Peço desculpas aos leitores pela falta de atualização nos dois últimos dias, mas demandas de ordem pessoal acabaram atropelando a agenda profissional. A menos de três dias das eleições gerais de 3 de outubro, o blogueiro quebra o hiato ao assumir os votos que confirmará nas urnas, ressalvado que se tratam de opção meramente pessoal, que não pode ou deve ser confundida com a linha editorial da Folha, ou sequer deste blog, onde a opinião do chargista José Renato tem o mesmo peso…
Não é de hoje que os comentários do blog têm gerado discussões interessantes, muitas vezes merecedoras de destaque maior, na forma de post. Não por outro motivo, segue abaixo a transcrição do debate estabelecido entre o comentarista George A. F. Gessário e o blogueiro, a partir da postagem (aqui) sobre as opiniões emitidas pelo candidato verde a deputado federal Alfredo Sirkis, em visita a Campos, como reflexo de um tema que tem dominado muitas rodas de discussão Brasil afora, sobretudo após o presidente Lula ter afirmado, num rompante de Luís XIV, que: “A opinião pública somos nós!” (refrindo-se apenas aos eleitores de Dilma)…
GEORGE A. F. GESSÁRIO
(Enviado às 14h38 de 25/09/10)
SAindo do ambito eleitoral, as críticas à GRANDE MÍDIA são devidas, e com a popularização da internet e dos meios independentes de informação, tendem a ser cada vez mais contudentes, não dá mais pra tolerar o cinismo, que se esconde utilizando o SACRO DIREITO à liberdade de expressão, e o direito à informação, tão essenciais ao regime democrático, pra mostrar fatos incompletos para atender aos interesses de determinado grupo, AGINDO SIM, A IMPRENSA COMO UM GRANDE PARTIDO, se essa se propõe a emitir sua opinião que a faça de forma clara, assumindo o que pensa, e não se escondendo numa falsa imparcialidade(Que deve reger a atividade de informar, não a de opinar) pra manipular seus leitores, se a imprensa compra o Serra como candidato que assuma, e faça um jornalismo ético e profissional, e não a VERGONHA que se tem visto, cada hora é um factóide novo, em fase de investigação, apresentado como verdade absoluta.
ALUYSIO
(Enviado às 23h07 de 26/09/10)
Em primeiro lugar, questionar aquele que critica, ou os motivos pelo qual critica, no lugar de se discutir a crítica, embora muito em voga no presente do Brasil, é um dos sofismas mais antigos da humanidade. Se fossem factóides as denúncias que a imprensa trouxe contra o governo federal, cuja origem o Sirkis revelou estarem no próprio PT, elas não teriam gerado a queda de Erenice Guerra. Aliás, entre os três ministros da Casa Civil que Lula teve em quase oito anos de governo, a única que não caiu em meio a escândalos de corrupção, é aquela que hoje lidera as pesquisas à presidência da República.
Ao fim e ao cabo, quanto ao papel da imprensa, no Brasil, na Argentina, na Venezuela, no Irã, ou em qualquer outro canto do mundo, necessário espargir as sombras “fascistóides” (outra boa definição do Sirkis) de hoje com a luz do grande Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.
Cotado para assumir a secretaria de Saúde, como o blog divulgou aqui, em primeira mão, o médico e vereador Dante Pinto Lucas (PDT) ainda não assumiu o lugar de Paulo Hirano, mas já indicou quem renderá o ainda secretário da função acumulada na direção do Hospital Geral de Guarus (HGG). Em seu blog, o jornalista Alexandre Bastos já havia divulgado aqui, na última quinta, dia 23, que o novo diretor do hospital mais problemático da rede pública seria indicado nos próximos dias. Pois como acréscimo à informação, este blog revela o nome já escolhido por Dante: o neurologista Fernando Rocha, ex-secretário de Saúde de São Francisco de Itabapoana, com quem o hoje vereador de Campos trabalhou no governo pouco saudoso do radialista Barbosa Lemos.
