Diniz não vê oposição a Nelson Nahim na Câmara

Embora candidato do PPS à Câmara Federal na eleição de 3 de outubro, o sociólogo, advogado e professor Sérgio Diniz não participou das decisões do partido na Câmara Municipal, que levaram seu correligionário Rogério Matoso a se reeleger à vice-presidência, numa inversão entre bancadas de maioria e minoria, a reboque da entrada de Nelson Nahim (PR) na Prefeitura e da sua reeleição à presidência do Legislativo. Embora não enxergue na atual composição deste nenhuma oposição ao prefeito interino, cujo governo se julga incapaz de analisar, Diniz aposta que seu partido terá candidatura própria numa eventual eleição suplementar. Em sua projeção, ela será realizada ainda em 2010, como quer o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Namatela Jorge, pois não enxerga possibilidade da recondução de Rosinha (PMDB). Quanto ao discurso de “perseguição política” de Anthony Garotinho (PR) a cada nova condenação sofrida da Justiça, seu adversário do PPS na corrida a deputado federal ironiza: “todos nós o conhecemos bem, para darmos, sempre, risadas de descrença”.    

 

(Foto de Silésio Corrêa)
(Foto de Silésio Corrêa)

 

 

Blog Opiniões – Diz-se que você foi o último político eleito a qualquer coisa em Campos (vereador em 2000) sem comprar voto. Independente da veracidade da observação, sobretudo pela falta dos elementos para prová-la, como enxerga um quadro político capaz de gerar essa suspeita?

Sérgio Diniz – A compra de votos, que reprovo totalmente, significa a comercialização da dignidade tanto do eleitor quanto do candidato. O elemento que tenho para provar o meu repúdio a esta prática abominável, é a minha conduta reconhecida por parcela significativa do eleitorado de Campos.

 

Opiniões – Nos últimos seis anos, Campos teve sete prefeitos. Menos como político, mais como sociólogo, qual análise possível dessa aparente surrealidade?

Diniz – Não vejo uma aparente surrealidade, mas uma real e lamentável surrealidade. Todos os segmentos de Campos, sobretudo os formadores de opinião, têm sua cota de reflexão e de responsabilidade e que isto venha a acontecer já para as próximas eleições municipais. Campos ganhará muito.

 

Opiniões – E como advogado? Acredita que a Justiça Eleitoral tem agido corretamente em todos os casos? Sobretudo em relação ao afastamento de Carlos Alberto Campista, condenado com base no testemunho de um cabo eleitoral de Pudim, não acha que a interferência foi indevida? Como acreditar num TRE que, quando confirmar a cassação de Campista, inocentou o casal Garotinho no voto de minerva de um presidente (Marlan de Moraes Marinho) que logo depois teria seu irmão nomeado ao TJ pela então governadora Rosinha?

Diniz – Para mim, sem dúvida, o episoódio “afastamento de Carlos Alberto Campista” foi um processo que deveria ter sido extensivo aos demais candidatos que disputaram as eleições em 2004, inclusive à maioria dos candidatos a vereador que, indubitavelmente, participou desse processo. Entendo essa decisão do TRE muito mais sob um aspecto legalista, do que sob um aspecto da legitimidade, que deve dar sustentação ao processo legal. Quanto ao inocentar o casal Garotinho, pelo voto de minerva, esse Tribunal não deu o devido apreço à Justiça, que deveria ter sido dado.

 

Opiniões – Em contrapartida, como analisa o discurso de “perseguição política”, repetido por Garotinho a cada condenação na Justiça (Eleitoral e Criminal), depois que foi apeado do poder?

Diniz – O mais do que conhecido discurso de “perseguição política”, sempre espontâneo na boca do Garotinho, todos nós o conhecemos bem, para darmos, sempre, risadas de descrença…

 

Opiniões – Apelando mais uma vez ao juízo do sociólogo, qual avaliação pode (ou deve) fazer de si mesma uma sociedade cuja maior liderança política é condenada a dois anos e meio de prisão como chefe de quadrilha?

