento. Macaé é uma cidade de alta tecnologia, com empresas de ponta no ramo do petróleo, e a população não tem qualificação profissional; 110 mil empregos com a população desempregada. Quem suporta uma situação dessas? Que qualidade de gestão há nisso?
Opiniões – Mas qual é o segredo para catalizar essa insatisfação ao ponto de ser não apenas, de longe, o candidato a deputado federal mais votado de Macaé (onde fez 54.011 do total de 95.412 votos), mesmo com toda a máquina trabalhando a favor do irmão do prefeito, conseguindo ganhar no plano estadual até do Alfredo Sirkis, figura de expressão nacional do seu PV?
Aluízio – Ganhei, não, fui mais votado do que ele. Isso é um ato contínuo, como você disse antes. A percepção da população não é pontual; a população começa a perceber a política como um processo evolutivo. Se você analisar os números de Macaé (na eleição de 2008), foram 38 mil votos para Aluisio e 17 mil votos para Sylvio. Faz as contas de quantos votos foram agora (em Aluisio, para deputado federal): 54 mil votos (próximo à soma real de 55 mil). Os mes-mos que falaram não para o governo (Riverton), falaram não de novo. Eu simplesmente catalizei esse sentimento. Aconteceu em 2008 e se confirmou em 2010. É uma confirmação clara; é só você analisar o processo de forma numérica, cartesiana; você não precisa fazer nenhum digressão filosófica.
Opiniões – Mas você, aí, não está tirando os seus méritos, ao conseguir catalisar isso?
Aluízio – Para toda reação, precia de um catalisador. Com um mau catalisador, não há reação. Agora, Aluisio, nesse processo, é um catalisador. Você tem que ter sensibilidade para perceber a demanda. O mérito é esse, e não é uma demanda regional, não; é universal. Você pega grandes gestores, como no caso de Minas Gerais (onde Aécio Neves elegeu a si e Itamar Franco ao Senado, além de fazer Anastasia seu sucessor como governador) e foi embora. E você pega grandes nomes da política do Estado do Rio de Janeiro que tiveram grande dificuldade para se eleger. Está aí, na sua relação (com os deputados federais eleitos): quantos passaram de três dígitos para dois dígitos? E tem gente de dois dígitos que foi para três, só trabalhando. O processo político, hoje, exige transparência, exige trabalho, exige menos mito.
Opiniões – E como fazer para que em Campos alguém também consiga catalisar essa demanda de mudança, na tão falada terceira via?
Aluízio – Eu não tenho percepção do processo político de Campos. Campos é uma cidade totalmente diferente de Macaé. Campos ainda é uma cidade tradicional, a população de Campos não tem o grau de migração de Macaé, de Rio das Ostras. Hoje, em Macaé, em qualquer restaurante, você ouve se falar duas, três línguas, fácil.
Opiniões – Mas se, como você disse, a demanda por mudança é universal, devem existir regras gerais que podem ser aplicadas às duas cidades quase vizinhas, até porque a terceira via é tentada em Campos desde 2004, quatro anos antes que Macaé.
Aluízio – Eu acho que tem que ter alguém que tenha coragem para enfrentar toda a estrutura de Campos, que não é uma estrutura frágil; se fosse frágil, já teria sido solucionada. Precisa de alguém que tenha coragem e capacidade de entender o sentimento da população. Agora, catalisar esse sentimento não é só bônus, não; tem ônus também. A partir do momento que você se candidata a alguma coisa, você abre sua vi-da. Você precisa ter coragem, precisa ter família para suportar. O jogo é pesadíssimo. Você imagina numa cidade que tem R$ 1,5 bilhão de orçamento/ano, que tem as grandes empresas de petróleo, que produz 25% do PIB nacional, junto com Campos, você enfrentar o proceso eleitoral, saindo do consultório junto com a esposa, é fácil? Nós enfrentamos a primeira eleição (à Prefeitura de Macaé) sem nada, sem um agente político conosco, e você fazer 54 mil votos contra um prefeito, 10 vereadores, uma cidade de orçamento bilionário, a pressão contra os servidores e todos os secretários trabalhando? Hoje, Macaé está de alma lavada, porque não foi a vitória de Aluisio, foi a vitória de um sentimento. Não dá mais para fazer política nesses critérios; vai ser sempre escândalo em cima de escândalo; Campos é um exemplo.
Opiniões – Antes de começar a entrevista, comentávamos que seu caminho foi na contramão daqueles tentados pela oposição em Campos, no sentido de que você primeiro solidificou seu nome numa eleição a prefeito, para depois se eleger ao Legislativo e fatalmente tentar novamente a Prefeitura. Esse seria o caminho das pedras?