Com a bagagem de ter antecipado aqui, desde o dia 30 de agosto, a queda do médico e ex-vereador Otávio Cabral (PPS) do HGG, consumada só no último dia 8 (aqui), o blog até entende que Dante venha preparando o terreno para quando assumir a secretaria, na mudança da equipe de governo que, segundo o próprio prefeito Nelson Nahim também revelou ao blog, só acontecerá quando o TRE marcar as eleições suplementares (aqui), ou se Rosinha perder o recurso do mérito de sua cassação também no TSE (aqui) — provavelmente, o que acontecer antes. Neste sentido, se justificam a intermediação do vereador, junto a Nahim, no financiamento municipal à compra do equipamento de radiologia para viabilizar o projeto oncológico da Clínica São José e Hospital Álvaro Alvim, bem como a indicação do novo diretor do HGG.
Noves fora o fato do Grupo IMNE já ter comprado, com capital privado, um aparelho de radiologia plenamente capaz de atender à demanda dos pacientes oncológicos de Campos, tornando o investimento público, se não desnecessário, pelo menos não uma prioridade, o que não se entende em Dante é a indicação de Fernando Rocha. Não se questiona a capacidade do ex-secretário de Barbosa Lemos, mas o fato do vereador que o indica ser do PDT, mesmo partido do também médico e ex-vereador Geraldo Venâncio, primeiro diretor do HGG, que revelou ao blog (aqui) já ter conversado com Nahim sobre a situação do hospital, afirmando que aceitaria voltar se fosse convidado.
Não por outro motivo, fica a pergunta: o que será que Dante tem contra o retorno do seu correligionário ao HGG?
Figura icônica da esquerda brasileira, sobretudo para os movimentos sociais e o PT, Frei Betto virá a Campos para a abertura do ano letivo no campus Campos-Centro do IFF, previsto para 15 de fevereiro. Aceito hoje pelo frade dominicano e ex-assessor especial de Lula, para quem coordenou o Projeto Fome Zero em 2004 e 2005, o convite foi feito em Belo Horizonte, na semana passada, pelo diretor do campus, professor Jefferson Azevedo, durante a Semana Ciência, Arte e Política da PUC-MG.
Autor de mais de 50 livros, entre eles “Batismo de Sangue”, sobre sua experiência como preso político durante a ditadura militar, que acabou virando filme, será a primeira vez que Frei Betto virá a Campos. A visita reflete a importância do IFF no cenário nacional, serve como tapa de luva de pelica na cara de gente na escola que acha ter alguma importância no PT, e cacifa ainda mais Jefferson, junto ao ex-diretor Luiz Augusto Caldas, à disputa da reitoria em outubro de 2011 — isso, logicamente, se a eleição não for adiada em mais uma manobra de bastidores…
Na blogosfera local, o anúncio da vinda de Frei Betto foi feito em primeira mão no blog Sapientias (aqui), da Jéssica Carvalho. Ela está entre os estudantes do IFF que encontrou neste blog (aqui e aqui) o espaço democrático que entende faltar na escola, pelo menos por parte dos “pseudo-democratas” que tão bem definiu abaixo…
A informação é do próprio diretor do campus professor Jefferson Azevedo que nos enviou um email contando essa novidade. Aliás fica o parabéns do blog pela gestão inovadora, ativa e aberta ao diálogo que tem implantado dentro do IFF. Deve estar causando muita inveja a “pseudo democratas”.
Parabenizo também o professor pela belissíma acolhida feita ontem pelos 101 anos do IFF, e pela comemoração junto a alunos e servidores.
Veja o email:
Prezados companheiros,
É com imensa alegria e entusiasmo que compartilho com vocês a notícia da confirmação da presença do Frei Betto na palestra de abertura do Ano Letivo de 2011 do campus Campos-Centro, no dia 15 de fevereiro. Será a primeira vez que ele estará em Campos compartilhando sua longa trajetória de compromisso com os movimentos sociais e, com certeza, fazendo uma reflexão de como é possível a articulação destes com as instituições de educação.
Depois que o jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos divulgou aqui, desde quarta, a pubicação em Diário Oficial (DO) da proposta orçamentária de Campos para 2011, foi aberta a temporada de especulações sobre as aplicações da cifra recorde na história do município: R$ 1,8 bilhão. Diante de tal volume de dinheiro público, que ficará à disposição de quem for eleito no pleito suplementar, ou por Rosinha (se conseguir ter êxito em seu recurso no TSE), os questionamentos são apenas só legítimos, como necessários. Todavia, para que ultrapassem a esfera da disussão virtual, é fundamental a mobilização das entidades da sociedade civil organizada, já que o prazo de 10 dias para inscrição à (única) audiência pública de 18 de outubro, comecará a contar a partir da segunda publicação em DO, provavelmente na próxima segunda (dia 27) ou terça (28).