Diniz – Quanto à sua referência à “maior liderança política…”, resta-nos perguntar a que se refere, porque não considero liderança política quem se utiliza de métodos lamentáveis para alcançar o poder a qualquer custo.

 

Opiniões – E voltando novamente ao advogado, qual a opinião deste acerca do afastamento e das possibilidades de volta de Rosinha?

Diniz – Não vejo qualquer possibilidade de a ex-prefeita Rosinha voltar à Prefeitura de Campos. Os argumentos do TRE, que a afastaram do poder municipal, são encontrados, lamentavelmente, em grande escala no processo eleitoral brasileiro.

 

Opiniões – Seu PPS foi um dos partidos que pediu urgência na eleição suplementar à Prefeitura, já defendida pelo TRE. Acha que ela sai mesmo em 2010, como quer o presidente Namatela Jorge? Qual sua avaliação do governo Nelson Nahim?

Diniz – Torço para que as eleições municipais suplementares aconteçam ainda neste ano, evitando, assim, a interferência do processo constitucional no processo político. Não há como fazermos uma avaliação do governo Nelson Nahim, até porque ele “está prefeito” há alguns dias.

 

Opiniões – Na condição de ex-vereador, como viu a eleição da última terça à mesa diretora da Câmara? Acredita que Nahim acertou ao formar uma base própria na antiga oposição, transformando a bancada de Rosinha em minoria?

Diniz – Não tenho condições de responder esta questão, já que as conversas de bastidores não estão ao nosso alcance. Daí impossível qualquer análise.

 

Opiniões – Que avaliação faz do seu correligionário, Rogério Matoso, não só na presidência da Câmara, como em todo o jogo político que redesenhou o tabuleiro do Legislativo, cujo comando hoje define o Executivo? Com o afinamento entre ele e Nahim, o PPS já fechou a conta na base de apoio do prefeito interino numa eleição suplementar?

Diniz – Não faço parte do diretório municipal do PPS, nem da sua diretoria. Tenho certeza, porém, de que o nosso partido terá candidato próprio para as eleições municipais “surrealistas” deste ano.

 

Opiniões – Não só o PPS, mas toda a oposição a Rosinha foi inegavelmente beneficiada na eleição da nova mesa diretora da Câmara. No Legislativo e numa nova eleição a prefeito, existe hoje oposição a Nahim? Onde?

Diniz – Pelo que lemos e ouvimos da mídia, como um todo, acho, realmente, que não há, no Legislativo municipal, oposição a Nelson Nahim, ainda que ache democraticamente importante o papel de oposição no processo político.

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PMDB quer juiz na Prefeitura

Antes de tirar suas merecidas (e necesárias) férias, o Christiano Abreu Barbosa divulgou (aqui) e-mail recebido pelo presidente local do PMDB, Ivanildo Cordeiro, no qual ele revelou pedido feito pelo partido à Justiça para que a Prefeitura seja assumida pelo juiz mais velho da comarca. No entendimento do partido, Nelson Nahim não pode desempenhar dupla função como prefeito e membro ativo da Câmara, que o reelegeu presidente na sessão da última terça.

Abaixo, o e-mail de Cordeiro a Christiano:

JUIZ MAIS ANTIGO DA COMARCA PODERÁ ASSUMIR A PREFEITURA DE CAMPOS

O ato “impensado” do Prefeito em exercício Nelson Nahim em assumir a presidencia da câmara de vereadores no dia 24/8/10, praticando inclusive atos tipicamente legislativos simultaneamente com as suas funçoes de chefe do Executivo teve sérias repercussões jurídicas. O PMDB protocolizou junto à Justiça Eleitoral pedido para que se cumpra a lei e o juiz mais antigo da comarca assuma a prefeitura em virtude da vacancia do cargo por ser inacumulável as duas funções de prefeito e presidente da camara de vereadores. O juiz abriu vista para o MPE.

