Figura icônica da esquerda brasileira, sobretudo para os movimentos sociais e o PT, Frei Betto virá a Campos para a abertura do ano letivo no campus Campos-Centro do IFF, previsto para 15 de fevereiro. Aceito hoje pelo frade dominicano e ex-assessor especial de Lula, para quem coordenou o Projeto Fome Zero em 2004 e 2005, o convite foi feito em Belo Horizonte, na semana passada, pelo diretor do campus, professor Jefferson Azevedo, durante a Semana Ciência, Arte e Política da PUC-MG.
Autor de mais de 50 livros, entre eles “Batismo de Sangue”, sobre sua experiência como preso político durante a ditadura militar, que acabou virando filme, será a primeira vez que Frei Betto virá a Campos. A visita reflete a importância do IFF no cenário nacional, serve como tapa de luva de pelica na cara de gente na escola que acha ter alguma importância no PT, e cacifa ainda mais Jefferson, junto ao ex-diretor Luiz Augusto Caldas, à disputa da reitoria em outubro de 2011 — isso, logicamente, se a eleição não for adiada em mais uma manobra de bastidores…
Na blogosfera local, o anúncio da vinda de Frei Betto foi feito em primeira mão no blog Sapientias (aqui), da Jéssica Carvalho. Ela está entre os estudantes do IFF que encontrou neste blog (aqui e aqui) o espaço democrático que entende faltar na escola, pelo menos por parte dos “pseudo-democratas” que tão bem definiu abaixo…
A informação é do próprio diretor do campus professor Jefferson Azevedo que nos enviou um email contando essa novidade. Aliás fica o parabéns do blog pela gestão inovadora, ativa e aberta ao diálogo que tem implantado dentro do IFF. Deve estar causando muita inveja a “pseudo democratas”.
Parabenizo também o professor pela belissíma acolhida feita ontem pelos 101 anos do IFF, e pela comemoração junto a alunos e servidores.
Veja o email:
Prezados companheiros,
É com imensa alegria e entusiasmo que compartilho com vocês a notícia da confirmação da presença do Frei Betto na palestra de abertura do Ano Letivo de 2011 do campus Campos-Centro, no dia 15 de fevereiro. Será a primeira vez que ele estará em Campos compartilhando sua longa trajetória de compromisso com os movimentos sociais e, com certeza, fazendo uma reflexão de como é possível a articulação destes com as instituições de educação.
Depois que o jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos divulgou aqui, desde quarta, a pubicação em Diário Oficial (DO) da proposta orçamentária de Campos para 2011, foi aberta a temporada de especulações sobre as aplicações da cifra recorde na história do município: R$ 1,8 bilhão. Diante de tal volume de dinheiro público, que ficará à disposição de quem for eleito no pleito suplementar, ou por Rosinha (se conseguir ter êxito em seu recurso no TSE), os questionamentos são apenas só legítimos, como necessários. Todavia, para que ultrapassem a esfera da disussão virtual, é fundamental a mobilização das entidades da sociedade civil organizada, já que o prazo de 10 dias para inscrição à (única) audiência pública de 18 de outubro, comecará a contar a partir da segunda publicação em DO, provavelmente na próxima segunda (dia 27) ou terça (28).
Para o Orçamento deste ano, por exemplo, insituições importantes de Campos como CDL, OAB, Acic, Firjan, Carjopa e sindicatos, optaram por lavar as mãos. Para se ter uma idéia, das oito entidades incritas, apareceram apenas seis: Associação de Moradores e Amigos do Parque Nova Brasília, Associação dos Moradores do Xexé — Farol de São Tomé, Associação de Moradores Criança Feliz do Parque Real, Associação de Moradores do Parque São Mateus, Obra do Salvador e o Conselho Municipal de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente
Na ocasião, antes de assumir interinamente a Prefeitura, mas já como presidente da Câmara, Nelson Nahim fez um desabafo: “Estávamos disponíveis para um amplo debate sobre o Orçamento. Muitos pessoas gostam de ficar de fora, criticando. Dizer que não quer discutir, é uma desculpa esfarrapada”.
As palavras duras do hoje prefeito estavam e continuam prenhes de razão.
Atualização às 14h47 de 25/09/10: A data da audiência pública para discutir a proposta orçamentária na Câmara será 18 de outubro, não 13, como previsto na primeira publicação no DO. A nova publicação, no início da próxima semana, trará a nova data, adiantada agora pelo blog.