Para o Orçamento deste ano, por exemplo, insituições importantes de Campos como CDL, OAB, Acic, Firjan, Carjopa e sindicatos, optaram por lavar as mãos. Para se ter uma idéia, das oito entidades incritas, apareceram apenas seis: Associação de Moradores e Amigos do Parque Nova Brasília, Associação dos Moradores do Xexé — Farol de São Tomé, Associação de Moradores Criança Feliz do Parque Real, Associação de Moradores do Parque São Mateus, Obra do Salvador e o Conselho Municipal de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente
Na ocasião, antes de assumir interinamente a Prefeitura, mas já como presidente da Câmara, Nelson Nahim fez um desabafo: “Estávamos disponíveis para um amplo debate sobre o Orçamento. Muitos pessoas gostam de ficar de fora, criticando. Dizer que não quer discutir, é uma desculpa esfarrapada”.
As palavras duras do hoje prefeito estavam e continuam prenhes de razão.
Atualização às 14h47 de 25/09/10: A data da audiência pública para discutir a proposta orçamentária na Câmara será 18 de outubro, não 13, como previsto na primeira publicação no DO. A nova publicação, no início da próxima semana, trará a nova data, adiantada agora pelo blog.
Diante dos 101 anos, hoje, do Instituto Federal Fluminense (IFF), mais importante instituição de ensino e segundo orçamento do município (atrás apenas da Prefeitura de Campos), o blog achou que a melhor homenagem seria ecoar as vozes de alguns de seus alunos e ex-alunos que usaram este espaço à manifestação democrática (inclusive crítica à Folha) que entendem não acontecer na escola. A reboque da vitória da democracia na eleição direta para prefeito de Campos (aqui), quando o assunto é o IFF, melhor deixar a palavra àqueles que vivem sua realidade:
FRANÇOAR
(Enviado às 16h44 de 22/09/10)
Em uma história de lutas que tem o nosso país e a nossa cidade, tem gente que acha que pode fazer tudo o que quer, por conta do poder que tem, mas não é assim, quando a maioria está insatisfeita as coisas desandam. Assim vem acontecendo e os estudantes aprendem isso na própria escola, pois isso faz parte da cidadania. E se tem alguma coisa errada temos que lutar para consertar.
Sou estudante do IFF e sei bem a realidade em que vivo e vivi dentro desta instituição, que enche os olhos de quem não faz parte dela, mas que às vezes deixa de desejar diante dos próprios alunos. Hoje temos uma instituição mais forte, mas existe a reitoria, quem vem dizendo que é democratica e etc, mas que na realidade só sabe dizer meia dúzia de palavras bonitas e só fazer coisas que desagradam e prejudicam os alunos e servidores desta instituição.
Vivemos em uma democracia e se não querem nos ouvir por bem, vão nos ouvir por mal.
Um abraço a todos os leitores, e não vamos desistir da luta…
GABRIELA RIBEIRO
(Enviado às 15h25 de 22/09/10)
ATOS X DIRCURSOS de Roberto Moraes: adora defender a democracia em seu blog, mas no IFF não pratica. Adora defender a liberdade de expressão, mas no IFF os estudantes precisam protestar para ter voz. Adora debater, mas foge de debate com estudante. Adora dizer que é de esquerda, mas quando foi diretor do Cefet foi embaixador de FHC, implantando todas as suas políticas neolibeirais.
GUSTAVO VIANA
(Enviado às 15h44 de 22/09/10)
Sou estudante do IFF e também sou ex-integrante do grêmio. Entrei no Instituto quando ainda era Cefet e nunca imaginei que teria uma participação tão forte no movimento estudantil, mas, por conta de pessoas que se intitulam educadores, me vi na obrigação de me unir aos bons lutadores que lá já existiam, para lutar pelas eleições diretas para Diretor e agora mais uma vez para o Regimento Geral. Hoje, fico muito feliz por ter contribuído na conquista dessas vitórias, e vejo com isso um exemplo que comprova que o movimento da massa organizada, nos faz colher bons frutos.