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Mapa astral de Garotinho nas estrelas de Atafona

De uma raposa felpudíssima na estrelada noite  de ontem em Atafona: Garotinho será o deputado federal mais votado no estado do Rio, mas perderá o mandato.

Concorrendo a base de liminar, após ser condenado por crime eleitoral pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a derrota do ex-governador no mérito do seu recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é uma aposta certa, pelo menos de acordo com essa fonte — ainda mais quente do que a que antecipou ao blog (aqui) a manutenção do asfastamento de Rosinha, em punição pelo mesmo crime.

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Albertinho a Edson: Doutor, nós agora somos minoria!

Ainda em relação a Edson Batista (PTB), a resposta que ele ouviu de Albertinho (PP), numa ligação telefônica após a eleição da nova mesa diretora, com o suplente querendo saber do governista (de Rosinha) como seria encaminhada sua posse no lugar de Nelson Nahim (PR), é bastante esclarecedora quanto à principal mudança na Câmara:

— Doutor, nós (os seis vereadores que restaram a de Rosinha) estamos todos fechados com o senhor, na Comissão de Justiça (na qual Albertinho e Kelinho compõem maioria favorável a Edson) e na tribuna. Mas o senhor vai ter que entender que, agora, nós somos minoria!

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Líder de Nahim — Revelação de Dante abre caminho a Edson

Palpite divugado aqui às 8h30 da manhã, meia hora antes do início dos trabalhos na Câmara, a partir da informação de uma fonte, o nome de Dante Lucas (PDT) para líder do governo de Nahim não só foi descaradamente copiado sem o devido crédito em outros blogs (às 15h17), como muito antes disso já havia caido como uma bomba na sessão de hoje. Após seu término, por volta das 11h, Nahim se reuniu com os seis vereadores que restaram a Rosinha: Albertinho, Magal, Papinha, Gil Vianna (PSDC), Jorge Rangel (PSB) e Kelinho.

Segundo Albertinho revelou no Folha no Ar, o presidente eleito e prefeito interino garantiu que o líder do seu governo sairia deles. A promessa tiraria Dante do páreo, muito embora Albertinho tenha dito no programa que aceitaria o pedetista, se fosse a decisão do seu grupo, além de revelar que aceitaria ele mesmo a liderança, caso seu nome fosse o escolhido.

Relevante também ressaltar que a garantia de Nahim à manutenção da liderança entre os vereadores de Rosinha, descartando Dante, se deu após a aparente leitura de alguns blogs, cujas cópias estavam em sua mesa, nessa reunião que se estendeu até o horário do almoço. Se algum deles chegou a influenciar a decisão, só pode ter sido quem escreveu a tempo de ser lido antes, como fizeram vários blogueiros não praticantes do Ctrl+C/Ctrl+V.

Um deles, na minha opinião o mais bem informado dos bastidores da Câmara, cobertura que exerce em noticiário de tempo real até aqui insuperável, é o Alexandre Bastos. É dele o raciocínio que o blog, com o devido crédito, faz questão de externar: não são seis os vereadores que darão o líder, mas sete, somada a entrada de Edson Batista (PTB), cuja assunção no lugar de Nahim volta à pauta a partir de terça-feira.

Com Magal praticamente fora da briga, por conta da reincidência em seus ataques de mau-perdedor, que nome melhor para concluir o processo de pacificação na Câmara do que Edson? Famoso por sua fidelidade a Garotinho, a escolha seria inquestionável entre os demais vereadores de Rosinha, demonstraria generosidade por parte de Nahim e, sobretudo, agradaria a quem o prefeito interino ainda precisa para se fazer candidato pelo PR numa eventual eleição suplementar.

Com a oposição a Rosinha satisfeita pela vitória esmagadora na mesa diretora e uma situação apaziguada pelo nome de mais confiança do líder maior, mas num cargo que pode passar a valer pouco na prática (já que a maioria agora está na antiga oposição a Rosinha), Nahim, se optar ou simplesmente aceitar o nome de Edson, estará dando o mesmo tapa com luva de pelica desferido ao votar em Magal na disputa à vice-presidência, quando seu voto já não significava mais nada.