Aluízio – Talvez o caminho das pedras seja não temer a derrota. Se você estiver livre para perder, você consegue ganhar. Agora, você precisa estar livre para perder. Eu sou médico, eu tenho meu ganha-pão, eu não devo favores a ninguém, a não ser minha família e meus amigos. A po-pulação tem que querer. Não adianta você chegar para a população e dizer: “eu sou a mudança”. É mentira, é o mito.
Opiniões – E a sucessão de Riverton, em 2012? É certo que você vem?
Aluízio – Sim.
Opiniões – E quem seria o candidato mais difícil de enfrentar, já que Riverton concluirá o segundo mandato e seu irmão, Adrian, é impedido pela consaguinidade: Cristino Áureo (PMN), ex-secretário de Cabral, que se elegeu deputado estadual; o presidente da Câmara Paulo Antunes (PMDB)?
Aluízio – Quais são os atores políticos em Macaé? Hoje existe um grupo político do Partido Verde, que se coloca distante do governo. O único político de oposição, hoje, somos nós.
Opiniões – Mas o petista Danilo Funke não é também o único na oposição, entre os 12 vereadores de Macaé?
Aluízio – O Danilo é meu amigo pessoal, um cara preparado, só que ele é do PT. Nós tivemos dois candidatos a vereador (em 2008), um fez 200 votos, o outro fez 243. Não temos vereador nenhum, não temos nada, foi a própria população que ajudou a gente.
Opiniões – Mas entre as possibilidades de Cristino e Paulo Antunes, qual seria mais difícil em 2012?
Aluízio – A gente escolhe parceiro, não pode escolher adversário.
Quase três décadas antes da popularização dos blogs, os convites para colaboração com a Folha, em sua parte de opinião, eram feitos por critérios relativamente simples: saber escrever, ter opiniões a dar e estar disposto a assumir e assinar o que diz. Fiel ao prinicípio da ágora grega, base do conceito de democracia, em nenhum momento, nos mais de 32 anos da história de serviços prestados deste jornal, foi cobrada concordância com sua linha editorial, a nenhum dos seus opinadores. Mesmo quem antes se orgulhava de escrever aqui e hoje ataca a Folha, sabe muito bem disso.
Em contrapartida, como nunca exigimos nada, exceto o respeito devido aos limites da ética e da lei, não pagamos a nossos colaboradores por ecoá-los. Foi assim enquanto o impresso era a única expressão da Folha. Continua assim quando seu eco hoje é multiplicado por mais de 18 mil acessos únicos diários, na Folha Online e nos 41 blogs que ela orgulhosamente hospeda.
Por isso, se alguém hoje se queixa de ser atacado por este blog, unicamente como resposta, talvez até tardia, a toda sorte de ataques pessoais, sistemáticos e desequilibrados, seria de bom tom que o ofensor mal convertido em vítima revelasse toda a verdade num convite de colaboração, que nunca teve recusa expressa por parte de quem foi convidado, apenas foi posto de lado por quem convidou, após tomar ciência das duas condições pretensas: lucro pecuniário pela colaboração e uso de pseudônimo. Até por falta de vocação para enfiar outros em brigas pessoais, este blogueiro se poupará em citar todas as testemunhas da verdade, não só algumas das já nomeadas, mas outras.
Não busco brigas, sobretudo aquelas em quem ninguém lucra. E quando as procuro, prefiro escolher melhor meus inimigos. Agora, que fique claro, ataques de ordem pesoal, tentativas de intimidação e ameaças contra mim, contra a Folha, contra seus profissionais ou contra seus blogueiros, não serão mais tolerados, sobretudo quando quem acusa parece fazê-lo enquanto se mira ao espelho. Como o que não se busca, tampouco pode se evitar a qualquer custo, as reações devidas, sempre que entendidas como necessárias, se darão na mesma dialética proposta e/ou no foro devido do Judiciário.
Afinal, quando alguém escreve que o outro “também” é inteligente, até um imbecil alcança a pressuposição lógica de uma resposta educada a quem elogiou primeiro.
No mais, peço desculpas ao leitores do blog, por ter tomado nele mais espaço e tempo do que o assunto merece. Não por acaso, reduzido à relevância de quem nunca a possuiu, os números de acessos e comentários do blog declinaram hoje drasticamente. Você, leitor, sabe e me ensina que há coisas bem mais importantes para aqui tratarmos…
São agora mais de 23h20. Após trabalhar desde às 14h, vou para casa. Saio da Folha, à Rua Carlos de Lacerda, nº 75, Centro, em frente à Igreja do Terço. Sozinho hoje de gente, só sempre de arma, seguirei guiando meu próprio carro, cujos vidros são bem transparentes.