ANDRÉ LACERDA
(Enviado às 13h25 de 22/09/10)
Eu como ex-aluno do Cefet e ex-integrante do grêmio daquela escola, fico muito feliz ao ver o movimento estudantil atuante, organizado e consciente de seu papel. Mas, ao mesmo tempo, fico triste por ver que certas pessoas que estão à frente da instituição adotam práticas que nos remetem a tempos passados e que não condizem com a postura de uma escola que deveria educar, fomentar a cidadania e dar bons exemplos.
JÉSSICA CARVALHO
(Enviado às 18h40 de 20/09/10)
Penso que as eleições diretas representam um direito de todas as pessoas. No IFF, foi conquistada com muita luta, nas escolas muicipais a luta já existe há mais tempo e esperamos que também frutifique. Quanto às eleições municipais se não for pelo voto popular será mais uma covardia contra o povo campista!
HUGO
(Enviado às 16h17 de 20/09/10)
Como eu Estudei no Cefet… Já Posso dizer d antemão q lá tem Um monte de Petistas inchados..
Que tentam fazer a cabeça dos alunos..
Os professores de geografia, História.. Entre elas a Guiomar e outros..
Certameente as escolas não reproduzem a sociedade..
E ao saber q é a folha da manha q estimula então.. da para saber q as cartaz sao marcadas..
Melhor.. jogo de Ronda..
MAYCON PRADO
(Enviado às 16h13 de 20/09/10)
Aluysio, eu como cidadão não posso crer que em caso de nova eleição, a mesma não se dê através da vontade do povo em sua forma mais democrática: o voto. Aliás, muito pertinente a sua colocação sobre a extensão da eleição direta para outras “comunidades”, como a comunidade acadêmica. A eleição para diretor de escola é e sempre foi uma reivindicação dos movimentos sociais e do movimento estudantil. No IFF, por exemplo, os estudantes tiveram que lutar bastante para conseguir esta conquista. Elegemos o diretor no campus Campos-Centro, mas a luta continua para eleger o diretor dos outros campus, que foram indicados pela caneta da reitoria. Reitoria esta que posa de democrata, adota discursos democráticos, adera a campanhas pedindo democracia, mas que na prática é uma verdadeira monarquia, fazendo tudo na base do trator e da caneta.
SAGAZ
(Enviado às 12h42 de 20/09/10)
Campos só vai tomar jeito quando o representante maior do município for realmente eleito pelo povo, em eleição direta, mas que seja uma eleição realmente democrática, e não o circo que aconteceu nos ultimos anos, onde a população só tinha o direito de escolher entre o seis e o meia-dúzia, e no final a única certeza era que nada mudaria.
E nas escolas municipais encontramos mais um exemplo da política do seis ou meia-dúzia. Os diretores delas são indicações políticas na canetada. Pessoas que não conhecem a escola e sua realidade assumem as direções como moeda de troca a favores eleitorais, e mesmo a prefeita cassada tendo prometido que isso não aconteceria, a historia se repetiu mais uma vez.
Mas mudar esse quadro depende da população. No IFF a eleição direta pra diretor só aconteceu depois de um ano de muita pressão da comunidade. Campos ainda tem jeito, só falta vontade.
FABIANO SEIXAS
(Enviado às 11h59 de 20/09/10)
Muito interessante e oportuno o lançamento desta campanha, poder escolher o dirigente da instituição onde se trabalha ou estuda é fazer valer a democracia, a escolha através do voto é respeitar e fazer valer nossos direitos. No Instituto Federal Fluminense, em especial no campus Centro, um movimento iniciado pelo estudantes foi capaz de levantar a bandeira pelas Diretas para Diretor Geral e após muitas lutas tornou-se possível eleger o diretor pelo voto e não pela caneta e acordos políticos obscuros como é de praxe na planície!
Força aos que tem coragem de se engajar em lutar como esta!
GILDO HENRIQUE
(Enviado às 8h03 de 25/09/10)
Fui aluno da antiga Escola Técnica Federal de Campos no início da década de 1970 e voltei aos mesmos bancos escolares, hoje do IFF, onde concluí Design Gráfico.
Antes, apesar da ditadura militar, “éramos felizes e sabíamos” (frase do Prof. Salvador). Hoje, tudo não passa de politicagem. E, quer saber, a turma do grêmio atual deveria investir em cursinhos de português, antes de reivindicar alguma coisa.
Atualização às 11h55 de 25/09/10: O post foi atualizado para, democraticamente, fazer constar também o comentário do ex-aluno Gildo Henrique.