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“Eles foram mais organizados do que nós”

Talvez a maior prova de humildade dada por Albertinho na entrevista ao Folha no Ar tenha sido admitir o óbvio que só a arrogância (cada vez mais infundada) pode negar: “A oposição (a Rosinha) teve mais organização que a gente”. Numa crítica indireta a Magal, o “homem-bomba” de Garotinho disse que faltou comando na reação à antecipação da eleição à mesa diretora, inteligentemente arquitetada por Nahim e Matoso. Tanto que, no desespero diante da possibilidade real de ser desmanteldo, o antigo rolo compressor foi buscar a referência de Rosinha.

Como nem mesmo a liderança pessoal da prefeita cassada foi suficiente para fazer Vieira Reis cumprir sua palavra ou evitar que Altamir mudasse de lado mais uma vez, o rolo compressor, no lugar de desmontado, acabou mudando de mãos.

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Negativa no riso e na palavra

Entre os jornalistas Rodrigo Gonçalves e Aluysio ABreu Barbosa, hoje, no Folha no Ar, o riso aberto de Albertinho valeu como resposta (foto de Antonio Cruz)
Entre os jornalistas Rodrigo Gonçalves e Aluysio ABreu Barbosa, hoje, no Folha no Ar, o riso aberto de Albertinho valeu como resposta (foto de Antonio Cruz)

 

Indagado diretamente se acredita que Nahim manteria o voto a Magal se, no lugar de figurativo, o sufrágio do presidente fosse decisivo, Albertinho respondeu uma risada que desarmou o blogueiro na insistência. Afinal, no caso, seu riso foi letra; aliás três, com til na vogal do meio.

No entanto, quando antes foi perguntado, também diretamente, se acredita que tenha existido um acordo entre Nahim e Matoso, para convocar a eleição de sopetão em benefício da reeleição do primeiro na presidência e do segundo na vice, Albertinho foi mais contundente: “Não!”

Embora sua resposta contrarie não só a crença de quem perguntou, como a própria lógica revelada pelo desenrolar dos fatos, foi a opinião manifestada pelo vereador diante dos microfones e câmeras.

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Palavra mutante do bispo da Palavra

Quem roeu a corda com Rosinha?

Embora não tenha endossado a expressão feita por este blogueiro, Albertinho claramente identificou o desertor: bispo Vieira Reis (PRB), que assinou o apoio à chapa de oposição, teria voltado atrás na reunião com Rosinha na casa desta (que o blog revelou aqui), que se estendeu até a alta madrugada de terça, e acabou não comparecendo a sessão algumas horas depois, atribuindo sua ausência a uma indisposição após comer a galinha de Papinha (PP). 

A contradição entre a postura que se esperaria de um bispo evangélico com a falta de cumprimento da palavra dada a um, mudada a outro e depois não cumprida com ninguém, foi lembrada no Folha no Ar por Albertinho.  

Quanto às justificativas aos votos contrários de Dona Penha (PPS) e Altamir Bárbara (PSB), o edil do PP usou as atenuantes que já tinha sido previstas pelo blog (aqui), um dia antes da sessão, quando ecoou o raciocínio passado em conversa pelo também jornalista e blogueiro Alexandre Bastos: Dona Penha ficou presa à fidelidade partidária, já que a vereadora é do PPS, bancada liderada por Rogério Matoso (vice reeleito), enquanto Altamir confimou o histórico de quem se elegeu por ser secretário de Mocaiber para virar vereador de Rosinha, e fez um acordo com a oposição à prefeita cassada para se manter na primeira secretaria.

 

Atualização às 1h41 de 26/08/10:  Embora a primeira menção ao partido de Dona Penha (PPS) estivesse correta, o blogueiro se equivocou na segunda citação da legenda. Alertado sobre o erro pelo leitor Luiz Victor, já foi feita a devida correção. 

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