Diante dos 101 anos, hoje, do Instituto Federal Fluminense (IFF), mais importante instituição de ensino e segundo orçamento do município (atrás apenas da Prefeitura de Campos), o blog achou que a melhor homenagem seria ecoar as vozes de alguns de seus alunos e ex-alunos que usaram este espaço à manifestação democrática (inclusive crítica à Folha) que entendem não acontecer na escola. A reboque da vitória da democracia na eleição direta para prefeito de Campos (aqui), quando o assunto é o IFF, melhor deixar a palavra àqueles que vivem sua realidade:
FRANÇOAR
(Enviado às 16h44 de 22/09/10)
Em uma história de lutas que tem o nosso país e a nossa cidade, tem gente que acha que pode fazer tudo o que quer, por conta do poder que tem, mas não é assim, quando a maioria está insatisfeita as coisas desandam. Assim vem acontecendo e os estudantes aprendem isso na própria escola, pois isso faz parte da cidadania. E se tem alguma coisa errada temos que lutar para consertar.
Sou estudante do IFF e sei bem a realidade em que vivo e vivi dentro desta instituição, que enche os olhos de quem não faz parte dela, mas que às vezes deixa de desejar diante dos próprios alunos. Hoje temos uma instituição mais forte, mas existe a reitoria, quem vem dizendo que é democratica e etc, mas que na realidade só sabe dizer meia dúzia de palavras bonitas e só fazer coisas que desagradam e prejudicam os alunos e servidores desta instituição.
Vivemos em uma democracia e se não querem nos ouvir por bem, vão nos ouvir por mal.
Um abraço a todos os leitores, e não vamos desistir da luta…
GABRIELA RIBEIRO
(Enviado às 15h25 de 22/09/10)
ATOS X DIRCURSOS de Roberto Moraes: adora defender a democracia em seu blog, mas no IFF não pratica. Adora defender a liberdade de expressão, mas no IFF os estudantes precisam protestar para ter voz. Adora debater, mas foge de debate com estudante. Adora dizer que é de esquerda, mas quando foi diretor do Cefet foi embaixador de FHC, implantando todas as suas políticas neolibeirais.
GUSTAVO VIANA
(Enviado às 15h44 de 22/09/10)
Sou estudante do IFF e também sou ex-integrante do grêmio. Entrei no Instituto quando ainda era Cefet e nunca imaginei que teria uma participação tão forte no movimento estudantil, mas, por conta de pessoas que se intitulam educadores, me vi na obrigação de me unir aos bons lutadores que lá já existiam, para lutar pelas eleições diretas para Diretor e agora mais uma vez para o Regimento Geral. Hoje, fico muito feliz por ter contribuído na conquista dessas vitórias, e vejo com isso um exemplo que comprova que o movimento da massa organizada, nos faz colher bons frutos.
ANDRÉ LACERDA
(Enviado às 13h25 de 22/09/10)
Eu como ex-aluno do Cefet e ex-integrante do grêmio daquela escola, fico muito feliz ao ver o movimento estudantil atuante, organizado e consciente de seu papel. Mas, ao mesmo tempo, fico triste por ver que certas pessoas que estão à frente da instituição adotam práticas que nos remetem a tempos passados e que não condizem com a postura de uma escola que deveria educar, fomentar a cidadania e dar bons exemplos.
JÉSSICA CARVALHO
(Enviado às 18h40 de 20/09/10)
Penso que as eleições diretas representam um direito de todas as pessoas. No IFF, foi conquistada com muita luta, nas escolas muicipais a luta já existe há mais tempo e esperamos que também frutifique. Quanto às eleições municipais se não for pelo voto popular será mais uma covardia contra o povo campista!
HUGO
(Enviado às 16h17 de 20/09/10)
Como eu Estudei no Cefet… Já Posso dizer d antemão q lá tem Um monte de Petistas inchados..
Que tentam fazer a cabeça dos alunos..
Os professores de geografia, História.. Entre elas a Guiomar e outros..
Certameente as escolas não reproduzem a sociedade..
E ao saber q é a folha da manha q estimula então.. da para saber q as cartaz sao marcadas..
Melhor.. jogo de Ronda..
MAYCON PRADO
(Enviado às 16h13 de 20/09/10)
Aluysio, eu como cidadão não posso crer que em caso de nova eleição, a mesma não se dê através da vontade do povo em sua forma mais democrática: o voto. Aliás, muito pertinente a sua colocação sobre a extensão da eleição direta para outras “comunidades”, como a comunidade acadêmica. A eleição para diretor de escola é e sempre foi uma reivindicação dos movimentos sociais e do movimento estudantil. No IFF, por exemplo, os estudantes tiveram que lutar bastante para conseguir esta conquista. Elegemos o diretor no campus Campos-Centro, mas a luta continua para eleger o diretor dos outros campus, que foram indicados pela caneta da reitoria. Reitoria esta que posa de democrata, adota discursos democráticos, adera a campanhas pedindo democracia, mas que na prática é uma verdadeira monarquia, fazendo tudo na base do trator e da caneta.
SAGAZ
(Enviado às 12h42 de 20/09/10)
Campos só vai tomar jeito quando o representante maior do município for realmente eleito pelo povo, em eleição direta, mas que seja uma eleição realmente democrática, e não o circo que aconteceu nos ultimos anos, onde a população só tinha o direito de escolher entre o seis e o meia-dúzia, e no final a única certeza era que nada mudaria.
E nas escolas municipais encontramos mais um exemplo da política do seis ou meia-dúzia. Os diretores delas são indicações políticas na canetada. Pessoas que não conhecem a escola e sua realidade assumem as direções como moeda de troca a favores eleitorais, e mesmo a prefeita cassada tendo prometido que isso não aconteceria, a historia se repetiu mais uma vez.
Mas mudar esse quadro depende da população. No IFF a eleição direta pra diretor só aconteceu depois de um ano de muita pressão da comunidade. Campos ainda tem jeito, só falta vontade.
FABIANO SEIXAS
(Enviado às 11h59 de 20/09/10)
Muito interessante e oportuno o lançamento desta campanha, poder escolher o dirigente da instituição onde se trabalha ou estuda é fazer valer a democracia, a escolha através do voto é respeitar e fazer valer nossos direitos. No Instituto Federal Fluminense, em especial no campus Centro, um movimento iniciado pelo estudantes foi capaz de levantar a bandeira pelas Diretas para Diretor Geral e após muitas lutas tornou-se possível eleger o diretor pelo voto e não pela caneta e acordos políticos obscuros como é de praxe na planície!
Força aos que tem coragem de se engajar em lutar como esta!
GILDO HENRIQUE
(Enviado às 8h03 de 25/09/10)
Fui aluno da antiga Escola Técnica Federal de Campos no início da década de 1970 e voltei aos mesmos bancos escolares, hoje do IFF, onde concluí Design Gráfico.
Antes, apesar da ditadura militar, “éramos felizes e sabíamos” (frase do Prof. Salvador). Hoje, tudo não passa de politicagem. E, quer saber, a turma do grêmio atual deveria investir em cursinhos de português, antes de reivindicar alguma coisa.
Atualização às 11h55 de 25/09/10: O post foi atualizado para, democraticamente, fazer constar também o comentário do ex-aluno Gildo Henrique.
O “ex-companheiro” Alfredo Sirkis (foto de Antonio Cruz)
“Uma atitude fascistóide”. Foi assim que o vereador carioca e candidato a deputado federal pelo PV, Alfredo Sirkis, em visita de campanha a Campos, classificou a manifestação programada para hoje, em São Paulo, contra a chamada “grande imprensa”. Além de PT, CUT e UNE, segundo definiu e denunciou o jornalista Merval Pereira, em sua coluna publicada hoje em O Globo, o evento é também organizado pelos “que se intitulam ‘blogueiros independentes’, todos, sem exceção, financiados pelo dinheiro público”. Irônico que, nesta terra de planície, quem se arroga de título idêntico, até pouco tempo se ufanava por ter conseguido emplacar um e-mail na mesmíssima coluna do Merval — um dos tantos que, pelo “crime” da exposição do contraditório, passou a ser encarado como inimigo figadal por essa espécie de SS virtual.
Com a bagagem de quem integrou a luta armada contra a ditadura, junto com vários “companheiros” hoje no comando do PT, Sirkis não tem dúvidas de quem está por trás deste movimento de “inteligência” do partido: José Dirceu, mentor do Mensalão. Em conversa com o blogueiro, o verde revelou, inclusive, que enquanto estava reunido, ontem, com a cúpula da campanha de Marina Silva à presidência, chegou a informação de que todas as denúncias contra o governo federal, repercutidas pela imprensa, teriam origem dentro do próprio PT. Seriam facções não apenas insatisfeitas com a iminente ocupação do PMDB no governo Dilma, como por oposição interna ao grupo palaciano nas diputas sempre intestinas do partido — nítidas e bem reproduzidas, por exemplo, em Campos.
Para Sirkis, além do “fantasma do PMDB”, um possível governo Dilma ainda teria outro grave problema: Lula. Não bastasse Zé Dirceu dando as cartas novamente sob a mesa do PT, o verde indagou qual seria o papel do popularíssimo presidente quando finalmente deixar a cadeira: “tutor de Dilma?” Se não se ateve à postura de magistrado que caberia à presidência da República, evidenciando total ausência de limites para tentar eleger sua candidata, a qualquer custo, ainda no primeiro turno, o que garante que Lula irá aprender a fazê-lo, depois que se tornar ex?
Hoje faz um ano da morte de Renato Barbosa. Como a Suzy Monteiro já lembrou aqui, antecipando o aniversário de morte do saudoso vereador: “como o mundo muda rápido”. Sobre essa sensação, aliás, a melhor definição que já ouvi, é do ator e diretor Domingos Oliveira: “o tempo é um camundongo passando pela sala”. Foi nesta velocidade que a vida de Renato acabou colhida, no asfalto da BR 101, muito embora com seus valores resumidos e confirmados pelas circunstâncias da morte: um político que acordava cedo para trabalhar num emprego público conquistado em concurso.
Concordo com Suzy. Se estivesse vivo, Renato seria não só um referencial seguro nesta nova situação de instabilidade, aberta desde a cassação de Rosinha, como o candidato certo do PT à sucessão da prefeita, independente da eleição se dar em 2012, ou no ano que vem. Logicamente, enfrentaria a oposição interna do seu partido, sobretudo daqueles que carecem de representatividade na mesma medida que de limites éticos e morais, defasagem que os fez ser bem classificados por Renatinho, ainda em vida, como “canalhas”. Mas os venceria com a certeza da luz sobre a sombra.
Para quem possui essa mesma certeza diante de um legado de dignidade como político e como homem, tomo a liberdade de reforçar o convite à missa pelo primeiro ano do seu falecimento, hoje, às 19h, na Catedral. Já para quem, por um momento, chegou a supor que o sonho político de Renato tenha morrido com ele, fica a ressalva de Pessoa, com heterônimo de Campos, diante desse “pecado original”:
“Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade”
Eleições para prefeito em 2011, mas diretas. Em primeirísima mão, a alvissareira notícia foi dada aqui, pela jornalista e blogueira Suzy Monteiro. Ficam os parabéns deste blog ao belo trabalho não só dela, mas de todos que aderiram rapidamente à campanha pela eleição suplementar direta, lançada aqui pelo também jornalista e blogueiro Joca Muylaert. E parabéns especiais ao presidente do TRE, Nametala Jorge, que buscou o subsídio da constituição estadual junto ao TSE, onde passou o dia ontem, para garantir que o povo de Campos possa eleger seu novo governante, caso Rosinha tenha confirmada sua cassação na instância máxima da Justiça Eleitoral.
O presidente Rogério Matoso e o procurador Robson Maciel (foto de Antonio Cruz)
Quem também participou da conversa da tarde de ontem, com o presidente da Câmara, Rogério Matoso (PPS), foi o procurador do Legislativo, Robson Maciel. Ambos se mostraram favoráveis à eleição direta:
— A democracia está tão arraigada no espírito do Legislativo de Campos, que nossa Lei Orgânica nem prevê a possibilidade de eleição indireta — frisou Rogério.
Tão imbuído quanto o presidente na defesa do direito do povo campista de escolher seu governante, Robson, no entanto, deu importantes esclarecimentos sobre dúvidas que ainda cercam a possibilidade de eleição indireta:
1) Qualquer pessoa pode se candidatar, não apenas os vereadores
2) Para se candidatar, será necessária a convenção partidária, assim como no pleito direto
3) Os candidatos terão que compor chapa de prefeito e vice
4) Mesmo se for indireta, quem marca a eleição é o TRE, não a Câmara
5) No caso de aprovação da eleição indireta, terá que ser feita uma adequação na Lei Orgânica, ou o processo, em questão omissa da legislação municipal, se dará por princípio de simetria à Constituição
Por fim, outro esclarecimento importante, prestado por presidente e procurador, quanto ao pedido de informação da Câmara ao TRE (aqui): contando de ontem, ele se dará no máximo em 15 dias.
Dizem que uma foto vale mais do que mil palavras. Independente da mídia em que são veiculadas, impressa ou virtual, o importante é não perder de vista a contraposição dos atos com o discurso de quem pretende posar como defensor da democracia. Não por outro motivo, seguem abaixo duas fotos…
25/02/10 - Manifestação dos alunos do IFF, em defesa da democracia na escola (foto de Rodrigo Silveira)
24/08/10 - Debate no IFF sobre o regimento interno da escola, com protesto dos estudantes contra as mudanças impostas pela reitoria (foto de Antonio Cruz)
Por telefone, a vereadora Ilsan Viana (PDT) informou ao blogueiro de sua fala na tribuna, na sessão de hoje da Câmara, em defesa da eleição direta para prefeito. Ela também parabenizou a Folha pela mesma iniciativa. O que foi dito em resposta é extensivo a todos que estão na campanha iniciada aqui pelo Joca Muylaert: o mérito é de todos nós!
Abaixo, o momento e o conteúdo da fala da vereadora:
Ilsan discursa em defesa da eleição direta, observada pelo presidente Rogério Matoso (foto de Leonardo Berenger)
Senhor Presidente,
Vereadoras e vereadores, público presente, Imprensa…
O que me traz, hoje, a esta tribuna é o meu dever de me manifestar, como vereadora, representante eleita pela sociedade campista, sobre a grave possibilidade das eleições suplementares previstas para este final de ano, em Campos, ocorrerem de forma indireta, restritas ao colégio eleitoral da Câmara Municipal.
O que se anuncia, a partir de uma resolução recente do Tribunal Superior Eleitoral, que regulamenta o tema, é um retrocesso inominável, à despeito de sua discutida legalidade.
Já vencemos o tempo do obscurantismo, quando era comum a escolha dos governantes por via indireta, com exclusão do povo. Essa fase faz parte, hoje, de um passado de triste memória. Não é razoável que o TSE, a mais alta corte da Justiça Eleitoral, queira reeditar essa página nebulosa de nossa história.
O que cabe à Justiça Eleitoral, nesse momento, é responder, com o julgamento célere da ação que afastou a prefeita de Campos, por abuso de poder econômico.
Além disso, cumprir o que estabelece a legislação que regula situações como essa: empossar, interinamente, o presidente da Câmara, na vaga do prefeito e marcar, imediatamente, eleições para que a população, de forma soberana e legítima, escolha o novo mandatário. Qualquer outra coisa, além disso, se apresenta como casuísmo.
A prevalecer esta resolução, teremos uma situação surreal, em nosso Município. Um colégio eleitoral de mais de 330 mil eleitores, sexto maior orçamento municipal do país, maior território do estado do Rio de Janeiro, pólo regional, ter o seu principal gestor escolhido por dezessete vereadores. Nada justifica essa violência.
Ademais, é importante ressaltar que o fato gerador da cassação da prefeita foi revelado e julgado pelo TRE bem antes do término do segundo ano da gestão, inclusive, com a substituição do chefe do Poder Executivo, conforme preconiza a lei. Impedir que a população escolha o novo prefeito é punir o eleitor, quando quem merece castigo é quem abusou do Poder político.
Senhor Presidente, recentemente, estive, acompanhada de dirigentes de vários partidos políticos de Campos, numa audiência com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Nametala Jorge.
Naquela oportunidade entregamos a ele um documento, no qual, pedimos agilidade na marcação das novas eleições. Ouvimos do desembargador que sua preocupação é com a garantia do direito do eleitor de Campos em decidir seu destino, através do voto universal e livre. Esse também é o sentimento da sociedade campista, que não aceita ser representada numa conquista cara à cidadania brasileira. Para o povo, o voto é pessoal e intransferível. Todos devem estar empenhados nessa luta, nesse momento: eleições suplementares e diretas já.
Obviamente, que minha defesa do voto direto e universal, nada tem contra a legitimidade do Poder Legislativo, do qual faço parte com muito orgulho. Reconheço a legitimidade desta Casa de Leis, suas obrigações regimentais e institucionais, mas nenhum Poder pode usurpar o direito sagrado do eleitor, a não ser em condições, absolutamente, excepcionais, o que não é o caso.
Dessa forma, senhor Presidente, conclamo a todos que cerrem fileiras com quem defende o exercício pleno da Democracia a se manifestarem pelas eleições suplementares diretas. O povo de Campos tem história e tradição suficientes para decidir seu futuro.